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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

“Os saharauis vão continuar a sua luta até atingirem o seu objectivo, a independência total do Sahara Ocidental”, afirma Brahim Gali

 


Tifariti (Zonas Libertadas do Sahara Ocidental), 27 Agosto de 2020. - (ECSAHARAUI) - O Presidente da República e Secretário-Geral da Frente Polisario, Brahim Gali, afirmou ontem em Aguenit que o povo saharaui continuará a sua luta até alcançar o seu objetivo, que é a independência total do Sahara Ocidental.

Gali, em discurso pronunciado, reafirmou “que apesar das políticas de obstrução e intransigência e apesar das operações de guerra mediática e de propaganda do ocupante marroquino com o único objetivo de quebrar a resistência e a Unidade Nacional Saharaui, a luta de libertação segue em frente e o povo saharaui, com todas as suas componentes, está de pé e determinado a cumprir os seus objetivos e a concretizar a soberania do Estado saharaui sobre todo o seu território nacional.

Gali, junto com uma delegação ministerial, visita os territórios libertados do Sahara Ocidental no âmbito da Universidade de Verão, do programa alternativo Férias em Paz e do lançamento do projeto de construção e repovoamento dos territórios saharauis.

Brahim Gali esteve presente na quinta-feira passada na inauguração da Universidade de Verão e do programa alternativo Férias em Paz 2020,, na região libertada de Tifariti, na presença de personalidades nacionais e de grande número de residentes da região.

O presidente saharaui anunciou então aquela que será uma das declarações mais históricas da sua vida política: a reconstrução e repovoamento permanentes dos territórios libertados do Sahara Ocidental. Uma decisão que pode significar uma mudança de rumo no conflito no território ocupado desde 1975.

Esta decisão enquadra-se nas orientações emanadas do XV Congresso da Frente Polisario em relação à construção dos territórios libertados do Sahara Ocidental.

 

O anúncio perturba Marrocos e envia um sinal à ONU

A Frente Polisario decide reconstruir e repovoar os territórios saharauis que administra e gere desde 1976, ano da proclamação da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), hoje reconhecida por mais de 80 países e é membro fundador da UA.

Recorde-se que em 2018, na resolução para prorrogar o mandato da MINURSO por seis meses, o Conselho de Segurança condenou categoricamente a decisão da Frente Polisario de estabelecer povoamentos nos territórios que controla, considerados pelo Marrocos como uma ‘Zona Tampão’, e que a Frente Polisario não deveria exercer nenhuma atividade nesses territórios.

Mas nas resoluções subsequentes este parágrafo da resolução foi retirado. Recorde-se que, desde 2017, Marrocos vem construindo e reformando o muro militar conhecido como muro marroquino da vergonha no Sahara Ocidental sem que o Conselho de Segurança o sancione, apesar da forte condenação do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

A decisão anunciada pelo Presidente da República mobilizou quinze organizações estrangeiras, que manifestaram o seu interesse em participar e acompanhar o povo saharaui na construção e repovoamento dos seus territórios libertados. A decisão de Gali é vista por alguns como um 'chip move' contra o atual impasse no conflito desde a renúncia do ex-enviado da ONU para o Sahara Ocidental, Horst Kohler

quinta-feira, 9 de julho de 2020

O exército saharaui combate agora o narcotráfico: aumentam as apreensões no deserto de drogas oriundas de Marrocos



A Polisario vê uma "cumplicidade" entre altos comandantes militares marroquinos e narcotraficantes para permitir que a mercadoria atravesse o maior muro defensivo do mundo que divide o Sahara Ocidental em dois, e que mais tarde vai financiar grupos terroristas jihadistas no Sahel.

SANTIAGO F. REVIEJO @sreviejo

O exército da Frente Polisario que lutou contra o Marrocos durante 16 anos tem agora um novo inimigo: os traficantes de drogas que atravessam o seu deserto carregando toneladas de drogas - principalmente haxixe - em direção a áreas dos países do Sahel dominadas por organizações terroristas jihadistas. O governo saharaui garante que esta mercadoria provém do outro lado do muro defensivo de 2.700 quilómetros que o estado marroquino construiu durante a guerra para defender o seu território, dividindo o Sahara Ocidental em dois após o fim das confrontações em 1991.

As últimas intervenções ocorreram esta semana. As forças armadas saharauis apreenderam 3.775 quilos de haxixe na segunda-feira em Agüenit, ao sul dos territórios libertados pela Polisario na guerra contra Marrocos. Na operação, quatro pessoas foram presas, três delas de nacionalidade estrangeira - não saharaui - sem especificar, e capturadas espingardas de assalto, munições abundantes e veículos todo-o-terreno de alta potência. Um dia depois, outros 775 quilos foram confiscados na área vizinha de Dugej. Membros da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) estiveram presentes como testemunhas na operação de queima da droga capturada.

Com essas duas intervenções, o exército da Polisario já confiscou no primeiro semestre de 2020 um total de 4.550 quilos de drogas, quase o dobro do que foi apreendido em todo o ano passado, segundo fontes do governo saharaui. E desde 2015, garantem que mais de trinta toneladas foram capturadas em operações realizadas na longa rota do deserto que, atravessando o território saharaui, vai do muro defensivo vigiado pelas forças armadas marroquinas às regiões do Sahel na Mauritânia, Mali e Níger.

Agora, o que pergunta o governo da República Árabe Saharaui Democrática é como os traficantes de drogas conseguem atravessar, sem serem detectados, o muro vigiado por entre 80.000 e 100.000 soldados marroquinos equipados com radares sofisticados capazes de detectar a passagem de uma simples formiga, e depois atravessam, sem pular no ar, um campo de sete milhões de minas antipessoal e antitanque que protege todo o perímetro dessa barreira defensiva. A resposta, segundo o porta-voz de comunicação d Polisario na Espanha, Jalil Mohamed, é muito simples: "O conluio entre organizações de narcotráfico e o alto comando militar marroquino" "é o que torna possível essa proeza.

O exército da Polisario conseguiu bloquear as rotas de entrada no seu território através da parte norte do muro, e isso levou, segundo os seus oficiais, ao facto dos gangues de narcotraficantes desviarem a introdução de carregamentos no território saharaui para a parte sul do muro defensivo, local onde ocorreram as últimas apreensões.

E essa via do tráfico de drogas termina, na opinião do governo saharaui, no financiamento das organizações terroristas jihadistas que dominam várias áreas da vasta região subsaariana do Sahara. "Esse tráfego serve para desestabilizar a região. Marrocos está usando esse tráfego para desestabilizar o Sahara e outros países da região e depois aparece como salvador", diz Jalil Mohamed, que lamenta que em cimeiras como a do Sahel 5, a que compareceram esta semana na Mauritânia os presidentes dos governos espanhol e francês, não se discuta a origem do financiamento dos terroristas.



ONU teme por seus capacetes azuis na região

O Secretário-Geral da ONU já alertou no seu último relatório sobre a situação no Sahara Ocidental, apresentado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em outubro passado, sobre o perigo representado por esses gangues que atravessam o território saharaui. Especificamente, depois de observar que "aumentaram os relatos de contrabando e outras atividades ilegais em ambos os lados da barreira" - o muro defensivo de Marrocos - assinaladas pela Frente Polisario e pelo exército marroquino, ele destaca: "Apesar de nossa plena confiança no compromisso das partes em proteger a Minurso, esses grupos armados representam uma ameaça crescente e imprevisível para o pessoal da Minurso", a missão internacional responsável por há quase 30 anos garantir a realização de um referendo de autodeterminação que ainda não foi convocado.

Noutro ponto do seu relatório, o Secretário-Geral da ONU afirma que "a ameaça relacionada a grupos terroristas e atividades criminosas na região continua sendo motivo de grande preocupação devido à sua imprevisibilidade e nível de risco desconhecido, especialmente para bases de operações localizadas em áreas remotas a leste do muro (a parte conquistada pela Polisario na guerra), as patrulhas desarmadas que cobrem grandes distâncias em todo o território e o reabastecimento de colunas".

O governo saharaui informou repetidamente o Conselho de Segurança das Nações Unidas da sua preocupação com a atividade dessas quadrilhas de traficantes no seu território, a última quarta-feira passada, depois das apreensões de mais de quatro toneladas de haxixe nas duas operações acima mencionadas. Nos escritos do seu representante na ONU, a Polisario responsabiliza o Reino de Marrocos por essas operações, que atribui ao seu estatuto de maior produtor mundial de resina de cannabis, conforme é referido nos relatórios do Escritório de Nações Unidas contra as Drogas e o Crime.

Em outubro de 2011, dois cooperantes espanhóis e uma italiana foram sequestrados nos campos de refugiados saharauis em Tindouf, na Argélia, por um grupo terrorista jihadista do Sahel. Após nove meses de cativeiro, os reféns foram libertados no norte do Mali. Desde então, a Polisario aumentou as medidas de segurança nos campos para proteger, acima de tudo, os estrangeiros de organizações humanitárias que trabalham com a população local.

"Eles estão transformando a região num oeste selvagem e o que nós queremos é um Magrebe estável e próspero", diz o porta-voz da Polisario em Espanha.


sábado, 28 de março de 2020

MAIS DE 400 ORGANIZAÇÕES DE TODO O MUNDO ENVIAM CARTA A MEMBROS DA ONU PARA ADVERTIR DAS CONSEQUÊNCIAS DE COVID – 19 SOBRE A POPULAÇÃO SAHARAUI INTEIRA




405 Organizações Não Governamentais (entre elas a Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental-AAPSO e outras organizações portuguesas), associações, movimentos sociais e civis, partidos, sindicatos, políticos, parlamentares, advogados, médicos, cientistas, professores, pesquisadores, jornalistas, defensores dos direitos humanos e outros de todo o mundo (América Latina, América do Norte, Europa, África, Ásia e Oceania) assinaram a carta referente ao povo saharaui durante a pandemia de Covid 19 que foi enviada a Sua.Exa. Filippo Grandi, Alto Comissário da ONU para Refugiados; Sua Exa. Michelle Bachelet, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e todos os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas.


V.Exa. Filippo Grandi, Alto Comissário da ONU para Refugiados
V.Exa. Michelle Bachelet, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos
Membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas

De acordo com o artigo 73 da Carta da ONU e a Resolução 1514 da ONU

Artigo 73
Os membros das Nações Unidas que têm ou assumem responsabilidades pela administração de territórios cujos povos ainda não alcançaram uma medida completa de autogoverno reconhecem o princípio de que os interesses dos habitantes desses territórios são fundamentais e aceitam como uma confiança sagrada a obrigação de promover ao máximo, dentro do sistema de paz e segurança internacional estabelecido pela presente Carta, o bem-estar dos habitantes desses territórios …

Alertamos para a situação do povo saharaui nos territórios ocupados e nos campos de refugiados, bem para a situação dos presos políticos.

Territórios ocupados
A população saharaui vive num apartheid social, económico e político. Esta situação é agora agravada devido à pandemia de Covid-19. A população saharaui é mais vulnerável e tem menos acesso aos cuidados de saúde. Relatórios recentes dos territórios ocupados alertam para o aumento dos movimentos das forças militares e policiais e a entrada de um contingente maior na região. Ao mesmo tempo, os colonos marroquinos tentam sair do território às centenas. Nenhum teste do Covid-19 foi realizado.

É necessário que a MINURSO receba um mandato especial para vigiar o acesso a cuidados de saúde adequados dessa população, bem como a proteção da população saharaui neste contexto.

Presos políticos
Os presos políticos saharauis nas prisões marroquinas, a maioria localizados em Marrocos e não no Sahara Ocidental, são vítimas de maus-tratos, tortura e negligência médica intencional. No contexto desta pandemia, eles são alvos fáceis para o regime marroquino e é urgente intervir para a sua proteção.

É urgente que os mecanismos de Direitos Humanos da ONU analisem a sua situação e alertem as autoridades marroquinas para que respeitem e protejam a sua integridade física.

Campos de refugiados em Tindouf, Argélia
A população saharaui nestes campos é especialmente vulnerável devido à falta preexistente de nutrientes necessários e doenças crônicas associadas aos 45 anos de vida nos campos de refugiados. É necessário garantir que haja estoques adequados de alimentos nos campos e que o fornecimento não seja interrompido.

Embora as autoridades saharauis, em coordenação com o Crescente Vermelho e a OMS, tenham implementado todas as precauções necessárias, nomeadamente quarentena, medidas de higiene e interdição de entrada de estrangeiros, é urgente que a população tenha acesso ao teste da covid-19, equipamentos médicos, incluindo camas, máscaras n95, ventiladores e ao reforço do estoque de medicamentos que já de si são sempre baixos e insuficientes.

sábado, 21 de março de 2020

Covid-19: limitada circulação na República Saharaui devido ao estado de alerta




Nenhum caso de coronavírus foi registado até agora nos campos de refugiados saharauis ou nos territórios libertados do Sahara Ocidental.

Madrid, 20 de março de 2020 - (Salem Mohamed / ECS) - O governo saharaui aprovou medidas que entraramm em vigor ontem à noite, incluindo a medida de confinamento para impedir a propagação do Covid-19 na República Saharaui.

As autoridades saharauis decidiram introduzir um regime de alerta máximo devido à ameaça de propagação do coronavírus. As aulas nas escolas são suspensas. Todos os eventos esportivos e de entretenimento foram cancelados.

O governo saharaui ordenou na quinta-feira o confinamento da população residente nos campos de refugiados saharauis, nos territórios libertados do Sahara Ocidental e nas regiões militares para impedir a propagação do surto de coronavírus que afeta o mundo, causando milhares de mortes e infectando todos os partes do planeta.

Isso significa que os 170.000 cidadãos dos cinco campos (Dakhla, Smara, Bojador, Auserd e El Aaiún), além da Unidade Administrativa de Chahid Alhafed, terão saídas restritas a partir das 00:00 na sexta-feira à noite e até novo aviso. Só podem sair após o controle da polícia saharaui. E a partir desta quinta-feira, ninguém poderá entrar ou sair da cidade de Tindouf, com exceção dos serviços de emergência.

Isso mesmo foi anunciado pelo Comité Técnico para o Monitoramento e Prevenção de Coronavírus e pelo Conselho do Governo da RASD após uma reunião ampliada. "Sinto muito, mas se pedimos, é porque era necessário", disse uma fonte do governo saharaui à ECSAHARAUI.

A partir das 00:00 de ontem noite, ninguém deverá sair de casa salvo para poderem fazer compras na cidade argelina de Tindouf. O serviço de táxi entre os Wilayas (distritos), casamentos e reuniões de pessoas também é suspenso.

O Exército saharaui será responsável pelo fechamento do perímetro dessas áreas e também haverá uma comissão local dedicada ao monitoramento de lojas, farmácias e supermercados para estabilizar os preços.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O ex-enviado pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, visita os acampamentos de refugiados saharauis




Lehbib Abdelhay/ECS – Uma delegação norte-americana encabeçada pelo ex-Enviado Pessoal do secretário-geral da ONU para o Sahara Occidental, Christopher Ross, realiza uma visita aos acampamentos de refugiados saharauis a partir de amanhã, 29 de Outubro, segundo fonte oficial consultada pela publicação online ECSaharaui.

O ex-Enviado Pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas para o conflito do Sahara Ocidental, visita discretamente a zona, dois anos depois de ter renunciado ao cargo. O ex-representante do SG da ONU é acompanhado por uma importante delegação da Universidade de Princeton de Nova Jersey (EUA) composta por sete professores.
A delegação reunirá com as autoridades saharauis e poderá verificar em primeira mão a situação dos refugiados saharauis deslocados desde 1975 no deserto da Argélia, em resultado da invasão militar marroquina da antiga colónia espanhola.
De acordo com o programa da delegação norte-americana, à qual a ECSaharaui teve acesso exclusivo, esta reunirá com o Secretário-Geral da Frente Polisario e o presidente da RASD, Brahim Gali. Reunirá também com o ministro da Defesa, o governador de Bojador e parte da sociedade civil saharaui.
Por outro lado, Ross com esta visita não anunciada, pretende desenvolver a sua estreita relação com o povo saharaui, cuja luta pela autodetermina acomapnha há longos anos. Ross foi um alto funcionário do Departamento de Estado em Washington e foi também embaixador na Síria e na Argélia antes de ser nomeado pelo ex-SG da ONU, Ban-Ki Moon, seu representante para o Sahara Ocidental .



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

ONU une forças para limpar o muro minado do Sahara Ocidental




Fonte e foto: El Diario / EFE / Por Antonio Broto - O muro de terra de 1.468 quilómetros que separa o Sahara Ocidental ocupado por Marruecos do que controla a Frente Polisario, conhecido como Berm (aterro), é um dos maiores campos minados do mundo, mas a ONU acredita que com vontade política a parte saharaui pode ficar livre de minas dentro de um ano.

“Com 3,5 milhões de euros mais, algo que em termos de ajuda internacional não é muito, essa parte do muro ficaria livre de minas, e poderíamos alcançar esse objectivo já no ano de 2020”, segundo referiu à agência Efe a diretora do Serviço das Nações Unidas de Atividades relativas a Minas (UNMAS), Agnes Marcaillou.

A situação no Sahara Ocidental foi um dos principais temas de uma reunião internacional em Genebra, na qual representantes da agência e várias ONGs analisaram as suas prioridades contra as minas, armas que, muitas vezes, matam muito depois do fim de um qualquer conflito.

No caso saharaui, onde Alemanha e Espanha são os principais doadores, o UNMAS estabeleceu um orçamento modesto de 100.000 dólares, destinado principalmente à integração social e económica das vítimas das minas a leste do muro, mas isso não obscurece a magnitude do problema ou a necessidade de resolvê-lo.

O muro que Marrocos foi construindo enquanto ocupava territórios saharauis esconde minas antitanques na sua parte central e minas antipessoal nas laterais, num total de 10 a 40 milhões de artefatos mortíferos, de acordo com diferentes fontes.

Atualmente, a principal função do UNMAS é informar das zonas perigosas, embora a desértica orografía do território dificulte esse labor.

"Na verdade, a zona é areia em movimento, sujeita a ventos fortes, por isso às vezes as minas podem ser levadas de uma área assinalada para outra que não o está", disse Marcaillou numa reunião com jornalistas.

Juntamente com o UNMAS, estão organizações não-governamentais — como a Geneva Call, que supervisiona acordos de desarmamento em zonas de conflito — que trabalham no Sahara Ocidental em operações de desminagem e ajudaram a destruir já mais de 20.000 minas antipessoal.

No início deste ano, a responsável daquela ONG para África, Catherine Hiltzer, testemunhou a destruição de um carregamento de 2.485 destas minas por parte da Frente Polisario, como parte dos compromissos assumidos pela organização saharaui em 2005.

"Os civis são frequentemente vítimas de minas antipessoais, uma vez que estas armas não discriminam entre um objetivo militar e um civil inocente, pelo que a destruição de 20.000 minas pela Frente Polisario é uma vitória decisiva para a humanidade", comentou Hiltzer.




O UNMAS sublinha a importância da participação da sociedade civil em programas de sensibilização sobre o perigo das minas, e no caso do Sahara Ocidental as mulheres são as grandes protagonistas.

“Temos inclusive mulheres saharauis participando em trabalhos de desminagem”, sublinha a diretora do UNMAS, que refere que a sua integração nestes trabalhos ajuda a que os setores mais conservadores das suas sociedades valorizem mais o papel da mulher.

O principal escolho para desminar o Muro está reside no facto de o conflito saharaui continuar latente pese embora o fim teórico do confronto armado há mais de 25 anos, o que se traduz na recusa marroquina em colaborar com o UNMAS.

“Até que seja encontrada uma solução política, e sabemos como é difícil encontrá-la, não intervimos no lado marroquino”, reconhece Marcaillou, que recorda que muitos dos habitantes da zona afetada “são beduinos nómadas que não entendem nada de fronteiras”.

Segundo a Campanha Internacional para a Proibição das Minas Antipessoal, mais de 2.500 pessoas morreram desde 1975 no Sahara Ocidental devido a este tipo de armamento, sendo que as vítimas não se limitam ao período de conflito aberto entre 1975 e 1991, já que por exemplo em 2018 houve 22 mortos.

domingo, 27 de janeiro de 2019

A luta pacífica do povo saharaui tem rosto de mulher





Fonte e fotos: El Diario / Por Maialen Ferreira (@maialenferreira) - Raabub fugiu da sua terra natal, o Sahara Ocidental, nos braços dos seus pais enquanto eram bombardeados pelo Exército marroquino. Antes de saber falar, jé era uma refugiada saharaui. Muitos deles não sobreviveram aos bombardeamentos. Os que o conseguiram, tiveram que construir do nada os acampamentos de refugiados.

Aichetu Yeslem nasceu nesses acampamentos. Com 25 anos, uma das coisas que mais lamenta tal como muitos outros jovens saharauis, é nunca ter pisado o solo do Sahara Ocidental.

Ambas puderam desenvolver as suas carreiras profissionais com êxito. Raabub, com apenas 12 anos foi estudar para Cuba sem saber quando voltaria a ver a sua família e agora, com 44 anos, é médica no Hospital Universitário Araba, em Vitória. (nota da tradução: Após ter acabado a sua licenciatura em Cuba, Raabub veio para Portugal com o apoio de uma família portuguesa. Aqui estudou arduamente para realizar o exame na Ordem dos Médicos que a possibilitou exercer a Medicina em Portugal e no Espaço Europeu, beneficiando da possibilidade que muitos refugiados tiveram por abertura do Estado Português e pela intervenção determinante da Fundação Calouste Gulbenkian nesse processo. Exerceu a sua profissão durante alguns anos no Hospital de Almada onde deixou muitas saudades entre pacientes, colegas e enfermeiros, e todos aqueles que tiveram o privilégio de com ela privar e com a sua adorada família).

Aichetu, acaba de graduar-se em Ciências Políticas na UPV (Universidade do País Basco) e não descarta a possibilidade de tirar um Mestrado no próximo ano na mesma universidade. Mas o que têm em comum é que, apesar dos seus êxitos académicos e profissionais num país estrangeiro, não perdem de vista a sua responsabilidade e compromisso para com a luta do seu povo.

"Exercer a sua profissão, seja médico, enfermeiro, engenheiro, mas não deixar de ajudar o povo saharaui em determinadas situações. Se vês que podes exercer naquilo em que estudaste mas, ao mesmo tempo, empenhando-te na ajuda pessoal de alguma forma ao teu povo, contribuindo com o que está ganhando, na saúde, na educação, então perfeito. Claro, desde que haja médicos e professores e que não estejamos todos aqui enquanto nos campos não há médico que possam ajudar", explicou Aichetu durante a palestra Sahrawi Women: dignity and resistance, que se realizou em Bilbao.

As mulheres construíram a maioria dos campos de refugiados e administram toda a sua organização. Os pilares das estruturas dos campos são mulheres e também entre os que ficaram nos territórios ocupados desempenham um papel importante:

“São torturadas, são violadas, são presas, mas elas prosseguem porque estão convencidas de que estão a lutar por uma causa justa. Não queremos nada de ninguém, queremos o que nos corresponde por direito. Roubaram-nos o mais importante, que é ter um lugar no mundo”, afirma Raabub.

"É muito claro de que lado está a política espanhola"

“O compromisso de Espanha com o Sahara Ocidental desde sempre foi nulo. Em 1975, quando falavam do então referendo, abandonam-no debaixo da mesa firmando os Acordos Tripartidos de Madrid, abandonando o povo saharaui no meio do nada, fazendo um tratado ilegítimo com Marrocos. A primeira viagem que fez o novo Rei foi a Marrocos e a primeira viagem que efectuou o atual presidente do Governo de Espanha também foi a Marrocos, fica pois claríssimo de que lado está a política espanhola. A nível das bases dão-nos apoio, mas a cúpula do poder vira-nos as costas”, assegura Aichetu, que integra também a Associação de Jovens Saharauis de Euskadi.

O que esta jovem pede é que as Nações Unidas supervisionem a violação dos direitos humanos sofridos pela população saharaui nos Territórios Ocupados, uma vez que eles são "constantes e sistemáticos", como refere. Atentados que, como diz, são vistas e sentidos por toda a população saharaui e que vão desde a impossibilidade de se manifestarem, até não poderem se encontrar em suas próprias casas por serem ativistas. Além disso, exige que se investigue como está o Território Ocupado militarizado, já que 90% dos observadores internacionais que vão ao Sahara Ocidental não podem entrar porque Marrocos os proíbe de entrar.

"O que mais teme Marrocos é o resultado final. Que um referendo seja realizado e que nós escolhamos o nosso destino. Mas o que tem sido demonstrado em todos esses anos é que o seu papel é o de impedir para que ele nem sequer possa ser realizado ", atalha Raabub.

Raabub é presidente da Associação Humanitária Doutora Behitua, que apoia mulheres atingidas pelo conflito no Sahara Ocidental e gostaria que a União Europeia fizesse um acordo a três e que a Frente Polisario fizesse parte desse acordo. Além disso, sublinha que os saharauis não teriam nenhum problema no futuro em se relacionar com outros países e muito menos com "países a que estiveram ligados quase um século", como a Espanha.

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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Têm início os 12.º Encontros Internacionais de Arte e Direitos Humanos do Sahara Occidental nos Territórios Libertados





Fonte: Sahara Sevilla - O primeiro-ministro saharaui, Mohamed El Wali Akei, inaugura hoje, dia 31 de outubro - na Escola Saharaui de Artes – o ARTifariti 2018 que, após cinco edições baseadas nos acampamentos saharauis, regressa aos territórios libertados. Foi lá, na cidade de Tifariti, que nasceram, em 2007, os Encontros Internacionais de Arte e Direitos Humanos do Sahara Ocidental para tornar visível através da arte os muros de opressão que escravizam o mundo, entre eles o chamado Muro da Vergonha que segrega o território Saharaui em dois trerritório e que foi construído nos anos 80 por Marrocos.
Esta noite nos acampamentos saharauis são muitos os que se encontram com artistas locais, colegas de diferentes partes do mundo, especificamente da Argélia, Colômbia, EUA, Espanha, Itália, México, Moçambique e Tanzânia. Durante dez dias esse coletivo de artistas contemporâneos desenvolverá diversos projetos, com propostas de realidade artística, arte de ação, videoarte, rap e intercâmbio musical, de fotografia, instalações, pintura mural, produção de cometas, alquimia espiritual ... um laboratório colaborativo que combina práticas artísticas e direitos humanos com o objetivo de influenciar a transformação social em direção a um modo de vida inclusivo, sustentável e à escala humana.
Estaquinta-feira, uma caravana de 100 pessoas viajará a Tifariti, onde poderão conhecer em profundidade a cultura saharaui, através da sua convivência com famílias nómadas. Irão morar num acampamento que tem sido chamado de "Frig de la Resistencia" de onde irão espalhar essa sua experiência online através de ações, performances, desenhos, vídeos ... Essas peças artísticas vão construir um documento visual #resistenciaculturalsaharaui que será entregue à Relatora Especial de Nações Unidos dos Direitos Culturais, denunciando o processo de aculturação sofrido pelo povo saharaui nas áreas ocupadas pelo regime de ocupação marroquino que modifica os seus nomes para apagar a sua identidade ou os proíbe de montar as suas tendas tradicionais (jaimas).
Mais informação sobre participantes e programa em: artifariti2018.saharasevilla.org



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Frente Polisario destrói 2.500 minas anti-pessoal




Tifariti (Sahara Ocidental), 4 de novembro de 2017 (SPS/Contramutis) - A Frente Polisario destruiu ante representantes internacionais 2.500 minas anti-pessoal e antitanque, recolhidas nos territórios libertados do Sahara Ocidental, especialmente ao longo do muro marroquino de 2700 quilómetros que divide o território.

A operação de destruição, realizada no dia 4 de novembro, teve lugar em Tifariti, localidade situada nos territórios sob controlo da Polisario e que foi bombardeada por Marrocos no dia em que foi firmado o cessar-fogo, a 6 de setembro de 1991, após dezasseis anos de guerra.

Ante autoridades militares saharauis, como o ministro da Defesa e o Chefe da 2.ª Região Militar,  e de representantes do Serviço de Ação contra s minas das Nações Unidas (UNMAS), da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental), do Apelo de Genebra, foram destruídas 2.300 minas anti-pessoal VS-50, 100 SB-33, 100 M-966 e 8 minas anticarro BPRB-M3.

Com esta ação, a Frente Polisario já destruiu desde 2006  15.508 minas e tem previsto inutilizar outras 4.985 em 2018.

O chefe das tropas de reserva saharauis, Mohamed Lamín Buhali, referiu que a vontade do governo da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) é continuar a aplicar os acordos em matéria de destruição de minas, tema sobre o qual Marrocos nunca se quis implicar.

Mohamed Lamín, ex-ministro da Defesa, afirmou que na parte ocupada do Sahara Ocidental continuam colocadas ao longo do muro milhares de minas, que são transportadas pelas águas ao longo do leito dos rios e se convertem em armadilhas mortais para a população saharaui que se desloca livremente na parte libertada do Sahara Ocidental.

Pascal Bongar, diretor jurídico do Apelo de Genebra, afirmou que estavam ante una “demonstração clara da vontade da Frente Polisario de colaborar na destruição e limpeza das minas”, que semeiam o terror, em particular na libertada do Sahara Ocidental.

Disse que nos últimos anos as minas causaram 34 vítimas na zona libertada e o facto de Marrocos não querer firmar o acordo do Apelo de Genebra “é uma demonstração de que não quer colaborar no processo de paz”.



terça-feira, 18 de julho de 2017

Governo Saharaui anuncia a captura de um grupo de 19 narcotraficantes marroquinos





SPS - O Governo Saharaui, anunciou ontem, segunda-feira, que uma unidade do Exército de Libertação Nacional Saharaui, capturou um grupo de 19 narcotraficantes marroquinos, que procuravam transportar drogas para leste do muro de ocupação marroquino.

O comunicado do Ministério da Defesa Nacional, informa que, na mesma operação, o Exército deteve uma viatura que foi utilizada no transporte das drogas, enquanto outro veículo fugiu para lá das fronteiras saharauis.

Diz o comunicado: “No âmbito dos esforços do Estado saharaui em combater os intentos de Marrocos de inundar a zona com drogas, uma unidade do Exército de Libertação Nacional Saharaui capturou domingo pelas 19:30 h, na zona de Agshan Labiad, comarca de Guelta Zemur e que integra a Terceira Região Militar, um grupo de 19 narcotraficantes de nacionalidade marroquina, (…) encarregados de transportar drogas de Ocidente para Oriente do muro de ocupação marroquino”.

“O governo saharaui – acrescenta o comunicado - denuncia estas repetidas práticas criminosas, utilizadas por Marrocos”, e acrescenta: “a ilegal política marroquina emprega o uso do veneno das drogas que está estreitamente ligado aos bandos do crime organizado e aos grupos terroristas. O que repercute sobre a paz e a estabilidade da zona”.

Por último, “o governo saharaui compromete-se a prosseguir o combate contra este tipo de crime, no âmbito das suas obrigações internacionais e no seio da União África”, conclui o comunicado.


sábado, 8 de julho de 2017

Exército saharaui aborta operação de narcotráfico em que estavam implicados membros do Exército marroquino




O Exército de Libertação Popular Saharaui (ELPS) abortou uma operação de narcotráfico e contrabando de haxixe no sul do Sahara Ocidental perto da fronteira com a Mauritânia, em que estavam implicados membros do Exército de Marrocos, informou uma fonte do ministério da Defesa saharaui.

Segundo a mesma fonte, duas pessoas foram detidas e foi montado um dispositivo de busca para localizar os outros dois veículos participantes na operação, que segundo foi apurado, conseguiram fugir em direção à Mauritânia.

As autoridades saharauis não especificaram se os detidos são marroquinos ou de outra nacionalidade estrangeira.

Os militares saharauis detetaram os três veículos dos traficantes na tarde do dia 6 de julho a 40 quilómetros a nordeste de Gnifa, no setor da 1.ª região militar saharaui.

Tanto o governo da RASD como várias ONG internacionais e instituições regionais têm chamado a atenção para a implicação de Marrocos em atividades de tráfico, contrabando e crime organizado, advertindo para os riscos da situação.

Segundo a mesma fonte militar saharaui, os traficantes dirigiam-se ao Mali passando pela Mauritânia e formavam parte de uma rede de tráfico de droga e de armas entre Marrocos e a África subsahariana.


Fonte: El Confidencial Saharaui

quarta-feira, 8 de março de 2017

Novo livro sobre o muro marroquino no Sahara Ocidental




O investigador e ativista anti-minas, Gaici Nah Bachir, acaba de publicar o livro intitulado “El Muro Marroquí en el Sáhara Occidental: Historia, Estructura y Efectos”.

O livro resulta de muitos anos de estudo e investigação, oferecendo uma análise detalhada e documentada do muro militar marroquino e da sua história, estrutura e dos seus múltiplos efeitos sobre a vida da população saharaui assim como a situação atual das minas e das vítimas das minas no território.

Trata-se de uma obra de referência bibliográfica importante que faz um balanço não só do muro militar marroquino como também da história do conflito do Sahara Ocidental e, sobretudo, do papel decisivo que continua a jogar este enorme dispositivo militar na ocupação marroquina do território.

Os interessados e interessadas podem contactar: https://www.facebook.com/ekialdea.ekialdea

Fonte: Remove the Wall; 05-03-2017



domingo, 6 de março de 2016

O SG da ONU na região libertada do Sahara Ocidental


Christopher Ross, Ban Ki-moon e Bukhari Ahmed, representante da Polisario junto das Nações Unidas

 O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, chegou na tarde deste sábado à cidade libertada de Bir Lehlu onde foi recebido pelo representante da Frente Polisario junto das Nações Unidas, Bukhari Ahmed, e o presidente da câmara da localidade de Bir Lehlu.

O SG da ONU foi recebido no interior de uma tenda tradicional saharaui (jaima), tendo após a receção se dirigido à sede da MINURSO na região onde se reuniu com os funcionários da missão e as organizações humanitárias que trabalham no campo da remoção de minas antipessoal no Sahara Ocidental.

Muitas famílias saharauis, aproveitando os bons pastos depois das chuvas torrenciais que atingiram a região, deslocaram-se para Bir Lehlu para se dedicarem à pastorícia como fonte de sustento depois dos cortes na ajuda humanitária, quer por razões políticas quer devido à crise mundial.

O SG da ONU concluiu neste sábado a sua visita aos Acampamentos de Refugiados Saharauis num périplo que o levou esta sexta-feira a visitar a Mauritânia como primeira etapa desta viagem e amanhã, domingo, prosseguirá com a sua visita à Argélia.

Ban Ki-moon, durante a visita aos Acampamentos de Refugiados Saharauis, expressou hoje o seu profundo pesar pela trágica situação dos refugiados saharauis.

Em declarações aos meios de comunicação, assegurou que a sua visita foi uma oportunidade para constatar de perto os sofrimentos dos refugiados saharauis, assinalando que “é uma das tragédias humanitárias mais esquecidas do nosso tempo e os acampamentos saharauis são os campos mais antigos do mundo”.

Ban Ki-moon expressou a sua profunda tristeza por “ver famílias saharauis cujos laços familiares foram destruídos por um longo período de tempo”, sublinhando o seu desejo de chamar a atenção do mundo para o sofrimento deste povo e do esquecimento a que é sujeito, qualificando esta situação como “inaceitável”.

“O que realmente me entristece é a ira que manifestaram muitas pessoas que passaram 40 anos vivendo em circunstâncias muito difíceis e sentem que o mundo se esqueceu deles e se esqueceu da sua causa”, afirmando que “as Nações Unidas vão a trabalhar para o reatamento do diálogo e dar apoio a cada refugiado”.

O responsável da ONU apelou aos países doadores a redobrar o seu apoio a este povo esquecido para lhe proporcionar condições básicas para a vida e melhorar a sua situação: “aqui vive-se uma situação humanitária muito crítica, onde há uma necessidade urgente de educação e de água potável, medicamentos, alimentação e fonte de sustento”, indica Ban Ki-moon.

Ban Ki-Moon apela a que seja encontrada uma solução que permita a autodeterminação do povo saharaui

O secretário-geral da ONU insistiu este sábado na necessidade de procurar uma solução que permita a autodeterminação do povo saharaui.

Em declarações à imprensa após o seu encontro com o presidente da República saharaui, o titular da ONU sublinhou que não tem havido nenhum progresso real na procura de uma solução justa e duradoura que permita a autodeterminação do povo saharaui.

Ban Ki-moon disse que o primeiro objetivo desta visita é avaliar e verificar pessoalmente a situação para lhe permitir fornecer uma contribuição pessoal para uma solução, expressando seu desejo de poder avançar o processo de paz da Organização das Nações Unidas.

O SG da ONU descreveu as suas conversações com o Chefe de Estado e secretário-geral da Frente Polisario como "positiva".

O chefe da ONU disse que a visita também se enquadra no âmbito da discussão e análise da situação de segurança na região, expressando preocupação com o aumento da atividade criminal, o fluxo de drogas na região e o possível aparecimento de terroristas e extremistas, apelando para a necessidade de abordar este problema de uma forma séria e abrangente.

Os saharauis defendem o relançamento das negociações antes do termo do mandato de Ban Ki-moon

O coordenador saharaui junto da MINURSO, M’Hamed Khaddad, afirmou esta sexta-feira que os saharauis esperam relançar as negociações para uma solução do conflito no Sahara Ocidental ocupado antes do termo do mandato de Ban Ki-moon à cabeça das Nações Unidas.

Numa conferência de imprensa após a reunião dos responsáveis saharauis com o secretário-geral da ONU, o coordenador saharaui junto da MINURSO disse que “o povo saharaui não pode esperar mais e deseja relançar as negociações com a parte marroquina antes que termine o mandato do Sr. Ban Ki-moon”.

O diplomata saharaui assegurou que a parte saharaui continua comprometida com o apoio aos esforços da ONU para resolver o conflito no Sahara Ocidental, com a esperança de que a visita do secretário-geral da ONU à região dê um novo impulso na direção a uma solução do conflito.


domingo, 28 de fevereiro de 2016

Exército marroquino assassina a tiro pastor saharaui



O exército ocupante marroquino assassinou ontem a tiro um cidadão saharaui de seu nome Ichmad Abbad Yuli, pastor de aproximadamente 60 anos de idade. Segundo fontes dos acampamentos de refugiados, Ichmad Abbad encontrava-se a vigiar o seu rebanho perto do muro de vergonha erguido pelas forças ocupantes marroquinas, tendo os militares marroquinos disparado, tirando-lhe a vida.





Abbad não mostrava qualquer tipo de comportamento estranho ou digno de suspeita para que os marroquinos tivessem atuado de tal maneira. A força marroquina disposta ao longo do muro sabe que é habitual os pastores se acercarem do muro quando os animais para se dirigem mas sem qualquer intenção que não seja essa: cuidar e vigiar o seu gado.

Segundo fontes dos acampamentos de refugiados saharauis, nas zonas desérticas libertadas ao longo do muro de vergonha erguido pelas forças ocupantes marroquinas  acampam e circulam mais 10.000 habitantes com os seus rebanhos de dromedários.

Fonte: El Confidencial Saharaui


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Tensão militar no Sahara Ocidental ante a visita do Rei de Marrocos à cidade ocupada de El Aaiún: Exército Saharaui em alerta máximo




O exército Saharaui nos territórios libertados está mobilizado ante a provocatória visita do Rei de Marrocos aos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Segundo fonte do governo da República Saharaui, ante a visita que tem prevista o Rei de Marrocos à cidade saharaui ocupada de El Aaiun, onde pretende celebrar os 40 anos da ocupação do território através da “Marcha verde” e a invasão militar, o Exercito Saharaui recebeu ordem de alerta máximo ao longo do muro militar marroquino que divide o território saharaui.


O presidente da República Saharaui considera a visita uma provocação aos esforços das Nações Unidas e aos Saharauis, declarações feitas esta segunda-feira em carta urgente dirigida ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki Moon. A fonte governamental afirmou que o exército saharaui está mobilizado ao longo do muro da vergonha marroquino desde a Região norte de Zemur até à Região sul de Tiris.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

TeleDiario da RASD TV




- Reunião do enviado pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, com as autoridades da Frente Polisario.

- Manifestação na cidade ocupada de Smara contra o regime de ocupação marroquina

- Chegada das crianças pequeños saharauis que desfrutaram das suas férias em paz junto de famílias galegas

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Pastor mauritano morre devido à explosão de mina no Sahara Ocidental




Segundo “Zouerat Media“, no dia 29 de agosto, Hamdi Ould Sid’Ahmed, pastor de origem mauritana, de 42 anos, morreu em consequência de graves ferimentos produzidos pela explosão de uma mina terrestre.

O acidente ocorreu quando o pastor se encontrava com o seu rebanho de camelos a escassos 200 metros do muro marroquino no Sahara Ocidental, a sudoeste da cidade de Tifariti, nos territórios libertados que se encontram sob controlo da Frente Polisario. Trata-se de uma zona de deserto pedregoso, no limite fronteiriço com a Mauritânia, com elevada concentração de minas e artefactos explosivos de guerra. Os nómadas –não raras vezes e sem o saberem – passam os limites da zona de segurança assinalada, que alerta para o alto perigo de restos bélicos, para atingirem os pastos próximos do poço de Oum Grim.

Segundo parece, Hamdi Ould Sid’Ahmed foi identificado por um companheiro de trabalho, que entregou a sua documentação às autoridades mauritanas. As congéneres saharauis, por seu lado, coordenaram-se de imediato com as suas homólogas mauritanas para o enterro do cidadão mauritano.
Neste ano de 2015, as minas terrestres, bombas de fragmentação e outros restos de explosivos de guerra abandonados de um e de outro lado do muro marroquino fizeram já 26 vítimas em todo o território do Sahara Ocidental, com um balanço de 9 mortes e 17 feridos de diferente gravidade, para além de dezenas de animais dos rebanhos dos pastores nómadas.



Fonte: Dales Voz a las Víctimas / Zouerate Media (original em árabe)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Forças militares saharauis apreendem importante quantidade de drogas perto do muro marroquino





Uma unidade das Forças Especiais saharauis capturou ontem, terça-feira, uma importante quantidade de drogas, dois veículos todo-o-terreno e telemóveis, informa um comunicado do Ministério da Defesa Nacional da RASD.


O Coordenador do Estado-Maior da 6ª Região Militar declarou à Imprensa: "No âmbito da luta contra o tráfico de drogas e o crime organizado, e depois de ter obtido informações precisas sobre o objetivo, uma unidade das Forças Especiais do Sector Operacional da 6ª Região Militar executou com êxito uma emboscada montada perto do Muro marroquino da Vergonha durante a qual foram apreendidos 150 kg de haxixe do tipo "One dollar", dois veículos Nissan e 9 telemóveis. Nove pessoas foram capturadas na operação".
 As drogas apreendidas provêm de Marrocos, país classificado como o maior produtor e exportador de cannabis, segundo diferentes relatórios internacionais publicados sobre este tema. (SPS)