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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Presidente da RASD e SG da Polisario na investidura do novo Presidente da Mauritânia




O Presidente da República e Secretário Geral da Frente Polisario, Brahim Ghali, chegou a Nouakchott na tarde desta quarta-feira para representar a República saharaui na cerimónia de inauguração do novo Presidente eleito daMauritânia, Mohamed Ould Cheikh El Ghazwani, que teve lugar hoje quinta-feira, no Centro de Conferências Al Mourabitoune.

Brahim Ghali foi recebido no Aeroporto Internacional de Oumtounsy, em Nouakchott, pelo primeiro-ministro da Mauritânia, Mohamed Salem Ould Bashir e outros membros do governo, além do governador de Nouakchott ocidental.
O Presidente saharaui é acompanhado por uma delegação que integra o Ministro das Relações Exteriores, Mohammed Salem Uld Salek, o Secretário de Estado da Segurança e Documentação, Brahim Ahmed Mahmud, bem como os conselheiros da Presidência da República, Lehreitani Lehsan, Ahmed Salama e Abdati Breika; e a diretora da editora L`Harmattan RASD, Nana Labat Rachid.
Fonte:SPS

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Argélia e Mauritânia inauguram primeiro posto fronteiriço perto de Tindouf



A comissão Argelino-Mauritana ultima os preparativos para inauguração do primeiro posto fronteiriço terrestre que ligará Argélia à Mauritânia. A informação foi veiculada no sábado, 21 de julho, pela Rádio Televisão da Argélia, canal oficial na sua edição em língua árabe e foi difundida pela imprensa televisiva e escrita da Mauritânia.

Os dois países preparam-se para abrir a primeira fronteira no final de julho, no marco de uma política de fortalecimento de laços económicos e de amizade, garantindo a circulação de pessoas e bens. Servirá também para fortalecer o controle de segurança da fronteira entre as duas nações africanas. Com este passo abre-se uma nova época de integração entre os países norte-africanos com os do Sahel, segundo informou o canal de televisão da Argélia.

A Alta Comissão Conjunta argelino-mauritana autorizou a construção do posto fronteiriço na sua última reunião, em dezembro de 2017, em Argel. O ponto escolhido da raia para instalar o posto fronteiriço situa-se a 75 quilómetros da cidade argelina de Tindouf e prosseguirá por estrada até à cidade mauritana de Zoueirat, daí ligando à capital da Mauritânia, Nouakchott.

Acampamentos de refugiados saharauis junto da cidade argelina de Tindouf - Foto de Bernat Millet


A criação deste 1.º posto terrestre transfronteiriço e a ligação rodoviária entre os dois países magrebinas, quem têm uma fronteira terrestre que se estende ao longo de 460 km, não são alheias à disputa existente entra Marrocos e a Argélia, consequência, em grande parte, da ocupação ilegal do Sahara Ocidental pela reino cherifiano; mas, também, das más relações que a Mauritânia tem com o Reino de Marrocos desde há alguns anos a esta parte.

O novo posto fronteiriço a ligação rodoviária situam-se muito próximos dos acampamentos de refugiados saharauis, cuja existência remonta à ocupação do Sahara Ocidental por Marrocos em 1975.



sábado, 24 de março de 2018

Köhler: meu mandato consiste em encontrar uma solução que garanta a autodeterminação do povo saharaui




NOVA IORQUE- O ex-presidente alemão Hörst Kohler define claramente o seu mandato como Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental, explicando diante do Conselho de Segurança que ele consistia em "encontrar um caminho para o 'futuro' que possa levar a uma solução que garanta a autodeterminação do povo saharaui.
“O meu papel nesse processo não é o de um árbitro que deve julgar quem teve razão ou esteve errado no passado. O meu mandato é encontrar um caminho para o futuro, um caminho que possa levar a uma solução mutuamente aceitável e que permita a autodeterminação do povo saharaui", afirmou Kohler na sua primeira apresentação sobre o Sahara Ocidental, cuja APS (Agência de Informação Argelina) obteve uma cópia.
Köhler, que explicou sua visão do processo de paz que pretende relançar em breve, precisou que o seu objetivo é retomar as negociações diretas entre as duas partes envolvidas no conflito no decorrer de 2018.
Mas esclareceu que essas negociações "não são um fim em si mesmo", porque elas "só serão frutíferas se forem conduzidas com realismo, espírito de compromisso, de boa-fé e sem condições prévias".
“É assim que a resolução 2351 o define, e não precisamos de uma nova terminologia, mas de um desejo de preencher essa linguagem de significado e de aplicá-la pela ação ", acrescentou Kohler, rejeitando as condições de Marrocos, que se recusa a voltar à mesa das negociações se o seu plano de autonomia não for colocado como a única opção para a resolução do conflito.
O mediador alemão explicou que, de momento, não está "exclusivamente focado na solução", mas na "busca por um processo" que permita que ambas as partes do conflito negoceiem a solução.

-Deslocação a El Aaiún -

Kohler expressou a sua disposição de ampliar a temática das discussões ao incluir questões que dizem respeito diretamente à situação dos saharauis nos territórios ocupados. Para isso, ele planeia ir a El Aaiún para com eles se encontrar, prometeu (o Enviado Pessoal do SG da ONU)
Referindo-se às consultas que manteve nos últimos dois meses, Köhler disse que elas foram "guiadas por âncoras estratégicas".
A este propósito, Köhler sublinhou que as consultas bilaterais com as partes do conflito e os países vizinhos tinham como objetivo "aumentar a confiança na sua imparcialidade" e em explorar áreas suscetíveis de compromisso.
Disse que durante essas reuniões ele "expressou algumas de suas expectativas" para alcançar um processo bem-sucedido.
“Disse-lhes que não tomaria parte na gestão dos incidentes e não reagiria às crises fabricadas, e que não atuaria como bombeiro", afirmou, numa alusão a Marrocos, que provocou crises recorrentes à Missão das Nações Unidas para a organização de um Referendo de Autodeterminação no Sahara Ocidental (MINURSO) para atrasar os esforços de mediação do ex-enviado Christopher Ross.

-Ouvir as posições da União Africana-

Köhler observou perante o Conselho de Segurança que essas consultas ampliadas decorreram sob o signo da escuta atenta.
“Quero falar e ouvir todas as partes interessadas que possam ajudar a resolver este conflito", disse.
Sobre a União Europeia, referiu que se trata de "um vizinho próximo e um parceiro estratégico dos países do Magrebe em termos económicos, sociais e de segurança". "A EU tem, portanto, uma perspectiva clara do conflito", argumentou Köhler.
"Da mesma forma, não há dúvida de que a União Africana é uma parte interessada importante, cujos pontos de vista sobre o conflito devem ser ouvidos, especialmente dado que Marrocos e a República Árabe Saharaui Democrática são ambos membros" desta organização, sublinhou.
O mediador alemão pretende avançar na sua missão apesar das tentativas do Marrocos de perturbar os seus esforços, argumentando que a resolução desse conflito é de responsabilidade exclusiva do Conselho de Segurança, onde desfruta do incondicional apoio da França.
Com este objetivo, o mediador alemão pretende realizar novas consultas bilaterais com membros do Conselho de Segurança, inclusive com vários altos responsáveis da China e da Rússia.
Horst Köhler apelou ao Conselho de Segurança para o apoiar na sua missão de mediação.
"Convido todos os membros do Conselho a continuarem a me apoiar com palavras e ações e a começar a garantir que a Resolução 2351 seja implementada", concluiu.

domingo, 11 de junho de 2017

Ainda, e sempre…, o sonho do “Grande Marrocos”

Os políticos marroquinos fazem lembrar os dirigentes e adeptos ferrenhos de alguns clubes de futebol em Portugal. Por cá, sempre que os resultados são desanimadores… toca de passar a culpa para as arbitragens; em Marrocos, sempre que a contestação social aquece (veja-se os acontecimentos recentes na região do Rif…) desenterra-se o velho sonho imperial do Grande Marrocos como manobra de diversão.

Abdelatif Wahbi, dirigente do PAM, o partido dos "Amigos do Rei"

Abdelatif Wahbi dirigente marroquino do Partido Autenticidade e Modernidade, conhecido como o partido dos “Amigos do Rei”, reivindica os territórios da Mauritânia e parte da Argélia.

Fonte: Diario La Realidad Saharaui, DLRS  –  10 de junho de 2017 – Marrocos de novo, e uma vez mais, deste feita por palavras de Abdelatif Wahbi, membro do Partido Autenticidade e Modernidade, formação política da órbita do palácio real marroquino reivindicou de novo que as fronteiras do Reino marroquino se estendem até ao Rio Senegal. O político e advogado marroquino volta a proferir as graves declarações que provocaram no ano passado a crise com a República da Mauritânia e todavia persiste entre os dois países.


Abdelatif Wahbi do PAM, próximo do palácio, falou nestes termos: “As fronteiras de Marrocos estendem-se até ao rio Senegal a sul e também ao Sahara Oriental” numa referência à Mauritânia e aos territórios ocidentais da Argélia (Bechar e Tindouf). As declarações foram recolhidas pelo portal saharaui de informação ‘Equipe Media’. O político marroquino fez estas graves declarações durante a sua intervenção como advogado que defende a  atuação de Makhzen na sessão do julgamento dos presos políticos saharauis de Gdeim Izik na passada quinta feira, 8 de junho na capital marroquina, Rabat. Julgamento que foi, uma vez mais adiado.

sábado, 22 de abril de 2017

EUA e Marrocos realizam manobras militares perto da fronteira norte do Sahara Ocidental




As manobras militares "Leão Africano", que anualmente EUA e Marrocos realizam por esta altura, tiveram início esta em Tan-Tan, no sul de Marrocos.

No programa deste ano, participam nas manobras conjuntas um total de 1300 militares de Marrocos, EUA, Canadá, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Malí, Mauritânia, Senegal, Espanha e Tunísia, que chagaram ao território marroquino por estes dias, segundo a fonte noticiosa dos Marines dos Estados Unidos "Marine Forces Reserves".

O propósito, segundo a mesma fonte, é o de trabalhar em conjunto com as Forças Armadas Reais marroquinas (FAR) e de outros estados africanos na aprendizagem do uso de armas táticas.

Por seu lado, a marinha espanhola publicou na sua conta Twitter fotos de Unidades dos Fuzileiros, acrescentando que já se encontram prontas para participar nos exercícios militares «Leão Africano 17» liderados pelos EUA e Marrocos.

Os exercícios militares têm lugar até ao dia 28 de abril com a cidade marroquina de Agadir como epicentro das operações. As manobras terão lugar em várias cidades do sul de Marrocos segundo a mesma fonte.

Fonte: El Confidencial Saharaui

sábado, 11 de março de 2017

Enviado especial do Presidente da RASD recebido pelo Presidente mauritano



Nouakchott, 10/03/17 (SPS) – O membro do Secretariado Nacional da Frente Polisario e coordenador saharaui junto da Missão das Nações Unidas para o Referendo do Sahara Ocidental (MINURSO), M’Hamed Khadad, foi recebido ontem na capital mauritana pelo presidente Mohamed Ould Abdelaziz, a quem entregou uma mensagem do presidente da RASD, Brahim Ghali.
M´hamed Khadad, em declarações à agência de notícias mauritana, afirmou que tivera a honra de ser recebido pelo chefe de Estado da Mauritânia a quem entregou uma mensagem do seu homólogo saharaui.
Khadad acrescentou que a mensagem aborda  “as relações bilaterais e os últimos desenvolvimentos da causa saharaui nos planos regionais e internacionais”.

O encontro foi uma oportunidade para consolidar ainda mais as relações de irmandade existentes entre os povos saharaui e mauritano - disse.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Incidente entre Mauritânia e Marrocos por causa do Sahara




O secretário-geral do Partido Istiqlal (PI), Hamid Chabat, de Marrocos, fez declarações públicas sábado 24 de dezembro de 2016 em que se referiu à Mauritânia como um país “filial, subsidiário” que historicamente “pertencia a Marrocos” reivindicando o que se denomina por o Grande Marrocos cujo território incluiria as “cidades de Ceuta e Melilla, ilhas Chafarinas” (no Mediterrâneo), territórios pertencentes à Argélia após a guerra das areias de 1963 “até ao vale do rio Senegal”.

Hamid Chabat disse que há uma “conspiração” liderada pela Argélia e Mauritânia para “anexar” Marruecos pelo apoio de ambos os países aos saharauis, sustentando que se havia “perdido a nossa dignidade”.


Leia aqui o artigo publicado no periódico "Periodistasenespanol.com": 


sábado, 9 de julho de 2016

"A independência da Mauritânia continuará incompleta enquanto o Sahara Ocidental não for livre" - afirma dirigente mauritano




A Mauritânia teve uma forte representação no Congresso extraordinário da Frente POLISARIO. Os dois povos são muito próximos e partilham a mesma língua: o Hassania.

A presença da delegação oficial mauritana terá irritado particularmente as autoridades marroquinas, com quem as relações com o presidente Mohamed Ould Abdel Aziz estão, há muito, longe de serem boas e francas.

Embora não tendo reconhecido oficialmente a RASD, o presidente mauritano decidiu enviar uma delegação de alto nível liderada por Sidi Ould Zine, membro do secretariado político do partido “Union pour la republique”, no poder atualmente, e antigo ministro da Justiça.

Por sua vez o presidente do partido mauritano “Union des Forces de Progrès (UFP)”, Mohamed Ould Maouloud,  intervindo no Congresso Extraordinário que elegeu o novo líder saharaui, afirmou que «a independência da Mauritânia, continuará incompleta enquanto o povo saharaui não obtiver a sua liberdade e a sua independência».


Afirmando que a neutralidade da Mauritânia em relação ao dossier do Sahara destina-se a aportar o maior apoio a esta questão, o líder da UFP sublinhou que a inércia internacional, nomeadamente das Nações Unidas, colocam em risco a oportunidade de « luta pacífica» adotada  pela Polisario durante este período.

domingo, 8 de maio de 2016

Marrocos utiliza o terrorismo como arma para dissuadir a MINURSO




Muitas surpresas marcaram a primeira semana depois da resolução norte-americana aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e que exige o restabelecimento total da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental, MINURSO. O Estado Islâmico ameaça atacar a missão.
Infelizmente, a censura imposta aos grandes meios de difusão não permitiu que o público ocidental fosse informado sobre esses acontecimentos.
 Cinco dias depois da adoção da resolução 2285, o Estado Islâmico lançou uma gravação sonora, difundida pela agência de Al Jazeera e a agência espanhola EFE, ameaçando atacar a missão das Nações Unidas no Sahara Ocidental, MINURSO.

Na propaganda difundida na terça-feira passada pela Al Jazeera, os militantes (Tawhid Walyihad) ameaçaram atentar contra todas as delegações da missão da ONU e expulsar os infiéis.

Tal como foi revelado num documento difundido por El CONFIDENCIAL SAHARAUI há alguns meses, o lugar em que teve lugar tal reunião entre funcionários marroquinos e líderes da AQMI, foi o Hotel Prestige, situado na ''Rue Maritime'' na cidade mauritana de Nouadhibou, onde também se encontra situado o consulado marroquino.


Historicamente, esta milícia jihadista manteve uma aliança com a Al Qaeda do Magreb Islâmico. No entanto, nos últimos meses, levantaram-se dúvidas sobre a sua validade. E também sobre a permanência do grupo enquanto tal.

O documento revela que as duas partes acordaram reativar a atividade terrorista em território argelino através do financiamento e fornecimento de armas para pôr em prática os planos que acertaram e que são:

  • Levar a cabo atos terroristas no Sahara Ocidental.
  •  Proporcionar informação sobre qualquer marroquino que se junte ao grupo terrorista.
  •  Ataques terroristas na fronteira entre a Tunísia e a Argélia.
  •  Realizar ataques em solo líbio.
  •  Facilitar o acesso de terroristas que desejem juntar-se ao grupo armado através da fronteira de Marrocos.
  •  Proporcionar apoio em armamento e logístico.
  •  Proporcionar informação aos líderes terroristas do movimento.


Estas revelações demonstram que o governo marroquino tem Relações com os líderes destes movimentos com os quais chegaram a um acordo para semear o terror e reativar a atividade terrorista na região, assim como nos países do Magrebe, como a Tunísia e a Líbia.

Mas até agora era ações secretas, cuja existência Rabat não conhecia enquanto estavam ocorrendo.

No caso do Sahara Ocidental foi dado um passo decisivo: o rei de Marrocos concedeu financiamento e armamento a duas organizações que representam a al-Qaeda do Magrebe islâmico.
O que até agora era um segredo, tornou-se política oficial do país de repressão: o terrorismo.

Fonte: El Confidencial Saharaui

terça-feira, 15 de março de 2016

Morreu Ahmed Baba Miské, político e intelectual mauritano, histórico da revolução saharaui


El Ouali - fundador da Frente POLISARIO -  e Ahmed Baba Miské

No adeus a Ahmed Baba Miské, ex-embaixador da Mauritânia nas Nações Unidas. Escritor, jornalista, poeta e investigador. Ex-membro do bureau político da Frente Polisario


Depoimento de Mohamed Zrug, actual representante da Frente Polisario no Brasil, de homenagem ao enorme intelectual mauritano:

Morreu o mauritano mais saharaui e o saharaui mais mauritano. Diplomata, poeta, académico e líder revolucionario. Ahmed Baba Miské, reuniu forças onde já não as tinha, para quase moribundo, se despedir pela última vez do seu povo, durante o XIV Congresso da Frente Polisario que decorreu em Dezembro passado. Evocou de onde vínhamos e falou dos desafios que se nos colocam. Falou, e muito, da Unidade. Glória eterna a Baba Miské.


Depoimento de Aby Athman:

“O erro mais grave que cometeu Luali [El Ouali Musapha Sayed - fundador e líder da Frente Polisario, morto em combate às portas da capital mauritana a 9 de Junho de 1976] foi ter dado a sua vida tão jovem e tão cedo” disse Ahmed Baba Miské sobre o fundador da Frente Polisario. Hoje também ele nos deixa cedo, um intelectual que tivemos a honra de ter no último congresso da Frente Polisario, no que parecia mais do que um encontro, mas antes uma despedida, onde proferiu um  discurso emocionado e polvilhado de «estórias» e de experiências vividas nos primeiros dias da revolução, e fazendo-o com grande convicção e ideologia, dando uma grande importância à história porque estava ciente de que aqueles muitos jovens que o estavam a ouvir com atenção reconheceriam o legado que nos estava transmitindo.
 “Disseram-nos que era impossível, mas para nós nada o será” dizia Ahmed Baba Miské falando do momento em que iniciaram a revolução junto com Luali; o povo saharaui sabe bem que partiu, que nos deixou, um companheiro impossível. ¡Hasta siempre, Ahmed Baba uld Miské!


Depoimento de Bachir Lehdad: Morreu o “CHE Saharaui”!

A much@s de ustedes les ocurre, seguramente, como a mí:
Que no les guste hablar de los muertos; pero ante la pérdida de ciertas personas, no puedo resistir la tentación de tener el honor de dedicarles unas palabras. Y es el caso de AHMED-BABA AHMED-MESKA.

NO FUMABA PUROS. FUMABA IDEAS.
NO INSTRUÍA MILITARES. FORMABA SERES HUMANOS.
NO DECÍA “CHE”. DECÍA ” EIWA”
NO ERA MEDICO. SIN EMBARGO, UN POCO DE TODO:

ÉL ERA:
EL PROFESOR, EL DIPLOMÁTICO, EL ESCRITOR, EL PRESO DE CONCIENCIA, EL MILITANTE PALESTINO, EL MILITANTE SAHARAUI.

ÉL ERA:
EL AMIGO FIEL DE LULEY.
EL HIJO ADOPTIVO, CON HONOR Y ORGULLO, DEL PUEBLO SAHARAUI.


ÉL. AHMED-BABA, ERA, ES Y SERÁ SIEMPRE NUESTRO “CHE”.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Ban Ki-moon quer impulsionar uma solução para o conflito do Sahara




O secretário-geral das ONU, Ban Ki-moon, disse hoje m Nouakchott, primeira etapa da sua viagem pela região do Sahara Ocidental, que chega com a intenção de impulsionar negociações que ponham fim ao “muito velho ” conflito do Sahara, que data de 1975.

“Espero poder impulsionar as negociações e permitir aos refugiados regressar a suas casas no Sahara Ocidental o mais depressa possível”, disse Ban depois de reunir com o presidente mauritano, Mohamed Ould Abdel Aziz.

Ban tem previsto visitar amanhã uma base da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) e os campos de refugiados saharauis situados na região argelina de Tindouf, onde vivem mais de 100.000 pessoas sob a autoridade da Frente Polisario.

O secretário-geral da ONU chegou ontem a Nouakchott para uma visita de dois dias à Mauritânia, que têm grande vinculação política, social e cultural com os saharauis.

A Mauritânia foi subscritora com Marrocos e Madrid dos Acordos Tripartidos de 1975, pelos quais o território saharaui foi repartido em dois, ficando Nouakchott como administrador da província de Rio de Ouro (sul do Sahara).

Mas esta situação durou apenas três anos e em 1978 a Mauritânia retirou-se, deixando a sua parte a Marrocos e reconhecendo a República Árabe Saharaui Democrática (RASD).

Agora, a postura de “neutralidade positiva” da Mauritânia ante o conflito é “entendida por todas as partes como um método construtivo de resolução do conflito”, referiu hoje Ban.

O SG da ONU também se referiu a outras questões, como a persistência na Mauritânia da escravatura, e elogiou a ação do Governo para “pôr fim definitivamente a práticas que não têm lugar em pleno século XXI”.

Fonte: Noticias de Gipuzkoa / EFE


Tensão no Sahara ante a visita de Ban Ki-moon


Ban Ki-moon à sua chegada ontem a Noukchotte, recebido pelo primeiro-ministro da Mauritânia

  • O secretário-geral da ONU inicia um périplo pela região mas não irá a Marrocos porque Mohamed VI não estava “disponível”.
  • A sua viagem não conseguirá desbloquear a situação. “Não será o início de uma iniciativa da ONU para uma solução”, afirma um especialista


A tensão volta a ensombrar as areias do deserto. O périplo do secretario-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, à região do Sahara Ocidental despertou um conflito que, desde que começou o seu estado de hibernação após a assinatura do cessar-fogo em 1991, não deixou de viver momentos críticos interpolados com períodos de esquecimento. Ban chegou ontem à capital mauritana, Nouakchott, antes de se deslocar a a Argel. Este fim-de-semana visita Tindouf, onde estão localizados os acampamentos que, desde há 40 anos, acolhem os refugiados saharauis.

A chegada de Ban à região é histórica, pois é a primeira vez que visita a zona nos seus dez anos de mandato. Mas nesta importante viagem, o máximo responsável da ONU não pisará Marrocos. Ainda que o seu desejo fosse iniciá-la em Rabat — segundo afirmou o próprio Ban numa conferência de imprensa em Madrid na passada terça-feira —, as autoridades marroquinas comunicaram-lhe que o rei Mohamed VI não estava “disponível ” para o receber.

Ban tampouco parece ter obtido autorização para deslocar-se a El Aaiún, capital do Sahara Ocidental, ocupada por Marrocos desde 1975, e lugar onde se encontra a sede da Missão da ONU para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) que, entre outras coisas, monitoriza o cessar-fogo. Ainda que como secretário-geral da ONU “tenha direito a visitar qualquer missão de manutenção da paz, as autoridades ‘de facto’ neste domínio têm que dar autorização de aterragem do avião”, segundo explicou o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em declarações recolhidas pela agência EFE.

Ban deixou esta parte da viaje para uma “segunda etapa” que ainda não tem data mas que se fará quando for “conveniente”. Em todo o caso, não parece que venha a ter lugar antes de Abril, quando o secretário-geral debe apresentar o seu relatório anual sobre a situação do conflito, como passo prévio a que o Conselho de Segurança da ONU vote se prorroga outros seis meses mais o mandato da MINURSO. E neste sentido, essa segunda etapa está pendente de como Marrocos vai encarar relatório de Ban.

“A razão deste périplo neste momento é que é a última oportunidade de Ban de visitar o contingente da MINURSO antes que acabe o seu mandato”, refere George Joffe, professor da Universidade de Cambridge e um dos maiores peritos mundiais no conflito do Sahara Ocidental.

Um enclave simbólico

Na viagem do secretário-geral há uma visita que enerva Rabat: Bir Lehlu. Esta pequena localidade situada a Este do muro marroquino, nos chamados “territórios libertados” (a parte do Sahara Ocidental sob controlo da Frente Polisario), foi a capital provisória da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) até que há una anos foi transferida para Tifariti. Trata-se de um enclave que tem uma grande importância simbólica para os saharauis, já que foi ali que foi proclamada a RASD a 27 de Fevereiro de 1976. Em Bir Lehlu, Ban visitará uma base da MINURSO, o que que é interpretado também como um gesto de apoio à missão das Naciones Unidas.

De nova se coloca em evidencia a grande tensão reinante entre Marrocos e a ONU que vem de 2012, quando Marrocos questionou a neutralidade do enviado pessoal de Ban, o norte-americano Christopher Ross. A pesar de Rabat ter perdido essa batalha — já que Ban o reafirmou no seu cargo — não terá perdido a guerra, já que desde então conseguiu dinamitar a iniciativa das Nações Unidas na solução do conflito e impediu que a MINURSO abandonasse a sua passividade para se converter numa missão que também monitorize os abusos dos direitos humanos.

“Não creio que esta visita marque uma nova iniciativa da ONU na solução do conflito, já que todas as partes estão entrincheiradas nas suas posições. Os intentos de Ross — como anteriormente os de Baker — não deram frutos e não se vislumbra nenhum progresso desde que as conversações se romperam”, considera Joffe.

Um frágil cessar-fogo

A isto se junta o conflito do reino alauita com as autoridades da União Europeia em virtude do acordo comercial firmado por ambas as partes em 2012, mas que foi anulado pelo Tribunal Europeu de Justiça por englobar produtos dos territórios do Sahara Ocidental sob ocupação. Há apenas uma semana, Marrocos anunciou a “suspensão de qualquer contacto com as instituições europeias”. Uma decisão que se teme que possa afetar também a colaboração em matéria de luta antiterrorista e de controlo de fronteiras, dois aspetos que a UE considera o país magrebino como um parceiro chave.

Por outro lado, o cessar-fogo parece hoje mais frágil do que nunca, depois de no sábado um pastor nómada que se aproximou do muro pelo lado saharaui morreu devido a disparos de soldados marroquinos. O incidente é o mais grave desde o cessar-fogo de 1991. Segundo a imprensa marroquina, após o sucedido, as autoridades militares do reino enviaram centenas de soldados e deslocaram blindados para o extremo sul do Sahara sob seu controlo.

Tudo faz temer que se reatem as hostilidades, ideia com que a Frente Polisario tem ameaçado em várias ocasiões devido ao ponto morto em que se encontram as negociações desde há anos. O risco existe. “Recordemos que dentro da Polisario há uma facção que considera que a assinatura do cessar-fogo foi um erro”, refere Joffe em entrevista ao EL MUNDO. “Ainda que o cessar-fogo não esteja ameaçado porque a Argélia não permitirá à Polisario abrir de novo o conflito militar com Marrocos e impedi-lo-á”, acrescenta.

Fonte: El Mundo / Por Rosa Meneses

terça-feira, 23 de junho de 2015

Criado Grupo Parlamentar de Amizade Sahara-Mauritânia




Foi constituído na Assembleia Nacional da Mauritânia – através do Decreto No. 45 de 11 de junho de 2015 - um Grupo Parlamentar de Amizade Sahara-Mauritânia. “O Grupo tem por objetivo reavivar e fortalecer os laços de amizade entre os povos do Sahara Ocidental e da Mauritânia, assim como promover o apoio à legítima causa saharaui, ao direito do povo saharaui à liberdade e o respeito do direito do povo saharaui à autodeterminação”, segundo referem os membros do Grupo.

O Grupo Parlamentar é constituído por vários deputados de diversos partidos políticos mauritanos de todas as regiões do país e propõe-se sensibilizar a opinião nacional e os responsáveis da política mauritana sobre a justiça da luta do povo saharaui.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Quem beneficia com o tráfico de drogas no Sahara ?




Artigo publicado pela Agência Nouakchott de Informação (ANI) denunciando as cumplicidades do Estado e do exército marroquinos no tráfico de drogas na Mauritânia e em toda a região sahariana
  
Recentemente, jornais online divulgaram uma informação segundo a qual confrontos violentos teriam oposto o exército mauritano a traficantes de drogas, "entre os quais elementos da Polisario"

O envolvimento do exército mauritano nestes alegados "confrontos com elementos da Frente Polisario" envolvidos no tráfico de drogas não é baseado em qualquer facto real.

Trata-se, de facto, uma ação recente levada a cabo por parte do exército mauritano contra os traficantes a bordo de veículos Pick-up com uma carga composta por quantidades de droga semelhante à que é cultivada no alto e médio Atlas de Marrocos.

Os traficantes foram identificados e localizados pelas forças mauritanas que por fim os neutralizaram numa zona fronteiriça com o Sahara Ocidental a poucos metros da linha de demarcação dos dois territórios.

Esses mesmos factos foram citados pelo presidente [mauritano] Mohamed Ould Abdel Aziz ante interlocutores nas recentes cimeiras de Nouakchott e do G5 Sahel.

Na verdade, o exército mauritano agiu no seu território contra os criminosos, alguns dos quais foram mortos e outros presos. Também apreendeu grandes quantidades de drogas e vários carros que integravam a coluna dos traficantes.

Sobre esta operação, importa realçar que ela foi realizada sem qualquer coordenação com outros exércitos de países vizinhos, pois não exigia o amplo envolvimento de outros atores.

Além disso, cabe perguntar: de que servirá a implantação de forças marroquinas, se uma coluna de veículos 4x4, tendo a bordo alegados traficantes ou separatistas, pode circular de Dakhla até Bir Mogrein sem ter quaisquer problemas?

No passado, o exército mauritano já tem levado a cabo várias operações bem-sucedidas na região contra traficantes de drogas.


http://ani.mr/fr/node/302#sthash.jEKlVIbR.dpuf

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Aproximação dos governos saharaui e mauritano isola Marrocos no Magrebe




O presidente da República Islâmica da Mauritânia, Mohamed Ould Abdelaziz, recebeu, na tarde de hoje, o coordenador saharaui junto da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) Mohamed khadad, que era portador de uma mensagem do presidente saharaui com o objetivo de fortalecer as relações bilaterais.

Khadad disse que a mensagem entregue ao presidente mauritano aborda os últimos avanços na luta do povo saharaui e os esforços realizados pela comunidade internacional — principalmente a União Africana e as Nações Unidas —, para impulsionar as negociações entre o regime marroquino e a Frente Polisario a fim de se chegar a uma solução definitiva que garanta ao povo saharaui exercer o seu direito à autodeterminação.


Desde a chegada de Mohamed Ould Abdelaziz à presidência da Mauritânia, Marrocos — que ainda não conta com um embaixador mauritano em Rabat —, viu-se mais isolado na região devido à sua política agressiva para com os países vizinhos. Cabe recordar também que Marrocos foi acusado de estar por detrás de uma tentativa de assassinato de que foi alvo o presidente mauritano.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O mar de El Güera, a parte mais desconhecida da história do conflito saharaui




Quase sempre, cada vez que pensamos no povo saharaui, vêm-nos à memoria o deserto, seja a dureza da hamada argelina, onde se situam os acampamentos de refugiados há mais de 38 anos, ou a beleza das terras libertadas, onde os pastores nómadas, os filhos das nuvens, se deslocavam de forma incansável em busca da chuva e pastos verdes para alimentar as suas cabras e dromedários. Poucas vezes pensamos no mar e nesses 1200 km de costa que lhe pertencem por direito e que lhes foram brutalmente arrebatados em 1975.

E mesmo quando o fazemos, esquecemo-nos normalmente daquela que é a sua parte mais meridional. Apesar do que é costume dizer-se, a antiga colónia espanhola do Sahara Ocidental está atualmente dividida em três partes e não em duas: a Oeste, os territórios ocupados por Marrocos; a Este, os territórios libertados, controlados pela Frente Polisario, e a Sul, para lá do muro e das minas antipessoal, na metade atlântica da península do Cabo Branco, sob administração da Mauritânia, está El Güera.



A península do Cabo Branco é um pequeníssimo apêndice em comparação com o resto do corpo continental africano. Quase poderia passar despercebida não fosse o porto de Nouadhibou (Mauritânia) de onde são exportadas para a Europa todos os anos milhares e milhares de toneladas de minério de ferro e peixe, entre outros recursos naturais. O ferro provem das minas da desértica província mauritana de Zouerat, no nordeste do país. As minas estão diretamente ligadas ao porto pelo maior comboio do mundo, uma longa serpente de vagões de mercadoria com mais de 3km de comprido, puxada por três locomotivas. A via férre foi construída em 1963. O minério é descarregado diretamente do comboio para os cargueiros através de umas gigantescas cintas transportadoras pertencentes à SNIM, a Sociedade Nacional de Indústria e Mineria, que tem o monopólio da exportação de ferro na região.

O pescado provem das ricas águas dessa região do Atlântico, uma das principais fontes de abastecimento do mercado europeu. Nouadhibou, declarado porto franco, é um ponto chave para a economia mauritana e para o governo de Mohamed Ould Abdelaziz, que agora o quer converter em ponto obrigatório de passagem para controlar todas as exportações de pescado do país. É realmente um negócio rendoso que atrai cada vez mais capital estrangeiro, incluindo empresas espanholas, muitos delas canárias. Como resultado, e apesar das infraestruturas existentes serem maioritariamente industriais, começam a aflorar pouco a pouco também pequenos resorts turísticos, hotéis e restaurantes por toda a cidade e nas belas e tranquilas praias cercanas, em contraste com as ruas da cidade, pejadas de areia e sacos de plástico e lixo por todo o lado, onde os animais vagam entre os carros e o movimentado mercado tradicional.

Casa do gobernador espanhol de La Güera, 1935.




No entanto, do outro lado da península, a uns escassos 10 quilómetros a oeste, estende-se um território praticamente virgem, de praias mais selvagens e desertas, sem estradas nem construções, a não ser um ou outro pequeno abrigo de pescadores e onde se podem passar dias inteiros sem ver ninguém. É o mar Sahel, como lhe chamam os saharauis residentes em Nouadhibou, ou o El Güera, como o denominaram os espanhóis.

El Güera ou La Güera é, na verdade, um antigo assentamento colonial espanhol na margem do Atlântico que está há quase quatro décadas abandonado. Hoje em dia só restam os destroços do que foi outrora uma povoação costeira onde saharauis e espanhóis conviviam juntos em relativa harmonia, e que foi palco de uma carnificina quando Espanha cedeu ilegalmente a administração da sua colónia a Marrocos e à Mauritânia no segredo dos acordos Tripartidos de Madrid de 1975.

O exército mauritano esteve em guerra com o exército de libertação saharaui até 1979, período durante o qual bombardeou e saqueou a povoação de El Güera, forçando a população indígena a fugir. Ao contrário dos seus compatriotas do norte, muitas destas famílias saharauis não cruzaram o deserto até à Argélia, antes instalaram-se em Nouadhibou, passando a fazer parte da numerosa comunidade saharaui que já existia na cidade. Hoje em dia, podem ainda observar-se em Nouadhibou e nos seus arredores construções com telhados de uralita e outros materiais de origem espanhola que foram arrancados de El Güera.


Caminho de ferro Zouerate-Porto de Nouhadibou

 Apesar da Mauritânia ter firmado a paz com a Frente Polisario e ter reconhecido a autoproclamada República Árabe Saharaui Democrática em 1979, o pedaço de costa saharaui que tinha ficado sob a sua administração não passou, como seria de esperar, para mãos saharauis, mas ficou sob o controlo de Marrocos. Tudo menos as terras da península do Cabo Branco, que continuam a ser “administradas” pelo governo mauritano, até que se encontre uma solução para o conflito, o que impede que o povo saharaui possa beneficiar dos seus recursos. Viajando num todo-o-terreno desde Nouadhibou não se vislumbra porém qualquer tipo de fronteira visível e os pescadores mauritanos vão de forma regular fainar nas suas costas, largando as suas redes sem restrições aparentes.

A povoação fantasma de El Güera encontra-se atualmente sob controlo policial e é necessário uma autorização especial para a visitar. Além disso, a guarda costeira e a polícia mauritanas vigiam a zona para evitar possíveis casos de contrabando de droga e regular a passagem de estrangeiros, sobretudo na parte norte, onde ainda existe o perigo de minas nas proximidades do extremo meridional do muro de separação marroquino. A situação nesta “terra de ninguém” está longe de ser segura. E, ainda assim, é talvez o único lugar onde os saharauis podem aceder de forma livre à sua própria costa, e desfrutar da pesca ao robalo, e apanhar percebes gigantes e acampar com as suas “jaimas” (tendas tradicionais) à beira do mar.

Hoje, quase quatro décadas após a Espanha os ter abandonado à sua sorte, a maioria da população Saharaui ainda continua a sobreviver em campos de refugiados, desenvolvendo a arte da paciência até limites inimagináveis, sempre com a desoladora sensação de estarem de favor, mesmo quando visitam a sua terra natal. Até quando?

Fonte: GuinGuinBali // Por Violeta Ruano / @violetaruano

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A crise entre Rabat e Nouakchott agrava-se: a Mauritânia exige que Marrocos substitua o seu embaixador


O presidente da Mauritânia, Ueld Abdel Aziz

Na passada segunda-feira, as autoridades policiais mauritanas do aeroporto de Nouakchott submeteram o presidente do Partido da “l’Union et du Changement”, Saleh Ould Ahnana, a um controlo policial humilhante. O homem regressava de Casablanca, após ter assistido como convidado ao congresso do Partido do Progresso e do Socialismo. O acontecimento ilustra a amplitude da degradação das relações entre os dois países, enquanto fontes mauritanas atribuem esta tensão à recusa de Marrocos em substituir o seu embaixador em Nouakchott.

Já em Janeiro, a Mauritânia se recusara a credenciar o novo cônsul de Marrocos, sem fornecer as explicações requeridas pela diplomacia marroquina. Isso diz muito sobre a profundidade da crise entre os dois países, enquanto, no passado, as relações pareciam sólidas e promissoras.

Simultaneamente, a Mauritânia recusa-se há dois anos a nomear um embaixador em Rabat. Ela retirou todos os seus diplomatas e apenas manteve pessoal administrativo no local para o funcionamento da embaixada.

A tensão está agora afetando áreas como o tráfego aéreo e a coordenação securitária. Recentemente a Mauritânia puxou ainda mais a corda ao receber um emissário do líder Polisário como se ele fosse um mensageiro de um chefe de Estado.

Ao mesmo tempo, Marrocos e Mauritânia estão engajados numa competição na crise do Mali recebendo cada um deles membros do governo e do movimento Azawad, do norte daquele país. Ontem, terça-feira, representantes do governo do Mali reuniram-se em Nouakchott com delegados desse movimento que quer a independência do norte do Mali (*). Por sua parte, mantendo-se discreto, Marrocos não vê com bons olhos as iniciativas da Mauritânia que a aproximam mais e mais das posições da Argélia no dossiê do Sahara.

A Imprensa mauritana sublinhou que Nouakchott decidiu recentemente não usar o termo "o vizinho do norte" para designar Marrocos, mas antes o termo "Estado de Marrocos" sob o pretexto de que o vizinho do norte é a "República Árabe saharaui Democrática ", proclamada unilateralmente, e que a Mauritânia reconheceu nos anos setenta.

Acredita-se que a razão para a tensão terá sido o facto de diplomatas e funcionários marroquinos terem tido comportamentos considerados pela Mauritânia como uma interferência nos seus assuntos internos. A Mauritânia expulsou o correspondente da agência de notícias MAP em Nouakchott, sem dar explicação, enquanto a imprensa local falou de sua suposta ingerência nos assuntos internos do país.

O diário digital Zahrat Chenguit publicou em exclusividade uma importante informação, que alegadamente terá obtido de fontes oficiais próximos do presidente Mohamed Ould Abdel Aziz. Segundo o jornal, a Mauritânia exige, para sair da crise diplomática, que Marrocos substitua primeiro o atual embaixador por outro e, em seguida, o Presidente nomeará, por sua vez, um novo embaixador em Rabat.

Fonte : Alifpost-Analyse - 5 يونيو، 2014

(*) A Mauritânia exerce atualmente o cargo da Presidente da União Africana.

NOTA : Recorde-se que em Outubro de 2012, o presidente mauritano sofreu um atentado que, segundo fontes oficiais, o Estado marroquino teria sido o mandatário. Ler:

http://aapsocidental.blogspot.pt/2012/12/atentado-ao-presidente-mauritano.html