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sábado, 17 de setembro de 2016

Sahara Ocidental é o segundo país africano com maior taxa de alfabetização




Sahara Ocidental - 16/9/16 - El Confidencial Saharaui – O Sahara Ocidental tornou-se o segundo país mais alfabetizado do continente africano a seguir à Serra Leoa. Os peritos da UNESCO admiram o trabalho dos líderes saharauis em fomentar e impulsionar a educação em condições tão difíceis.

Segundo dados da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) os acampamentos de refugiados saharauis possuem uma alfabetização de 96%. Uma cifra incrivelmente elevada e que no continente africano é apenas superada pela Serra Leoa, que conta com uma taxa de alfabetização de 99%.

Os peritos da organização da ONU referem que no início da invasão marroquina do Sahara Ocidental, em 1975, a taxa de alfabetização não ultrapassava 25% da população. Por isso enaltecem a vontade dos saharauis em aprender apesar das adversidades. Embora reconheçam que não é o primeiro caso de um povo expulso da sua terra e em plena guerra, conseguir um feito dessa dimensão, a Autoridade Palestina também a conseguiu em 2009.


A taxa de alfabetização do Sahara Ocidental é de 96%, a qual se encontra muito acima de outros países como Marrocos, cuja taxa se situa nos 70,1 %, Egipto com 66,4% ou a Tunísia com 77,7%.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Saharauis: os mais antigos refugiados do mundo




No Dia Mundial dos Refugiados queremos recordar que, com o abandono da Espanha e a sua quebra de compromisso com o mandato da ONU em 1975, teve início para o povo saharaui uma história de êxodo, exilio e guerra com os exércitos marroquino e mauritano, os efeitos dos bombardeamentos com napalm e fósforo branco, que provocaram os mais odiosos e elementares atropelos aos direitos humanos: à vida, à liberdade, mas que o levou a resistir e a lutar com denodo pela sua autodeterminação e contra a invasão marroquina.

A responsabilidade da Espanha ante o êxodo de 200.000 refugiados saharauis continua presente enquanto potencia colonial e os Governos espanhóis de distintas cores políticas procuraram aligeirar-se das suas responsabilidades através de diversos procedimentos. Os refugiados saharauis nos acampamentos do sul da Argélia, que continuam à espera de um Referendo que lhes permita regressar à sua terra, mantêm uma luta desigual contra a repressão colonial marroquina através de uma resistência não violenta e silenciada pela comunidade internacional.


Fonte: União Nacional das Mulheres Saharauis

sábado, 9 de abril de 2016

Coordenador saharaui junto da MINURSO recebido pelo Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados



Genebra, 08/04/16 (SPS) – o membro do Secretariado Nacional da Frente Polisario e Coordenador junto da MINURSO, Mhamad Khaddad, foi recebido esta sexta-feira na sede do ACNUR pelo Alto Comissário, Filippo Grand.

O encontro abordou as Relações bilaterais entre as autoridades saharauis e o ACNUR, assim como a difícil situação humanitária que enfrentam os refugiados saharauis após as fortes chuvadas e os danos causados pelas inundações que se abateram sobre os acampamentos saharauis em Outubro de 2015 e a redução das contribuições dos países doadores.



Mhamad Khaddad manifestou o agradecimento da Polisario aos contínuos e notáveis esforços do ACNUR em benefício dos refugiados saharauis e saudou a iniciativa do Secretário-Geral da ONU de organizar uma conferência de países doadores sobre a situação humanitária nos acampamentos de refugiados saharauis. Neste sentido sublinhou a necessidade de um apoio aos sectores da saúde e educação, a proteção jurídica, a água e as crescentes necessidades das famílias.


Pela parte saharaui estiveram presentes o presidente da Meia Lua Vermelha Saharaui, Buhebeini  Yahya; a representante da Frente Polisario na Suíça, Omayma Abdel-Salam. Por parte do ACNUR, o chefe de pessoal do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Athar Sultan Jan; o diretor do Escritório do ACNUR para Médio Oriente e Norte de África, Amin Awad e o diretor do Escritório Regional para África no ACNUR, Agostino Mulas.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Expo photo : 40 CARAS, 40 ANOS - Uma Vida no Exílio




SAHARA OCIDENTAL
Expo photo : 40 CARAS, 40 ANOS

Uma vida no exílio

Hassan, Dalia, Mahmoud e Munina e 36 outros, têm idade de 1 a 40 anos. Por ocasião dos 40 anos dos campos de refugiados saharauis instalados no extremo sudoeste da Argélia, estes 40 refugiados saharauis deram o seu rosto à expo-photo 40 CARAS 40 ANOS, que tenta levantar o véu sobre toda uma geração que nunca conheceu outra coisa que uma vida de refugiados.
A responsabilidade da iniciativa cabe à ONG – OXFAM.


sábado, 5 de março de 2016

Ban KI-moon nos acampamentos de refugiados saharauis





O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, visita os acampamentos de refugiados saharauis de Tindouf, na extrema fronteira do sudoeste da Argélia.



Aí manteve um encontro com o presidente da RASD e Secretário-Geral da Frente POLISARIO, Mohamed Abdelaziz.









Uma multidão de saharauis recebeu o Secretário-Geral reclamando uma solução para o conflito, que passa pela realização do Referendo de Autodeterminação, prometido desde que, em 1991, foi decretado o cessar-fogo entre as partes do conflito — Frente POLISARIO e Marrocos —  e constituída a missão de paz da ONU (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental - MINURSO.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Delegação da Associação de Amizade Portugal Sahara Ocidental nas comemorações do 40º Aniversário da RASD



Uma delegação da Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental deslocou-se ao campos de refugiados saharauis no extremo sudoeste da Argélia para participar nas cerimónias que assinalaram o 40.º aniversário da proclamação da República Árabe Saharaui Democrática (RASD)
A delegação, que participou nos atos comemorativos, aproveitou a ocasião para estabelecer contato com associações espanholas, tendo uma breve reunião com Pepe Taboada – coordenador das associações de amizade com o Sahara em Espanha – onde ficou delineado um estreitamento de relações entre as duas organizações.





No acampamento de Bojador a delegação visitou o Hospital local e fez a entrega de medicamentos e mais de 60 pares de óculos, de sol e graduados, oferta solidária recolhida em lojas de óptica portuguesas e de Espanha. Na ocasião, a médica que integrava a comitiva da AAPSO reuniu com médicos e pessoal do hospital. No local estava presente uma equipa da televisão argelina que realizou uma entrevista à médica da AAPSO.



A delegação portuguesa suscitou grande curiosidade, tendo levado a TV RASD a efetuar uma entrevista a um dos seus elementos, reportagem que foi transmitida nesse mesmo dia. Também uma cadeia de rádio Argelina, efetuou um trabalho sobre a presença da AAPSO.



Nos dias que esteve em Dakhla, para além de assistir ao desfile comemorativo, a delegação da AAPSO visitou a exposição, tendo encetado diálogo com muitos dos expositores e tomando conhecimento do seu trabalho e projetos.




Em Dakhla, a delegação não poderia deixar de visitar a zona do acampamento que sofreu maiores danos com as chuvas torrenciais que se abateram sobre aquela zona do deserto tendo visto as obras que estão a ser efetuadas com vista à sua recuperação.




domingo, 22 de novembro de 2015

Governo dos EUA contribui com mais 4 milhões de dólares de ajuda de emergência às inundações nos campos de refugiados saharauis





O Departamento de Estado dos EUA anunciou uma contribuição mais de 4 milhões de dólares de assistência humanitária de apoio aos esforços de emergência ao longo dos próximos três meses para responder às consequências das inundações nos campos de refugiados saharauis perto de Tindouf, Argélia. 

A assistência será programada através do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Esta nova assistência é um acréscimo aos 8,4 milhões de dólares que os EUA forneceram no ano fiscal de 2015 ao ACNUR e ao PAM para apoiar os refugiados saharauis.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Autoridades saharauis reforçam poderes dos serviços secretos





As autoridades saharauis no exílio vão reforçar e ampliar o trabalho dos seus serviços secretos.
O chefe da segurança saharaui deu conta de numerosas propostas que serão aplicadas aos corpos de segurança.

Referiu, entre outras coisas, que será reforçada a vigilância noturna nos pontos de acesso, de entrada e saída dos acampamentos de refugiados saharauis, localizados na região de Tindouf, no extremo sudoeste da Argélia.
Em entrevista exclusiva ao website El Confidencial Saharaui, o chefe da segurança saharaui relatou a implementação de numerosas propostas para os corpos de segurança a fim de melhorar o seu desempenho e eficácia, nomeadamente para reforçar a segurança antes do 14.º Congresso da Frente POLISARIO, que se realizará em Dezembro.
Enfatizou porém que estas medidas, em nenhum momento, devem restringir os direitos constitucionais da cidadania.

"Ampliar os trabalhos dos serviços secretos e das forças da ordem, aumentar o castigo penal não só por os atos de terrorismo e dos narcotraficantes que saqueiam a zona do Sahel mas também daqueles que o financiam e difundem a sua ideologia", referiu.

A segurança nos acampamentos de refugiados saharauis de Tindouf, no sul da Argelia, é "total", segundo nos disse.

As autoridades saharauis tomaram todas as medidas de segurança necessárias, e colocaram todos os meios ao seu dispor para que as viagens e as estadias nos acampamentos de Dakhla sejam seguros.


O dirigente saharaui afirmou ainda que muito embora os acampamentos de refugiados saharauis sejam seguros, há que no entanto enfatizar que quem vai aos acampamentos deve respeitar as medidas de segurança previstas pelas autoridades saharauis e com elas devem colaborar.

sábado, 24 de outubro de 2015

Refugiados Saharauis: Fortes chuvas no Sahara deixam 25 mil sem casa e comida




O ACNUR enviará nos próximos dias 1,5 mil tendas, e com a colaboração do UNICEF e do Programa Mundial de Alimentos distribui água e comida aos refugiados

As fortes chuvas que atingiram os campos de refugiados do Sahara Ocidental afetaram mais de 90 mil pessoas, sendo que 25 mil perderam suas casas e ficaram sem alimentos, segundo denunciou nesta sexta-feira a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

"Tudo ficou destruído, não só as casas, mas os lugares de trabalho, as lojas, as creches, as escolas, os hospitais, as pessoas que estão no meio do nada em um dos lugares mais inóspitos do mundo", indicou em entrevista coletiva Amin Awad, diretor do Médio Oriente e Norte da África do ACNUR.



Desde quarta-feira caem fortes chuvas nos campos de refugiados do Tinduf, no sudoeste da Argélia - Auserd, Dakhla, El Aiun, Cabo Bojador e Smara - e a maioria ficou totalmente ou parcialmente inundada.

Apesar de serem registadas poucas precipitações no Sahara, quando cai uma chuva, essa pode ser devastadora, dado que os edifícios estão construídos com tijolos de barro, lembra o ACNUR.




"O número de pessoas necessitadas de assistência poderia inclusive crescer dado que está previsto que as fortes chuvas continuem até domingo", acrescentou Melissa Fleming, porta-voz da entidade.

Por enquanto, as vítimas não se lamentaram, mas a situação pode mudar rapidamente dado que a maioria dos refugiados ficou sem reservas de alimentos, acrescentou a porta-voz.

O Acnur enviará nos próximos dias 1,5 mil tendas, e com a colaboração do Unicef e do Programa Mundial de Alimentos (PAM) distribui água e comida aos deslocados.



"Agora o mais importante é reconstruir as latrinas e estabelecer um sistema de distribuição de água potável para evitar doenças relacionadas com a ingestão de água contaminada", indicou por sua vez Awad.

O responsável solicitou ajuda internacional de emergência à comunidade internacional para os afetados, e lembrou que a situação é desesperadora porque, de facto, nos últimos três anos só se obteve 20% do solicitado pelo ACNUR para assistir os campos de refugiados saharauis do Tinduf.

"Nos últimos anos, os casos de desnutrição e de problemas de saúde aumentaram", disse Awad.

"É preciso lembrar que a crise dos refugiados saharauis é a mais longa e prolongada da História. É preciso mostrar apoio", insistiu Awad.

Os refugiados saharauis começaram a chegar à Argélia em 1975 após o abandono do território do Saara Ocidental por parte da Espanha e a posterior ocupação por parte do Marrocos.



Fonte: EXAME.com

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Espanha: Tem início a “operação retorno” de quase 5 000 crianças saharauis


As crianças passaram dois meses de férias com famílias de acolhimento espanholas. Durante esse tempo tiveram a oportunidade de serem vistas por médicos, aprendido um pouco de espanhol e melhorado a sua alimentação.

«Não é um projeto humanitário, antes um programa de solidariedade», afirma Elisa, uma mãe de acolhimento de Madrid. O programa «Vacaciones en Paz» é uma iniciativa em que todos os anos milhares  de meninos e meninas saharauis fogem do tórrido verão do deserto em que chega a fazer 50º e se separam dois meses das suas famílias para desfrutar de umas férias em Espanha. «Não se trata só de fugir às temperaturas extremas desta época do ano, que implicam um risco para a sua saúde devido à transmissão de doenças, aos mosquitos, diarreias, falta de água… — refere Gely Ariza, responsável estatal de «Vacaciones en paz» —, mas também de proporcionar a estas crianças consultas médicas e uma alimentação correta durante os meses que estão no nosso país».
Este ano 4 678 crianças saharauis foram acolhidas durante umas semanas por famílias espanholas. Chegaram escalonadamente desde o passado mês de junho. A partir do dia 22 de agosto começa a operação de retorno aos acampamentos de refugiados. […]
Nos acampamentos de refugiados em Tindouf (Argélia), de onde vêm as crianças, a alimentação é insuficiente, dificilmente se pode comer vegetais, peixe ou carne. A assistência médica também é deficitária. Isso é algo que «Vacaciones en Paz» procurar suprir neste curto período de tempo. «As crianças durante a sua estadia em Espanha têm uma alimentação adequada. E há entidades, hospitais… que lhes proporcionam consultas e exames médicos gratuitos para detetar qualquer problema de saúde. Alguns precisam de óculos, outros complexos vitamínicos, outros sofrem de cáries…», afirma Ariza, que é também presidente da Federación Andaluza de Asociaciones Solidarias con el Sáhara- Fandas.



Em 2008 vieram 12 000 crianças, este ano não chegam aos 5 000

Estima-se que mais de 200 000 menores saharauis beneficiaram deste projeto ao longo dos anos. Mas «Vacaciones en Paz» não é imune ao tempo em que está vivendo a sociedade espanhola. Também sofre as consequências da crise. Cerca de 12 000 crianças vieram em 2008, mas este ano o seu número não chega a 5 000. «O programa tem continuidade e funciona —defende Ariza—  mas antes, tínhamos muitas mais famílias de acolhimento, e também muitas mais ajudas de empresas, de autarquias, regiões, organizações de todo o tipo…». […]



 Fonte: ABC / Por M. J. Pérez-Barco

sábado, 9 de maio de 2015

Chefe da MINURSO nos acampamentos de refugiados saharauis




O coordenador dos trabalhos com a MINURSO, Mhamad Khadad, recebeu hoje nos acampamentos de refugiados saharauis Kim Bolduc, enviada especial do secretário-geral da ONU e chefe da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO).

O dirigente saharaui abordou com a chefe da MINURSO os últimos acontecimentos no conflito do Sahara Ocidental tendo em conta a última resolução dos Conselho de Segurança, que amplia por um ano mais o mandato da MINURSO mas sem a possibilidade desta poder velar pelos direitos humanos.



Na reunião também foram abordados os últimos temas discutidos na última reunião do Secretariado Nacional, em que a Frente Polisario deixa claro que qualquer relação com a MINURSO deve ser em igualdade de condições e tendo claro que a principal função da missão é a de organizar um referendo de autodeterminação justo, livre e transparente.

Outro tema abordado foi a última medida tomada pelo exército saharaui nas zonas libertadas exigindo aos veículos da ONU no Sahara Ocidental que ostentem a matrícula da organização internacional como sinal de neutralidade no conflito.


Kim Bolduc estava acompanhada pelo representante da MINURSO nos acampamentos de refugiados e os chefes militares da missão internacional que trabalham na supervisão do cessar fogo ente junto do exército saharaui e do exército marroquino.

terça-feira, 5 de maio de 2015

FiSahara: Filme “Grão de Areia” ganha o prémio ‘Camela Branca’


Nora Morales de Cortiñas

A película da cineasta norte-americana Pamela Yates, “Grão de Areia” foi galardoada com o troféu ‘Camela Branca’ para o melhor filme da 12.ª edição do Festival Internacional de Cinema e Direitos Humanos do Sahara Ocidental.

A  película “Igualdade” obteve o segundo lugar, enquanto o terceiro prémio foi atribuído à Escola Nacional de Cinema Saharaui pela série de curtas-metragens realizadas pelos alunos.

O prémio honorífico “Eduardo Galeano” foi entregue ao realizador mauritano Abderramán Sissoko  pela película “Tombuctú”.

Na cerimónia de encerramento do festival foram distribuídos prémios e diplomas de reconhecimento, tendo a defensora argentina de direitos humanos Nora Morales de Cortiñas, presidente da organização Madres de Plaza de Mayo a grande homenageada.

Veja a reportagem fotográfico de Carlos Cazurro.


domingo, 3 de maio de 2015

Governador de Smara (campos de refugiados): “Ban Ki-moon comete uma injustiça e defrauda os oprimidos”


Adda Brahim, de djalaba azul tradicional, ao lado do embaixador Christopher Ross, durante uma visita deste aos campos de refugiados saharauis


Wilaya de Smara (acampamentos de refugiados saharauis) - O membro do Secretariado Nacional da Frente Polisario e governador de Smara, Adda  Brahim — ex-representante do movimento de libertação saharaui em Portugal —, assegurou este sábado que a grande multidão de saharauis de diferentes idades que saiu a manifestar-se “é uma resposta explícita às Nações Unidas e ao Conselho de Segurança da ONU de que o povo saharaui continuará a defender o seu direito à liberdade e à independência”.



Para o governador, a grande manifestação que teve lugar em Smara é uma resposta clara e contundente ao relatório do SG da ONU, Ban Ki-moon, por “cometer uma injustiça e defraudar as esperanças dos oprimidos, que sofrem a amargura de um prolongado exílio e sofrem a opressão de uma ocupação durante quatro décadas”.


SPS

sábado, 2 de maio de 2015

Oona Chaplin, neta de Charlie Chaplin e atriz da série Guerra dos Tronos, com os saharauis




Atriz, bailarina e dançarina — neta de Charlie Chaplin e bisneta do dramaturgo americano Eugene O'Neill —, uma das protagonistas da famosa série “Guerra dos Tronos”, está com os saharauis. Ela não os conhecia nem ao conflito até ser convidada para a 12.ª edição do FiSahara, o Festival internacional de Cinema do Sahara que decorre de 29 de abril a 3 de maio na wilaya de Dakha dos acampamentos de refugiados saharauis (170 km a sul da cidade argelina de Tindouf).

"Disse logo que sim para poder participar", declara ao « HuffPost Algérie». “Era também — explica — uma oportunidade de voltar a visitar a Argélia” que ela conhece desde a sua infância graças a uma sua tia. Esta defensora da energia solar está radiante. "Desde que vi por todo o acampamento painéis solares fiquei logo a amar este lugar".

As condições difíceis de vida e o calor não afastam o bom humor de Oona que se diz contente por poder estar presente no festival.

As suas primeiras impressões? Uma mistura de surpresa, de compaixão e de alegria: "Nunca imaginei que um povo pudesse viver num clima tão árido como este do deserto argelino... fiquei desolada" diz a jovem atriz de 28 anos."Falei com uma jovem de 14 anos e chorei quando ela me disse que os habitantes aceitam a sua situação, mas até quando?"

12ª edição do Festival Internacional de Cinema FiSahara decorre nos campos de refugiados saharauis






A Wilaya de Dakhla, nos acampamentos de refugiados saharauis, em Tindouf — no extremo sudoeste da Argélia — acolhe entre 29 de abril e 3 de maio a 12ª edição do Festival Mundial de Cinema do Sahara Ocidental FiSahara, sob o lema “Justiça Universal”.



Assistem ao festival numerosas delegações estrangeiras de diversos continentes. Entre os presentes encontram-se muitos artistas, realizadores cinematográficos, defensores dos direitos humanos e amigos da causa saharaui, como os atores Viggo Mortensen e a sua mulher, a atriz espanhola Ariadna Gil, Oona Chaplin, a presidente da Associação Argentina “Madres de la Plaza de Mayo Línea Fundadora”, Nora de Cortiñas.

Viggo Mortensen e a sua mulher, a atriz espanhola Ariadna Gil


Durante o Festival são projetadas várias películas internacionais de realizadores estrangeiros, como “Timbuctu”, do mauritano Abderrahman Sissoko; “Lejos del hombre”, do norte-americano de origem dinamarquesa Viggo Mortensen e “Paradise Now”, do palestiniano Hany Abu Assad. Entre as películas de temática saharaui figuram “Coria y el Mar” e “Sukeina”.




A justiça universal, as vítimas de desaparecimento e outros crimes de lesa humanidade protagonizam este ano a 12ª edição do Festival Internacional de Cinema FiSahara, declarou María Carrión, diretora executiva do festival.

terça-feira, 24 de março de 2015

O Enviado Pessoal do SG da ONU iniciou uma visita aos acampamentos de refugiados saharauis



O enviado pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, iniciou esta segunda-feira uma visita de trabalho de três dias aos acampamentos de refugiados saharauis com o objetivo de preparar um novo encontro de negociações entre a Frente POLISARIO e Marrocos.

Durante a sua estadia, Christopher Ross manterá reuniões com responsáveis da Frente POLISARIO e membros do Governo saharaui.
É a segunda visita de Ross esta ano após a que realizou em fevereiro passado e a apenas poucas semanas antes da reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o Sahara Ocidental em abril próximo.

(SPS)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

XV Edição da Maratona do Sahara começa 3.ª Feira





"A XV edição do mais importante evento desportivo nos acampamentos de refugiados saharauis, a Maratona do Sahara, arrancará esta terça-feira, 24 de fevereiro, segundo informa o comité organizador.


A edição da Maratona do Sahara deste ano é dedicada a pôr em relevo os direitos da criança saharaui e os sofrimentos de que padece sob a ocupação marroquina.

Este ano realizar-se-ão quatro provas: a maratona propiamente dita, de 42 km, da wilaya de El Aaiún à wilaya de Smara; a meia-maratona de 21 quilómetros; os tradicionais 10 e 5 quilómetros e, ainda, a maratona especial para crianças.

Desde a sua criação, em 2001, a Maratona do Sahara tem atraído um crescente número de participantes de diferentes continentes, incluindo atletas de renome internacional, ativistas dos direitos humanos e simpatizantes da causa saharaui.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Acampamentos de refugiados: inaugurada unidade de produção e sabonetes




O Presidente da República e Secretário-Geral da Frente POLISARIO, Mohamed Abdelaziz, inaugurou quinta-feira uma unidade de produção de sabão.

Mohamed Abdelaziz agradeceu a todos os parceiros que tornaram possível esta unidade, como o Alto Comissariados da ONU para os Refugiados (ACNUR), a Comissão Europeia de Ajuda Humanitária e Proteção Civil e a ONG francesa “Triangle”, responsável pela sua execução.

O Presidente da República destacou a importância desta unidade como contributo para minorar os sofrimentos dos refugiados saharaui, instando ao aumento do apoio e das parcerias.

Por seu lado, o ministro saharaui do Equipamento sublinhou a importância da unidade ao atingir a autossuficiência e a distribuição global de artigos de higiene, assim como criar postos de trabalho. 

À unidade industrial, a quem foi atribuído o nome de Hassana El Luali, produzirá 400 sabonetes por hora e cerca 176 000 por mês.

(SPS)

Veja a reportagem: http://zip.net/bxqNWc




domingo, 8 de fevereiro de 2015

Chefe da MINURSO chega finalmente ao Sahara Ocidental




A Chefe da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), a canadiana Kim Bolduc, chegou aos acampamentos de refugiados saharauis antes de ocupar o seu posto em El Aaiún ocupada, após meses de obstrução por parte do Reino de Marrocos.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Filhos da nuvens




Um artigo de Nuno Ramos de Almeida publicado no jornal “i” no passado dia 14 de janeiro. Um jornalista que já, em duas ocasiões, teve oportunidade de visitar e conhecer os campos de refugiados saharauis e viver de perto as suas carências, frustrações e esperanças.


Depois da manifestação privada dos governantes longe dos povos, e rodeada de guarda- -costas, devíamos perceber que o fundamentalismo é mais que um bando de loucos.

Não parece que estranho que os povos do livro, Torah, Bíblia e Corão, tenham vivido em zonas de deserto. Quando olhamos as estrelas no meio das dunas tudo parece mágico. As constelações têm densidade. A história do universo parece evoluir de uma forma abrupta e real aos nossos olhos.

Fui duas vezes ao Sara ocidental, em reportagem às zonas controladas pelos guerrilheiros da Polisário. Estive com um povo que foi expulso de suas casas, dizimado e torturado, a que não restou mais que fugir sob perseguição e bombardeamentos pelos infernais caminhos do deserto. Vivem há 40 anos em acampamentos de refugiados, numa das zonas mais inóspitas do planeta, à espera de justiça por parte da chamada comunidade internacional. São mais de 100 mil aqui presos e encafuados, numa vida a que retiraram toda a esperança.

São pedras a perder de vista. Lápides irregulares espalhadas sobre a areia ao longo de centenas de metros. O cemitério domina o campo de refugiados de Smara. As tendas e as casas cor de terra estão lá em baixo, ocupam o horizonte, confundem-se com o deserto. Cada pedra assinala alguém que morreu. A maioria dos habitantes fugiram aos bombardeamentos marroquinos em 1976, mas muitos já nasceram, viveram e terminaram aqui para todo o sempre. São a prova de que o conflito do Sara ocidental dura há tempo de mais.

O sarauí que nos acompanha, Deimi, aproveita para se prostrar junto ao lugar onde repousa um familiar. A morte é dura em todo o lado, mas aqui parece mais desesperada.

"Os velhos quando sentem que vão morrer pedem-nos para ser enterrados nos territórios libertados. Ninguém quer morrer aqui", diz-nos Sidahmed Ahmedbaceid (Sidi), o guia.



Nestes 40 anos, os povos livres do deserto mudaram muito nestes campos de refugiados. Bebo chá com o fotógrafo Mohamed Mouloud, que combateu e fotografou ao lado do primeiro líder da Polisário, El-Ouali Mustapha Sayed, que morreu em combate depois de ter atacado a capital da Mauritânia, um dos países, juntamente com o reino de Marrocos, que ocuparam ilegalmente o Sara Ocidental. Mostra-me as fotos do ano de 76, guerrilheiros e guerrilheiras irmanados. Elas de camisa aberta, deixando vislumbrar o corpo, e cabelo ao vento - muito diferentes de grande parte das mulheres tapadas que vejo nos campos de refugiados. Ele explica-me que entre os povos berberes do deserto o papel das mulheres sempre foi mais interventivo que nos árabes. Nos anos 70, os guerrilheiros sarauís eram nacionalistas e revolucionários. As mulheres eram iguais aos homens em tudo: na vida, no combate, na morte.

Nas ruas improvisadas de Smara ouve-se o apelo à oração. A religião está muito mais presente que a última vez que lá tinha estado, há dez anos. Nessa altura dizia-se que no fim desse ano, devido ao acordo com Marrocos e a comunidade internacional e os sarauís, eles iam regressar às suas cidades junto ao mar. E ia haver um referendo. A vitória da independência nas urnas em Timor Leste trocou as voltas. Marrocos deu o dito por não dito e nunca mais aceitou o referendo sobre a autodeterminação do povo sarauí.

Os homens e mulheres que vivem em pleno deserto, em campos de refugiados, sentem-se presos e ignorados por todos. Estão aqui pelo crime de quererem ser livres. Vivem à conta das esmolas da comunidade internacional. A Arábia Saudita semeou aqui madrassas com a sua interpretação fundamentalista do Corão.


Enquanto esperam o nada, numa vida que os poderes terrenos não resolvem, homens e mulheres parecem voltar-se para os deuses. O fundamentalismo, como de costume, é semeado pelas bombas, pelo desespero e pelo ódio. Aqui ainda não fez a sua colheita, como aquela que saiu dos campos bombardeados do Iraque, da Palestina e da Líbia, mas as sementes de uma tremenda injustiça estão lá.