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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Relatório do SG da ONU sobre o Sahara Ocidental – falta de coragem e imparcialidade



12 de Abril de 2017 por porunsaharalibre - O relatório do SG sobre a situação no Sahara Ocidental está subdivido em acontecimentos recentes, actividades políticas, actividades da MINURSO, actividades humanitárias e direitos humanos, União Africana e aspectos financeiros, terminando com observações e recomendações. Esta edição prévia do relatório do SG das NU, António Guterres, sobre a situação no Sahara Ocidental destina-se aos membros do Conselho de Segurança que irão decidir sobre a prolongação do Mandato da MINURSO em finais deste mês.

Na primeira parte do relatório referente aos acontecimentos recentes o SG foca-se na situação de Guergarat desresponsabilizando por completo a MINURSO e o Conselho de Segurança no conflito criado devido à inoperância atempada destes mecanismos das NU. Quando se refere à Gendermaria Nacional (GN) da RASD coloca a GN entre aspas, mas não o faz quando se refere à Gendermaria Real Marroquina, dando a impressão que a GN da Frente POLISARIO não é oficial. Continua referindo as “violações” de uma parte e outra pondo enfâse no facto que a POLISARIO não deixa passar veículos com mapas em que o Sahara Ocidental esteja representado como parte de Marrocos, louva o recuo de Marrocos mas apela ao recuo da POLISARIO. Foi lamentável o SG anterior e o CS não terem tido uma posição igualmente forte exigindo de imediato a retirada de Marrocos, o que teria evitado toda a “tensão” actual.

Curiosamente durante todo este ponto, em que enumera os acontecimentos cronologicamente não refere o atraso da MINURSO em actuar.

No mesmo ponto aborda a questão da expulsão dos funcionários da MINURSO recordando que apenas 25 puderam regressar, e fala do regresso de 17 funcionários mais, o que perfaz um total de 42 ou seja apenas metade dos funcionários expulsos.

No ponto sobre actividades políticas relata as várias visitas e conversas tidas a vários níveis para reactivar as negociações com uma 5.ª ronda e refere a incapacidade de realização de visita do enviado pessoal, Christopher Ross, à região devido à posição de Marrocos.

Refere o encontro de 17 de Março com Brahim Gali, secretário geral da Frente Polisario, no qual transmitiu que lamenta que a FP ainda não se tenha retirada da zona tampão em Guergarat e que quer relançar as negociações com uma nova dinâmica e espírito, mas que para isso necessita que se crie uma atmosfera propicia terminando a tensão em Guergarat.

Nas actividades da MINURSO enumera o trabalho desenvolvido que se limita a patrulhas, contactos, supervisão de desminagem, questões de segurança do próprio contingente e refere que a oeste do muro o contacto está limitado a representantes do Exército Real Marroquino enquanto a Oeste (territórios sob controle da POLISARIO e campos de refugiados) contactam com todos os organismos presentes para além de coordenação com a Frente POLISARIO.

O SG aponta como desafio às operações da MINURSO vários pontos, iniciando por dizer que existem divergências de interpretação do mandato da MINURSO entre a Frente POLISARIO e Marrocos. Segundo o SG, Marrocos entende que a MINURSO tem como mandato a monitorização do cessar-fogo, apoiar a desminagem e apoiar as medidas de criação de confiança caso voltem a ser implementadas uma vez que foram interrompidas em 2014. Mas não refere que o nome MINURSO é claro e não dá azo a dúvidas de interpretação: Missão das Nações Unidas para a realização do Referendo no Sahara Ocidental, nem esclarece que as medidas de criação de confiança terminaram devido a actuação de Marrocos.

Segundo o SG, a Frente Polisario “interpreta” o mandato da MINURSO como tendo como objectivo principal a realização do referendo e vai mais longe afirmando que não há acordo entre as partes sobre o mandato.

Guterres entende que os contactos a “oeste” do muro com o CNDH (conselho Nacional dos Direitos Humanos Marroquino), com “eleitos locais” e sheiks tribais permitem à MINURSO ter um entendimento amplo e imparcial da situação. Algo inconcebível visto os elementos acimas referenciados CNDH, eleitos locais e “sheiks” serem todos eles aliados ou braços das autoridades de ocupação marroquinas e do Makhzen.

No ponto sobre as actividades humanitárias e direitos humanos, recorda a actuação claramente insuficiente da ONU no que toca à distribuição alimentar e alojamento entre outros.

No que respeita aos Direitos Humanos, recorda a última visita de uma delegação da Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas a El Aaiun e Dakhla em 2015, mas não menciona que essa mesma delegação esteve sob ataque das forças marroquinas durante a sua visita a uma casa de activistas saharauis. Esta foi a última visita autorizada por Marrocos. O SG refere a expulsão de 187 estrangeiros do território número confirmado pelo Reino de Marrocos que classifica estes estrangeiros expulsos das “províncias do Sul” como uma ameaça à segurança nacional ou porque não obedecem às leis de emigração.

No ponto 74. o SG refere o caso do grupo de Gdeim Izik com graves erros, falando em “re-julgamento” de 23 acusados, quando na realidade se tratam de 24. Continua dizendo que esse número inclui 21 presos condenados a perpetua, o que também não corresponde à verdade visto que 8 dos prisioneiros estão condenados a perpetua, e os restantes de 20 a 30 anos de prisão. Esta falta de rigor é preocupante na medida em que demonstra a qualidade de informação processada pelo SG, que tem recebido inúmeros relatórios sobre este caso e apelos pela libertação destes presos com os dados corretos que pelos vistos não foram tidos em conta. Também não refere a decisão do Comité Contra a Tortura da ONU sobre este caso em que é claro que Marrocos infringiu todas as normas, leis, acordos e convenções nacionais e internacionais que subscreveu e ratificou, utilizando a tortura como método de construção de um “caso jurídico”.

Na terminologia adaptada por Guterres não se diz Povo do Sahara Ocidental. A frase utilizada: “alcançar uma solução política mutuamente aceitável que inclua a resolução da controvérsia sobre o estatuto final do Sahara Ocidental, incluindo um acordo sobre a natureza e a forma do exercício de auto-determinação”. Substitui a formulação original utilizada até ao momento em todos os documentos das Nações Unidas: “alcançar uma solução política mutuamente aceitável entre as partes e de acordo com as resoluções da ONU com o objectivo de alcançar o direito à autodeterminação do povo do sahara ocidental”. Segundo a formulação de Guterres, a autodeterminação parece ser algo que pode ser exercido de diversas formas abrindo mais uma vez portas a Marrocos para “interpretações” e novas propostas.

Termina o relatório referindo a necessidade de reactivar as negociações com uma 5.ª ronda . Refere o ponto de vista de Marrocos que defende um plano de autonomia e o “ponto de vista” da Frente Polisario, ou seja a realização do referendo sobre autodeterminação.

Mais uma vez Guterres parece esquecer que não existem pontos de vista, mas sim posicionamento, por um lado Marrocos que renega tudo o que foi acordado no cessar-fogo e por outro a Frente Polisario que além de respeitar o acordado no cessar-fogo de 1991, ainda concordou em acrescentar às opções do referendo a proposta de autonomia de Marrocos. Quer isso dizer que não existe nenhum impedimento à realização do referendo em teoria visto incluir o “ponto de vista de Marrocos”, o único impedimento é a oposição de Marrocos uma vez que sabe que o referendo nunca irá ter como resultado a escolha da autonomia.

Guterres propõe-se relançar as negociações com um novo “espírito” em que as negociações estejam abertas as propostas das duas partes. Propõe ainda o prolongamento do Mandato da MINURSO até Abril de 2018. Agradece aos membros do Conselho de Segurança os seus esforços para o restabelecimento total da funcionalidade da MINURSO que segundo a informação do relatório deverá acontecer devido ao comunicado por parte de Marrocos de 4 e 5 de Abril onde diz “permitir” o regresso. Agradece a Marrocos o recuo de Guergarat e continua “profundamente preocupado” com a presença da Frente POLISARIO na zona.

Apela a um reforço da ajuda humanitária aos campos de refugiados por parte da comunidade internacional e no que respeita os Direitos Humanos a oeste e a leste do muro espera que se possam realizar “visitas” dos mecanismos das Nações Unidas.

Todo o relatório tem uma terminologia cuidada de acordo com os desejos de Marrocos, evitando falar em territórios ocupados e falando de oeste e leste do muro e dando pistas sobre relançar as negociações com uma nova dinâmica e espírito “novas opções possíveis” para a solução do conflito.


Horst Köhler, antigo presidente da Alemanha, novo Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental


Horst Köhler, antigo presidente da Alemanha

Depois de um americano, de novo um europeu. Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, propôs que o seu Enviado Pessoal para o Sahara Ocidental seja Horst Köhler, 74 anos, antigo presidente alemão (2004 à 2010). Marrocos e a Frente Polisario terão mostrado boa predisposição, mas ainda não deram o seu acordo final, de acordo com fontes diplomáticas.

Köhler é esperado substituir o diplomata norte-americano Christopher Ross, que teoricamente se demitiu no início deste ano, antes de o Conselho de Segurança da ONU renovar no final mês o mandato da MINURSO. Na verdade, foi Guterres que sugeriu a Ross a renunciar ao seu posto. Sabendo-o injuriado pelas autoridades marroquinas, parecia-lhe difícil ele poder continuar a ser o mediador.

O seu indigitado substituto tem um perfil muito diferente. Não é um diplomata, mas um político e membro do partido democrata-cristão de Angela Merkel. É também é economista que administrou a Federação dos bancos de poupança alemães antes de ser nomeado presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD). Antes de se tornar chefe de Estado, foi durante quatro anos (2000-2004) Director Executivo do Fundo Monetário Internacional. Ele não sabe muito sobre o conflito do Sahara Ocidental.

A Polisário teria preferido que o enviado pessoal fosse norte-americano, como Ross ou como James Baker, que foi Secretário de Estado do presidente George Bush. A sua preferência ia para John Bolton, ex-embaixador dos EUA na ONU e homem próximo do presidente Donald Trump. O apoio que lhe poderia dar o Departamento de Estado, em teoria, daria mais peso à mediação, mesmo que não tenha tido êxito. A hostilidade demonstrada pelas autoridades marroquinas contra os dois norte-americanos contribuíram para as suas renúncias.

Rabat, por seu lado, estava mais inclinado para um europeu, porque tem boas recordações do diplomata holandês Peter van Walsum que, em 2008, propôs que os dois lados negociassem sobre a oferta marroquina de autonomia, e não sobre a autodeterminação reivindicada pelos independentistas saharauis. A diplomacia marroquina havia sugerido o nome de Miguel Ángel Moratinos, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, que vê com bons olhos a proposta de autonomia para o Sahara.

Guterres irá apresentar este mês o seu relatório anual ao Conselho de Segurança sobre o Sahara (fê-lo no passado dia 10 de Abril, embora ele não tenha ainda sido divulgado oficialmente e não apareça no sítio da ONU) o qual foi ainda em grande medida escrito por Ross. O Conselho irá, em seguida, votar uma resolução que irá fazer algumas recomendações e irá prolongar por um ano o mandato da MINURSO. Ele será escrito pela missão dos Estados Unidos nas Nações Unidas e submetido primeiro à aprovação da França, Rússia, Espanha e Reino Unido que integram o Grupo de Amigos do Sahara Ocidental.


segunda-feira, 6 de março de 2017

O Enviado da ONU para o Sahara Ocidental renuncia a continuar a sua missão


Christopher Ross





Fonte: Desde el Atlántico / Por Carlos Ruiz Miguel - Prof. Catedrático de Direito Constitucional na Universidade de Santiago de Compostela


Na quinta-feira 2 de março de 2017 o digital do núcleo duro do makhzen “Le 360” anunciou em primeira mão que o Enviado da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, havia deixado de visitar o seu escritório no edifício da ONU. Uns dias depois, sem citar o digital do núcleo duro do makhzen, o diário argelino “TSA” informava que Ross havia renunciado em prosseguir a sua missão. Posteriormente vários meios se fizeram eco do artigo do TSA silenciando que tinha o digital do núcleo duro do makhzen quem deu a notícia em primeira mão. Que causas poderão estar por detrás desta renúncia? Que perspetivas se podem abrir depois dela?


I. CHRISTOPHER ROSS RENUNCIA A CONTINUAR A SUA MISSÃO: QUAIS OS POSSÍVEIS MOTIVOS?

Quinta-feira 2 de março “Le 360”, o digital do núcleo duro do makhzen, anunciava em primeira mão que Christopher Ross tinha deixa de ir ao seu escritório na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Três dias depois, e sem citar esta informação, o digital argelino TSA informava que Ross tinha “atirado a tolha ao chão” e renunciava a prosseguir a sua missão após o fim do seu mandato que finaliza no termo deste mês de março de 2017. Posteriormente, vários meios e “analistas” distorceram a realidade para dizer que Ross se havia “demitido” (“resignado”) do seu posto.


II. POSSÍVEIS CAUSAS DA RENÚNCIA DE ROSS A SOLICITAR A CONTINUAÇÃO DO SEU MANDATO

De momento, não há uma tomada de posição oficial das Nações Unidas sobre este assunto, pelo que só podemos especular acerca das eventuais causas desta renuncia. Quais podem ser?

1) Recusa de Marrocos.

É notório que Marrocos procurou desde o primeiro momento boicotar a tarefa de Ross (o único dos Enviados Pessoais do SG que até agora dominava a língua árabe) e inclusive há cinco anos, em maio de 2012 procurou, sem êxito, provocar a sua demissão. Desde então, o makhzen de Marrocos utilizou toda a classe de chicanices para boicotar o seu trabalho.

Pode ter a recusa de Marrocos a causa desta renúncia? É pouco provável, porque a recusa explícita de Marrocos a Ross não provocou até agora a sua demissãodimisión.

2) Recusa dos EUA

Não é nenhum secredo que dois dos três Enviados Pessoais do Secretário Geral da ONU para o Sahara Ocidental eram homens do Departamento de Estado norte-americano. Não havia nenhuma dúvida desse vínculo direto a respeito de James Baker III e de Christopher Ross. Mais discutível era essa ligação no caso de Peter Van Walsum.

Nos EUA acaba de se produzir uma mudança muito profunda no governo. Tão profunda que alguns acreditam que pode chegar a ser revolucionaria. A decisão de Ross tem a ver com este cenário?

É uma hipótese provável. Há a possibilidade da nova Administração norte-americana ter solicitado a Ross que não prossiga no seu cargo para aí colocar uma figura mais próxima dos interesses do novo presidente. Se esta hipótesé é ou não certa é algo que se verá quando for nomeado o substituto de Ross.

3) Recusa do Secretário-Geral da ONU

A terceira hipótese é que Ross tenha renunciado por não contar com o apoio do novo Secretário-Geral da ONU. Esta falta de confiança pode-se ter manifestado de forma expressa ou implícita. O porta-voz do novo Secretário-Geral da ONU emitiu a 25 de fevereiro de 2017 uma declaração, atribuída ao Secretário-Geral (isto á, avalizada) com um claro favorecimento do makhzen em relação à crise de Guerguerat.

Foi consultado Ross para quando esta declaração foi proferida? Foi consultado e mostrou desconformidade?

Se não foi consultado ou foi consultado mas mostrou a sua desconformidade com esse comunicado, Ross poderá entender que o novo Secretário-Geral da ONU está secretamente do lado de Marrocos. Só se António Guterres estiver secretamente alinhado com Marrocos (algo que se confirmará ou não nas próximas semanas, quando apresentar o seu relatório ao Conselho de Segurança ) esta tese será credível.


III. QUE PERSPETIVAS SE ABREM?

As perspetivas que se abrem após a decisão de Ross dependem, claramente, das causas que a motivaram. Neste sentido as perspetivas possíveis podem ser analisadas de um ponto de vista formal e material.

a. Perspetivas formais.

Quem será o próximo Enviado Pessoal… se é que continuará a existir esta figura?
Podem ocorrer várias coisas:

– é possível que desapareça a figura do “Enviado Pessoal” e que o Secretário-Geral assuma pessoalmente a gestão do assunto.

– se continuar a existir esta figura, importa ver  se:

— o novo “Enviado Pessoal” é uma pessoa ligada à visão política da nova administração norte-americana

–se pretende confiar a responsabilidade a alguém de outra região (África, Rússia, China?).

b. Perspetivas materiais.


– Mas pode também acontecer o contrário: pode ocorrer aquilo que já aconselhou James Baker em 2002 e se considere que é inútil prosseguir com o processo de negociação entre as partes e se inste a que o Conselho de Segurança, por via do capítulo VII da Carta, imponha aquilo que o próprio Conselho de Segurança qualificou como “solução política ótima” (o plano Baker) ou proceda à partição do território.

– Finalmente, pode suceder que se opte por continuar a manter o assunto como agora. No entanto, os acontecimentos como a crise de La Güera e de Guerguerat mostram que esta via é extremadamente frágil.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Guterres: A descolonização tem sido uma das tarefas decisivas da ONU




O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou o seu compromisso com a agenda de descolonização, que descreveu como um dos mandatos decisivos do organismo mundial.

Ao falar na primeira reunião organizativa de 2017 do Comité de Descolonização, Guterres traçou um relato pessoal do que viveu em Portugal durante a ditadura de Antonio Salazar e de como a luta pela democracia no seu país esteve associada à descolonização de vários territórios em África e na Ásia.

Recordou as guerras impostas aos povos de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde e os estreitos vínculos que se criaram entre os democratas portugueses e os movimentos de libertação desses países.

Guterres afirmou que desde então acompanhou de muito perto os trabalhos do Comité, também conhecido como Comité Especial dos 24, e ressaltou o longo percurso percorrido desde a sua criação pela Assembleia Geral da ONU.

“Quando foi criado em 1962, a ONU tinha 110 Estados. Hoje já são 193 os membros e a maioria dos novos são ex-colónias. Este Comité Especial jogou um papel vital no processo, cumprindo fielmente o mandato que lhe foi atribuído pela Assembleia Geral”, afirmou Guterres.

O titular da ONU sublinhou que não obstante os avanços significativos, restam ainda 17 territórios sob a sua jurisdição e expressou ao Comité o seu compromisso de o assistir na procura do formato apropriado e do momento oportuno para completar a descolonização, tomando em conta as circunstâncias particulares de cada território.

Durante a sessão, o representante permanente da Venezuela junto da ONU, Rafael Ramírez, foi reeleito presidente do Comité de sessão de 2017.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Brahi, Ghali, SG da Polisario, felicita António Guterres


António Guterres e Brahim Ghali
















Bir Lehlu, 14/10/16 (SPS)- O presidente da República Saharaui e secretário-geral da Frente Polisario, Brahim Ghali  enviou esta sexta-feira uma mensagem de felicitação ao novo Secretário-Geral da ONU, o português António Guterres.

O presidente saharaui felicita Guterres pela sua eleição à frente do organismo internacional e deseja-lha êxitos nas suas novas funções: “Aproveito esta oportunidade, em nome do povo saharaui, da Frente Popular para a Liberação de Saguia el Hamra e Rio de Ouro (F.Polisario) e em meu próprio para expressar as minhas felicitações e desejos sinceros de êxito na sua nobre missão”.

“A sua brilhante  eleição como  Secretário-Geral das Nações Unidas é uma expressão da confiança dos  países membros e das suas qualidades humanas, a sua rica carreira política e a sua capacidade para dar um novo impulso à organização internacional para fazer frente aos desafios que agitam o mundo e para garantiar o respeito pelos ideais e princípios da Carta”.


Ghali reitera a disposição da Polisario de cooperar com as Nações Unidas no seu esforço “para a realização do processo de descolonização do território saharaui na base das resoluções concernentes da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança que reclamam a aplicação do respeito do direito inalienável do povo saharaui à autodeterminação”.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

António Guterres será o novo secretário-geral da ONU




António Guterres será o próximo secretário-geral da ONU, depois de não ter recebido qualquer “chumbo” dos cinco estados com poder de veto, naquela que foi a sexta votação. O futuro SG da ONU conhece bem o dossier do Sahara Ocidental, tendo-o acompanhado de muito perto quando exerceu as funções de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. A sua personalidade, enquanto homem e político, levam a crer o povo saharaui que ele saberá conduzir o processo de descolonização da mais antiga colónia de África com total espírito de diálogo, isenção mas, simultaneamente, com firmeza dos princípios que constam da carta da ONU.


Um candidato consensual

António Guterres está prestes a tornar-se o próximo secretário-geral da ONU, depois de não ter recebido qualquer "chumbo" dos cinco estados com poder de veto, naquela que foi a sexta votação.
António Guterres venceu esta quarta-feira a sexta votação informal seguida (num total de seis realizadas, e na primeira em que participou a búlgara Kristalina Georgieva), sem que nenhuma das potências com poder de veto (Estados Unidos, China, Rússia, França e Inglaterra) tenha votado contra o ex-Alto Comissário do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). De acordo com o jornal Washington Post, o Conselho de Segurança confirmou que Guterres foi escolhido por unanimidade para exercer o cargo de secretário-geral da instituição.
Guterres é, assim, oficiosamente o novo secretário-geral das Nações Unidas. Agora o nome do português será recomendado à Assembleia Geral da organização, que deverá aclamá-lo líder da ONU já esta quinta-feira, 6 de Outubro, na assembleia marcada para as 15:00. Antes, ainda durante a manhã de amanhã, o Conselho de Segurança irá votar formalmente para confirmar que será Guterres o nome a apresentar à Assembleia Geral.

Leia os artigos publicados no nosso blog sobre António Guterres e a questão do Sahara ocidental: