Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio Guterres. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio Guterres. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Polisario insta Guterres a nomear sem demoras um novo Enviado Pessoal para o Sahara Ocidental

Encontro do SG da ONU com o SG da POLISARIO em Adis Abeba






~
“Instamos o Secretário-Geral da ONU a atuar rapidamente para nomear um Enviado Pessoal com a mesma convicção que Horst Kohler” - afirma a Frente Polisario.

A Frente Polisario apela e insta o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, a actuar rapidamente para nomear um novo Enviado Pessoal, que compartilhe a forte convicção, estatura e determinação do Presidente Horst Kӧhler – referiu ontem em documento oficial o movimento de libertação saharaui.
Após ter sido anunciada a demissão do enviado do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Hosrt Kohler, a Frente Polisario emitiu um comunicado lamentando a notícia e sublinhando que “durante o seu mandato como Enviado Pessoal, o Presidente Kӧhler foi incansável na procura de uma solução justa e duradoura que permita a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental.
“Damos as graças ao presidente Kӧhler pelos seus esforços em relançar o processo de paz da ONU no Sahara Ocidental, e desejamos-lhe uma pronta recuperação e muito êxito em todos os seus esforços”, refere a Frente Polisario.
Antes da demissão por razões de saúde o antigo presidente alemão conseguiu quebrar o gelo e iniciar uma nova dinâmica de trabalho, tendo a Frente Polisario renovado o seu pleno compromisso "com o processo político liderado pela ONU e com o direito inalienável do povo saharaui à autodeterminação e independência”.
A Frente Polisário exorta a que não seja usada a renúncia do antigo presidente alemão como desculpa para descarrilar o progresso alcançado desde a primeira reunião patrocinada pela ONU sobre Sahara Ocidental em dezembro de 2018, após anos de congelamento e estagnação.
"Continuamos a acreditar que, com a vontade política e a determinação do Conselho de Segurança da ONU, está ao nosso alcance uma solução justa e duradoura que permite a autodeterminação do povo saharaui", conclui a Frente Polisario na sua declaração.
Fonte: SPS

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Relatório do SG da ONU: Violações dos direitos humanos no Sahara Ocidental e tortura e maus tratos a prisioneiros saharauis em Marrocos



2 de Abril de 2019 – porunsaharalibre - As violações dos direitos humanos nos territórios ocupados e a situação dos presos políticos do grupo Gdeim Izik são destacados na cópia antecipada do Relatório do Secretário-Geral da ONU sobre a situação do Sahara Ocidental para informação dos membros do Conselho de Segurança em abril.

O Secretário-Geral observa que as lacunas na elaboração de relatórios sobre a situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental persistem devido à falta de acesso do ACNUDH (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos) ao território. Na resolução 2440 (2018), o Conselho de Segurança incentivou a cooperação reforçada com o ACNUDH , inclusive por meio da facilitação de visitas à região.

Em referência aos presos políticos do grupo de Gdeim Izik, o SG informa que a tortura e os maus-tratos a presos saharauis em Marrocos continuaram a ser denunciados. O ACNUDH recebeu várias comunicações de advogados e / ou membros da família do grupo de presos de Gdeim Izik alegando que vários membros do grupo foram submetidos a tortura, confinamento solitário prolongado, negligência médica, negação tanto de visitas familiares como de acesso a mecanismos de monitoramento independentes. O SG também menciona as greves de fome dos presos de Gdeim Izik, alguns com uma duração de mais de 30 dias, o que resultou em alguns destes prisioneiros, consequentemente, desenvolverem condições críticas de saúde.

O relatório também aborda a expulsão ou a recusa de acesso de defensores dos direitos humanos, investigadores, advogados e representantes de organizações não governamentais internacionais ao território do Sahara Ocidental pelas autoridades marroquinas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

SG da ONU nomeia o major-general Zia Ur Rehman, do Paquistão, Comandante da MINURSO



O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou hoje a nomeação do Major-General Zia Ur Rehman, do Paquistão, como Comandante da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO).

O major-general Ur Rehman sucede ao major-general Xiaojun Wang, da China, cujo mandato terminou a 17 de fevereiro de 2019. O secretário-geral agradece ao major-general Wang pelo seu serviço exemplar e a sua contribuição ao trabalho da MINURSO.
Leia o Comunicado da ONU: https://bit.ly/2U00GpZ

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Brahim Gali reúne em Adís Abeba com António Guterres, SG da ONU




Adis Abeba, 10 fevereiro de 2019. -(El Confidencial Saharaui) / Por Lehbib Abdelhay/ECS.
No âmbito das consultas entre as autoridades saharauis e o Secretariado das Nações Unidas, Brahim Gali, Presidente da República Saharaui e Secretário-Geral da Frente Polisario, manteve hoje conversações oficiais com o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres na capital da Etiópia, Addis Ababa, relata a SPS.

As conversações centraram-se no processo de paz conduzido pelas Nações Unidas no Sahara Ocidental e em particular nos esforços do Secretário-Geral e do seu Enviado Pessoal, Horst Köhler, para encontrar uma solução justa e duradoura para o conflito na base da legitimidade internacional, acrescenta a agência de noticias saharaui SPS.

O secretário-geral da ONU, por seu lado, destacou o seu total apoio ao seu enviado pessoal para avançar no processo político atual dirigido pela ONU com vista à procura de uma solução para o longo conflito no Sahara Ocidental.

Durante a reunião, Gali sublinhou a plena cooperação das autoridades saharauis com as Nações Unidas para alcançar uma solução justa e duradoura para a questão de descolonização do Sahara Ocidental na base da aplicação da legitimidade internacional e no respeito pelo direito inalienável do povo saharaui à livre determinação e à independência em conformidade com as resoluções da ONU e da União Africana (UA).

Cabe assinalar que a União Africana instou os dois Estados membros da União, a República Saharaui e o Reino de Marrocos, a iniciar negociações diretas e sem condições prévias para resolver o conflito.



As consultas oficiais assistiram o Secretário-Geral das Nações Unidas, acompanhado de John Pierre Lacroix, Secretario-Geral Adjunto para Operações de Paz, Bienz Gawans, Assessora do Secretário-Geral para Assuntos Africanos e adjunta de Guterres.

Do lado saharaui, o presidente da República, Brahim Gali, era acompanhado por Mohamed Salem Ould Salek, ministro dos Assuntos Exteriores, a Secretária-Geral da União das Mulheres Saharauis, Fatma Mahdi, e pelo representante da Frente Polisario junto da ONU, Sidi Mohamed Omar.


terça-feira, 25 de dezembro de 2018

SG da Frente Polisario pede à ONU a eliminação de minas terrestres por representarem uma ameaça grave e eminente para a população civil saharaui



O presidente da República Saharaui e SG da Frente Polisario, Brahim Gali, pediu ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que intervenha para acelerar a eliminação de todas as minas terrestres colocadas no Sahara Ocidental, por representarem uma ameaça grave para a população civil saharaui.
Brahim Gali acrescenta na sua mensagem a Guterres, que os cidadãos saharauis se deslocam na estação das chuvas para lugares diferentes em ambos os lados do muro de ocupação marroquino, que estão semeados de minas e restos de explosivos da guerra e que podem explodir a qualquer momento.
Neste contexto, Brahim Gali refere que duas minas antipessoal explodiram recentemente na regiões de Um-Degan e Lejneg, respectivamente, causando a morte do cidadão saharaui Mahfoud Chakrad e ferindo seriamente outras pessoas.
Fonte: SPS

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Sahara Ocidental: o relatório do SG da ONU ao Conselho de Segurança



O último relatório do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, ao Conselho de Segurança, tornado público na passada 4.ª feira critica Marrocos, em particular, na questão dos direitos humanos, ao fazer uso da tortura nos territórios saharauis ocupados.
Leia todo o relatório aqui:

sábado, 6 de outubro de 2018

SG da ONU anuncia acordo de Rabat e da Polisario




Liberté Algerie – 06-10-2018 – artigo de Merzak Tigrine - No seu relatório ao Conselho de Segurança da ONU, António Guterres, que quer uma prorrogação de um ano do mandato de Minurso, disse que Marrocos e a Frente Polisario concordaram em participar nas conversações que Horst Köhler pediu.

Marrocos e a Frente Polisario concordaram a 2 e 3 de outubro, respectivamente, em participar dessas "discussões preliminares", diz o secretário-geral da ONU no seu relatório enviado quarta-feira ao Conselho de Segurança. António Guterres disse estar confiante em relação às respostas da Argélia e da Mauritânia em estatarem presentes enquanto Estados vizinhos. Nesse sentido, ele enfatizou: "Exorto as partes e os vizinhos a chegarem à mesa das negociações de boa fé e sem condições prévias" nos dias 5 e 6 de dezembro, na Suíça, após o convite que lhes foi endereçado em final de setembro. Pelo emissário Horst Köhler.

No documento endereçado aos quinze membros do Conselho de Segurança, António Guterres observa "desenvolvimentos positivos" no comportamento da Frente Polisario, e na disposição da Argélia e da Mauritânia em ter "um papel mais ativo no processo de negociações e um “sinal encorajador" de Marrocos ao facilitar as viagens do Sr. Köhler ao Sahara Ocidental durante a sua recente missão.

Quanto ao mandato da MINURSO, o SG da ONU escreve no seu relatório: "Recomendo ao Conselho estender o mandato do Minurso por um ano, até 31 de Outubro de 2019, a fim de conceder ao meu enviado espaço pessoal e tempo (necessário) para criar as condições necessárias para o avanço do processo político”. "O papel da MINURSO foi fundamental para permitir ao meu enviado pessoal, graças aos intensos esforços feitos nos últimos seis meses, fazer progressos significativos na busca de uma solução política para a questão do Sahara Ocidental", afirma o SG da ONU para justificar o seu pedido de prorrogação de um ano do mandato da MNURSO. No entanto, os EUA parecem querer acabar com esta missão depois de terem limitado a sua extensão para seis meses em Abril, em vez dos 12 meses habituais até agora cada ano e que perduraram duas décadas. Mas o SG da ONU argumenta que "manter condições pacíficas e estáveis ​​no solo é essencial para promover uma retomada do processo político", e que "a MINURSO continua a ser um elemento-chave das Nações Unidas para obter uma solução política justa, sustentável e mutuamente aceitável ". O Conselho de Segurança, que se prepara para renovar o mandato da MINURSO a 29 de outubro, incluiu na sua agenda duas sessões de discussões sobre a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental para 9 e 11 de outubro, cujo tema principal será a duração do novo mandato da missão.





.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Sahara Ocidental: Guterres reitera posição da ONU a favor de negociações diretas e sem pré-condições



Nova Iorque, 29 março 2018 (SPS) o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou a posição das Nações Unidas a favor de negociações diretas e sem pré-condições entre a Frente Polisario e Marrocos com vista à resolução do conflito no Sahara Ocidental.

"Nas suas resoluções desde o começo de 2007, o Conselho de Segurança ordenou que o SG facilitasse as negociações diretas entre as partes no conflito, as quais devem ocorrer sem condições prévias e de boa-fé", afirma o líder da ONU na cópia preliminar do relatório sobre o Sahara Ocidental, citado pela APS.

António Guterres salienta que ambas as partes no conflito devem "mostrar vontade política (...) e trabalhar num espírito de compromisso" para se preparar uma quinta ronda de negociações.

O SG da ONU não deixa de recordar, a este respeito, a sua abordagem proposta no seu primeiro relatório sobre o Sahara Ocidental em 2017 de relançar o processo de negociações com "uma nova dinâmica e um novo espírito, refletindo as orientações do Conselho de Segurança, com vista a alcançar uma solução justa, duradoura e mutuamente aceitável que permita a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental ". Acrescentando que "o Conselho de Segurança afirmou na sua resolução 2351 (2017) o seu pleno apoio a esta proposta".

No seu segundo relatório sobre o Sahara Ocidental, o SG da ONU observa "a determinação" da Frente Polisario, reiterada em janeiro passado pelo presidente Brahim Ghali, de "envolver-se em negociações de fundo e sem condições prévias e cooperar plenamente com o Secretário-Geral e o seu enviado pessoal ".

Posição oposta de Marrocos que bloqueia o processo da ONU desde 2012, rejeita qualquer negociação que não se inscreva no quadro do seu plano de autonomia. Segundo Guterres, Marrocos persiste nesta posição e reiterou-a ao seu enviado pessoal, Horst Kohler, quando da sua deslocação a Rabat.

O Secretário-Geral da ONU diz-se "encorajado pelas medidas tomadas por Kohler, desde a sua nomeação, para relançar do processo político", saudando a sua primeira visita à região e as extensas consultas bilaterais que manteve com a Frente Polisario, Marrocos e países vizinhos e também as discussões mais amplas organizadas com partes interessadas, como a União Africana e a União Europeia.

"As muitas expressões de apoio (…) aos esforços de meu enviado pessoal são também um sinal importante de que uma nova dinâmica já está em marcha", diz o secretário-geral da ONU.

Última colónia de África, o Sahara Ocidental é considerado pelas Nações Unidas como um território não-autónomo que aguarda descolonização. (SPS)

sábado, 2 de dezembro de 2017

Guterres designa Colin Stewart como representante especial para o Sahara Ocidental e Chefe da Minurso

Nova Iorque, 1 de dezembro de 2017 (SPS)-. O secretario-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou esta sexta-feira a nomeação de Colin Stewart (do Canadá) como representante especial para o Sahara Ocidental e chefe da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO).

Stewart sucede a Kim Bolduc (tambiém canadiana), que completou a sua missão no passado dia 22 de novembro. O secretário-geral agradeceu a Bolduc a sua sólida liderança e perseverança ao longo do seu mandato.

Stewart - con mais de 25 anos de experiencia em questões de paz e segurança e assuntos internacionais -, foi chefe adjunto e chefe de Gabinete da Oficina das Nações Unidas para a União Africana (UNOAU) em Addis Abeba. Ocupou vários postos em várias missões das Nações Unidas no terreno, tendo sido chefe de Estado em funções e chefe de Assuntos Políticos da Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT) (2007-2009). De 1999 a 2004, ocupou sucessivamente a Missão das Nações Unidas em Timor Oriental (UNAMET), a Administração de Transição das Nações Unidas em Timor Oriental (UNTAET) e a Missão de Apoio das Nações Unidas em Timor Oriental (UNMISET). De 2004 a 2006, representou o Centro Carter A Cisjordânia e Gaza ena República Democrática do Congo.

Nascido em 1961, Stewart é licenciado pela Universidade Laval, no Canadá. Foi diplomata pelo seu país e funcionário do serviço exterior de 1990 a 1997.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Mohamed VI impõe condições a Guterres para a solução do problema do Sahara




Rabat, 6 nov (EFE).- O rei Mohamed VI de Marrocos fez saber hoje ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, as condições de Marrocos para continuar a procurar uma solução para o contencioso do Sahara Ocidental, num discurso pronunciado no 42.º aniversário da Marcha Verde.

Tal como acontece todos os anos por esta data, o monarca afirmou com firmeza a posição do seu país sobre a sua principal causa nacional: "O Sahara continuará sendo marroquino até ao final dos tiempos, e pouco importam os sacrifícios que seja necessário fazer para que seja sempre assim".

Mas neste discurso, o primeiro na era de António Guterres como Secretário-Geral, o monarca quis deixar claro que Marrocos se compromete "com a dinâmica atual que Guterres pretende", antes de acrescentar: "Assim será enquanto forem respeitados os princípios e fundamentos da posição marroquina", que definiu em quatro eixos.

O primeiro é o mais perentório: "Não é possível nenhume resolução do assunto do Sahara fora da soberania plena e integral de Marrocos sobre o seu Sahara, nem fora da iniciativa de autonomia", descartando assim a opção do referendo de autodeterminação a que se apega a Frente Polisario.

Outra das condições reside em que o Conselho de Segurança "é a única instância internacional encarregada de supervisionar o processo de solução", o que equivale a descartar outros órgãos da ONU, e igualmente a União Africana e outros fóruns.

Nas votações do Conselho de Segurança, Marrocos conta sempre com o apoio inquebrantável da Francia, o que lhe permitiu no passado suavizar o tomde de algumas resoluções ou diretamente apagar críticas contidas em alguns relatórios sobre a política marroquina.

Outra condição imposta pelo rei é "a recusa categórica (...) a toda a proposta obsoleta para desviar o Plano de Resolução dos parâmetros de referência fixados ou incluir abusivamente outros temas, que devem ser tratados pelas instâncias competentes".

Com esta afirmação, Mohamed VI refere-se aos intentos da Polisario, que encontraram eco em vários países, de incluir uma função de vigilância dos direitos humanos nas atribuições da missão da ONU o Sahara (MINURSO), algo que Rabat se opôs ferozmente.

Segundo o discurso marroquino dos últimos anos, a MINURSO deve limitar o seu mandato a observar o cessar-fogo, avançar com a limpesa de minos no terreno e propiciar visitas entre familiares de um e outro lado do muro de segurança, sem qualquer responsabilidade política.

A mensagem de Mohamed VI a António Guterres, muito explícita, tem lugar quando o novo Enviado Pessoal de Guterres para o Sahara, Horst Köhler, ainda não entregou ao Conselho de Seguranla o relatório da sua visita à região empreendida durante grande parte de outubro, um relatório que tem previsto entregar a 22 de novembro.

Durante esse primeiro périplo após a sua nomeação em agosto, Köhler não visitou o Sahara Ocidental controlado por Marrocos (que inclui a maior parte do território), e limitou a sua viagem a Rabat, Argel, Tindouf (sede da Frente Polisario em território argelino) e Madrid, sem que se saiba nada das suas conclusões.

No discurso de hoje, Mohamed VI não menciona Köhler pelo seu nome antes afirma que Marrocos está disposto a "cooperar com o Enviado Pessoal", mas sempre segundo as condições de Rabat.

Marruecos teve uma relação muito tensa com o anterior Enviado Pessoal, o norte-americano Christopher Ross, a quem acusava de parcial e favorável à Polisario: tendo num primeiro momento lhe retirado a sua confiança, mas como Ban Ki-moon o manteve no seu cargo, então Marrocos humilhou-o proibindo-o de pôr os pés em El Aaiún e em nenhum território controlado por Marrocos.


No papel, Marrocos acredita que Guterres será mais próximo das suas teses que Ban Ki-moon, mas em qualquer caso, e para que as coisas fiquem claras, hoje o monarca preferiu pôr a claro as suas condições. EFE

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Está na hora da MINURSO retomar com urgência a sua missão de organizar um referendo de autodeterminação ao povo saharaui" afirma o líder saharaui ao SG da ONU

Bir Lehlu (Territórios Libertados) 03 /10/ 2017 (SPS) - O Presidente da República e Secretário-Geral da Frente POLISARIO, Brahim Ghali, sublinha que "está na hora da MINURSO retomar com urgência a sua missão de organizar um referendo de autodeterminação ao povo saharaui para que o povo saharaui determine o seu destino."
A reivindicação consta na carta enviada a António Guterres, na sequência dos violentos ataques perpetrados pelas autoridades de ocupação marroquinas contra os cidadãos saharauis indefesos nas zonas ocupadas que participaram em manifestações pacíficas reclamando o direito do povo saharaui à livre determinação, à independência e a libertação dos presos políticos saharauis.
O Presidente afirma, que além de acelerar a execução do seu mandato de organizar um referendo para a autodeterminação ao povo saharaui, a MINURSO deve estar dotada de um mecanismo de proteção e vigilância dos direitos humanos no Sahara Ocidental, da proteção dos recursos naturais saharauis e de eliminação do muro da vergonha construído pela ocupação, “um crime contra a humanidade que divide o Sahara Ocidental, território e população, protegido por um arsenal  bélico de destruição e milhões de minas, incluindo minas antipessoal, proibidas internacionalmente”.
Brahim Ghali refere que o aumento do número de vítimas entre os manifestantes reflete a ampla participação dos cidadãos saharauis e a sua firme luta em defesa de um direito internacional sagrado, garantido pela Carta e as resoluções das Nações Unidas. Por isso – diz - a comunidade internacional está chamada a assumir as suas responsabilidades para proteger os cidadãos saharauis e garantir o exercício dos seus direitos fundamentais, contra a intensificação da repressão praticada pelo Estado de ocupação marroquino.
Ghali acrescenta que  “a existência  ainda de uma situação de descolonização no séc. XXI é um fenómeno estranho e vergonhoso para a comunidade internacional, assim como é vergonhoso também que a comunidade internacional continue indiferente ante as práticas atrozes e as violações flagrantes cometidas pelas forças militares de ocupação ilegal num território sob a responsabilidade das Nações Unidas e onde esta tem uma missão no terreno “.
Na carta, o Presidente saharaui reitera uma vez mais que “estas repetidas violações marroquinas refletem a intenção de provocação e obstrução que a ocupação marroquina prossegue em vésperas de de o Enviado Pessoal do SG da ONU, Horst Koehler, reincorpore o exercício das suas funções.
Ghali exige a libertação imediata de todos os presos políticos saharauis em presídios marroquinos e pede uma comissão médica internacional independente aos detidos de Gdeim Izik e sejam canceladas todas as medidas e sentenças tomadas injustamente contra eles. SPS

domingo, 30 de abril de 2017

Resolução sobre Sahara Ocidental aprovada por unanimidade do CS após reequilíbrio do texto



A reunião do Conselho de Segurança (CS) da ONU que foi adiada de dia 27 para dia 28 e devia ter lugar às 17h00 (hora de Nova Iorque) começou com mais de uma hora de atraso após a confirmação oficial da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) da retirada da Frente Polisario da zona tampão de Guergarat onde o movimento de libertação se teve que instalar após uma incursão do Reino de Marrocos que violou o acordo de cessar-fogo em agosto passado.


MINURSO seguirá em Guergarat

O comunicado de Imprensa divulgado pelo porta-voz do Secretário Geral (SG) dia 28 de Abril à tarde,  saúda a decisão da retirada da POLISARIO da zona de Guergarat e informa que “a MINURSO tenciona manter a sua posição na Faixa de Segurança desde agosto de 2016 e continuar a debater a futura vigilância da zona e toda a gama de questões relacionadas com a Faixa de Segurança com as partes.”

Marrocos tentou com esta manobra não só ocupar mais uma parte do território como desviar a atenção das Nações Unidas para a área de Guergarat, atrasar assim mais uma vez a negociação e focar a atenção dos média nesta situação em vez das graves violações dos direitos humanos nos territórios ocupados, o muro de separação e o recente acórdão do Tribunal de Justiça Europeu que determina como ilegal a comercialização de qualquer produto originário do Sahara Ocidental por parte de Marrocos, que afirma não ter soberania sobre esse território.


Projeto de resolução sofreu várias alterações

O projeto de resolução que tinha circulado e que era claramente favorável a Marrocos foi alterado de forma a ser mais equitativo na abordagem e terminologia utilizada, o que permitiu a sua aprovação por unanimidade algo que não aconteceu nas votações dos últimos anos.

A resolução final aprova a prorrogação do mandato da MINURSO por mais um ano e apela e urge para a reativação da negociação entre Marrocos e Frente POLISARIO.  A representante da Suécia salientou no seu discurso que “em primeiro lugar, a resolução emite um forte sinal, claro e unânime: chegou o momento de retomar as negociações que conduzirão a uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável; Uma solução que preveja a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental.” A inclusão de mulheres no processo político que é referenciada na resolução, merece também o entusiasmo da Suécia que considera que essa opção é uma injeção de nova energia.

A resolução enfatiza a necessidade de uma nova dinâmica nas negociações e é recebida com agrado tanto pela Frente Polisario como Marrocos.


EUA, França e Senegal reconhecem plano de autonomia como solução

A representante dos EUA enfatizou a urgência de nomeação de um novo enviado pessoal do Secretário Geral para o Sahara Ocidental e a sua visita à área e reafirmou a necessidade de alcançar uma solução política mutuamente aceitável  para a autodeterminação do Sahara Ocidental, mas considera a proposta do plano de autonomia de Marrocos como um projecto sério, credível e realista e que é uma abordagem satisfatória para ir ao encontro das aspirações do povo saharaui.

Tanto Senegal como França posicionaram-se claramente do lado marroquino. Senegal  saudou o Reino Alauita pelos “progressos” e considera o plano de autonomia uma opção séria, realista e credível. François Delattre, embaixador de França, declarou o mesmo mas mencionando a necessidade da prosperidade económica na região, não tendo manifestado nenhuma preocupação com os direitos humanos apesar de ter respondido a uma jornalista da Innercity Press dias antes que “os direitos humanos estão no meu ADN!”


Uruguai acusa CS de tratar o Sahara Ocidental como um ritual

Já o representante do Uruguai lembrou que a questão do Sahara Ocidental passou a ser tratado como um ritual no seio das Nações Unidas onde se reúne o CS uma vez ao ano sem se verificarem quaisquer progressos e se limita a prorrogar o mandato da MINURSO sem nunca haver um seguimento nem da imprensa nem do CS da questão. Criticou o facto de não haver sessões abertas sobre o Sahara Ocidental entre renovações de mandato. Alertou para o facto que em relação à expulsão de parte do contingente da MINURSO por parte do Reino de Marrocos as missões de paz das NU não podem sofrer alterações a não ser por decisão conjunta e do CS e relembra que o mandato desta missão é a realização do referendo. Alerta ainda que a difícil situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental necessita de maior atenção.


União Africana de importância vital para o representante da Etiópia

Em relação ao papel a desempenhar pela União Africana (UA) o representante da Etiópia espera que a adesão de Marrocos a esta organização possa melhorar o diálogo, o alinhamento com os princípios fundamentais da UA, e realça a importância do papel a desempenhar pelo próximo enviado especial do SG.

China e Reino Unida fizeram intervenções curtas em que apenas reafirmaram a necessidade de se alcançar uma solução política mutualmente aceitável para as partes.

A situação atual foi considerada pelo representante da Itália como o momento para acelerar o processo político e uma nova dinâmica para alcançar a autodeterminação do povo saharaui.

O representante da Bolívia reafirmou o apoio do seu país ao direito à autodeterminação dos povos e saudou a boa vontade de ambas as partes ao terem retirado de Guergarat.

Para o Japão e a Ucrânia o reavivar do processo político é claramente a prioridade nesta questão.

A Federação Russa vê com preocupação o status quo que facilita a possível presença de grupos extremista e enfatiza que é necessário a reativação das negociações no sentido de encontrar uma solução justa, duradoura que culminará com a autodeterminação do povo saharaui e a importância do enviado especial do SG na busca desta solução.

Ficou assim claro que o apoio aos desejos de Marrocos vem de França, Senegal e EUA, um plano de autonomia que não está de acordo com o estabelecido no acordo de cessar fogo de 1991. Mas é também evidente que as manobras e tentativas de alterar a terminologia por parte de Marrocos e que em parte se viram refletidas no relatório de António Guterres, não passaram no Conselho de Segurança graças à Federação Russa, membro permanente e com direito a veto, e de vários membros não permanentes como Uruguai, Suécia e Etiópia entre outros.


Referendo bloqueado há décadas por Marrocos com apoio de França

A proposta de autonomia de Marrocos foi já aceite como uma das perguntas a serem integradas como opção no referendo pela Frente POLISARIO, pelo que a verdadeira questão continua a ser porque Marrocos não aceita o referendo que bloqueia há décadas de uma ou outra forma com o apoio explícito de França.

A população saharaui nos territórios ocupados seguirá assim um ano mais sendo vítima das violações cometidas por Marrocos perante o olhar  impassível da Comunidade Internacional e o silêncio e inação das Nações Unidas, neste caso da sua Missão de “Paz” que continua a não ter no seu mandato uma mecanismo de proteção da população.

Um mecanismo a ser incluído no mandato da MINURSO terá que ser sempre de proteção com as competências idênticas às que tinha a Missão de paz em Timor. A monitorização só por si não protege em nenhum momento a população e como é evidente pelo relatório do SG e dos relatórios anteriores a observação da situação não é difícil, nem inexistente, o que é inexistente é a ação direta desta Missão para prevenir e impedir que Marrocos viole sistematicamente os direitos humanos mais básicos dos saharauis.

O Conselho de Segurança à semelhança da União Europeia vê como parceiros credíveis os vários organismos de Direitos Humanos criados por Marrocos, nomeadamente o Conselho Nacional de Direitos Humanos  (CNDH) com sedes nos territórios ocupados (El Aaiun e Dahkla). O CNDH é não mais que uma extensão do palácio de Mohamed VI e representa os interesses do Estado, é curioso notar que não é mencionada, nem reconhecida como interlocutor a Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) que devido à sua ação de denúncia e defesa de ativistas marroquinos e saharauis já foi várias vezes colocada na lista negra do Reino Alauita. Também não se faz referência às numerosas associações saharauis, que mantêm contactos regulares com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Relatório do SG da ONU sobre o Sahara Ocidental – falta de coragem e imparcialidade



12 de Abril de 2017 por porunsaharalibre - O relatório do SG sobre a situação no Sahara Ocidental está subdivido em acontecimentos recentes, actividades políticas, actividades da MINURSO, actividades humanitárias e direitos humanos, União Africana e aspectos financeiros, terminando com observações e recomendações. Esta edição prévia do relatório do SG das NU, António Guterres, sobre a situação no Sahara Ocidental destina-se aos membros do Conselho de Segurança que irão decidir sobre a prolongação do Mandato da MINURSO em finais deste mês.

Na primeira parte do relatório referente aos acontecimentos recentes o SG foca-se na situação de Guergarat desresponsabilizando por completo a MINURSO e o Conselho de Segurança no conflito criado devido à inoperância atempada destes mecanismos das NU. Quando se refere à Gendermaria Nacional (GN) da RASD coloca a GN entre aspas, mas não o faz quando se refere à Gendermaria Real Marroquina, dando a impressão que a GN da Frente POLISARIO não é oficial. Continua referindo as “violações” de uma parte e outra pondo enfâse no facto que a POLISARIO não deixa passar veículos com mapas em que o Sahara Ocidental esteja representado como parte de Marrocos, louva o recuo de Marrocos mas apela ao recuo da POLISARIO. Foi lamentável o SG anterior e o CS não terem tido uma posição igualmente forte exigindo de imediato a retirada de Marrocos, o que teria evitado toda a “tensão” actual.

Curiosamente durante todo este ponto, em que enumera os acontecimentos cronologicamente não refere o atraso da MINURSO em actuar.

No mesmo ponto aborda a questão da expulsão dos funcionários da MINURSO recordando que apenas 25 puderam regressar, e fala do regresso de 17 funcionários mais, o que perfaz um total de 42 ou seja apenas metade dos funcionários expulsos.

No ponto sobre actividades políticas relata as várias visitas e conversas tidas a vários níveis para reactivar as negociações com uma 5.ª ronda e refere a incapacidade de realização de visita do enviado pessoal, Christopher Ross, à região devido à posição de Marrocos.

Refere o encontro de 17 de Março com Brahim Gali, secretário geral da Frente Polisario, no qual transmitiu que lamenta que a FP ainda não se tenha retirada da zona tampão em Guergarat e que quer relançar as negociações com uma nova dinâmica e espírito, mas que para isso necessita que se crie uma atmosfera propicia terminando a tensão em Guergarat.

Nas actividades da MINURSO enumera o trabalho desenvolvido que se limita a patrulhas, contactos, supervisão de desminagem, questões de segurança do próprio contingente e refere que a oeste do muro o contacto está limitado a representantes do Exército Real Marroquino enquanto a Oeste (territórios sob controle da POLISARIO e campos de refugiados) contactam com todos os organismos presentes para além de coordenação com a Frente POLISARIO.

O SG aponta como desafio às operações da MINURSO vários pontos, iniciando por dizer que existem divergências de interpretação do mandato da MINURSO entre a Frente POLISARIO e Marrocos. Segundo o SG, Marrocos entende que a MINURSO tem como mandato a monitorização do cessar-fogo, apoiar a desminagem e apoiar as medidas de criação de confiança caso voltem a ser implementadas uma vez que foram interrompidas em 2014. Mas não refere que o nome MINURSO é claro e não dá azo a dúvidas de interpretação: Missão das Nações Unidas para a realização do Referendo no Sahara Ocidental, nem esclarece que as medidas de criação de confiança terminaram devido a actuação de Marrocos.

Segundo o SG, a Frente Polisario “interpreta” o mandato da MINURSO como tendo como objectivo principal a realização do referendo e vai mais longe afirmando que não há acordo entre as partes sobre o mandato.

Guterres entende que os contactos a “oeste” do muro com o CNDH (conselho Nacional dos Direitos Humanos Marroquino), com “eleitos locais” e sheiks tribais permitem à MINURSO ter um entendimento amplo e imparcial da situação. Algo inconcebível visto os elementos acimas referenciados CNDH, eleitos locais e “sheiks” serem todos eles aliados ou braços das autoridades de ocupação marroquinas e do Makhzen.

No ponto sobre as actividades humanitárias e direitos humanos, recorda a actuação claramente insuficiente da ONU no que toca à distribuição alimentar e alojamento entre outros.

No que respeita aos Direitos Humanos, recorda a última visita de uma delegação da Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas a El Aaiun e Dakhla em 2015, mas não menciona que essa mesma delegação esteve sob ataque das forças marroquinas durante a sua visita a uma casa de activistas saharauis. Esta foi a última visita autorizada por Marrocos. O SG refere a expulsão de 187 estrangeiros do território número confirmado pelo Reino de Marrocos que classifica estes estrangeiros expulsos das “províncias do Sul” como uma ameaça à segurança nacional ou porque não obedecem às leis de emigração.

No ponto 74. o SG refere o caso do grupo de Gdeim Izik com graves erros, falando em “re-julgamento” de 23 acusados, quando na realidade se tratam de 24. Continua dizendo que esse número inclui 21 presos condenados a perpetua, o que também não corresponde à verdade visto que 8 dos prisioneiros estão condenados a perpetua, e os restantes de 20 a 30 anos de prisão. Esta falta de rigor é preocupante na medida em que demonstra a qualidade de informação processada pelo SG, que tem recebido inúmeros relatórios sobre este caso e apelos pela libertação destes presos com os dados corretos que pelos vistos não foram tidos em conta. Também não refere a decisão do Comité Contra a Tortura da ONU sobre este caso em que é claro que Marrocos infringiu todas as normas, leis, acordos e convenções nacionais e internacionais que subscreveu e ratificou, utilizando a tortura como método de construção de um “caso jurídico”.

Na terminologia adaptada por Guterres não se diz Povo do Sahara Ocidental. A frase utilizada: “alcançar uma solução política mutuamente aceitável que inclua a resolução da controvérsia sobre o estatuto final do Sahara Ocidental, incluindo um acordo sobre a natureza e a forma do exercício de auto-determinação”. Substitui a formulação original utilizada até ao momento em todos os documentos das Nações Unidas: “alcançar uma solução política mutuamente aceitável entre as partes e de acordo com as resoluções da ONU com o objectivo de alcançar o direito à autodeterminação do povo do sahara ocidental”. Segundo a formulação de Guterres, a autodeterminação parece ser algo que pode ser exercido de diversas formas abrindo mais uma vez portas a Marrocos para “interpretações” e novas propostas.

Termina o relatório referindo a necessidade de reactivar as negociações com uma 5.ª ronda . Refere o ponto de vista de Marrocos que defende um plano de autonomia e o “ponto de vista” da Frente Polisario, ou seja a realização do referendo sobre autodeterminação.

Mais uma vez Guterres parece esquecer que não existem pontos de vista, mas sim posicionamento, por um lado Marrocos que renega tudo o que foi acordado no cessar-fogo e por outro a Frente Polisario que além de respeitar o acordado no cessar-fogo de 1991, ainda concordou em acrescentar às opções do referendo a proposta de autonomia de Marrocos. Quer isso dizer que não existe nenhum impedimento à realização do referendo em teoria visto incluir o “ponto de vista de Marrocos”, o único impedimento é a oposição de Marrocos uma vez que sabe que o referendo nunca irá ter como resultado a escolha da autonomia.

Guterres propõe-se relançar as negociações com um novo “espírito” em que as negociações estejam abertas as propostas das duas partes. Propõe ainda o prolongamento do Mandato da MINURSO até Abril de 2018. Agradece aos membros do Conselho de Segurança os seus esforços para o restabelecimento total da funcionalidade da MINURSO que segundo a informação do relatório deverá acontecer devido ao comunicado por parte de Marrocos de 4 e 5 de Abril onde diz “permitir” o regresso. Agradece a Marrocos o recuo de Guergarat e continua “profundamente preocupado” com a presença da Frente POLISARIO na zona.

Apela a um reforço da ajuda humanitária aos campos de refugiados por parte da comunidade internacional e no que respeita os Direitos Humanos a oeste e a leste do muro espera que se possam realizar “visitas” dos mecanismos das Nações Unidas.

Todo o relatório tem uma terminologia cuidada de acordo com os desejos de Marrocos, evitando falar em territórios ocupados e falando de oeste e leste do muro e dando pistas sobre relançar as negociações com uma nova dinâmica e espírito “novas opções possíveis” para a solução do conflito.


Horst Köhler, antigo presidente da Alemanha, novo Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental


Horst Köhler, antigo presidente da Alemanha

Depois de um americano, de novo um europeu. Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, propôs que o seu Enviado Pessoal para o Sahara Ocidental seja Horst Köhler, 74 anos, antigo presidente alemão (2004 à 2010). Marrocos e a Frente Polisario terão mostrado boa predisposição, mas ainda não deram o seu acordo final, de acordo com fontes diplomáticas.

Köhler é esperado substituir o diplomata norte-americano Christopher Ross, que teoricamente se demitiu no início deste ano, antes de o Conselho de Segurança da ONU renovar no final mês o mandato da MINURSO. Na verdade, foi Guterres que sugeriu a Ross a renunciar ao seu posto. Sabendo-o injuriado pelas autoridades marroquinas, parecia-lhe difícil ele poder continuar a ser o mediador.

O seu indigitado substituto tem um perfil muito diferente. Não é um diplomata, mas um político e membro do partido democrata-cristão de Angela Merkel. É também é economista que administrou a Federação dos bancos de poupança alemães antes de ser nomeado presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD). Antes de se tornar chefe de Estado, foi durante quatro anos (2000-2004) Director Executivo do Fundo Monetário Internacional. Ele não sabe muito sobre o conflito do Sahara Ocidental.

A Polisário teria preferido que o enviado pessoal fosse norte-americano, como Ross ou como James Baker, que foi Secretário de Estado do presidente George Bush. A sua preferência ia para John Bolton, ex-embaixador dos EUA na ONU e homem próximo do presidente Donald Trump. O apoio que lhe poderia dar o Departamento de Estado, em teoria, daria mais peso à mediação, mesmo que não tenha tido êxito. A hostilidade demonstrada pelas autoridades marroquinas contra os dois norte-americanos contribuíram para as suas renúncias.

Rabat, por seu lado, estava mais inclinado para um europeu, porque tem boas recordações do diplomata holandês Peter van Walsum que, em 2008, propôs que os dois lados negociassem sobre a oferta marroquina de autonomia, e não sobre a autodeterminação reivindicada pelos independentistas saharauis. A diplomacia marroquina havia sugerido o nome de Miguel Ángel Moratinos, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, que vê com bons olhos a proposta de autonomia para o Sahara.

Guterres irá apresentar este mês o seu relatório anual ao Conselho de Segurança sobre o Sahara (fê-lo no passado dia 10 de Abril, embora ele não tenha ainda sido divulgado oficialmente e não apareça no sítio da ONU) o qual foi ainda em grande medida escrito por Ross. O Conselho irá, em seguida, votar uma resolução que irá fazer algumas recomendações e irá prolongar por um ano o mandato da MINURSO. Ele será escrito pela missão dos Estados Unidos nas Nações Unidas e submetido primeiro à aprovação da França, Rússia, Espanha e Reino Unido que integram o Grupo de Amigos do Sahara Ocidental.


segunda-feira, 6 de março de 2017

O Enviado da ONU para o Sahara Ocidental renuncia a continuar a sua missão


Christopher Ross





Fonte: Desde el Atlántico / Por Carlos Ruiz Miguel - Prof. Catedrático de Direito Constitucional na Universidade de Santiago de Compostela


Na quinta-feira 2 de março de 2017 o digital do núcleo duro do makhzen “Le 360” anunciou em primeira mão que o Enviado da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, havia deixado de visitar o seu escritório no edifício da ONU. Uns dias depois, sem citar o digital do núcleo duro do makhzen, o diário argelino “TSA” informava que Ross havia renunciado em prosseguir a sua missão. Posteriormente vários meios se fizeram eco do artigo do TSA silenciando que tinha o digital do núcleo duro do makhzen quem deu a notícia em primeira mão. Que causas poderão estar por detrás desta renúncia? Que perspetivas se podem abrir depois dela?


I. CHRISTOPHER ROSS RENUNCIA A CONTINUAR A SUA MISSÃO: QUAIS OS POSSÍVEIS MOTIVOS?

Quinta-feira 2 de março “Le 360”, o digital do núcleo duro do makhzen, anunciava em primeira mão que Christopher Ross tinha deixa de ir ao seu escritório na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Três dias depois, e sem citar esta informação, o digital argelino TSA informava que Ross tinha “atirado a tolha ao chão” e renunciava a prosseguir a sua missão após o fim do seu mandato que finaliza no termo deste mês de março de 2017. Posteriormente, vários meios e “analistas” distorceram a realidade para dizer que Ross se havia “demitido” (“resignado”) do seu posto.


II. POSSÍVEIS CAUSAS DA RENÚNCIA DE ROSS A SOLICITAR A CONTINUAÇÃO DO SEU MANDATO

De momento, não há uma tomada de posição oficial das Nações Unidas sobre este assunto, pelo que só podemos especular acerca das eventuais causas desta renuncia. Quais podem ser?

1) Recusa de Marrocos.

É notório que Marrocos procurou desde o primeiro momento boicotar a tarefa de Ross (o único dos Enviados Pessoais do SG que até agora dominava a língua árabe) e inclusive há cinco anos, em maio de 2012 procurou, sem êxito, provocar a sua demissão. Desde então, o makhzen de Marrocos utilizou toda a classe de chicanices para boicotar o seu trabalho.

Pode ter a recusa de Marrocos a causa desta renúncia? É pouco provável, porque a recusa explícita de Marrocos a Ross não provocou até agora a sua demissãodimisión.

2) Recusa dos EUA

Não é nenhum secredo que dois dos três Enviados Pessoais do Secretário Geral da ONU para o Sahara Ocidental eram homens do Departamento de Estado norte-americano. Não havia nenhuma dúvida desse vínculo direto a respeito de James Baker III e de Christopher Ross. Mais discutível era essa ligação no caso de Peter Van Walsum.

Nos EUA acaba de se produzir uma mudança muito profunda no governo. Tão profunda que alguns acreditam que pode chegar a ser revolucionaria. A decisão de Ross tem a ver com este cenário?

É uma hipótese provável. Há a possibilidade da nova Administração norte-americana ter solicitado a Ross que não prossiga no seu cargo para aí colocar uma figura mais próxima dos interesses do novo presidente. Se esta hipótesé é ou não certa é algo que se verá quando for nomeado o substituto de Ross.

3) Recusa do Secretário-Geral da ONU

A terceira hipótese é que Ross tenha renunciado por não contar com o apoio do novo Secretário-Geral da ONU. Esta falta de confiança pode-se ter manifestado de forma expressa ou implícita. O porta-voz do novo Secretário-Geral da ONU emitiu a 25 de fevereiro de 2017 uma declaração, atribuída ao Secretário-Geral (isto á, avalizada) com um claro favorecimento do makhzen em relação à crise de Guerguerat.

Foi consultado Ross para quando esta declaração foi proferida? Foi consultado e mostrou desconformidade?

Se não foi consultado ou foi consultado mas mostrou a sua desconformidade com esse comunicado, Ross poderá entender que o novo Secretário-Geral da ONU está secretamente do lado de Marrocos. Só se António Guterres estiver secretamente alinhado com Marrocos (algo que se confirmará ou não nas próximas semanas, quando apresentar o seu relatório ao Conselho de Segurança ) esta tese será credível.


III. QUE PERSPETIVAS SE ABREM?

As perspetivas que se abrem após a decisão de Ross dependem, claramente, das causas que a motivaram. Neste sentido as perspetivas possíveis podem ser analisadas de um ponto de vista formal e material.

a. Perspetivas formais.

Quem será o próximo Enviado Pessoal… se é que continuará a existir esta figura?
Podem ocorrer várias coisas:

– é possível que desapareça a figura do “Enviado Pessoal” e que o Secretário-Geral assuma pessoalmente a gestão do assunto.

– se continuar a existir esta figura, importa ver  se:

— o novo “Enviado Pessoal” é uma pessoa ligada à visão política da nova administração norte-americana

–se pretende confiar a responsabilidade a alguém de outra região (África, Rússia, China?).

b. Perspetivas materiais.


– Mas pode também acontecer o contrário: pode ocorrer aquilo que já aconselhou James Baker em 2002 e se considere que é inútil prosseguir com o processo de negociação entre as partes e se inste a que o Conselho de Segurança, por via do capítulo VII da Carta, imponha aquilo que o próprio Conselho de Segurança qualificou como “solução política ótima” (o plano Baker) ou proceda à partição do território.

– Finalmente, pode suceder que se opte por continuar a manter o assunto como agora. No entanto, os acontecimentos como a crise de La Güera e de Guerguerat mostram que esta via é extremadamente frágil.