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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Brahi, Ghali, SG da Polisario, felicita António Guterres


António Guterres e Brahim Ghali
















Bir Lehlu, 14/10/16 (SPS)- O presidente da República Saharaui e secretário-geral da Frente Polisario, Brahim Ghali  enviou esta sexta-feira uma mensagem de felicitação ao novo Secretário-Geral da ONU, o português António Guterres.

O presidente saharaui felicita Guterres pela sua eleição à frente do organismo internacional e deseja-lha êxitos nas suas novas funções: “Aproveito esta oportunidade, em nome do povo saharaui, da Frente Popular para a Liberação de Saguia el Hamra e Rio de Ouro (F.Polisario) e em meu próprio para expressar as minhas felicitações e desejos sinceros de êxito na sua nobre missão”.

“A sua brilhante  eleição como  Secretário-Geral das Nações Unidas é uma expressão da confiança dos  países membros e das suas qualidades humanas, a sua rica carreira política e a sua capacidade para dar um novo impulso à organização internacional para fazer frente aos desafios que agitam o mundo e para garantiar o respeito pelos ideais e princípios da Carta”.


Ghali reitera a disposição da Polisario de cooperar com as Nações Unidas no seu esforço “para a realização do processo de descolonização do território saharaui na base das resoluções concernentes da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança que reclamam a aplicação do respeito do direito inalienável do povo saharaui à autodeterminação”.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Fala o novo presidente da República Saharaui: “Nunca faremos parte de Marrocos”




O novo presidente da República Árabe Saharaui Democrática, Brahim Gali, recorda a Marrocos que não pode “oferecer a autonomia” ao Sahara Ocidental porque não lhe “pertence”: “Não se pode ser generoso com o que não se tem”.
Marrocos estica a corda no Sahara e a Frente Polisario adverte para um possível regresso às armas
Fonte: www.publico.es – Alejandro Torrús

ACAMPAMENTOS DE REFUGIADOS SAHARAUIS EM TINDOUF (ARGÉLIA).- o novo presidente da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), Brahim Gali, não tirou nem uma vírgula ao discurso discurso que atá há pouco proferia Mohamed Abdelaziz (Anterior SG da Polisario e Presidente da RASD, falecido após prolongada doença): “O Sahara não é nem nunca fará parte de Marrocos”. Nem com plano de autonomia, nem com negociações, nem por muita violência ou repressão que exarça o reino alauita. Foi desta forma contundente que o máximo dirigente saharaui se apresentou numa conferência de imprensa no âmbito do XIII Festival de Cinema do Sahara (que decorre nos campos de refugiados).

“Temos internacionalmente reconhecido o direito à autodeterminação. Se Marrocos quer ser generoso e dar autonomia pois que o dê a um território que lhe pertença. Não se pode ser generoso com o que não lhe pertence. A RASD não faz nem fará nunca parte de Marrpcos”, asseverou Gali, eleito em Congresso da Frente Polisario no passado dia 9 de julho por mais de 90% dos votos.

A conferência de imprensa tem lugar num momento de tensão máxima entre Marrocos e a República saharaui. Um documento da ONU, a que a agência AP teve acesso, afirma que o reino de Mohamed VI violou o acordo de cessar-fogo, de 1991, já que havia ultrapassado a zona limite definida pelo plano de paz, passando para lá do denominado (pelos saharauis) “muro da vergonha” marroquino. O presidente saharaui afirmou que se trata de unidades militares e acusou Marrocos de estar construindo uma estrada para “fazer chegar a cannabis à parte oriental de África”.

“Fomos obrigados a enviar militares saharauis e a distância entre ambas (as forças) é muito curta. As suas provocações mantêm-se e se não fosse o nosso apego à paz a situação já teria sido muito diferente. A violação do acordo de paz por Marrocos permitiria-nos regressar guerra, mas mantivémo-nos tranquilos”, assegurou Brahim Gali, que afirmou que tudo o que faz o reino alauita no Sahara Ocidental é “ilegal” já que se trata de uma “força de ocupação”. “Seja na construção de estradas ou na espoliação dos recursos. Tudo o que faz é ilegal. Não reconhecemos o que faz nem dentro nem fora, mas como afirmámos queremos que o acordo de paz seja respeitado”, acrescentou.

Esperança com o novo secretário-geral da ONU

O presidente da RASD atacou duramente a França, principal aliado de Marrocos neste conflito, referindo que aquele país “continua a manter uma mentalidade colonialista na região”. “Pedimos a França que não atue fora do quadro internacional. Sendo condiderado o país-berço dos Direitos Humanos, está a apoiar Marrocos a violar os direitos dos saharauis e o acordo de paz”, adiantou Gali.

O dirigente saharaui teve palavras amáveis para aquele que será o novo secretário-geral da ONU, António Guterres, tendo destado que ele "conhece bem a causa saharaui” porque “esteve nos acampamentos de refugiados” ainda que tenha reconhecido que “irá herdar uma situação muito difícil”. “Todos esperamos que intensifique os esforços da ONU e que que possa contar com os apoios do Conselho de Segurança para que, de uma vez por todas, a ONU possa cumprir a sua missão”.


Por último, o presidente saharaui pronunciou-se sobre a petição de Marrocos de formar parte da União Africana (UA). Neste sentido, Gali assinalou que se trata de uma excelente oportunidade para que se “aclarem de forma solene onde começam e onde acabam as suas fronteiras” e para deixar claro que estão dispostos a respeitar a RASD como membro fundador da UA. “Não creio que sejam capazes de o fazer”, comentou o dirigente máximo da Frente Polisario, que concluiu a sua intervenção com um “Venceremos”.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Brahim Ghali: “O povo saharaui prosseguirá a luta por todos os meios legítimos, em unidade e coesão, sob a direção da Frente Polisario”




Dahkla (acampamentos de refugiados), 12/10/16 (SPS) - O presidente da República Saharaui e secretário-geral da Frente Polisario, Brahim Ghali, afirmou quarta-feira no seu discurso de congratulação pela 41º aniversário da Unidade Nacional, que “p povo saharaui seguirá o caminho da luta , por todos os meios legítimos, em unidade e coesão, sob a direção da Frente Polisario”.
A mensagem é a de que não haverá nada no mundo que dobre uma vontade sincera e firme para alcançar metas nobres. O povo saharaui prosseguirá o caminho da luaa e a fidelidade aos mártires, por todos os meios legítimos, em unidade e coesão, sob a direção da Frente Polisario, para alcançar o seu direito à existência, à liberdade e ao estabelecimento do seu Estado independente, a República Saharaui, em todo o seu território nacional.

Texto do discurso do presidente (em espanhol - tradução não oficial):


Señoras y señores, invitados del pueblo saharaui,

Hermanos y hermanas,

Celebramos hoy el cuadragésimo aniversario de la proclamación de la Unidad Nacional, que constituye un acontecimiento histórico  en la lucha del pueblo saharaui. El Frente Popular para la Liberación de Saguia El Hamra y Río de Oro se dio cuenta, desde el principio, que no habrá futuro para cualquier batalla de liberación bajo la  inaceptable realidad de  oscurantismo, atraso, pobreza y discriminación, creada  por el colonialismo.

Una de las primeras formas para afrontar y cambiar aquella realidad fue la proclamación de una firme unidad nacional, que engloba todos l@s saharauis, donde quiera que estén, en base a los objetivos y principios de lucha del Frente Polisario para lograr la libertad, la dignidad y la independencia.

Así fue el 12 de octubre de 1975, un día histórico por excelencia, en el que los saharauis decidieron plasmar la unidad de su pueblo en torno a su causa y sus objetivos de lucha para poner frente a la agresión y los planes de genocidio y maniobras de repartición del territorio saharaui llevadas a cabo por el Estado de la ocupación marroquí.

No podemos dejar de pasar hoy  sin dirigir nuestro sincero reconocimiento y respeto a todos los que contribuyeron en la materialización del  histórico evento, encabezados por el mártir de la libertad y la dignidad, El Wali Mustafa Sayed, y todos los que siguieron su ejemplo y camino, como el mártir, el Presidente Mohamed Abdelaziz, y a través de ellos a las masas de nuestro pueblo que se adhirieron a la Unidad Nacional y la demostraron en el terreno con toda conciencia y responsabilidad y fe.

Aquella  firme convicción es la que hizo que todo el pueblo participara  en la batalla de la liberación y la construcción del Estado saharaui, bajo el liderazgo del Frente Polisario, y que ofrezca generosamente  grandes sacrificios, sudor,  lágrimas y sufrimiento, pero con una  voluntad inquebrantable para arrebatar la victoria.

Ese compromiso es el que han llevado las sucesivas generaciones, haciendo que la pertenencia a la identidad nacional saharaui corra en las venas de todos los saharauis que no dejan  pasar  ocasión alguna sin demostrar su unidad, cohesión y consenso, para afrontar las amenazas y  provocaciones del Estado de la ocupación marroquí. Todos los saharauis, en las zonas ocupadas, en el sur de Marruecos, en los territorios liberados y en la diáspora se movilizan para enfrentarse  a todas las eventualidades y amenazas del enemigo.

Señoras y señores

La  causa saharaui conoce en estos momentos muchos desarrollos, que se caracterizan por la peligrosa escalada  de la ocupación marroquí, especialmente en la zona de El Guergarat, donde Marruecos ha violado el alto el fuego exponiendo a toda la región a una situación de tensión e inestabilidad. Es lamentable que nos encontremos con países como Francia, que habla de la defensa de la legalidad y los derechos humanos en el mundo y se alinea  con el agresor marroquí.

El Estado de ocupación marroquí, que tiene la protección francesa en el Consejo de Seguridad de la ONU, cometió delitos graves contra el pueblo saharaui al utilizar armas prohibidas internacionalmente como el  napalm, el fósforo blanco y las bombas de racimo además de construir un muro de la muerte que divide el territorio y el pueblo del Sahara Occidental, protegido por millones de minas antipersonal que aún siguen cobrando la vida de personas inocentes y animales y contaminando el medio ambiente. Marruecos ha violado  continuamente los derechos humanos, mediante el secuestro, la detención arbitraria, la tortura y los malos tratos y los enjuiciamientos arbitrarios, incluyendo los injustos tribunales militares y más aun los asesinatos traicioneros y el entierro de las víctimas en ausencia de sus familiares y sin investigación transparente, por no mencionar el saqueo diario de la riquezas naturales de los saharauis.

El Estado de la ocupación marroquí, el mayor productor y exportador de cannabis  en el mundo, viola los derechos del pueblo saharaui, los del pueblo marroquí y los derechos de los pueblos de la región y los de todo el mundo al lanzar una nueva guerra sucia, inundando la región con las drogas provocando desastrosas consecuencias a nivel social, económico y de seguridad, y alienta y finanza las bandas del crimen organizado y los grupos terroristas.

Señoras y señores:

Coincide el aniversario de la unidad nacional en este año, con muchos otros eventos, como el Día Nacional de la Jaima, que es un símbolo nacional, bajo su sobra se reúnen los ideales de la dignidad, la generosidad, la identidad, la historia, la unidad y los valores de lucha y resistencia.

La Jaima típica saharaui es la que acogió la heroica gesta de Gdeim Izik y albergó la resistencia de los militantes y activistas saharauis en las zonas ocupadas y en el sur de Marruecos, y transmitió imágenes inmortales de la civilizada resistencia pacífica saharaui que no podrán borrara los diferentes métodos de la ocupación, que en vano tratan de prohibir la Jaima y borrarla de la existencia y de la conciencia saharaui.

Por la ocasión enviamos un mensaje de solidaridad con la Intifada de la independencia y reiteramos el llamamiento para la liberación de los presos políticos de Gdeim Izik y todos los presos políticos saharauis en las cárceles marroquíes.

Este aniversario coincide también con el festival de la cultura y artes populares que representa un aspecto estratégico del Frente Polisario, para preservar y  proteger la cultura saharaui, frente a los intentos de la política marroquí de borrar, distorsionar y eliminar la identidad nacional saharaui.

Por último, coincide el aniversario con el lanzamiento de una nueva edición del Festival Internacional  de Cine del Sahara Occidental, que es una manifestación pionera que expresa un mensaje de solidaridad, de paz y amor hacia el pueblo saharaui oprimido, para reflejar la realidad de la causa saharaui a través del lo intelectual, cultural y artístico y talleres de formación audiovisual  y espacios de intercambio entre diferentes  culturas y pueblos..

Esta es una ocasión para expresar nuestro profundo agradecimiento y reconocimiento a la hospitalaria wilaya de Dajla y a los organizadores y a todos los que hicieron posible el éxito de este festival internacional, y para todos los participantes de todo el mundo, el movimiento de solidaridad en América Latina, Australia y Europa, especialmente en España, donde cada día se consolidan las relaciones de amistad, vecindad y cultura que unen el pueblo español con el pueblo saharaui.

Me gustaría saludar calurosamente la gran participación oficial de Argelia, que dio al mundo las mejores lecciones de solidaridad y defensa de los oprimidos a través de su firme postura  a favor de la legitimidad internacional y su acogida a miles de refugiados saharauis, que huyeron de la opresión de las fuerzas de ocupación marroquíes.

Saludamos a África, representada hoy con una delegación de Sudáfrica, el país de Nelson Mandela, símbolo de la lucha por la paz, la libertad y la dignidad humana. África, que adoptó la causa saharaui y se comprometió en seguir apoyando el proceso de descolonización de la última colonia en África.

Declaramos ante todo el mundo que somos partidarios de la paz, el entendimiento y la convivencia, que sólo se logrará con el cumplimiento de los requisitos de la legitimidad internacional y el reconocimiento del derecho inalienable el pueblo saharaui a la libre determinación y la independencia, para  vivir en paz y cooperación mutua y buena vecindad, junto a los pueblos de la región, en Libia, Túnez, Argelia, Marruecos y Mauritania.

Hacemos un llamado a la comunidad internacional a tomar en serio y urgente para poner fin a la tragedia del pueblo saharaui, con la descolonización de la última colonia en África, y exigimos al Consejo de Seguridad de la ONU a asumir sus responsabilidades en la aplicación de sus decisiones para organizar un referéndum de autodeterminación para el pueblo saharaui.

El mensaje del 41º aniversario de la unidad nacional, es que no habrá nada en el mundo que doblegará una voluntad sincera y firme para alcanzar metas nobles. El pueblo saharaui seguirá el camino de la lucha  y la fidelidad a la  de los mártires, por todos los medios legítimos, en unidad y cohesión, bajo la dirección d el Frente Polisario, para alcanzar su derecho a la existencia, la libertad y el establecimiento su Estado independiente, la República Saharaui, en todo su territorio nacional.


Fuerza, determinación y voluntad para imponer la independencia y la soberanía.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Presidente saharaui pede à ONU que adote "medidas firmes e urgentes" para pôr fim à escalada de Marrocos




APS – Boumerdes – O Secretário-Geral da Frente Polisario e Presidente da República Saharaui Democrática (RASD), Brahim Ghali, apelou hoje, terça-feira, em Boumerdes, ao Conselho de Segurança da ONU a “tomar medidas fortes e urgentes para pôr fim à " escalada de Marrocos na última colónia em África”.

Na sua intervenção na abertura da 7ª edição da universidade de verão para os quadros da Frente Polisario e da RASD, o presidente saharaui sublinhou que "o Conselho de Segurança deve adotar com urgência medidas concretas e decisivas para pôr fim à atitude de Marrocos que constitui uma grave violação da Carta da ONU, uma intervenção descarada nos seus poderes e uma ameaça para a paz e a estabilidade internacional".

"Face à intransigência e à escalada do ocupante marroquino, que conta com o vergonhoso apoio de França e de partidos internacionais conhecidos pelo seu passado colonial, a ONU é chamada a assumir a responsabilidade total para completar o processo de descolonização do Sahara Ocidental, a última colónia em África ", afirmou.

O presidente saharaui instou a ONU a "que tome as medidas necessárias para impor sanções sobre o estado de ocupação, para levar [Marrocos] a respeitar o direito internacional e definir com urgência a data da organização de um referendo de autodeterminação para o povo saharaui".

O presidente saharaui pediu também o levantamento do estado de sítio imposto aos territórios ocupados do Sahara Ocidental e por fim à repressão, defendendo o estabelecimento de um mecanismo da ONU para a proteção y vigilância dos direitos humanos nesses territórios.
Salientou ainda a necessidade de libertar os presos políticos saharauis que jazem nos cárceres marroquinos e de fazer luz sobre o destino dos desaparecidos saharauis, exigindo o fim do saque dos recursos naturais saharauis.

A 7ª edição da Universidade de verão para os quadros da Frente Polisario e da RASD, iniciou os seus trabalhos na Universidade Mohamed Bouguerra (Boumerdes), presidida pelo ministro saharaui da Construção dos Territórios libertados saharauis Mohamed Lamine Buhali.
Cerca de 400 quadros, membros da sociedade civil argelina e personalidades internacionais, ativistas da defesa dos direitos humanos participam neste evento.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Brahim Gahli: “a etapa atual exige-nos que introduzamos uma alteração qualitativa na estrutura organizativa e institucional”




O presidente da República Saharaui e novo secretário-geral da Frente Polisario, Brahim Gahli, afirmou que os quadros da Frente estão confrontados com a necessidade de uma alteração qualitativa para fortalecer a estrutura organizativa e política capaz de aglutinar todos os componentes da sociedade saharaui para enfrentar os desafios.

O novo SG da Frente Polisario durante o discurso de encerramento do Congresso Extraordinário da Polisario sublinhou a necessidade de prosseguir os esforços para fortalecer o Exército Popular de Libertação saharaui (ELPS) e a diversificação dos programas de formação e instrução militar especializada e o seu contínuo apoio com energia renovada, a fim de o colocar à disposição para todas eventualidades.

Gahli destacou a necessidade de que a intifada pela independência prossiga por constituir um elemento central na atual confrontação com o estado da ocupação marroquina, e exigiu mais apoio e empenho a todos os seus militantes.

Outro aspeto abordado no discurso do presidente da República foi o o trabalho diplomática, sobre este tema sublinhou a urgente necessidade de ativar a intervenção, com particular atenção às questões dos direitos humanos, recursos naturais, frente legal e judicial, meios de comunicação e cultura.

O presidente saharaui enfatizou a necessidade de que os esforços dirigidos aos jovens e às mulheres continuam a ser o foco dos programas nacionais de modo a garantir o seu desenvolvimento para uma ampla e efetiva  presença na vida nacional.

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sábado, 9 de julho de 2016

Brahim Ghali, novo presidente saharaui para um tempo crítico




Foi hoje eleito Brahim Ghali Uld Mustafa como novo presidente da República Saharaui e Secretário-geral da Frente Polisario, de que é um dos seus fundadores. Assume a Presidência num momento crítico. O que se poderá esperar dele?
Artigo de Carlos Ruiz Miguel, Prof. de Diretio Constitucional na Universidade de Santiago de Compostela

Brahim Ghali é o novo SG da Frente POLISARIO e Presidente da República Saharaui




Ministro da Defesa durante os anos de guerra, antigo delegado da Polisario em Espanha, anterior embaixador da RASD na Argélia, Brahim Ghali foi eleito novo líder da Frente Polisario, após se terem cumprido 40 dias de luto nacional decretados pela morte do anterior líder, Mohamed Abdelaziz, falecido a 31 de maio após prolongada doença.
Responsável das organizações políticas, único candidato à presidência, Brahim Ghali, obteve 93,19% dos votos de um total de 2.470 congressistas no XV Congresso extraordinário realizado este fim-de-semana nos campos de refugiados saharauis de Dakhla, no sudoeste da Argélia, segundo dados oficiais definitivos divulgados hoje pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN).

''Houve votos nulos (64), assim como congressistas que não votaram ou fizeram-no em branco"(65) e 538 abstenções'', precisou  uma fonte ao El Confidencial Saharaui.

Na opinião daquele meio de informação “Brahim Ghali é um homem que garante a continuidade das atuais políticas, mas que também está disposto a mudá-las e a endurecê-las como exigem alguns jovens se a via diplomática continuar estagnada.

Afável e com um perfeito domínio do espanhol, fontes saharauis asseguram que Ghali é "um líder de consenso" que manterá a linha traçada pelo secretariado geral apostando por prosseguir a via diplomática.

Ghali, ex-ministro da Defesa e antigo delegado saharaui para Espanha e depois embaixador na Argélia, volta a assumir o cargo pela segunda vez - após 43 anos do seu primeiro mandato como Secretário-Geral da FP - para um novo mandato de 4 anos, até 2020.

Dentro do governo saharaui, Ghali é considerado um dos "duros" dentro do aparelho saharaui, partidário do retorno às armas se se continuar a permitir a política dilatória de Marrocos.



O percurso de Brahim Ghali

Nascido na localidade de Smara, no Sahara Ocidental, a 16 de setembro de 1949, sob mandato colonial de Espanha, Ghali era atualmente responsável das organizações de massas e organização política da Frente Polisario, movimento de que é um dos seus fundadores.

O novo presidente saharaui serviu nas tropas nómadas espanholas na década de sessenta e foi destacado para Smara, onde realizou trabalhos de administração.

Em 1969 juntou-se à luta do histórico herói saharaui Mohamad Bassiri, e a outros homens como Mohamed Abdelaziz, a quem agora sucede, para fundar o "Movimento de Libertação de Saguia el Hamra e Wadi el Dhahab", origem da Frente Polisario.

Nos primeiros tempos, na proclamação da República Saharaui, nos anos de guerra, Brahim Gahli esteve sempre na primeira linha da luta de libertação...


Eleito primeiro secretário-geral da Frente Polisario, Ghali foi um dos líderes da tragicamente famosa manifestação de 16 de junho de 1970 em El Aaiún - conhecida como Intifada de Zemla -, reprimida com dureza pelo Exército ocupante espanhol, na sequência da qual foi preso durante um ano, acusado de atividade política subversiva, e o líder do movimento, Mohamad Bassiri, viria a ser morto na prisão e o seu corpo feito desaparecer pelas autoridades coloniais.

Meses depois da sua libertação voltou a ser preso, passou vário tempo detido ou vigiado, o que não o impediu de participar nas reuniões que estiveram na base da fundação, a 10 de Maio de 1973, da Frente Polisario, e ser eleito primeiro secretário-geral do movimento, cargo que agora volta a assumir.

Homem de ação, decidido, valente e ambicioso segundo aqueles que o conhecem, chefiou a primeira ação armada contra as tropas de ocupação espanholas em El Khanga.

Partidário da pressão militar como via para alcançar objetivos políticos, Ghali cedeu em 1974 a secretaria-geral ao seu companheiro e também histórico líder El Uali Mustafa Sayed, e assumiu a direção do braço armado do movimento, conhecido como "Exército de Libertação do Povo Saharaui".



Em 1975, fez parte – juntamente com El Uali e Mahfud Ali Beiba (ambos já falecidos) - da primeira delegação saharaui que se reuniu oficialmente com o então governador do Sahara Ocidental ocupado por Espanha, o general Federico Gómez de Salazar.

Membro do núcleo que, em fevereiro de 1976, proclamou na localidade de Bir Lehlu a República Árabe Saharaui Democrática (RASD), exerceu o cargo de ministro de Defesa desde a sua criação até 1989, ano em que passou a dirigir a 2.ª região militar, uma das mais importantes.

''Durante esses 13 anos, dirigiu com êxito estratégico e mão-de-ferro a guerra de guerrilhas contra a Mauritânia e Marrocos, potências ocupantes do território após a famosa "Marcha Verde" marroquina de 1975 e os Acordos de Madrid''.



Conseguido o cessar-fogo de 1991 e iniciado o processo de diálogo com Rabat em busca do referendo de autodeterminação que a autoridade colonial espanhola prometeu na década de sessenta, Ghali foi nomeado em 1999 representante da Polisario em Espanha, cargo que exerceu até fevereiro de 2008.

Meses depois foi nomeado embaixador saharaui na Argélia, cargo que exerceu até que, no anterior congresso, realizado em dezembro de 2015, com um Mohamed Abdelaziz já doente, foi reincorporado nas funções governativas como responsável da organização de massas e organização política da Frente Polisario.

Passo prévio para a sua eleição de agora como secretário-geral e sucessor de Abdelaziz à frente da RASD, uma designação que não entusiasma Marrocos, que segundo parece preferia um homem com um perfil "mais dialogante e brando".


A sua primeira prova de fogo será precisamente a decisão que a ONU venha a tomar em finais deste mês de julho sobre a continuidade da sua missão no Sahara Ocidental (MINURSO).