quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Relatório 2013 da HUMAN RIGHTS WATCH: Marrocos e o Sahara Ocidental



As condições dos direitos humanos em Marrocos foram sem dúvida muito desiguais, pelo facto da Constituição de 2011 com fortes disposições sobre direitos humanos não se traduziu em melhorias práticas. Embora os marroquinos tenham o direito a protestar nas ruas, a polícia muitas vezes dispersou as manifestações violentamente, e os líderes dos protestos e oposicionistas arriscaram-se a ser encarcerados depois de sofrerem julgamentos injustos, muitas vezes tendo por base as numerosas leis que reprimem a liberdade de expressão e que ainda não foram revistas à luz da nova Constituição. (…)

A MINURSO é a única missão de manutenção da paz criada depois de 1990 que não tem nenhuma componente de observação dos direitos humanos. (…)

http://www.hrw.org/world-report/2013/country-chapters/113231?page=1




‘MAR DE ARENA’ um documentário de Fernando López Castillo



Três anos de trabalho que culminam hoje com o seu primeiro encontro com o público. Uma aventura pessoal que fala da vida de milhares de seres humanos a quem o resto dos países converteu num problema que não quer solucionar.


A parte histórica de um conflito que parece não ter solução, o relato da vida nos acampamentos através do que acontece nas escolas, hospitais e outros serviços, o conhecimento da chamada zona libertada, e a equação das saídas políticas para a situação do  país fazem parte do corpo de uma película em que o protagonismo recai por completo nos próprios cidadãos do país.

Fonte: noticiasdealava.com

Estudantes saharauis manifestam-se em Agadir (Marrocos)


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Estudantes universitários saharauis em Agadir (sul de Marrocos) manifestam-se, ontem, 27 de fevereiro e 37º aniversário da proclamação da RASD,  em solidariedade com os presos de Gdeim Izik e pela independência do Sahara Ocidental: Estado Saharaui Independente é a Solução, reclamam.

As forças repressivas marroquinas dispersaram os manifestantes com violência, causando feridos e fazendo detenções.

Lisboa: sessão de apoio ao Sahara Ocidental



Decorreu ontem no auditório da CGTP, em Lisboa, uma “Sessão de Apoio ao Sahara Ocidental”. O encontro foi organizado pela AAPSO (Associação de Amizade Portugal Sahara Ocidental), CGTP IN (Confederação Geral de Trabalhadores Portugueses), CPPC (Conselho Português Paz e Cooperação) e MDM (Movimento Democrático de Mulheres). 

O evento contou com a presença de várias dezenas de pessoas que se interessam pela temática ou que apoiam a causa saharaui. Entre os presentes vários representantes diplomáticos de países amigos da RASD, assim como representantes de várias associações.

Para além de exposições de representantes das entidades promotoras da reunião, interveio o representante da Frente Polisario em Portugal, Ahamed Fal Ledid. A sessão de esclarecimento e debate concluiu com um interessante e chocante depoimento de uma representante da AECOPS que esteve em Marrocos como observadora no julgamento dos presos de Gdeim Izik.

Eurodeputados Willy Meyer e Antonio Masip denunciam Julgamento e condenação dos 25 presos saharauis de Gdeim Izik






O Eurodeputado Willy Meyer (GUE / NGL), vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Europeu e vice-presidente do Intergrupo do PE Solidariedade com o Povo Saharaui), e o eurodeputado Antonio Masip (S & D), advogado, foram observadores durante o julgamento dos 25 Saharauis defensores dos Direitos Humanos julgados e condenados a duras penas pelo Tribunal Militar de Rabat. Aqui dão o seu testemunho.

Os eurodeputados são acompanhados durante Conferência de Imprensa pelo eurodeputado
Norbert Neuser (S & D), ACP-UE e presidente do Intergrupo do PE Solidariedade com o Povo Saharaui).
                               
Durante 27 meses, um grupo de 23 presos políticos saharauis foi encarcerado na prisão de Salé Rabat (Marrocos), apenas por terem participado no acampamento de Gdeim Izik. Este acampamento de protesto, o primeiro nos países árabes, reuniu mais de 20 mil saharauis em El Aaiún (territórios ocupados do Sahara Ocidental). Foi violentamente desmontado pelo exército marroquino, o que levou à condenação generalizada da comunidade internacional, incluindo o Parlamento Europeu.
A 17 de Fevereiro de 2013, um tribunal militar marroquino condenou os 25 presos políticos saharauis a prisão perpétua ou a penas de prisão de 2 anos a 20 anos, 25 e 30.



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CONJETURAS em MARROCOS Sobre o NOVO SECRETARIO DE ESTADO dos EUA




Artigo publicado no site marroquino lemag.ma. Os artigos na imprensa marroquina sobre o novo Secretário de Estado americano sucedem-se. Todos eles, no mínimo,  pouco abonatórios para o agora responsável das Relações Exteriores dos EUA, ou até insultuosos… Preocupação ou desespero?

Em 2001, John Kerry então senador democrata do Estado do Massachusetts, endereçou uma carta ao General Colin Powel, secretário de Esyado na época, convidando-o a dessolarizar-se  de Marrocos em relação à questão do Sahara e a apoiar claramente a Polisario.

Infeliz ex-candidato à Presidência, derrotado por George W. Bush, John Kerry foi nomeado pelo presidente Barack Obama, novo secretário norte-americano dos Negócios Estrangeiros dos EUA, substituindo Hillary Clinton.

Este democrata, que se conta entre os poucos políticos americanos que se pode gabar de uma possuir uma verdadeira cultura do mundo, fluente em francês, e dotado de uma vasta experiência em assuntos internacionais, assim que a notícia da sua nomeação foi divulgada ela foi bem acolhida na maioria das capitais europeias e em Israel, mas em Rabat a sua chegada ao governo dos EUA foi encarada com grande desconfiança, dado que ele é conhecido nos meios de Washington, pelos seus estreitos laços com o lobby perolífero argelino.

Com efeito, John Kerry tem sido por vários anos o advogado da Polisario nos corredores do poder americano e no Congresso durante o tempo em que foi senador.

APOIADO PELO CLÃ KENNEDY

Apoiado pelo clã Kennedy no interior do Partido Democrata, John Kerry, que nutria e continua a ter ambições presidenciais, tem de manter as suas alianças intra-partidárias, defendendo as teses ditadas e pagas a partir de Argel a Kerry Kennedy e ao seu tio Edward Kennedy em relação à questão do Sahara.

Ele foi co-autor de uma carta dirigida ao governo republicano em 2001, apelando a que os EUA cessassem o seu apoio a Marrocos, e que obrigassem este país à organização de um referendo de autodeterminação no Sahara.

Segundo consideram alguns analistas da política norte-americana, John Kerry, ao considerar-se ainda um presidenciável, tentará fazer do seu ministérios dos Negócios Estrangeiros a sua coutada privada, ao qual irá imprimir o seu estilo e quererá utilizá-lo para fazer passar os seus pontos de vista e as dos seus apoiantes de partido, liderados pelo clã Kennedy, graças aos gordos subsídios que este lhe poderá facultar para as suas campanhas eleitorais com dinheiro de Argel.

SÉRIAS INQUIETAÇÕES MARROQUINAS

Em Rabat, relatam algumas fontes, existe uma séria preocupação, por várias razões:

Pela primeira vez, há uma inexistência de voz de reequilíbrio em Washington, pois as relações de Rabat com a Casa Branca nunca estiveram tão frias, nem o Rei Mohamed VI, nem o chefe do seu governo, Abdelilah Benkirane, visitaram até agora oficialmente Washington, nem se avistou ou falou por telefone com Barack Obama.

Hillary Clinton era, de facto, o principal interlocutor de Rabat em Washington, a sua partida e a sua substituição pelo pro-Polisario interessado que é John Kerry, é uma perda significativa para a pouco empreendedora diplomacia marroquina.

Kerry formaria ao lado de Obama um binómio na pior das hipóteses frontalmente hostil a Marrocos ou, pelo menos, no cenário mais otimista, frio e relutante em desenvolver qualquer esforço em relação a um dossiê considerado por muitos em Marrocos como verdadeiramente existencial.

Fonte: lemag.ma


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Central de Trabalhadores da Argentina repudia julgamento e sentença contra os presos políticos saharauis de Gdeim Izik



 A  Central de Trabajadores de la Argentina (CTA), repudiou hoje, segunda-feira, o julgamento e a sentença emitida contra os presos políticos saharauis de Gdeim Izik, em aberta violação ao direito internacional e aos direitos humanos, de acordo com uma comunicado de imprensa publicado pela organização sindical argentina.



A CTA reúne no seu seio mais de um milhão de trabalhadores. É uma central autónoma dos partidos políticos. Internacionalmente está afiliada na Coordenadora de Centrales Sindicales del Cono Sur (CCSCS) e na Confederación Sindical de las Américas (CSA), organização regional da Confederação Sindical Internacional (CSI).

domingo, 24 de fevereiro de 2013

“El Mundo”: A História do Sahara Ocidental em gráfico interativo



Desde 1975, a antiga colónia espanhola do norte de África tem sofrido a ocupação do seu vizinho Marrocos, uma guerra e uma situação de estagnação que perdura até aos nossos dias. 

Em 1991, Xanana Gusmão do alto das montanhas de Timor-Leste pedia para o exterior da ilha o plano de paz do Sahara Ocidental aprovado pelas Nações Nações, pois ele “poderia constituir um precedente histórico para a libertação do território, uma vez que previa um Referendo de Autodeterminação à população”…

Timor-Leste fez o seu referendo e, a 20 de maio de 2002, recuperou a sua Independência.

Em 2013, o povo saharaui espera ainda uma solução para o conflito e a possibilidade de se pronunciar quanto ao seu destino…!

Veja a história do conflito através deste Interessante gráfico interativo publicado pelo jornal “El Mundo” em 12-11-201º, poucos dias após o brutal desmantelamento do acampamento de Gdeim Izik.
 

Duas organizações marroquinas criticam o recente julgamento militar aos saharauis de Gdeim Izik



Duas organizações marroquinas pro-direitos humanos criticaram as deficiências observadas no recente julgamento militar dos 24 saharauis, 22 dos quais foram condenados a penas entre 20 anos e a perpetuidade.


Em dois atos distintos convocados para avaliar as condições do recente processo, a Associação Marroquina dos Direitos Humanos (AMDH) e a Organização Marroquina dos Direitos Humanos (OMDH) consideraram que o desenrolar do processo registou alguns avanços positivos, mas insistiram na necessidade de acabar com os julgamentos militares para civis.
Do mesmo modo, condenaram o longo período de detenção preventiva (2 anos e 3 meses) de todos os acusados, e a não investigação por parte do juiz das frequentes denúncias de torturas que, segundo os acusados e a defesa, serviram para lhes arrancar confissões que serviram como prova, à falta de outras.

A presidente da AMDH, Jadiya Riadi, qualificou o veredito de "desorbitado, injusto e muito duro", e assegurou que "a maioria dos saharauis são defensores dos direitos humanos (...) e foram condenados pelas suas ideias".

Jadiya Riadi referiu que "o tribunal não conseguiu encontrar provas contra eles", e como exemplo denunciou as fotos que a acusação exibiu de vários dos acusados com o presidente da Frente Polisario.

A representante da AMDH mostra-se pessimista ante os próximos procedimentos judiciais já  que “agora só é possível recorrer ao Tribunal de Cassação, que é responsável por revisar as formas em que foi realizado o processo, mas não o conteúdo”. "A única solução que têm é uma decisão política, um indulto", referiu.

Quanto à OMDH, não quis valorar a sentença por não ter tido acesso a uma cópia oficial do mesmo e desconhecer os motivos em que o juiz fundamenta as condenações, mas o seu presidente, Ahmed Nachnach, congratulou-se, pelo menos, com o facto de não ter sido pronunciada nenhuma pena de morte.

Em relação ao aparecimento de três ministros marroquinos frente ao tribunal, onde se fotografaram junto com os familiares das vítimas marroquinas – sem terem feito o mesmo com os familiares dos saharauis julgados - Nachnach não viu nisso nenhum problema pois, segundo ele, "estiveram presentes enquanto responsáveis políticos a expressar a sua solidariedade, e isso não constitui nenhuma pressão sob o tribunal".

A OMDH deixou claro que considerou "justo" o desenvolvimento do processo pelas condições em que a defesa pôde exercer o seu trabalho, mas isso não significa que considerem a sentença justa.


Fonte: elconfidencial.com