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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Ante a situação crucial em que se encontra o processo de paz da ONU no Sahara Ocidental não resta à Frente Polisario outra opção que não seja “reconsiderar a sua participação no processo” - afirma o movimento de libertação saharaui




Nova Iorque, 31de outubro de 2019 (SPS) - O Conselho de Segurança da ONU aprovou, esta quarta-feira, prorrogar por um ano, ao contrário das duas últimas resoluções, o mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) após ter debatido a questão e seus antecedentes de odo a encontrar uma solução que proporcione a autodeterminação do povo saharaui. [NOTA: Recorde-se que a Frente POLISARIO realiza o seu 15.º Congresso em meados de Dezembro próximo. Uma reunião ao mais alto nível que será marcada pelo dramatismo face ao impasse da actual situação do processo de paz]

Eis o Comunicado oficial da Frente Polisario:

A adoção da resolução 2494 (2019) do Conselho de Segurança, sem nenhuma ação concreta para avançar no processo de paz da ONU, é um retorno lamentável e inaceitável à situação usual no Sahara Ocidental e um duro golpe para o momento político criado e sustentado pelo próprio Conselho de Segurança nos últimos 18 meses. Ao não cumprir o seu compromisso de acabar com o ‘status quo’ e exigir que Marrocos ponha fim à sua ocupação ilegal do Sahara Ocidental, o Conselho de Segurança perdeu outra oportunidade para impedir o colapso do processo de paz da ONU. Ante o reiterado fracasso do Secretariado da ONU e do Conselho de Segurança em impedir que Marrocos imponha os termos do processo de paz e o papel da ONU no Sahara Ocidental, a Frente POLISARIO não tem outra opção senão reconsiderar sua participação no processo de paz no seu conjunto.

A Frente POLISARIO sempre agiu com moderação, apesar da política de intransigência, obstrucionismo e chantagem realizada por Marrocos. Ao longo dos anos, fizemos grandes concessões para que o processo de paz da ONU avance e seja bem-sucedido. No entanto, a incapacidade do Conselho de Segurança de intervir firmemente diante das descaradas tentativas de Marrocos de transformar a MINURSO numa ferramenta de normalização da sua ocupação ilegal do nosso território nacional minou a integridade e credibilidade do processo de paz da ONU ante o nosso povo.

O principal mandato da MINURSO, conforme o estabelecido na resolução 690 (1991) do Conselho de Segurança e nas resoluções subsequentes, é a realização de um referendo de autodeterminação livre e justo para o povo do Sahara Ocidental. A Frente POLISARIO, cuja razão de ser é defender os direitos inalienáveis e as aspirações nacionais legítimas do povo saharaui, nunca aceitará nenhuma abordagem que se desvie do Plano de Acordo da ONU acordado pelas duas partes ou que pretenda invalidar a natureza jurídica, reconhecida pela ONU, da questão do Saara Ocidental como um caso de descolonização. O direito de nosso povo à autodeterminação e independência é inalienável e inegociável, e usaremos todos os meios legítimos para defendê-lo.

A Frente POLISARIO não pode aceitar a passividade do Secretariado das Nações Unidas em relação à submissão escandalosa da MINURSO às regras e ditames de Marrocos e suas contínuas violações do cessar-fogo e do Acordo Militar n. 1, incluindo a passagem ilegal em Guerguerat. Reservamo-nos o direito legítimo de agir em resposta a todas as ações desestabilizadoras de Marrocos, a potência ocupante no Sahara Ocidental. É imperativo que todos os membros do Conselho de Segurança compreendam a seriedade da situação atual e a necessidade urgente de encontrar uma solução duradoura para o conflito no Sahara Ocidental.

O processo de paz da ONU no Sahara Ocidental está num momento crucial. O único caminho a seguir para alcançar uma solução pacífica e duradoura para o conflito prolongado é a implementação do Plano de Acordo da ONU, que continua sendo o único plano de solução aceite por ambas as partes e aprovado pelo Conselho de Segurança. Qualquer abordagem que não respeite totalmente os parâmetros da solução, estipulados no Plano de Organização das Nações Unidas, comprometerá o cessar-fogo e todo o processo de paz da ONU. ”
SPS

Conferência de imprensa de Sidi Mohamed Omar — representante da Frente Polisario junto das Nações Unidas



Após a aprovação pelo Conselho de Segurança da resolução 2494 (2019) sobre a Missão da ONU para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) o representante da Frente POLISARIO junto das Nações Unidas, Sidi Mohamed Omar, realizou uma conferência de imprensa na sede da ONU.
A primeira parte é em língua Árabe mas as respostas às perguntas dos jornalistas é em Inglês.

ONU prorroga por um ano a sua missão no Sahara Ocidental



(ECSaharaui) - Por Lehbib Abdelhay — A ONU prorrogou por um ano a sua missão de paz no Sahara Ocidental (MINURSO) com o objectivo de dar tempo ao próximo enviado pessoal do secretário-geral da ONU para a zona.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou esta quarta-feira a prorrogação por um ano, diferentemente das duas últimas resoluções (cujos prazos eram de apenas 6 meses), o mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), depois de discutir a substância para uma solução que permita a autodeterminação do povo saharaui.

A decisão de prorrogar o MINURSO até 31 de Outubro de 2020, adotada por quase unanimidade (13 a favor e duas abstenções: Rússia e África do Sul), foi tomada na resolução 2494 apresentada pelos EUA que invocou a natureza "técnica", uma vez que o Conselho de Segurança não tomou mais decisões sobre a continuidade de um processo que está completamente paralisado desde 2012.

O Conselho de Segurança reconhece no projeto de resolução que "o status quo não é aceitável" e observa que "o progresso nas negociações é essencial para melhorar a qualidade de vida dos saharauis em todos os seus aspetos".

O Conselho também pede ao Secretário-Geral da ONU que prepare um relatório sobre o andamento do processo de paz nos próximos 60 dias.

O texto da resolução, promovido pelo chamado "grupo de amigos do Sahara Ocidental", que inclui EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França e Espanha, indica que o objetivo da extensão é dar tempo ao próximo enviado pessoal e manter a última iniciativa de paz iniciada pelo ex-enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, o alemão Horst Kőhler.

De resto, a resolução limita-se a elogiar a dinâmica iniciada pelo ex-enviado pessoal do Secretário-Geral da ONUpara o Sahara Ocidental.

O projeto de resolução apresentado pelos EUA não obteve apoio unânime: Rússia e África do Sul consideram-no desequilibrado porque não reflete todos os comentários recomendados pelo secretário-geral da ONU no seu último relatório sobre o Sahara Ocidental, particularmente aqueles que se referem a violações do cessar-fogo, direitos humanos e medidas de fortalecimento da confiança.

Muito embora os EUA quisessem que o texto fosse aprovado por consenso, o que é facto é que a votação contou com a abstenção da Rússia e África do Sul.

A Rússia considera que o princípio de autodeterminação do povo saharaui, não foi suficientemente enfatizado no novo projeto de resolução.

Além disso, e contra o que refere o relatório do Secretário-Geral, o texto não designa Marrocos como a parte que cometeu as violações do cessar-fogo e impôs restrições à liberdade de circulação do pessoal de MINURSO e do ex-Enviado Pessoal do Secretário-Geral da a ONU, Horst Kohler. O projeto de resolução simplesmente pede a ambas as partes no conflito que evitem qualquer ação que possa prejudicar o processo de paz liderado pelas Nações Unidas.

A nova resolução elaborada pelos EUA elogia o papel desempenhado pelo ex-enviado pessoal do secretário-geral Horst Köhler, seus esforços para manter conversaçõess diretas em Genebra e a dinâmica que criou. As partes envolvidas no conflito também comprometem a Argélia e a Mauritânia a participar do processo político da ONU no Sahara Ocidental, de maneira séria e respeitosa para identificar elementos de aproximação, e incentivar e apoiar os esforços para avançar nessa direção e retomar novas negociações que possam conduzir a uma solução para o problema.

Na secção dedicada ao acordo de cessar-fogo entre a Frente POLISARIO e Marrocos, o projeto de resolução manifesta preocupação com as violações contínuas dos acordos existentes e destaca a importância do pleno cumprimento dos compromissos de manter a dinâmica do processo político, apelando às partes que se abstenham de qualquer ação que possa prejudicar as negociações lideradas pelas Nações Unidas ou desestabilizar ainda mais a situação no Sahara Ocidental.

A Resolução insta as partes a cooperarem plenamente com a MINURSO, incluindo a sua livre interação com todos os parceiros, e a tomarem as medidas necessárias para garantir a segurança e o acesso, livre de condicionantes ou obstáculos, às Nações Unidas e ao seu pessoal associado, de acordo com os acordos vigentes.

Sobre a questão dos direitos humanos, as iniciativas humanitárias e construção de confiança, o projeto de resolução enfatiza a importância de melhorar a situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental e nos campos de refugiados e incentiva as partes a trabalharem com a comunidade internacional a desenvolver e implementar medidas independentes e credíveis para garantir o pleno respeito pelos direitos humanos.

A ONU incentiva fortemente as partes a fortalecerem a cooperação com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, facilitando as visitas à região. Além de cooperarem com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e implementarem medidas de fortalecimento da confiança, que ajudem a fortalecer a confiança necessária para um processo político bem-sucedido, incluindo a participação de mulheres e jovens.


quarta-feira, 1 de maio de 2019

ONU prorroga por seis meses a sua missão no Sahara Ocidental





Agência EFE - A ONU prorrogou esta terça-feira por mais seis meses a missão no Sahara Ocidental (MINURSO), mantendo a pressão sobre Marrocos e a Frente Polisario para que prossigam com as negociações que iniciaram no passado mês de dezembro.

A resolução, aprovada pelo Conselho de Segurança, dá continuidade à estratégia mantida desde o ano passado pelas potências internacionais, que optaram por encurtar os mandatos da Minurso para pressionar as partes e desbloquear uma conversações que estavam paralisadas há anos.

Desta vez a resolução proposta pelos EUA foi aprovada com 13 votos a favor e duas abstenções, da Rússia e da África do Sul.

O texto apoia o processo de negociações promovido pelo enviado da ONU, o ex-presidente alemão Horst Köhler, e a colaboração das partes, reiterando a "necessidade de alcançar uma solução política realista, viável e durável" para o conflito no Sahara Ocidental.

O Conselho de Segurança apela a Marrocos e à Frente Polisário para que continuem as negociações "sem condições e de boa fé" e sublinha a importância deste "compromisso renovado" para fazer avançar o processo político.

Sob a mediação de Köhler e acompanhados pela Argélia e Mauritânia, as partes reuniram-se duas vezes nos últimos meses, em dezembro e março, e comprometeram-se a fazê-lo novamente em breve, embora não se tenham produzido progressos nas conversações.

Por enquanto, Rabat continua a rejeitar a possibilidade de um referendo para que os saharauis possam exercer o seu direito à autodeterminação, enquanto o Polisario insiste nessa via.

A ONU criou a Minurso (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) a fim de facilitar uma consulta sobre o futuro da ex-colónia espanhola, que até agora ainda não teve lugar.

Em 2007 Marrocos apresentou uma proposta de autonomia para a região e considera que esta deve ser a base da negociação, enquanto a Frente Polisario insiste na necessidade de convocar esse referendo o mais rapidamente possível.

domingo, 21 de abril de 2019

Sahara Ocidental: Washington pede um mecanismo de direitos humanos




As movimentações continuam no Conselho de Segurança da ONU, na esperança de encontrar um acordo quanto ao projeto de resolução sobre o mandato do Minurso apresentado pelos Estados Unidos. Desta vez, Washington não se limitou a manter a redução do mandato de Minurso, mas pediu o estabelecimento de um mecanismo de monitoramento dos direitos humanos no Sahara Ocidental.

Isto causou um bloqueio real, de acordo com o relatório apresentado quinta-feira pelo ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros. O comunicado divulgado pelos serviços de Saad-Eddine El Othmani, embaixador de Marrocos junto da ONU, indica que Nasser Bourita explicou que "a gestão da Minurso e a promoção de certas ideias e projetos improdutivos" relacionados com o futuro da missão da ONU bloqueiam o projeto de resolução americana.

Ele refere-se às dificuldades que Marrocos está a enfrentar para lidar mais uma vez com a proposta dos EUA de criar um mecanismo independente para monitorar os direitos humanos no Sahara Ocidental.

Fonte diplomática marroquina em Nova Iorque declarou ao portal informativo Yabiladi (de Marrocos) a propósito do andamento das negociações sobre o projeto de resolução, que "elas são difíceis, mas as notícias oriundas da sede da ONU convergem para um resultado satisfatório para o reino. Entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, Rabat pode contar com o apoio e a compreensão de três Estados: França, China e Rússia". A mesma fonte assinalou que o "mecanismo" exigido pelos Estados Unidos, objeto da visita de David Hale a Rabat e mencionado por Antonio Guterres em seu relatório, poderia ser substituído por visitas regulares a cidades do Sahara por delegações do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Mas tudo dependerá do resultado das negociações e das pressões exercidas pelos apoios de Marrocos no Conselho de Segurança da ONU sobre a missão dos EUA, que terá surpreendido muitos ao apresentar um projeto de resolução levando em conta a questão do direitos humanos.

Até lá, a França, que sempre conseguiu evitar essa questão, terá sucesso novamente?


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Apoio unânime do Conselho de Segurança ao enviado da ONU para o Sahara Ocidental




Nova Iorque (EUA), 29 janeiro 2019. -(El Confidencial Saharaui) - Por Lehbib Abdelhay/ECS - O Conselho de Segurança das Nações Unidas expressou hoje seu apoio ao trabalho do enviado pessoal do Secretário Geral da ONU para o Sahara Ocidental, o ex-presidente alemão Horst Köhler, para relançar o processo de conversações diplomáticas formais entre a Frente Polisário e o Marrocos, segundo disse à imprensa o embaixador permanente da França na ONU, François Delattre.

O diplomata francês disse à imprensa depois do briefing de Köhler que "os membros do Conselho de Segurança expressaram o seu "máximo" apoio aos esforços do Enviado Pessoal, considerando que o seu último encontro com as partes em Genebra constitui um grande avanço no processo político para a solução. O emissário da ONU, por sua vez, observou durante a sua intervenção que a solução é possível e que a segunda mesa redonda está marcada para o próximo mês de março na Suíça, de acordo com fontes oficiais da ONU.
Na mesma linha, o embaixador sul-africano pediu aos 15 membros do Conselho de Segurança a libertação dos presos políticos saharauis nas prisões marroquinas como medida, entre outras, para criar confiança entre as partes. O diplomata sul-africano mencionou também a "desminagem" do território e a grande atenção necessária à ajuda humanitária aos refugiados saharauis.
O representante da Frente Polisario para as Nações Unidas, Sidi Mohamed Omar, por seu turno, afirmou em comunicado que a Frente Polisario pediu ao Conselho de Segurança "ações concretas" para a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental e pede aos países da União Europeia para reconsiderarem a sua abordagem a esta questão e apoiarem o processo de paz das Nações Unidas no Sahara Ocidental, utilizando o comércio como um incentivo positivo para um acordo de paz justo e duradouro.



domingo, 30 de dezembro de 2018

Sahara Ocidental: Kohler informa o Conselho de Segurança em janeiro




WASHINGTON (Agência APS) – O emissário da ONU para o Sahara Ocidental, Horst Kohler, é esperado em janeiro em Nova Iorque para relatar ao Conselho de Segurança o ocorrido na última ronda de negociações de Genebra e as iniciativas que conta empreender com vista ao relançamento do processo das Nações Unidas.

O Conselho de Segurança provavelmente receberá nesta reunião mais relatório de informação elaborado pelo Departamento de Operações de Manutenção da Paz da Missão da ONU para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), cujo mandato termina em 30 de abril, indica a agenda provisória deste órgão da ONU para o mês de janeiro.
Essas consultas ocorrem em conformidade com a resolução 2440, que solicita ao Secretário-Geral da ONU que mantenha o Conselho de Segurança informado sobre os acontecimentos no Sahara Ocidental, três meses após a adopção da resolução ou sempre que ele considere oportuno.
Segundo a mesma fonte, a reunião provavelmente será sancionada por uma declaração em que o Conselho de Segurança deverá saudar as primeiras conversas em Genebra, reiterando o apoio a Horst Kohler, destacando o impulso gerado pela retomada das negociações diretas entre as duas partes no conflito, a Frente Polisario e Marrocos.
De há um ano para cá, a questão do Sahara Ocidental está de volta em força à agenda de paz do Conselho de Segurança, apoiada pelos Estados Unidos, que querem pôr fim a esse conflito congelado.

Jonathan Cohen vice-presidente da representação dos EUA no Conselho de Segurança da ONU




Washington, irritado com o bloqueio do processo de paz, manteve a pressão no Conselho de Segurança para apoiar o reatamento das negociações paralisadas desde 2012.
A delegação dos EUA na ONU evocou em outubro passado uma "nova abordagem" dos Estados Unidos para a resolução deste conflito, dizendo que não pode mais haver "Negócios como de costume" (“Business as usual”) com a MINURSO e o Sahara Ocidental .
"Primeiro, não pode haver mais status quo no Sahara Ocidental. Em segundo lugar, devemos dar todo o nosso apoio ao enviado pessoal Kohler nos seus esforços para alcançar uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável que permita a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental ", disse o vice-embaixador norte-americano, Jonathan Cohen.
Afirmativo, Jonathan Cohen sublinhou que « o Conselho de Segurança não deixará que a MINURSO e o Sahara Ocidental caiam no esquecimento».
Apenas dois meses após a votação que prolongou o mandato da MINURSO, a Casa Branca, através da voz do chefe do Conselho de Segurança Nacional (NSC), John Bolton, expressou frustração com o impasse sobre a questão do Sahara Ocidental, dizendo que era tempo da missão da ONU cumprir seu mandato.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Conselho de Segurança sobre o Sahara Ocidental

http://webtv.un.org/watch/the-situation-concerning-western-sahara-security-council-8387th-meeting/5856028767001/?lan=spanish&fbclid=IwAR2AGP4cxD3GWw-LubjVnKg0Ct5ZAKikYeqFaCMdS3nm-ND4c64f6ViXRYg

A votação da última resolução do Conselho de Segurança sobre o Sahara Ocidental e os discursos dos países intervenientes. 

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Frente Polisario pede ao Conselho de Segurança que utilize todo o seu peso para fazer avançar as negociações diretas entre as duas partes



Tifariti, Territórios Libertados do Sahara Ocidental, 31 de outubro de 2018 (SPS) - A Frente Polisario emitiu um comunicado aptós a resolução do Conselho de Segurança que prorroga por seis meses o mandato da Minurso.

Texto do comunicado:

A Frente Polisario toma nota da adoção, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, da Resolução 2440 (2018) pela qual decidiu prorrogar o mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (Minurso) por um período de tempo de seis meses.
A Frente Polisario também toma nota do apelo do Conselho de Segurança às duas partes, Frente Polisario e Marrocos, para que retomem as negociações sob os auspícios do Secretário-Geral sem condições prévias e de boa fé com vista a alcançar um processo justo e duradouro e uma solução política aceitável por acordo mútuo, que permitirá a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental.
Agora cabe ao Conselho de Segurança usar seu peso coletivo para avançar nas negociações diretas entre as duas partes, a fim de permitir que o povo exerça livre e plenamente o seu direito inalienável à autodeterminação e à independência.
O Território Não-Autónomo do Sahara Ocidental foi ocupado ilegalmente por Marrocos no dia 31 de outubro de 1975, o que coincide com a data da adoção da resolução de hoje. É essencial que o Conselho de Segurança defenda inequivocamente o estatuto jurídico do território e preserve a sua integridade territorial, conforme o tem solicitado a União Africano, em muitas ocasiões, enquanto se aguarda uma solução definitiva para o conflito através do referendo de autodeterminação supervisionado pela ONU , para o qual foi criado a MINURSO em 1991. A Frente Polisario, cujo objetivo é defender os direitos inalienáveis ​​e sagrados e aspirações nacionais do povo saharaui não vai aceitar menos do que o pleno respeito pelo direito inalienável do nosso povo à autodeterminação e independência.
A Frente Polisario lembra que os seu compromissos em relação ao cessar-fogo se baseiam nos acordos alcançados com a MINURSO, incluindo o Acordo Militar No. 1, de 1997, que vincula ambas as partes no âmbito da implementação do cessar-fogo de 1991. Portanto, é essencial que o Conselho de Segurança garanta a total adesão e respeito pelos termos do cessar-fogo e do Acordo Militar No. 1, que são partes integrantes do Plano de Resolução dda ONU e, portanto, os pilares que sustentam todo o processo de paz da ONU no Sahara Ocidental.
O Conselho de Segurança também deve assegurar que o Minurso funcione de acordo com as regras básicas e princípios gerais aplicáveis às operações de manutenção da paz da ONU e que a Missão tenha um mandato para monitorizar a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental, onde os abusos bem documentados dos direitos humanos são constantes. É urgente que o Conselho de Segurança exija que Marrocos se abstenha de todas as suas ações desestabilizadoras nos territórios ocupados do Sahara Ocidental e que cesse o saque dos recursos naturais do território do Sahara Ocidental.

Conselho de Segurança prorroga por seis meses o mandato da MINURSO



Nações Unidas, 31 Outubro 2018 (SPS) - O Conselho de Segurança da ONU prorrogou hoje por seis meses o mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (Minurso), apresentado pelos Estados Unidos, a fim de continuar a pressionar as partes a negociar diretamente e sem condições para encontrar uma solução para o conflito.
Com doze votos a favor e três abstenções, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma proposta dos EUA, que foi discutida até ao último momento, já que países como a França preferiam um mandato de um ano.
Em abril passado, os EUA também apresentaram um pedido para que o mandato fosse renovado por apenas seis meses, a fim de pressionar Marrocos e a Frente Polisario a se sentarem à mesa de negociação depois de anos de bloqueio.
Para Washington, essa abordagem foi bem-sucedida e facilitou que as duas partes concordassem em se reunir em dezembro próximo, em Genebra, numa reunião organizada pelo mediador da ONU, Horst Köhler.
O embaixador adjunto dos EUA junto da ONU, Jonathan Cohen, disse hoje que o seu país está satisfeito com estes prohressos, mas considera que eles são apenas um começo.
"O processo político está apenas começando", disse Cohen após a votação, argumentando que a prorrogação de seis meses permitirá ao Conselho de Segurança acompanhar de perto a questão e deixar clara a "determinação de acelerar" as discussões para resolver o conflito.
A Frente Polisario, por seu lado, era favorável a um mandato ainda mais curto para que o Conselho de Segurança continuasse pressionando Marrocos a negociar, disse à imprensa Mohamed Sidi Omar, representante da Frente Polisario na ONU.



sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Representante da Frente Polisario na ONU reúne com presidente do Conselho de Segurança



Nova York, 12 de outubro de 2018 (SPS) - Sidi Mohamed Omar, representante da Frente Polisario nas Nações Unidas, reuniu-se ontem com Sacha Sergio Llorenti Soliz, representante permanente da Bolívia junto às Nações Unidas e atual presidente do Conselho de Segurança.
A reunião, que teve lugar na sede do Conselho de Segurança no edifício das Nações Unidas, faz parte das várias reuniões que o representante da Frente Polisario junto das Nações Unidas está atualmente a realizar com os membros do Conselho de Segurança na sequência da apresentação do relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas sobre a situação do Sahara Ocidental, apresentado ao Conselho de Segurança no passados dia 3 de outubro. 2018, e as deliberações que deverão ser tomadas pelo Conselho sobre a renovação do mandato da MINURSO, que expira no final deste mês.
A reunião constituiu uma oportunidade para explicar o ponto de vista saharaui expresso na recente carta enviada pelo representante da Frente Polisário às Nações Unidas ao actual Presidente do Conselho de Segurança, que foi distribuída como documento oficial a todos os membros do Conselho.
Importa recordar que o Conselho de Segurança realizou ontem uma reunião à porta fechada, durante a qual ouviu a intervenção de Colin Stewart, representante especial do Secretário-Geral para o Sahara Ocidental e chefe da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental. (MINURSO), sobre os últimos desenvolvimentos a nível político e no campo, bem como as perspetivas do processo político.

Sahara Ocidental: o relatório do SG da ONU ao Conselho de Segurança



O último relatório do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, ao Conselho de Segurança, tornado público na passada 4.ª feira critica Marrocos, em particular, na questão dos direitos humanos, ao fazer uso da tortura nos territórios saharauis ocupados.
Leia todo o relatório aqui:

sábado, 11 de agosto de 2018

ONU quer reunir as partes do conflito do Sahara este ano




Nações Unidas, 8 de agosto (EFE) .- O enviado da ONU para o Sahara Ocidental, Horst Köhler, quer reunir as partes antes do final do ano, disseram fontes diplomáticas hoje.

Köhler, que hoje compareceu a portas fechadas diante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, assumiu o cargo há um ano com o objetivo de retomar as negociações entre Marrocos e a Frente Polisário, atualmente bloqueadas.

"A sua abordagem e proposta para ver se pode reunir as partes antes do final do ano conta com muito apoio no Conselho de Segurança, afirmou Jonathan Allen, vice-embaixador do Reino Unido na ONU, após a reunião.

Allen, cujo país ocupa a presidência do Conselho de Segurança este mês, disse a repórteres que Köhler em breve realizará consultas com "todas as partes envolvidas" sobre a organização da reunião.

Segundo outra fonte diplomática, o ex-presidente alemão pretende enviar convites para a reunião em setembro.

A priori, as conversações devem reunir Marrocos e a Frente Polisario, embora Rabat insista há anos que a Argélia - que acolhe os campos de refugiados saharauis em Tindouf - deveria fazer parte de qualquer negociação.

Nos últimos meses, Köhler manteve contactos separados com o governo marroquino e com representantes da a, mas também com as autoridades argelinas e mauritanas.

O enviado da ONU também visitou a região, incluindo uma viagem em junho em que pela primeira vez se deslocou ao território da ex-colónia espanhola, depois de Marrocos o haver proibido ao seu antecessor, Christopher Ross.

Como de costume, Köhler evitou fazer declarações antes ou depois de sua reunião com o Conselho de Segurança.

Em abril último, o mais alto órgão de decisão da ONU deu a marroquinos e saharauis uma janela de seis meses, até outubro, para obter progresso em direção a uma solução "realista" e "viável" para o conflito.

O Conselho de Segurança concordou, como medida de pressão, em estender a missão de paz na área (Minurso) apenas por meio ano, em vez do habitual prazo de um ano .

E 1991, a ONU criou Minurso a fim de realizar um referendo sobre o futuro da ex-colónia espanhola, uma consulta que nunca foi realizada.

Marrocos apresentou uma proposta de autonomia para a região em 2007 e considera que esta deve ser a base da negociação, enquanto a Frente Polisario insiste na necessidade de convocar essa consulta de independência o mais rapidamente possível.

EFE

sábado, 28 de abril de 2018

Sahara Ocidental: resumo das intervenções dos membros do Conselho de segurança




Um breve resumo das intervenções dos membros do Conselho de Segurança na reunião sobre o Sahara Ocidental no dia 27 de abril de 2018
12 votos a favor 3 abstenções: China, Etiópia, Rússia

Estados Unidos (votação sim):
Nós, como CSNU, permitimos que o Sahara Ocidental se se transforma num conflito congelado – O nosso objetivo é enviar 2 mensagens: 1) não deixar as coisas como sempre no Sahara Ocidental. 2) total apoio a Kohler nos seus esforços. Os EUA querem finalmente ver progresso …. esperam que as partes irão retornar à mesa ao longo dos próximos 6 meses. O plano Marroquino de autonomia é ‘sério, realista e credível’ representa uma possível abordagem para resolver o conflito. Seria infeliz para qualquer um dissecar a linguagem da resolução para marcar pontos políticos. Citando John Bolton do seu livro e 2008 : “A minurso parecia estar no caminho para uma perpétua existência …”

Etiópia (absteve-se):
As sugestões aduzidas para adicionar equilíbrio / neutralidade à resolução não foram adotadas. Nós fomos flexíveis e estávamos prontos para participar numa renegociação, mas não nos foi dada a oportunidade. Não havia outra opção que não fosse a abstenção . A Etiópia apoia Koehler, o processo político, etc. Esperamos que 5º ronda direta de negociações tenha lugar o mais rapidamente possível. Reiteramos que o CS não deve fazer qualquer pronunciamento que prejudique o processo: o Conselho não deve ser visto ao lado de qualquer das partes.

Rússia (abstenção):
Não estivemos em condições de apoiar a resolução porque o processo não foi nem transparente, nem de consulta. Comentários da Rússia e de outros membros do Conselho não foram aceites. Decidimos não bloquear a resolução porque aceitamos o valor da missão. Nova terminologia “possível, etc” abre as portas a interpretações equívocas. A resolução aprovada hoje poderá ter efeitos negativo nos esforços de Koehler. Rejeição da línguagem em torno de métodos genéricos da missão de manutenção da paz que foi inserida na presente resolução. Não apoiamos os elementos sobre direitos humanos na resolução. O texto contém disposições que põe em causa a abordagem imparcial e com as quais nós não concordamos. Fórmula final deve ser aceitável para Marrocos e Polisario e deve fornecer a autodeterminação do povo de Sahara Ocidental.

França (votação sim):
Elogiou a adopção, agradeceu aos EUA. Resolução impede escalada, incentiva construtiva dinâmica. Renovação de 6 meses é voltado para a mobilização do Conselho, mas deve ser uma exceção. Renovação anual mantém a estabilidade. Importante que os membros do Conselho cheguem a consenso.

Suécia (votação sim):
Suécia votou a favor da resolução devido ao apoio a Koehler. Sublinhou a necessidade de uma solução política duradoura e mutuamente aceitável que preveja a autodeterminação do povo de Sahara Ocidental. “Business as usual” já não é uma opção. Mulheres e jovens devem ser totalmente incluídos no processo político e ter um papel significativo a desempenhar. Novos elementos na presente resolução que achamos não terem suficiente equilíbrio e não refletem completamente as realidades no terreno. Em relação aos procedimentos, buscamos unidade … A aceitação de sugestões que foram relativamente pequenas poderiam ter conseguido essa unidade. Apesar das deficiências no texto, este é um passo na direção certa. Necessidade das partes renovarem o compromisso com um Espírito de compromisso. Todas as possíveis soluções devem estar sobre a mesa. Isso inclui a realização de um referendo livre e justo.

China (abstenção):
Expressa apreciação pela minurso e observa prioridade de estabilidade Regional. Conselho deve permanecer unido e falar com uma só voz. Conselho deveria ter dado mais tempo para se atingir consensos … China expressa pesar que a resolução não tenha sido capaz de acomodar preocupações dos outros membros do Conselho – isto foi a razão para a sua abstenção. Expressa apoio a Koehler e encoraja as partes a retornar às negociações.

Reino Unido (votação sim):
Apoia a resolução por 3 principais razões. • apoio  escalada de pressão; • apoio para continuar o trabalho da minurso; • apoio ao objetivo global de uma solução duradoura e mutuamente aceitável que preveja a autodeterminação do povo de Sahara Ocidental; expressa forte apoio aos esforços de Koehler e de Stewart. Partes devem continuar num espírito de realismo e compromisso. Os 6 meses de renovação são uma indicação da importância da questão.

Kuwait (votação sim):
Resolução é um reflexo do desejo do SG da ONU em relançar negociações políticas entre as partes. Kuwait renova total apoio a uma solução política justa e mutuamente aceitável que garanta o direito à autodeterminação no âmbito dos parâmetros da carta das Nações Unidas e relevantes resoluções.

Guiné Equitorial (votação sim):
Felicita esforços de Koehler e Stewart e dá por bem-vinda a renovação do mandato. Saúda aqueles que têm feito sacrifícios neste conflito que durou décadas no continente africano. Votaram a favor em reconhecimento dos esforços em curso que podem levar a uma resolução do conflito.

Cazaquistão (votação sim):
Não há alternativa ao processo de compromisso, solução mutuamente aceitável, etc. Apoio a Koehler, etc. se a resolução tivesse sido adotada por consenso teria enviado uma mensagem mais forte. Importante para o Conselho manter a unidade …

Bolívia (votação sim):
Salientou a necessidade de relançar o processo político. Oferece total apoio a Koehler, Stewart, etc. importância das partes de prosseguirem com uma nova dinâmica e espírito de compromisso levando a uma solução política mutuamente aceitável que permita a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental. Expressa preocupação pela sugestões que não foram tidas em conta com um fim de tornar o texto mais equilibrado para que todos os membros do Conselho pudessem apoiá-lo. Reclamou que os 6 meses não foram discutidos com a Bolívia. Lamentou que a natureza arbitrária do sistema seja uma força negativa para os métodos de trabalho do Conselho

Costa do Marfim (votação sim):
Bem-vinda a aprovação. Bem-vindos os sérios e credíveis esforços feitos por Marrocos através da iniciativa da autonomia. Bem-vindo o convite aos Estados vizinhos para terem uma mais frutífera contribuição.

Holanda (votação sim):
A falta de apoio unânime não deve distrair do que é realmente importante: relançamento do processo político. Ambição comum deve centrar-se apenas numa solução política duradoura , mutuamente aceitável que preveja a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental.

Polónia (votação sim):
Bem-vinda a resolução, oferece apoio a Koehler, etc.

Peru (votação sim):
Oferece apoio ao processo político que preveja uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável que conduza à autodeterminação do povo de Sahara Ocidental. Expressa preocupação com o refugiados saharauis e releva a importância de melhorar a situação dos direitos humanos e situação humanitária.
Fonte: Por un Sahara Libre

ONU renova por 6 meses a missão no Sahara Ocidental e insta Marrocos e Polisario a negociar





Ecodiário.es – 27-04-2018 - O Conselho de Segurança renovou hoje, sexta-feira, a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (Minurso) durante seis meses e exortou Marrocos e a Frente Polisário a retomar as negociações para pôr fim ao conflito.
A decisão está contida numa resolução adotada com doze votos a favor e abstenções da Rússia, China e Etiópia, um documento que apela para avançar no sentido de uma solução política “realista, viável e duradoura” para a antiga colónia Espanhola.

Além disso, pede à Polisario que se retire “imediatamente” da zona de separação na área de Guerguerat, no sul do Sahara Ocidental; manifesta preocupação com o plano de transferir as atividades administrativas para Bir Lahlu, no nordeste; e pede que se abstenha deste tipo de “ações desestabilizadoras”.

De acordo com os Estados Unidos, promotor da resolução, a ideia central é tentar desbloquear as negociações nos próximos meses, aproveitando os esforços empreendidos pelo novo enviado da ONU, o ex-presidente Horst Köhler alemão.

A ênfase na necessidade de uma solução “realista” é uma das principais novidades do texto.

Durante anos, Marrocos argumentou que a única opção realista para acabar com o conflito é a sua proposta de autonomia para o território, enquanto a Polisario insiste na necessidade de realizar um referendo que inclua a independência entre as opções.

Tradicionalmente, as Nações Unidas apoiaram suas resoluções para uma “solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável que prevê a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental”.

Essa linguagem permanece num dos parágrafos da resolução aprovada hoje, em que as partes são solicitadas a retornar às negociações.

No entanto, a inclusão proeminente do apelo por uma solução “realista” pode ser vista, segundo fontes diplomáticas, como uma abordagem às teses marroquinas.

Esse foi precisamente um dos pontos mais discutidos da resolução, que para países como a Rússia ou a Etiópia era desequilibrada.

Essas reservas levaram os Estados Unidos, o promotor do texto, a adiar até hoje a votação originalmente prevista para quarta-feira, a fim de tentar resolver as diferenças.

Finalmente, esse ponto permaneceu na resolução final, cuja principal mudança em relação ao projeto original era a renovação do mandato do Minurso por seis meses em vez de um ano.

Isso significa que o Conselho de Segurança terá que retornar à questão do Sahara Ocidental em outubro próximo.

Fonte: ecodiário- tradução Por un Sahara Libre

Ver: texto da resolução http://undocs.org/fr/S/RES/2414(2018)


quinta-feira, 26 de abril de 2018

Conselho de Segurança adia votação sobre o Sahara Ocidental





26 abril, 2018 – La Vanguardia – O Conselho de Segurança da ONU vai adiar a votação da sua resolução anual sobre o Sahara Ocidental, prevista originalmente para esta quarta-feira, a fim de limar diferenças sobre o texto, disseram hoje à Efe fontes diplomáticas.
As negociações continuam por enquanto e o Conselho "ainda não está pronto para votar", explicou um diplomata do Conselho que pediu anonimato.

Por enquanto, uma nova data para a votação não foi estabelecida, que deve ser realizada em qualquer caso antes do final do mês, quando expira o mandato da missão da ONU no Sahara Ocidental (MINURSO).

No texto, além de estender a missão, o Conselho de Segurança tradicionalmente expressa a sua posição sobre os últimos desenvolvimentos no terreno e sobre o processo político.
Como todos os anos, os EUA são o país encarregado de redigir a resolução, que geralmente é adotada por consenso.

Este ano, o texto proposto por Washington encontrou a resistência de vários países e está sendo objeto de negociações de última hora.

Segundo fontes diplomáticas, a linguagem proposta pelos EUA não agrada à Frente Polisario, sobretudo porque apela ao progresso rumo a uma "solução realista, viável e duradoura" para o conflito.

Para a organização saharaui, estes termos estão muito longe da solução política "justa, duradoura e mutuamente aceitável" que o Conselho de Segurança vinha exigindo e poderia ser interpretada como um respaldo ao plano de autonomia que Marrocos defende face ao seu compromisso com um referendo sobre o futuro do território.

O esboço dos EUA também expressa a preocupação com a presença do Polisario dentro da "zona tampão" em Guerguerat, no extremo sul do Sahara, e pede que o movimento se abstenha de transferir funções administrativas para Bir Lahlu, no nordeste do território.
 Nas últimas semanas, Marrocos alertou repetidamente que recorrerá a todos os meios para expulsar elementos de Polisario daquela área.

A área está sob controle de Polisario e a ONU deixou claro nesta semana que não considera Bir Lahlu ou Tifarati dentro da "zona tapão", onde uma presença militar não é permitida pelos acordos entre as duas partes.

Por outro lado, o projecto de resolução pede aos países vizinhos que se envolvam mais estreitamente nas negociações, uma mensagem dirigida especialmente à Argélia, que Marrocos considera parte do conflito e que até agora se recusou a intervir diretamente nas discussões.

Portanto, de acordo com a fonte diplomática (contacta pela EFE), a proposta inicial dos EUA está mais próxima das teses marroquinas este ano.

A posição, segundo a fonte, é diretamente impulsionada pela administração em Washington e não pela missão na ONU.

Das negociações dependerá se o texto vier a ser modificado no último minuto ou se será colocado em votação na sua forma original.

Tanto o Conselho de Segurança como o SG das Nações Unidas, António Guterres, disseram que querem que as discussões entre o Marrocos e a Polisario sejam relançadas para tentar fechar o conflito após anos de bloqueio.

Com esse fim, o novo enviado da ONU, o ex-presidente alemão Horst Köhler, realizou uma ampla gama de contactos nos últimos meses.