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domingo, 21 de fevereiro de 2021

Aminetu Haidar escreve a António Guterres e pede que a ONU proteja os civis saharauis alvo da repressão marroquina



A militante saharaui dos Direitos Humanos e presidente da Instância Saharauí Contra a Ocupação Marroquina (ISACOM), Aminetu Haidar, solicitou ao secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que intervenha imediatamente para garantir a protecção dos civis sarauís contra as violações sistemáticas do aparelho de repressão marroquino.

Em carta dirigida ao Secretário-Geral da ONU, a presidente da ISACOM escreve: "Tendo em conta as represálias e as violações cometidas pelo Estado ocupante contra os civis saharauis, pedimos-lhe, e através de si, a toda a comunidade internacional, que acelere o estabelecimento de mecanismos de proteção internacional, garantindo aos saharauis os seus direitos”.

Referindo-se à repressão desencadeada contra civis saharauis nas cidades ocupadas, afirma que o povo saharaui "não ouviu do organismo da ONU nenhuma condenação, nem a expressão da mais mínima preocupação a esse respeito".

A presidente da "ISACOM" afirma que "as autoridades de ocupação marroquina estão detendo ativistas saharauis, acusando-os de falsas acusações que incluem a posse de drogas", expressando o desejo de que "a ONU tome consciência através desta carta da injustiça que sofrem os saharauis".



"O povo saharaui não recebeu qualquer apoio ou proteção por parte da ONU nem de outras organizações internacionais especializadas na proteção de civis, como o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV)" -escreve Aminetu Haidar.

Lamentando a estagnação do processo de resolução da questão saharaui por parte da ONU e de África, a ativista saharaui assinala "o atraso na aplicação das resoluções de legalidade internacional que exigem a organização de um referendo de autodeterminação no Sahara Ocidental".

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Aminatu Haidar pede ao Presidente Biden que reverta a proclamação de Trump sobre o Sahara Ocidental

 


Aminatou Haidar, Prémio Nobel da Paz Alternativo, pediu ao presidente Joe Biden que revogasse a proclamação do ex-presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o Sahara Ocidental, na qual este reconheceu a pretensa soberania de Marrocos sobre o território.

"A situação dos direitos humanos nos territórios ocupados se deteriorou após o anúncio de Trump, já que aumentou o número de prisões e perseguições, bem como o número de ativistas que foram atacados e assediados dentro de suas casas", afirma a ativista dos DDHH e presidente da Instância Saharaui Conra a Ocupação Marroquina (ISACOM, ao The New Yorker.

Neste sentido, a activista sarauí não ocultou a sua preocupação pela possibilidade de a proclamação de Trump encorajar o regime marroquino a aumentar ainda mais a sua repressão contra os saharauis.

O The New Yorker recolheu também as declarações do representante da Frente Polisário em Washington, Maulud Said, em que este reitera a esperança da parte saharaui de que a nova administração venha a revogar a proclamação de Trump.

"Uma pessoa com conhecimentos legais como o presidente Biden não pode ignorar o direito internacional, e estamos seguros de que não apoiará o acordo ilegal feito pelo ex-presidente, Trump", disse o diplomata saharaui ao The New Yorker.

Por último, Said enfatizou que a Frente Polisario acredita "que quanto mais cedo a decisão do presidente Trump for corrigida, mais cedo o direito internacional será fortalecido".

 

domingo, 31 de janeiro de 2021

Aminetu Haidar, candidata pela primeira vez ao Prémio Nobel da Paz

 


Segundo informa hoje a agência Reuters, a destacada ativista saharaui Aminetu Haidar é este ano candidata ao Prémio Nobel da Paz de este año. A nomeação de Haidar foi apoiada por deputados noruegueses que têm um vasto historial de eleger a personalidade ganhadora.

Milhares de pessoas, desde membros de parlamentos de todo o mundo até ex-premiados, podem indicar candidatos. As nomeações, que terminam este domingo, ainda não foram apoiadas pelo comité do Nobel.

Com excepção de 2019, os deputados noruegueses estiveram sempre na base da nomeação dos laureados todos os anos desde 2014, disse Henrik Urdal, diretor do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo.

O Comitê Norueguês do Nobel, que decide quem ganha o prêmio, não comentou as indicações e manteve em segredo durante 50 anos os nomes dos indicados e dos não selecionados. No entanto, os proponentes podem optar por revelar o nome dos propostos.

Segundo um inquérito da Reuters, os deputados noruegueses apontaram como nomeados Aminetu Haidar, Greta Thunberg (a jovem ambientalista sueca), Navalny (opositor russo), a OMS e o seu programa COVAX para assegurar um acesso justo às vacinas COVID-19 para os países pobres.

Outros nomes nomeados são as ativistas bielorrussas Sviatlana Tsikhanouskaya, Maria Kolesnikova e Veronika Tsepkalo pela sua "luta por eleições justas e inspiração para a resistência pacífica", disse o deputado norueguês Geir Sigbjoern Toskedal, do Partido Democrata Cristão.

A atribuição do Prémio Nóbel da Paz 2021 a Aminetu Haidar teria uma enorma importância e um transcendente significado político.

Recorde-se que, em 1996, no auge da repressão indonésia sobre a população civil em Timor-Leste, o bispo Ximenes Belo e o militante de independência maubere José Ramos-Horta, foram agraciadoa com o Nobel da Paz, pelo seu trabalho "em prol de uma solução justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste". O Referendo de auotodeterminação ao pove de Timor-Leste, organizado pela ONU, viria a ter lugar três anos depois.

Fonte: AAPSO/ECS

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Aminatou Haidar: "No Sahara Ocidental, a guerra é vista como a única saída"

Aminatou Haidar. — © Right Livelihood Foundation

 

O conflito no Sahara Ocidental reacendeu-se após décadas de uma calmaria precária. A ativista Aminatou Haidar alerta para o desespero dos saharauis que vêm a independência a esvair-se.

 

“No preciso momento em que lhe falo, um carro preto está estacionado à frente da minha casa. A polícia marroquina tem-me seguido por toda parte há semanas”. Ao telefone, Aminatou Haidar tem a voz cansada de uma ativista que passou os últimos trinta anos defendendo a sua gente. Os saharauis desesperam por conquistar a independência de Marrocos, que controla três quartos do Sahara Ocidental. Nos últimos dois anos, cerca de uma dezena de países abriram consulados no território disputado, reconhecendo assim a soberania do Marrocos.

Assoreado no esquecimento há quase três décadas, o conflito entre o Marrocos e a Frente Polisario acaba de se reacender. Em 13 de novembro, o exército marroquino entrou na zona tampão de Guerguerat entre o Sahara Ocidental e a Mauritânia. Os soldados expulsaram os manifestantes saharauis que bloqueavam a passagem da fronteira desta estrada que permite a Marrocos chegar aos países da África Ocidental.

Desde então, as tropas marroquinas empenham-se em proteger este eixo estratégico. Pretendem estender até a fronteira com a Mauritânia o paredão de areia de 2.700 quilómetros que construíram na década de 1980 para evitar as incursões da Polisario. Marrocos justificou a sua operação pela presença de viaturas militares Polisario entre os militantes na fronteira com a Mauritânia.

 

"Ataque à soberania nacional"

Por sua vez, a Polisario denunciou a violação do acordo de cessar-fogo concluído em 1991 e anunciou o recomeço da guerra contra Marrocos. Dada a vastidão do teatro de operações, é impossível verificar como essas declarações de guerra estão sendo efetivadas no terreno. “Marrocos reforçou a sua presença militar e policial”, testemunha Aminatou Haidar, desde Laâyoune (El Aiún), principal cidade do Sahara Ocidental.

A ativista viu, mais uma vez, o laço se apertar em seu redor. O detonador foi a criação, no final de setembro, de uma nova ONG, "a Instância Saharaui contra a Ocupação Marroquina" (ASCOM) [a que preside]. Em 29 de setembro, a procuradoria marroquina anunciou a abertura de uma investigação sobre o "ataque à soberania nacional". “Mas nenhum fundador da ONG foi convocado ou ouvido”, afirma surpresa Aminatou Haidar. Na semana passada, ela foi impedida de embarcar num avião para se afastar um pouco para as Ilhas Canárias. "Fui o único passageiro que teve de passar por um teste covid-19 e, por coincidência, deu positivo, embora eu não tenha quaisquer sintomas." A imprensa marroquina, por sua vez, vilipendiou a pretensa irresponsabilidade do saharaui, que poderia ter contaminado um avião inteiro.

Qual ligação entre o tratamento dado à ativista e os acontecimentos recentes na fronteira com a Mauritânia? "O ponto comum é o desespero dos saharauis", responde Aminatou Haidar. “Os saharauis não veem outra saída senão a guerra. Não tenho palavras para dissuadir os jovens de pegar em armas ”, lamenta a ativista, apelidada de Gandhi Saharaui pela sua luta incansável e não violenta. Em 2019, recebeu o prémio Right Livelihood Foundation, considerado o Prémio Nobel da Paz Alternativo.

 

Quatro anos em segredo

Em 1987, Aminatou Haidar tinha 20 anos, quando foi encarcerada no maior segredo por Marrocos, juntamente com dezenas de outros activistas saharauis. “Minha família não sabia se eu estava viva ou morta. Ninguém se atrevia a fazer a pergunta, diz ela. Esses quatro anos de inferno e sofrimento abriram os meus olhos para o destino do Sahara Ocidental. Jamais desistirei de reivindicar os nossos direitos, devo isso aos meus companheiros que morreram na prisão ”.

Em 1991, Marrocos e a Polisario chegaram a um acordo de cessar-fogo e foi criada uma força da ONU, com a missão de realizar um referendo sobre a autodeterminação. Aminatou Haidar é então libertada e o momento é de otimismo. Quase trinta anos depois, o referendo ainda não se realizou. A sua realização esbarra na questão crucial de quem pode participar, uma vez que muitos marroquinos já se estabeleceram no Sahara Ocidental. “É uma questão de vontade política”, argumenta Aminatou Haidar. O Conselho de Segurança da ONU está paralisado pela França, que apoia o Marrocos. " A ameaça do reatamento do conflito fará mudar as posições?

 

Artigo publicado no Le Temps, diário suíço publicado em Lausane, Suíça

sábado, 12 de janeiro de 2019

Aminatou Haidar, a «Ghandi do Sahara Ocidental»: «Desejamos que os EUA mantenham a pressão sobre Marrocos»




(Le Soir d’Algèrie - Entrevista realizada por Tarek Hafid) - Apesar do cansaço e da doença, Aminatou Haidar queria estar entre o seu povo nos territórios libertados do Sahara Ocidental para assistir à cerimónia de destruição de todo o arsenal de minas antipessoal do exército saharaui. Na companhia de vinte outras grandes figuras da luta pacífica nos territórios ocupados, a "Gandhi do Sahara" percorreu várias centenas de quilómetros de trilha para chegar ao oued (rio) Mhiriz, para assistir a este ato simbólico da Frente Polisario. Nesta entrevista, Aminatou Haidar faz uma leitura lúcida dos últimos desenvolvimentos relativos à questão saharaui. Ela continua convencida de que a chave do conflito está na Casa Branca.

Esta é a sua primeira visita aos territórios libertados do Sahara Ocidental. Como se sentiu quando pisou a terra libertada?

É um sentimento indescritível! De facto, eu já tinha ido a Bir Lahlou por ocasião do funeral do nosso falecido Mohamed Abdelaziz, mas era em condições diferentes destas. É realmente um sentimento de felicidade misturado com tristeza e dor. É um orgulho para mim estar aqui, orgulho porque é a primeira vez que encontro o meu povo nesta parte libertada do Sahara Ocidental. Mas sofro lembrando-me dos militantes que morreram como mártires, que passaram a vida lutando pelos nossos direitos e que não poderão testemunhar a independência de nosso país.
Dor, sinto-a também ao constatar a falta de consideração para com o povo saharaui. Lutamos há quase 44 anos sem chegar a um acordo definitivo. Mas continuo otimista. Continuo esperançosa de um acordo próximo para o nosso povo.

O dossiê saharaui parece ter saído do status quo imposto por Marrocos. Que leitura faz do reatar das negociações diretas entre a Frente Polisario e o Marrocos?

Essa é precisamente a razão do meu otimismo. A nomeação do novo enviado pessoal do secretário-geral da ONU, o ex-presidente alemão Horst Köhler, foi um primeiro sinal de esperança. A nova posição da administração dos EUA também é um bom sinal. Há uma presença mais concreta do dossiê na agenda da ONU, uma vez que é objeto de debate a cada semestre. Também vemos uma melhoria clara na visibilidade da nossa causa nos Media.
Isto permitiu, em muito pouco tempo, o retorno de negociações diretas entre a Frente Polisario e o Marrocos. Não há muito tempo atrás, este Estado colonizador recusou-se a sentar-se diante do representante legítimo do povo saharaui. Mas os marroquinos acabaram perdendo. Este é um avanço real que enfrenta uma posição intransigente do Marrocos. Que mostra aparentemente mais flexibilidade.
Espera que o rei de Marrocos tome consciência da perigosidade do que está acontecendo na região em termos de terrorismo, crime organizado e tudo o que prejudica a construção do Magrebe Árabe e a necessidade de encontrar uma solução para construir este espaço regional. O rei parece ter tomado consciência. Esta consciência é talvez o resultado da pressão que os seus aliados exercem sobre ele a fim de que seja construído um espaço magrebino no qual a República Árabe Saharaui Democrática seria um membro de pleno direito. A este respeito, gostaria de saudar a posição honrosa da Argélia, que conseguiu contrariar todas as manobras marroquinas e francesas fomentadas contra o povo saharaui.

As pressões a que se refere têm a ver com que aliados de Marrocos? Os Estados Unidos?

Exatamente, os Estados Unidos da América. Há também a Alemanha, que ten desempenhando um papel importante nesta questão. Espero que a França abandone o parcialidade que demonstra a favor de Marrocos. É tempo deste país agir de acordo com os princípios da liberdade e da democracia que invoca, apoiando o direito do povo saharaui à autodeterminação.

Como foram acolhidas as recentes declarações proferidas por John Bolton, Conselheiro Nacional de Segurança da Casa Branca, nos territórios ocupados do Sahara Ocidental?

As observações de Bolton foram recebidas com alegria e satisfação porque, contra todas as probabilidades, estamos finalmente a assistir a uma séria consideração da causa saharaui pela administração dos EUA. Queremos que os Estados Unidos mantenham a pressão sobre o Marrocos.
De qualquer forma, não podemos esconder um elemento essencial neste dossiê: a resistência do cidadão saharaui. Na minha opinião, é essa resistência que fez alguns aliados tradicionais de Marrocos tomarem outra posição e que o tratamento da questão do Sahara Ocidental se tenha acelerado. O nosso povo resiste, em condições difíceis, nos campos de refugiados no meio da hamada (deserto argelino), resiste apesar da ruptura causada pela separação das famílias, resiste aos piores abusos que lhe inflige o poder colonial nos territórios ocupados.

Os últimos 15 anos foram marcados pela luta pacífica dos cidadãos saharauis que vivem nos territórios ocupados. A sua luta como ativista e a de toda a população através do acampamento de Gdeim Izik (em 2010) foram passos importantes. Devemos esperar ações dessa magnitude no futuro próximo?

Quando o combatente saharaui recolheu a sua arma, o militante dos territórios ocupados tomou uma arma de um tipo muito diferente: a resistência pacífica. Conseguimos muitos objetivos, incluindo quebrar o cerco securitário e e de informação imposto pelas forças repressivas coloniais na nossa terra. Também dissipámos o espectro do medo mantido pelo palácio de Rabat.
Transmitimos os nossos valores e princípios às novas gerações para que entendam que a solução desse conflito deve ser pacífica.
Este é o meu maior desejo. Eu estou aqui, nos territórios libertados, para transmitir esta mensagem de paz ao meu irmão combatente. Estou lutando por uma solução justa em um ambiente pacífico. Estou feliz por ter testemunhado Mhiriz, um acto concreto neste sentido, graças à destruição de todo o arsenal de minas antipessoal do exército saharaui. Eu quero prestar homenagem ao nosso exército pela sua coragem.
Nos territórios ocupados, esses dispositivos explosivos causam dramas diários entre a população saharaui. Infelizmente, Marrocos ainda se recusa a ratificar a Convenção de Otava.

Faz parte de uma delegação de 21 ativistas dos direitos humanos dos territórios saharauis ocupados. Não teme uma reação violenta do poder marroquino quando voltar para sua casa?

De facto, devemos esperar tudo. A estupidez de Marrocos não tem fim. Mas estamos prontos para mais sacrifícios. Não temos medo porque estamos convencidos da retidão de nossa causa e que vamos conquistar a nossa independência graças à nossa luta.
T. H..

quinta-feira, 10 de maio de 2018

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Aminetu Haidar denuncia o recrutamento por Marrocos de milícias armadas contra o povo saharaui




A ativista pelos direitos humanos do povo saharaui Aminetu Haidar denunciou um agravamento da situação dos Direitos Humanos no Sahara Ocidental e o "recrutamento" de "milícias armadas formadas por colonos marroquinos" contra o povo saharaui.

Na intervenção que proferiu na 40ª Conferência Internacional de Solidariedade com o Sahara Ocidental que se realizou sexta-feira e sábado em Madrid, a ativista fez um apelo à comunidade internacional a atuar com o objetivo de "proteger os civis saharauis".

Aminetu criticou a visita do rei de Marrocos, Mohamed VI, ao Sahara, considerando-a um reforço do 'statu quo' "da ocupação" e um incitamento a "centenas de colonos marroquinos contra os saharauis".



"O Estado marroquino, de maneira clara e sistemática, continua violando os direitos humanos nos Territórios Ocupados do Sahara Ocidental, continua vulnerando o direito à vida, à integridade física", referiu a ativista aos participantes na 40.ª EUCOCO.

Aminetu sublinhou que Marrocos continua sendo responsável "da fuga do povo saharaui e do intento do seu genocídio, através da implementação de políticas de repressão e reassentamento cujo objetivo é o desaparecimento da identidade saharaui".



Neste contexto, clamou às Nações Unidas e ao Conselho de Segurança que "pressionem o Estado marroquino a que respeite os seus compromissos internacionais, o primeiro dos quais é o respeito da legalidade internacional", advertindo que no caso de nada ser feito "as coisas irão piorar muito mais".

A ativista referiu-se também ao 40º aniversário da saída de Espanha do Sahara Ocidental e apontou Madrid como "responsável" do sofrimento do povo saharaui. Nesse sentido, pediu a todos os intervenientes que "pressionem o Governo espanhol a que assuma a sua responsabilidade" para pôr fim ao conflito, preservando "a dignidade do povo saharaui" e garantindo o "seu direito à autodeterminação".

No mesmo sentido se pronunciou o presidente da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e líder da Frente Polisario, Mohamed Abdelaziz, que recordou na sua intervenção que "há precisamente 40 anos e nesta mesma e bela cidade de Madrid, as autoridades espanholas, subscreveram um documento incriminatório, em virtude do qual faziam a renuncia expressa às suas responsabilidades legais para com o povo saharaui e o Sahara ocidental".

Abdelaziz criticou a atuação de Espanha e pediu que repare a "pesada herança que o Estado espanhol ainda assume", que denuncie "os vergonhosos acordos de Madrid" e assuma a "sua plena responsabilidade legal e moral na realização de um referendo de autodeterminação para o povo saharaui

Fonte: Europa Press, Madrid


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Aminetou Haidar recebida pela vice-presidente do Parlamento da Alemanha




Berlim, 18/12/2014 (SPS).- A ativista saharaui de Direitos Humanos, Aminetou Haidar, foi recebida terça-feira pela vice-presidente do Bundestag,  Edelgard Bulmahn.

O encontro teve como tema central a situação da violação dos direitos humanos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental por Marrocos e a situação dos presos políticos saharauis, especialmente do grupo de Gdeim Izik.

A ativista Aminetu Haidar denunciou a preocupante situação do preso político saharaui Embarek Daudi, que desde o dia 01 de novembro está em greve de fome, assim como a proibição do direito de constituição às associações saharauis de direitos humanos sem qualquer tipo de argumento legal.

A reunião abordou também o cerco militar imposto às zonas ocupadas do Sahara Ocidental por Marrocos e a situação dos refugiados saharauis, insistindo na necessidade da ajuda humanitária da Alemanha aos refugiados saharauis.


A ativista saharaui manteve também encontros com organizações políticas e de direitos humanos da Alemanha. (SPS)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Fundação José Saramago expressa apoio a Aminetu Haidar na sua luta pelos direitos do povo saharaui



Lisboa,20/11/14(SPS) - A esposa do falecido prémio Nobel português, José Saramago enviou esta terça-feira uma carta à ativista saharaui e presidente do Coletivo de Saharauis Defensores de Direitos Humanos (CODESA), Aminetu Haidar, para lhe transmitir apoio  e forças na sua luta pelos direitos do povo saharaui.

Pilar del Río — aproveitando a estadia de Haidar em Lanzarote  —manifesta na sua missiva o carinho e o afeto que  sente pela ativista saharaui e manifesta-lhe o seu apoio ao povo saharaui e à sua justa causa. “Por isso hoje seguimos juntos. ...A tua gente, os nossos saharauis, não acabam de conseguir o que é de direito e de justiça, mas ninguém lhes cortou as asas, continua voando os sonhos e as emoções, é levantada a urgência da paz para a construção da sociedade que venham a escolher livremente os homens e mulheres de teu povo, livre e independente, solidário", afirma a esposa de Saramago.

Aminetu volta cinco anos depois às Canárias  para agradecer ao povo canário o apoio recebido em 2009 quando manteve na ilha de Lanzarote uma greve de fome de 32 dias como resposta à sua expulsão de El Aaiún, capital do Sahara Ocidental ocupado por Marrocos.

Eis o texto da carta Pilar Saramago envia a Aminetu Haidar:


Saramago com Amenitu Haidar durante a greve de fome da ativista saharaui no aeroporto de Lanzarote (2009)

Querida Aminetu,

Nuca te he contado que cuando despegó el avión que te llevaría a tu tierra las personas que fuimos acompañándote hasta el aeropuerto de Lanzarote gritamos, con emoción no contenida, “vuela, vuela, vuela”.. Iba volando tu avión después de tantas sinrazones acumuladas, volabas hacia los tuyos, pero los militantes de tu causa, tus amigos, queríamos decir algo más, contigo volaban tus sueños intactos,  no tocados por las impertinencias de quienes te quisieron bajar la cabeza o por los estragos de la huelga de hambre. Volabas con tus sueños, pero quienes nos quedábamos en tierra ya los teníamos incorporados a nuestra piel y a nuestra propia dignidad. Es más: estábamos tras las verjas del aeropuerto y sin embargo volábamos contigo. A veces las relaciones  de afectividad y de complicidades son más fuertes que la obstinada realidad.

Por eso hoy seguimos juntos. La distancia, estar en Lisboa o en cualquier otra parte del mundo, no afecta a lo que somos y a lo que sentimos. Tu gente, nuestros saharauis, no acaban de conseguir lo que es de derecho y de justicia, pero nadie les ha cortado las alas, siguen volando los sueños y las emociones, está levantada la urgencia de la paz para construir la sociedad que libremente elegís juntos los hombres y las mujeres de tu pueblo, libre e independiente, solidario.

Siento no estar contigo hoy en Lanzarote. Habrá otras veces y tal vez llegue pronto el día en que podamos celebrar juntos lo que deseas y nos enseñaste a desear.
Besos desde la Fundación José Saramago, que era tu amigo, como quedó registrado en una foto que se ve en la exposición y en las páginas de varios libros.


Besos desde Lisboa.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Aminatou Haidar fala sobre a atual situação no Sahara Ocidental



Discurso da defensora saharaui de Direitos Humanos, Aminatou Haidar, na cerimónia de abertura da 39ª Conferência de Apoio e Solidariedade com o Povo Saharaui, que teve lugar em Madrid nos dias 14 e 15 de novembro.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Marraquexe: A associação de Aminatou Haidar determinada em participar no Fórum mundial sobre Direitos Humanos



A duas semanas da realização em Marraquexe do Fórum mundial dos Direitos Humanos, eis que um pedido de participação no evento chega do CODESA, a associação presidida por Aminatou Haidar, e que colocou os organizadores num verdadeiro embaraço. A ONG [saharaui] se apega ao seu direito de participar num dos seminário sobre justiça de transição. Os organizadores tardam porém lentos em responder ao pedido da ONG.
Se as associações ameaçaram boicotar a segunda edição do Fórum Mundial sobre Direitos Humanos, prevista para novembro 27-30, em Marraquexe, este não foi o caso do CODESA (Coletivo de Defensores Saharauis de Direitos Humanos), uma entidade próxima da Polisario, e que é liderada por Aminatou Haidar.


A ONG tem colocado em embaraço os organizadores do evento internacional, neste caso, a CNDH, solicitando a sua participação num workshop dedicado a analisar as experiências de justiça transicional, um tema caro aos funcionários marroquinos. O CODESA deseja contribuir com uma apresentação sobre "A abordagem dos desaparecimentos forçados feita pela [entidade marroquina ]l’Instance Equité et Réconciliation: o caso dos saharauis desaparecidos."

Tarda a resposta dos organizadores
Num comunicado recebido ontem à noite pelo Yabiladi, o CODESA diz que enviou o seu pedido aos organizadores por e-mail a 5 de novembro, mas ainda não teve qualquer resposta. O conselho executivo da associação exige uma resposta o mais tardar até 20 de novembro para preparar a sua na reunião. Reiterando, ao mesmo tempo, a sua determinação em participar no Fórum Mundial sobre Direitos Humanos, colocando assim, mais pressão sobre a comissão organizadora.
A associação de Aminatou Haidar, e através deles todos os apoiantes da Polisario do interior não querem em hipótese alguma perder uma bela tribuna para promover a questão dos direitos humanos no Sahara Ocidental, erigido últimos anos no verdadeiro cavalo de batalha real pelo Polisario na cena internacional.
O tema escolhido pelo CODESA está, aliás, perfeitamente em linha com esta estratégia. Várias ONGs da província [isto é: o território ocupado por Marrocos desde 1975] manifestaram relutância, críticas ou até mesmo a oposição ao relatório final da Instance Equité et Reconciliation  de 2006 sobre os desaparecimentos forçados no Sahara Ocidental.
Uma semana antes do prazo estabelecido pelo CODESA, a bola está mais do que nunca no campo das autoridades marroquinas.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Aminetou Haidar é membro do secretariado executivo do Fórum Económico de África




O Fórum Económico de África elegeu para o seu secretariado executivo a militante saharaui dos Direitos Humanos, Aminetou Haidar, em reconhecimento pelos seus incansáveis esforços ​​e sua luta pacífica pelo direito inalienável do povo saharaui à autodeterminação.

O Fórum Económico de África é uma associação não-governamental qui visa promover a cooperação e o desenvolvimento entre as empresas, institutos e associações internacionais que trabalham em África através do fornecimento de aconselhamento e informações necessárias relativas ao continente africano.
(SPS)




sexta-feira, 28 de março de 2014

A visita de Aminetou Haidar ao Congresso dos EUA e a viagem à região de John Kerry, Secretário de Estado dos EUA




Não há dúvida que a visita que Aminetou Haidar, ativista saharaui e defensora dos Direitos Humanos, fez ao Congresso dos EUA na passada segunda-feira teve mais importância de que aparenta. Haidar defendeu ante os congressistas norte-americanos a causa do Sahara Ocidental ocupado, ao mesmo tempo que denunciou as contínuas violações dos direitos humanos saharauis por parte do reino de Marrocos.

A presença de Haidar teve lugar no marco da “Conferência Emir Abdelkader”, reunião que a ‘Defense Forum Foundation’ organiza periodicamente cada ano, designando uma personalidade muçulmana como defensora destacada das liberdades e defesa dos Direitos Humanos.

Na sua intervenção, Aminetou Haidar pediu, entre outras coisas, a autodeterminação do Sahara Ocidental, e denunciou a política levada a cabo por Marrocos de violações, detenções arbitrárias, desaparecimentos, atos de tortura e execuções extrajudiciais.

A ativista saharaui pediu a criação de “mecanismos de vigilância” dos direitos humanos dos saharauis para a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), e lamentou que alguns países se oponham a isso no Conselho de Segurança. Esses países são, lamentavelmente, Espanha e França, entre outros.

A visita de Haidar a Washington pode ser decisiva para a visita à região que John Kerry, Secretário de Estado dos Estados Unidos, vai realizar. O conflito no Sahara Ocidental ocupa um espaço importante na agenda de Kerry.

O Secretário de Estado americano, John Kerry, será particularmente interpelado sobre a posição norte-americana no que concerne ao último caso de descolonização em África, sobretudo tendo em conta que a questão do respeito dos direitos humanos no Sahara Ocidental ocupado está inscrita entre as prioridades de Washington para a solução deste problema, refere o ‘Le Quotidien d’Oran’ na sua edição de quinta-feira.

John Kerry, que teve que adiar a sua visita de trabalho à região em finais de novembro, estará agora a 2 e 3 de abril próximo em visita à Argélia e Marrocos, onde as “discussões serão orientadas em grande parte para a questão saharaui para apoiar os esforços de Christopher Ross, Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, para encontrar uma solução rápida, democrática e consensual sobre o conflito do Sahara Ocidental”, acrescentou a mesma fonte.


Fonte: SPS (Sahara Press Service)

segunda-feira, 17 de março de 2014

EUA pregam susto a Marrocos: Aminatou Haidar fala no Capitólio


Aminatou Haidar

Um independentista saharaui tomará, pela primeira vez, a palavra ante uma comissão da Câmara de Representantes

Todos os anos, em vésperas da reunião de abril do Conselho de Segurança da ONU que prorroga o mandato da MINURSO — o contingente de capacetes azuis deslocados no Sahara Ocidental — os Estados Unidos propiciam um susto Marrocos.

Este mês o sobressalto vai ser maiúsculo. Pela primeira vez, um independentista saharaui tomará a palavra no Capitólio, ante comités do Congresso dos EUA.

 Aminatou Haidar, de 47 anos, a mais célebre opositora à presença marroquina na antiga colónia espanhola, fá-lo-á na próxima segunda-feira, 24 de março, durante 75 minutos.

A noticia foi dada pelo diário digital marroquino Goud, hoje, segunda-feira, e confirmada a este jornalista pela própria Haidar. Referiu que se dirigirá ao chamado Caucus do Sahara Ocidental, integrado por parlamentares e senadores dos partidos Democrata e Republicano. A antiga presa política irá defender que o Conselho de Segurança amplie o mandato da MINURSO para que esta deixe de ser a única força de manutenção da paz que não possui competências em matéria de direitos humanos.

Faz agora um ano que, Susan Rice, então embaixadora norte-americana junto da ONU, pôs sobre a mesa um projeto de resolução que acrescentava à MINURSO competências para que pudesse vigiar o respeito dos direitos humanos no Sahara e nos acampamentos de refugiados saharauis de Tinduf, no sudoeste da Argélia.

Marrocos recusou e conseguiu que os seus aliados do chamado Grupo de Amigos do Sahara Ocidental — França, Espanha e Rússia — fizessem desaparecer da resolução essa a extensão dos poderes da MINURSO. O Conselho de Segurança prorrogou o mandato de apenas um ano, sem se meter numa camisa de onze varas. No final, os EUA acabaram por pregar um susto a Marrocos sem consequências.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Carta aberta de Aminatou Haidar ao Parlamento Europeu

 

"Desejo ardentemente uma sociedade livre no Sahara Ocidental, onde possamos decidir por nós mesmos como usar os nossos recursos naturais, e onde os benefícios económicos cheguem à nossa gente, não aos colonos marroquinos que vêm para a nossa terra com o apoio do Rei e do exército marroquino para ocupar o nosso território e aproveitar-se da nossa riqueza natural", afirma a ativista saharaui de Direitos Humanos, Aminatou Haidar, em carta enviada 2.ª feira ao Parlamento Europeu.

Aminatou Haidar é presidente da organização saharaui de direitos humanos CODESA. Foi nomeada em 2010 para o prémio Sakharov pela Liberdade de Pensamento, premio que é outorgado anualmente pelo Parlamento Europeu.

Foi galardoada com vários prémios internacionais pelo seu ativismo, entre eles o premio Robert F. Kennedy dos Direitos  Humanos, em 2008, o premio Solidar Silver Rose (2007), o premio Bremen Solidaritet (2013) e o premio Civil Courage (2009).


Estimado Miembro del Parlamento Europeo,

El pasado 8 de octubre, Vds. aprobaron un informe sobre Derechos Humanos en mi país. Su Parlamento dijo que “funcionarios marroquíes han detenido a individuos por sus ideas políticas, sometido a presos saharauis a tortura y violación, secuestrado y abandonado a los manifestantes en el desierto con la intención de intimidarles y, de forma continua y deliberada, perseguido a defensores de la independencia, incluyendo sus hogares”.

Su Parlamento también detalló desapariciones forzosas y juicios injustos y exigió la inmediata liberación de todos los presos políticos saharauis.

Para los defensores de los Derechos Humanos en el Sahara Occidental ocupado, ésta fue una señal tremendamente positiva de los representantes de la Europa democrática. Yo misma soy una ex presa política y he sufrido tortura en manos de las autoridades marroquíes.

Ahora, Vds. tienen que tomar otra decisión. El nuevo acuerdo de pesca con Marruecos, que será sometido a votación el 10 de diciembre, no sólo pondría a la UE en una posición contraria a la legalidad internacional en connivencia con Marruecos para obtener acceso a las aguas saharauis sino que, también, adolece de las más elementales provisiones sobre Derechos Humanos de todos los acuerdos de pesca firmados recientemente por la UE.

Deseo fervientemente una sociedad libre en el Sahara Occidental, donde podamos decidir por nosotros mismos cómo usar nuestros recursos naturales, y donde los beneficios económicos lleguen a nuestra gente, no a los colonos marroquíes que vienen a nuestra tierra con el apoyo del Rey y del ejército marroquí para ocupar nuestro territorio y aprovecharse de nuestra riqueza natural. Vd. tiene ahora la oportunidad para apoyar la democracia, los derechos humanos y la libertad.

Por favor, les pido que, el próximo 10 de diciembre, voten en contra del protocolo de pesca UE – Marruecos.


Aminatou Haidar

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Aminetou Haidar recebe prémio à solidariedade da cidade de Bremen



A ativista saharaui Aminetou Haidar recebeu ontem o prémio à solidariedade concedido pelas autoridades da cidade alemã de Bremen pela sua luta a favor do reconhecimento do direito de autodeterminação dos saharauis.

Haidar, que atualmente preside ao Coletivo de Defensores Saharauis de Direitos Humanos (CODESA), obteve este prémio pela “sua luta por meios diplomáticos na procura de uma solução pacífica do conflito do Sahara Ocidental” segundo assinalam os organizadores.

O governo da cidade hanseática, situada no norte da Alemanha, explica que, com este prémio, pretende “dar um claro sinal de afirmação e alento pelo compromisso pessoal” a favor dos direitos humanos demonstrado pela ativista saharaui ao longo dos anos.
 
Escultura dos Músicos de Bremen
- símbolo de solidariedade em ação


O prémio à solidariedade da cidade de Bremen é concedido cada dois anos pelo governo região alemã a pessoas que tenha demonstrado o seu compromisso a favor da liberdade, da democracia e dos direitos humanos, contra o racismo e o colonialismo.


Entre as personalidades que receberam este reconhecimento, também com um valor pecuniário de 10.000 euros, destacam-se o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e a sua então mulher Winnie Mandela, que o obtiveram na sua primeira edição em 1988.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Aminatou Haidar: “O Governo espanhol ainda não tomou uma posição clara sobre o Sahara Ocidental”

 

Aminetou Haidar, a ativista pacifista saharaui pelos Direitos Humanos, participou nas Jornadas sobre o conflito do Sahara realizadas durante esta semana na Universidade de Múrcia. Na sua primeira visita à Região, a ativista, juntamente com o fiscal de Alicante e secretário internacional de Juristas para o Sahara Ocidental (AIJUWS), Felipe Briones, participaram numa conferência sobre o Direito internacional e os direitos humanos nos territórios ocupados.

Mãe de dois filhos, esteve presa por duas ocasiões durante mais de quatro anos por ser ativista saharaui e lutar, de forma pacífica, pelos direitos humanos do seu povo. Foi torturada diariamente, sem direito a receber assistência médica, com os olhos vendados, e considerada como pessoa em paradeiro desconhecido, sem que durante esse período de detenção tivesse sido realizado qualquer tipo de julgamento que a ouvisse ou condenasse.

Muitos conheceram-na através do chamado ‘caso Haidar’ no ano de 2009, quando Marrocos lhe negou a entrada em El Aaiún expulsando-a para o aeroporto de Lanzarote, onde permaneceu 32 dias em greve de fome reivindicando os seus direitos como saharaui e denunciando as condições infra-humanas em que vivem os habitantes do território ocupado pelo regime marroquino.

A implicação do Estado espanhol no conflito não pode ser esquecida. No ano de 1976, Espanha abandona o território

à sua sorte, sem ter levado a cabo o processo de descolonização e o referendo de autodeterminação prometido aos saharauis nos Acordos de Madrid. Marrocos invade, através da famosa Marcha Verde, a zona ocidental do Sahara com a cumplicidade do mundo que nada faz para o evitar. Desde então, o Sahara encontra-se dividido em dois: a zona ocupada por Marrocos, o Sahara Ocidental, onde se encontra parte da população saharaui submetida ao regime ditatorial marroquino e administrador dos recursos naturais do país, e portanto da economia do território; e o Sahara livre, para onde muitos fugiram e se refugiaram em acampamentos organizados no deserto, separados ambos por um enorme muro artificial de mais de 2.700 quilómetros de extensão.


Recentemente, graças aos telegramas norte-americanos desclassificados e compilados pelo Wikileaks, podemos conhecer a suposta implicação de outros países, como os EUA, que sempre afirmou manter uma atitude totalmente neutral frente ao conflito saharaui. Segundo essas revelações, a Casa Branca aliou-se a Marrocos, a quem forneceu todo o tipo de armas, para a invasão e colonização do antigo protetorado espanhol, frustrando assim toda a possibilidade de independência do povo saharaui.

Atualmente, Espanha continua a ser legalmente a potência administrante do Sahara e muitos saharauis livres falam o espanhol como língua materna. No entanto, da zona ocupada por Marrocos a ativista Haidar denuncia que “o Estado espanhol nos deixou abandonados, o que fez desaparecer a língua castelhana. Foi-nos imposto o francês como forma estratégica de apagar a nossa identidade, a nossa cultura como povo saharaui”.

Pela sua luta pelo reconhecimento dos direitos do povo saharaui, foi galardoada com diversos prémios internacionais como o Prémio Coragem Civil em 2009 da Fundação Train pela sua defesa dos Direitos Humanos no Sahara; o Prémio de Direitos Humanos Juan María Bandrés em 2006; o Solidar Silver Rose Award em 2007, entre muitos outros, sendo nomeada para o Nobel da Paz desde 2008.

 Apesar das dificuldades idiomáticas, Aminatou Haidar concedeu-nos uns momentos para podermos falar com ela sobre o conflito saharaui e as jornadas de sensibilização.

–Em que situação se encontra o Sahara Ocidental atualmente?

–Do ponto de vista político, temos vindo a realizar negociações entre a Frente Polisario, que é o representante do povo saharaui, e o rei de Marrocos, mas não há avanços neste tema. Como ativista de direitos humanos preocupa-me muito a situação das políticas praticadas diariamente pelas autoridades marroquinas em relação à população civil saharaui. Tenho que sublinhar que no último fim-de-semana produziu-se uma altercação entre manifestantes saharauis e a polícia marroquina, que se saldou em 200 feridos saharauis. À margem da política de Marrocos, a população decidiu realizar uma manifestação para transmitir uma mensagem ao enviado pessoal das Nações Unidas Cristopher Ross, que se encontrava no território como observador. A população saharaui continua a reivindicar o seu direito à autodeterminação, mas Marrocos impede toda forma de protesto e manifestação, vulnerando os direitos humanos. Há mais de 80 presos políticos repartidos em várias prisões marroquinas. Para nós é uma situação muito alarmante, porque inclusive temos mortos, como o caso do jovem saharaui que foi assassinado recentemente no sul de Marrocos pela polícia marroquina. Há privação dos direitos mínimos fundamentais dos saharauis na zona ocupada. Do outro lado, encontram-se os saharauis que continuam a resistir em situações humanas muito difíceis. São já 38 anos nesta situação.



–  Que responsabilidade tem Espanha no conflito?

– Espanha é o responsável direto da situação do povo saharaui. Continua a ser a potência administrante do Sahara, mas vira as costas a este conflito. Lamento muito que o Governo espanhol não tenha tomado ainda uma posição clara a respeito do Sahara Ocidental. Tem que reconhecer que o povo saharaui, como povo livre, tem direito à realização de um referendo e à sua autodeterminação, e lamento que a Espanha continue a bloquear uma melhor supervisão dos direitos humanos fundamentais no conflito.
Em abril houve uma iniciativa por parte dos EUA para conseguir o cumprimento dos Direitos Humanos e para ampliar o mandato da MINURSO (Missão das NU para o Referendo no Sahara Ocidental). Mas França e Espanha bloquearam esta iniciativa. Lamento que Espanha não queira que o povo saharaui, que está sob ocupação, desfrute pelo menos desses direitos mínimos. Espanha, que é um país de liberdade e que é responsável pelo sofrimento do povo saharaui, não queira acabar com esta situação de um povo que, até há pouco, era uma região espanhola, chamada Sahara Espanhol, e que continua a estar sob sua responsabilidade. Espanha retirou-se do território do Sahara Ocidental em 1976 interrompendo o processo de descolonização, e não dando cumprimentos aos acordos alcançados com a ONU. Por isso, continua a manter as suas responsabilidades jurídicas e históricas. Tenho que recordar que a atitude do Governo espanhol não tem nada que ver com a cidadania, com o povo de Esapnha, que tem mostrado e continua a demonstrar a sua solidariedade com o povo saharaui.

– Porque acha que há um apagão informativo à população de Espanha sobre a situação do Sahara?

– Porque não interessa que se saibam informações em que podem estar visto envolvidos, ainda que indiretamente. Nós também sofremos bloqueio de informação. Para mim trata-se de uma cumplicidade, porque geralmente se há que fazer uma cobertura mediática sobre o que está acontecendo no Sahara,  deveria ser a imprensa espanhola a dá-la em primeiro lugar. Mostra a falta de interesse. O que aconteceu recentemente é muito grave (200 feridos na manifestação), e a notícia foi publicada por uma agência francesa. Sabemos que há correspondentes em uma hora ou hora e meia podem apanhar um avião e cobrir a visita, mas parecem não estar interessados em saber o que está acontecendo.

–A crise mundial está a afetar de algum modo o Sahara livre?

–Sim em vários campos, tanto a nível sanitário como educativo. As ajudas humanitárias que recebem os refugiados nos acampamentos diminuíram. Mais de 200 000 pessoas que habitam nos acampamentos dependem da ajuda internacional para poder sobreviver, já que não temos acesso aos nossos recursos naturais, controlados por Marrocos e, portanto, poder ter uma vida normal. Dependemos das ajudas de organizações não-governamentais, de ONG e de alguns governos, pelo que em virtude da crise económica as ajudas que recebemos foram consideravelmente reduzidas.

– Carlos Berintain realizou um relatório - Oasis de la memoria. De que trata esse relatório?

–É um trabalho muito importante de testemunhos recolhidos sobre o terreno. Pela primeira vez fez-se luz sobre as violações dos direitos humanos e os crimes de lesa humanidade que Marrocos cometeu no Sahara Ocidental. O relatório trata vários casos de desaparecimentos sem importar idade ou sexo. Há pouco tempo foram descobertas duas fossas comuns em que encontraram oito saharauis desaparecidos durante o reinado de Hassan II e que Marrocos tinha registado os seus nomes. Quatro deles apareceram num relatório oficial marroquino como mortos nas prisões. Graças às investigações, pudemos saber que nunca estiveram encarcerados e que foram assassinados junto às fossas comuns onde foram enterrados os seus corpos. Eu estive quatro anos presa com os olhos vendados, torturada e isolada do mundo exterior num centro clandestino. Uns 500 saharauis continuam em paradeiro desconhecido. O relatório tenta fazer luz sobre tudo o que ocorreu nesse período, por isso é muito importante.

–Há um muro artificial que divide o Sahara ocupado do Sahara livre, chamado muro da vergonha. De que forma essa construção os afetou?

– Afetou-nos muito porque há que ter em conta que as famílias estão divididas entre estas duas zonas, separadas pelo muro. Ninguém fala disto, um muro que divide as famílias e que provoca muitas violações dos direitos humanos. Há minas antipessoal ao longo do muro e muitos saharauis têm sido vítimas delas, nos dois lados, embora sobretudo no lado ocupado por Marrocos. Também nos impede de podermos aceder aos nossos recursos naturais e poder dispor de riquezas que nos permitam subsistir como sociedade economicamente desenvolvida.

–Na historia da democracia espanhola  houve algum governo ou partido político que tenha tentado solucionar este conflito de ocupação territorial e assédio da população saharaui?

–Lamentavelmente durante as eleições tudo são promessas. Ouvimos e lemos muitas declarações dos políticos a favor do povo saharaui, mas quando um partido consegue ganhar as eleições, tudo se esquece e as promessas não passam de palavras. Necessitamos apoio político do Governo espanhol, mas, até ao momento, nenhum partido político cumpriu as expectativas que o povo saharaui necessita e deseja.

–Qual é o papel político e social da mulher saharaui?

–Temos um papel muito importante. Como mulheres saharauis temos muitos direitos que, se compararmos com outras mulheres do mundo muçulmano, mostram que estamos muito avançadas. Temos os nossos direitos como mulher e somos respeitadas dentro da sociedade civil. Há casos de violência de género, mas são poucos. Na nossa sociedade isso é muito mal visto e é uma vergonha que um homem abuse e maltrate uma mulher. Mas ainda há coisas por mudar. Lutamos para chegar a uma sociedade igualitária em todos os aspetos.


Fonte: elpajarito.es

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Espanha: deputados e senadores preparam relatório sobre a “asfixia” de El Aaiún

No aeroporto de El Aiún com a ativista dos DDH Aminetou Haidar

Os deputados e senadores do PSOE,  Izquierda Plural, UPyD, PNV, Amaiur y Compromis, integrantes do intergrupo parlamentar de amizade com o Sahara Ocidental, preparam um relatório sobre a “asfixia” policial que vive a população de El Aaiún.(1)

Após visitarem durante três dias o Sahara Ocidental com o objetivo de obter informação em primeira mão sobre a situação que se vive no território, os deputados e senadores vão agora elaborar um documento que apresentarão dentre de semanas ao Congresso e Senado.

O deputado da IU,ICV-EUiA, Joan Josep Nuet, afirmou à EFE, após aterrar na Grã Canária em voo procedente de El Aaiún, que viram uma cidade com um “elevado” nível de militarização e com um controlo policial “asfixiante” em todos os bairros onde há maioria saharaui.

Joan Josep Nuet, recentemente eleito coordenador do intergrupo de amizade com o Sahara Ocidental, relatou que o grupo se entrevistou com porta-vozes de coletivos saharauis, com a sociedade civil e com representantes do Governo de Marrocos, entre outros, a fim de compreender em toda a sua extensão o que se passa no território.

Segundo contou, durante a visita foram permanentemente acompanhados pela polícia marroquina, que lhes tiraram fotografias em todo o percurso que fizeram pelas ruas de de El Aaiún.


Apesar de não terem participado numa manifestação pacífica pela liberdade do povo saharaui que teve lugar na segunda-feira, os deputados e senadores puderem ter conhecimento que a polícia reprimiu severamente os manifestantes saharauis.

É a primeira vez que uma delegação parlamentar espanhola entra em El Aaiún, afirmou o deputado da IU, que informou terem já pedido nova autorização para que outro grupo de deputados e senadores visite a capital do Sahara Ocidental.

(1) Os deputados do UPyD e PSOE acabaram por não fazer parte desta delegação, alegando à última hora “motivos pessoais” para não viajar aos Territórios Ocupados do Sahara Ocidental.


Fonte: porunsaharalibre.org / abc.es / EFE