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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Presidente da República e SG da F. Polisario no encerramento da reunião do Estado Maior do ELPS



Museu Nacional da Resistência, 3 de janeiro de 2019 (SPS)- O presidente da República, Brahim Ghali, esteve presente ontem no Museu Nacional da Resistência, no encerramento da reunião ampliada do Estado-Maior do Exército de Libertação Popular Saharaui (ELPS), realizada sob o lema “Precisão, controle e eficácia”.

O ato contou com a presença do ministro da Defensa, Abdulahi Lehbib; membros do Secretariado Nacional, do Conselho Nacional e quadros militares de todas as regiões do ELPS.
A reunião, que tinha como homenageado o Mártir Mohamed Abdelaziz (anterior Presidente da República Saharaui e SG da Polisario), examinou o programa anual do Ministério da Defesa Nacional e elaborou um plano de trabalho para o ano de 2019.
O presidente da República, no discurso que proferiu afirmou que a reunião ampliada do ELPS é uma distinta experiência que permite avaliar os resultados conseguidos no campo militar e elaborar novos programas, com o objetivo de melhorar a disposição combativa do ELPS e da sua capacidade de mobilização.
Brahim Ghali elogiou o papel desempenhado pelo Exército Saharaui durante a guerra de libertação, defendendo a Pátria e mantendo a paz e ao longo de décadas, deu mostras de de heroísmo dignas de admiração, sabendo manter bem alto os valores e princípios da revolução saharaui.



domingo, 11 de fevereiro de 2018

Brahim Gali, Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, presidiu à reunião ampliada do Estado Maior do ELPS





O Presidente da República, Secretário-Geral da Frente Polisario e Comandante Supremo das Forças Armadas, Brahim Ghali, presidiu na 5.ª Região Militar à reunião ampliada do Estado Mayor do Exército de Libertação Popular Saharaui (ELPS).

A reunião durou dois dias e teve por objetivo examinar o programa anual do Ministério da Defesa Nacional para o ano 2018 e os diversos aspetos relacionados com a instituitição militar saharaui.

Fonte: agência SPS

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Frente Polisário está "pronta" para lutar pela a independência do Saara Ocidental




Diário de Notícias Lusa - 26-12-2017 - O exército da Frente Polisário está "pronto" para lutar pelo direito do povo sarauí à independência e não pode continuar "eternamente confinado ao estatuto de refugiado", advertiu hoje o "ministro da Defesa" do Saara Ocidental.

"O exército sarauí está pronto e preparado para fazer face a qualquer imprevisto e para todas as eventualidades para lutar pelo direito do povo sarauí à independência ou à autodeterminação" política. "Se a comunidade internacional não intervir para se fazer justiça ao povo que vive há 42 anos sob a ocupação marroquina", afirmou Abdullahi Lehbib.

As declarações do "ministro da Defesa" da Frente Polisário surgem na sequência das operações militares que o exército sarauí está a efetuar em várias áreas do Saara Ocidental [antiga colónia espanhola até 1975, anexada por Marrocos nesse mesmo ano] sob o lema "Elevar o Nível de Preparação para o Grande Final".

Controlada em grande parte por Marrocos, a antiga colónia espanhola em África [Espanha também controlou a Guiné Equatorial] esteve em guerra durante 15 anos, até que as duas partes assinaram um cessar-fogo, em 1991.

Desde então que as Nações Unidas têm uma força de manutenção de paz no vasto território quase desértico, onde vive perto de meio milhão de habitantes.

A ONU propôs igualmente a realização de um referendo de autodeterminação, que tem sido sucessivamente adiado devido a desacordos sobre a composição do conjunto do eleitorado.

Mais recentemente, Marrocos propôs aos Sarauís uma autonomia alargada da soberania do Saara Ocidental, ideia rejeitada em bloco pela Frente Polisário.

Em fevereiro deste ano, Abdullahi Lehbib disse à agência France Presse que a Frente Polisário tem disponíveis cerca de 25.000 soldados prontos para lutar e que todo o sarauí, do Saara Ocidental, está mobilizado.

Lehbib disse também na altura existirem milhares de sarauís "do outro lado dos muros de defesa marroquinos" prontos para a luta.

"Queremos lutar sempre pela via pacífica" para resolver o conflito, um dos mais antigos do continente africano, afirmou, por seu lado, o secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali.

"Mas todas as opções estão em aberto", advertiu.




segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Frente Polisario destrói 2.500 minas anti-pessoal




Tifariti (Sahara Ocidental), 4 de novembro de 2017 (SPS/Contramutis) - A Frente Polisario destruiu ante representantes internacionais 2.500 minas anti-pessoal e antitanque, recolhidas nos territórios libertados do Sahara Ocidental, especialmente ao longo do muro marroquino de 2700 quilómetros que divide o território.

A operação de destruição, realizada no dia 4 de novembro, teve lugar em Tifariti, localidade situada nos territórios sob controlo da Polisario e que foi bombardeada por Marrocos no dia em que foi firmado o cessar-fogo, a 6 de setembro de 1991, após dezasseis anos de guerra.

Ante autoridades militares saharauis, como o ministro da Defesa e o Chefe da 2.ª Região Militar,  e de representantes do Serviço de Ação contra s minas das Nações Unidas (UNMAS), da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental), do Apelo de Genebra, foram destruídas 2.300 minas anti-pessoal VS-50, 100 SB-33, 100 M-966 e 8 minas anticarro BPRB-M3.

Com esta ação, a Frente Polisario já destruiu desde 2006  15.508 minas e tem previsto inutilizar outras 4.985 em 2018.

O chefe das tropas de reserva saharauis, Mohamed Lamín Buhali, referiu que a vontade do governo da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) é continuar a aplicar os acordos em matéria de destruição de minas, tema sobre o qual Marrocos nunca se quis implicar.

Mohamed Lamín, ex-ministro da Defesa, afirmou que na parte ocupada do Sahara Ocidental continuam colocadas ao longo do muro milhares de minas, que são transportadas pelas águas ao longo do leito dos rios e se convertem em armadilhas mortais para a população saharaui que se desloca livremente na parte libertada do Sahara Ocidental.

Pascal Bongar, diretor jurídico do Apelo de Genebra, afirmou que estavam ante una “demonstração clara da vontade da Frente Polisario de colaborar na destruição e limpeza das minas”, que semeiam o terror, em particular na libertada do Sahara Ocidental.

Disse que nos últimos anos as minas causaram 34 vítimas na zona libertada e o facto de Marrocos não querer firmar o acordo do Apelo de Genebra “é uma demonstração de que não quer colaborar no processo de paz”.



segunda-feira, 20 de março de 2017

A Argélia deu sistemas de mísseis S-300 à Frente Polisario para alterar a correlação de forças no conflito do Sahara? Pergunta o Alifpost, órgão digital marroquino.

Fonte: La Realidad Saharaui com base na notícia do diário marroquino Alifpost.


Sistema de mísseis S-300, de fabrico russo



Segunda-Feira, 20 de março de 2017 - Os saharauis liderados pelo seu novo dirigente Brahim Ghali parece quererem empreender uma ação definitiva que acabe com a persistente ocupação do Sahara Ocidental. Há novos fatores que surgem na situação atual do processo de descolonização e ocupação, em dois níveis:

- O Diplomático, a nível dos organismos da ONU, União Europeia e União Africana.
- E a via militar, após 41 anos de deceção ante a indiferença da Comunidade internacional.

Acontece que todos os «players» estão agora vendo o perigo desta nova situação, o que poderá ser catastrófico para os interesses e a estabilidade de toda a região. A 3 de março, o jornal La Realidad saharaui publicou um editorial em que perspetivava este novo cenário que poderia conduzir a uma solução conquistada pelos próprios saharauis.

Brahim Ghali, na sua recente reunião com o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, na passada Sexta-feira 18 de março, mostrou-se intransigente ao pedido de Guterres de retirada do exército saharaui de Guerguerat, afirmando que qualquer tentativa de solução tem que passar pela realização do referendo de autodeterminação que Marrocos e a Frente Polisário assinaram em 1990, e que esse é o eixo sobre o qual a ONU se deve concentrar.

Parece agora que Marrocos e a Europa começam a sentir a tensão por que passa o conflito. O Alifpost, jornal digital independente marroquino que apoia a pretensa “marroquinidade” do Sahara Ocidental, num artigo de análise escrito pelo seu Diretor, El Houssine Majdoubi Bahida, alerta para este novo cenário que está pairando sobre a região.

O Alifpost, na edição de do passado dia 13, refere que "a tensão de Guerguerat [no sul do Sahara Ocidental, junto à fronteira com a Mauritânia] foi o prelúdio de acontecimentos que se poderão tornar perigosos para a região. E, nesse sentido, as capitais europeias procuram resposta para as seguintes questões: “Qual a sofisticação das armas que a Argélia entregou recentemente à Frente Polisário? Incluem os sofisticados tanques T90 e unidades de sistema de mísseis russos S-300? ", questiona o Alifpost **.
Quando o tecido social do adversário começa a inquietar-se, então algo de sério começa a preocupar a corte do Rei, o seu Makhzen e os seus aliados.

"Desde a eclosão da crise Guerguerat, a Frente Polisario aumentou as suas ameaças de guerra a um nível que nunca o fizera nos últimos anos. Deslocou as suas forças militares para muito perto das unidades de Marrocos no Estreito de Guerguerat. Impôs procedimentos humilhantes aos camiões que se dirigiam de Marrocos para a Mauritânia e ao restante tráfego, retirava dos veículos a bandeira marroquina e tudo o que tivesse a ver com a soberania de Marrocos. E mesmo as suas unidades de combate deslocaram-se no Oceano Atlântico na zona de separação entre [os territórios ocupados do Sahara] Marrocos e Mauritânia ".

Tanque T90


O diário Alifpost, na análise que faz da nova fase e ante a postura combativa do Exército saharaui afirma: "Este ato militar hostil ou revela uma indiscrição que se manifestará com a aventura de uma guerra que vai ter resultados drásticos no futuro, ou assenta numa autoconfiança proporcionada à Polisario pelo fornecimento de novas armas sofisticadas cedidas pela Argélia e com as quais será capaz de criar preocupação e problemas reais ao exército marroquino ".

E neste contexto de preocupação, o jornal marroquino acrescenta: "Além da preparação da Frente Polisario, há outro fator utilizado pela Argélia neste contexto, o aumento considerável do apoio político e diplomático à Frente Polisario, especialmente em fóruns internacionais, Nações Unidas e União Europeia”.

O jornal marroquino reaviva então os argumentos da sua tese e do discurso oficialista que sempre alimentou os órgãos de comunicação do reino: "Ao mesmo tempo, a Argélia autorizou a Polisario a entrar em guerra com Marrocos, se necessário". E aduz um aspeto que aquele órgão tem referido por variadíssimas vezes: "Também se assiste a um aumento da coordenação militar estratégica entre as duas partes que não é mais segredo, incluindo a visita do comandante militar da Terceira Região do Exército argelino aos acampamentos de Tindouf no dia 12 de março de 2017 ".

E o Alifpost acrescenta: "Além disso, há o reforço das tropas do Exército argelino nas fronteiras com Marrocos, o que levou o exército marroquino a aumentar a presença das suas forças na fronteira oriental, um movimento que não estava nos seus planos ".
"Resta a questão deste tema, relacionada com as perguntas que se fazem nas capitais ocidentais: Qual a sofisticação tecnológica do arsenal que a Argélia deu à Frente Polisário? Não se está falar de armas ligeiras, como os veículos blindados e alguns carros todo-o-terreno que foram propositadamente fotografados, mas de tanques de tecnologia sofisticada, como os T90, armas de fabricação russa, com que contam unidades do exército da Polisario, e de sistemas de mísseis russos S-300 ".
O órgão digital marroquino, próximo da corte alauita, conclui ante a sua visão do conflito, que "a obtenção por parte do exército saharaui do sistema de defesa antiaérea de mísseis S-300 será um ponto de viragem muito perigoso, já que é uma ameaça iminente ao papel da força aérea de Marrocos, em caso de um confronto futuro com a Frente Polisario ".
E conclui o jornal a sua análise: "Os observadores em questões militares pensam que o cuidado que adotou Marrocos em controlar o que estava acontecendo em Guerguerat se deve à perceção de que a Frente Polisário possui armas sofisticadas e que, portanto, se eclode uma guerra ela será regional no conceito. "
E esta é a análise do Alifpost, publicação marroquina digital em língua árabe, que liga verdades a anacrónicos argumentos

Nota **:
S-300  - Sistema de mísseis terra-ar 300 km, apto a intercetar objetivos aéreos, como helicópteros, aviões de combate, ou de observação, e mísseis. O sistema é transportável em camiões com rodas ou lagartas, funcionando em conjunto com vários camiões equipados com radares e estações de comando.

T90 – Poderoso tanque de combate de fabricação russa. Produzido desde 1992, teve várias alterações posteriores.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sahara "à beira de uma guerra com Marrocos"




MADRID (Sputnik) — O ministro da Defesa saharaui, Abdallahi Lehbib Ballal, assegurou que se está "à beira" de uma guerra com Marrocos.

Según Lehbib "neste momento o exército saharaui está em estado de guerra e as suas unidades militares em situação de combate, preparadas para repelir qualquer agressão marroquina". "A luta armada é uma legítima opção que sempre estará em cima da mesa", referiu o ministro numa entrevista à agência de notícias de Portugal. O dirigente do Sahara assegura que Marrocos está deslocando as suas forças terrestres e aéreas no sul do Sahara Ocidental, algo que segundo o ministro "rompe o cessar-fogo alcançado em 1991".

Segundo Lehbib, "a única via para resolver este conflito é através de um referendo de autodeterminação" tal como a ONU exige desde os anos da guerra.


sábado, 29 de outubro de 2016

Polisario marca presença el La Guëra, extremo sul atlântico do Sahara Ocidental




Segundo relata o jornalista Ignacio Cembrero, durante anos correspondente do El Pais e do El Mundo para a região do Magrebe, "a Frente Polisario efetuou uma incursão militar até ao Atlântico, próximo de La Guëra, segundo meios online que lhe são afins e também segundo outros meios independentes marroquinos que reconhecem ali a presença de combatentes saharauis.

La Güera é uma pequena cidade desabitada no extremo sul do Sahara Ocidental que esteve sob controlo marroquino até finais dos anos oitenta. 

As forças marroquinas evacuaram a região a pedido da Mauritânia, mas continuam a controlar as suas águas territoriais. 

A diplomacia marroquina afirma que não renunciou a La Güera, mas que a cedeu provisoriamente à Mauritânia. Uma presença permanente da Polisario em La Güera ou nos seus arredores pode constituir um "casus belli" para Marrocos.

Ver diário marroquino Le Desk:

O ministro da Defesa afirmou que o exército saharaui está pronto para enfrentar qualquer eventualidade


 Abdal-Lahe Lehbib, Ministro da Defesa Nacional da RASD

(SPS) 26 de Outubro - O membro do Secretariado Nacional da POLISARIO e Ministro da Defesa Nacional, Abdal-Lahe Lehbib, disse terça-feira que as unidades do Exército de Libertação do Povo Saharaui (LPS) estão prontas para enfrentar todas as eventualidades, especialmente à luz das repetidas provocações de Marrocos na área de El Guergarat.

O ministro saharaui disse numa entrevista à imprensa mauritana que o exército passou de um estado de estabilidade e quietude a um estado de alerta permanente em antecipação a qualquer emergência.

À luz desta escalada e provocação de Marrocos, o Estado-Maior do Exército saharaui decidiu em reunião na região de Bir Lahlou , territórios libertados saharauis, colocar o exército em posição combativa número um.

Na última visita do encarregado das operações de manutenção da paz, o ministro saharaui reiterou que “a Frente Polisário, informou o chefe de Operações de Paz da ONU, Herve Ladsous da gravidade da situação.”

O ministro disse que “o Exército de Libertação saharaui está no terreno contribuindo de forma efetiva na luta contra o terrorismo e o crime organizado, como evidenciado pela recente operação realizada nos últimos dias por unidades especiais do exército saharaui que prenderam um grupo criminoso de sete pessoas, incluindo quatro estrangeiros na região norte do Mali “.


O Ministro disse que nesta operação foram apreendidas armas, munições e uma quantidade de 250 kg de drogas de Marrocos o que demonstra a capacidade da República Saharaui na luta contra o terrorismo e o crime organizado

domingo, 18 de setembro de 2016

ONU propõe-se controlar em exclusivo zona no sul do Sahara face à crise




A ONU propôs a Marrocos e à Frente Polisario ocupar-se em exclusivo do controlo de uma zona do sul do Sahara Ocidental a fim de baixar a tensão gerada pelo início das obras de asfaltamento por parte de Rabat de uma estrada, informou sexta-feira um porta-voz do SG da ONU. Mas a tensão não pára de aumentar, e a Polisario enviou tanques de comate

Trata-se, explicou o porta-voz Stephane Dujarric, de uma proposta da missão das Nações Unidas na zona (MINURSO), que inclui “a retirada pelas duas partes de todos os elementos armados”.
 “A Minurso manteria a presença exclusiva na área”, explicou Dujarric, que deixou claro que toda a ação empreendida pela missão será levada a cabo com a aceitação das partes e do Conselho de Segurança.

As Nações Unidas, recordou, procura assegurar que se mantenha a paz na zona e que não haja um regresso às hostilidades.

Esta crise no extremo sul do Sahara Ocidental teve início em meados de agosto, quando o Governo marroquino anunciou uma “operação de limpeza” na zona como o alegado objetivo de combater “o contrabando e o tráfico ilegal de drogas e armas”, uma ação denunciada pela Polisario como uma violação do cessar-fogo e que respondeu com uma mobilização de efetivos.
Além disso, Rabat iniciou pouco depois trabalhos de asfaltamento de uma estrada na zona, entre o seu posto aduaneiro de Guerguerat e a fronteira mauritana, para lá do muro defensivo marroquino e dentro da chamada “zona tapão”, uma área que a organização saharaui considera “territórios libertados”.

A Frente Polisario solicitou às Nações Unidas que tome medidas para parar com essas essas obras e deixou claro que não aceitará essa pretensão por parte de Marrocos.

“Fica claro que Marrocos está tentando de novo impor um facto consumado, ignorando não só as suas obrigações sob o cessar-fogo, como a posição adotada no passado pela ONU em relação a outra tentativa de construção de estrada”, referiu o representante saharaui junto das Nações Unidas, Ahmed Bukhari.

Segundo a Polisario, a ONU estaria a considerar construir e financiar ela própria a finalização da estrad com o objetivo de baixar a tensão entre as duas partes.

A organização não prestou até agora qualquer informação a este respeito, ainda que Dujarric tenha ido mais longe e tenha firmado que “a estrada é um instrumento de paz” e que não vai contra o interesse de uma da partes....

Em finais de agosto, o secretario-geral da ONU, Ban Ki-moon, instou a que se mantivesse o “statu quo” na zona e pediu a Marrocos e à Frente Polisario a retirada de todos os elementos armados.

O Conselho de Segurança também já analizou a crise, mas por agora oficialmente manteve o silêncio.
(Fonte: EFE)

Zona sul do Sahara Ocidental - Foto de A. Zeinedine El Confidencial Saharaui

Exército Saharaui envia carros de combate e uma unidade especial para a região de El Guerguerat.


O exército saharaui enviou há dias tanques de guerra e uma unidade de forças especiais do seu Exército para a região de El Guerguerat a fim de reforçar as suas tropas deslocadas para aí desde o passado dia 28 de agosto, segundo informou uma fonte do ministério da Defesa saharaui.
Segundo fontes conhecedoras das operações terão sido enviados tanques do tipo T-250 de fabricação russa, pertencentes às tropas terrestres do exército dela libertação saharaui (ELPS).
Segundo a mesma fonte, as forças especiais que acompanham os tanques têm a missão de proteger as instalações e os equipamentos militares saharauis nas bases provisórias na região.
Este anúncio tem lugar depois de fontes da ONU terem informado sobre a difícil situação na zona, propondo controlar ela própria a região para evitar o enfrentamento bélico entre a Frente Polisario e Marrocos.
O exército saharaui lançou a 28 de agosto a sua primeira operação em muitos anos contra posições do exército marroquino no sul do Sahara Ocidental depois de Marrocos ter violado o cessar-fogo, deslocando as sus tropas para lá do muro, tendo algumas horas depois da operação terem chegado veículos e blindados da MINURSO.
A ofensiva marroquina, realizada pelas forças reais de Marrocos e da gendarmaria, deixou preocupada a comunidade internacional, que criticaram a ação criticado alegando que “Marrocos tinha violado o cessar-fogo”.
No passado dia 14 de agosto teve lugar uma ofensiva militar marroquina que culminou com a tomada dessa região, considerada chave para o comércio dos saharauis com a Mauritânia. Este território está sob controlo da Missão das Nações Unidas para o Referendo do Sahara Ocidental (MINURSO) desde 1992.
Dezenas de soldados marroquinos, apoiados por carros de combate e veículos militares blindados participaram na operação. Algumas escavadoras foram deslocadas para o local com o objetivo, segundo fontes locais, de construir fortificações para estabelecer uma base.

Bir Lehlu. - 18/9/2016 – Fonte: El Confidencial Saharaui.

terça-feira, 29 de março de 2016

Aumentam receios de confrontação militar


O exército de libertação saharaui prosseguiu hoje com grandes manobras militares junto ao muro na quinta região militar, Bir-Lehlu, num momento de grande tensão na sequência das manobras de chantagem e desautorização de Marrocos em relação ao SG da ONU e ao Conselho de Segurança.



Hoje o governo saharaui reuniu em Bir Lehlu, nas zonas libertadas, enquanto tinham lugar as manobras por parte do exército saharaui. A reunião foi convocada de urgência, após a visita de delegações de alto nível à Argélia e à Mauritânia.



Fontes dos acampamentos e testemunhas, dão conta de movimento de tropas, tanques pesados, artilharia, baterias de mísseis terra-ar, sistemas antiaéreos sofisticados, camiões, tanques tipo BM-B e blindados, tropas especiais e lança-mísseis russos de alta eficiência.


Fonte: Confidencial Saharaui

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Tensão militar no Sahara Ocidental ante a visita do Rei de Marrocos à cidade ocupada de El Aaiún: Exército Saharaui em alerta máximo




O exército Saharaui nos territórios libertados está mobilizado ante a provocatória visita do Rei de Marrocos aos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Segundo fonte do governo da República Saharaui, ante a visita que tem prevista o Rei de Marrocos à cidade saharaui ocupada de El Aaiun, onde pretende celebrar os 40 anos da ocupação do território através da “Marcha verde” e a invasão militar, o Exercito Saharaui recebeu ordem de alerta máximo ao longo do muro militar marroquino que divide o território saharaui.


O presidente da República Saharaui considera a visita uma provocação aos esforços das Nações Unidas e aos Saharauis, declarações feitas esta segunda-feira em carta urgente dirigida ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki Moon. A fonte governamental afirmou que o exército saharaui está mobilizado ao longo do muro da vergonha marroquino desde a Região norte de Zemur até à Região sul de Tiris.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A Guerra Esquecida do Sahara




Se perguntarem ao linguista e filósofo Noam Chomsky, ele dir-lhes-á que a Primavera Árabe não começou na Tunísia, em 2011, mas com os protestos de outubro 2010 no lugar de Gdeim Izik, nos territórios ocupados do Sahara Ocidental. A ex-colónia espanhola é ocupada ilegalmente por Marrocos desde 1975. O seu território está dividido em dois por um longo muro de areia com 2698 km de comprimento, e cercado por cerca de 7 milhões de minas terrestres.

Os Saharauis nativos, liderados por seu movimento independentista, a Frente Polisario, são reconhecidos pelo Tribunal Internacional de Justiça como os legítimos proprietários do território. No entanto, Marrocos, sequestrou o processo de descolonização do Sahara Ocidental por Espanha em 1975, fazendo invadir cerca de 300.000 colonos para o território [e também destacamentos militares]. Isso desencadeou uma guerra de 16 anos entre Marrocos e a Frente Polisario, que obrigou mais de 100 000 Saharauis a fugir para o exílio na fronteira com a Argélia. Tecnicamente, o Sahara Ocidental ainda é espanhol e continua a ser a última colónia de África.

Esquecidos nos campos de refugiados e dependentes da ajuda ou definhando sob a ocupação marroquina, os Saharauis continuam a lutar pela sua independência, numa região cada vez mais volátil. Enquanto isso, a ONU continua sem mandato para monitorizar os direitos humanos no Sahara Ocidental ocupado. VICE News Travels visitou os territórios ocupados e libertados do Sahara Ocidental, bem como os campos de refugiados administrados pela Polisario na Argélia, para saber mais sobre um dos conflitos mais desconhecidos.



Parte 1

Assistimos à comemoração do 38 º aniversário da proclamação da República Árabe Saharaui Democrática. Os Saharauis celebram este aniversário a cada ano, apesar de Marrocos controlar um terço da sua pátria e do desfile militar ocorrer nos campos de refugiados administrados pela Polisario e que se situam em território da Argélia. Na celebração encontramos o ativista Saharaui Sidahmed Talmidi que, em outubro de 2010, ajudou a mobilizar o acampamento de protesto de Gdeim Izik perto de El Aaiún, capital do Sahara Ocidental ocupado. Chomsky refere-se aos milhares de Saharauis que ali se reuniram para protestar contra o status quo social e económico desigual e a negação brutal de seus direitos humanos, como o verdadeiro início da Primavera Árabe.

Ahmed Salem, um veterano de guerra e comandante do 2 º Batalhão da Polisario, mostra-nos os acampamentos ​​de refugiados no deserto árido, onde mais de 100 000 Saharauis que escaparam da ocupação marroquina vivem há quase 40 anos, contando com a ajuda humanitária e esperando a oportunidade de regressar à sua terra natal.




Parte 2

VICE News viaja aos territórios libertados controlados pela Polisario, uma terra praticamente inabitável repleta de minas terrestres resultantes da guerra de 16 anos. No caminho, passamos por um protesto saharaui perto do Muro marroquino - também conhecido como o “muro da vergonha” - que separa a Zona controlado pela Polisario dos territórios ocupados por Marrocos. Assim que chegamos ao coração dos territórios libertados, o Comandante Ahmed Salem da Polisario mostra-nos uma das muitas peças de arte que ele criou e colocou no deserto. Os seus soldados demonstram as suas táticas de guerrilha do deserto.




Parte 3

VICE News descobre como a Polisario enfrenta as ameaças do terrorismo e o tráfico de drogas numa região cada vez mais volátil do Sahara. Constatamos a forma como o movimento melhorou a segurança para evitar outro evento como o de 2011, com o rapto de três cooperantes humanitários estrangeiros dentro de um complexo da Polisario. Falamos com os ministros da Defesa e da Segurança, e acompanhamos uma unidade anti-terrorismo da Polisario numa das suas patrulhas noturnas, passando perigosamente perto das rotas de contrabando do Sahara.




Parte 4

VICE News aprende como é a vida dos Saharauis que vivem sob a ordem marroquina nos territórios ocupados do Sahara Ocidental. Região proibida para jornalistas, conseguimos entrar e conhecer Saharauis cujo ativismo coloca-os em risco de suportar tanto a brutalidade policial como a detenção - sem direito a um julgamento digno desse nome - na infame Prisão Negra de El Aaiún.




Parte 5


O comandante da Polisario Ahmed Salem mostra-nos Tifariti e as suas redondezas, uma localidade nos territórios libertados que afirma ter sido completamente destruída depois do cessar-fogo de 1991. Encontramos vítimas dos 7 milhões de minas terrestres que cercam o muro marroquino antes de Salem nos levar a uma base da ONU nos territórios libertados. A ONU estabeleceu uma missão após o cessar-fogo para promover a paz e organizar um referendo, mas sua incapacidade de fazer qualquer desses objetivos permite as contínuas violações dos direitos humanos nos territórios ocupados.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

As novas batalhas da POLISARIO

  
O ministro saharaui de segurança, Suleyman Amed, mostra parte do haxixe apreendido 
  
O comandante da Frente Polisario Ahmed Salem afirma que o tráfico de haxixe através do Sahara e os jihadistas «são o mesmo» porque «um não poderia viver sem o outro, o jihadismo não poderia viver sem a sua fonte de receitas principal» e «o narcotráfico não poderia manter-se tão forte se não dispusesse da logística que lhe dão os grupos jihadistas». Dois fatores que levam Salem a concluír que a «nossa guerra mudou».

Ahmed Salem é um homem forte que conduz uma viatura Toyota pelo deserto do Sahara controlado pelos saharauis. É comandante da Frente Polisario e chefe do batalhão Mohammed Laroussi, que varre o deserto em busca de qualquer viatura não identificada que possa transportar haxixe ou servir de rampa de lançamento aos jihadistas para atacar os acampamentos de refugiados. «A nossa guerra mudou – diz –, já não é só contra o inimigo marroquino, mas também contra o jihadismo e contra o tráfico de drogas. Ainda que para mim sejam iguais e não distingo se tenho que deter um ou outro». Peço-lhe que me explique isso com maior detalhe, enquanto o carro avança a grande velocidade na noite em direção a um ponto que não me quiseram dizer na base de Bir Lehlu da Polisario, na quinta região dos territórios libertados do Sahara Ocidental.

 «Digo que, para mim, são o mesmo porque hoje em dia um não poderia viver sem o outro. O jihadismo não poderia viver sem a sua fonte de receitas principal, ou pelo menos não teria a mesma força. No mesmo sentido, o narcotráfico não poderia manter-se tão forte se não dispusesse da logística que lhe dão os grupos jihadistas. Um alimenta-se porque o outro existe. Se atacamos um atacamos o outro», explica Ahmed Salem entrecortadamente enquanto se esquiva de pedras, montes de areia e de um ou outro leito de rio seco com a ajuda da luz que só a lua proporciona. Antes de partir, o soldado raso Sidahmed diz-me que os traficantes preferem este tipo de dias de lua cheia. «Assim não têm acender as luzes dos carros e utilizam a luz que lhes proporciona a luz cheia ao dirigirem-se para a Mauritânia». Por isso Ahmed Salem avisa-me: «A patrulha noturna que veremos estará um pouco afastada das rotas de máxima vigilância. Por segurança, não podemos levar ali ninguém que não seja da Polisario».

Patrulha noturna da POLISARIO, de regresso à base de Bir Lehlu


Depois de dois sustos de atasco no leito de um rio seco (Ouad Hambra, rio vermelho, em hassania, idioma local), chegamos a uma enorme rocha. Em cima dela um soldado vigia se vislumbra uma qualquer luz para além daquelas da missão da MINURSO [Missão da ONU para o Referendo nos Sahara Ocidental] que há perto dali. «Vivem assustados dentro do seu búnker. Sabem que para os jihadistas são também um inimigo», explica Dah, chefe do pelotão, grande e largo mas de voz quase infantil. «Os que se supõe que têm que proteger os civis saharauis da barbárie de Marrocos pedem ajuda a uma parte deste conflito, é de rir», acrescenta, e ri apoiando a sua AK-47 no solo. Ahmed Salem ordena que venha. «Taylah!», grita. Um soldado vestido com o uma jaqueta militar dá-nos a mão e apanha uns ramos do solo. «Vamos fazer uma fogueira e tomarmos um chá, aqui não há perigo. O perigo está mais a norte e mais a sul, perto de Aint Ben Tilli mas já na Mauritânia», explica Ahmed Salem. Pergunto-lhe se fazer uma fogueira não implica ser visto pelo inimigo. «Não, porque…» e o rádio que leva à cintura começa a fazer-se ouvir interrompendo a conversa e, portanto, a resposta à minha pergunta. «Estamos rodeados por um rio seco, onde os carros não podem entrar a grande velocidade», prossegue o robusto Dah, «além disso estamos num dos pontos mais vigiados de todo o deserto do Sahara. Temos quase mil homem em pelotões autónomos rondando por aí. O inimigo sabe que estamos sempre aqui porque este é o nosso ponto de encontro. Evita esta zona, os nosso soldados estão dispersos por aí», diz assinalando para a imensidão do deserto. «Perdoa!», diz Ahmed Salem, «é que me preguntaram se o carro que acaba de chegar ao ponto de encontro era o nosso. Um dos nossos soldados viu-nos de longe e tem de assegurar-se quem é».

Soldado saharaui preparando o chá para a patrulha noturna 


Não passarão

«Atravessam o muro minado sempre com a ajuda de altos cargos militares marroquinos que estão a seu soldo. Sabemo-lo porque quando a Polisario deteve traficantes de haxixe todos eles referem coronéis de secção. Estes são quem lhes abrem as portas para poderem cruzar o nosso território. Muitos desses detidos têm processos pendentes na Mauritânia e Argélia por jihadismo. Ainda que desgraçadamente também haja saharauis que traficam. Aqui perto, nas prisões da Polisario em Rabouni, temos os detidos. A situação em que se encontram levaram-nos a percorrer o mau caminho», explica Ahmed Salem. De seguida, começa a desenhar com o dedo indicador no solo arenoso. A luz alaranjada que emana da fogueira que o soldado acendeu junto da enorme rocha dá um tom cálido a esta noite fria. O mapa que desenha parece que ganha vida própria com a entrecortada luz do fogo. «Estamos ao norte dos territórios libertados e mais a sul está a Mauritânia. Os traficantes atravessam por esta zona para infiltrarem-se quanto antes em território mauritano. Daí, e aproveitando o controlo dos jihadistas nesta zona e no norte do Mali, podem ir diretamente para o porto de Nouadibou ou o de Nouakchott, ambos na Mauritânia. Ou então atravessar o norte do Mali em direção à Líbia e daí chegam ao porto de Misrata», explica Ahmed Salem enquanto traça inúmeras flechas no mapa arenoso. «"Se observar, eles só pisam terreno controlado por jihadistas como a Al Qaedda do Magrebe Islâmico, mas recentemente, na Argélia, prenderam também um traficante ligado ao grupo Boko Haram [do norte da Nigéria]», explica-me. O chá está pronto. Muito açucarado, como de costume, e há que sorvê-lo sonoramente para poder salvar os lábios de uma queimadura. «Em breve chegará uma patrulha que nos vem informar das últimas novidades ou se viram algum movimento estranha», refere Dah.

Dois membros de uma patrulha «especial» da POLISARIO treinando-se no campo de refugiados Rabouni

«Tem havido vezes em que tivemos que disparar contra viaturas. O meu batalhão deteve cinco traficantes em 2013 e apreendeu quase 1 700 quilos de haxixe. Marroquinos e mauritanos todos eles. Asseguram que apanham o carregamento na zona de Ketama e atravessam Marrocos de norte a sul aproveitando-se da rede que têm montada na zona. Houve inclusive um detido que referiu que, na zona de Guelmin, um chefe de município estava envolvido na trama», diz Ahmed Salem sublinhando a palavra ‘alcalde’.

Vigilância diurna nos arredores Bir Lhelu

Afastamo-nos da zona à mesma velocidade com que entrámos. Sem luzes e mirando até onde os nossos olhos chegam. «Fazer da minha terra um lugar seguro para a minha gente é a minha prioridade», acrescenta Ahmed Salem enquanto vai esquivando a viatura de montes de areia que surgem aqui e acolá. «Há uma frase de que eu gosto muito e que utilizavam os espanhóis na Guerra Civil – sempre gostei muito de história. A frase é ‘¡No pasarán!’. E eu digo o mesmo aos traficantes e aos jihadistas: ‘Pela minha terra ¡Não passsarão!’».


Fonte e fotos: naiz.eus / Por Andoni Lubaki

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O primeiro combate pela Liberdade: O nascimento de uma lenda, o ELPS (Exército de Libertação Popular Saharaui)


O movimento nacionalista saharaui tem uma origem pacífica, liderado pelo carismático Mohamed Basiri. O seu desaparecimento em circunstâncias até hoje não esclarecidas e a recusa das autoridades coloniais em escutar a voz do povo saharaui motivaram a criação da Frente Popular do Saguia el Hamra e Rio de Ouro (Frenre POLISARIO), a 10 de maio de 1973, liderada pelo mítico El Uali Mustafa Sayed. Pouco dias após a sua constituição, forças da Frente Polisario lançam o seu primeiro ataque armado, a 20 de maio de 1973, contra o posto de Janguet Quesat.
 
Mohamed Basiri, morto pelas
autoridades colonais espanholas


O exemplo das lutas anticoloniais em África, o exemplo da Revolução Argelina, assim como os ensinamentos da revolução de Nasser no Egipto ou do então jovem coronel Ghaddafi na Líbia, eram fontes de inspiração para os jovens nacionalistas saharauis. A via pacífica estava esgotada, o trágico destino de Basiri, a possibilidade certa de cair nas mãos do rei de Marrocos levou os saharauis a optar por uma saída radical como o haviam feito milhares dos seus irmãos africanos: pegar em armas.


Ao contrário de outros movimentos, a Frente Polisario não teve o apoio de uma superpotência, tendo os apoios vindo apenas da solidariedade das revoluções argelina e líbia. Isso permitiu contar com certo apoio político para a luta que se avizinhava. A Frente Polisario é consequência do esforço dos militantes que a integravam. Uma demografia escassa, apoios políticos limitados, recursos escassos eram indícios que o novo movimento nacionalista naufragaria e não passaria de um arremedo de história. Porém, a determinação dos seus homens e de uma sociedade que os apoiará sem quebras permitirá que a Frente sobreviva à “Nakba” — a Catástrofe — que sofreram os saharauis com a assinatura dos sinistros Acordos de Madrid.

1975: manifestações em El Aaiún de apoio à Frente POLISARIO. "o povo 
saharaui não queria fazer parte de Marrocos e a 
ideia de unidade nacional ganhava força..."

Espanha recusa-se a abandonar a sua possessão colonial, fazendo orelhas moucas às resoluções das Nações Unidas e à vontade do povo saharaui. Naqueles dias, a questão do Sahara levou o governo liderado pelo almirante Carrero Blanco a uma crise. As divergências entre os que defendiam a tese integracionista, que o Sahara continuasse a ser uma província espanhola, e aqueles que, liderados pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Castiella, advogavam um referendo e criação um Estado saharaui amigo. Na memória estava, seguramente, a descolonização da Guiné Equatorial, Estado em que a Espanha não conseguiu manter qualquer tipo de influência. Finalmente, em 1969 a tese integracionista prevalece e Castiella é substituído por López Bravo. Este erro político, será explorado por Marrocos que mantém uma pressão constante no plano diplomático. A isso junta-se a evacuação por parte de Espanha de Sidi Ifni, de grande valor estratégico para a defesa das Ilhas Canárias.


A pressão marroquina é dirigida em duas direções: o Sahara Ocidental e as cidades de Ceuta e Melilla. A este panorama junta-se um novo ator nesta tragédia: a Mauritânia que também reivindica o Sahara Ocidental. A diplomacia marroquina deixará de lado a oposição que Marrocos tinha, desde de 1960, à existência da Mauritânia, que reclamava como seu próprio território, para se tornar num aliado do regime de Ould Daddah na reivindicação sobre o Sahara. O futuro dos saharauis é agora incerto. No obstante isso, os saharauis através de meios pacíficos, fazem saber às autoridades espanholas qual a sua vontade. Em 1970 deram-se protestos da população saharaui em El Aaiún contra as pretensões do rei Hassan II de Marrocos sobre o então Sahara espanhol.

Estes protestos deixam claras duas coisas: que o povo saharaui não queria fazer parte de Marrocos e que a ideia de unidade nacional ganhava força. As velhas divisões tribais ficavam de lado. Curiosamente, apesar dos esforços do poder colonial em manter estas divisões através de um sistema de representação na Djemaa (assembleia de notáveis), as mudanças sociais decorrentes da urbanização e do desenvolvimento económico tiveram um profundo impacto sobre o povo saharaui.

Os acontecimentos do bairro de Jatarrambla, que culminaram com o desaparecimento de Basiri, no auge de uma dura repressão das autoridades espanholas contra o movimento nacionalista nascente, terá consequências no plano político. As tentativas para ter algum tipo de diálogo com o poder colonial apresentam-se infrutíferas. A opção é seguir o caminho da maior parte dos movimentos anticoloniais: a luta armada.

As autoridades coloniais espanholas não tiveram tato político para dialogar com o movimento nacionalista de Basiri, que denunciava a corrupção dos “chuij” (líderes tribais) e exigia maior autonomia do Sahara, assim como censurava a incapacidade espanhola para defender os territórios saharaui, especialmente com cedência de Cabo Juby a Marrocos, território saharaui desde os tempos imemoriais sobre o qual Rabat nunca tivera direitos.         

Circunstâncias graves levam os nacionalistas saharauis a criar a Frente Polisario e a formar a vanguarda do movimento de independentista. A primeira ação armada tem lugar contra o posto policial de Janguet Quesat, localizado a cinco quilómetros da fronteira com o Marrocos. Este posto era responsável por controlo dos grupos nómadas que cruzavam o território saharaui. O ataque foi liderado por Brahim Ghali, então primeiro secretário-geral da Frente Polisário [atual embaixador da RASD na capital argelina]. A ação realizou-se sem derramamento de sangue, não houve vítimas. O saque limitou-se a algumas armas, munição, víveres e camelos.
                    
Esse primeiro confronto armado de pequena intensidade foi, no entanto, o primeiro feito com  armas, e constituiu o rastilho do que seria, mais tarde, o Exército de Libertação Popular Saharaui. Esta força, que chegou a aplicar o conceito de "povo em armas" com recursos humanos limitados, teve que fazer face à agressão de dois exércitos, que contavam com o apoio financeiro e logístico das potências ocidentais. De facto, as forças saharaui tiveram que enfrentar inimigos dez vezes superiores em número de efetivos.

No dia 20 de maio de 2014, cumpriram-se 41 anos da primeira ação armada no contexto da luta de libertação do povo saharaui. Luta que não terminou ainda por cumplicidade das grandes potências, que desviam o olhar face à ilegal ocupação marroquina. Esperemos que a História registe algum dia o feito militar daquele distante 20 maio de 1973, como a data em que se forjou aquilo que constitui uma extraordinário força militar, o ELPS que, contra todas as probabilidades, travou uma guerra contra dois inimigos poderosos, levando a cabo verdadeiras proezas, transformando a sua força numa verdadeira lenda.
01/06/2014

Autor: Jorge Alejandro Suárez Saponaro, Advogado – Mestre em Defesa Nacional e professor catedrático convidado de Estudos do Sahara Ocidental.

sábado, 18 de janeiro de 2014

A guerra contra o invasor marroquino



Fonte: El Sáhara de los Olvidados / Livro “Del Sáhara Español a la República Saharaui” // Por Emiliano Gómez


Fase da “Defesa Positiva”

A defesa positiva foi uma estratégia delineada pela Frente POLISARIO para atrasar o mais possível o avanço da invasão e assim permitir que a população civil pudesse pôr-se a salvo da repressão e do extermínio físico. Por essa razão as operações militares foram de caráter defensivo e tiveram um raio de ação limitado. Não obstante, a dureza dos confrontos pautou desde um primeiro momento o desenvolvimento ulterior da guerra.

As forças marroquinas tiveram que se haver com um inimigo tenaz e extremamente movediço, que atacava no lugar e no momento menos previsível, e se esfumava na paisagem com a mesma rapidez que tinha aparecido. O Exército Popular Saharaui desenvolveu um enorme esforço até que conseguiu completar a evacuação dos refugiados para a zona de Tindouf (Argélia) nos últimos dias de março de 1976.


Ofensiva de Verão

Com a proclamação da República Saharaui (27 de fevereiro de 1976), e depois de colocar ao abrigo do perigo dezenas de milhares de refugiados civis, a Frente POLISARIO deu por finalizada a denominada fase “Defesa Positiva”. A partir de então voltou-se a inverter o sinal dos confrontos, imprimindo um caráter ofensivo às ações do Exército Popular.

A Ofensiva de Verão prolongou-se até finais de agosto. Durante o seu curso, o Exército Popular conseguiu tomar a iniciativa no terreno e apoderar-se do armamento necessário para desenvolver ações de maior envergadura. Mostrou também que poderia atingir no mais profundo da retaguarda do inimigo, sem que a distância constituísse um obstáculo intransponível.



Quarto Congresso da Frente POLISARIO. Ofensiva “Houari Boumédiène”

Em setembro de 1978 teve lugar o 4º Congresso da Frente POLISARIO sob o lema: ”A luta continua para impor a independência nacional e a paz”. Este Congresso ordenou ao Exército Popular o desencadeamento da ofensiva “Houari Boumédiène” assim denominada em homenagem ao presidente argelino recentemente falecido.

A vasta operação bélica haveria de prolongar-se até meados de 1981 e as suas ações mais importantes seriam levadas a cabo na região do Saguia El Hamra (centro e norte do Sahara Ocidental) e, sobretudo, na região sul do território marroquino. O objetivo central da ofensiva era destruir as bases de apoio logístico das FAR (Forças Armadas Reais), desorganizar a sua retaguarda e isolar as tropas destacadas no Sahara.

Um balanço da F. POLISARIO indicava que, entre novembro de 1978 e finais de outubro de 1979, e o exército marroquino teria sofrido 20.140 baixas entre mortos e feridos, além de 739 efetivos capturados. Também havia perdido 1.650 veículos de todo tipo, assim como sete helicópteros e seis aviões.

A ofensiva saharaui prosseguiu com intensidade durante o ano de 1980. A 1 de março desse ano, um exército marroquino composta por 8000 efetivos internou-se na região montanhosa de Ouarkziz (sul de Marrocos), com o objetivo de desalojar a zona de forças saharauis. A batalha prolongou-se até 11 de março e teve um final desastroso para as FAR: 2.000 baixas, 108 prisioneiros e 41 carros blindados e 181 veículos destruídos.



Um despacho da Agência France Presse, descrevia o aspeto que apresentava o cenário dos combates uma vez finalizados:

“No dia seguinte à batalha que se desenrolou entre os dias 1 e 11 de março e em que os agrupamentos móveis marroquinos OUHOUD e ZELLAGA foram deslocados, um pequeno grupo de jornalistas da imprensa internacional, pôde visitar durante 48 horas uma parte do campo de batalha que se estende numa frente de 120 quilómetros. Os cadáveres dos militares marroquinos jaziam às dezenas nos diversos lugares dos enfrentamentos, com guarnições e tropas dos blindados e dos transportes de tropa carbonizados no seu interior, testemunhando a violência dos combates ".

A última ação de grande envergadura, e talvez a mais impactante da ofensiva “Houari Boumédiène” foi o ataque a Guelta Zemmur e o virtual aniquilamento da sua guarnição. Com efeito, a 13 de outubro de 1981 o IV Regimento das FAR foi aniquilado e o seu comandante pôs-se em fuga abandonando até a sua documentação pessoal.

Os combatentes do ELPS (Exército de Libertação Popular Saharaui) atravessaram os campos minados e as barreiras de arame farpado e tomaram de assalto o dispositivo do regimento. Nessa ação capturaram 230 prisioneiros, destruíram 4 aviões e apoderaram-se de uma enorme reserva de provisões e armamento.

A ofensiva “Houari Boumédiène” obrigou o alto comando marroquino a rever a sua estratégia no Sahara Ocidental. Em finais de 1980, o ELPS controlava mais das três quartas partes do solo pátrio e tinha mergulhado na aflição todo o sistema militar do sul de Marrocos.




Estratégia dos muros e participação norte-americana

Tendo em vista os péssimos resultados militares, o governo marroquino decidiu erigir um sistema defensivo para proteger a zona económica mais importante do Sahara, isto é, o denominado “triângulo útil” cujos vértices eram El Aaiún, Smara e Bu-Craa.

A nova estratégia marroquina baseava-se na criação de uma área, teoricamente inexpugnável, que pudesse ser alargada gradualmente até abarcar a totalidade do território saharaui. Deste modo poder-se-ia conseguir: 1º – Proteger o “triângulo útil” e isolar o sul de Marrocos mediante um muro fortificado que fosse intransitável para o exército saharaui. 2º – Reduzir sucessivamente a área controlada pela Frente POLISARIO para impedir a mobilidade das suas unidades de combate.

Entre agosto de 1980 e os primeiros meses de 1982 foi construído o primeiro muro em torno do “triângulo útil”. Quase de imediato, foram levantados o segundo e o terceiro para ampliar a proteção do mencionado “triângulo”. Posteriormente, em maio de 1984, Marrocos começou a erigir o quarto muro, e um ano depois o quinto. Em 1987, com o sexto muro, as obras defensivas totalizavam 2500 quilómetros e estendiam-se desde a região de Ouarkziz no sul marroquino, até à fronteira meridional do Sahara.




Os muros em questão são barreiras de pedra e areia, com uma altura média de três metros. À frente deles, a uma centena de metros de distância, estende-se uma faixa de campo minado, e entre este e os muros existem defesas de arame farpado. O complexo defensivo dispõe de um sistema de radares capaz de detetar o movimento de uma pessoa a vários quilómetros de distância.

A guarnição destes muros é composta por unidades com diferente potencial de fogo de acordo com o comprimento do troço de defender.

Cada dez quilómetros há um “ponto de apoio” com 150 homens armados com metralhadoras ligeiras e metralhadoras pesadas, armas antitanque e morteiros de 80 a 120 mm. Entre dois “pontos de apoio” há uma “sonnette” (alarme) integrada por 46 homens. Entre todas estas posições há um patrulhamento contínuo durante as vinte e quatro horas.

Dez quilómetros atrás do muro há um segundo dispositivo defensivo integrado por unidades de tanques, artilharia e destacamentos blindados, cuja missão é ajudar imediatamente qualquer ponto atacado, e fechar a ruptura da primeira linha. O sistema de defesa terrestre é reforçado com apoio aéreo de helicópteros e aviões de combate.


Segundo a Frente POLISARIO, o desenho da estratégia marroquina foi possível graças à assessoria técnica e ao apoio político e económico brindado pelos Estados Unidos. A colaboração militar entre os EUA e Marrocos intensificou-se depois de Hassan II ter atuado como mediador na aproximação entre Israel e alguns países árabes, aproximação que culminou com a assinatura dos acordos de Camp Davis em 1978.

Já em princípios de 1979, o Departamento de Estado autorizou a venda de vários helicópteros ao governo marroquino. Pouco depois concedeu-lhe ajuda militar num montante multimilionário. Uma boa parte desses fundos foi destinada à construção e equipamento dos muros defensivos. Graças a isso, o trono alauita conseguiu afastar o espetro de uma eminente derrota.