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domingo, 14 de julho de 2019

Ser jornalista no Sahara Ocidental, um trabalho de extremo risco



Fonte: Euronews / Por Yaiza Martín-Fradejas (@YaizaMartinFr) - Nazha El Khalidi, reporter saharaui do portal independentista Equipe Media, denuncia o acosso judicial por parte das autoridades marroquinas. No passado 4 de dezembro foi detida enquanto filmava uma manifestação em El Aaiún por não ter carteira de jornalísta. Ora se os membros de Equipe Media não cumprem este requisito é porque não reconhecem a soberania da ocupação marroquina no território.

A 18 de março passado teve lugar a primeira audiência do julgamento, onde El Khalidi foi acusada de “reclamar ou usurpar um título associado a uma profissão regulada pela lei sem cumprir as condições necessárias para o seu desempenho”. Este delito tem um enquadramento penal entre 3 meses a dois anos de prisão e uma multa de entre 12 e 500 euros.

No dia 8 de julho a jornalistas foi condenada a pagar uma multa de 400 euros. No entanto, em declarações exclusivas à Euronews reconheceu que sabe que a situação voltará a repetir-se.

“Esta sentença significa que o Governo marroquino vai voltar a atacar-me cada vez que procure documentar as violências policiais contra os saharauis ou procure simplesmente exercer o jornalismo” refere a jornalista.

Nazha El Khalidi explicou que foi detida pelo trabalho jornalístico que exerce na Equipe Media, que mostra as violações dos DireitosHumanos no Sahara Ocidental.

Um julgamento opaco, sem observadores internacionais
Uma das peculiaridades deste processo judicial foi a falta de transparência. Três advogados espanhóis, (Inés Miranda Navarro, Miguel Ángel Jerez Juan e José María Costa Serra), pertencentes ao Conselho Geral de Advocacia do Estado, tentaram entrar no Sahara ocupado no dia 23 de junho para assistir ao julgamento contra Khatari El-Khalidi. Contudo, as autoridades marroquinas impediram o seu acesso ao território. Na verdade, eles nem sequer foram autorizados a sair do avião, vindos da Gran Canaria.

Inés Miranda, defensora da causa saharaui, afirmou que esta foi a primeira vez que Marrocos lhe negou a sua presença num tribunal.

Outros dois juristas, representantes da Associação de Advogados Americanos, também foram expulsos no aeroporto de Casablanca sem qualquer explicação. O objetivo dos cinco observadores internacionais era garantir que o julgamento se desenrolasse com todas as garantias.

Por seu lado, o Observatório para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos (OPDD) descreveu como assédio judicial o tratamento recebido pelo jornalista e condenou veementemente este julgamento, cujo objetivo seria reprimir qualquer atividade em favor dos direitos humanos, de acordo com este organismo. O OPDD também instou as autoridades marroquinas a garantir o direito de levar a cabo atividades pacíficas e legítimas e exigiu o fim de todas as formas de assédio contra os defensores dos direitos humanos no Sahara Ocidental.

Jornalismo sob repressão no Sahara ocupado
Nazha El Khalidi, jornalista do portal independente Equipe Media, foi detida pela polícia marroquina a 4 de dezembro, quando estava filmando e transmitindo ao vivo via Facebook uma manifestação em ElAaiún em protesto contra a ocupação de Marrocos e a reivindicação da independência do Sahara. Ocidental Depois de ser presa, ela foi levada para uma delegacia onde ficou detida durante quatro horas. A polícia interrogou-a durante esse tempo e confiscou-lhe o telemóvel sem autorização.

No julgamento, El Khalidi disse ao juiz que foi vítima de "vingança" pelas suas atividades como jornalista de um meio de comunicação (EquipeMedia) “confiável e independente”.

"Quero denunciar o bloqueio mediático que o Marrocos está impondo ao território do Sahara Ocidental. Apelamos também a nível internacional para pressionar o governo marroquino e abrir o território a observadores internacionais e agências noticiosas para que a violação dos direitos humanos do povo saharaui possa ser documentada ", disse El Khalidi à Euronews.

Este caso mostra as limitações do trabalho jornalístico no Sahara Ocidental. El Khalidi é uma das saharauis que exercem o jornalismo no Sahara ocupado em condições de assédio, violência e repressão, muitas vezes sujeitos a extorsão e detenção. A 11 de junho, a organização Repórteres Sem Fronteiras publicou o primeirorelatório sobre a liberdade de imprensa no Sahara Ocidental, que revela como esse território se tornou um "buraco negro" de informação e um perigo extremo para os jornalistas.


segunda-feira, 17 de junho de 2019

Ahmed Ettanji: Marrocos teme um referendo no Sahara




Por Jesús Cabaleiro Larrán -17/06/2019 - Ahmed Ettanji, de 31, anos, é jornalista saharaui e membro da equipa fundadora da “Equipe Media”, criado dez anos. Nascido em El Aaiún sofreu as represálias das autoridades marroquinas pelo trabalho que leva a cabo de informar, dando testemunho do que sucedendo no Sahara.
Em abril passado, juntamente com o seu companheiro Mohamed Mayara, recebeu em Córdoba, o XII Prémio Internacional de Jornalismo Julio Anguita Parrado. Na altura dedicaram o prémio aos seus companheiros que “enfrentam as perseguições, os espancamentos e a prisão por parte das autoridades marroquinas”.

Na apresentação do relatório de Repórteres sem Fronteiras em Madrid, no passado dia 11 de junho (2109) referiu que no Sahara há um muro físico que divide o território mas também um muro mediático.
Na sua intervenção recordou os observadores internacionais expulsos desde o início do ano no Sahara porque Marrocos “não quer testemunhas”, sublinhando que o trabalho profissional que é feita pela Equipe Media tem por objetivo “romper o bloqueio informativo e documentar as violações dos direitos humanos por parte do ocupante marroquino”, acrescentando que o seu trabalho se rege pelo Direito Internacional humanitário.


Qual a a atual situação informativa no Sahara?

Ahmed Ettanji: A situação atual é muito difícil porque a repressão marroquina aumentou muitíssimo como também aumentam as denúncias internacionais sobre a situação, tenho previsto, por exemplo ir ao Conselho dos Direitos Humanos em Genebra onde irei apresentar o relatório de Repórteres sem Fronteiras.


Como avalia o relatório elaborado pela secção espanhola de Reporteres sem Fronteiras apresentado em Madrid?
AE: Este relatório é uma peça muito importante para romper o bloqueio informativo, para iniciar a construção de uma base de dados por parte de Repórteres sem Fronteiras e informar sobre a situação que se vive no território que há muito tempo está silenciada por várias organizações internacionais.


Como encara o julgamento no próximo dia 24 da sua companheira na Equipe Media, Nazha El Khalidi, acusada de “usurpar” a profissão de jornalista?
AE: É uma acusação extremamente ridícula, acusam-na por filmar uma manifestação sem possuir um título profissional, mas o que acontece é que os jornalistas com título ou sem título não podem filmar manifestações. Os jornalistas saharauis não reconhecem a ocupação marroquina, a lei marroquina criminaliza os jornalistas saharauis... Estamos a falar de algo que Marrocos não quer que se saiba, a situação existente no Sahara Ocidental.


Em que situação se encontra a língua espanhola no território do Sahara? O Instituto Cervantes anunciou que abriria uma antena em El Aaiún e uma outra nos acampamentos de Tinduf para compensar.
AE: A situação da língua espanhola está muito mal, há um declínio do castelhano no Sahara devido a vários fatores, a ocupação marroquina eliminou tudo o que esteja relacionado com a colonização espanhola, fechou as escolas espanholas e hoje em dia é obrigatório estudar o Francês no Sahara . Outro fator é a Espanha, que não tem velado por promover o espanhol no Sahara. Uma sala de aula seria muito útil, mas nem a Espanha nem o Instituto Cervantes têm vontade de o fazer.


Há que recordar também a situação dos estudantes saharauis nas universidades marroquinas que no território do Sahara não existe universidade. Alguns foram assassinados ou perseguidos ou presos.
Os estudantes saharauis sofrem muitas violações dos direitos humanos, nas universidades marroquinas sofrem a marginalização, são perseguidos, detidos, vigiados e discriminados por parte dos professores e da direção das universidades.


Não podemos esquecer porém os saharauis que estão ao serviço de Marrocos e que vivem no território à sua sombra, alguns desde o início do conflito.
AE: Em qualquer causa e conflito há sempre vendidos, são comprados por Marrocos mas não têm influência no Sahara Ocidental. Nós, como saharauis, exigimos sempre o referendo, que os saharauis votem se quiserem autonomia ou independência, mas o Marrocos teme uma tal consulta. Nós reivindicamos a democracia, seja qual for o resultado, mas através da vontade expressa nas urnas através de um referendo.

terça-feira, 11 de junho de 2019

“Repórteres Sem Fronteiras” denuncia a implacável perseguição marroquina aos jornalistas saharauis



  • RSF exige que Marrocos permita que a imprensa internacional entre no Sahara Ocidental
  • Insta o Governo marroquino a garantir processos judiciais justos para os jornalistas saharauis e o respeito pela sua integridade física e psicológica;
  • Exercer o jornalismo na ex-colónia espanhola é um "ato de heroísmo" e os seus protagonistas pagam com detenções arbitrárias, perseguição às suas famílias, tortura, sentenças injustas e prisão
  • Repórteres SF pede a Espanha e França para quebrarem o seu habitual "silêncio de cumplicidade" com Marrocos

Fonte e foto: Contramutis/Por Alfonso Lafarga - Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou hoje a perseguição sofrida por jornalistas saharauis por parte de Marrocos, que manipula com "mão de ferro" a informação no Sahara Ocidental, pune "implacavelmente" o exercício do jornalismo local e bloqueia o acesso dos media estrangeiros.
RSF exige que Marrocos permita que a imprensa internacional entre no Sahara Ocidental, com liberdade de movimento através do território, e ponha fim à expulsão de jornalistas, ao mesmo tempo que exorta o governo marroquino a garantir processos judiciais justos para o Jornalistas saharauis presos, e o atendimento das exigências da ONU em relação à sua libertação.
RSF, que promove e defende a liberdade de informar e ser informado no mundo, pede a Marrocos que cumpra a Convenção contra a Tortura das Nações Unidas e respeite a integridade física e psicológica dos jornalistas saharauis, pedindo simultaneamente respeito pelos direitos fundamentais no Sahara Ocidental", incluindo a liberdade de expressão e informação, que garanta não só o direito dos jornalistas saharauis a exercer o jornalismo livre, mas o direito dos cidadãos saharauis a receberem informações plurais e verdadeiras" .



Estas denúncias e exigências constam do primeiro relatório mundial sobre a situação da liberdade de imprensa no Sahara Ocidental, "um dos lugares mais áridos do mundo para informação e jornalismo", realizado pela seção espanhola de RSF e de que é autora Edith R. Cachera, relatora e correspondente da RSF em Espanha. Apresentado hoje, 11 de junho de 2019, na Associação de Imprensa de Madrid (APM), o evento contou com a participação da presidente dos jornalistas de Madrid, Victoria Prego; do presidente da RSF Espanha, Alfonso Armada; do presidente da Federação das Associações de Jornalistas da Espanha (FAPE), Nemesio Rodríguez, e do jornalista saharaui Ahmed Ettanji, fundador e presidente do coletivo Equipe Média.
O relatório analisa em detalhe a perseguição sofrida pelos jornalistas saharauis por parte de Marrocos, que ocupa o 135º lugar entre os 180 países e territórios analisados pela RSF World Press Freedom Classification: "Esta posição terrível, que coloca o reino alauíta entre os países mais inquisitórios para o jornalismo, deve-se em parte à mão de ferro que se aplica aos jornalistas de territórios "incómodos", como o Rif - cujos protestos foram esmagados há dois anos, com graves consequências para os repórteres locais que cobriam os acontecimentos - e o Sahara Ocidental ".

O silêncio cúmplice de Espanha e França
A RSF também interpela a União Europeia, "e especialmente os governos da Espanha e da França", para que "quebrem o seu habitual silêncio cúmplice com o Marrocos e condenem a repressão dos jornalistas saharauis".
O relatório, que faz uma visita à história da última colónia africana, abandonada pela Espanha e ocupada há mais de 43 anos por Marrocos, expõe os nomes e as circunstâncias dos jornalistas saharauis condenados à prisão, bem como a mordaça que foi imposta aos reporteres locais e aos estrangeiros. Cinco jornalistas saharauis cumprem penas elevadas nas prisões marroquinas, um deles preso por toda a vida; outro foi libertado a 7 de maio depois de quatro anos de prisão.
A RSF ouviu a opinião de vários jornalistas, espanhóis e de origem saharaui, que denunciam o silêncio da imprensa em Espanha, dando o exemplo de Portugal que, com uma imprensa muito mais modesta, demonstrou mais sensibilidade em relação a ex-colónias como Timor-Leste do que a evidenciada pela imprensa espanhola com o Sahara, que é quase nula.
Há também uma crítica à Frente Polisario, o movimento de libertação saharaui, de que se diz "baseado em slogans de propaganda que mudaram muito pouco desde a estética dos anos 70", com uma linguagem nada atraente para alguns meios de comunicação e algumas redes sociais que exigem histórias que vão para além do mero slogan político.
Os jornalistas consultados reclamam a falta de um departamento de comunicação activo na Delegação Saharaui para a Espanha e de uma estratégia de comunicação por parte das autoridades saharauis e do movimento de solidariedade com o Sahara.

Jornalistas na clandestinidade
A RSF afirma que, apesar da severa repressão de Marrocos e do silêncio dos media internacionais, "uma nova geração de repórteres saharauis corre riscos extraordinários para manter viva a chama do jornalismo e impedir que o Sahara Ocidental seja enterrado pelas areias do esquecimento": Eles desafiam o férreo controle marroquino e organizam-se na clandestinidade para dizer o que o governo de Rabat não quer que seja conhecido.
Fazem-no grupos de jornalistas como a Equipe Média ou a Smara News, que filmam nos telhados e, com uma organização meticulosa, divulgam seu trabalho na Internet em espanhol, francês, inglês e árabe.
Exercer jornalismo no Sahara Ocidental é "um ato de heroísmo", cujos protagonistas pagam com detenções arbitrárias, assédio de suas famílias, difamação, tortura, prisão e "sentenças tão pesadas quanto injustas", segundo Repórteres Sem Fronteiras, que conta que os jornalistas saharauís são acusados de alegados crimes cada vez mais "criativos" – caso da acusação contra a jornalista Nazha El Khalidi de exercer a profissão sem um título oficial - para "torpedear qualquer indício de continuidade no exercício da sua profissão" e manietá-los "com parciais e pesados processos judiciais contra eles.
Neste contexto, os jornalistas saharauis conseguiram o reconhecimento de numerosas organizações e meios internacionais, que já os utilizam como principal fonte de informação para o Sahara Ocidental.

Leia o relatório aqui: https://bit.ly/2Wzwwzf



quinta-feira, 6 de junho de 2019

Repórteres Sem Fronteiras apresenta o relatório ‘Sahara Ocidental, um deserto para o jornalismo’





A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) apresenta na próxima terça-feira, 11 de junho de 2019, na Asociación de la Prensa de Madrid (APM), o primeiro relatório mundial sobre a situação da liberdade de imprensa no Sahara Ocidental, um dos lugares mais áridos do mundo para a informação e o jornalismo.

Intitulado ‘Sáhara Occidental, un desierto para el periodismo’, o documento de investigação foi elaborado por iniciativa da Secção Espanhola de Repórteres Sem Fronteiras. O acto de apresentação contará com a presença da presidente da Associação de Imprensa de Madrid, Victoria Prego, do presidente de RSF Espanha, Alfonso Armada, do presidente da FAPE (Federación de Asociaciones de Periodistas de España), Nemesio Rodríguez, da autora do relatório e correspondente de RSF em Espanha, Edith R. Cachera, e do jornalista saharaui e fundador do coletivo ‘Equipe Média’, Ahmed Ettanji.

Através de numerosas entrevistas e testemunhos, o relatório "Sahara Ocidental, um deserto para o jornalismo" faz uma revisão exaustiva da história do abandono e do silêncio nos meios de comunicação internacionais, e especialmente nos espanhóis; revela os nomes e as circunstâncias dos jornalistas saharauis condenados a longas penas de prisão e denuncia a mordaça imposta aos informadores locais e estrangeiros, expulsos quase sistematicamente do território.

O relatório de Repórteres Sem Fronteiras dá conta também do novo jornalismo saharauí que, apesar da censura, da repressão e da prisão, consegue quebrar o silêncio para se tornar uma fonte de informação para os media e organizações internacionais.

O documento completo será publicado no dia 11 de junho no sítio web de RSF pelas 12 horas (pm), 11 horas em Portugal.


domingo, 19 de maio de 2019

Marrocos não quer testemunhas e expulsa cinco advogados espanhóis e dois observadores noruegueses de El Aaiún



Domingo, 19 de maio de 2019 por porunsaharalibre - Alfonso Lafarga (Contramutis)- Marrocos impediu cinco advogados espanhóis e dois observadores noruegueses de entrar em El Aaiun, capital ocupada do Sahara Ocidental, onde tinham viajado para assistir ao julgamento da jornalista saharaui Nazha O Kalhidi, acusada ​​de excercer a profissão sem qualificações formais.

É proibido entrar em El Aaiún”, foi a única explicação recebida pelos advogados Sidi Telebbuia, de Madrid; Ramon Campos Garcia e Maria Lourdes Baron Jaques de Zaragoza e Lala Travieso Darias e Ruth Sebastian, de Las Palmas, todos credenciados pelo Conselho Geral Espanhol de Advogados e Observadores noruegueses da Fundação Rafto para os Direitos humanos, Vegard Fosso Smievoll e Kjersti Brevik Moeller.
À chegada ao controle de passaporte do aeroporto de El Aaiun, cerca das 12h, hora local, um grupo de policias à paisana e uniformizados exigiram os passaportes aos advogados espanhóis e observadores noruegueses e duas horas mais tarde foram informados de que não eram autorizados a entrar no Sahara Ocidental, a ex-colónia espanhola que Marrocos invadiu há mais de 43 anos.
Sidi Talebbuia, presidente da Associação Profissional dos Advogados Saharauis em Espanha (APRASE), disse ao Contramutis que cumpriram, como em outras ocasiões, todos os procedimentos necessários. A sua viagem foi comunicada pelo Conselho Geral de Direito Espanhol, por escrito, ao Ministério de Relações Exteriores da Espanha, que assessora a Embaixada da Espanha em Rabat e as autoridades marroquinas.
Um comandante da polícia, que em nenhum momento foi identificado, acompanhado por uma dúzia de policias uniformizados e à paisana deu ao grupo de observadores, como única explicação, que: “É proibido entrar em El Aaiun”.
O presidente da APRASE disse que eles não querem que se assista ao julgamento de Nazha o Kalhidi, do grupo Saharaui notícias Equipe Media e correspondente da RASD TV, que pode ser condenada até dois anos de prisão por exercer o jornalismo sem qualificações formais.
É a primeira vez que fazem uma acusação como esta, a de o reí não possuir título oficial de jornalista, as acusações contra ativistas saharauís sempre foram para outros crimes”, disse Talebbuia. Nazha Kalhidi, que “há muitos anos faz trabalho de qualidade de jornalismo “, conforme o comprova o recente prémio internacional de jornalismo Julio Anguita Parrado concedido à Equipe Media.
Pretende-se silenciar as violações dos direitos humanos, para que não haja testemunhas e impedir a liberdade de expressão”, declarou o presidente da APRASE desde o aeroporto de El Aaiún antes de ser enviado para Casablanca.
Além disso, Talebbuia acredita que eles não querem que eles testemunhem as manifestações organizadas no dia 20 de maio em El Aaiún, por ocasião do 46º aniversário da primeira ação armada da Frente Polisario.
Nazha foi detida a 4 de dezembro de 2018 em El Aaiún, enquanto transmitia uma manifestação saharaui por ocasião da ronda de negociações em Genebra entre a Frente Polisário e Marrocos. Foi detida, espancada e o seu telemóvel confiscado. Na esquadra de polícia foi interrogada durante quatro horas. Anteriormente, a 21 de agosto de 2016, já tinha sido presa enquanto cobria uma manifestação de mulheres.
A ong norte-americana Human Rights Watch (HRW) afirmou que acusação à jornalista saharaui de ter infrigido o artigo 381 do código penal marroquino, com base no crime de usurpação de funções sem título oficial, é incompatível com a obrigação de Marrocos a respeitar o direito de procurar, receber e divulgar informações e ideias, garantidas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Fonte: Contramutis

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Jornalista saharaui vai a julgamento e recebe apoio da Human Rights Watch





Periodistas em español.com - Por Jesús Cabaleiro Larrán -16/05/2019 – A jornalista saharaui Nazha El Khalidi será julgada segunda-feira 20 de maio de 2019 em El Aaiún por filmar uma manifestação. Enfrenta uma pena de dois anos de prisão e uma multa de 120 dirhams (11 euros) a 5000 dirhams (460 euros) acusada de “usurpação de profissão” por não possuir título oficial.

O julgamento, inicialmente previsto para março foi sendo adiado. É a primeira vez que os tribunais marroquinos utilizam este tipo de acusação contra uma jornalista saharaui. Na realidade trata-se de um mero artifício contra os jornalistas saharauis (nota: os títulos oficiais de se poder exercer jornalismo no Sahara ocupado são passados pelas próprias autoridades marroquinas).
A Organização Não-Governamental Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje, 16 de maio de 2019, a aplicação do artigo 381 do código penal marroquino que alude a essa alegada usurpação de funções de de profissão.
Para a ONG, a invocação deste artigo “é incompatível com a obrigação de Marrocos de respeitar o direito a procurar, receber e difundir informação e ideias, garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos”.
A ONG recorda que a dois jornalistas-cidadãos e militantes da luta do Rif, Mohamed El Asrihi, – que recentemente protagonizou uma greve de fome – e Fouad Assaidi foi-lhes aplicado o mesmo artigo e estes acabaram por ser condenados a cinco e três anos de prisão, respectivamente.
El Khalidi, de 27 anos, é membro do coletivo Equipe Media e correspondente da RASD TV, tendo coberto a 4 de dezembro de 2018 uma manifestação convocada em vésperas do reatamento de negociações entre a Frente Polisario e Marrocos em Genebra para solucionar o conflito no Sahara Ocidental.
Segundo a saharaui, "as pessoas saíram à rua para mostrar o seu apoio à resolução do conflito. Eu estava filmando na Avenida Smara; não estive ali nem quatro minutos quando eles me prenderam, me espancaram e me levaram à força para um carro da polícia. Estive horas na delegacia de polícia, sofrendo maus tratos e sob interrogatório ".
Na delegacia, Nazha El Khalidi foi interrogada e maltratada durante quatro horas sem que a informação das acusações que sobre ela pendiam. O telemóvel foi-lhe confiscado e não viria a ser devolvido. Nesse mesmo dia foi libertada
El Khalidi também foi presa a 21 de agosto de 2016 quando cobria uma manifestação de mulheres. A polícia marroquina confiscou-lhe a máquina de filmar. Passou uma noite no quartel da gendarmaria, onde sofreu espancamentos nos braços e nas pernas e numerosos vexames. Saiu em liberdade sem que a tivessem acusado de nada.
A jovem é uma das oito mulheres que fazem parte da Equipe Media e foi a segunda mulher a mostrar o rosto numa televisão nos territórios saharauis controlados por Marrocos.
São estes os jornalistas saharauis atualmente presos pelas autoridades marroquinas: Abdellahi Lekhfaouni (prisão perpétua), Hassan Dah (25 anos de prisão), Mohamed Lamin Haddi (25 anos de prisão), El Bachir Khada (20 anos), Mohamed Banbari (6 anos) e Salah Lebsir (4 anos).

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

ONG denuncia a perseguição da jornalista saharaui Nazha El Khalidi



Genebra 22 de Dezembro – SPS - O Observatório para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos, ONG resultante de uma parceria entre a Organização Mundial contra a Tortura (OMCT) e a Federação Internacional dos Direitos Humanos FIDH, condenou veementemente este sábado Marrocos a detenção arbitrária e a violência exercida pela polícia marroquina contra o jornalista saharaui Nazha El Khalidi, apelando às autoridades do Reino para que "garantam em todas as circunstâncias o direito de levar a cabo actividades pacíficas" e a legítima defesa dos direitos humanos".

Em apelo "urgente" às autoridades marroquinas, o Observatório denuncia veementemente "a detenção arbitrária" pela polícia marroquina de Nazha El Khalidi, jornalista e membro do coletivo saharaui Equipe Media, que ocorreu no dia 4 de dezembro na cidade de El Aiún ocupada, enquanto filmava a violência policial contra os participantes numa manifestação de apoio à causa Saharaui.
A jornalista saharaui, correspondente da "RASD TV", foi levada para a esquadra da polícia marroquina e detida durante quatro horas antes de ser libertada sem acusação contra ela, informou a organização no seu documento, cujo objetivo é denunciar "detenções arbitrárias e obstruções à liberdade de reunião e informação pacíficas".
Com base em fontes confiáveis de informação local, a ONG acrescenta que "Nazha El Khalidi foi agredida pela polícia marroquina durante a sua detenção e sofreu maus-tratos a caminho do comissariados da polícia", afirmando que "esta não é a primeira vez que a jornalista saharaui é detida pela polícia marroquina por ter filmado uma manifestação".
A 21 de agosto de 2016, a jornalista Nazha El Khalidi foi detida durante uma noite na delegacia de polícia onde foi maltratada e interrogada no âmbito da reportagem que cobria uma manifestação de protesto. A polícia apreendeu sua câmara e nunca a devolveu ", diz a ONG, lembrando que outros membros da Equipe Media também foram perseguidos pela polícia marroquina.
A este respeito, o Observatório cita o arrombamento e invasão, a 12 de novembro de 2018, por soldados marroquinos da casa de Mohamed Mayara, membro da Equipe Media e o interregatório a que submeteram a sua família. Contra estas práticas, o Observatório condena a detenção arbitrária e a violência das autoridades policiais marroquinas contra Nazha El Khalidi e os jornalistas saharauis, salientando que estas ações destinam-se apenas a "reprimir as atividades de defesa dos direitos humanos" nos territórios saharauis ocupados.
O Observatório solicita às autoridades marroquinas, em particular as dos Negócios Estrangeiros, Justiça e Proteção dos Direitos Humanos, que "garantam em todas as circunstâncias o direito de levar a cabo atividades pacíficas e legítimas de defesa dos direitos humanos" e a pôr fim a "todas as formas de perseguição, inclusive a nível judicial" contra os membros do coletivo Equipe Media.
A ONG insta ainda as autoridades marroquinas a cumprirem as disposições da Declaração sobre os defensores dos direitos humanos, adotada pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 1998, bem como as disposições da Declaração Universal dos Direitos Humanos e Instrumentos Regionais e Internacionais sobre Direitos Humanos ratificados por Marrocos. (SPS)