quinta-feira, 31 de maio de 2012

Torturas e assassinato em El Aaiun


Hamdi Etarfaoui, o jovem saharaui torturado e assassinado,
desaparecido desde 18 de maio
 

A notícia foi ontem divulgada (30-05-2012) pelo Western Sahara Human Rights Watch (WSHRW). Um horrível crime cometido pelas forças de ocupação marroquinas no Sahara Ocidental. Um jovem saharaui foi torturado brutalmente e assassinado, depois de ter desaparecido no passado dia 18 de maio, em vésperas das comemorações da fundação da Frente Polisario (20 de maio de 1973) e do desencadeamento da Intifada da independência (21 de maio de 2005). Uma notícia que coincide com o último desafio da monarquia alauita à comunidade internacional ao rejeitar a figura de Christopher Ross como enviado pessoal do SG das Nações Unidas para o Sahara Ocidental.

I. A CURTA NOTÍCIA DADA PELA WSHRW
Este é o texto da curta notícia divulgada pela WSHRW no dia 30 de maio:

URGENTE-ÚLTIMA HORA: SAHARAUI MORTO NO RIO SAGUIA EL HAMRA (maio 30,2012)

may 30th, 2012

Acabam de encontrar MORTO o saharaui desaparecido Hamdi Etarfaoui no rio Saguia el Hamra na Cidade de El Aaiún ocupada.
Hamdi estaba desaparecido desde o dia 18 de maio.
Vídeo que mostra a concentração pacífica de cidadãos saharauis em frente ao hospital Hassan Ben El Mehdi onde está o cadáver desfigurado do saharaui desaparecido Hamdi Etarfaoui que foi assassinado, dado que as autoridades colonialistas marroquinas não permitem que a sua família possa ver o corpo e identifica-lo:

O "facebook" da WSHRW e do EM (Equipo Mediático) do território ocupado publicaram, também, a única fotografia existente até ao momento do cadáver desfigurado.
http://www.facebook.com/photo.php?fbid=449466911731627&set=a.449466311731687.112267.249802881698032&type=1&theater

II. INFORMAÇÕES ADICIONAIS
Depois da publicação da notícia circularam informações adicionais. De algumas não posso garantir a veracidade, mas outras têm origem em fontes que considero de total fiabilidade.

Entre as informações que pude recolher, menciono as que considero mais relevantes:

Trabalhava numas dependências do Ministério do Interior como modesto funcionário. No dia 18 de maio o ministro de Saúde foi a El Aaiún e teve uma reunião e uma refeição em que ele participou. Tanto ele como outras pessoas ficaram indispostos com a comida. Foi a sua casa, deixou o telemóvel, saiu pouco depois para procurar algo na rua e nada mais se soube dele.
O hospital onde se encontra o cadáver está rodeado pela polícia. Não deixam ninguém acercar-se embora em El Aaiún ninguém dorme. Um saharaui tê-lo-á visto, com as mãos cortadas, a cara desfigurada, e a barriga aberta.

Entre as informações recolhidas pela organização WSHRW (embora ainda não publicadas na sua página web) refere-se:

O seu corpo está no Hospital Hassan Ben El Mehdi de El Aaiún. A família do assassinado comunicou à coordenadora de Akdeim Izik que não irá enterrar o corpo enquanto não houver uma investigação sobre os acontecimentos.

III. UM NOVO CRIME APÓS O CASO DAMBAR, MAS AINDA MAIS HORRÍVEL...
A tortura e o assassinato de Hamdi Etafaui surge no seguimento do assassinato, ainda impune, de Said Dambar, há já 17 meses, ocorrido no dia 22 de dezembro de 2010, às mãos de um polícia marroquino.
Agora, porém, não só existe um assassinato, como no caso Dambar, mas além disso horríveis torturas e, presumivelmente, mutilações.

IV. ... NUM CONTEXTO DE TENSÃO RESULTANTE DO DESAFIO DA MONARQUIA ALAUITA À COMUNIDADE  INTERNACIONAL
o contexto deste novo crime é preocupante.
O assassinato presumivelmente ocorreu no dia 18 de maio. É provável que o contexto seja o de uma visita do ministro do Interior marroquino para estudar a tensa situação nos territórios ocupados após a suspensão da anunciada visita de Christopher Ross, enviado Pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental.
Apesar do bloqueio informativo, convém a este respeito recordar algumas informações forneceu a WSHRW:

- COMUNICADO DA POPULAÇÃO SAHARAUI EM DAJLA OCUPADA contra a decisão marroquina de retirar a sua confiança a Ross 17/05/2012
- As paredes falam de um Sahara Ocidental ocupado 20/05/2012
- Manifestações saharauis na sexta-feira 25 de maio. Repressão policial: 13 feridos saharauis 27/05/2012
- Machados  policiais contra bandeiras da RASD no Sahara Ocidental ocupado 28/05/2012

A situação é de extrema gravidade.
O bloqueio informativo a que o “majzén” submete o território ocupado favorece o clima de impunidade para os crimes que se cometem contra a população saharaui.
Precisamente por isso a chave das propostas de Ross era romper esse bloqueio informativo.
E, precisamente por isso, Marrocos recusa Ross, ainda que a custo de perder toda a credibilidade, após desdizer o seu voto favorável à gestão de Ross no Conselho de Segurança, de que agora faz parte .
Espanha, continua calada. Mas continua a ser a chave.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ator Javier Bardem pede no PE que Espanha assuma a sua responsabilidade na descolonização do Sahara Ocidental



O ator espanhol Javier Bardem pediu esta terça-feira no Parlamento Europeu que Espanha assuma a sua responsabilidade no processo de descolonização do Sahara Ocidental.

Bardem que apresentava o seu documentário “Filhos das Nuvens, a última colonia, solicitou a Madrid que "tome as rédeas" como "administrador legal" deste processo.

O ator, Óscar em 2008, lamentou que "elementos económicos e geoestratégicos" impeçam a autodeterminação do povo saharaui.

Criticou a França por "seu veto sistemático contra todas as resoluções" da ONU a favor do Sahara Ocidental.

"É absolutamente incrível que Paris tenha vetado resoluções em que se pretende avaliar por um organismo internacional o respeito pelos direitos humanos nesses territórios", acrescentou.

"O que poderia alterar as coisas é que observadores internacionais possam ver de perto a situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental", afirmou.
(SPS)

Parlamentos de Extremadura e do Sahara estabelecem laços de geminação


O presidente do Parlamento de Extremadura, Fernando Manzano, 
recebe o ministro da Cooperação saharaui, Aach Ahmed


Os Parlamentos da Extremadura e do Sahara quiseram dar um passo mais nas suas relações de colaboração, um passo que levará à geminação entre os seus parlamentos na primeira quinze de julho de 2012.

“Creo que a estas alturas se han dado ya suficientes circunstancias entre el pueblo extremeño y el saharaui, y ahora hay que dar un paso más, y ese paso más pasaría por producir un hermanamiento entre las dos soberanías populares”. Así lo ha manifestado el presidente del Parlamento de Extremadura, Fernando Manzano, tras reunirse con el ministro de Cooperación Saharaui, Hach Ahmed, y el subdelegado Saharaui en la región, Allai El-Mami.

Para ello –ha explicado Manzano- los contactos para llevar a buen puerto esta iniciativa se realizarían a lo largo del mes de junio, para que el hermanamiento se produjera, si todo va por buen camino, en la primera quincena de julio.

Pero el presidente de la Cámara regional ha querido ir más allá, anunciando que invitará a la presidenta de la Coprepa, Arantza Quiroga, para que sea “fedataria” de la firma de dicho hermanamiento, con el fin de que “sirvamos como ejemplo para el resto de Parlamentos autonómicos de España”.

Por su parte, Hach Ahmed se ha mostrado convencido de que esta iniciativa de hermanamiento aportará “cosas positivas, además de suponer una contribución a nuestra lucha por conseguir una vida pacífica”.

“Esto no deja de ser un gesto de estímulo y de apoyo al Parlamento saharaui, una Cámara legislativa joven que ha surgido en unas circunstancias excepcionales debido a la ocupación marroquí”, ha subrayado el ministro saharaui.

En este sentido, ha añadido que el hermanamiento también servirá para enriquecer “nuestra experiencia como institución joven en un estado que se está forjando en unas condiciones complicadas”.

“Podemos aprender mucho de estas experiencias, máxime cuando aspiramos a construir un modelo grande que pueda tener un proyecto de estado civilizado, y respetuoso con las normas de una estado de derecho, y donde se promuevan la tolerancia, las libertades y la igualdad”, ha puntualizado Hach Ahmed.

DIGITAL EXTREMADURA Gloria Pajuelo

terça-feira, 29 de maio de 2012

Javier Bardem e Álvaro Longoria apresentam o seu documentário “Filhos das Nuvens” no Parlamento Europeu


Javier Bardem

Protagonizado e produzido pelo conhecido artista Javier Bardem, “Filhos das Nuvens” é um documentário em que se examina a agitação política atual no norte de África e a responsabilidade das potências coloniais.

O filme centra-se na situação do Sahara Ocidental, a última colónia africana segundo as Nações Unidas, e uma região em perigo de voltar à guerra.

A película é uma viagem pessoal em que Bardem guia a audiência pelo tortuoso caminho da diplomacia mundial e a terrível realidade de um povo abandonado,  um guião onde se procura compreender como se chegou a esta situação, e como se poderá evitar outra guerra em  África.

domingo, 27 de maio de 2012

Mohamed VI fracassa (de momento) com Hollande. Uma lição para Rajoy


Mohamed VI arrastou-se para poder ser recebido por François Hollande, uma vez que este não mostrou nenhum interesse em fazer de Marrocos o destino nem da sua primeira, nem da sua segunda nem mesmo da sua terceira viagem oficial. E embora, por fim, Mohamed VI tenha conseguido a ansiada reunião com Hollande, os indícios disponíveis parecem mostrar que fracassou no seu propósito. 


É que o "exemplo" de Sarkozy, que se refastela em Marrocos hospedado num dos palácios do sultão marroquino não parece já um "modelo" a seguir em França . O fracasso do rei marroquino em França vem juntar-se ao seu fracasso nos EUA. Já só lhe resta o apoio de Rajoy que, confiemos, talvez um destes dias se dê conta que a sua política em relação a Marrocos, provavelmente inspirada por Don Juan Carlos I, é contrária aos interesses de Espanha e está destinada ao fracasso.

I. MOHAMED VI... DUAS SEMANAS PARA SER RECEBIDO POR HOLLANDE...
A 11 de maio Mohamed VI viajou para Paris com a intenção de ser recebido pelo novo presidente eleito francês, Hollande.
Fê-lo depois de montar uma humilhante cerimónia em que os novos governadores e outros altos funcionários nomeados por si se submeteram de forma coletiva a uma cerimónia de beija-mão e prostração ante a sua figura (cada vez visivelmente mais inchada). Uma cerimónia que é, em si mesma, um desmentido da suposta "modernização" do regime que tanto apregoam os seguidores do "lobby" promarroquino.
Uma vez cumprido o trâmite de fazer com que os seus súbditos se humilhassem perante ele, Mohamed VI viajou para Paris para ele próprio se humilhar, mendigando por todos os meios uma entrevista com Hollande.
"Démain", uma publicação eletrónica marroquina independente, imprescindível para conhecer o que DE VERDADE, acontece em Marrocos, conta-o desta maneira, num esplêndido artigo que passo a traduzir:

Nunca tal se viu. Um soberano cherifiano que se agita como um diabo para ser recebido por um presidente francês antes de ninguém. Depois da investidura de François Hollande nas suas funções presidenciais, o rei Mohamed VI fez absolutamente de tudo para ocupar as redondezas do Elíseu e suplicar uma sessão de fotos com o novo presidente francês.
Fez-se de tudo. Envio de delegações oficiais e oficiosas, ativação de redes de lobbystas franceses e franco-marroquinos em  Paris, cartas secretas, etc....
Na impossibilidade de obrigar o novo chefe de Estado francês a efetuar a sua primeira visita oficial (fora da UE) a Marrocos, como o fez com o pobre Mariano Rajoy, obrigado a vir a Rabat para dar um beijo em público a Abdelilá Benkirán, Mohamed VI queria ao menos ser o primeiro chefe de Estado a ser recebido por Hollande no Eliseu.
Graças aos franceses do PS condecorados com o wissam, entre eles, o ex-emigrante catalão, o ministro Manuel Valls, figura especialmente detestada nos mercados árabes, assim como "a amiga da família", a primeira secretária do Partido socialista, Martine Aubry, Mohamed VI acaba por obter a sua satisfação.
E hoje, quinta-feira, 24 de maio de 2012, um breve comunicado do Eliseu anuncia que "François Holande, presidente da República, receberá em entrevista sua majestade Mohamed VI, Rei de Marrocos, esta quinta-feira, 24 de maio de 2012, pelas 16'00 h no palácio do Eliseu". ¡Viva o rei!
A perseverança tem o seu prémio. Mas este empenho em fazer uma foto com François Hollande talvez esconda outra coisa. A preocupação ante as futuras reações de um chefe de Estado que, se diz, menos recetivo aos nossos encantos culinários... e financeiros.

Mas a informação do Démain acabaria por acrescentar outro dado extremadamente importante. É que no dia anterior a ter recebido Mohamed VI, o presidente Hollande havia-se entrevista por telefone com o seu homólogo argelino, Abdelaziz Buteflika. E a este respeito é muito ilustrativo comparar os comunicados oficiais do Eliseu sobre a entrevista com Buteflika e com Mohamed VI, para confirmar que, de momento, Mohamed VI fracassou nos seus propósitos.
Tudo parece indicar que Mohamed VI esteve em Paris desde o dia 11 de maio esperando... até ao dia 24 de maio.

II. ... SEM CONSEGUIR, PELO MENOS DE MOMENTO, O SEU PROPÓSITO...
O rei marroquino tem medo no Sahara Ocidental. Disse-o aqui e repito.
Neste blog revelou-se em primeira mão, que o novo primeiro-ministro de França de forma oficial qualificou a presença marroquina no Sahara Ocidental como uma ocupação e que também qualificou o conflito como um conflito de descolonização que deve ser resolvido com um referendo de autodeterminação. Não disse nada de original. Simplesmente, advogou o que diz o Direito Internacional.
Marrocos tem medo de que França deixe de apoiar Mohamed VI de forma incondicional.
 Também neste blog revelámos em primeira mão as razões que levaram Marrocos a repudiar oficialmente o diplomata norte-americano Christopher Ross, o Enviado Pessoal do secretário- geral da ONU para o Sahara Ocidental. Marrocos tem medo de que as iniciativas que havia empreendido Ross revelem ante o mundo inteiro a natureza opressiva da ocupação marroquina.
Neste contexto, a visita de Mohamed VI a Hollande tinha um duplo objetivo:
- conseguir que o novo governo francês confirmasse o seu apoio incondicional à política de Mohamed VI no Sahara Ocidental;
- e, em consequência, que o novo governo francês apoie a iniciativa de Mohamed VI de afastar Ross.
O que é que MVI conseguiu? 
De momento, podemos dizer que Mohamed VI acumulou um fracasso, pelo menos parcial.
- por um lado, conseguiu que o porta-voz, em funções do ministério dos Negócios Estrangeiros do já ex-presidente Sarkozy, continue apoiando a proposta de pseudo "autonomía" apresentada por Marrocos em 2007.
No entanto, o monarca marroquino não conseguiu, depois da sua entrevista, uma só declaração de Hollande apoiando as posições do sultão no conflito do Sahara Ocidental. Como prova, serve o facto de a agência oficial marroquina, MAP, se ter limitado na sua "informação" a repetir as declarações do porta-voz em funções do MNE francês (cargo da equipa ainda de Sarkozy).
- Por outro lado, não conseguiu nenhum apoio à decisão de retirar a confiança a Ross. Inclusive o porta-voz em funções do MNE francês limitou-se a "tomar nota" da iniciativa alauita sem a apoiar. Hollande nem sequer "tomou nota".

III. ... ENQUANTO EUA E A ONU REITERAM O SEU APOIO A ROSS...
Enquanto isso, os EUA continuam a apoiar a Ross e prosseguem sem dar um apoio incondicional a Mohamed VI.
Convém a este respeito apontar CINCO factos.
O primeiro facto, como já o afirmei aqui, é que o Departamento de Estado dos EUA (como também o Secretário- Geral das Nações Unidas ), depois de desencadeada a campanha marroquina, reiteraram o seu apoio a Ross.
O segundo facto é que o Embaixador dos EUA na Argélia declarou dias depois, a 21 de maio, que Christopher Ross continua a contar com o respaldo dos Estados Unidos.
O terceiro facto é que os Estados Unidos são um dos países que, na sessão de 22 de maio do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra, criticaram as violações de direitos humanos cometidas pelo governo de "sua majestade" não só em Marrocos como também no Sahara Ocidental.
O quarto facto é que no Comité de Organizações não governamentais das Nações Unidas, a 24 de maio, o governo dos USA se opuseram expressamente ao intento de Marrocos de não admitir a iniciativa apresentada por uma associação suíça de defesa dos direitos humanos no Sahara Ocidental: Bureau International pour le respect des droits de l'homme au Sahara Occidental (BIRDHSO).
E em quinto lugar, no relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre a prática dos direitos humanos no Sahara Ocidental durante 2011, recém publicado a 24 de maio, denunciam-se claramente as violações de direitos humanos cometidas pela monarquia marroquina no Sahara Ocidental.
Quanto à ONU, no dia 25 de maio, o porta-voz do Secretário- Geral das Nações Unidas voltou a reiterar que apoia a Ross, como já o havia feito no dia 17 de maio.

IV. ...E O GOVERNO RAJOY CONVERTIDO EM ÚNICO ALIADO ? OU REFÉM DE MOHAMED VI...? ATÉ QUANDO?
Aqui o disse várias vezes e devo repeti-lo:
- o  governo Rajoy anunciou uma política exterior em relação a Marrocos que desde logo deixou de cumprir;
- Essa alteração de política parece ter sido sugerida por Don Juan Carlos I em função mais que dos interesses nacionais espanhóis, mas antes dos seus próprios interesses privados (que, como ficou manifestado recentemente de forma pública e notória) estão muito vinculados às tiranias petrolíferas do Golfo Pérsico, protetoras da monarquia marroquina.
Ahmed Bujari, uma das cabeças mais lúcidas da Frente Polisario acaba de proferir umas declarações importantes que faria bem o governo Rajoy meditar:
A Polisario "está testando a atitude e medindo a temperatura ao Governo de Madrid" a quem está dando tempo até depois do verão para que dê "uma resposta definitiva se Espanha está interessada num Estado saharaui independente ou o considera contrário aos seus próprios interesses".
Considerou que, até agora, a resposta "é sim e não, é a favor e é contra", tal como durante o governo do PSOE. "Os nossos amigos socialistas informaram-nos que se opuseram para a facilitar interesses de outros", disse Ahmed.
"NO dia em que sentirmos o agradável perfume de que Espanha tem os seus próprios interesses em vez de facilitar os dos outros, nesse dia veremos a autêntica primavera", afirmou.
A Frente Polisario, a ONU, os EUA, França e Argélia já se pronunciaram sobre a decisão do “majzen” de retirar a sua confiança a Ross, mas o governo espanhol não disse ainda nada sobre o assunto.
Sim, chegou a hora de que Espanha, como nação, esteja consciente de que tem os seus próprios interesses.
Interesses entre os quais está um Sahara Ocidental independente.

DESDE EL ATLANTICO blog do prof. CARLOS RUIZ MIGUEL  25.05.12

sábado, 26 de maio de 2012

“A decisão de Marrocos de retirar a confiança a Ross é um ato sem fundamento e injustificado” – afirma o Presidente Saharaui


Mohamed Abdelaziz


O presidente saharaui declarou em entrevista exclusiva ao diário "Le Soir d'Algérie" que "esta decisão sem fundamento e injustificada demonstra o facto de que não se trata apenas de retirar a confiança a Ross, mas também às Nações Unidas, na pessoa do seu Secretário- Geral”.

O SG da Frente Polisario afirmou que através desta conduta, o reino marroquino "nega as suas obrigações e opõe-se à aplicação da normativa internacional, desafiando a comunidade internacional e procedendo de modo a manter o conflito no Sahara Ocidental num beco sem saída."
(…)
SPS

Washington apoia esforços de Christopher Ross para o Sahara Ocidental


Christopher Ross

Os "Estados Unidos da América apoiam os esforços do Enviado da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, e fazem um apelo a Marrocos para continuar a cooperar com a ONU", afirmou esta sexta-feira Halos Andy,  porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.


Questionado sobre a posição dos EUA após a retirada de confiança a Ross por parte de Marrocos, o porta-voz sublinhou: "tal como temos dito anteriormente, apoiamos os esforços  do Secretário-Geral das Nações Unidas e do seu Enviado Pessoal, Christopher Ross  no Sahara Ocidental. "


"Instamos o Governo de Marrocos a continuar cooperando com a ONU no âmbito dos esforços realizados por esta organização para o Sahara Ocidental", acrescentou.


O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que o seu país  "apoia os esforços realizados pelas Nações Unidas para encontrar uma solução pacífica, duradoira e mutuamente aceitável pelas partes em conflito no Sahara Ocidental", o que confirma que os EUA "ainda têm confiança na trajetória seguida pelas Nações Unidas com as duas partes (a Frente Polisario e Marrocos) com o objetivo de encontrar uma solução mutuamente aceitável”.


Recorde-se que esta posição já havia sido manifestada pelo Secretário Adjunto de Estado dos  EUA, William Burns, numa reunião que teve lugar em Washington com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos, Saad Eddin Ozmani.


O porta-voz do Secretario-Geral da ONU, Martin Nesirky, já havia reiterado anteriormente que Ban Ki-moon, "tem plena confiança em Christopher Ross." (SPS)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Marrocos prossegue política de repressão às liberdades de expressão, manifestação e associação nos territórios ocupados saharauis – denuncia a AI


A Amnistia Internacional (AI) denunciou esta quarta-feira que Marrocos prosseguiu em 2011 com a repressão às liberdades de expressão, associação e reunião dos saharauis que defendem a autodeterminação do Sahara Ocidental e manteve a sua política de detenção e encarceramento de ativistas.


No seu último relatório mundial sobre a situação dos direitos humanos, a AI sublinha que não foi levada a cabo "nenhuma investigação independente e imparcial sobre os acontecimentos de novembro de 2010 em Gdim Izik e  El Aaiún, quando as forças de segurança marroquinas destruíram um acampamento de protesto saharaui".

O relatório refere também o sequestro, em outubro de 2011, de três cooperantes (uma mulher italiana e um homem e uma mulher espanhóis), capturados "por um grupo armado" nos acampamentos de refugiados saharauis. (SPS)


Primeiro-ministro saharaui diz que a Polisario está disposta a libertar pela força os cooperantes sequestrados em Tindouf


Abdelkader Taleb Omar, primeiro-ministro da RASD

O primeiro-ministro saharaui, Abdelkader Taleb Omar, afirmou ontem que a Frente Polisario está disposta a "sacrificar a vida dos seus combatentes" para libertar os cooperantes espanhóis Enric Gonyalons e Ainhoa Fernández de Rincón, e a italiana Rosella Urru, sequestrados há sete meses nos acampamentos de Tinduf (Argélia).

Taleb Omar assegurou  durante a sua intervenção num seminário sobre o Sahara Ocidental em Madrid, que as notícias de que dispõe a Polisario é que Gonyalons e Fernández de Rincón "estão vivos".

Embora se tenha mostrando confiante de que em breve possam ser resgatados através das iniciativas que se estão a realizar, sublinhou a disposição das forças de segurança saharauis de intervirem caso seja necessário.

"A Polisario está disposta, inclusive a sacrificar a vida dos combatentes saharauis, para liberar os sequestrados porque estamos decididos resolver a questão. Mas também temos evitado pôr em perigo a vida dos sequestrados e por isso temos evitado até agora uma ação militar", referiu Taleb Omar.

"Temos todo o empenho e vontade de utilizar todos os esforços para os libertar sãos e salvos", sublinhou.

O dirigente da Polisario referiu-se ao sequestro dos cooperantes na inauguração das VI Jornadas das Universidades Públicas Madrilenas sobre o Sahara Ocidental, que realizam ontem e hoje em Madrid.

Taleb Omar referiu que a sua organização está cooperando ativamente com os governos dos países vizinhos no tratamento deste assunto.

Os espanhóis Gonyalons e Fernández de Rincón e a italiana Rosella Urru foram sequestrados no dia 23 de outubro num dos acampamentos próximos de Tindouf, no extremo sudoeste da Argélia. 

O grupo a quem se atribuiu a autoria do sequestro é o Movimento Unidade e Jihad  na África Ocidental, um ramo da Al Qaeda para o Magreb Islâmico (AQMI).

Taleb Omar reconheceu que os intentos para libertar os cooperantes complicaram-se complicado desde que os rebeldes tuaregs tomaram o controlo do  norte de Mali durante o mês de março, onde se pensa que se encontram os sequestrados.

O primeiro- ministro saharaui reiterou as suspeitas da sua organização de que Marrocos possa estar relacionado com "mão negra invisível" que perpetrou o sequestro.

Na sua opinião, "não é segredo" que Marrocos está a "exportar droga" através de grupos de narcotraficantes que operam no norte de Mali, que, por sua vez, estão ligados com as redes terroristas.

Apesar do dano causado com o sequestro, Taleb Omar assegurou que as ONG prosseguem com o seu trabalho nos acampamentos de refugiados.


EFE 

PSOE admite que não fez o suficiente sobre o Sahara com Zapatero

Zapatero: subordinação e cumplicidade 
com a política anexionista de Marrocos
O PSOE afirmou hoje compreender o enfado que o povo saharaui tem relativamente ao partido, ao reconhecer que "não se avançou o suficiente" na resolução do conflito do Sahara Ocidental durante os oito anos de governo de José Luis Rodríguez Zapatero.
O porta-voz adjunto das Relações Externas do PSOE no Congresso, Álex Sáez, fez autocrítica da política que os socialistas prosseguiram nas duas últimas legislaturas em torno do contencioso entre Marrocos e a Frente Polisario.
"As críticas não caem no vazio. Agradeço-as e aceito-as. Os eleitores colocaram-nos na oposição e provavelmente perdemos a confiança de alguns, entre outras coisas, pelo tema do Sahara", confessou Sáez.

El diputado por Girona ha hecho este análisis durante las VI Jornadas de las Universidades Públicas Madrileñas sobre el Sáhara Occidental, que se celebran hoy y mañana en el Círculo de Bellas Artes de Madrid.

Sáez ha transmitido su mensaje en presencia de varios dirigentes del Polisario, como el primer ministro de la República Árabe Democrática Saharaui (RASD), Abdelkader Taleb Omar.

En el coloquio posterior, buena parte de las preguntas han ido dirigidas al parlamentario socialista para expresarle el malestar por cómo el PSOE dejó a un lado la cuestión del Sáhara durante la etapa socialista en el poder.

Sáez ha insistido en reconocer de forma "responsable" la falta de avances que hubo con Zapatero y la "frustración" por el estancamiento del conflicto, pero ha dejado clara la "cercanía" del PSOE al pueblo saharaui y el respaldo a su derecho de autodeterminación.
Se ha comprometido a que el PSOE se ocupará más en esta legislatura del contencioso y ha emplazado al PP a volcarse también más en esta cuestión.

"Vamos a pedir a (Mariano) Rajoy y a (José Manuel) García-Margallo que, en vez de preocuparse por temas más espinosos como el de Gibraltar, el Sáhara esté mucho más presente en la política exterior española", ha demandado Sáez.
El parlamentario catalán ha augurado que con el PP en el Gobierno, "las cosas pueden empeorar".
O Deputado do PSOE Álex Sáez

En la mesa redonda, han participado el diputado de IU Joan Josep Nuet y el responsable de política exterior de UPyD, Fernando Maura.
Por parte del PP, su diputado Pablo Casado no ha asistido por motivos de agenda, alegando que la mesa redonda se adelantó a hoy, cuando estaba prevista mañana, viernes, según fuentes de la organización del foro.

Nuet ha asegurado que IU, al contrario que el PSOE, no cambiará nunca su postura a favor del pueblo saharaui. "El día que eso ocurra, me iré del partido", ha prometido.

El diputado catalán ha instado al Gobierno del PP a adoptar iniciativas a favor de la celebración de un referéndum para que el pueblo saharaui decida su futuro.

Maura ha convenido en el pesimismo ante la labor que el Ejecutivo de Rajoy pueda hacer sobre el Sáhara Occidental. "No hay que esperar grandes novedades", ha augurado.

EFE 24 de maio de 2012   

Sahara Ocidental: o que diz o Relatório sobre os Direitos Humanos elaborado pelo Departamento de Estado dos EUA





Privação arbitrária ou Ilegal do direito à vida; desaparecimentos; tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes; centros de detenção e condições inumanas; prisões ou detenções arbitrária; privação de liberdade de expressão e de imprensa; discriminação, abusos sociais e tráfico de pessoas; atentados aos direitos dos trabalhadores…

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Até hoje nenhum Enviado Especial da ONU para o Sahara Ocidental visitou o Sahara Ocidental !


O que aconteceria se um Enviado Especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental visitasse o Sahara Ocidental? O que aconteceria, pois, se Cristopher Ross, que ocupa esse cargo, viajasse até ao Sahara Ocidental para verificar in loco os relatórios que tem consultado? Provavelmente, alguns dias antes, Marrocos retirar-lhe-ia a sua confiança e pediria às Nações Unidas a sua substituição. Foi o que ocorreu nos últimos dias. E a situação é tão grave, que nunca nenhum enviado especial do secretário-geral da ONU para Sahara Ocidental pôs os pés no território. É uma zona vedada ao responsável por arbitrar a solução para o conflito...

James Baker
Peter Van Walsum
Ni James Baker, ni Peter Van Walsum, antecesores como enviados especiales para el Sahara Occidental, han pisado el territorio saharaui. Ross pretendía quebrantar lo que considera una anomalía, pero se ha encontrado al Majzen en plena convulsión. El modus operandi fue algo distinto de lo habitual, pero culminó causando el revuelo suficiente para frenar las intenciones de Ross y presionar a Naciones Unidas. Después de estirar la presión internacional, filtrar a medios de comunicación internacionales su opinión sobre Christopher Ross, el ministro de Comunicación de Marruecos, Mustafá Jalfi, detalló algunos detalles de los argumentos que conforman la retórica marroquí.

Christopher Ross
Recuperando el comunicado enviado por el Gobierno marroquí encontramos que Ross tiene “un método desequilibrado y parcial”; lanzan al Secretario General que tome decisiones para que el conflicto “avance”; aseguran que “hay tendencia a debilitar la posición marroquí”; y, sobre todo, su marginación de “la propuesta histórica y estratégica de autonomía hecha por Marruecos”.

Se han celebrado nueve rondas de negociación entre las partes y durante el proceso a Marruecos le ha dado tiempo de elaborar un plan de autonomía que constituye una violación al derecho internacional. Para Marruecos, la negativa del Polisario a este plan de Autonomía y que Ross no lo recomiende como salida constituyen una situación que “ya no es conveniente a aceptar”.

Antes que Ross, Peter Van Walsum, diplomático holandés, ocupó su mismo cargo. Salió también con la cabeza gacha, incapaz de solucionar el conflicto. Nunca viajó El Aaiún o no se informó oficialmente de ello. Van Walsum cometió la torpeza diplomática de declarar que el objetivo de la Misión de Naciones Unidas para el Sahara Occidental, el Referéndum, era “imposible”. Argelia opinó que su trabajo había concluido. Van Walsum fue franco y tras sus declaraciones había un mensaje claro: No es posible celebrar el referendum en las condiciones actuales. Quizá le faltó algo de cinismo para maquillar.

Antes que Van Walsum, en su puesto estuvo James Baker, que tras elaborar dos planes y encontrar reticencias por ambas partes el Polisario aceptó que el Sahara Occidental fuera una autonomía durante un tiempo determinado en el documento y que tras el mismo se celebrase un referendum que incluyese la independencia. Si se hubiese ejecutado, el conflicto tendría resolución a estas alturas. Pero no pudo ser. A Marruecos no le gustaba que se incluyese la independencia como opción. Y Baker acabó abandonando su puesto, sin poder presenciar en persona, tampoco, la masiva presencia de paramilitares y policías marroquíes que inundan el día a día en El Aaiún.

Y la historia se ha vuelto a repetir. Ross ha tirado de la cuerda más de lo que el amo permite y se ha encontrado con un latigazo que Naciones Unidas ha intentado evitar, pero sólo ha conseguido hacerlo a medias. Ban Ki-Moon ha reiterado su confianza en Ross, contra la opinión de Marruecos, pero se ha cancelado ese viaje previsto y ningún enviado especial del secretario general habrá pisado el Sahara Occidental.

A MINURSO é a única Missão das Nações Unidas 
para o continente africano que
 não zela pelo cumprimento 
dos Direitos Humanos no território….
 Cabe recordar, como una cesión más que hace la diplomacia de Occidente a Mohamed VI, que MINURSO es la única Misión de Naciones Unidas para el continente africano que no vela por el cumplimiento de los Derechos Humanos en el territorio, cuya violación no sólo es cometida por las fuerzas paramilitares, sino también por la propia policía y administración marroquí -incluida la judicial. También es una cesión a Marruecos la posibilidad de explotar los recursos naturales del Sahara Occidental y obtener importantes beneficios por ello.

Lo preceptivo sería, si el transcurso de los hechos sigue por dónde habitualmente va, que ahora Naciones Unidas deje correr unos meses, luego filtre la sustitución de Ross y finalmente la ejecute.

GUINGUINBALI  TXEMA SANTANA  Ilhas Canárias 23/05/2012

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Presidente de Timor-Leste reafirma compromisso de fortalecer as relações bilaterais com a RASD


Taur Matan Ruak

O recém eleito Presidente de Timor-Leste, Taur Matan Ruak reafirmou hoje o seu compromisso de fortalecer as relações bilaterais entre o seu país e a República Árabe Saharaui Democrática (RASD).

Ruak, investido no passado domingo como Presidente de Timor-Leste, proferiu estas declarações durante um encontro com o ministro de Estado Bachir Mustafa Seyed, enviado especial do Presidente Mohamed Abdelaziz.

"Fortalecer as relações entre os nossos países é um objetivo primordial", declarou Ruak.

Bachir Mustafa Seyed transmitiu ao Presidente de Timor-Leste as felicitações do seu homólogo da República Saharaui Mohamed Abdelaziz, e informou Taur Matan Ruak sobre a situação atual do conflito entre RASD e Marrocos.

Bachir Mustafa Seyed viajou até Díli à frente de uma delegação saharaui para assistir às comemorações do décimo aniversário da independência de Timor-Leste. (SPS)

terça-feira, 22 de maio de 2012

O povo saharaui prosseguirá a sua luta legítima até à vitória final - afirma o SG da Frente Polisario


 O Secretário- Geral da Frente Polisario  e presidente da República Saharaui , Mohamed Abdelaziz, afirmou que  o povo saharaui será perseverante mais do que nunca em continuar a batalha pelo seu legítimo direito à liberdade e à dignidade, realçando os sacrifícios e desafios a que está sujeita a Resistência Pacífica  face à ocupação. As palavras foram proferidas por ocasião das comemorações do 39.º aniversário do desencadeamento da luta armada pela independência no Sahara Ocidental.


O SG da Frente Polisario felicitou as massas populares da insurreição pela independência nos Territórios Ocupados que “têm sabido resistir e enfrentar todas as provas apesar das duras condições e das dificuldades resultantes das manobras políticas do inimigo nos seus intentos de quebrar a sua unidade e a sua firme convicção nos seus justos e legítimos direitos“,sublinhou o Presidente Saharaui no seu discurso dirigido ao povo saharaui.

O Presidente Saharaui qualificou de “excelente o papel desempenhado pelas massas da insurreição da independência nos territórios ocupados que deram provas de grandes sacrifícios e revelaram mártires da estatura de Said Dambar” que permanece ainda na morgue do hospital sem que lhe seja concedida a sagrada sepultura devido à recusa das autoridades marroquinas.

M. Abdelazizi manifestou solidariedade com todos os presos políticos saharauis e suas famílias, em que se incluem os de Dajla e do acampamento de protesto de  Egdeim Izik, prova do orgulho e do repúdio absoluto à injustiça e à presença  colonial no território saharaui.

 20 - 05-2012 (SPS)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Representação saharaui em Portugal comemora aniversário do 20 de maio



Aproveitando a comemoração da passagem de mais um aniversário do início da luta armada contra o colonialismo espanhol, a representação da Frente Polisário em Portugal promoveu um encontro com portugueses solidários com a causa do povo do Sahara Ocidental.

Na ocasião, o Sr. Ahmed Fal Yahdih fez um balanço destes 39 anos de luta, salientando o impasse em que se encontra o processo negocial pela obstinada recusa do governo marroquino em respeitar o direito internacional, na qual conta com a cumplicidade de vários governos, nomeadamente europeus. Mas as dificuldades no combate por ver reconhecido o seu direito à autodeterminação não impedirão o povo do Sahara Ocidental em alcançar a sua independência.

Os presentes ao acto, na sua maioria membros de diferentes organizações de solidariedade, reafirmaram uma vez mais o seu apoio à causa do povo saharaui e o compromisso em prosseguir na sensibilização da opinião pública portuguesa e internacional.

sábado, 19 de maio de 2012

projeto do TGV em Marrocos faz polémica



Primeiro no mundo árabe, o futuro TGV marroquino apontado a favorecer o crescimento do reino não faz a unanimidade. Os membros do coletivo "Stop TGV" pedem a paragem imediata do de um projeto que consideram como deslocado para um país pobre como é o Marrocos.

Omar Balafrej, membro do coletivo "Stop TGV" : "Trata-se de um projeto que não é prioritário para Marrocos. 25 mil milhões de dirhams (mais de 2,250 mil milhões de euros) , é o equivalente a 25 000 escolas nos meios rurais, 16 000 bibliotecas, 10 000 mediatecas, 25 centros universitário hospitalares, quando se sabe que uma grande cidade como é Agadir não tem qualquer centro universitário hospitalar."

Os detratores do projeto lembram que Marrocos ocupam o 130º lugar do ranking mundial de desenvolvimento humano e que imensas regiões do país não são servidas sequer pelo caminho de ferro clássico. Os caminhos de ferro marroquinos, sublinham que a linha existente entre as duas cidades (Tanger e Casablanca) está a chegar á saturação, e falam de uma clientela de 6 milhões de pessoas a partir de 2016.
Le Monde.fr

Nota :
A sociedade ganhadora do projeto é a francesa Alstom. O mega-projeto foi concedido aos franceses da Alstom sem que tenha sido lançado qualquer concurso internacional (In LGV Poitiers). Imagem: Cartoon editado nesta publicação.

A Droga que nos chega de Marrocos: Aviões de África para o Alentejo carregados de heroína e cocaína

Redes de tráfico chefiadas por espanhóis estão a utilizar aviões para transporte de droga, principalmente heroína e cocaína, desde o Norte de África até pistas improvisadas e clandestinas no Alentejo – é esta, pelo menos, a convicção da Guarda Nacional Republicana. 

Nota da A.A.C. Portugal-Sahara Ocidental: A Notícia é de hoje e vem publicada  "Correio da Manhã". 
Importa recordar, porém, o envolvimento de altos membros da hierarquia das Forças Armadas marroquinas denunciado pela imprensa e pela Interpol. Divulgava ainda recentemente o jornal espanhol La Razon: "dois generais marroquinos estão implicados no tráfico tendo por base os territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Segundo informação da Interpol que alertou as autoridades marroquinas, a droga é desembarcada nas costas saharauis ou directamente de barcos de marcadoria para barcos de pesca. (Nota: a maioria das empresas de pesca a fainarem ilegalmente em águas saharauis pertencem às mais elevadas patentes das FAR ou a altos dignitários marroquinos.
general Bennani
general Housni Benslimane
general Abdelhak Kadiri
O general Bennani, Inspector Geral das FAR e responsável pela região militar do Sahara Ocidental , o general Housni Benslimane responsável pela Gendarmeria Real , e e o general Abdelhak Kadiri, ex-responsável dos serviços de informações e conselheiro militar próximo de Mohamed VI, são apontados como os principais responsáveis pelo tráfico de drogas.

A GNR e a Força Aérea, segundo fontes policiais e militares, já começaram a fazer o levantamento das pistas de terra batida onde é possível aterrar no Alentejo. "Muitas dessas pistas são caminhos abertos no interior de herdades", diz um oficial da GNR que pede para não ser identificado.
A técnica destes pilotos experimentados eaventureiros é conhecida: descolam de Marrocos, voam sobre o mar a baixa altitude e, chegados à costa do Algarve, metem-se pelos vales do Guadiana a escassos 20 metros acima da copa das árvores.
O voo a reduzida altura sobre o mar permite-lhes escapar à vigilância espanhola. Já no espaço aéreo português, fintam os olhos da Força Aérea colados ao radar instalado na Fóia, no alto da serra de Monchique: continuam a voar baixinho, mas agora sobre o Guadiana e com redobrada atenção. As elevações do terreno constituem, ao mesmo tempo, um perigo traiçoeiro e um aliado inestimável. Um erro de pilotagem será fatal, mas os montes e vales ajudam a mantê-los escondidos da curiosidade do radar.
Nem todos conseguem passar despercebidos. De vez em quando, surge um sinal no radar - um pontinho luminoso intermitente a deslocar-se devagar. Os controladores de serviço nos postos de radar da Força Aérea sabem quando se trata de um voo à margem da lei. Tentam contactar o piloto por rádio, mas não obtêm resposta. Se o sinal da presença de um avião desconhecido se mantiver no radar é accionada a parelha de caças F16 de alerta na Base de Monte Real, nos arredores de Leiria.
Em Novembro de 2010, em plena Cimeira da NATO, em Lisboa, um F16 interceptou um desses aviões da droga e obrigou-o a aterrar no Aeródromo de Vila Real de Santo António. Mas, na maior parte das vezes, o sinal surge por um breve momento e não mais volta a aparecer. Os pilotos dos F16 nem sequer são incomodados.
Os aviões utilizados no tráfico são monomotores modificados: têm motores mais potentes que lhes permitem descolar com mais peso - e tanques suplementares de combustível para uma maior autonomia. "Cada aparelho, apenas com um piloto, pode carregar em segurança 500 quilos de heroína ou cocaína", garante ao CM fonte policial.
A viagem compensa o risco. Meia tonelada de heroína ou cocaína vale na rua cerca de 250 mil euros. O transportador - o piloto, que na maior parte das vezes é o dono do avião - cobra pelo menos 10 ou 15 por cento. Cada voo clandestino entre Marrocos e o Alentejo rende--lhe entre 25 e 37 500 euros.
Há planos para a instalação de radares móveis ao longo das rotas de intrusão pelo Guadiana - radares que permitam seguir de perto qualquer avião não identificado e apanhá-lo. Até lá, vão continuar a voar entre Marrocos e o Alentejo sem grandes transtornos.


Por:Manuel Catarino CORREIO DA MANHÃ

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Secretário-Geral da ONU renova confiança em Ross como seu enviado pessoal para o Sahara Ocidental



O Secretário-Geral  da ONU Ban Ki-Moon, ratificou a sua confiança em Christopher Ross como seu enviado pessoal para o Sahara Ocidental, segundo anunciou esta quinta-feira o porta-voz da ONU Martin Nesirky, em resposta à posição do governo  marroquino de retirar a sua confiança ao mediador da ONU.

A decisão de Rabat surge após a divulgação do último relatório da ONU que contem duras críticas ao governo marroquino por obstaculizar a missão da ONU  no Sahara Ocidental.
(…)
O governo  dos EUA reiterou em repetidas ocasiões o seu apoio aos esforços da ONU  para resolver o conflito do Sahara Ocidental, em particular os esforços despendidos pelo representante pessoal de Ban Ki Moon, Christopher Ross.

O governo marroquino decidiu esta quinta-feira retirar a confiança a Christopher Ross, que ocupa o cargo de representante pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental desde 2009.A rejeição de Rabat à gestão de Ross surge na sequência de uma campanha mediática sem precedentes promovida pelos meios de informação marroquinos.
    
A imprensa marroquina  promove há dias uma campanha contra Ross, acusando-o de estar por detrás do relatório do SG da ONU ao Conselho de Segurança, resolução N º 2204 que defende a solução que permita "a livre determinação do povo saharaui", destacando a necessidade de dar plena liberdade de movimento à Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO)”.

(…) Com o objetivo de restaurar o poder da MINURSO o SG da ONU pediu ao Conselho de Segurança mais apoio a este dispositivo para manter a paz.
Nesse sentido, também o responsável da MINURSO, Hani Abdel Aziz, havia confirmado semanas antes que esta missão, está pronta para "acelerar" a aplicação das resoluções do Conselho com o objetivo de "permitir ao povo saharaui a autodeterminação".

Nova Iorque, 18/05/12(SPS) 

Frente Polisario qualifica a decisão de Rabat de retirar a confiança a Christopher Ross como arbitrária e desafio à comunidade internacional



A  Frente Polisario e o Governo da República Árabe Saharaui Democrática  qualificam a decisão de Marrocos de retirar  a confiança ao Enviado Pessoal do  Secretário-Geral das Nações Unidas,  Christopher Ross, como arbitrária e um desafio à comunidade internacional, refere um comunicado do Ministério da Informação Saharaui publicado hoje.

Esta grave e injustificável decisão — refere o comunicado —, é um novo desafio intolerável e inaceitável de Marrocos à Comunidade Internacional, ao Secretário-Geral da ONU e ao Conselho de Segurança, que considerou na sua última resolução 2044 de 24 de abril de 2012 a situação como um statu quo inaceitável e "reafirmava  o seu apoio ao Enviado Pessoal do SG para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, e aos seus esforços para facilitar as negociações entre as partes".

”Marrocos quer assumir descaradamente o direito de ditar ao SG da ONU o conteúdo dos seus relatórios ao Conselho de Segurança e decidir a ação a seguir pelo seu Enviado Pessoal”, adianta o documento. “Marrocos, com esta decisão – acrescenta o texto – pretende quebrar a credibilidade e neutralidade das operações da MINURSO , como o confirmou o último relatório do SG, bloquear o processo de paz e prosseguir as graves violações dos direitos humanos nos territórios saharauis ocupados.

 A Frente Polisario e o governo da RASD  “reiteram a sua  vontade de  continuar a apoiar e cooperar  com os esforços do SG da ONU e do seu Enviado Pessoal, Christopher Ross, para completar o processo de descolonização do Sahara Ocidental e, nesse sentido, lançam um apelo urgente ao Conselho de Segurança para tomar as decisões necessárias e as medidas pertinentes destinadas a salvaguardar e proteger a autoridade das Nações Unidas e a credibilidade do seu trabalho pela paz no Sahara Ocidental”, acrescenta o comunicado.

18-05-2012 SPS


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Estreia em Madrid "Hijos de las nubes", o documentário protagonizado e produzido por Javier Bardem



Javier Bardem: "Não pode continuar esta forma imperativa de governar, as pessoas não aguentarão"…

O ator regressa ao cinema espanhol: fá-lo com 'Hijos de las nubes', um documentário de Álvaro Longoria que estreia esta sexta-feira e é produzido pelo próprio Bardem. Javier Bardem falou também na ONU sobre o problema saharaui. Além de protagonista, Bardem é produtor da película, e muito mais: o ator chegou a visitar a sede da ONU para explicar a difícil situação do povo saharaui, que Bardem conheceu há vários anos após ter participado no Festival de Cinema do Sahara.

- Cuando fue a la ONU, ¿se sentía capaz de cambiar algo?
Lo propusimos, accedieron y la oportunidad era extraordinaria. Era mucha responsabilidad: un lugar tan importante y emblemático, 45 segundos para hablar... Era raro, pero también el momento en el que el mundo se fijaría en los saharauis. No sentí que iba a cambiar nada: solo debía llevar el tema al lugar adecuado y esperar a que los que sí pueden cambiar las cosas lo hagan.

- ¿Estaba emocionado?
Sí, pero no por mí mismo, sino por lo que estaba hablando. Fue un momento de extraordinaria emoción.

-¿Cree haber conseguido algo?
De momento, hablar del tema. Ese era el objetivo. Sería absurdo, ridículo, pensar que con un documental vamos a cambiar la escena política, pero sí creímos que podría servir de impulso. Eso es la acción civil: mostrar hechos y opiniones y enseñar, de forma objetiva, que la situación es injusta.

- ¿Por qué no se habla más de la situación de los saharauis?
Mucha gente no ha querido ni salir en la película... Es un tema incómodo, pero mostrar a los implicados que no quieren hablar del tema ya denota que es algo a evitar y postergar.
- Muchos dirán que qué hace un actor, exitoso y millonario, hablando de estas cosas.
Y no les diré nada, porque tienen todo el derecho del mundo de opinar. Justificarme o excusarme sería una batalla perdida. Pero también tengo algo claro: seas actor, fontanero, empresario o futbolista eres ciudadano, y tienes derecho a expresar tu opinión. Nosotros podemos hacer lo que sabemos: una película. ¿Que no le gusta a alguien? Estupendo. Que sigan pensando lo mismo.

- ¿Quién debe verla?
Los que estén interesados en este tema. Creemos que todo el mundo debería estarlo, pero no lo pretendemos... Hay mucha gente que ya lo está pasando mal con lo suyo, y no les vamos a pedir nada. Pero también es verdad que la sociedad española es consciente, solidaria y conoce el tema. Además, queríamos que se supiera más del asunto en Francia o EE UU.

- ¿Nadie le ha dicho que podría perjudicar su carrera?
En absoluto, ni con el Sáhara ni con ningún otro asunto. Está claro: no soy un experto en nada, soy un simple actor, pero tengo mi opinión sobre las cosas. Nadie me ha dicho que tuviera cuidado, más bien lo contrario. Quizá en EE UU son más benévolos conmigo por ser extranjero, no lo sé.

- ¿Y con sus actores? ¿Qué dicen en EE UU de su activismo?
Los critican... A Sean Penn, por ejemplo, le dan por todos lados. Pero no es una caza de brujas. Mira: mis agentes saben cómo soy, y no quieren que vaya en contra de mi naturaleza. Si me ayudan tienen que aceptarme. La gente que me apoya, incluso, me ayuda a difundir este documental.

- ¿Echa de menos que otros famosos, como los deportistas, no se posicionen tanto por causas como ésta?
No. Yo pido responsabilidades a los que tienen la obligación de cambiar las cosas, a quienes hemos votado, a los que presuntamente trabajan para nosotros. Pero ahora es al revés... Somos nosotros los que trabajamos para los bancos.