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terça-feira, 10 de abril de 2018

Sim, há um feminismo saharaui!



Lehdía Mohamed Dafa, uma médica saharaui a viver em Espanha, escreveu no seu blogue uma reflexão sobre os difíceis caminhos do feminismo, também no Sahara Ocidental.

“O futuro é amanhã e vejo-o com otimismo”.
“Há uns anos questionava a existência de um feminismo saharaui. Afirmei, em mais de uma ocasião, que as mudanças e conquistas conseguidas na situação da mulher saharaui durante os primeiros anos revolucionários de combate pela libertação e independência se foram gradualmente perdendo até hoje, sem que nada o justificasse”.

“Disse ainda que organizações como a União Nacional de Mulheres Saharauis (UNMS), ou a própria representação da mulher em instituições como o Parlamento ou o Secretariado Nacional, são meras correias de transmissão da política monolítica da Frente POLISARIO, não passando de uma fachada colorida. De nenhum modo são representantes ativas ou porta-vozes dos direitos inalienáveis da mulher saharaui na sua luta pela igualdade e pela melhoria das condições de vida, no contexto da exigência do cumprimento das resoluções da ONU”.

“Os meus argumentos baseiam-se na evidência da realidade. Nestes 40 anos, a UNMS (integrada na Frente) - e esta elite de mulheres que tem ocupado cargos de segundo nível - não tem sido capaz de incorporar nas suas agendas e programas de ação um único projeto - político, legislativo ou social - que tenha como objetivo conseguir a plena igualdade, pelo menos jurídica, para as mulheres. Por isto somos atualmente dos poucos que não tem um código de família ou um estatuto de direitos civis, pelo menos parecido com o de outros países do mundo árabe muçulmano. E embora não haja ainda uma organização que possa ser qualificada como feminista, hoje pode-se dizer com orgulho que existe um feminismo saharaui”.

“Nos últimos anos, e especialmente ao longo de 2017, foram aparecendo nas redes sociais um conjunto de perfis de mulheres saharauis - jovens, livres, rebeldes – que, com diferentes sensibilidades e enquadramentos, têm deixado uma série de comentários e declarações inequivocamente feministas. Têm constituído grupos e trocado entre si informação criando um espaço de encontro e debate, independente e plural. Onde podem, igualmente, encontrar outras mulheres corajosas que jamais aceitarão a submissão e que, com altos e baixos, mostram o seu forte compromisso para com a luta pela igualdade, pelas oportunidades e por maiores quotas de poder para as mulheres”.
“Jovens como Mena Souilem, Lehdía Albarbuchi, Najla Mohamed, Emgaili Jatri, Minetu Errer, Hurria Salama, Tfarrah, Aichatu, Asria Mohamed, entre outras, e páginas como ‘Desmontando tabus’ (em espanhol), ‘Para uma consciência feminista iluminadora’ (em árabe) ou as recentemente celebradas primeiras jornadas de ‘Feminismos Saharauis’ em Saragoça, são exemplos indicativos de um movimento que se libertou de inibições e está a desconstruir o velho discurso oficial que, ao longo destes anos, havia monopolizado e transmitido uma imagem idílica da mulher saharaui, que nada tem a ver com a crua e dura realidade”.

“Estas jovens ativistas são um exemplo de coragem, conhecimento, experiência e sentido de comunidade. Reivindicam que a nossa luta pela igualdade não pode ficar subordinada nem esperar pela realização da independência e soberania nacional. Sem medos nem complexos, têm reforçado a ideia de que os direitos que exigimos não são um luxo, nem meros caprichos. São direitos humanos universais, necessários para viver com dignidade.

“O rastilho foi aceso e serão cada vez mais as mulheres saharauis a exigir uma legislação que impeça a discriminação da mulher, que ponha preto no branco os nossos direitos que hoje permanecem no limbo e que garanta a sua proteção e livre exercício. As mulheres saharauis nunca fizeram da vitimização uma bandeira de luta mas muitas estão já cansadas de continuar na prisão dourada de um relato épico e heróico que já passou à História”.

“Hoje têm problemas urgentes como a falta de autonomia económica, o casamento precoce como única saída viável, a dependência da autoridade masculina, a ausência de uma legislação que regule o direito ao divórcio, a tutela dos filhos, a definição de maioridade, a idade mínima para contrair matrimónio, a herança, a continuação de uma educação básica, secundária ou universitária sem pressões para o abandono escolar, uma legislação e um mecanismo que permita aceder a uma vida sexual e reprodutiva saudável”.

“Temos consciência de que a nossa luta não é fácil, como também não o foi nenhuma luta feminista no mundo. Não nos podemos esquecer que somos parte de um conflito complexo onde a maioria das mulheres, que sacrificam a sua vida pela sobrevivência e cuidado das crianças e idosos, nunca ouviram sequer a palavra feminismo.

“Mas também sabemos que a nossa sociedade - no exílio, nos territórios ocupados e na diáspora - está a sofrer uma acelerada e profunda transformação que podemos aproveitar como uma janela de oportunidade para continuar a avançar para uma mudança a favor dos nossos direitos, da igualdade e de melhores condições de vida”.

“A nossa luta não deveria perder de vista dois eixos fundamentais. O primeiro é a educação o mais completa possível para as raparigas, enquanto pilar básico e garantia da sua capacidade de se apropriarem das suas decisões e das suas vidas, para alargar o horizonte das suas oportunidades e para desenvolver as suas próprias ideias. O segundo é manter um firme e irrenunciável compromisso com a paz e a solução negociada de um conflito político do qual somos as principais vítimas.

“Apoiadas na Resolução 1325 das Nações Unidas, devemo-nos construir e reconhecer enquanto sujeito político e exigir a participação direta e ativa, segundo uma perspetiva de género, em todos os processos de negociação ou em qualquer tipo de iniciativa pela paz, segurança ou desenvolvimento da região.

“A nossa luta pela igualdade da mulher é o melhor investimento na construção de uma sociedade saharaui democrática, moderna e mais justa; que, em definitivo, só será possível com a plena e ativa integração das suas mulheres em todos os âmbitos da vida social, económica e política.”











A autora do artigo, a médica Lehdía Mohamed Dafa

terça-feira, 18 de junho de 2013

28.º Congresso da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) apoia jornalistas da “Equipa Mediática”



O 28º Congresso da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), que se realizou em Dublin, de 4ª 8 de Junho de 2013, aprovou uma moção de solidariedade apresentada pelo Sindicato de Jornalistas de Portugal expressando a sua solidariedade com os jornalistas da "Equipa Mediática" dos territórios ocupados do Sahara Ocidental, classificando os atos das autoridades marroquinas desde maio deste ano de graves casos de violação da liberdade de imprensa, colocando em causa o trabalho dos jornalistas da "Equipa Mediática".

O 28º Congresso da IFJ contou com mais de 200 participantes de todos os continentes.

A Federação Internacional de Jornalistas é a maior organização mundial de jornalistas. Fundada em 1926, recebeu um novo impulso em 1946 e adquiriu a sua forma atual em 1952. Representa hoje mais de 600.000 jornalistas de mais de uma centena de países.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O Sahara Ocidental esteve no Fórum Social Mundial (II)

Comunicado público


 Nosostras y nosotros, que integramos el grupo de facilitación de la Asamblea de Movimientos Sociales, venimos a público para informar sobre los hechos ocurridos al final de la asamblea realizada en el 29 de marzo de 2013, en el marco del Foro Social Mundial de Tunísia.

El programa de la Asamblea – que es una actividad auto-organizada y apoyada por más de 50 organizaciones que actuan en el FSM - fue bruscamente interrumpido por algunas y algunos delegados de origen marroquí. Los mismos invadiron la tribuna e intentaron por medios violentos impedir la ultima parte de la lectura de la propuesta de declaración, donde afirmamos que "defendemos el derecho de los pueblos a su autodeterminación y a su soberania como en Palestina, en el Sahara Ocidental y en el Curdistán".

La apertura de la palabra al público estaba prevista para después de la lectura pero eso no fue posible en consecuencia de las amenazas verbales y físicas destinadas a las y los animadores de la asamblea. Frente a la dificultad de continuar los debates, anunciamos el fin de la asamblea despues de terminar la lectura de la declaración.

Condenamos energeticamente tal episodio y recordamos a todas y todos que no es la primera vez que estes tipos de hechos suceden en el espacio del FSM. Tenemos registros de que personas quienes se identifican como integrantes de la sociedad civil, sea de Marruecos o de la diáspora marroqui en otros países de la Europa, ya realizaron actos similares en el Foro Social Mediterraneo, realizado en Cataluña, en el año 2005, y en el Foro Social Mundial 2011, en Dakar, donde durante la Asamblea de Mujeres, impidieron las afirmaciones en defensa del derecho a la autodeterminación de las mujeres saharauis. En Dakar, además, ocurrieron actos sistemáticos de provocación y disturbio de las actividades organizadas por la delegación saharaui.

Tal comportamento es inacceptable y en contradicción a los valores de libertad de expresión, democracia y respecto mutuo, expresos en la Carta de Princípios del Foro Social Mundial, y al principio de autodeterminacion de los pueblos. Estes acontecimientos deben ser tomados en cuenta en los momentos donde discutimos el futuro del FSM.

Reafirmamos nuestra solidaridad y nuestro compromiso militante con el pueblo saharahui y por el respeto de los acuerdos internacionales que reconocen sus derechos y reafirmamos nuestra postura politica contra la intolerancia y por un espacio de colaboración entre hombres y mujeres en la misma lucha. Exigimos a los gobiernos de Marruecos y de Tunisia la seguridad de las y los activistas del movimiento social de esos países y convocamos a todas y todos participantes del proceso FSM, comprometidos a su Carta de Princípios, a estar atentos a estes eventos y alertas para todas las iniciativas de solidaridad y de protección a las y los activistas internationales que no tienen miedo de defender la lucha del pueblo saharaui por su autodeterminación.

Tunis, 31 de marzo de 2013

CADTM (Comité pour l’Annulation de la Dette du Tiers Monde www.cadtm.org ) ;  -CUT (Central Única dos Trabalhadores) ; - FDIM ; - GGJ (Grass Roots Global Justice – USA http://ggjalliance.org/ ) ; - IAC ; - MMF (Marche Mondiale des Femmes http://www.marchemondialedesfemmes.org/ ) ; - PPHERC (Poor People’s Economic Human Rights Campaign –USA) ; - Stop the Wall ; - Via Campesina

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Lisboa: 5ª Conferência Sindical Internacional de solidariedade com o Sahara Ocidental



Nos dias 27 e 28 de Outubro, realizou-se, em Lisboa, a 5ª Conferência Sindical Internacional de Solidariedade com os Trabalhadores e o Povo Saharaui. Esta Conferência foi organizada por um Comité Preparatório, constituído por várias centrais sindicais, a saber: CGTP-IN, Portugal; UGT e CC.OO, Espanha; UGTA, Argélia; CGT, França; CGIL, Itália e UGTSARIO, a central sindical Saharaui.

O Secretário-Geral de UGTSARIO, Cheikh Mohamed, denunciou a cumplicidade de Espanha e França com Marrocos, a violação dos Direitos Humanos e a repressão exercida pelas forças de ocupação marroquinas, fazendo um apelo às organizações sindicais para que difundam o que está a ocorrer nos territórios ocupados, ao mesmo tempo que condenou o sequestro dos três cooperantes europeu nos acampamentos de Tinduf, atribuído à Al Queida do Magrebe.

Kasisa Cherif, Secretário da Relações Internacionais e Cooperação da UGTSARIO,  explicou o triplo trabalho desenvolvido pelo sindicato saharaui: no interior dos territórios ocupados, nos acampamentos e junto da diáspora saharaui, procurando romper o silencio internacional e incentivando a solidariedade.

Interveio também a defensora dos Direitos Humanos Yamila Dambar, irmã do jovem Said Dambar, assassinado a 21 Dezembro e cujo corpo se encontra ainda na morgue do hospital de El Ayun por as autoridades marroquinas se recusarem entregar o corpo à família. Na sua intervenção, explicou em detalhe o que aconteceu e denunciou a situação em que se encontra a sua família. Said está há 10 meses na morgue do Hospital de El Aaiun esperando para ser enterrado porque as autoridades marroquinas se negam a fazer a autópsia como reclama a sua família, pretendendo com isso evitar que seja revelada oficialmente a causa da sua morte: por disparos da polícia saía de um bar após ter visto um jogo de futebol, como revelaram várias testemunhas.

Yamila denunciou também a perseguição e a violência de que é alvo a sua família (a policia e os colonos marroquinos apedrejaram inclusive a sua casa) para os obrigar a firmar a autorização de enterro sem autópsia.


LISTA DE ORGANIZAÇÕES PARTICIPANTES


Organizações Sindicais de estados e países de diferentes continentes:

• Angola: UNTA
• Senegal: CNTS
• Brasil: CUT
• Chipre: PEO
• Estado espanholol:
Confederación Intersindical
CCOO
USO
UGT
CIG (Galiza)
ELA-STV (País Basco)
• Itália: CGIL
• França: CGT
• Portugal:
CGTP-IN
UGT Portugal
• Reino Unido
União de dos Trabalhadores do Reino Unido (TUC)
• Sahara Ocidental
UGTSARIO

Instituições:
• Embaixadora de Argélia em Portugal
• ACTRAV/OIT (Organização Internacional do Trabalho)
• OIT de Portugal
• Deputadas portuguesas do Parlamento Europeu
— Grupo PSE
— Grupo Esquerda Europeia (GUE/EVN)
• CESE

Outras Organizações:
• Movimento Democrático de Mulheres (MDM)
• Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental
• Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC)

domingo, 2 de outubro de 2011

Mohamed Abdelaziz pede à UA que intervenha com urgência para salvar a vida da população saharaui de Dajla

O corpo do jovem saharaui assassinado Maichan Mohamed Lamin Lahbib, tinha 29 anos.

O Presidente da RASD e Secretário- Geral da Frente Polisario, Mohamed Abdelaziz, pediu esta semana ao presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, que intervenha para salvar a vida da população civil saharaui da cidade ocupada de Dajla ante "a escalada de repressão e ataques de colonos marroquinos apoiados pelo exército e pela polícia".

"A cidade ocupada de Dajla está perante uma nova escalada de repressãoe vive uma situação muito perigosa face ao assédio militar marroquino e à ausência de meios de comunicação e observadores independentes", afirma o Presidente saharaui em carta dirigida a Jean Ping.

O Presidente Mohamed Abdelaziz recorda que "os acontecimentos iniciados no passado Domingo dia 25 de Setembro, saldaram-se no assassinato do jovem saharaui Maichan Mohamed Lahbib, assom como  numerosos saharauis feridos e presos, casas e veículos destruídos ou queimados, alvo de ataques perpetrados por colonos marroquinos deslocados para alterar a demografía do território e para procurar silenciar as reclamações do povo saharaui pelos seus direitos inalienáveis à autodeterminação e à independência".

O Presidente saharaui responsabilizou Marrocos pelas consecuencias de tais actos que "não apoiam os esforços das Nações Unidas e de Christopher Ross, Enviado Pessoal do SG sa ONU, na busca de uma solução justa e definitiva do conflito do Sahara Ocidental".

O jovem assassinado em Dajla chamava-se Maichan Mohamed Lamin Lahbib, tinha 29 anos, que morreu na passada 2.ª Feira "como resultado de múltiplas agressões desferidas por marroquinos  "asseguraram activistas de Direitos Humanos saharauis.

 A Associação Contra a Tortura no Sahara Ocidental denunciou que "mais de cem veículos militares con metralhadoras e vários helicópteros" haviam tomado a cidade de Dajla e entrado nos bairros onde mora a população saharaui.

(SPS)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Jovens saharauis acampados na Plaza del Sol, em Madrid, lembram situação nos territórios ocupados do Sahara Ocidental


Um grupo de representantes do movimento pelo Sahara Ocidental decidiram demonstrar o seu apoio ao movimento 15-M, em Madrid e noutras cidades de Espanha. Vários destes jovens participaram no acampamento de Gdeim Izik, nos arredores de El Aiun, destruído violentamente pelas forças militares e policiais de ocupação marroquinas no dia 8 de Novembro de 2010.

Um colectivo de jovens saharauis provindos de diversas localidades de Espanha, estão acampanados desde sexta-feira passada nas Portas do Sol, em Madrid, com o objectivo de " apoiar o povo espanhol na sua luta pela verdadeira democracia" e aproveitando para realizar actividades reivindicativas para exigir o direito à autodeterminação do Sahara Ocidental.

Para dar a conhecer a sua causa, este grupo participa nas comissões de migração e política do acampamento das Portas del Sol porque, segundo afirmam, "é o melhor espaço" para expressar as suas reivindicações.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Mohamed Abdelaziz: "Os marroquinos têm-nos matado, mas mantemos a dignidade"


Mohamed Abdelaziz, presidente do Governo saharaui, em trevista ao jornal espanhol Público confia na via pacífica para reclamar o direito à autodeterminação do seu povo. A protecção dos direitos humanos nas zonas ocupadas continua a ser uma função da responsabilidade da ONU.
Após o desmantelamento do acampamento de protesto de Gdem Izik, em El Aiún, por parte do exército de Marrocos no passado mês de Novembro, a supervisão dos direitos humanos no Sahara Ocidental voltou a ser lembrado como o trabalho inacabado da Organização das Nações Unidas.
Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU renovou por mais um ano o mandato da missão de paz no Sahara Ocidental, a MINURSO, com um reconhecimento da necessidade de "melhorar" estes direitos sem, no entanto, inclui-los como tarefa própria da missão das Nações Unidas. O Governo da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), com Mohamed Abdelaziz à cabeça, considera que a ONU apenas "em parte" protege  os saharauis.

Por que razão continua sem se incluir a protecção dos direitos humanos no mandato da MINURSO?

Lamentavelmente há membros do Conselho de Segurança, como a França, que pressionam para impedir que se inclua a supervisão dos direitos humanos no Sahara, colocando-se nitidamente ao lado de Marrocos, e com o apoio de Espanha.

A responsabilidade é, pois, da comunidade internacional?

Tem que haver mais pressão sobre Marrocos para que ponha fim às práticas de violações de direitos humanos. Um método, que não é único, seria o de romper o bloqueio imposto por Mohamed VI sobre el Sahara através de observadores independentes. As Nações Unidas deve estar com os saharauis na sua resistência diária e ser testemunha do que aí sofrem, como as torturas e as detenções.

Em que ponto se encontram as conversações com Marrocos?

O tema de discussão do último encontro entre as delegações da Frente Polisario e Marrocos, realizado em Malta, foi o das propostas, mas não se registaram grandes avanços. Acordou-se realizar um outro encontro em finais de Maio. De cada vez os esforços das negociações chocam com a intransigência da parte marroquina pelo simples facto de que o governo de Marrocos repudia a aplicação das resoluções das Nações Unidas.

Em que consiste a proposta saharaui?

Três opções: a autonomia, a independência e a integração em Marrocos. Mas a escolha terá que ser feita a través de referendo. Se no referendo ganhar a independência, estamos dispostos a discutir as preocupações marroquinas e a entendermo-nos com os colonos e, inclusive, analisar a questão económica, assim como a exploração dos recursos naturais do Sahara Ocidental. A proposta marroquina resume-se, apenas e só, a uma: a autonomia. Autonomia que estamos dispostos a aceitar desde que seja o povo a decidir em referendo.

O Marrocos é o único obstáculo para alcançar uma solução para o conflito?

Mohamed VI sabe que o Sahara Ocidental é uma questão de descolonização, e que ninguém reconhece a sua soberania sobre o território ocupado e que, no caso de haver um referendo, os saharauis escolherão ser livres e independentes. Mas, com a ajuda de Espanha e de França, impõe pela força que os saharauis se convertam em escravos. As Nações Unidas são também parte do conflito.

Como reagiu a Frente Polisario face ao desalojamento do acampamento de protesto nos arredores de El Aiún?

Tratou-se de uma flagrante violação do cessar-fogo. O último relatório do secretário-geral das Nações Unidas afirma que Marrocos impediu a movimentação aos observadores da MINURSO no momento da repressão no acampamento de Gdem Izik. A França tem uma posição lamentável em que repudia a responsabilidade de Marrocos nas violações de direitos humanos, garantindo a protecção desse regime e das suas práticas no Sahara Ocidental. A nossa posição pacífica oferecemo-la antes de Gdem Izik, durante e depois. Por isso repudiamos a ocupação imposta por Marrocos e o silêncio da comunidade internacional ante as práticas repressivas, mas sem voltar de novo à violência. Neste processo temos oferecido as nossas vidas. Os marroquinos têm-nos matado com o seu armamento e, no entanto, mantemos a dignidade. Estamos ainda a aguardar que algum governo diga a Marrocos 'basta' e não permita que prossigam as matanças. Não renunciaremos aos nossos direitos, não vamos entregar o nosso território e, se por causa dele, tivermos que ser alvo de um genocídio, estamos dispostos a fazer esse sacrifício. Agora resta só a responsabilidade internacional.

Há sectores da população saharaui que começam a questionar os métodos pacíficos…

Acordámos o cessar-fogo com Marrocos em 1991 na condição da celebração de um referendo de autodeterminação prometido pelas Nações Unidas no prazo de 8 meses. O seu incumprimento gerou uma grande frustração em toda a população e a gente vê decepcionada como a ONU nada faz para cumprir a sua promessa. Esta decepção levou-nos a 21 de Maio de 2005 a começar a “intifidada”: um movimento de resistência pacífica dentro de Marrocos e nas zonas ocupadas. Até agora temos utilizado essa via. É uma forma de exercer pressão também sobre a comunidade internacional. Este movimento culminou no acampamento de Gdem Izik, quando mais de 20.000 saharauis saíram para os arredores de El Aiún para dizer ao mundo que repudiamos a ocupação marroquina e que lutamos por fazer valer os nossos legítimos direitos. Marrocos, como governo repressivo que não aceita a liberdade de expressão nem de manifestação pacífica, exerceu uma repressão brutal, um verdadeiro escândalo que pôs a descoberto a verdadeira face de um regime que viola os direitos humanos e a legalidade internacional. Mesmo assim, utilizámos esta resistência pacífica em vez das armas, porque foi assim que se chegou a uma solução noutros lugares, como a África do Sul, Tunísia e Egipto. Continuam vivos os efeitos da repressão em Gdem Izik; existem ainda presos políticos desse acampamento, foram destruídos bens de cidadãos saharauis...No entanto, reafirmamos o compromisso com os nossos métodos de nos relacionarmos com as Nações Unidas, prosseguir as negociações e praticar a resistência pacífica, que inclui o respeito pelo cessar-fogo e adiar o retorno à luta armada.

Durante quanto tempo aderirão a esses métodos?

Bom, em relação a essa pergunta não posso responder.

Publico.es
PATRICIA CAMPELO Acampamento '27 de Fevereiro (Argélia) 03/05/2011 

domingo, 1 de maio de 2011

Assista ao FiSahara a partir de casa


Desde hoje é possível assistir a filmes documentais de temática saharaui projectados na edição do FiSahara. O Festival decorre de 2 a 8 de Maio, no campo de refugiados de Dakhla, no sudoeste da Argélia. Graças ao acordo com a Associação de Gestão dos Direitos dos Produtores Audiovisuais (EGEDA), a partir de hoje e até ao dia 9 de Maio, é possível assistir ao VeoFiSahara.


Durante este período, através da net e munido de um código gratuito, é possível ver um grande número de filmes e documentários, apreciando as qualidades de streaming dinâmico através de 400 kbps, 800 kbps, 1300 kbps e 2000 kbps.

Para solicitar o código pessoal de acesso ao visionamento das películas basta enviar um email com o assunto:
VEOFISHARA 2011: SOLICITAÇÃO DE CÓDIGO DE ACESSO PLATAFORMA - (NOME DA PESSOA/EMPRESA). Dirigido a info@filmotech.com; com cópia para: produccion@festivalsahara.com.

Cada código de acesso é pessoal e exclusivo (por questões de segurança na plataforma). Ninguém pode fornecer o código atribuído a terceiros, pois o código pode ser bloqueado.

O FiSahara vai na sua 8.ª edição. É um festival não-comercial, não competitivo que tem lugar num dos campos de refugiados no deserto argelino. Cada ano, centenas de actores, realizadores e membros da indústria de cinema de todo o mundo juntam-se aos refugiados saharauis para uma gala de uma semana de exibições de filmes, documentários, etc. tendo como pano de fundo o deserto do Sahara.

O festival oferece entretenimento e oportunidades educacionais para os saharauis e constitui um evento cultural para visitantes e refugiados. Através da participação e apoio de pessoas de renome, tais como Javier Bardem, Pedro Almodóvar, Ken Loach, e Penélope Cruz, a festa serve para aumentar a consciencialização sobre a situação dos refugiados esquecidos, exilados do seu país de origem, o Sahara Ocidental, há mais de três décadas por uma ilícita ocupação.

O programa do festival foi lentamente se expandindo ao longo dos anos. A edição de  2011 do FiSahara conta com mais de 20 filmes de todo o mundo. Muitos dos filmes reflectem temas de esperança e de luta, mas há também comédias, curtas-metragens, animações e muito mais…

sexta-feira, 29 de abril de 2011

5.ª Jornadas das universidades públicas madrilenas sobre o Sahara Ocidental


Decorrem a 11 e 12 de Maio e adoptaram o lema - "Sahara Ocidental: novo tempo árabe, mesmos direitos. Descolonização e Direitos Humanos"

As universidades públicas madrilenas — Universidad Complutense, Universidad de Alcalá de Henares, Universidad Politécnica, Universidad Carlos III, Universidad Rey Juan Carlos e Universidad Autónoma —, no âmbito da Plataforma de Universidades Públicas Madrilenas pelo Sahara Ocidental, organizam nos dias 11 e 12 de Maio de 2011, as V Jornadas Universitárias pelo Sahara Ocidental.

O encontro terá lugar no Círculo de Belas Artes de Madrid, e a sua coordenação é da responsabilidade da Universidade Autónoma de Madrid, através da Oficina de Acción Solidaria y Cooperación, dependente do Vice-reitorado de Relaciones Institucionais e Cooperação.

O objectivo das Jornadas consiste em abrir um espaço público — universitário — de reflexão, de debate e de sensibilização – que congregue especialistas, jornalistas, políticos, membros de ONG, activistas de Direitos Humanos, entre outros.

Nos últimos meses o mundo árabe assistiu a  uma vaga de mudanças impulsionadas pela mobilização da sociedade civil. A reivindicação por maiores graus de democracia, maior respeito pelos Direitos Humanos e a melhoria de condições de vida colocaram em cheque os regímenes estabelecidos. O conflito do Sahara Ocidental, bloqueado desde há mais de 35 anos, não pode ficar à margem desta onda de mudança nem dos discursos produzidos pelas grandes potência no âmbito deste contexto. A 5.ª Edição das Jornadas pretende reflectir sobre a ligação entre este novo tempo árabe e o conflito do Sahara Ocidental, assim como analisar as consequências que as revoluções árabes podem ter para o Sahara Ocidental.

domingo, 17 de abril de 2011

6.º Congresso da União Nacional de Mulheres Saharauis


A União Nacional de Mulheres Saharauis (UNMS) realiza, de 20 a 24 deste mês de Abril, o seu 6.º congresso sob o lema, "Mulheres saharauis perpetuando o espírito de Gdeim Izik".

A UNMS, que em 2011 comemora 38 anos de existência, celebra cada quatro anos este encontro de carácter internacional com o objectivo de analisar o contexto actual da mulher saharaui na sua realidade quotidiana e no mundo, assim como discutir e definir as políticas e estratégias da organização para o quadriénio seguinte.

Fatma Medhi, Secretária-Geral da UNMS, acha que este congresso “será importante para reflectirmos sobre a nossa realidade, como mulheres de um povo que vive num contexto permanente de conflito, entre a ocupação e o exílio. Queremos definir iniciativas que promovam os nossos direitos políticos e sociais e favoreçam a nossa soberania como povo, que estimulem a nossa emancipação como mulheres intervenientes a nível político, cultural e produtiva da nossa sociedade, e afirmam a nossa presença na nossa luta".

O congresso da UNMS contará com a presença de muitas convidadas estrangeiras em representação de partidos e organizações de todo o mundo.

À margem do programa oficial do Congresso, a UNMS organiza, em colaboração com a “Columna de los Mil”, uma marcha de mulheres contra o chamado “Muro da Vergonha”, o maior campo de minas continuo do mundo, construído pelas forças marroquinas de ocupação para dividir o Sahara Ocidental.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ONG de Aminatou Haidar inicia campanha para libertar os presos saharauis


O Colectivo dos Defensores Saharauis dos Direitos Humanos (CODESA), a que preside Aminatou Haidar, iniciou hoje uma campanha internacional para a libertação dos saharauis detidos após o desmantelamento do acampamento de protesto saharaui de Gdaim Izik, em Novembro último.

O CODESA afirma em comunicado que iniciou esta campanha porque dezenas de presos permanecem nos cárceres de El Aiún (Sahara Ocidental) e de Salé (Marrocos), estando 20 deles ameaçados de serem julgados perante um tribunal militar.

Para a ONG, a campanha surge na sequência de inúmeros relatórios internacionais que pedem a libertação destes presos e ante "a luta e o sofrimento" das suas famílias.

O colectivo saharaui apela "as organizações internacionais de direitos humanos e aos defensores da liberdade a participar nesta campanha".


Apelo veemente à solidariedade internacional

O CODESA faz um apelo veemente ao apoio internacional para a libertação dos detidos após o violento desmantelamento do Acampamento de “Gdeim Izik” nas redondezas de El Aiun (Sahara Ocidental) realizado pelo Estado marroquino na segunda-feira, 8 de Novembro de 2010. Esta acção foi acompanhada por uma maciça campanha de sequestros e detenções arbitrárias de centenas de civis saharauis, incluindo menores, anciãos, mulheres e pessoas incapacitadas, muitos dos quais se encontram ainda privados de liberdade na prisão de Aiun e no presídio de Salé (Marrocos). Nesta prisão encontram-se 20 presos saharauis cujas causas foram remetidas para a jurisdição militar.

Dada a insistência do Estado marroquino em persistir nas detenções arbitrárias e a continuação dos actos de tortura e maus tratos que constituem continuas violações dos directos humanos internacionalmente reconhecidos, tendo em conta tanto os relatórios internacionais a favor da sua libertação como o contínuo sofrimento das famílias dos detidos, o Colectivo de Defensores de Direitos Humanos Saharauis CODESA anuncia a Campanha internacional: LIBERDADE PARA OS DETIDOS DE GDEIM IZIK

O CODESO apela à participação na campanha tanto das pessoas a nível individual como às Organizações Internacionais defensoras dos direitos humanos

El Aiun, Sahara Ocidental, 3 de Abril de 2011

Coordenador da Campanha: Mohamed Salem Elakhal (Membro do CODESA)
Porta-voz da Campanha: Aminatou Haidar (Presidente do CODESA)
Correio electrónico da campanha: lp.gdeimizik@gmail.com
Telefone de contacto: 77 77 99 48 6 (0) 212 00

Centro Robert F. Kennedy solicita à ONU que estabeleça mecanismo de acompanhamento dos direitos humanos no Sahara Ocidental


O Centro Robert F. Kennedy de Justiça e Direitos Humanos (RFK Center, com sede em Washington) apelou ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, para que recomende no seu próximo relatório sobre a situação no Sahara Ocidental a criação de um mecanismo de monitoramento e vigilância dos direitos humanos.

Antevendo para os próximos dias a análise e discussão pelo Conselho de Segurança do mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), o Centro RFK e a presidente do Colectivo dos Defensores dos Direitos Humanos Saharauis (CODESA), Aminatou Haidar, enviaram uma carta conjunta ao chefe da ONU pedindo a introdução de um mecanismo de acompanhamento "permanente e imparcial" dos direitos humanos no mandato da MINURSO.

Desde 1975 — sublinham as duas organizações —, "o Governo marroquino tem ocupado o território do Sahara Ocidental". E recordam: "a MINURSO foi criada em 1991 para supervisionar um cessar-fogo entre Marrocos e a Frente Polisário e organizar um referendo sobre a autodeterminação, que ainda não ocorreu."

"A situação de incerteza política nos territórios saharauis ocupados e a falta de uma vigilância internacional imparcial dos direitos humanos tem tido consequências desastrosas sobre os direitos do povo saharaui", deploram aquelas duas organizações.

Recordando a agressão militar desencadeada pelas forças marroquinas em Novembro do ano passado contra o acampamento de Gdeim Izik, que provocou várias mortes entre os saharauis, o Centro Robert F. Kennedy refere que as provas e testemunhos "consistentes e inquietantes" que recolheu durante a sua estada em El Aiun depois desses acontecimentos", confirmaram os relatórios já elaborados sobre a violência contra a população saharaui no seguimento do desmantelamento do acampamento."
Aminatou Haidar, presidente do CODESO

Durante sua visita a El Aiun, prossegue o texto da carta, "o Centro Robert F. Kennedy encontrou provas de prisões e detenções arbitrárias, o uso excessivo da força e um clima de repressão generalizado no Sahara Ocidental".

“Os resultados (da nossa investigação) demonstram a urgente necessidade de estabelecer uma presença contínua, imparcial e internacional encarregada de vigiar a situação dos direitos humanos. Pedimos-lhe respeitosamente que leve isso em consideração quando escrever o seu relatório que antecederá a renovação do mandato da MINURSO em Abril" referem as duas organizações.

Recordando as preocupações que o SG da ONU havia expressado no seu relatório de 2005 sobre as violações dos direitos humanos no Sahara Ocidental, o Centro Robert F. Kennedy lembra que esse mesmo relatório afirmava que "se MINURSO 'não tem nem o mandato nem os recursos para resolver este problema, a verdade é que a ONU está incumbida de defender os padrões internacionais dos direitos humanos ".

Assim, a carta enfatiza que "é essencial que a ONU tome medidas para aplicar estes princípios, a fim de proteger os direitos do povo saharaui".

O Centro Robert F. Kennedy e o CODESO lembram que "o Departamento das Nações Unidas para a Manutenção da Paz (DOMP) considera o respeito pelos direitos humanos como essencial para alcançar uma paz duradoura e global", lembrando aquelas duas organizações que a MINURSO é a única missão de manutenção da paz das Nações Unidas que actua sem estar mandatada para vigiar os direitos do homem o que é "contrário aos princípios gerais” desse próprio Departamento das Nações Unidas.

"Como o mandato da MINURSO deve ser renovado durante o mês de Abril, a sua liderança é necessária para proteger os direitos humanos e o primado do direito para o povo saharaui, através da criação desse mecanismo", insistem ainda na sua carta o Centro Robert F. Kennedy e o CODESO. (SPS)

terça-feira, 22 de março de 2011

Intervenção de Galia Djimi, vice-presidente da ASVDH, na 16.ª sessão do Conselho de Direitos humanos da ONU


Desde a anexação pela força do Sahara Ocidental por Marrocos, a 31 de Outubro de 1975, a população civil civil saharaui no território sob controlo marroquino vive, desde então, sob o terror imposto pelas autoridades marroquinas. Este terror acentuou-se a partir de 2005, depois da população civil saharaui ter começado a organizar manifestações pacíficas reclamando o respeito pelos direitos humanos no território não autónomo e, em particular, o direito à autodeterminação.

A raíz de esto, decenas de saharauis fueron detenidos arbitrariamente y condenados por sentencias severas, los pleitos juzgados injustos por las organizaciones internacionales de los Derechos Humanos tales como Amnistía Internacional, Human Rights Watch y Front Line… Centenares de ciudadanos saharauis golpeados y torturados en las comisarías, locales de la policía y fuera de la ciudad en el desierto en donde fueron dejados a su suerte.

Centenares de casas de los saharauis saqueadas y sus bienes destruidos y robados. Distintas escuelas y establecimientos escolares se transformaron en sedes de interrogatorio y de intimidación de los alumnos saharauis; allí la presencia de la policía es casi permanente, lo que empujó a un número de alumnos a abandonar sus clases en primaria y en secundaria por culpa de la represión permanente.

El discurso del Rey de Marruecos Mohamed VI, pronunciado el día 6 de noviembre de 2009, emitió las líneas directivas que debían encuadrar en lo sucesivo el tratamiento por las autoridades marroquíes del dosier de los derechos humanos en el Sahara Occidental. Este discurso daba implícitamente, a los servicios de seguridad marroquíes, luz verde para tensar el torno sobre las acciones de defensa de los derechos humanos en el Sahara Occidental y les justificaba la intensificación de la represión de todas las formas de protesta pacíficas organizadas por la población civil saharaui.

De este modo, el 8 de octubre de 2009, siete defensores de los derechos humanos fueron detenidos tras su regreso de los campamentos de refugiados saharauis. Aplazados sucesivamente sus juicios, fueron registrados en el tribunal militar marroquí, que se declaró un año más tarde incompetente para juzgarles, y finalmente fueron transferidos ante un tribunal civil en Casablanca, están en espera, hasta hoy día, del pronunciamiento de sus juicios. Varios defensores saharauis de derechos humanos, observadores extranjeros y las familias de los detenidos políticos saharauis llegaron para asistir a los juicios de los siete defensores saharauis de derechos humanos que tuvieron lugar el 15 de octubre 2010, el 5 de noviembre 2010 y el 17 de diciembre 2010 en el tribunal de primera instancia de Aïn Sbaâ en Casablanca (Marruecos). Y fueron intimidados, acosados y atacados violentamente por algunos abogados y decenas de civiles marroquíes encuadrados ciertamente por agentes del servicio de información marroquí.

Desde el 23 de febrero 2011, Brahim Dahan, presidente de mi asociación ASVDH, Nasiri Ahmed, miembro de la misma asociación y Ali Salem Tamek, vice presidente del CODESA, considerados como presos de opinión por Amnistía Internacional, estos tres dentro de los siete defensores, llevan una huelga de hambre para reivindicar su libertad incondicional o un juicio justo y equitativo.

Campañas mediáticas chauvinistas que hacen circular mensajes del odio y del racismo contra civiles saharauis que reclaman el derecho del pueblo saharaui a la autodeterminación, fueron lanzadas por ámbitos conservadores marroquíes (hombres de Estado, de partidos políticos, sindicatos, sociedad civil y prensa escrita y audiovisual).

El 13 de noviembre 2009, las autoridades marroquíes con complicidad absoluta del gobierno español, expulsaron a la defensora de los derechos humanos Aminatu Haidar a Lanzarote en las Islas Canarias en donde llevó una huelga de hambre durante 32 días, un combate apoyado por los movimientos de solidaridad y toda la sociedad civil española para regresar a su país y a su familia.

El Estado marroquí intensificó la estrategia de la modificación del mapa demográfico del territorio del Sahara Occidental bajo su control, poblándolo con decenas de miles de civiles marroquíes. La población saharaui activa, que es una minoría, se encontró entonces sufriendo el paro, mientras que los empleos son adjudicados prioritariamente a los marroquíes residentes en los territorios del Sahara Occidental.

Por acumulación de los factores mencionados antes, se generó la agravación de la precariedad de las condiciones de vida de los saharauis y la emergencia en el seno de la población civil saharauis de un sentimiento de decepción, de pérdida de confianza en las promesas hechas a ellos por las autoridades marroquíes en cuanto a la mejora de sus condiciones económicas y sociales. Por otro lado, mostrada la indiferencia por la comunidad internacional con respecto a la búsqueda de una solución del conflicto del Sahara Occidental que garantice al pueblo saharaui el placer de practicar su derecho a la autodeterminación a través de la organización de un referéndum libre, equitativo y imparcial, era de gran urgencia para la población saharaui lanzarse a la lucha de forma pacífica sin precedentes.

De este modo, en señal de protesta contra las condiciones socio-económicas precarias en las cuales vive la población y también contra la aflicción de la represión y la discriminación marroquíes practicadas contra el pueblo saharaui, fue registrado el día 10 de octubre 2010 un desplazamiento masivo y voluntario colectivo de la población saharaui hacia Gdeim Izik, fuera del perímetro urbano de la ciudad de El Aaiún (Sahara Occidental). Miles de civiles saharauis dejaron la ciudad para erigir un campamento, que durante un mes fue sobrevolado por helicópteros y rodeado por un dispositivo importante de seguridad y sobre todo por agentes del Ejercito marroquí, que no dejaron de golpear salvajemente a los civiles saharauis que intentaban volver al campamento, de destruir sus bienes y de imponer restricciones en cuanto al aprovisionamiento del campamento en agua, alimentos y medicamentos.

En estas circunstancias de cuadrícula militar, hemos registrado a varias víctimas de las cuales el caso más grave es el de la ciudadana saharaui Jadiyatu Banda, quien sufre hoy de una paraplejia total. Dos días después de su incidente, el 24 de octubre 2010 se generó otra víctima; el menor saharaui ELGARHI ENNNAYEM de 14 años, falleció tras ser el blanco de balas por elementos del ejército marroquí.

Los cinco jóvenes saharauis que le acompañaban a bordo de un coche fueron heridos gravemente por balas y torturados violentamente. Convoys de fuerzas de la policía y del ejército marroquíes venidos de ciudades marroquíes se vieron afluir hacia El Aaiún en el Sahara Occidental desde el primer día del desplazamiento de la población saharaui.

Desde la instalación de las primeras jaimas, la prensa y la clase política marroquíes no dejaron de circular un mensaje del odio y del chauvinismo contra los civiles saharauis que escogieron protestar pacíficamente en el desierto, fuera de la ciudad de El Aaiún en el Sahara Occidental.

El lunes 8 de noviembre 2010, al amanecer, el ejército marroquí acompañado de helicópteros militares organizó un asalto violento para desmantelar el campamento. Durante este asalto violento, los tiros con balas de caucho, bombas lacrimógenas y cañones de agua caliente han sido utilizados contra los desplazados. Centenares de civiles saharauis durmiendo fueron golpeados salvajemente por los elementos del ejército marroquí., de las fuerzas auxiliares y de la gendarmería real marroquí. Hubo civiles saharauis muertos tras el asalto violento en cuestión. Varias mujeres y niños fueron traumatizados y atravesaron todo el recorrido de 12km a pie bajo la amenaza y el golpe de las fuerzas auxiliares.

El balance de víctimas de este crimen es muy grave; dos centenares de heridos dentro de ellos heridos por balas, y otros atropellados por coches de estos servicios. Además centenares de civiles saharauis fueron detenidos y torturados ferozmente y la mayoría de ellos fueron agredidos sexualmente. Una veintena de ellos fueron transferidos ante el tribunal militar marroquí en Rabat, mientras más de 160 debían comparecer ante el tribunal de apelación en El Aaiún, con presencia de jefes de inculpación de carácter penal, y algunos fueron puestos en libertad provisional.

Después de que el ejército marroquí ha sembrado el terror en el interior del campamento, miles de civiles saharauis se evadieron hacia la ciudad de El Aaiún en el Sahara Occidental para salvar sus vidas. Los heridos dentro de los evadidos no pudieron acceder a asistencia en hospital, otros heridos detenidos fueron torturados violentamente y maltratados en el seno del hospital militar por parte de enfermeros, médicos y gendarme guardián.

Miles de jaimas, sus muebles, y decenas de coches dejados en el campamento cuando los desplazados dejaron el lugar, fueron destruidos y quemados por los elementos del ejército marroquí. Cuando llegaron los saharauis evadidos a El Aaiún, estallaron manifestaciones con reclamación del derecho a la autodeterminación del pueblo saharaui y la independencia del Sahara Occidental en la mayoría de los barrios de la ciudad en donde los habitantes son autóctonos.

Ayudadas por milicias de civiles marroquíes, las autoridades marroquíes con todos sus componentes (el ejército, la policía, la gendarmería y las fuerzas auxiliares) habían reprimido brutalmente a los manifestantes saharauis y atacado a varios de ellos con balas. Las casas de civiles saharauis fueron saqueadas por la policía y los milicianos, y sus muebles fueron destruidos y robados. Decenas de coches pertenecientes a los saharauis fueron destruidos y quemados por estos milicianos marroquíes.

Durante un mes, toda la ciudad de El Aaiún en el Sahara Occidental fue controlada por patrullas del ejército marroquí que circulaban en todos sus barrios y protegían a los elementos de la policía marroquí, que habían hecho registros domiciliarios para detener a los jóvenes saharauis sospechosos de haber participado en las manifestaciones.

El ejército marroquí que utilizó escuelas como cuartel general y lugar de interrogatorio de los civiles saharauis detenidos imponía una cuarentena militar total a la población saharaui que se encontraba durante un mes bajo un verdadero estado de sitio. Durante este mes de cuarentena militar, a los periodistas sobre todo españoles y los observadores extranjeros les fue prohibido venir a El Aaiún en el Sahara Occidental para ver de cerca la situación alarmante de los derechos humanos registrada tras el desmantelamiento violento del campamento de Gdeim Izik.

Visto que la cuarentena militar, de seguridad y mediática reinaba en la ciudad de El Aaiún durante un mes, los defensores saharauis de los derechos humanos eran incapaces de recoger todas las informaciones sobre la violación de los derechos humanos cometida por las autoridades marroquíes en El Aaiún desde el 8 de noviembre 2010. Fue con muchas dificultades que mi asociación pudo establecer su informe sobre el acontecimiento que se puede consultar en nuestra página web: www.asvdh.net

El 23 de diciembre 2010, el joven Said Dambar fue matado de un tiro de balas por un policía marroquí, desde entonces el fallecido todavía no está enterrado y la familia reclama la apertura de una investigación justa y equitativa.
En la tarde del 25 de febrero en Smara, Sahara Occidental, un grupo de jóvenes, hombres y mujeres, bachilleratos, universitarios y diplomados en paro se manifestaron para reclamar su derecho al trabajo. Las fuerzas de seguridad marroquíes intervinieron contra ellos violentamente y pusieron fin a la sentada, resultando una docena de heridos.

La noche del 25 al 26 de febrero, en paralelo al Festival de Dajla, barrios de autóctonos saharauis conocidos por su militancia fueron el blanco de un asalto sistemático de la parte de civiles marroquíes ante los ojos de las fuerzas de seguridad, este asalto produjo daños importantes tales como ciudadanos heridos, casas incendiadas, coches destruidos y quemados y tiendas saqueadas y robadas. Los saharauis de Dajla hicieron una sentada para denunciar esta violación flagrante, decenas de representantes de distintas administraciones locales presentaron su dimisión como gesto de protesta contra estas intervenciones brutales y racistas practicadas contra los saharauis civiles desprovistos de toda protección.

El 2 de marzo de 2011, una intervención brutal en El Aaiún se produjo contra centenares de saharauis civiles, la mayoría de ellos eran mujeres, que se manifestaban para reivindicar sus derechos fundamentales y la liberación de los presos políticos saharauis.

Todo eso ocurrió lejos de los ojos de los medios de comunicación por el embargo que pone Marruecos a la región.

Con sus intervenciones bárbaras y su reclutamiento de milicianos marroquíes para reprimir a la población saharaui, las autoridades marroquíes alimentan el chauvinismo en el seno de la población civil marroquí y alientan ciertamente el odio y la venganza entre los marroquíes y saharauis, lo que va seguramente a desestabilizar la paz en la región. Pese a la subida del chauvinismo marroquí desde 1999 y la represión atroz que lo acompaña, la población civil saharaui siguió llevando una resistencia pacífica y no violenta. En los anales de la lucha de los pueblos para exigir el respeto de sus derechos legítimos, la población saharaui constituye una excepción.

Ella no ha recurrido nunca a las acciones violentas o de carácter terrorista, ni contra las autoridades marroquíes ni contra los civiles marroquíes residentes en el territorio del Sahara Occidental bajo control marroquí. Esta población civil prefirió siempre contar con la legalidad internacional y el apoyo de la comunidad internacional para hacer exigir el respeto de sus derechos legítimos.

Es una población que ha elegido una lucha SANA. Es portadora de un mensaje de PAZ y de TOLERANCIA. Pero desgraciadamente, frente a la indiferencia mostrada por la comunidad internacional con respeto a los llamadas de los defensores saharauis de derechos humanos pidiendo hacer presiones a Marruecos para que éste respete los derechos humanos en el Sahara Occidental, los jóvenes saharauis desesperados, replicaron violentamente contra las autoridades marroquíes y todos símbolos del Estado marroquí a raíz del desmantelamiento del campamento de Gdeim Izik.

Es desgraciado ver a la juventud de mi país recurrir a la violencia para exigir los derechos legítimos del pueblo saharaui. También desgraciado es ver la comunidad internacional seguir mostrando su indiferencia en cuanto a la exigencia de la resolución del conflicto del Sahara Occidental conforme a la legalidad internacional. Me dio dolor hoy cuando el Alto Comisario para los Derechos Humanos, en su informe anual, no ha pedido la apertura de una investigación a raíz del acontecimiento de Gdeim Izik.

En este contexto, para protegerse contra toda eventual guerra que pueda estallar entre los civiles saharauis y los milicianos marroquíes encuadrados por las autoridades marroquíes y parar todas eventuales situaciones de desesperanza que puedan empujar a mis compatriotas saharauis a recurrir, para exigir la garantía de su derecho a la autodeterminación, a acciones más violentas como las que sacudieron este año Túnez y Egipto.

Como ciudadana saharaui, madre y vice presidente de la ASVDH, interpelo a los pueblos, la clase política, la sociedad civil y los intelectuales del mundo entero, sobre la situación alarmante de los derechos humanos en el Sahara Occidental, y les llamo sinceramente para hacer acciones políticas concretas y para ejercer además presiones sobre el gobierno marroquí para que asuma su responsabilidad moral y jurídica hacia el pueblo saharaui y contribuir eficazmente en su calidad. De este modo quiero pedirles;

— La aplicación, por la ONU, de una comisión internacional encargada de investigar sobre los acontecimientos sangrientos generados el 8 de noviembre 2010 en el campamento de Gdeim Izik y en El Aaiún, bajo control marroquí y sobre todas las violaciones de derechos humanos cometidas por las autoridades marroquíes contra civiles saharauis desde la anexión por fuerza del Sahara Occidental por Marruecos.

— La protección por la comunidad internacional de los civiles saharauis contra los sufrimientos de la represión de las autoridades marroquíes y los milicianos de civiles marroquíes encuadrados por éstas.

— La ampliación, por el Consejo de Seguridad, del campo de competencias de la MINURSO a la vigilancia de la situación de los derechos humanos en el Sahara Occidental o bien la atribución de esta competencia a un mecanismo de la ONU

— La aplicación para el Sahara Occidental de las convenciones internacionales relativas al pillaje y la explotación de los recursos naturales y pesca de los territorios no autónomos, la creación de un mecanismo de la ONU para atribuirle la competencia del control de estos recursos o bien la atribución por el Consejo de Seguridad de la ONU de este control a la MINURSO (Misión de las Naciones Unidas para el Referéndum del Sahara Occidental)

— La resolución del conflicto del Sahara Occidental conforme a la legalidad internacional y el respeto del derecho del pueblo saharaui a la autodeterminación.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Associação Marroquina dos Direitos do Homem (AMDH) preocupada com as violações dos direitos humanos no Sahara Ocidental


A Associação Marroquina dos Direitos do Homem (AMDH) diz-se "vivamente preocupada" pela persistência da campanha de detenções e processos iníquos contra activistas saharauis dos Direitos do Homem nos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Em comunicado tornado público recentemente a AMDH qualifica de "injusto" o último processo contra militantes saharauis dos direitos humanos.

A AMDA revela agressões contra os militantes saharauis dos direitos humanos em El Aiun ocupada, durante e após o assalto ao acampamento de Gdeim Izik, acrescentando que '"um certo número de militantes saharauis de direitos humanos foram presos e outros apresentados perante o tribunal militar.

A ONG marroquina revelou igualmente que dois dos seus membros, "foram interpelados e interrogados sobre as suas posições relativamente à questão do Sahara Ocidental"

SPS

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os Movimentos sociais e a questão do Sahara Ocidental: isto vai!

As Assembleias dos Movimentos Sociais são momentos emblemáticos nos processos dos Fóruns Sociais Mundiais.

Aí se encontram centenas de activistas vindos das mais diversas partes do mundo trazendo as suas experiências e conhecimentos que nas suas particularidades e especificidades enriquecem a vontade comum de construir um mundo mais justo, mais equitativo, mais democrático, sob a bandeira de "um outro mundo é possível!".

No FSM deste ano, que teve lugar em Dacar (Senegal), a Declaração Final da AMS teve uma inovação. Aí é dito a determinada altura:

«Inspirados en las luchas del pueblo de Túnez y Egipto, llamamos a que el 20 de marzo sea un día mundial de solidaridad con el levantamiento del pueblo árabe y africano que en sus conquistas contribuyen a las luchas de todos los pueblos: la resistencia del pueblo palestino y saharaoui, las movilizaciones europeas, asiáticas y africanas contra la deuda y el ajuste estructural y todos los procesos de cambio que se construyen en América Latina.»

É a primeira vez, tanto quanto sabemos, que é feita uma referência explícita à luta do povo do Sahara Ocidental pelo reconhecimento do seu direito à autodeterminação e um apelo à solidariedade com a sua causa.

Importa lembrar que isso aconteceu num ambiente particularmente difícil. O facto de o governo de Rabat ter co-financiado a realização do FSM (ler aqui) deu-lhe a oportunidade de povoar o evento com os seus "homens de mão" cuja preocupação era a defesa da actual "unidade territorial".

O facto de a AMS ter começado a assumir como sua esta questão e de a ter associado ao dia de acção global de 20 de Março abre perspectivas animadoras para o futuro próximo.

Veremos como os ventos que sopram na margem sul do Mediterrâneo alimentarão este "fogo".

Há-de ir.