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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Marrocos: cidadã francesa impedida de visitar o marido, preso político saharaui condenado a 30 anos de prisão




Claude Mangin, cidadã francesa e esposa do preso político saharaui Naama Asfari, do grupo Gdeim Izik, foi uma vez mais proibida de entrar em Marrocos para visitar o seu marido, que está a cumprir uma sentença de 30 anos na prisão de Kenitra, perto de Rabat.

Mangin foi forçada na 2.ª feira pelas autoridades marroquinas a regressar a Paris após ter aterrado no aeroporto de Casablanca .
A cidadã francesa fez uma greve de fome de 30 dias em março-abril de 2018, a fim de forçar as autoridades francesas a intervir para que ela pudesse visitar o seu marido depois de ser impedida de entrar em Marrocos desde 2016.
Depois de ter obtido o compromisso do governo francês para mediar com as autoridades marroquinas sobre a retomada das visitas, ela foi autorizada a visitar o seu marido na prisão de Kenitra nos dias 14 e 15 de janeiro deste ano.
Essa decisão da parte do Marrocos foi vista “como um sinal de conciliação” pelas organizações francesas que apoiam a Sra. Mangin e o seu marido, e também foi vista como um desenvolvimento positivo pela comunidade internacional.
No entanto, parece que o Reino de Marrocos mudou de opinião mais uma vez e voltou a uma posição ilógica insistindo em violar direitos humanos básicos e universais.
Fonte: Por un Sahara Libre

domingo, 14 de abril de 2019

Mohamed Bourial preso político de Gdeim Izik em greve de fome há 25 dias

Mohamed Bourial


13 de abril de 2019 – porunsaharalibre - Mohamed Bourial preso político saharaui do grupo Gdeim Izik entrou hoje no seu 25º dia de greve de fome que a qual teve iínicio no passado dia 20 de março.

Segundo a família, o preso encontra-se em estado de grande debilidade.
Mohamed Bourial não recebeu a visita de qualuqer médico, nem a administração prisional ou outras autoridades entraram em contacto com ele desde que iniciou a greve de fome.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Federica Morgherini responde a IU sobre situação dos presos políticos saharauis



15 de Janeiro de 2019 por porunsaharalibre - PUSL - Federica Morgherini, a Alta Representante da UE para Política Externa e Segurança, respondeu por escrito às perguntas apresentadas pela eurodeputada espanhola, Paloma Lopez, da Izquierda Unida sobre a situação dos presos políticos saharauis do Grupo de Gdeim Izik.

Lopez tinha apresentado nos últimos meses de 2018 duas perguntas sobre a situação de risco em que se encontram os presos políticos saharauis detidos em Tiflet2, Marrocos.

Os 4 membros do grupo Gdeim Izik encontram-se em confinamento prolongado há mais de um ano e têm sido vítimas de maus tratos e negligência médica intencional, realizaram várias greves de fome e o seu caso tem sido amplamente denunciado junto não só da União Europeia como também junto dos mecanismos das Nações Unidas.

As duas perguntas apresentadas referentes a Sidi Abdallah Abbahah, Mohamed Bourial, Mohamed Lamin Haddi e El Bachir Khadda foram:

Pergunta com solicitude de resposta escrita E-005408/2018/rev.1

.“Sabendo que o confinamento em condições desumanas de isolamento é contrário à legalidade internacional (Regra 17 das Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos):

1) A Vice-Presidente / Alta Representante pretende continuar a ignorar estas violações dos direitos humanos?

2) Considera a Comissão que pode defender o diálogo comercial com um regime internacionalmente exposto como torturador?”

Pergunta com solicitude de resposta escrita E-005407/2018/rev.1

.“1) A Vice-Presidente / Alta Representante conhece estas práticas com as quais o Reino de Marrocos ataca os direitos humanos mais básicos?

2) O Comité das Nações Unidas contra a Tortura informou casos de tortura e violações do direito internacional. Existem exceções aplicáveis ​​ao Reino de Marrocos para que a União Europeia não condene estas práticas contra prisioneiros saharauis?”

Federica Morgherini respondeu em duas cartas com uma resposta tipo que tem utilizado ao longo destes anos publicadas no final deste artigo. No entanto a segunda resposta enviada a 7 de Janeiro deste ano refere que:

Nos termos do artigo 2.º do Acordo de Associação UE-Marrocos, o respeito pelos princípios democráticos e pelos direitos humanos é um elemento essencial do Acordo. Por conseguinte, a UE manifesta periodicamente as suas preocupações em matéria de direitos humanos, designadamente nas reuniões do subcomité dos direitos humanos e dos princípios democráticos estabelecidos no âmbito do Acordo.

Marrocos está em violação clara com os direitos humanos no que concerne os presos políticos saharauis, mas é apenas “informado das preocupações” sem sofrer qualquer tipo de consequência e ainda a usufruir de somas avultadas “Através do orçamento da UE, a União apoia instituições e organizações da sociedade civil, com o objetivo de reforçar o sistema judicial em Marrocos, em conformidade com a Constituição marroquina de 2011.”

Morgherini continua a dizer que as informações sobre os presos chegam através do CNDH (Conselho Nacional de Direitos Humanos de Marrocos) e de uma associação saharaui legalizada e reconhecida por Marrocos. O CNDH é considerado pela Amnistia Internacional um organismo com falta de independência como se pode ler no relatório de 2018 “O facto de o presidente da CNDH e pelo menos nove de seus 27 membros serem nomeados pelo rei de Marrocos é uma ameaça à sua independência e imparcialidade.”[1]

É pois surpreendente que Frederica Morgherini parece ter apenas informações “reactivas” visto a situação dos presos políticos apenas ser mencionada quando existem perguntas escritas ou orais no Parlamento Europeu apresentadas pelos Eurodeputados e que as respostas tardam meses, devido certamente ao facto do “acompanhamento da situação” pelo CNDH e outras fontes consultadas por Morgherini ser claramente deficiente.

ES
E-005408/2018
Resposta do vice-presidente Mogherini
em nome da Comissão Europeia
(22.12.2018)

A UE tem estado muito atenta à situação dos prisioneiros de Gdeim Izik.
O acompanhamento desta situação incluiu a presença da Delegação da UE em Rabat como observadora no processo civil. Além disso, os representantes da Delegação da UE em Rabat reúnem-se periodicamente com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos para discutir as condições sanitárias e gerais de detenção dos prisioneiros Gdeim Izik. Foram também realizadas reuniões sobre o assunto com organizações da sociedade civil e, em particular, com a Associação Saharaui de Vítimas de Violações Graves dos Direitos Humanos.


A democracia e os direitos humanos são elementos essenciais da política externa da UE e do seu diálogo com os países parceiros, incluindo Marrocos. A prevenção e erradicação de todas as formas de tortura e maus-tratos em todo o mundo é um dos principais objetivos da política de direitos humanos da UE. No quadro do seu diálogo político regular com as autoridades marroquinas, a UE manifesta sistematicamente a sua preocupação com os alegados casos de maus tratos e com a impunidade. Através do seu orçamento, a UE apoia também as instituições e as organizações da sociedade civil presentes em Marrocos, com vista a reforçar o sistema judicial, em conformidade com as regras ambiciosas estabelecidas na Constituição marroquina de 2011.

A UE recorda o seu apoio aos esforços do Secretário-Geral das Nações Unidas para chegar a uma solução política justa, duradoura e aceitável para ambas as partes, que contemple a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental no âmbito de acordos compatíveis com os princípios e objectivos do a Carta das Nações Unidas.

ES
E-005407/2018
Resposta do vice-presidente Mogherini
em nome da Comissão Europeia
(7.1.2019)

A União Europeia está acompanhando de perto a situação dos prisioneiros de “Gdeim Izik”.
A delegação da UE em Rabat esteve presente como observadora no processo civil e os representantes da delegação realizam reuniões regulares com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos sobre a saúde e as condições de detenção dos prisioneiros de “Gdeim Izik”. Também se realizaram reuniões com organizações da sociedade civil, principalmente com a Associação Saharaui de Violações Graves dos Direitos Humanos. No caso do Sr. Khadda, os relatórios indicam que ele suspendeu a greve de fome que começou em 18 de setembro de 2018.

A democracia e os direitos humanos são componentes essenciais da política externa da UE. Nos seus contactos regulares com as autoridades marroquinas, a UE manifesta constantemente a sua preocupação com os alegados casos de maus tratos e impunidade. Através do orçamento da UE, a União apoia instituições e organizações da sociedade civil, com o objetivo de reforçar o sistema judicial em Marrocos, em conformidade com a Constituição marroquina de 2011.

A UE deseja recordar o seu apoio aos esforços do Secretário-Geral das Nações Unidas para chegar a uma solução política justa, duradoura e aceitável para ambas as partes, que contemple a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental no âmbito de acordos compatíveis com os princípios e objetivos da Carta das Nações Unidas.

Nos termos do artigo 2.º do Acordo de Associação UE-Marrocos, o respeito pelos princípios democráticos e pelos direitos humanos é um elemento essencial do Acordo. Por conseguinte, a UE manifesta periodicamente as suas preocupações em matéria de direitos humanos, designadamente nas reuniões do subcomité dos direitos humanos e dos princípios democráticos estabelecidos no âmbito do Acordo.
[1] https://www.amnesty.org/download/Documents/MDE2992252018ENGLISH.pdf

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Preso político saharaui Abdallah Abbahah suspende greve de fome após 44 dias



Por un Sahara Libre – 14 de Novembro 2018 - Segundo informação da família o preso político Abdallah Abbahah suspendeu ontem a greve de fome que iniciou a 1 de Outubro passado.

Abbahah que tinha perdido a consciência e a quem foi administrado soro, suspendeu a sua greve de fome após o director da prisão lhe ter dito que podia parar que tudo ia ser resolvido.
Os 44 dias de greve de fome tiveram um impacto enorme na saúde de Abbahah que se encontra em confinamento prolongado há mais de 8 meses. O estado de saúde de Abbahah é alarmante, fruto não só das torturas sofridas e contínuos maus tratos, como da negligencia médica desde a sua detenção em 2010.
El Bachir Khadda, em situação idêntica, encontra-se também em situação de saúde alarmante após ter efetuado uma greve de fome de 43 dias.
Neste momento Mohamed Bourial, detido também em Tiflet2 está no 33º dia de greve de fome e o seu estado físico está também muito deteriorado.

sábado, 10 de novembro de 2018

Marrocos: Abdallah Abbahah - preso político saharaui - em perigo de vida



Sexta, 9 de Novembro de 2018 - por porunsaharalibre - Abdallah Abbahah, preso político saharaui do Grupo Gdeim Izik, em greve de fome desde 1 de outubro, foi transportado da prisão de Tiflet2 para o hospital depois de ter perdido a consciência durante várias horas.
No hospital, foram-lhe dados 2 litros de soro e em seguida foi transportado de volta para a cela da prisão, onde permanece em confinamento prolongado desde 7 de maio de 2018.
Devido à greve de fome, Abbahah tem sérios problemas cardíacos, vómitos, dor intensa em todos os seus órgãos, não consegue ficar de pé ou andar.
No início desta semana, uma médica visitou-o na prisão e disse-lhe para parar a greve de fome e parar de lhes dar “problemas” para que pudessem descansar.
O director da prisão disse-lhe repetidamente para parar a greve da fome e que as autoridades marroquinas não têm responsabilidade sobre a sua saúde.
Abdallah está novamente na sua cela de prisão em Tiflet2, sozinho e com apenas três cobertores finos e continua a greve de fome.
Uma queixa individual foi apresentada ao Comité contra a Tortura (CAT) em maio deste ano pela sua advogada Olfa Ouled. O CAT respondeu imediatamente após o pedido de medidas urgentes e solicitou ao Governo marroquino que pusesse fim ao confinamento prolongado a que Abbahah está sujeito há 8 meses, uma visita de um médico à sua escolha e que seja libertado devido ao seu estado de saúde.
As medidas provisórias são dadas pelo CAT como uma proteção até que a decisão final sobre o caso seja dada.
Marrocos ignora as medidas provisórias do CAT e continuou os maus-tratos, o assédio e o confinamento prolongado que é considerado tortura.
Marrocos é responsável pela integridade física dos detidos em prisões marroquinas. O Reino deve respeitar a Convenção contra a tortura e o protocolo opcional que ratificou e, portanto, cumprir as medidas provisórias solicitadas para entrarem em vigor imediatamente em maio deste ano pelo Comitê contra a tortura.
Mohamed Bourial, do grupo Gdeim Izik, na prisão Tiflet2, está em greve de fome desde 12 de outubro . A sua cela, onde se encontra em confinamento prolongado está num módulo para prisioneiros com problemas de saúde psiquiátrica.
El Bachir Khadda, do mesmo grupo, que suspendeu uma greve de fome de 42 dias, não recebeu atenção médica e tem sérios problemas de saúde, resultantes da greve de fome.
Mohamed Lamin Haddi, que suspendeu a sua greve de fome após 12 dias e perdeu a consciência, também precisa urgentemente de atendimento médico e permanece em confinamento prolongado em Tiflet2.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Preso político saharaui El Bachir Khadda: 36 dias em greve de fome



El Bachir Khadda está há 35 dias em greve de fome. O preso político saharaui do Grupo Gdeim Izik está em protesto contra os maus-tratos contínuos, o confinamento prolongado e a transferência da prisão de Tiflet2, que se encontra a mais de 1300 quilómetros da sua cidade natal no Sahara Ocidental, para uma prisão mais próxima da sua família.

A família de El Bachir Khadda está extremamente preocupada com a situação de risco de vida em que se encontrar o preso político.



Nas primeiras semanas, Khadda foi colocado na enfermaria, embora isolado de outros presos, mas de acordo com as últimas informações disponíveis, ele agora está sozinho na sua cela “normal”, onde está em confinamento prolongado desde 16 de setembro de 2017.

A Família apela à comunidade internacional a agir e responsabiliza as autoridades marroquinas pela vida de El Bachir Khadda.

A possível morte do Sr. Khadda, que foi sequestrado pelas autoridades de ocupação marroquinas em 2010 em El Aaiun, após o desmantelamento do campo de protesto Gdeim Izik, torturado durante anos, vítima de um julgamento civil e militar nulos perante a lei, estará nas mãos não só das autoridades marroquinas, mas também da comunidade internacional que ficou em silêncio.

Fonte: Por un Sahara Libre

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Preso político saharaui Mohamed Lamin Haddi está em coma





A vida dos presos politicos saharauis atualmente detidos na prisão marroquina de Tiflet 2 continua todos os dias ameaçada.
Mohamed Lamin Haddi, do grupo de presos do processo de Gdeim Izik — o acampamento da dignidade saharaui que teve lugar há oito anos atrás — entrou em coma esta segunda-feira, 15 de outubro, suspendendo assim, de facto, a greve de fome que havia começado para protestar contra o isolamento desde a sua transferência em setembro de 2017.

A vida de Haddi e dos outros três presos politicos do mesmo grupo — Sidi Abbahah, Bachir Khadda e Mohamed Bourial — permanecem nas mãos da administração da prisão de Tilfet, que parece agir com impunidade.
Mohamed Bourial, assim que chegou na segunda-feira, à prisão de Tiflet, foi privado de todos os seus pertences e imediatamente colocado em confinamento solitário. A sua advogada, doutora Ouled, disse-nos que Bourial continuaria a greve de fome até à morte porque a morte não poderia ser pior do que a prisão de Tiflet 2.
A administração penitenciária de Tiflet 2 tornou o regime de isolamento uma “lei comum” para os presos de Gdeim Izik. O isolamento prolongado tem consequências muito sérias para a saúde física e mental desses homens.
Em vésperas das discussões sobre a renovação do mandato da MINURSO, a questão de proteger a vida deste grupo ainda não está resolvida. A terrível tortura a que esses presos são submetidos é a mais grave ofensa cometida pelo Reino de Marrocos, porque envolve punir, degradar e matar esses homens de maneira progressiva.
O preso Sidi Abbahah esteve proibido de enviar queixas a nível nacional e internacional. Depois de muitos meses, foi-lhe dada uma caneta, mas a carta que queria enviar para a ONU foi bloqueada pela administração da prisão.
Mesmo com escassa informação disponível – os presos só podem telefonar com a família alguns minutos uma vez por semana e têm poucas visitas – confirma-se o pior.
Para proteger a vida destes presos, é urgente que eles sejam transferidos.
Fonte: Por un Sahara Libre

sábado, 13 de outubro de 2018

Gdeim Izik: o acampamento da dignidade saharaui, oito anos depois (Cronologia)



Fonte e foto: Cuarto Poder / Por Ahmed Ettanji, jornalista do coletivo Équipe Média

Oito anos se passaram desde que milhares de saharauis nos territórios ocupados por Marrocos levantaram o acampamento de Gdeim Izik, brutalmente desmantelado pelas forças de ocupação marroquinas

Em outubro de 2010, um levantamento saharaui começou no Sahara Ocidental ocupado pelo regime marroquino. Foi ergudido um campo de dignidade que procurou ser ouvido pela comunidade internacional. O acampamento de Gdeim Izik foi o começo, para o povo saharaui, do que mais tarde se tornou a chamada Primavera Árabe.

Cronologia do levantamento
A 10 de outubro, um grupo de cidadãos saharauis montaram a primeira ‘jaima’ (tenda tradicional saharaui) no deserto, a oeste de El Aaiún ocupado. Este ato pretendia ser o começo de um protesto contra as más condições políticas, económicas e sociais em que vivem os saharauis desde há mais de quatro décadas sob a ocupação do regime marroquino.

A 11 de outubro, foi criado o Comité de Saneamento, Limpeza e Vigilância para organizar o acampamento. A 13 de outubro, o número da população saharaui instalada no acampamento aumenta, como mais de 487 ‘jaimas e serca de 7.000 saharauis que chegaram da capital do Sahara Ocidental para a zona de Gdeim Izik. Ao mesmo tempo, as forças de ocupação usam armas para proibir a entrada de mais saharauis e, com isso, cortam o fornecimento de alimentos e remédios, e começam a fortalecer o bloqueio militar em redor do campo.

A 15 de outubro, enviaram funcionários do Ministério do Interior e militares para convencer os saharauis de que tinham que abandonar o campo, uma tentativa que fracassou porque não garantiam nem as exigências reivincadas nem a integridade física dos manifestantes.

A 18 de outubro, a Frente Polisario informa o Conselho de Segurança da ONU sobre o perigo que enfrentam os milhares de saharauis que se deslocam massivamente para Gdeim Izik. As autoridades de ocupação marroquinas cercam a capital do Sahara Ocidental ocupado, usando helicópteros para impedir que mais pessoas se desloquem para Gdeim Izik. Os saharauis do porto de Marsa, a 25 quilómetros de El Aaiún, erguem mais de 20 ‘jaimas’ para protestar contra as terríveis condições de trabalho. A falta de trabalho para a população saharaui é uma estratégia do ocupante para empobrecer e marginalizar o povo saharaui nos territórios ocupados. Teme-se o pior, face ao elevado número de efetivos das forças de segurança deslocados para a zona.

A 19 de outubro, os saharauis de Gdeim Izik apelam à comunidade internacional a intervir, com o objetivo de romper o bloqueio imposto pelo exército marroquino e fornecer água, medicamentos e alimentos. A 20 de outubro regista-se uma forte deslocação de militares, alguns deles vêm do "muro da vergonha" para reforçar as medidas de bloqueio no campo. O "muro da vergonha", com mais de 2.700 quilómetros de extensão que divide o Sahara Ocidental em dois e é uma das áreas dos planeta com mais minas antipessoal.

Milhares de saharauis continuam o êxodo em massa para os campos, na periferia de outras cidades ocupadas, que se reproduzem com Gdeim Izik como exemplo. A 21 de outubro, as forças do exército marroquino (a Gendarmaria e as forças auxiliares) cercam o acampamento e proíbem o acesso aos carros. O exército marroquino começa a construir uma parede de areia a leste de El Aaiún para impedir o fluxo de saharauis para Gdeim Izik. Confiscam mais de 40 carros que transportavam saharauis para o campo.

A 22 de outubro, o exército marroquino ataca mais de 41 saharauis que tentavam entrar no acampamento. Regista-se um aumento de reforços militares para cercar os deslocados saharauis. O exército marroquino fere gravemente três cidadãos saharauis nas proximidades de Gdeim Izik.

O exército marroquino impede pela força o deslocamento de centenas de saharauis nos arredores da cidade ocupada de Dakhla (extremo sul do Sahara Ocidental). Três saharauis são levados para o hospital de El Aaiún para receber tratamento após terem ficado gravemente feridos, vítimas da repressão exercida pelo exército marroquino.

A 24 de outubro, as Forças Armadas de Marrocos disparam contra um carro que tenta entrar no campo, o que causa a morte de Najem Elgharhi, um menino de 14 anos e o ferimento grava de outros cinco ocupantes da viatura.

A 25 de outubro, as autoridades de ocupação marroquinas enterram o corpo do menor Najem Elgharhi sem o consentimento e a presença de sua família. A mãe do menino exige uma autópsia ao corpo do seu filho e uma investigação independente que leve os responsáveis pelo assassinato à justiça. As autoridades marroquinas impedem a entrada de jornalistas espanhóis em El Aaiún.

A 27 de outubro, as autoridades de ocupação sequestram três vítimas do hospital da região vítimas dos disparos dos militares. A 28 de outubro, as vítimas saharauis do tiroteio relatam que foram espancadas e torturadas antes de serem levadas para o hospital. Oito observadores espanhóis são detidos no porto de El Aaiún. Chegavam de barco vindos da Gran Canarias e são expulsos e impedidos de chegar ao acampamento de Gdeim Izik.

A 31 de outubro, as autoridades de ocupação expulsam o deputado da Esquerda Unida (IU), Willy Meyer, e, ao mesmo tempo, expulsam o presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática. A 3 de novembro, o número de pessoas deslocadas para o campo chega a mais de 25.000 e 8.000 ‘jaimas’. As forças de repressão marroquinas sitiam o aeroporto de El Aaiún, impedindo a entrada de sete observadores internacionais. As autoridades de ocupação começam os preparativos para atacar o campo. Lançam uma campanha de propaganda que descreve o Comité de Diálogo do Campo como "uma gangue que sequestra mulheres e crianças" para usar como desculpa contra Gdeim Izik.

A dia 7 de novembro, os saharauis do campo confirmam, através de um comunicado, a sua adesão aos princípios nacionais saharauis e a exigência de independência. As autoridades de ocupação, por sua vez, detêm três deputados espanhóis no aeroporto marroquino de Casablanca. Pouco tempo depois são expulsos para Espanha. Entretanto, proibem a passagem de um comboio de viaturas saharaui que transporta alimentos e medicamentos para Gdeim Izik. O regime de ocupação prossegue com uma campanha de prisões e perseguições. Expulsam um deputado francês. Impedem a entrada no território de um eurodeputado e de três jornalistas espanhóis. O exército marroquino cerca o acampamento de Karama e intima por alto-falantes a população sair, dá-lhes três horas para deixar o acampamento.

A rede telefónica é cortada no acampamento e na cidade de El Aaiun. Milhares de soldados, policias armados com cassetetes, gás lacrimogéneo e camiões com mangueiras de água posicionam-se no terreno. As entradas e saídas de El Aaiún são encerradas. Grandes manifestações têm início em El Aaiún exigindo a autodeterminação e a condenação do bloqueio imposto ao campo.

No dia 8 de novembro, às 5h da manhã, as forças de ocupação atacam com enorme brutalidade e desmantelam o acampamento de forma muito violenta: armados com armas, gás lacrimogéneo, canhões de água, camiões e 4 × 4, atacam o povo enquanto ele dormia. Atacam crianças, mulheres, homens, idosos, deficientes e queimam o acampamento. Saqueiam todos os pertences dos manifestantes, dos telemóveis, aos portáteis ... Prendem centenas de pessoas e fazem cerca de 2.000 feridos.

A resistência transfere-se para El Aaiún. Há manifestações que também são reprimidas com novas armas: os colonos marroquinos que são transportados dentro de camiões militares. Têm também a ajuda de um helicóptero. Saqueiam casas, torturaram muitas pessoas, saqueiam e incendeiam lojas de saharauis. Matam dois saharauis (Babi Gargar e Brahim Doudi), prendem centenas de pessoas, deixando muitas vítimas feridas na estrada. Levam para a Prisão Negra de El Aaiún mais de 200 saharauis e 24 presos saharauis são levados para julgamentos militares em Marrocos.

El Aaiún vira uma cidade fantasma. Ninguém sai de suas casas com medo de represálias e detenções arbitrárias. Os comandos das forças marroquinas arrombam muitas casas, detêm muitas pessoas e causam muita destruição nas casas dos saharauis. Alguns dos detidos são libertados depois de serem torturados e violados em locais secretos.




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sábado, 6 de outubro de 2018

Presos políticos saharauis do Grupo Gdeim Izik em Tiflet2 em greve de fome




Por un Sahara Libre – 06-10-2018 - O preso político saharaui Mohamed Lamin Haddi, do grupo Gdeim Izik, actualmente detido na prisão de Tiflet 2, em Marrocos, iniciou uma greve de fome a 5 de Outubro contra o assédio diário, os maus-tratos e o confinamento prolongado a que está sujeito desde a sua transferência em 2017 da prisão de El Arjat. Durante a sua última greve de fome, Mohamed Lamin Haddi recebeu a promosse de que seria transferido para uma prisão mais próxima da sua família no Sahara Ocidental, e também que poderia estudar e receber os cuidados médicos necessários, promessas que não foram mantidas pelas autoridades marroquinas.

Todos os prisioneiros do Grupo Gdeim Izik atualmente encarcerados em Tiflet2 estão em greve de fome. Mohamed Lamin Haddi juntou-se assim a Abdallahi Abbahah, que iniciou a sua greve de fome no dia 1 de outubro e a El Bachir Khadda, que começou a sua greve no dia 18 de setembro.
Os prisioneiros estão sem contacto humano significativo há meses, vítimas de tortura psicológica, assédio e maus-tratos. Estão em celas com o mínimo necessário, sem forma de passar o seu tempo, olhando para as paredes 22 horas ou mais sob confinamento prolongado.
Os guardas da prisão, sob instruções estritas da Administração Prisional, “revistam” as celas desses prisioneiros políticos quase diariamente e Abdallah Abbahah foi atacado fisicamente.
Apesar das numerosas queixas feitas pelos prisioneiros, as famílias e a sua advogada Maitre Ouled à administração da prisão, ao procurador geral, à CNDH e outras autoridades marroquinas, o tratamento destes prisioneiros tem piorado diariamente.
As famílias responsabilizam o Reino de Marrocos pela saúde e a vida destes presos políticos.
Abdallahi Abbahah está numa cela de isolamento desde o início de sua greve de fome e El Bachir Khadda está sozinho numa cela na enfermaria.

domingo, 9 de setembro de 2018

Prisioneiros políticos Gdeim Izik: a desculpa da soberania para justificar a tortura





Fonte – Por un Sahara Libre – 07-09-2018 - Um ano após a confirmação das suas sentenças, os presos políticos saharauis continuam a ser torturados nas prisões marroquinas, enquanto se aguarda uma nova decisão do Supremo Tribunal marroquino.

Esperar por esta decisão dá esperança aos prisioneiros, famílias e ao seu apoio. De facto, em 2016, a agenda política marroquina levou à anulação do julgamento do Tribunal Militar considerado injusto e ilegal por várias ONGs e instituições. Na realidade, essa anulação permitiu que o Reino de Marrocos argumentasse que os prisioneiros não tinham esgotado os recursos internos e, por isso, impedido a aplicação de decisões da ONU, como a do Comité contra a Tortura e a opinião do Grupo de Trabalho contra a Detenção Arbitrária. Da mesma forma, a separação de poderes permite ao Reino não libertar esses prisioneiros inocentes na ausência de uma decisão judicial para esse efeito.

Apenas um leitor bem informado sabe que o Supremo Tribunal marroquino só pode decidir em questões de direito; não pode voltar atrás nos factos. Além disso, em 2016, remeteu o caso ao Tribunal de Recursos de Rabat, sem concluir que os prisioneiros fossem imediatamente libertados, embora tenha constatado que não havia provas da sua culpa para além das confissões escritas pela polícia e pela Gendarmaria Real. Isso significa que, oito anos após os primeiros atos de tortura a que os prisioneiros foram submetidos, nenhuma investigação foi aberta, embora isso levasse à conclusão de que as confissões eram inválidas e assim, levar à libertação de prisioneiros.

Hoje, ninguém sabe quando o Supremo Tribunal marroquino tomará uma decisão. O que, no entanto, é certo é que nenhuma investigação dos factos de tortura será exigida pelo Tribunal.

Pior ainda, é provável que o processo continue no caso de um encaminhamento para um Tribunal de Recurso. Temos ainda de ver uma nova tentativa das autoridades marroquinas de ganhar tempo; como se a situação atual fosse perfeitamente legal. No entanto, viola os princípios mais básicos dos direitos dos prisioneiros. Na ausência de um julgamento final, esses prisioneiros permanecem em prisão preventiva por 8 anos, apesar da sua inocência. No entanto, um estado democrático não manteria os homens presos por oito anos sem um julgamento final, abstendo-se de investigar os factos da tortura.

Essa falta de investigação e as violações graves e quotidianas dos direitos fundamentais dos prisioneiros não representam um problema para o Reino de Marrocos, que meramente recorda a soberania de que goza, por um lado, para desrespeitar pura e simplesmente o sistema formal, a proibição de tortura e, por outro lado, violar as convocações da ONU.

Os prisioneiros estão todos num estado preocupante de saúde: danos irreversíveis à sua saúde já existem. A maioria deles foi privada de luz, trancada em celas por 22 horas ou mesmo durante todo o dia, sem apoio médico. Além das degradações físicas, sofrem de depressão severa e não têm esperança.

Esses tratamentos desumanos visam matar o que resta desses homens inocentes. Ainda haverá tempo para o Reino encontrar desculpas para libertar os mais fragéis e deixá-los morrer em indiferença como o prisioneiro político do grupo Mohamed AYOUB, que morreu em fevereiro passado após a tortura sofrida.

Portanto, é mais do que necessário que as instituições internacionais lembrem ao Reino de Marrocos a sua obrigação de cooperação e dar sentido ao direito internacional público. A ratificação de instrumentos internacionais como a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e o seu Protocolo Facultativo é, de facto, insuficiente nesta fase, uma vez que Marrocos recusa-se a implementar qualquer recomendação ou decisão relativa aos presos políticos saharauis. A retomada sistemática da tortura de prisioneiros durante este ano é finalmente outra provocação aberta e não pode ser justificada pelo alegado novo encaminhamento para o Supremo Tribunal marroquino.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Governo francês intervém por Claude Mangin, esposa de preso político saharaui





Após quase um mês da greve de fome de Claude Mangin, esposa do ativista saharaui Naama Asfari, o governo e o presidente francês pedem a Marrocos que reconsidere a interdição de entrada desta cidadã francesa no território marroquino.
França pede agora a Marrocos que deixe a cidadã francesa visitar o seu marido, um ativista de direitos humanos que defende a independência do Sahara Ocidental, e segundo declarações oficiais de Jean-Yves Le Drian, chefe da diplomacia francesa, no passado 15 de Maio, segue “muito de perto” a greve de fome de Claude Mangin, uma professora de 62 anos.
Na terça-feira Jean-Yves Le Drian disse na Assembleia Nacional francesa em resposta às perguntas do deputado Jean-Paul Lecoq do PCF que ”as autoridades marroquinas foram contactadas várias vezes sobre o caso da Sra. Mangin para conseguir que ela viaje a Marrocos para poder visitar o seu marido”.
“Falei várias vezes, não só oficialmente, mas também pessoalmente com o meu colega marroquino”, disse o ministro das Relações Exteriores francês.
Claude Mangin, professora de história e geografia, de 62 anos, começou uma greve de fome em 18 de abril depois de ter sido impedida de entrar em Marrocos para visitar o marido Naama Asfari.
Jean-Yves Le Drian informou que o Presidente Emmanuel Macron, o Primeiro Ministro Edouard Philippe e ele próprio “estão informados” da situação e que querem que se saiba que ” estamos especialmente atentos e emocionalmente envolvidos neste assunto”, disse o ministro.

Fonte: Por Un Sahara Libre



domingo, 13 de maio de 2018

Onde esconde Marrocos o preso político saharaui Abdallahi Abbahah?





Desde o dia 7 de Abril que o preso politico saharaui Sidi Abdallahi Abbahah está em local desconhecido após ter sido levado pelas autoridades marroquinas descalço e sem quaisquer pertences da prisão de Kenitra.
Pensava-se que tinha sido transferido para a prisão de Tiflet2, tal como Mohamed Bourial, outro preso politico saharaui do grupo de Gdeim Izik.
A família e a advogada francesa Olfa Ouled não conseguiram, até ao momento, obter qualquer informação das autoridades marroquinas.
Sidi Abdallahi Abbahah foi condenado a prisão perpétua num julgamento sem um mínimo de garantias ou respeito pelos procedimentos jurídicos.
Abdallahi Abbahah denunciou as torturas a que foi submetido durante semanas após a sua detenção arbitrária em Novembro de 2010 em El Aaiún após o brutal desmantelamento do acampamento de protesto pacífico Gdeim Izik.

Fonte: Por un Sahara Libra



terça-feira, 17 de abril de 2018

Claude Mangin Asfari expulsa de Marrocos pela quarta vez





Paris, 17/04/2018 (SPS) – A Associação de Amigos da República Árabe Saharaui Democrática em França informou ontem em comunicado que que a sua amiga, “Claude Mangin-Asfari, esposa de um dos presos políticos saharauis do grupo de Gdeim Izik, desde há dois anos que vê impedida a sua entrada em Marrocos para ver a o seu marido, Naama Asfari.”

"O desgosto e o sentimento de injustiça fizeram com que ela desafiasse a proibição e tentasse" ontem, 16 de abril:  "tomou um avião mas, pela quarta vez, a sua entrada em Marrocos foi proibida", diz o comunicado.

"Claude Mangin-Asfari sempre esteve ao lado do marido para defender o direito do povo saharaui de dizer em liberdade o que querem para eles. Este compromisso é, sem dúvida, o que o Reino de Marrocos quer punir, impedindo qualquer contacto com o marido, detido há 7 anos" – afirma o comunicado.

A Associação dos Amigos da RASD e todas as associações em França e na Europa em solidariedade com os saharauis ou simplesmente atentas à aplicação de um direito elementar, o direito de visitar um membro da família em reclusão, denunciam esta nova expulsão e declaram o seu total apoio a todas as iniciativas que a Sra. Mangin-Asfari pode adotar para poder entrar na prisão de Kenitra, onde seu marido está preso.

A associação lembra que desde, que invadiu o Sahara Ocidental - antigo Sahara Espanhol - , o Reino do Marrocos exerce uma repressão cruel contra todas as expressões públicas que se opõem à sua ocupação. Esta repressão assumiu muitas formas desde 1976, desaparecimentos forçados, prisões com ou sem julgamento, tortura e tratamento cruel na detenção e nas prisões. Para o poder ocupante trata-se de impedir a todo o custo qualquer expressão a favor da autodeterminação.

O grupo de presos saharauis de Gdeim Izik, detido após o desmantelamento, em novembro de 2010, deste campo da liberdade, foi condenado a penas muito duras (de 20 anos a prisão perpétua) durante dois julgamentos inquisitoriais, em 2013 e 2017, onde a única coisa que importava era sua condenação política, que deveria ser exemplar. Desde o seu encarceramento, todos mantêm a sua luta dentro da prisão e testemunharam com coragem, no seu julgamento, a sua adesão ao direito à autodeterminação e à independência do povo saharaui.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Morre um preso político de Gdeim Izik



Mohamed El Ayoubi

Mohamed El Ayoubi, preso político de Gdeim Izik, que se encontrava em liberdade condicional devido ao seu estado de saúde, faleceu na tarde de ontem, quarta-feira, na cidade ocupada de  El Aaiún, convertendo-se na primeira vítima mortal do grupo de presos políticos saharauis de Gdeim Izik, injustamente condenados pelo regime ocupante marroquino a penas de 20 anos a prisão perpétua.

El Ayoubi, que foi detido pelas autoridades de ocupação marroquinas durante o selvático desmantelamento do acampamento da dignidade de Gdeim Izik a 8 de novembro de 2010, foi vítima de violações e torturas físicas e psicológicas durante vários dias tanto na sede da Gendarmería como na comissaria de Polícia em El Aaiún, Sahara Ocidental. Junto com todos os outros presos do grupo de Gdeim Izik viria a ser trasladado a 11 de novembro desse mesmo ano para Salé (Rabat) no Reino de Marrocos.

Devido às torturas sofridas, teve que manter-se em cadeira de rodas durante a sua detenção em Salé 2 até ao dia 12 de de janeiro de 2011 quando o transportaram para o hospital Souissi Rabat onde ficou internado até 28 de fevereiro de 2011.

De regresso à prisão já conseguia caminhar mas devido à tortura e à sua condição de diabético e problemas de rins continuou a padecer de problemas graves de saúde sem que tivesse a assistência médica necessária.

A 31 de outubro de 2011, todos os prisioneiros de Gdeim Izik iniciaram uma greve de fome que durou mais de um mês. Em 2 de dezembro de 2011, o Conselho Marroquino de Direitos Humanos negociou com os grevistas a libertação de Mohamed Ayoubi, que era uma das principais exigências dos grevistas devido ao seu estado de saúde extremamente grave.

Na condição de liberdade condicional, Ayoubi teve que comparecer perante o tribunal militar para o julgamento do Grupo Gdeim Izik em fevereiro de 2013, onde foi condenado a 20 anos de prisão, mas continuou em liberdade condicional.

O estado de saúde de Mohamed Ayoubi forçou-o a iniciar a hemodiálise e, em dezembro de 2016, voltou ao tribunal com o grupo Gdeim izik após a decisão do Supremo Tribunal marroquino ter enviado o processo ao tribunal de recurso da Sale, argumentando que o tribunal militar não tinha jurisdição para julgar civis e, de acordo com o Supremo Tribunal, evidências insuficientes terem sido apresentadas para provar as acusações.

Ayoubi não participou da maioria das sessões do julgamento, que se prolongaram durante 7 meses, uma vez que tinha duas sessões semanais de hemodiálise, o seu caso foi separado do processo do resto do grupo em junho de 2017 e em 20 de dezembro de 2017, um ano após o início do julgamento, Ayoubi foi sentenciado em ausência novamente a 20 anos de prisão em liberdade condicional.

Em janeiro de 2018 foram-lhe amputados dois dedos e o seu estado de saúde começa diariamente 21 de fevereiro, quando Ayoubi morre no hospital El Aaiún sem ter tido justiça.

Fonte: SPS

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Dois símbolos de Gdeim Izik





Deida Uld Esid, ancião cuja idade se perde na longa noite da memória beduina. Nayem Elgarhi, 14 anos. Várias gerações os separavam. Mas que importa o ano de nascimento quando se trata de defender a dignidade e o direito de um povo a existir? Deida e Nayem. Os dois, saharauis de El Aaiún ocupada. Os dois, tão diferentes mas tão iguais, decidiram abandonar a espera e passar à ação direta. Fizeram parte daque vaga em que milhares de saharauis denunciam em uníssono a sua situação face à comunidade internacional.

Deida e Nayem deixaram a sua não existência diária na cidade ocupada, superaram a raiva e o seu tédio para renovar o desejo de lutar contra a opressão marroquina.

Deida, um ancião, e Nayem, quase uma criança… Várias gerações os separavam pero isso não significa nada. Nos seus olhos adivinhava-se a mesma chama, a ilusão de vir a unir todos os saharauis na sua terra independente e livre. Os olhos cansados de Deida continuavam a vaguear com curiosidade e otimismo o que estava por vir. Os olhos de Nayem, curiosos e um pouco assustados, restava-lhes já tão pouco tempo…

Deida e Nayem, dois símbolos de Gdeim Izik. Duas atitudes, duas decisões, duas esperanças, duas certezas. O presente encarnado num velhote sábio e o passado retido numa criança que já não será.

O ancião saudava a vitória, cercado pelos esbirros marroquinos. A criança só queria provar, junto com os seus companheiros, o sabor de se se sentir livre na sua própria terra.

O mal levou  Nayem. Um golpe de brutalidade em forma de balas condenou-o a não ser uma criança com toda a vida pela frente. A passagem dos anos levou-nos Deida.

Dois símbolos que sempre iluminarão o povo saharaui. Uma criança eterne e um velhinho luminoso e livre.

À memória de Deida Uld Esid, falecido a 24 de Janeiro de 2018 e de Elgarhi Nayem, assassinado em 24 de Outubro de 2010.

Fonte: Haz lo que debas / Por Conx Moya