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quinta-feira, 9 de julho de 2020

O exército saharaui combate agora o narcotráfico: aumentam as apreensões no deserto de drogas oriundas de Marrocos



A Polisario vê uma "cumplicidade" entre altos comandantes militares marroquinos e narcotraficantes para permitir que a mercadoria atravesse o maior muro defensivo do mundo que divide o Sahara Ocidental em dois, e que mais tarde vai financiar grupos terroristas jihadistas no Sahel.

SANTIAGO F. REVIEJO @sreviejo

O exército da Frente Polisario que lutou contra o Marrocos durante 16 anos tem agora um novo inimigo: os traficantes de drogas que atravessam o seu deserto carregando toneladas de drogas - principalmente haxixe - em direção a áreas dos países do Sahel dominadas por organizações terroristas jihadistas. O governo saharaui garante que esta mercadoria provém do outro lado do muro defensivo de 2.700 quilómetros que o estado marroquino construiu durante a guerra para defender o seu território, dividindo o Sahara Ocidental em dois após o fim das confrontações em 1991.

As últimas intervenções ocorreram esta semana. As forças armadas saharauis apreenderam 3.775 quilos de haxixe na segunda-feira em Agüenit, ao sul dos territórios libertados pela Polisario na guerra contra Marrocos. Na operação, quatro pessoas foram presas, três delas de nacionalidade estrangeira - não saharaui - sem especificar, e capturadas espingardas de assalto, munições abundantes e veículos todo-o-terreno de alta potência. Um dia depois, outros 775 quilos foram confiscados na área vizinha de Dugej. Membros da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) estiveram presentes como testemunhas na operação de queima da droga capturada.

Com essas duas intervenções, o exército da Polisario já confiscou no primeiro semestre de 2020 um total de 4.550 quilos de drogas, quase o dobro do que foi apreendido em todo o ano passado, segundo fontes do governo saharaui. E desde 2015, garantem que mais de trinta toneladas foram capturadas em operações realizadas na longa rota do deserto que, atravessando o território saharaui, vai do muro defensivo vigiado pelas forças armadas marroquinas às regiões do Sahel na Mauritânia, Mali e Níger.

Agora, o que pergunta o governo da República Árabe Saharaui Democrática é como os traficantes de drogas conseguem atravessar, sem serem detectados, o muro vigiado por entre 80.000 e 100.000 soldados marroquinos equipados com radares sofisticados capazes de detectar a passagem de uma simples formiga, e depois atravessam, sem pular no ar, um campo de sete milhões de minas antipessoal e antitanque que protege todo o perímetro dessa barreira defensiva. A resposta, segundo o porta-voz de comunicação d Polisario na Espanha, Jalil Mohamed, é muito simples: "O conluio entre organizações de narcotráfico e o alto comando militar marroquino" "é o que torna possível essa proeza.

O exército da Polisario conseguiu bloquear as rotas de entrada no seu território através da parte norte do muro, e isso levou, segundo os seus oficiais, ao facto dos gangues de narcotraficantes desviarem a introdução de carregamentos no território saharaui para a parte sul do muro defensivo, local onde ocorreram as últimas apreensões.

E essa via do tráfico de drogas termina, na opinião do governo saharaui, no financiamento das organizações terroristas jihadistas que dominam várias áreas da vasta região subsaariana do Sahara. "Esse tráfego serve para desestabilizar a região. Marrocos está usando esse tráfego para desestabilizar o Sahara e outros países da região e depois aparece como salvador", diz Jalil Mohamed, que lamenta que em cimeiras como a do Sahel 5, a que compareceram esta semana na Mauritânia os presidentes dos governos espanhol e francês, não se discuta a origem do financiamento dos terroristas.



ONU teme por seus capacetes azuis na região

O Secretário-Geral da ONU já alertou no seu último relatório sobre a situação no Sahara Ocidental, apresentado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em outubro passado, sobre o perigo representado por esses gangues que atravessam o território saharaui. Especificamente, depois de observar que "aumentaram os relatos de contrabando e outras atividades ilegais em ambos os lados da barreira" - o muro defensivo de Marrocos - assinaladas pela Frente Polisario e pelo exército marroquino, ele destaca: "Apesar de nossa plena confiança no compromisso das partes em proteger a Minurso, esses grupos armados representam uma ameaça crescente e imprevisível para o pessoal da Minurso", a missão internacional responsável por há quase 30 anos garantir a realização de um referendo de autodeterminação que ainda não foi convocado.

Noutro ponto do seu relatório, o Secretário-Geral da ONU afirma que "a ameaça relacionada a grupos terroristas e atividades criminosas na região continua sendo motivo de grande preocupação devido à sua imprevisibilidade e nível de risco desconhecido, especialmente para bases de operações localizadas em áreas remotas a leste do muro (a parte conquistada pela Polisario na guerra), as patrulhas desarmadas que cobrem grandes distâncias em todo o território e o reabastecimento de colunas".

O governo saharaui informou repetidamente o Conselho de Segurança das Nações Unidas da sua preocupação com a atividade dessas quadrilhas de traficantes no seu território, a última quarta-feira passada, depois das apreensões de mais de quatro toneladas de haxixe nas duas operações acima mencionadas. Nos escritos do seu representante na ONU, a Polisario responsabiliza o Reino de Marrocos por essas operações, que atribui ao seu estatuto de maior produtor mundial de resina de cannabis, conforme é referido nos relatórios do Escritório de Nações Unidas contra as Drogas e o Crime.

Em outubro de 2011, dois cooperantes espanhóis e uma italiana foram sequestrados nos campos de refugiados saharauis em Tindouf, na Argélia, por um grupo terrorista jihadista do Sahel. Após nove meses de cativeiro, os reféns foram libertados no norte do Mali. Desde então, a Polisario aumentou as medidas de segurança nos campos para proteger, acima de tudo, os estrangeiros de organizações humanitárias que trabalham com a população local.

"Eles estão transformando a região num oeste selvagem e o que nós queremos é um Magrebe estável e próspero", diz o porta-voz da Polisario em Espanha.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Marrocos continua a ser o maior produtor mundial de cannabis




Apesar dos esforços para reduzir o cultivo de cannabis no seu território, Marrocos continua a ser o maior produtor mundial de haxixe. Isto é o que emerge do relatório anual da Agência das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), divulgado quinta-feira, 23 junho

“Europa, Norte de África, assim como o Próximo e Médio Oriente continuam a ser o principal mercado para a resina de cannabis, produzida principalmente em Marrocos e no Afeganistão, como o demonstra a informação fornecida pelos Estados membros tendo por base os relatórios da resina apreendida", afirma a agência da ONU.

"As Américas, seguidas pela África, são regiões onde também se registam a mais forte produção e consumo de erva cannabis: em 2014, cerca de três quartos das apreensões globais de erva foram realizados nas Américas, especialmente na América do Norte, enquanto 14% foram em África e 5% na Europa ", diz o UNODC no seu relatório.

Consumo estável

De acordo com a Agência, cuja missão é ajudar os Estados membros na prossecução do objetivo da segurança e da justiça para todos, tornando o mundo mais seguro face ao crime, face à drogas e ao terrorismo, o consumo mundial cannabis manteve-se relativamente estável nos últimos anos, "apesar das grandes mudanças que surgiram em algumas regiões."

Em 2014, 3,8% da população mundial tinha consumido no ano passado, uma proporção que não se alterou desde 1998. "Dado o crescimento da população mundial, esta situação resultou num aumento do número total de consumidores durante o mesmo período", diz UNODC.

Além disso, segundo a agência, o cultivo de cannabis continua a ser das culturas mais amplamente utilizadas para produzir drogas a nível mundial. Segue-se-lhe a cultura da papoila do ópio, assinalada em 49 países, na Ásia e nas Américas, principalmente, e depois a da coca, existente em sete países das Américas. "Se houve um forte aumento nas apreensões de drogas sintéticas, a cannabis continua a ser a droga, cujo tráfego é mais elevado em todo mundo", sublinha o relatório.

Os efeitos devastadores da droga

A nível geral, a UNODC estima que um em cada 20 adultos consumiu pelo menos uma droga em 2014. "Isso representa 250 milhões de pessoas com idades entre os 15 e os 64 anos, número mais ou menos equivalente à população da Alemanha, França, Itália e Reino Unido" juntos. "É muito", lamenta o órgão das Nações Unidas.

E acrescenta: "Tendo em conta que mais de 29 milhões de consumidores de drogas sofrem de distúrbios relacionados com ela, que 12 milhões deles se injetam e que 14,0% deles são portadores de HIV, podemos dizer que o uso de drogas continua a ter efeitos devastadores sobre a saúde ".


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Cocaína colombiana em Espanha via Marrocos




No ano de 2003 o CNI (Centro Nacional de Inteligência de Espanha) foi alertado pela primeira vez de que narcotraficantes colombianos tinham chegado a um acordo com os seus homólogos marroquinos para aproveitar as consolidadas redes de tráfico de haxixe para introduzir cocaína em Espanha. Essas fontes alertaram, inclusive, da proximidade de membros do Makhzen (o poder que rodeia a Casa Real marroquina) a esta operação. Surpreendentemente, o CNI explicou que entre as suas funções não se encontrava a luta contra o narcotráfico, apesar de uma das táticas da guerra de baixa intensidade ser precisamente debilitar a sociedade do inimigo fomentando o consumo de drogas.

Com o rolar do tempo, aquelas primeiras informações recebidas pelo CNI foram-se confirmando: em 2010, a Interpol informou os corpos de segurança marroquinos da iminente chegada a águas do Sahara Ocidental de grandes quantidades de cocaína colombiana em barcos pesqueiros cujos proprietários são generais marroquinos e suas famílias. Face à pressão internacional, as autoridades marroquinas viram-se obrigadas a apreender consideráveis quantidades de cocaína que estavam guardadas num barco de que era dono um general marroquino de alta patente, mas apenas uma mínima parte da que ia chegando a este país magrebino.

O general Hassni Bensleiman, Director da Gendarmería marroquina desde... 1974!!

O jornalista espanhol Pedro Canales, afirmou que este assunto está relacionado com importantes generais do exército marroquino como o General Abdelaziz Banani (falecido em Maio passado), na altura Inspector Geral das Forças Armadas da monarquia marroquina, o general Hassni Bensleiman, Director da Gendarmería marroquina e o general Abdel-Hag Gadiri, ex-director da Segurança Marroquina e um dos conselheiros mais consultados pelo rei Mohamed VI.

Cartoon de Dilem


A questão é saber se este narcotráfico se realiza apenas com fins de lucro pessoal ou se tem um objetivo estratégico muito mais importante. A presença de altos oficiais do círculo de Mohamed VI aponta na segunda direcção. Esta estratégia consiste em debilitar as sociedades do Norte do Mediterrâneo para que aceitem submissamente a exportação de emigração marroquina. Marrocos exporta apenas emigrantes, droga e terrorismo… e logo chantageia os países recetores para que lhe concedam fundos para combater e emigração ilegal, o narcotráfico e o terrorismo islamita. Uma hábil estratégia que seria inútil se na Europa governassem verdadeiros estadistas em vez de políticos de baixo perfil com os olhos postos na sua própria imagem mais do que nos interesses das suas nações.

A atividade agressiva dos serviços marroquinos na Europa é a grande prova de que esse país, amparado na sua relação preferencial com os EUA [ e a França] , pratica uma política de hostilização em relação à Europa e, particularmente, em relação a Espanha a que a União Europeia responde estendendo cada vez mais a mão a Marrocos e permitindo-lhe as suas exportações hortofrutícolas para o velho continente, debilitando assim ainda mais a agricultura europeia. E tudo isto, ante o olhar de umas autoridades que se negam a considerar a evidência: Marrocos é o “inimigo do Sul” e assim deverá ser considerado.


El Confidencial Saharaui

sábado, 7 de março de 2015

Marrocos, o primeiro exportador de cannabis do mundo


 
Cartoon de Lounis


  • Esta atividade ilegal representa 10% do PIB do país (114 mil milhões de dólares em 2014)
  • 65% do haxixe apreendido pelas autoridades no mundo provem deste país africano


REBECA HORTIGÜELA - EL MUNDO Rabat

Segundo confirma o relatório de 2014 da Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes (JIFE) — cujos dados foram hoje conhecidos em Marrocos —10% do Produto Interno Bruto (PIB) de Marrocos corresponde à exportação da resina de cannabis. Sobretudo para Europa, que continua a ser o primeiro cliente e o primeiro consumidor desta droga. Embora se tenham observado peculiaridades como o desvio clandestino de 80 toneladas por parte dos barcos de pesca de Marrocos para o Egipto, tal como cita o relatório.

Embora a percentagem que esta atividade ilegal representa no PIB tenha baixado um pouco —já que em 2011, a quantidade de cannabis exportada por Marrocos representou 11% do PIB e em 2012, 12% — Marrocos continua a ser o maior exportador deste psicotrópico no mundo, superando o Afeganistão e a Jamaica. Ambos os países produzem aproximadamente 12.000 toneladas de haxixe. No entanto, a marroquina supera-a em muito: 38.000 toneladas. "Marrocos é sempre o primeiro produtor de cannabis do continente africano e do mundo, mesmo embora a produção tenha baixado", explica a JIFE.

57.000 hectares dedicados ao haxixe

A maioria dos cultivos estão nas montanhas do Rif e mais concretamente na região da cidade de Issaguen, conhecida tradicionalmente como Ketama. Segundo dados de 2005 do Departamento da ONU contra o delito e a droga (ONUDD), 89.900 famílias vivem do cultivo do kif nessas terras e, segundo um cálculo estimado, não ganham mais de 2.000 euros por ano. Portanto, não são eles que beneficiam dos rendimentos económicos da exportação desta droga que rende 114 mil milhões de dirhmas por ano (10,6 mil milhões de Euros) em Marrocos.

Os camponeses queixam-se de ser marionetas das mafias do narcotráfico que compram os seus produtos e os convertem em haxixe, assegurando-lhes que se a legalização do kif chegar ao país alauita então as suas sus condições mudariam consideravelmente.


Ver também o artigo de GLOBEDIA: “El cannabis uno de los pilares del rey billonario marroquí Mohamed VI, el dilapidador”

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Exército saharaui interceta importante quantidade de droga proveniente de Marrocos com destino aos acampamentos de refugiados




30 de janeiro, 2015 – Na última operação levada a cabo pela 5.ª região militar, o exército saharaui intercetou um veículo 4×4 marca Toyota modelo Land-Cruiser transportando  uma importante quantidade de droga com destino aos acampamentos de refugiados saharauis e às vizinhas cidades argelinas, principalmente Tindouf.

A quantidade intercetada supera os 120 kg e os produtores e distribuidores fazem uso das iniciais M6, abreviatura do nome do monarca marroquino Mohamed VI.



Em declarações à televisão saharaui os responsáveis pela operação asseguraram que os detidos se encontram sob investigação, com o objetivo de recolher informação sobre as novas técnicas e rotas dos ‘gangs’ do crime organizado.



O exército saharaui, em especial os guardas fronteiras, prestam especial atenção e esforço à vigilância das imediações do muro militar de ocupação marroquino já que através dele e com a cumplicidade dos altos comandos marroquinos os ‘gangs’ do narcotráfico circulam com à vontade para dar saída a este produto que sustenta a economia de Marrocos, primeiro produtor do mundo segundo as Nações Unidas.

O regime marroquino está empenhado em fazer chegar este produto aos acampamentos de refugiados com o objetivo estabelecer a desordem e a insegurança.

Fonte: PORUNSAHARALIBRE


domingo, 28 de dezembro de 2014

Quem beneficia com o tráfico de drogas no Sahara ?




Artigo publicado pela Agência Nouakchott de Informação (ANI) denunciando as cumplicidades do Estado e do exército marroquinos no tráfico de drogas na Mauritânia e em toda a região sahariana
  
Recentemente, jornais online divulgaram uma informação segundo a qual confrontos violentos teriam oposto o exército mauritano a traficantes de drogas, "entre os quais elementos da Polisario"

O envolvimento do exército mauritano nestes alegados "confrontos com elementos da Frente Polisario" envolvidos no tráfico de drogas não é baseado em qualquer facto real.

Trata-se, de facto, uma ação recente levada a cabo por parte do exército mauritano contra os traficantes a bordo de veículos Pick-up com uma carga composta por quantidades de droga semelhante à que é cultivada no alto e médio Atlas de Marrocos.

Os traficantes foram identificados e localizados pelas forças mauritanas que por fim os neutralizaram numa zona fronteiriça com o Sahara Ocidental a poucos metros da linha de demarcação dos dois territórios.

Esses mesmos factos foram citados pelo presidente [mauritano] Mohamed Ould Abdel Aziz ante interlocutores nas recentes cimeiras de Nouakchott e do G5 Sahel.

Na verdade, o exército mauritano agiu no seu território contra os criminosos, alguns dos quais foram mortos e outros presos. Também apreendeu grandes quantidades de drogas e vários carros que integravam a coluna dos traficantes.

Sobre esta operação, importa realçar que ela foi realizada sem qualquer coordenação com outros exércitos de países vizinhos, pois não exigia o amplo envolvimento de outros atores.

Além disso, cabe perguntar: de que servirá a implantação de forças marroquinas, se uma coluna de veículos 4x4, tendo a bordo alegados traficantes ou separatistas, pode circular de Dakhla até Bir Mogrein sem ter quaisquer problemas?

No passado, o exército mauritano já tem levado a cabo várias operações bem-sucedidas na região contra traficantes de drogas.


http://ani.mr/fr/node/302#sthash.jEKlVIbR.dpuf

terça-feira, 22 de julho de 2014

“Marrocos financia indiretamente a AQMI com o objetivo de incriminar a Argélia e a Polisario”

 
Hicham Bouchti

O ex-oficial dos serviços de inteligência marroquinos conhecidos sob a sigla de DST, Hicham Bouchti, confirmou a implicação do rei de Marrocos, Mohamed VI, no tráfico de drogas e as ligações dos serviços secretos marroquinos com movimentos terroristas na região, como a AQMI e o MUJAO.
Numa entrevista concedida ao diário argelino “Echorouk”, Bouchti declarou que “o rei tornou-se rico graças ao tráfico de cannabis.

Não é preciso ser muito inteligente para saber que uma das fontes de enriquecimento da monarquia marroquina é o tráfico internacional de drogas”.

“Marrocos financia indiretamente a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico para que possa prosseguir as suas atividades na região e assim matar dois pássaros com um só tiro: acusar a Argélia de ser um foco de terrorismo e colar à Frente Polisario a etiqueta de organização terrorista”, acrescentou.

Com o fito de se apresentar às potências ocidentais no papel de “gendarme da região e atrair o seu dinheiro em nome da luta contra o terrorismo, a monarquia não hesitou em reprimir e torturar cidadãos marroquinos inocentes para os apresentar como terroristas, afirmou Bouchti.

Interrogado sobre a relação entre o rei e a instituição militar e os corpos de segurança marroquinos, Bouchti declarou que esta relação é semelhante à que existe entre o Padrinho e a Máfia, exceto quando atendem à diretiva dada por Hassan II aos oficiais do exército depois das duas tentativas de golpe em 1971 e 1972 de " interessá-los pelo dinheiro, mas afastá-los da política"

O ex-espia marroquino disse que o que o havia levado a deixar os serviços secretos marroquinos “foi a ausência de uma lei que enquadre esses serviços e defina a sua missão”. “Ao mesmo tempo que – acrescenta - , não existe um contrato institucional para proteger os cidadãos contra o abuso dos seus oficiais”, sublinhando que “os serviços não estão sob nenhum controlo da justiça nem do Parlamento e que aproveitam este vazio jurídico para reprimir e cometer injustiças e burlar a lei no exercício das suas funções“.

“Eu trabalhava para a inteligência militar. Tínhamos contacto com mais de 12 serviços de inteligência, em primeiro lugar a DGED (Direção-Geral de Estudos e Documentação), a DST (Direção de Vigilância do Território) e o DAG, um serviço que depende do Ministério do Interior e fui testemunha de operações de sequestro, tortura, corrupção, suborno e tráfico de drogas levadas a cabo por responsáveis desses serviços”, disse.


Fonte: Diáspora Saharaui

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Maior produtor e exportador de cannabis no mundo, Marrocos é um perigo para a vizinhança e para os países "vulneráveis"

 

O Reino de Marrocos, considerado pelo Departamento das Nações Unidas para Drogas e Crime (ONUDC) como o maior produtor e exportador de resina de cannabis (haxixe) no mundo é, de acordo com a agência da ONU, uma ameaça para sua vizinhança, e os países "vulneráveis".

Para o presidente da ONUDC, Youri Fedotov, "a maior parte da droga que circula à escala mundial provem de Marrocos e, em segundo lugar, do Afeganistão".

Esta declaração de Youri Fedotov, proferida na Comissão de Estupefacientes da ONU, por ocasião do Dia internacional contra o tráfico e consumo de drogas, ilustra as inquietações e preocupações da organização das Nações Unidas face à amplitude que assumiu a cultura de cannabis no Reino marroquino.

O relatório da ONUDC - uma referência em matéria de vigilância da produção e de exportação de drogas -, é esmagador para Marrocos, na medida em que destaca uma superfície de 47.500 hectares dedicada a essa cultura no Reino de Marrocos, tratando-se da maior área de cultivo de cannabis do mundo, contra os 12.000 hectares no Afeganistão.

Os autores do relatório referem que estes valores têm por base dados fornecidos pelo governo marroquino, sublinhando que, desde 2005, as autoridades marroquinas não permitem que o ONUDC conduza uma investigação no terreno, na sequência da avaliação produzida por esta agência das Nações Unidas de uma área de 72.000 hectares reservados ao cultivo de cannabis no Reino de Marrocos.



O UNODC afirma que, neste contexto, o mercado das drogas é um dos principais fatores que "alimentam a instabilidade económica e política no mundo", destacando o volume de produção de cannabis em Marrocos.

De acordo com o relatório, a produção anual marroquina é da ordem das 38.000 toneladas de erva de cannabis e 760 toneladas de resina.
 
A edição do Courrier-International de 13 de julho 2011 
foi proibida em Marrocos. A revista incluía um cartoon do 
artista Dilem sobre o «mercado» da cannabis em Marrocos…

Mohamed VI e a cultura da cannabis…, 
visto pelo caricaturista sueco Jeander.


Os perigos do tráfico de drogas para os países vulneráveis ​​da região, nomeadamente os países da África Ocidental e da cintura do Sahel, estão também no centro das preocupações da agência das Nações Unidas. Constata-se, lamentavelmente, a existência de uma ligação estreita e comprovada entre o narcotráfico e o terrorismo.

Tendo por base um balanço anual das operações de apreensão de resina de cannabis, o UNODC relata a apreensão de "enormes" quantidades de resina de cannabis, em particular na África do Norte, Europa Ocidental e Central, Médio Oriente e Ásia.

A agência da ONU destaca o facto da Europa Ocidental e Central constituírem um dos principais mercados para a resina de cannabis originária do Reino de Marrocos.

Departamento de Estado americano: 
Marrocos continua a ser a principal fonte de cannabis

O Departamento de Estado dos EUA, por seu lado, continua a fazer soar o alarme sobre os perigos das drogas oriundas do Reino de Marrocos.

No seu relatório para o ano em curso sobre "a estratégia de controlo internacional de narcóticos, o Departamento de Estado dos EUA sublinha, em particular, que o cultivo de cannabis em Marrocos continua a constituir " uma cultura de rendimento importante ".

O relatório refere que o cultivo de cannabis representa 3,1% do PIB agrícola do Reino de Marrocos e proporciona rendimentos a 800 mil marroquinos, afirmando, ainda, que "a corrupção policial e o laxismo tácito na aplicação da lei contra este flagelo continua a ser um problema em Marrocos".

A cultura de resina de cannabis em Marrocos evidencia uma tendência crescente nos relatórios de organizações internacionais encarregadas de acompanhar o fenómeno, como constatam os relatórios publicados em 2011 e 2012.

A Organização Internacional de Controlo de Estupefacientes (OICS) refere, no seu relatório, que "72% da quantidade total da resina de cannabis apreendida pelas autoridades aduaneiras no Mundo em 2011 proveio de Marrocos."

Uma quantidade revista em alta para os anos de 2012 e 2013, de acordo com a maioria dos organismos internacionais encarregados da luta contra o tráfico de drogas.

Outras vozes, influenciadas pela gravidade das consequências da cultura da resina de cannabis em Marrocos no mundo, abordam o assunto alertando para vários sinais de alarme, como a proliferação de redes criminosas transfronteiriças geradoras de insegurança, instabilidade e a evolução do fenómeno da criminalidade que ganha proporções inquietantes.

11-11-2013

SPS

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Sahara Ocidental: Apreendida quantidade considerável de cannabis proveniente de Marrocos


As forças de segurança saharauis apreenderam uma grande quantidade de cannabis, vários telemóveis, equipamentos GPRS  e viaturas todo-o-terreno, em operações separadas ao longo do muro militar marroquino que divide o território do  Sahara Ocidental.

A Direção Nacional da Polícia da RASD afirma em comunicado de imprensa que as patrulhas de segurança saharauis conseguiram deter três grupos de narcotraficantes que transportavam drogas desde Marrocos para o norte do Mali através dos territórios libertados saharauis.

A Polícia da RASD conseguiu apreender 300 quilos de cannabis, além de vários telemóveis e 5 veículos de tração às quatro rodas nos territórios libertados do Sahara Ocidental, durante a sua tentativa de atravessar o muro militar marroquino a caminho do norte do Mali."

O comunicado acrescenta que os grupos detidos estão à " disposição das autoridades judiciais.”

Marrocos é o principal centro de contrabando de drogas mundial, tendo-se convertido numa das principais fontes de produção de cannabis e haxixe.

O Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes afirma que mais de 82% do total das drogas apreendidas pelas autoridades aduaneiras em todo o mundo provêm de Marrocos, segundo a Organização Mundial de Fronteiras.


O relatório condena as facilidades proporcionadas pela segurança marroquina relativamente ao tráfico de drogas, facto qualificado pela Secretaria de Estado dos EUA como perigoso. 

(SPS)

domingo, 7 de julho de 2013

Cannabis fever


Marrocos mantém a sua posição de principal produtor e fornecedor de cannabis no mundo.

 É o que revela o relatório de 2013 do Departamento das Nações Unidas contra Drogas e Crime. Em oito anos, as áreas cultivadas foram reduzidas para metade, passando de 134 000 para 47 500 hectares, embora isso não altere a "capacidade de produção" do reino. Outro índice utilizado pelo departamento da ONU, os narcotraficantes continuam a designar Marrocos como o primeiro país de origem das drogas apreendidas, à frente do Afeganistão.