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domingo, 13 de maio de 2018

Um "presentinho" de Sua Majestade para a classe dirigente da Guiné-Bissau !





90 jipes todo-o-terreno 4x4 novinhos em folha de «cadeau» (de 'regalo') foram oferecidos aos deputados da Guiné-Bissau, através da Presidência da República deste país africano.

O caso levantou uma grande zaragata entre a classe política de Bissau. Por se insurgirem contra esta declarada ingerência e compra de favores? NÃO! NÃO...por serem 120, e não 90, o número de deputados.

Paz à alma de Amílcar Cabral!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Mohamed VI impõe condições a Guterres para a solução do problema do Sahara




Rabat, 6 nov (EFE).- O rei Mohamed VI de Marrocos fez saber hoje ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, as condições de Marrocos para continuar a procurar uma solução para o contencioso do Sahara Ocidental, num discurso pronunciado no 42.º aniversário da Marcha Verde.

Tal como acontece todos os anos por esta data, o monarca afirmou com firmeza a posição do seu país sobre a sua principal causa nacional: "O Sahara continuará sendo marroquino até ao final dos tiempos, e pouco importam os sacrifícios que seja necessário fazer para que seja sempre assim".

Mas neste discurso, o primeiro na era de António Guterres como Secretário-Geral, o monarca quis deixar claro que Marrocos se compromete "com a dinâmica atual que Guterres pretende", antes de acrescentar: "Assim será enquanto forem respeitados os princípios e fundamentos da posição marroquina", que definiu em quatro eixos.

O primeiro é o mais perentório: "Não é possível nenhume resolução do assunto do Sahara fora da soberania plena e integral de Marrocos sobre o seu Sahara, nem fora da iniciativa de autonomia", descartando assim a opção do referendo de autodeterminação a que se apega a Frente Polisario.

Outra das condições reside em que o Conselho de Segurança "é a única instância internacional encarregada de supervisionar o processo de solução", o que equivale a descartar outros órgãos da ONU, e igualmente a União Africana e outros fóruns.

Nas votações do Conselho de Segurança, Marrocos conta sempre com o apoio inquebrantável da Francia, o que lhe permitiu no passado suavizar o tomde de algumas resoluções ou diretamente apagar críticas contidas em alguns relatórios sobre a política marroquina.

Outra condição imposta pelo rei é "a recusa categórica (...) a toda a proposta obsoleta para desviar o Plano de Resolução dos parâmetros de referência fixados ou incluir abusivamente outros temas, que devem ser tratados pelas instâncias competentes".

Com esta afirmação, Mohamed VI refere-se aos intentos da Polisario, que encontraram eco em vários países, de incluir uma função de vigilância dos direitos humanos nas atribuições da missão da ONU o Sahara (MINURSO), algo que Rabat se opôs ferozmente.

Segundo o discurso marroquino dos últimos anos, a MINURSO deve limitar o seu mandato a observar o cessar-fogo, avançar com a limpesa de minos no terreno e propiciar visitas entre familiares de um e outro lado do muro de segurança, sem qualquer responsabilidade política.

A mensagem de Mohamed VI a António Guterres, muito explícita, tem lugar quando o novo Enviado Pessoal de Guterres para o Sahara, Horst Köhler, ainda não entregou ao Conselho de Seguranla o relatório da sua visita à região empreendida durante grande parte de outubro, um relatório que tem previsto entregar a 22 de novembro.

Durante esse primeiro périplo após a sua nomeação em agosto, Köhler não visitou o Sahara Ocidental controlado por Marrocos (que inclui a maior parte do território), e limitou a sua viagem a Rabat, Argel, Tindouf (sede da Frente Polisario em território argelino) e Madrid, sem que se saiba nada das suas conclusões.

No discurso de hoje, Mohamed VI não menciona Köhler pelo seu nome antes afirma que Marrocos está disposto a "cooperar com o Enviado Pessoal", mas sempre segundo as condições de Rabat.

Marruecos teve uma relação muito tensa com o anterior Enviado Pessoal, o norte-americano Christopher Ross, a quem acusava de parcial e favorável à Polisario: tendo num primeiro momento lhe retirado a sua confiança, mas como Ban Ki-moon o manteve no seu cargo, então Marrocos humilhou-o proibindo-o de pôr os pés em El Aaiún e em nenhum território controlado por Marrocos.


No papel, Marrocos acredita que Guterres será mais próximo das suas teses que Ban Ki-moon, mas em qualquer caso, e para que as coisas fiquem claras, hoje o monarca preferiu pôr a claro as suas condições. EFE

sábado, 22 de abril de 2017

Por iniciativa de Mohamed VI, Marrocos restabelece relações diplomáticas com Cuba


Mohamed VI e a esposa de em Cuba. 
Férias e reatamento de relações diplomáticas 217 anos depois...

 Marrocos e a República de Cuba restabelecerem ontem relações diplomáticas na sede da missão permanente cubana junto da ONU, informou a Rádio Nacional cubana.

Na assinatura do acordo participaram os dois representantes permanentes dos dois países junto das Nações Unidas, Omar Hilale pela parte marroquina e o embaixador cubano Anayansi Rodríguez Camejo.

"A República de Cuba e o Reino de Marrocos procederam ao restabelecimento das suas relações diplomáticas guiados pela vontade mútua de desenvolver relações amistosas e de cooperação entre os dois países nos âmbitos político, económico, cultural e outros", acrescentou a mesma fonte.

Os dois governos ratificaram que o restabelecimento das relações diplomáticas se realiza em correspondência com os princípios e propósitos consagrados na Carta das Nações Unidas e o direito internacional e em conformidade com o espírito e as normas estabelecidas na Convenção de Viena sobre relaciones diplomáticas de 18 de abril de 1961.
As relações foram interrompidas por Marrocos em 1980, no seguimento do reconhecimento da RASD pela República de Cuba, que tem sido ao longo de décadas um dos fortes e incondicionais apoios da luta pela autodeterminação do Povo Saharaui.

O restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países surge alguns dias depois da visita privada realizada pelo rei Mohamed VI a Cuba a semana passada.

terça-feira, 19 de julho de 2016

32 anos depois Marrocos quer voltar à União Africana




Mohamed VI anunciou que "chegou o momento" do seu país voltar à União Africana, isto 32 anos depois de se ter retirado em protesto à admissão da República Árabe Saharaui Democrática. Uma mensagem dirigida para Kigali, onde se estiveram reunidos em Cimeira os chefes de Estado africanos.

O rei de Marrocos, Mohamed VI, anunciou este domingo que "chegou o momento" do seu país voltar ao seio da organização continental, 32 anos depois de se ter retirado em protesto pela admissão da República Árabe Saharauí Democrática, proclamada pela Frente Polisário. Marrocos saiu da, na altura, Organização da União Africana em 1984.

"Há já algum tempo que nossos amigos nos pedem para voltar, para que o Marrocos retome seu lugar natural no seio desta família institucional. Este momento chegou", palavras do rei, numa mensagem enviada para Kigali, onde decorreu a 27ª Cimeira de chefes de Estado da União Africana.

Rabat acrescenta que este acto "histórico e responsável" espera ser acolhido no seio da UA de forma a ultrapassar as divergências.

O regresso do rei de Marrocos à organização pan-africana depende agora da validação da Comissão da mesma.


Fonte: RFI

sábado, 28 de maio de 2016

Rei de Marrocos: o Reinado Secreto



O documentário há dias transmitido pelo canal de televisão France 3 “Roi du Maroc, le règne secret” aborda o "lado obscuro" do reinado de Mohamed VI, mas também, de algum modo, o do seu pai, que lhe antecedeu, Hassan II.

Sem abordar a questão do Sahara Ocidental, seguramente a questão mais atribulada e marcante dos últimos 40 anos da monarquia alauita, o documentário analisa em particular os negócios do monarca e o rápido crescimento da sua fortuna que, medida por baixo, a revista Forbes avaliava há cerca de um ano em mais de 5.000 milhões de dólares. Outros temas abordados são os da corrupção, as perseguições à liberdade de expressão e o uso da tortura por parte de uma das polícias (DGST) de Marrocos. Um documentário a ver para melhor conhecer o Marrocos de hoje.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Mohamed VI: o discurso do isolamento




O rei de Marrocos falou ontem em Riade, capital da Arábia Saudita, perente os chefes de Estado do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Um discurso de solidão e isolamento para uma causa que não encontra respaldo mesmo entre os ricos e opulentos monarcas do Golfo… Vale a pena ler a notícia dada pela agência lusa e publicada pelo Diário Digital.

Rei de Marrocos alerta para 'conspirações' contra as monarquias árabes

O rei Mohamed VI de Marrocos alertou hoje para "as conspirações" contra as monarquias árabes, nações que "constituem um refúgio de paz e segurança para os seus cidadãos e um elemento de estabilidade na região".
O monarca marroquino emitiu estas declarações num discurso em Riade, perante os chefes de Estado do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que foi transmitido pelos 'media' marroquinos, e em que pediu ajuda aos países do Golfo na questão do Saara Ocidental.

Reafirmando a sólida aliança que une o seu país aos seus irmãos árabes do Golfo Pérsico, Mohamed VI lamentou que a Primavera Árabe tenha trazido "tantas catástrofes, desolação e dramas humanos" e que agora se tenha transformado "num outono calamitoso [com] o projeto de se apoderar dos recursos dos demais países árabes e destruir as experiências bem-sucedidas de outros Estados, como Marrocos".

O rei marroquino proclamou também o direito do seu país de firmar "alianças estratégicas" com novos aliados, entre os quais citou a Rússia, a China e a Índia, porque Marrocos é um país "livre nas suas decisões e não é coutada de nenhum país", numa referência velada à União Europeia, da qual falou depois.

No entanto, disse igualmente que Marrocos conta, no que diz respeito ao conflito do Saara, com "amigos tradicionais", entre os quais mencionou, além dos países árabes e africanos, os Estados Unidos, França e Espanha, mas lamentou que os Governos destes últimos e os respetivos responsáveis mudem continuamente, o que obriga o seu país a "grandes esforços" para conservar as suas alianças.

Sobre os conflitos no Médio Oriente, Mohamed VI recordou que Marrocos sempre mostrou lealdade aos aliados, durante a primeira guerra do Golfo (1991), na atual "restauração da legitimidade no Iémen" e na "contínua cooperação em matéria de segurança", referindo-se ao envio de tropas marroquinas para combater o grupo 'jihadista' Estado Islâmico.

Por isso, pediu a ajuda destes Estados perante "a situação grave e inédita na história do conflito artificial" do Saara Ocidental, que vive "uma guerra por encomenda, em que o secretário-geral da ONU está a ser manipulado para atentar contra os direitos históricos de Marrocos".

Marrocos está em confronto frontal com Ban Ki-moon, a quem critica a abordagem parcial à questão do Saara, e em Rabat aguarda-se com incerteza a resolução, em finais de abril, do Conselho de Segurança para renovar o mandato da missão da ONU no Saara, depois de Rabat ter expulsado unilateralmente quase toda a componente civil da mesma.

Diário Digital com Lusa

quinta-feira, 12 de março de 2015

Marrocos tentou comprar o silêncio da Nigéria no Conselho de Segurança



Marrocos propôs à Nigéria, membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, para "suavizar" a sua posição e mostrar-se "flexível" e "complacente" no debate de abril sobre a questão do Sahara Ocidental no Conselho de Segurança, informa a web do jornal “Algeriepatriotique”.

"A combinação proposta pela parte marroquina consistia em oferecer ao atual presidente nigeriano um "apoio ativo "à sua candidatura nas próximas eleições presidenciais, previstas para fevereiro, e adiadas mais tarde para 28 de março, através de um trabalho de "lobbying" no seio da comunidade muçulmana do norte do país, através de alegados contactos na Zaouïa Tidjania, a troco de um "eclipsamento substancial" da Nigéria na questão do Sahara Ocidental ", acrescentou a mesma fonte.

Segundo o diário argelino, "depois de ter constatado que a Nigéria estava longe de aceitar a proposta de Rabat, o governo marroquino decidiu antecipar uma possível revelação do assunto por parte da Nigéria publicando a famosa declaração do gabinete real". [a noticia era que o Rei Mohamed VI se teria recusado a atender um telefonema do Presidente nigeriano, humilhando-o…] Daí o ruido montado pela imprensa do Makhzen sobre este assunto.

Cabe recordar que a Nigéria, juntamente com a Argélia e a África do Sul, jogam um importante papel na defesa do direito do povo saharaui à autodeterminação.


SPS

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

«SwissLeaks» : Sua Majestade Mohamed VI, cliente número 5090190103 do HSBC




Artigo do «Le Monde» de 8-02-2015

A família real marroquina cinta-se entre os clientes do HSBC Private Bank. Com efeito, segundo os documentos confidenciais obtidos pelo Le Monde, uma conta bancária em nome de «Sua Majestade o rei Mohamed VI», solidária com o seu secretário particular, Mounir El-Majidi, foi aberta a 11 outubro 2006 no HSBC Private Bank de Genebra . A identidade real refugiava-se por detrás de um código interno (BUP, de « business partner ») reportado nos registos do banco com o número: 5090190103.




Seul l’Office des changes conserve le pouvoir d’accorder des dérogations à titre exceptionnel. Contactée par Le Monde, jeudi 5 février, la direction de l’Office des changes n’a pas donné suite à nos sollicitations. Cette administration chargée de réguler la circulation des devises accorde régulièrement des amnisties en échange du rapatriement des fonds marocains placés à l’étranger – la dernière campagne sous le sceau du « patriotisme économique » vient tout juste de s’achever sur un rapatriement record de 2,2 milliards d’euros. Dans un tel contexte, la révélation d’un compte ouvert en Suisse au nom du roi est politiquement sensible – même si le montant de près de 8 millions d’euros qui y figure semble modeste, en regard d’une fortune personnelle du monarque estimée en 2014 par le magazine Forbes à 1,8 milliard d’euros.

La révélation d’un compte ouvert en Suisse est sensible en période de campagne de «patriotisme économique »

Le Monde a interrogé M. El-Majidi au sujet du compte suisse du roi, en souhaitant savoir s’il était toujours actif. Ses avocats à Paris, Me Hicham Naciri et Me Aurélien Hamelle, ont déclaré qu’ils ne souhaitaient « ni confirmer ni infirmer [l’ensemble de ces informations, qui] relève du plus strict secret bancaire et de la vie privée de Sa Majesté le roi, dès lors qu’il s’agit d’éléments relevant de la sphère patrimoniale privée de ce dernier ». Avant d’ajouter : « En tout état de cause, toute ouverture de compte bancaire à l’étranger s’est faite dans le strict respect de la réglementation en vigueur au Maroc. »

Le mystère des holdings royales

Le prince Moulay Rachid et la princesse Lalla Meryem, respectivement frère cadet et sœur ainée de Mohammed VI, figuraient également dans la liste des clients de HSBC PB à Genève, sans indication des montants de leurs avoirs. Le Monde les a également contactés. Les mêmes avocats ont envoyé les mêmes éléments de réponse que pour le roi. La famille régnante, outre ses nombreuses terres et résidences, tire l’essentiel de sa fortune de la Société nationale d’investissement (SNI), le plus important groupe privé du pays. Selon nos estimations, Mohammed VI aurait perçu près de 8,7 millions d’euros en dividendes de la SNI à l’été 2006. Or, en octobre, c’est à peu près la même somme qui a été déposée sur le compte ouvert à Genève.

La SNI (ex-ONA-SNI, ex-ONA) avait été héritée de Hassan II à la mort de ce dernier, en 1999. A la fin de sa vie, le monarque n’en détenait que 13 %. Depuis, le contrôle royal s’est raffermi et le groupe s’est étendu. C’est aujourd’hui un empire qui détient des parts, le plus souvent majoritaires, dans trente-quatre compagnies – certaines multinationales – réparties dans une quinzaine de secteurs économiques majeurs (banque, énergie, métallurgie, mines, téléphonie, immobilier, hôtellerie, distribution…).

Ce conglomérat, qui pesait 6,4 milliards d’euros en 2013 (soit à lui tout seul, 7 % du PIB marocain), est aujourd’hui détenu à près de 60 % par la famille royale, à travers différentes holdings personnelles. Si la structure et les chiffres de la SNI sont connus au Maroc, ceux des holdings royales « de tête » ont toujours été un mystère, à peine effleuré à l’occasion d’une opération boursière en 2010. Grâce à des documents qu’il a pu consulter en marge des listings HSBC, Le Monde peut aujourd’hui lever un pan du voile.

Les holdings Ergis et Siger (deux anagrammes de regis, le mot latin pour roi), coiffant la SNI, appartiennent au monarque lui-même, même si celui-ci ne l’a jamais précisé officiellement. Reste que les avocats du palais l’admettent eux-mêmes : « Le fait que Sa Majesté le roi dispose d’un patrimoine privé et de participations actionnariales dans un certain nombre de sociétés, au travers d’une société holding, est parfaitement connu du public et n’est absolument pas dissimulé. »

En plus de leurs parts dans la SNI, Siger et Ergis détiennent de solides intérêts dans l’agroalimentaire et les cosmétiques, l’hôtellerie, l’électricité, l’ameublement, mais aussi des secteurs surprenants comme la chasse au gibier, la verrerie, et l’entretien des sols. Au total, plus d’une vingtaine d’entreprises dont plusieurs, lourdement capitalisées. Chacun des frères et sœurs de Mohammed VI dispose également de son propre holding : Providence holding pour le prince Moulay Rachid, et Unihold, Yano Participation et Star Finance pour, respectivement, les princesses Lalla Meryem, Lalla Asma et Lalla Hasna.

Depuis 2009, ces six holdings se partagent l’actionnariat de la Commerciale de promotion et de participation, alias Copropar, un fonds de participation dont l’unique fonction est de centraliser les actions SNI détenues par les holdings royaux (sauf Siger qui détient aussi 4,8 % de la SNI directement). C’est donc par l’intermédiaire de Copropar que l’argent de la SNI « remonte » vers la famille royale, sous la forme de dividendes annuels dont le montant, en 2013, oscillait autour de 2 millions d’euros pour les princesses, 3,7 millions pour le prince, et jusqu’à 10 millions pour Siger et Ergis, holdings présumées du « chef de famille », c’est-à-dire le roi.



Un défi à la Constitution

La répartition des actions Copropar reflète celle des dividendes. Alors que les holdings attribuées à Mohammed VI en détiennent 50,6 %, celui de son frère n’en possède que 18,6 %, et ceux de ses sœurs, entre 9,3 % et 11,3 %. Moulay Rachid a un peu investi dans l’exportation d’huile d’olive, et ses trois sœurs se sont associées dans une affaire de location d’entrepôts à Casablanca. Mais hormis ces maigres activités, leurs holdings servent surtout à centraliser leurs avoirs immobiliers (résidences secondaires, tertiaires, fermes) répartis à travers le Maroc… et à stocker les revenus tirés de la SNI.

En 2013, les frères et sœurs de Mohammed VI disposaient d’un total de 424 millions d’euros en immobilisations financières (145 millions pour le prince, de 71 à 107 millions pour les princesses).

Au vu de ses actionnaires, l’existence même de la SNI est un défi à la Constitution marocaine, dont l’article 36 prohibe « les conflits d’intérêts (…) [et] toutes les pratiques contraires aux principes de la concurrence libre et loyale ». Dans un pays où le roi est l’autorité administrative et judiciaire suprême, les entreprises dont il est actionnaire partent-elles vraiment sur un pied d’égalité avec les autres ?
Les avocats du palais royal affirment que oui et réfutent toute infraction à la Constitution, soulignant que « les entreprises en question sont dotées d’une gouvernance propre et autonome, et sont assujetties aux droits des sociétés et de la concurrence au même titre que les autres entreprises opérant au Maroc ». Les avocats de Sa Majesté concluent : « Permettez-nous de relever que les questions que vous posez traduisent une méconnaissance profonde du cadre institutionnel marocain, à savoir celui d’une monarchie, auquel vous pouvez difficilement comparer le cadre institutionnel français. »


Ce n’est pas la première fois qu’il est question d’un compte bancaire étranger du roi. En juin 2012, la photo d’un chèque de 787 000 euros, émis personnellement par Mohammed VI pour boucler le financement d’une mosquée à Blois, avait circulé sur Internet. L’image montrait que le chèque était payable dans une agence de la banque BNP Paribas sise boulevard Malesherbes, à Paris. Interrogés également sur ce point, les conseils du monarque n’ont pas souhaité apporter de commentaires.

« SwissLeaks », um escândalo mundial envolvendo numerosas personalidades entre as quais Mohamed VI rei de Marrocos


Mohamed VI possui uma conta secreta no Swiss HSBC Private Bank, identificada pelo n.º 5090190103. Entre outubro de 2006 e final de março de 2007, o saldo máximo da referida conta foi de 7,9 milhões de euros. «Peanuts» (‘amendoins’…) para uma personalidade cuja fortuna pessoal é avaliada em muitos… milhares de milhões !!!
Acontece que é ilegal a cidadãos marroquinos residentes em Marrocos, possuírem uma conta bancária no exterior ", escreve o ‘Le Monde’.

O jornal francês « Le Monde » revelou este domingo, a primeira parte de uma investigação que envolve várias personalidades num vasto sistema de evasão fiscal montado pelo banco britânico HSBC através da sua subsidiária Swiss HSBC Private Bank.

 « Le Monde, que investiga o caso HSBC desde o início, entrou no princípio de 2014 na posse de dados bancários mundiais, abrangendo o período 2005-2007, que estabelece uma fraude gigantesca à escala internacional", escreve o jornal francês que compartilhou esses dados com sessenta media internacionais.

Entre os envolvidos pelos primeiros elementos da investigação jornalística figura o Rei de Marrocos. "De facto, de acordo com documentos confidenciais obtidos pelo ‘Le Monde’, uma conta bancária em nome de" Sua Majestade o Rei Mohamed VI, partilhada com o seu secretário particular, Mounir El Majidi, foi aberta a 11 outubro de 2006 no HSBC Private Bank em Genebra ", informa o jornal.

"A identidade real refugiava-se atrás de um código interno (BUP para" parceiro de negócios") listadas nos livros do banco: 5090190103. Entre outono de 2006 e 31 de março de 2007, o período abrangido pelas listagens que pudemos consultar, a quantidade máxima no saldo da conta foi de 7, 9 milhões de euros. Acontece que é ilegal, a cidadãos marroquinos residentes em Marrocos, possuir uma conta bancária no exterior ", escreve o ‘Le Monde’.


Fonte: TSA

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Marrocos: Mohamed VI prepara um perdão real para os presos saharauis Gdeim Izik?



O website noticioso marroquino yabiladi.com publica hoje um artigo sobre um alegado indulto real em preparação para os presos saharauis e, em particular, para o grupo de 24 presos de Gdeim Izik, julgados em Tribunal Militar em Rabat e condenados a pesadíssimas penas.

A poucos meses da reunião de abril do Conselho de Segurança, onde, mais uma vez, a questão do alargamento das competências da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) à monitorização e vigilância dos Direitos Humanos vai estar em apreciação, a eventual decisão de Mohamed VI não é surpreendente.

Depois de meses de bloqueio intransigente à missão da paz da ONU no Sahara Ocidental, impedindo o normal trabalho do Enviado Pessoal do SG das Nações Unidas, Christopher Ross, e a instalação na capital ocupada do Sahara Ocidental da chefe da MINURSO, a canadiana Kim Bolduc, Mohamed VI resolveu há poucos dias dar o dito por não dito e exibir a melhor «boa vontade» à prossecução das iniciativas dos dois diplomatas, preponderantes na aplicação das atribuições da missão de paz na antiga colónia espanhola do norte de África. Bastou um simples telefonema com Ban-Kimoon… Et Voilá!

A aparente aproximação e reconciliação com a França, consumada com o renovado acordo judiciário entre os dois países que Marrocos havia quebrado unilateralmente, é outro sinal da aparente «boa vontade» que M6 e o Makhzen pretendem arvorar em vésperas do Conselho de Segurança sobre o Sahara Ocidental.

Importa ler aquilo que diz o artigo do yabiladi.com…:

sábado, 1 de novembro de 2014

O triplo compromisso de Mohamed VI com Obama sobre o Sahara


Mohamed VI e Barack Obama na Casa Blanca em novembro de 2013

 Artigo de Ignacio Cembrero, jornalista do EL MUNDO

Há um ano, numa visita de trabalho a Washington, o rei Mohamed VI de Marrocos assumiu com o seu anfitrião — o presidente Barack Obama  — um triplo compromisso discreto sobre Sahara Ocidental. Ele, porém, não ficou plasmado no comunicado oficial.

O acordo então alcançado saiu à luz do dia graças a Chris Coleman, um perfil anónimo de Twitter que divulga desde há quatro semanas dezenas de documentos confidenciais da diplomacia marroquina. O compromisso fica patente num despacho que o embaixador adjunto de Marrocos junto da ONU, Abderrazzak Laassel, enviou a 1 de agosto passado ao seu ministro dando-lhe conta da conversa mantida com a sua homóloga norte-americana Rosemary Dicarlo.

Um ano antes, em abril de 2013, a embaixadora dos EUA junto da ONU, Susan Rice, tratou de emendar a resolução que o Conselho de Segurança vota anualmente em abril sobre o Sahara para prorrogar o mandato da MINURSO, o contingente de capacetes azuis deslocado na antiga colónia espanhola. Rice propôs ampliar as competências para que [a MINURSO] pudesse ocupar-se dos direitos humanos, mas Rabat, secundado por várias capitais europeias, recusou.

Sete meses depois a Administração Obama voltou à carga com outras ideias e obteve um triplo compromisso por parte do monarca. O rei aceitou estabelecer um programa de visitas ao Sahara do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos; legalizar um maior número de ONG saharauis e impedir que os civis saharauis, mas também os marroquinos, pudessem ser julgados por tribunais militares.

Em que medida cumpriu Mohamed VI? Eric Goldstein, que é o diretor adjunto para a região da ONG Human Rights Watch (HRW) e possui um grande conhecimento de Marrocos, responde à pergunta. " O balanço do acorrido desde então, em relação a visitas para investigar direitos humanos é positivo", responde." Relatores especiais e delegações têm podido ali deslocar-se e trabalhar sob condições corretas", assegura.

O segundo ponto, no entanto, não foi cumprido. "Marrocos não legalizou no Sahara Ocidental nenhuma associação de que suspeite quanto à sua orientação ou a sua direção seja hostil à sua presença no território", responde Goldstein. As principais prejudicadas são duas ONG de defesa dos direitos humanos: o Codesa, que é dirigida pela célebre ativista Aminetu Haidar, e a ASVDH, em que outra mulher, Ghalia Djimi, protagoniza um papel destacado.

Sobre o terceiro ponto, a valoração de Goldstein é ambígua: "O projeto de lei [para acabar com os tribunais militares] está bem, mas ainda não foi formalmente adotado". Mohamed VI presidiu, em março, ao Conselho de Ministros que aprovou a modificação das competências da justiça castrense, mas esta não foi ainda processada pelo Parlamento até há semana passada e, portanto, não está ainda em vigor.

O julgamento em Tribunal Militar dos resistentes saharauis do acampamento de protesto de Gdeim Izik

O último grande julgamento de civis por militares realizou-se em fevereiro de 2013. Vinte e cinco saharauis foram condenados a penas entre dois anos de risão e cadeia perpétua. O tribunal considerou-os culpados da morte de onze polícias antidistúrbios marroquinos durante o desmantelamento do acampamento de protesto saharaui de Gdeim Izik, em novembro de 2010, perto El Aaiún. A Amnistia Internacional e o HRW criticaram com dureza a falta de garantias processuais para os acusados.

Mais recentemente, em fevereiro, um jovem maliense de 18 anos também se sentou no banco de um tribunal militar devido à sua alegada participação no apedrejamento de um polícia marroquino que faleceu às portas de Melilla cuja vala os imigrantes tentaram saltar.

As petições formuladas pela Administração de Obama ao soberano alauita podem parecer, do ponto de vista dos direitos humanos, pequenas ou timoratas, mas nenhum país europeu, dos que mantêm estreitas relações com Marrocos, se atreveria a fazê-las.






domingo, 24 de agosto de 2014

O jornalista Omar Brouksy põe a ridículo Mohammed VI no seu novo livro



Segundo uma informação publicada no semanário francês L’Express, que claramente teve acesso à obra de Omar Brouksy sobre o rei Mohamed VI, o jornalista da delegação da AFP em Rabat não será meigo no seu livro com o autocrata alauita.

Num texto publicado na rubrica «Les Exclusifs» e com o título «Mohammed 6 au pilori», L’Express explica aos seus leitores que o livro de Brouksy tem por título «M6, le fils de notre ami», e que é prefaciado por Gilles Perrault, o autor de «Notre ami le roi», o best-seller editado em 1990 e consagrado a Hassan II.

É preciso lembrar que «Notre ami le roi» abalou as fundações da monarquia Hassaniana revelando o lado sangrento e cruel do tirano falecido. O livro esteve na origem da libertação de centenas de prisioneiros políticos que definhavam, alguns sem julgamento, em prisões do "Sidna" Senior [Hassan II].
 
Omar Brouksy


Em «M6, le fils de notre ami», Brouksy diz tudo sem peias. O jornalista diz alto e bom som aquilo que muitos jornalistas e escritores apenas sussurram. Que «Sidna» junior é um «falso democrata», um verdadeiro «potentado», que é mal aconselhado, e que ele «não se esquece de se servir» da grande caixa-forte que o seu país lhe proporciona.
E o L’Express conclui : «o rei não sai engrandecido».

O livro será posto à venda nas livrarias no próximo dia 18 de setembro. É editado pelas Nouveau Monde Editions e tem 240 páginas. (…)

Fonte: Demainonline



Leia o Perfácio de Gilles Perrault em

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Frente POLISARIO condena a "vontade" do rei de Marrocos em continuar a afrontar a legalidade internacional




O Governo da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e a Frente POLISARIO expressaram esta quarta-feira a sua condenação à "vontade" do rei de Marrocos em continuar com a ocupação ilegal do Sahara Ocidental e a violação da legalidade internacional, manifestada no seu discurso proferido por ocasião da festa da sua chegada ao trono.
 
"O rei de Marrocos repetiu expressões de intransigência e de política de fuga para a frente em relação à questão do Sahara Ocidental, tendo há muito nos habituado a tentativas absurdas de ignorar os compromissos assinados por seu pai, Hassan II, com a parte saharaui sob os auspícios das Nações Unidas e da União Africana, em 1991 ", afirma um comunicado do Ministério da Informação.

A parte saharaui – diz o comunicado - lamenta a "incapacidade" do rei e do governo marroquinos para colaborar de forma "positiva e responsável" com a ONU e a UA "para conseguir uma paz justa e definitiva entre o Reino de Marrocos e a República Saharaui na base da aplicação do plano de resolução de 1991, que foi firmado por ambas partes e aprovado por unanimidade pelo Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU e a Organização da Unidade Africana".
 
Marrocos – afirma o comunicado – é a principal fonte de instabilidade no norte de África mediante a sua ocupação de partes da RASD, a violação das fronteiras, como produtor e fonte de aprovisionamento de drogas para os países da região e na zona do Sahel através das redes de crime organizado.


(SPS)

domingo, 13 de julho de 2014

Mohamed VI reina com mão de ferro após ter evitado a Primavera Árabe




  •  Filipe VI reúne-se 2.ª e 3.ª feira em Rabat com o rei marroquino
  •  Celebra os seus 15 anos de reinado com a visita de Filipe VI
  • Abriu a mão para controlar os distúrbios, mas voltou às suas origens autoritárias
  • Persegue os dissidentes, humilha o governo dos islamitas...
  • Não os deixa sequer proibir as telenovelas


EL MUNDO - IGNACIO CEMBRERO 13/07/2014 02

Mouad Belghouate já não canta “Os Cães do Estado”, um título que aludia às forças antidistúrbios marroquinas. Apodado Lhaqed (O Devastador) o raper, de 26 anos, cumpre pena de prisão no cárcere de Oukacha em Casablanca. Como se não bastassem duas condenações anteriores, no passado dia 1 de Julho foi de novo condenado a mais quatro meses por estar embriagado na via pública e, alegadamente, ter agredido as forças da ordem. Acusações que recusa.

Lhaqued era uma das vozes mais visíveis do movimento 20 de Fevereiro (20F), que encarnou há três anos a versão marroquina da Primavera Árabe. Outros dos seus protagonistas estão também atrás das grades por delitos que, aparentemente, não têm relação com aquelas revoltas. Em meados de maio nove jovens foram condenados de uma tacada a penas até um ano de prisão.

"No que concerne aos direitos humanos em Marrocos observamos com frequência cerimónias de corta-fitas para inaugurar grandes projetos", refere Eric Goldstein, vice-diretor para o mundo árabe da ONG norte-americana Human Rights Watch. "Mas por detrás do ecrã, as autoridades continuam a deter e a prender dissidentes com acusações fabricadas, ao mesmo tempo que dispersam à cacetada manifestações pacíficas, sobretudo no Sahara Ocidental", afirma.
As sentenças punitivas "demonstram que o regime voltou às suas essências", afirma Aboubakr Jamai, ex-diretor do desaparecido semanário marroquino “Le Journal Hebdo” e agora professor de história na sede europeia de uma universidade norte-americana.
 
Manifestações em Marrocos

O rei Mohamed VI foi controlando com habilidade essa onda de protestos que, em 2011, sacudiu Marrocos e a maioria dos países árabes. Aos olhos de investidores e analistas, Marrocos é o país mais estável do norte de África. Assim o reflete, por exemplo, o índice que anualmente elaboram a fundação norte-americana “The Fund for Peace” e a revista “Foreign Policy”.

Por essa razão Marrocos é a principal aposta norte-africana da Europa, à frente da Tunísia, e evidentemente também de Espanha. O rei Filipe VI reunir-se à 2.ª e 3.º feira próximas em Rabat com Mohamed VI, uma semana antes de este cumprir o 15.º aniversário da sua entronização.

As promessas do monarca alauita no seu discurso de 9 de março de 2011: a elaboração de uma nova Constituição que transfere alguns poderes do rei para o chefe do Governo e a realização das eleições mais transparentes da sua história que deram uma curta maioria islamita desativaram a primavera árabe. Como em outros países da região, os islamitas do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD) chegaram ao Governo, em janeiro de 2012, Mas aí tudo acabou. Ao contrário do Egipto ou da Tunísia, não exerceram o poder.
 
Manifestações no Sahara Ocidental

Os 30 meses que Abdelilá Benkiran leva à frente de um Governo de coligação estão sendo um rosário de humilhações para os islamitas. Talvez a mais chamativa tenha sido a proibição pelo Ministério do Interior, em setembro de 2012, de uma concentração, numa praça de Tânger, que deveria concluir o congresso das juventudes do PJD. Benkiran ia ser o principal orador, mas o Interior alegou razões de "segurança e manutenção da ordem" e vetou a sua realização.


Há muitos outros casos de menosprezo real por Benkiran, desde as ordens dadas para investigar a corrupção policial e aduaneira no norte do país, até nomeações como a do ex-primeiro-ministro, Driss Jettou, como o presidente do Tribunal de Contas. Tudo isso sem que o governo e o seu líder tenham sido informados.


Luta pelas telenovelas

No início deste verão as impotências islâmicas foram reveladas pelo seu desespero com a programação da televisão pública que, teoricamente, está sob a tutela de seu ministro das Comunicações, Mustafa el khalfi. Este apodou no Senado as telenovelas de "abominação", especialmente as mexicanas, por serem consideradas libertinas. Deu o exemplo de um filme em que uma mulher tem um relacionamento com um empregado doméstico. "No Dia do Juízo Final não estarei pronto para assumir a responsabilidade perante Deus" destas séries, afirmou.

Dias antes, perante o plenário da Câmara de Representantes (câmara baixa), o ministro acusou os seus detratores de querer "converter Marrocos num prostíbulo mexicano" suscitando uma onda de protestos, entre as quais uma do ministério dos Negócios Estrangeiros do México. El Khalfi viu-se obrigado a retificar no Twitter.

Eneko Landaburu, que até ao ano passado foi embaixador da União Europeia em Rabat, recorda como numa ocasião Benkiran lhe disse: "Não fui eu; foi o patrão". Explicava assim, sem contrariedade alguma, que era o rei quem tinha tomado uma determinada decisão que era da sua competência. "O Governo marroquino não tem o controle efetivo das alavancas do poder", defende Bernabé López, o mais reputado dos peritos espanhóis do Magreb.

"O problema de fundo é que temos um Governo que não governa, que não aplica a Constituição de 2011 que supostamente lhe atribui mais poderes", constata num editorial Toufic Bouachrin, diretor do “Akhbar al Youm”, talvez o diário que goza de maior margem de manobra. Não está claro que, mesmo que o tivesse querido, Benkiran tivesse podido fazer outra interpretação  da Lei fundamental.

Para certos setores laicos e inclusive progressistas não lhes desgosta que o palácio real tenha posto trela curta aos barbudos, como popularmente são chamados os islamitas. "Rejeitamos que Marrocos caia na armadilha de países como o Iraque, Síria, Iémen, Líbia ou mesmo a Tunísia, onde as coisas não são ainda claras", declarava Driss Lachgar, o líder dos socialistas marroquinos, no oitavo congresso da sua juventude. O PJD é "obscurantista", denunciou.

"Se não fosse o palácio a cortar-lhes as vazas estaríamos rezando a todas horas", comenta um empresário de Casablanca que foge para a Europa quando chega o Ramadão (mês de jejum islâmico). "Acredite-me, comparada com tudo o que nos rodeia no mundo árabe, a monarquia marroquina é um mal menor para os seus súbditos e para os seus vizinhos europeus", sublinhava.

O arranque do verão coincide com a metade da legislatura que, em Marrocos dura 5 anos. A imprensa que não pertence a partidos políticos faz um balanço muito negativo destes primeiros 30 meses de Benkiran. "O programa que consiste em lutar contra a corrupção está paralisado (...)", afirma em editorial Bouachrin. "A reforma da Justiça continua a ser uma promessa", recorda.

"A liberdade de imprensa retrocedeu com este Governo", realça ainda o diretor do ”Akhbar al Youm”. Bekiran " deixou que os centros de poder, da segurança, das finanças ou da Justiça ajustem contas com a imprensa independente e, por isso, irrita", prossegue sem explicar de quem dependem esses censores. "A imprensa independente e valente desapareceu neste país excepto alguns meios que continuam lutando contra ventos e marés", lamenta-se.

Ali Anouzla, o jornalista mais crítico do sistema, está em liberdade condicional desde outubro, acusado de apologia do terrorismo e colaboração com grupo terrorista, por ter “linkado” um artigo do seu diário digital “Lakome” ao blog jornalístico “Orilla Sur” em que foi divulgado o primeiro vídeo do ramo norte-africano da Al-Qaeda em Marrocos. O seu diário periódico digital, o terceiro mais lido em Marrocos, foi fechado e ele corre o risco de ser condenado a 20 anos de prisão. Outro jornalista, Mustafa Hassnaoui, cumpre uma condenação de quatro anos de prisão efetiva.

Fomenta-se o descrédito dos islâmicos moderados para, segundo Bernabé López, "derrubar em futuras eleições o partido que tem servido para fazer uma transição sui generis". Quando o PJD perder nas urnas, o Makhzen – como é designado todos os centros de poder próximos do rei - pode definitivamente virar a página da primavera marroquina. Talvez seja então que o Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM), criado em 2008 por um amigo do monarca, Fouad Ali el Himma, assuma o cargo da chefia do governo. A julgar pelas suas investidas, Benkiran considera o PAM como o seu principal adversário.

Por muito mau que seja o balanço islamita – há apenas unanimidade em reconhecer a Benkiran o mérito de ter baixado o défice orçamental de 7% para 5%... - não é claro que os marroquino o venham a sancionar nas urnas dentro de dois anos. "Muitos marroquinos pensam que não se lhes tem deixado governar", defende Eneko Landaburu.

Há, portanto, que lhes dar uma segunda oportunidade quando houver de novo que ir votar. E é inclusive possível que nas zonas rurais, onde ainda reside 45% da população, consigam ainda mais votos. A sua passagem pelo Governo permitiu ao PJD dar-se a conhecer no campo onde os funcionários do Interior incentivam a população a secundar os partidos artificiais. Talvez não seja tão fácil afinal virar toda a página da Primavera Árabe.




O rei não conhece "Orientalismos"


"Aproveito esta feliz ocasião para dizer a Vossa Majestade quanto me orgulham os vínculos de sólida amizade e consideração mútua que nos unem (...)". Mohamed VI, Rei de Marrocos, prometia felicidades ao rei Filipe VI no telegrama de congratulações que lhe enviou há três semanas. O novo rei da Espanha irá começar na segunda-feira a sua primeira viagem a Marrocos. Compartilhará com o monarca alauita um "Ftour 'ou jantar de quebra do jejum durante o mês do Ramadão.
Apesar da receção calorosa, parte com uma desvantagem em relação a D. Juan Carlos. Seu pai era um mestre em lidar com dirigentes árabes. Sabia que não podia abordar qualquer questão sensível até ao final da conversa; sabia que um "não" tinha tantas ‘nuances’ que até poderia converter-se num "sim". Ajudou as empresas espanholas a fazer grandes contratos, o último dos quais o AVE [combóio de alta velocidade] no deserto da Arábia Saudita. "Filipe VI é como sua mãe, Dona Sofia, educada num colégio interno alemão; não sabe sintonizar-se com os costumes dos povos "orientais", lembra um diplomata que viajou com ele. Seu pai tentou aproximá-lo a essa cultura.


Em 1985, quando tinha 16 anos, enviou-o às celebrações da entronização do Sultão Qabus, do Omã. "Mas eu não vi empatia", frisa o funcionário. A última vez que esteve em Marrocos foi em 2012 para inaugurar um fórum de negócios em Casablanca. Com Marrocos, mais que contratos, Don Juan Carlos conseguiu fazer baixar a tensão sempre que a sua ajuda era solicitada. O presidente de governo Jose Luis Rodriguez Zapatero pediu a sua contribuição para resolver o bloqueio da fronteira de Melilla, em 2010. Um telefonema seu ao monarca alauita acabou com o problema. Obterá Filipe VI os mesmos resultados quando ocorrerem fricções?

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Marrocos : idílica situação do dossier do Sahara



O Chefe do governo Benkirane tergiversa traçando um quadro idílico da situação do dossier do Sahara

O Chefe do governo marroquino, Abdelilah Benkirane, pronunciou terça-feira no Parlamento o seu discurso de metade de mandato. Ao evocar as relações externas de Marrocos, e em particular o dossier do Sahara,  Benkirane desenhou uma imagem cor-de-rosa, onde tudo vai bem no melhor dos mundos, muito diferente da realidade deste conflito e do estado atual das relações de Marrocos com os seus principais parceiros estrangeiros.

Benkirane começou por traçar um quadro bem negro da situação do dossier Sahara no plano internacional antes da sua investidura do seu governo, em virtude dos acontecimentos de Gdim Izik, que teriam dado oportunidade à Frente Polisario de instrumentalizar a questão dos direitos humanos para embaraçar Marrocos e nível internacional.

Mas após ter exposto estes problemas, Benkirane traçou um balanço quase perfeito da situação atual no Sahara, insinuando que o mérito cabe ao seu governo na mudança utópica da situação. Benkirane afirma que Marrocos está agora numa posição confortável, que os grandes países do mundo são favoráveis à solução de autonomia e que a visita do Rei Mohamed VI aos EUA teve um êxito retumbante. Por último, ele apelou prossecução dos esforços à escala internacional para contrariar os planos da Frente Polisario.

Contudo, um olhar sobre a situação atual dá uma imagem bem menos cor-de-rosa, já que Marrocos se encontra numa posição delicada e difícil face à comunidade internacional. Se se excluir o caso de certos países que retiraram (ou congelaram) o seu reconhecimento da autoproclamada «República Árabe Saharaui Democrática» como o Panamá ou o Paraguai, os desenvolvimentos do dossier estão longe de ser animadores, segundo os analistas marroquinos, incluindo os mais próximos do poder. O próprio rei fez soar a campainha de alarme no seu discurso de 11 de outubro último, ao afirmar que a situação é difícil e que nada está ganho.

Nove meses depois, Benkirane adota um discurso anestesiante, como se ele tivesse descoberto de repente soluções mágicas para o conflito, a favor de Marrocos. Ora, durante os dois anos e meio que decorreram desde que Benkirane está à frente do governo, o dossier do Sahara foi marcado pelos seguintes factos:

O recuo do apoio das Nações Unidas à solução da autonomia. O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, sublinhou no seu último relatório ao Conselho de Segurança a necessidade de rever a fórmula das negociações no próximo ano e de procurar uma solução baseada unicamente na «autodeterminação». O recuo é percetível também ao nível das resoluções das Nações Unidas.

O recrudescimento de tomada de posições de instituições internacionais, entre as quais a União Europeia com o seu Parlamento e a Comissão, que apoiam a autodeterminação em vez da autonomia, embora privilegiando uma solução política acordada entre as partes.

- As concessões concedidas pelo governo Benkirane, inclusive afetando a soberania de Marrocos sobre o Sahara. Assim, quando da assinatura da Convenção sobre a pesca em julho do ano passado, Rabat concordou que a União Europeia controle uma parte dos recursos alocados para o Sahara e concordou que o acordo possa ser denunciado no caso de violações no Sahara (o Sahara excluído do resto de Marrocos). Nunca nenhum governo marroquino, no passado, aceitou essas condições que afetam a soberania de Marrocos sobre o Sahara.

-A sucessão de relatórios de organizações internacionais de direitos humanos, incluindo as Nações Unidas, que enfatizam as múltiplas violações dos direitos humanos no Sahara, considerando que a era Benkirane conheceu um aumento dessas violações.

- A proliferação de resoluções de parlamentos estrangeiros que apelam aos seus governos o reconhecimento da chamada República Saharaui, aumentando assim a pressão sobre Marrocos. Este fenómeno não diz respeito apenas a alguns países da África e da América Latina, mas a países que estão no centro da Europa, como aconteceu com a Suécia, a Itália e a infiltração da Polisario na Grã-Bretanha.

O Rei Mohamed VI reconheceu no seu discurso de 11 de outubro último as sérias dificuldades que conhece o dossier do Sahara. Nove meses depois, o chefe de governo não tem a coragem de falar sobre a realidade da situação, contenta-se em pintar um quadro idílico. Por que razão adota ele esta a política de avestruz?


Fonte : Alifpost – publicação marroquina