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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Taleb Ammi Deh, comandante da 7.ª região militar, eleito presidente do XV Congresso do Frente Polisario




O XV Congresso da Frente Polisario “Mártir Bujari Ahmed” iniciou hoje os seus trabalhos na localidade de Tifariti, nos territórios libertados do Sahara Ocidental, sob o lema: “Luta, Preserverança e Sacrificio pela total Soberania do Estado Saharaui”.

Taleb Ammi Deh, comandante da Sétima Região militar saharaui, foi eleito presidente da Comissão do Congresso, integrada também por Mariem Salek Hmada, Bamba Lefkir, Mohamed Embarec Sidi Mohamed, Oubbi Boucharaya e Salha Boutenguiza.

Durante o primeiro dia de trabalhos os congressistas aprovaram os relatórios da comissão de estatutos, a comissão de resoluções e a comissão do programa de ação nacional, assim como as recomendações e a declaração final.

Mais de 2.500 delegados participam no Congresso, onde serão debatidos os temas relacionados os desafios atuais e a estagnação que enfrenta a luta do povo saharaui pela restauração dos seus legítimos direitos à independência e ao termo da colonização do seu território.



Segundo fontes saharauis, os congressistas discutirão um eventual plano para o desbloqueamento do estagnado diálogo promovido pela ONU e adotar uma posição mais hostil ante a ausência de soluções .No discurso pronunciado na abertura da Conferência Nacional Saharaui realizada no domingo passado, o Secretário-Geral da Frente Polisario, Brahim Gali, já o havia dado a entender. Gali defronta o seu primeiro Congresso Ordinário desde que há quatro anos substituiu Mohamed Abdelaziz.

"Não podemos continuar com o processo de paz da ONU a menos que o Conselho de Segurança assuma a sua responsabilidade" - disse o SG da POLISARIO no seu discurso.

Gali afirmou então que "depois de mais de vinte e oito anos após a assinatura do cessar-fogo entre a Frente Polisario e Marrocos, a ONU foi incapaz de lograr o objetivo principal desse Acordo que é organizar um referendo de autodeterminação onde o povo saharaui decida livremente sobre o seu futuro. "A ONU foi incapaz de implementar as resoluções do Conselho de Segurança em relação a este problema", disse Gali.


Fonte: El Cnfidencial Saharaui



segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

TIFARITI ACOLHE A CONFERÊNCIA NACIONAL PREPARATÓRIA DO 15º CONGRESSO DA FRENTE POLISARIO



Diario La Realidad Saharaui/DLRS - Diario la Realidad Saharaui / DLRS.- TIFARITI (Territórios Libertados da República Saharaui), 15 de dezembro de 2019 agência nacional (SPS) — Começou ontem 15 de Dezembro, na localidade de Tifariti em território saharaui libertado, as atividades da Conferência Nacional Saharaui em preparação para o 15º Congresso, que durará três dias consecutivos, 19, 20 e 21 de dezembro.

A agência noticiosa SPS refere que a Conferência discutirá, entre outras coisas, uma agenda muito ampla de tópicos de interesse nacional, incluindo discursos, workshops e atividades para adoção no XV Congresso Nacional Saharaui. Também estudará os documentos apresentados pelas diferentes subcomissões e que serão abordados, por três dias, pelos mais de 2.000 delegados ao congresso representando todas as instituições saharauis.

A Conferência foi inaugurada com um discurso do Presidente da República, Brahim Ghali, que abordou a situação geral no Sahara Ocidental.
Os participantes da Conferência também discutirão os relatórios preparados e apresentados pelas subcomissões sobre programas e mecanismos que serão apresentados no âmbito de um relatório oficial, para que possam ser posteriormente apresentados durante os trabalhos do Congresso.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Ante a situação crucial em que se encontra o processo de paz da ONU no Sahara Ocidental não resta à Frente Polisario outra opção que não seja “reconsiderar a sua participação no processo” - afirma o movimento de libertação saharaui




Nova Iorque, 31de outubro de 2019 (SPS) - O Conselho de Segurança da ONU aprovou, esta quarta-feira, prorrogar por um ano, ao contrário das duas últimas resoluções, o mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) após ter debatido a questão e seus antecedentes de odo a encontrar uma solução que proporcione a autodeterminação do povo saharaui. [NOTA: Recorde-se que a Frente POLISARIO realiza o seu 15.º Congresso em meados de Dezembro próximo. Uma reunião ao mais alto nível que será marcada pelo dramatismo face ao impasse da actual situação do processo de paz]

Eis o Comunicado oficial da Frente Polisario:

A adoção da resolução 2494 (2019) do Conselho de Segurança, sem nenhuma ação concreta para avançar no processo de paz da ONU, é um retorno lamentável e inaceitável à situação usual no Sahara Ocidental e um duro golpe para o momento político criado e sustentado pelo próprio Conselho de Segurança nos últimos 18 meses. Ao não cumprir o seu compromisso de acabar com o ‘status quo’ e exigir que Marrocos ponha fim à sua ocupação ilegal do Sahara Ocidental, o Conselho de Segurança perdeu outra oportunidade para impedir o colapso do processo de paz da ONU. Ante o reiterado fracasso do Secretariado da ONU e do Conselho de Segurança em impedir que Marrocos imponha os termos do processo de paz e o papel da ONU no Sahara Ocidental, a Frente POLISARIO não tem outra opção senão reconsiderar sua participação no processo de paz no seu conjunto.

A Frente POLISARIO sempre agiu com moderação, apesar da política de intransigência, obstrucionismo e chantagem realizada por Marrocos. Ao longo dos anos, fizemos grandes concessões para que o processo de paz da ONU avance e seja bem-sucedido. No entanto, a incapacidade do Conselho de Segurança de intervir firmemente diante das descaradas tentativas de Marrocos de transformar a MINURSO numa ferramenta de normalização da sua ocupação ilegal do nosso território nacional minou a integridade e credibilidade do processo de paz da ONU ante o nosso povo.

O principal mandato da MINURSO, conforme o estabelecido na resolução 690 (1991) do Conselho de Segurança e nas resoluções subsequentes, é a realização de um referendo de autodeterminação livre e justo para o povo do Sahara Ocidental. A Frente POLISARIO, cuja razão de ser é defender os direitos inalienáveis e as aspirações nacionais legítimas do povo saharaui, nunca aceitará nenhuma abordagem que se desvie do Plano de Acordo da ONU acordado pelas duas partes ou que pretenda invalidar a natureza jurídica, reconhecida pela ONU, da questão do Saara Ocidental como um caso de descolonização. O direito de nosso povo à autodeterminação e independência é inalienável e inegociável, e usaremos todos os meios legítimos para defendê-lo.

A Frente POLISARIO não pode aceitar a passividade do Secretariado das Nações Unidas em relação à submissão escandalosa da MINURSO às regras e ditames de Marrocos e suas contínuas violações do cessar-fogo e do Acordo Militar n. 1, incluindo a passagem ilegal em Guerguerat. Reservamo-nos o direito legítimo de agir em resposta a todas as ações desestabilizadoras de Marrocos, a potência ocupante no Sahara Ocidental. É imperativo que todos os membros do Conselho de Segurança compreendam a seriedade da situação atual e a necessidade urgente de encontrar uma solução duradoura para o conflito no Sahara Ocidental.

O processo de paz da ONU no Sahara Ocidental está num momento crucial. O único caminho a seguir para alcançar uma solução pacífica e duradoura para o conflito prolongado é a implementação do Plano de Acordo da ONU, que continua sendo o único plano de solução aceite por ambas as partes e aprovado pelo Conselho de Segurança. Qualquer abordagem que não respeite totalmente os parâmetros da solução, estipulados no Plano de Organização das Nações Unidas, comprometerá o cessar-fogo e todo o processo de paz da ONU. ”
SPS

Conferência de imprensa de Sidi Mohamed Omar — representante da Frente Polisario junto das Nações Unidas



Após a aprovação pelo Conselho de Segurança da resolução 2494 (2019) sobre a Missão da ONU para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) o representante da Frente POLISARIO junto das Nações Unidas, Sidi Mohamed Omar, realizou uma conferência de imprensa na sede da ONU.
A primeira parte é em língua Árabe mas as respostas às perguntas dos jornalistas é em Inglês.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Presidente da RASD e SG da Polisario na investidura do novo Presidente da Mauritânia




O Presidente da República e Secretário Geral da Frente Polisario, Brahim Ghali, chegou a Nouakchott na tarde desta quarta-feira para representar a República saharaui na cerimónia de inauguração do novo Presidente eleito daMauritânia, Mohamed Ould Cheikh El Ghazwani, que teve lugar hoje quinta-feira, no Centro de Conferências Al Mourabitoune.

Brahim Ghali foi recebido no Aeroporto Internacional de Oumtounsy, em Nouakchott, pelo primeiro-ministro da Mauritânia, Mohamed Salem Ould Bashir e outros membros do governo, além do governador de Nouakchott ocidental.
O Presidente saharaui é acompanhado por uma delegação que integra o Ministro das Relações Exteriores, Mohammed Salem Uld Salek, o Secretário de Estado da Segurança e Documentação, Brahim Ahmed Mahmud, bem como os conselheiros da Presidência da República, Lehreitani Lehsan, Ahmed Salama e Abdati Breika; e a diretora da editora L`Harmattan RASD, Nana Labat Rachid.
Fonte:SPS

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Frente Polisario apela à UE para que exija a Marrocos o termo da brutal repressão nas zonas ocupadas do Sahara Ocidental




Bruxelas, 22 de julio de 2019 (VSOA).- O representante da Frente Polisario para a Europa, Mohamed Sidati, enviou hoje uma carta à Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, instando a União Europeia a exigir que Marrocos pare a repressão brutal desencadeada no Sahara Ocidental, que nos últimos dias resultou na morte da jovem saharauí Sabah Azman Hamida e causou dezenas de feridos, durante uma manifestação pacífica em El Aaiún ocupada, que comemorava o triunfo da equipe de futebol da Argélia na Taça das Nações Africanas.

Eis o texto completo da carta:

S.E. Federica Moguerini, Alta Representante de la Unión Europea para Asuntos Exteriores y Política de Seguridad

Excelencia Alta Representante,

Me remito a Su Excelencia con la urgencia que dictan los graves acontecimientos que tienen lugar en los territorios del Sahara Occidental, ilegalmente ocupados por Marruecos.

Como es sabido, las fuerzas de ocupación desataron una oleada de represión sin precedentes contra la población civil saharaui, en El Aaiún, cuando esta celebraba con jubilo, y pacíficamente, la victoria del equipo argelino en la Copa de África de las Naciones.

Esta brutal represión tuvo como macabro resultado la muerte violenta de la joven Sabah Azman, de 23 años, deliberadamente atropellada por un vehículo de las llamadas fuerzas auxiliares. Abandonada en el suelo, sin recibir los mínimos auxilios, dio sus últimos suspiros. Muchos manifestantes sufrieron heridas de diversa gravedad, otros abatidos a porrazos, y el acoso y persecución duro hasta la madrugada del dia 20 de julio.

Seguidamente se iniciaron las detenciones desatándose así una oleada de pánico y terror en todo el territorio.

Las propias autoridades marroquíes reconocen el envío con urgencia al territorio, de nuevos efectivos de policías, soldados y otras fuerzas de seguridad para reprimir a la pacifica población saharaui.

Estos odiosos métodos se inscriben en la misma política de opresión practicada, desde hace décadas y de manera impune, por el regimen marroquí en el Sahara Occidental. La gravedad de esta situación deriva del hecho del no respeto del derecho inalienable del pueblo saharaui a la autodeterminación, pero también del estancamiento en el que se encuentra el proceso de paz de la ONU a raíz de la dimisión del Enviado Especial del Secretario general de las Naciones Unidas. Sin duda, dicha dimisión se inscribe en los deseos manifiestos de Marruecos y de sus apoyos.

Por todo ello, solicitamos con toda urgencia que la Unión Europea intervenga con celeridad para detener esa escalada represiva que tiene lugar en los territorios del ocupados del Sahara Occidental.

La Unión Europea comparte acuerdos de partenariado con Marruecos, acuerdos de los que se derivan obligaciones de respetar los derechos humanos y la democracia. Por ello, pensamos que se impone el envío de una delegación de la UE a los territorios ocupados para constatar, in situ, la realidad de lo que allí esta sucediendo.

Por lo mismo hacemos un llamamiento a la Unión Europea para que exija a Marruecos el respeto del derecho, de la legalidad internacional, y para que ponga termino a la represión que persigue silenciar las voces que reclaman la libertad y la tolerancia en el Sahara Occidental.

En espera de que esta solicitud encuentre una respuesta sincera, le ruego acepte mis muestras de respeto y -alta consideración.

Mohamed Sidati, Miembro de la dirección Nacional del Frente POLISARIO y Ministro Delegado para Europa.

domingo, 21 de julho de 2019

Após os atos cobardes e selvagens desta sexta-feira nos territórios ocupados, Frente Polisario exige da ONU proteção dos civis saharauis



Nova Iorque, 21 de julho de 2019 (SPS)- A Frente POLISARIO, através da sua representação junto da ONU, escreveu ao embaixador Gustavo Meza-Cuadra, representante permanente do Perú nas Nações Unidas e presidente em funções do Conselho de Segurança da ONU, para chamar a sua atenção sobre as contínuas e crescentes violações dos direitos humanos cometidas por Marrocos contra civis saharauis na parte ocupada do Sahara Ocidental.

Sidi Mohamed Omar, representante da Frente POLISARIO para as Nações Unidas, lamenta que os incidentes da última sexta-feira tenham ocorrido na presença da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) no Território, que permanece sob responsabilidade total das Nações Unidas.

Nesse sentido, tendo em conta a gravidade dos atos brutais e da repressão desencadeada por Marrocos nas áreas ocupadas do Sahara Ocidental, o chefe da diplomacia da POLISARIO na ONU pediu ao Conselho de Segurança para fornecer à MINURSO poderes semelhantes a outras operações de manutenção da paz das Nações Unidas, incluindo a capacidade de monitorizar, proteger e informar sobre a situação dos direitos humanos.

O representante saharaui condena veementemente o atroz ataque perpetrado pelas forças de segurança marroquinas contra civis saharauis inocentes nas zonas ocupadas do Sahara Ocidental e exigie a condenação de Marrocos pelos crimes atrozes perpetrados pelas suas forças de segurança contra a população saharaui.

A Frente POLISARIO adverte que em El Aaiún, que está sob cerco das forças de segurança marroquinas com reforços trazidos do interior do Marrocos, possa ocorrer uma nova onda de repressão brutal.

O governo saharaui, em comunicado divulgado esta sexta-feira pelo Ministério da Informação em resposta a declarações do ministro de Estado de ocupação marroquina relacionadas com o conflito saharaui-marroquino e a questão dos direitos humanos, disse que são declarações amnésicas e infundados que procuram fazer acreditar ao povo marroquino que nada se passa nas Zonas Ocupadas. Pretendem fazer passar a mensagem que a RASD é uma instituição fictícia, quando os ministros do palácio sabem que nenhuma nação reconhece a soberania marroquina sobre o Sahara Ocidental e que quatro décadas mostraram ao rei, à sua diplomacia e aos serviços de inteligência marroquinos que a RASD é uma realidade indestrutível, alcançada através de sacrifícios da luta de um povo.

No caso dos direitos humanos, os graves incidentes desta sexta-feira, a repressão, os crimes, os atentados perpetrados vêm ilustrar que "os ministros do palácio queriam passar por cima do consenso de organizações internacionais de direitos humanos que condenam o sofrimento, a repressão nas Zonas Ocupadas, a tortura sistemática, a perseguição, os julgamentos deliberados, as penas severas e a imposição de um cerco marcial no território, o veto à entrada da imprensa e observadores estrangeiros no território para conhecer in loco a situação dos direitos humanos. "

Nesse sentido, o comunicado do Governo saharaui condena veementemente a política de repressão, os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade que o Reino de Marrocos continua a praticar contra o povo saharaui e exige que as Nações Unidas e a União Africana assumam as suas responsabilidades para acabar com a ocupação ilegal marroquina do território saharaui ".



domingo, 9 de junho de 2019

Após a brutal agressão na cidade ocupada de Smara ocupada, a Frente Polisario exige à ONU medidas para pôr termo à barbárie marroquina




Nova Iorque, 8 de junho de 2019 (SPS)-. Após o cobarde, brutal e selvático ataque a jovens saharauis na cidade ocupada de Samara por parte de forças de segurança paramilitares marroquinas, a Frente Polisario, através do seu representante junto das Nações Unidas, o Dr. Sidi Mohamed Omar, chamou a atenção para os brutais métodos utilizados por Marrocos contra civis saharauis nas Zonas Ocupadas do Sahara Ocidental.

Em carta dirigida a Colin Stewart, Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental e chefe da MINURSO, a Frente POLISARIO lamenta que todas estas horríveis práticas estejam a ocorrer à sombra de um completo bloqueio informativo imposto ao território onde jornalistas e defensores de direitos humanos saharauis são continuamente perseguidos e presos, recordando o caso da jornalistas Nazah Jalidi, a qual foi detida em dezembro de 2018 por usar o seu telemóvel para gravar uma manifestação pacífica em El Aaiún, capital do Sahara Ocidental ocupado.

Na missiva, a Frente POLISARIO sublinha a urgente necessidade de as Nações Unidas, através da sua missão no Território, tomem as medidas necessarias para por fim à brutalidade, è repressão desencadeada nas Zonas Ocupadas e à política de impunidade das autoridades de ocupação marroquinas.

O chefe da diplomacia da POLISARIO em Nova Iorque dirigiu cartas semelhantes ao Subsecretário-Geral das Nações Unidas, ao encarregado do Departamento de Assuntos Políticos e Consolidação da Paz e ao Subsecretário-Geral das Nações Unidas encarregado do Departamento de Operações de Paz, assim como aos membros do Conselho de Segurança.

Veja vídeo da repressão em Smara AQUI



sexta-feira, 31 de maio de 2019

Os esforços do Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental, o alemão Horts Köhler, foram sabotados pela França e EUA




Interrogado sobre a demissão de Horst Köhler, enviado pessoal do SG da Onu para o Sahara Ocidental, Mhamed Khadad responsável pelas RE da Frente Polisario e elemento de ligação à MINURSO, afirmou ao órgão russo Sputnik que não obstante «as razões de saúde» terem sido invocadas, o ex-presidente alemão encontrou muitos obstáculos, em particular por parte da França

Em entrevista à Sputnik, Mhamed Khadad, afirmou que Horst Köhler tinha todas as qualidades e competências necessárias para ter tido sucesso em sua missão, incluindo a sua experiência diplomática e o seu conhecimento do continente africano e seus problemas, Khadad destacou que, ao assumir o cargo, o diplomata " Insistiu em que a União Africana e a União Europeia fossem partes na solução do conflito no Sahara Ocidental ".
"Nesse sentido, visitou a África várias vezes, Addis Abeba e Kigali. E também visitou Bruxelas em duas ou três ocasiões ", acrescentou.
Segundo Khadad, o enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU encontrou muitos obstáculos no cumprimento da sua missão nas Nações Unidas e na União Europeia.
Na mesma linha, o dirigente saharaui acrescentou que "também em Bruxelas, Paris fez tudo para sabotar os esforços do Sr. Köhler e não foi sem razão que nunca foi recebido por autoridades francesas durante o seu mandato ".

Foi a França que empregou todo o seu peso para que a União Europeia assinasse novos acordos, incluindo o território do Sahara Ocidental [Acordo de Associação UE-Marrocos e o Acordo de Agricultura e Pescas UE-Marrocos, nota do editor] em flagrante violação das decisões do Tribunal Europeu de Justiça (TJUE) [decisões de 2015, 2016 e 2018, alegando que o Sahara Ocidental e as suas águas adjacentes não faziam parte do território do Reino de Marrocos, editor] ", explicou.
Além disso, Mhamed Khadad evocou um segundo elemento que pesou na decisão de renúncia do diplomata da ONU.
"Em Nova York, Köhler sempre buscou um consenso no Conselho de Segurança e que os seus quinze membros lhe dessem o seu apoio aprovando uma resolução", disse Khadad, acrescentando que " infelizmente, estes esforços foram sabotados pela França e pelos Estados Unidos que, desta vez, não procuraram o consenso que o Sr. Köhler solicitou dentro desta instituição internacional ".
"Assim, no final, Kohler viu-se sem o apoio unânime do Conselho de Segurança, sem o apoio da União Europeia, além do metódico trabalho sapa que Marrocos foi fazendo para impedir que a União Africana desempenhe o seu papel na resolução deste conflito que dura já muito tempo ", afirmou.
Em conclusão, o interlocutor do Sputnik afirmou que "o Sr. Köhler, com a sua honestidade e probidade intelectuais, que estava sob grande pressão de alguns membros do Conselho de Segurança, recusou-se a ser manipulado por certas forças contra os direitos legítimos do povo saharaui, em particular os que dizem respeito à autodeterminação e à independência, preferindo jogar a toalha ao chão, e tudo é a seu crédito o facto de ter recusado ".
Horst Köhler, de 76 anos, foi nomeado enviado pessoal de António Guterres para o Sahara Ocidental em agosto de 2017, sucedendo ao americano Christopher Ross, que havia renunciado alguns meses antes, depois de cumprir oito anos de mandato.

domingo, 12 de maio de 2019

Frente POLISARIO: 43 anos de luta pela independência




Antecedentes históricos e fundação da Frente Popular de Libertação do Sagua El Hamra e Rio de Ouro

Umdraiga.com.- As mudanças socioeconómicas que ocorreram no Sahara espanhol durante os anos 60 do século passado, levaram ao surgimento do nacionalismo moderno saharaui, com base na consciência nacional e não no tribalismo; com base em argumentos políticos e não em sentimentos religiosos.
Nos primeiros anos da década, os nacionalistas formaram diversos agrupamentos políticos, mas nenhum deles teve influência decisiva sobre a população. Somente em 1967, um intelectual, Mohamed Sidi Ibrahim “Bassiri”, conseguiu reunir em torno dele um punhado de partidários da independência e, no ano seguinte, fundou o Movimento para a Libertação do Sahara (MLS).
Em suma, esta organização clandestina já contava com centenas de militantes e começou a influenciar a população saharaui.
O MLS liderado por Bassiri promoveu a reivindicação pacífica pela independência e conquistou o apoio de vários setores da sociedade: trabalhadores, funcionários da administração colonial, estudantes, sargentos e soldados saharauis enquadrados no exército colonial, etc.
A atividade nacionalista começou a manifestar-se através de greves de trabalhadores, mobilizações estudantis para o ensino da língua árabe e através de vários atos de repúdio da administração espanhola. Muito em breve o serviço de inteligência colonial detectou a existência do movimento. Em 1969, o governador geral do Sahara decretou o toque de recolher obrigatório em todo o território. Seguiram-se muitas detenções de militantes e apoiantes do MLS, alguns dos quais foram expulsos para países vizinhos


Espanha enfrenta o problema da descolonização
Em novembro de 1960, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 1514 relativa ao processo de descolonização dos enclaves coloniais que ainda existiam no mundo. O Comité Especial encarregado de aplicar a referida resolução elaborou uma lista de territórios a serem descolonizados, entre os quais figura o Sahara Espanhol.
Em 1966, o Comité Especial pediu à Espanha que realizasse um referendo para que a população do Sahara pudesse expressar livremente a sua vontada quanto ao seu futuro político. O governo franquista aceitou formalmente o pedido, mas optou por ganhar tempo e levar adiante o processo de transformar a colónia numa “província” de Espanha.
O Comité Especial alertou para a manobra dilatória do regime de Franco e renovou suas exigências em favor da descolonização do Sahara. Como resultado, a Espanha perdeu a credibilidade diante da Assembleia Geral e esta situação foi aproveitada pelo rei de Marrocos, Hassan II, para tomar uma posição sobre a questão, mostrando publicamente a sua preocupação com o futuro da colónia espanhola e legitimando-se como parte interessada na questão do Sahara.
Desta forma, o regime de Franco rejeitou uma boa oportunidade para proporcionar aos saharauis uma transição decente para a sua emancipação política. Infelizmente, naquela época, a política colonial da Espanha dependia da vontade do almirante Carrero Blanco (1), cujas ideias ultraconservadoras prevaleceram sobre os critérios do Ministério das Relações Exteriores, mais liberais e propensos à independência do povo saharaui.
Como as pressões internacionais foram sentidas no governo de Madrid, e particularmente na própria colónia, o Governo Geral do Sahara organizou uma atividade política em El Aaiún (2) para fins de propaganda, para mostrar ao mundo que a população saharaui estava feliz por ser parte do Estado espanhol. Para esse fim, foram convidados vários jornalistas e observadores estrangeiros para testemunhar o “partido” político. Mas também o Movimento para a Libertação do Sahara convocou os seus militantes e apoiantes para uma demonstração paralela para fazer falhar a manobra colonialista.
Em 17 de junho de 1970, foi o dia marcado. Naquela manhã, pequenos grupos de saharauis reuniram-se em frente à sede do Interior, enquanto uma multidão cobria uma grande esplanada, longe da reduzida concentração oficial.
A multidão cantou slogans de independência e entoou canções patrióticas, inadmissíveis para os representantes do regime de Franco. Ao entardecer, uma companhia da Legião abriu fogo contra a multidão causando dezenas de feridos, mortos e feridos.
Naquela mesma noite, uma caçada aos líderes e membros do MLS foi desencadeada; centenas foram presos; alguns desapareceram, incluindo o principal líder nacionalista, Bassiri (nota: o líder saharaui nunca mais apareceu, tendo mais tarde sido provada a implicação directa das forças coloniais na seu assassinato).
Os acontecimentos de 17 de junho fizeram com que grande parte da população saharaui se inclinasse para a opção de independência não pacífica.


A reorganização nacionalista
Devido à repressão, a militância nacionalista dispersou-se e muitos dos seus membros refugiaram-se nos países vizinhos, onde encontraram proteção e apoio das comunidades saharauis ali instaladas.
Em 1971, alguns grupos de independência começaram a se formar nas cidades marroquinas de Rabat e Tantán e na cidade mauritana de Zuerat. Foi em Rabat que surgiu um núcleo muito ativo de estudantes universitários, entre os quais estava El Uali Mustafá Sayed. Este grupo, juntamente com outros exilados, deu origem ao “Movimento Embrionário para a Libertação do Sahara” que, ao longo de 1972, promoveu reuniões clandestinas entre os vários grupos saharauis espalhados por Marrocos, Argélia e Mauritânia.
No final de abril de 1973, foi iniciada uma conferência cujas sessões foram realizadas intermitentemente e em várias partes do deserto para confundir o serviço de inteligência franquista. Esta conferência decidiu criar uma organização política militar para lutar pela independência. A 10 de maio de 1973, a conferência culminou as suas atividades fundando a Frente Popular de Libertação de Saguia El Hamra e do Rio de Oro – Frente POLISARIO. El Uali Mustafa Sayed foi nomeado seu secretário geral. (3)


A Frente POLISARIO: concepção política e linha de ação
A Frente POLISARIO é um movimento de libertação nacional, democrático e anticolonial que inclui os setores e personalidades mais progressistas da sociedade saharaui nas zonas libertadas, nos campos de refugiados e nos territórios sob ocupação marroquina. Seus principais objetivos são a total independência do Sahara Ocidental e a construção de um Estado moderno.
Para conhecer os propósitos e o perfil político dos fundadores dessa organização, nada melhor do que recorrer aos próprios documentos da Frente POLISARIO. O manifesto político fundador diz:
“Uma vez provado que o colonialismo quer manter o seu domínio sobre o nosso povo árabe, tentando aniquilá-lo pela ignorância, miséria, (…). Diante do fracasso de todos os métodos pacíficos utilizados, (…) a Frente Popular para a libertação de Saguia El Hamra e Rio de Oro, nasceu como única expressão das massas, que optaram pela violência revolucionária e pela luta armada como um meio para que o povo saharaui, árabe e africano pudesse desfrutar da sua total liberdade e enfrentar as manobras de Colonialismo espanhol.
Parte integrante da revolução árabe, apoia a luta dos povos contra o colonialismo, o racismo e o imperialismo e condena-os por sua tendência de colocar os povos árabes sob seu domínio, seja pelo colonialismo direto ou pelo bloqueio económico.
Considera que a cooperação com a Revolução Popular da Argélia é um elemento essencial para enfrentar as manobras travadas contra o Terceiro Mundo.
Convidamos todos os povos em luta a se unirem para enfrentar o inimigo comum.
Com as armas vamos conquistar a liberdade! ”


O programa do 2º Congresso da Frente POLISARIO, realizado em agosto de 1974, enunciou os objetivos de longo prazo da organização. Aqui estão alguns deles:


Libertar a nação de todas as formas de colonialismo e alcançar a independência completa.



– Construir um regime republicano nacional com participação ativa e efetiva da população.


– Construção de uma autêntica unidade nacional.


– Criar uma economia nacional baseada no desenvolvimento agrícola e industrial, na nacionalização dos recursos minerais e na proteção dos recursos marinhos.


– Garantir as liberdades fundamentais dos cidadãos.


– Distribuição justa da riqueza e eliminar o desequilíbrio entre o campo e as cidades.


– Erradicar todas as formas de exploração.


– Garantir habitação para todos.


– Restaurar os direitos sociais e políticos das mulheres.


– Estabelecer educação gratuita e obrigatória em todos os níveis e para toda a população.


– Combater doenças, construir hospitais e oferecer atendimento médico gratuito.



A guerra da libertação nacional
Em 20 de maio de 1973, dez dias depois de sua fundação, a Frente POLISARIO realizou a sua primeira ação armada contra o exército colonial. O ataque, que visava um posto militar no deserto, marcou o nascimento do Exército de Libertação do Povo Saharaui (ELPS) e o início de uma guerra que em pouco tempo ultrapassou a capacidade de controle da administração espanhola. As acções do ELPS, muitas delas para fins de propaganda, aumentaram o prestígio da F. POLISARIO entre a população civil e os soldados nativos que serviam nas fileiras coloniais. No final de 1973, o ELPS já tinha mais de cem combatentes e nos anos 1974 e 1975 aumentou a sua atividade, fazendo com que o exército espanhol recuasse gradualmente para as principais cidades costeiras. Durante esse último ano, patrulhas inteiras de militares saharauis aderem ao ELPS, e com o passar do ano, o Exército de Libertação tomou o controle de numerosas cidades abandonadas pelos espanhóis. Quando o governo de Franco entregou o Sahara Espanhol a Marrocos e à Mauritânia através dos Acordos Secretos de Madrid, em novembro de 1975, as forças nacionalistas saharauis já controlavam a maior parte do território da colônia.
Hoje, a Frente Popular de Libertação de Saguia El Hamra e Rio de Oro continua a liderar a luta pela plena independência do Sahara Ocidental e é reconhecida internacionalmente como o único e legítimo representante do povo saharaui.
Continua a dirigir a construção do Estado republicano que prometeu no seu IV Congresso: a República Árabe Saharaui Democrática, hoje reconhecida por 82 países do mundo, dos quais 28 são latino-americanos.
Emiliano Gómez



(1) Almirante Luis Carrero Blanco foi a mão direita do “Generalíssimo” Francisco Franco. Faleceu em dezembro de 1973 num ataque da organização nacionalista basca ETA.
(2) Fundada pelos espanhóis em 1938, El Aaiún é a capital do Sahara Ocidental – atualmente sob ocupação marroquina.
(3) El Uali Mustafá Sayed, herói nacional Saharaui e primeiro presidente da RASD. Caiu em combate a 9 de junho de 1976, quando tinha 28 anos de idade.