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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Amnistia Internacional pede a Marrocos para investigar "repressão brutal" de manifestantes saharauis




Londres, 1 ago (EFE) .- A Amnistia Internacional (AI) denunciou nesta quinta-feira a “brutal repressão” sofrida por um grupo de manifestantes no Sahara Ocidental pelas forças de segurança marroquinas em 19 de julho e pediu a Rabat que esclarecer o que aconteceu.

Em comunicado, a AI informa que verificou imagens de vídeo e reuniu depoimentos de várias pessoas que afirmam que as forças de segurança marroquinas "usaram força excessiva, atirando pedras para dispersar a multidão de manifestantes e desencadeando confrontos".
Pouco depois de a Argélia ter vencido a Taça de África em 19 de Julho, alguns manifestantes desceram às ruas de El Aaiún para comemorar esta vitória, agitando bandeiras argelinas e saharauis e gritando slogans a favor da autodeterminação do povo saharaui
Como resultado dos confrontos com a Polícia, duas testemunhas afirmaram ter testemunhado como Sabah Njourni, uma mulher de 24 anos, foi morta depois que dois carros da força auxiliar marroquina a terem atropelado.
Segundo a AI, imagens e testemunhos mostram como as forças de segurança marroquinas intervieram nas comemorações atirando pedras, usando balas de borracha e disparando gás lacrimogéneo e lançando jactos de água para dispersar os manifestantes, ao que estes responderam atirando pedras contra os agentes.
"Há evidências claras que sugerem que a resposta inicial das forças de segurança marroquinas ao protesto saharaui, que começou pacificamente, foi excessiva e provocou confrontos violentos que poderiam e deveriam ter sido evitados", disse Magdalena Mughrabi, vice-diretora do AI para o Oriente Médio e norte de África.
Mughrabi acrescentou que a morte de Sabah Njourni "parece ser o resultado direto da falta de moderação da polícia" e considerou necessária "uma investigação exaustiva", cujos resultados sejam tornados públicos, para que qualquer membro da Polícia envolvida "seja trazido ante a Justiça ".
Num comunicado oficial, autoridades locais em El Aaiún disseram que um grupo "dirigido por indivíduos hostis" aproveitou as celebrações para realizar atos de vandalismo e saques e que as forças de segurança foram forçadas a intervir para proteger a propriedade pública e privada.
Acredita-se que dezenas de manifestantes saharauis ficaram feridos e, segundo a AI, existem fontes que sugerem que pelo menos 80 pessoas sofreram ferimentos, embora o número exato seja desconhecido.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

EUA: publicado relatório “Opressão marroquina no Sahara Ocidental”



Long Island, 31/07/2019 (SPS).- A Associação Saharaui nos Estados Unidos da América (SAUSA, siglas em inglês) acaba de publicar o relatório “Opressão marroquina no Sahara Ocidental: repressão violenta e derramamento de sangue injustificado enquanto o mundo permanece em silêncio” (Moroccan Oppression in Western Sahara: Violent crack down and unjustified bloodshed while the world is silent), que descreve os violentos acontecimentos ocorridos entre 19 e 28 de julho, em El Aaiún, capital ocupada do Sahara Ocidental.

O relatório, que visa sensibilizar a comunidade internacional, centra-se no registo de inúmeras violações dos direitos humanos, que demonstram uma política de repressão clara e sistemática dirigida contra a população civil, em particular os jovens. Revela também que há evidências difundidas do uso de tortura, detenções arbitrárias e de política de “mão dura” de qualquer manifestação pacífica.

Uma menção especial é dada ao caso do atropelamento, por dois carros de uma coluna das forças de segurança, da jovem Sabah Othman Ahmida, conhecida como Sabah Njorni, cujo desfecho foi a sua morte num hospital na capital ocupada. A jovem era professora de inglês numa escola particular em El Aaiún. O atropelamento deliberado ocorreu quando se realizavam manifestações pacíficas espontâneas da população saharaui que celebravam a vitória da Argélia na Taça das Nações Africanas e foram violentamente reprimidas.

Forças de segurança marroquinas usaram gás lacrimogéneo, jactos de água e balas de borracha para dispersar as manifestações. Mais tarde, o exército marroquino, segundo vários testemunhos, chegou a utilizar munições reais quando sitiou toda a cidade.

Entre a noite de sexta-feira 19 e a manhã de sábado 20 de julho, a polícia marroquina invadiu muitas casas, destruiu pertences das famílias, roubou a sua propriedade e intimidou centenas de habitantes. Os bairros mais sitiados foram Maatallah, Batimat, Douirat, Alawda, Raha, Wifaq, Dchira e Qiyadat Boucraa.

Vários adultos e menores saharauis foram levados a tribunal, depois de brutalmente espancados, evidenciando claros sinais de tortura em consequência da sua passagem pelas esquadras policiais. Cerca de dez adultos foram transferidos para a “Prisão Negra" de El Aaiun.

Mohamed Ali Arkoukou, presidente da SAUSA, dirigiu uma carta ao Secretário de Estado dos Estados Unidos da América, denunciando esta grave situação e solicitando a sua atenção imediata.

A SAUSA pede:

1.- A libertação imediata dos detidos.

2.- O início urgente de uma investigação imparcial sobre a morte de Sabah Njorni.

3.- A necessidade de estender o mandato da MINURSO para a monitorização e o reporte de violações dos direitos humanos.

4.- Insta também o Departamento de Estado a envolver-se diretamente para fazer cumprir o Estado de Direito e os direitos humanos, em particular o direito de defesa das pessoas que reclamam o seu direito à liberdade de informação, de expressão e de reunião pacífica no Sahara Ocidental ocupado.

5.- Pressionar o Reino de Marrocos para que ponha fim à sua opressão.

6.- Pressionar as Nações Unidas para que ponham termo à ocupação marroquina do Sahara Ocidental.

SAUSA é uma organização de voluntários, fundada por saharauis que vivem nos EUA. Foi criada através da colaboração de estudantes, trabalhadores, educadores e ONGs.



quarta-feira, 24 de julho de 2019

Sahara Ocidental: cerco policial e repressão continuam após a morte de uma jovem




Por Jesús Cabaleiro Larrán – 07/24/2019 – Periodistas en español - Um total de nove pessoas foram mandadas para a prisão após confrontos de sexta-feira, 19 de julho de 2019 no Sahara, de que resultaram uma jovem morta, dois feridos graves, numerosos feridos e dezenas de detidos, dos quais nove foram enviado para a cadeia.

Todos foram presos após os graves incidentes ocorridos após as manifestações de rua que se seguiram à vitória da Argélia na Copa da África. Este facto motivou a intervenção brutal das forças de segurança que usaram armas de fogo, além de balas de borracha e canhões de água para dispersar os manifestantes, como se pode ver em algumas imagens, assim como ataques brutais a menores. Da mesma forma, houve também assaltos a casas e destruição de bens.
O enterro da jovem de 23 anos, Sabah Azmán Hamida, após a entrega do corpo à família, foi fortemente vigiado pela polícia. Bairros, ruas e becos foram completamente ocupados por forças policiais até ao cemitério onde a jovem foi enterrada, a cerca de cinco quilómetros de distância. A polícia marroquina restringiu o acesso e houve prisões.
As autoridades prometeram uma investigação após um abuso intencional da jovem por veículos das forças de segurança auxiliares: "Eles me mataram" foram suas últimas palavras.
As autoridades prometeram uma investigação após o atropelamento intencional da jovem por veículos das forças de segurança auxiliares: "Eles me mataram" foram as suas últimas palavras.
Para além de El Aaiún, ocorreram também incidentes nas ruas de Smara e Dakhla.
A ativista de direitos humanos Aminetu Haidar, em declarações ao jornal argelino El Khabar, disse que se espera o pior após esta repressão, enquanto a situação dos direitos humanos se deteriora e se agrava. "É muito má", disse a ativista em referência à situação na capital saharaui. Lamentou que a alegria pelo triunfo da seleção da Argélia, "nossos irmãos" se tivesse transformado em dor.
A Frente Polisario pediu entretanto à alta representante da União Europeia para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Federica Mogherini, que intervenha ante o “aumento da repressão da Polícia marroquina em El Aaiún ocupada”.







domingo, 21 de julho de 2019

Após os atos cobardes e selvagens desta sexta-feira nos territórios ocupados, Frente Polisario exige da ONU proteção dos civis saharauis



Nova Iorque, 21 de julho de 2019 (SPS)- A Frente POLISARIO, através da sua representação junto da ONU, escreveu ao embaixador Gustavo Meza-Cuadra, representante permanente do Perú nas Nações Unidas e presidente em funções do Conselho de Segurança da ONU, para chamar a sua atenção sobre as contínuas e crescentes violações dos direitos humanos cometidas por Marrocos contra civis saharauis na parte ocupada do Sahara Ocidental.

Sidi Mohamed Omar, representante da Frente POLISARIO para as Nações Unidas, lamenta que os incidentes da última sexta-feira tenham ocorrido na presença da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) no Território, que permanece sob responsabilidade total das Nações Unidas.

Nesse sentido, tendo em conta a gravidade dos atos brutais e da repressão desencadeada por Marrocos nas áreas ocupadas do Sahara Ocidental, o chefe da diplomacia da POLISARIO na ONU pediu ao Conselho de Segurança para fornecer à MINURSO poderes semelhantes a outras operações de manutenção da paz das Nações Unidas, incluindo a capacidade de monitorizar, proteger e informar sobre a situação dos direitos humanos.

O representante saharaui condena veementemente o atroz ataque perpetrado pelas forças de segurança marroquinas contra civis saharauis inocentes nas zonas ocupadas do Sahara Ocidental e exigie a condenação de Marrocos pelos crimes atrozes perpetrados pelas suas forças de segurança contra a população saharaui.

A Frente POLISARIO adverte que em El Aaiún, que está sob cerco das forças de segurança marroquinas com reforços trazidos do interior do Marrocos, possa ocorrer uma nova onda de repressão brutal.

O governo saharaui, em comunicado divulgado esta sexta-feira pelo Ministério da Informação em resposta a declarações do ministro de Estado de ocupação marroquina relacionadas com o conflito saharaui-marroquino e a questão dos direitos humanos, disse que são declarações amnésicas e infundados que procuram fazer acreditar ao povo marroquino que nada se passa nas Zonas Ocupadas. Pretendem fazer passar a mensagem que a RASD é uma instituição fictícia, quando os ministros do palácio sabem que nenhuma nação reconhece a soberania marroquina sobre o Sahara Ocidental e que quatro décadas mostraram ao rei, à sua diplomacia e aos serviços de inteligência marroquinos que a RASD é uma realidade indestrutível, alcançada através de sacrifícios da luta de um povo.

No caso dos direitos humanos, os graves incidentes desta sexta-feira, a repressão, os crimes, os atentados perpetrados vêm ilustrar que "os ministros do palácio queriam passar por cima do consenso de organizações internacionais de direitos humanos que condenam o sofrimento, a repressão nas Zonas Ocupadas, a tortura sistemática, a perseguição, os julgamentos deliberados, as penas severas e a imposição de um cerco marcial no território, o veto à entrada da imprensa e observadores estrangeiros no território para conhecer in loco a situação dos direitos humanos. "

Nesse sentido, o comunicado do Governo saharaui condena veementemente a política de repressão, os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade que o Reino de Marrocos continua a praticar contra o povo saharaui e exige que as Nações Unidas e a União Africana assumam as suas responsabilidades para acabar com a ocupação ilegal marroquina do território saharaui ".



Uma saharaui assassinada e dois outros feridos graves na sequência de cargas policiais marroquinas contra civis




Equipe Media, 20 de julho de 2019 - Na noite de sexta-feira, 19 de julho, a jovem saharaui Sabah Anjorni, de 23 anos, sofreu um atropelamento fatal por parte da polícia marroquina que investiu contra a multidão a toda a velocidade, tendo dois outros jovens saharauis ficado feridos nos confrontos. Todos se encontravam comemorando a vitória da Argélia sobre o Senegal na final da Copa Africana nas ruas de El-Aaiún (capital do Sahara Ocidental).

Fontes da Equipe Media presentes no local informaram que os jovens, Otman Cheikh Saffar e Ahmed al-Rugaibi, perderam a consciência como resultado de um ataque brutal das forças marroquinas, forças auxiliares e paramilitares, com o uso de balas de borracha e canhões de água, tendo sido imediatamente transferidos para o hospital da cidade.

Tudo começou quando, durante a tarde de ontem, antes do início da partida entre a Argélia e o Senegal, as forças repressivas marroquinas ocuparam a maior parte das grandes estradas de El Aaiún com veículos militares. Entre os veículos estavam cisternas para lançamento de água pressurizada, carros da polícia, camiões militares estrategicamente colocados ao redor da cafetaria onde a maioria dos saharauis estava concentrada, desfrutando do grande festival de futebol africano.

Após a partida, centenas de saharauis saíram, simultaneamente e em diferentes bairros da cidade, para comemorar o triunfo da nação aliada (Argélia) e encontraram o muro de policiais, militares e outros agentes de ocupação marroquinos bloqueando o seu caminho. e atacando-os com canhões de água pressurizada ou com os próprios veículos. Durante os confrontos, dezenas de saharauis foram arbitrariamente detidos e nenhum detalhe de sua saúde ou paradeiro foi conhecido até agora.



Até ao momento e devido ao forte dispositivo de vigilância imposto pelo regime marroquino desde as 22:00 de ontem com a chegada de novas tropas militares da cidade de Foum El-Oued, tem sido impossível contar o número total de feridos e presos na noite de ontem.

domingo, 14 de julho de 2019

Ser jornalista no Sahara Ocidental, um trabalho de extremo risco



Fonte: Euronews / Por Yaiza Martín-Fradejas (@YaizaMartinFr) - Nazha El Khalidi, reporter saharaui do portal independentista Equipe Media, denuncia o acosso judicial por parte das autoridades marroquinas. No passado 4 de dezembro foi detida enquanto filmava uma manifestação em El Aaiún por não ter carteira de jornalísta. Ora se os membros de Equipe Media não cumprem este requisito é porque não reconhecem a soberania da ocupação marroquina no território.

A 18 de março passado teve lugar a primeira audiência do julgamento, onde El Khalidi foi acusada de “reclamar ou usurpar um título associado a uma profissão regulada pela lei sem cumprir as condições necessárias para o seu desempenho”. Este delito tem um enquadramento penal entre 3 meses a dois anos de prisão e uma multa de entre 12 e 500 euros.

No dia 8 de julho a jornalistas foi condenada a pagar uma multa de 400 euros. No entanto, em declarações exclusivas à Euronews reconheceu que sabe que a situação voltará a repetir-se.

“Esta sentença significa que o Governo marroquino vai voltar a atacar-me cada vez que procure documentar as violências policiais contra os saharauis ou procure simplesmente exercer o jornalismo” refere a jornalista.

Nazha El Khalidi explicou que foi detida pelo trabalho jornalístico que exerce na Equipe Media, que mostra as violações dos DireitosHumanos no Sahara Ocidental.

Um julgamento opaco, sem observadores internacionais
Uma das peculiaridades deste processo judicial foi a falta de transparência. Três advogados espanhóis, (Inés Miranda Navarro, Miguel Ángel Jerez Juan e José María Costa Serra), pertencentes ao Conselho Geral de Advocacia do Estado, tentaram entrar no Sahara ocupado no dia 23 de junho para assistir ao julgamento contra Khatari El-Khalidi. Contudo, as autoridades marroquinas impediram o seu acesso ao território. Na verdade, eles nem sequer foram autorizados a sair do avião, vindos da Gran Canaria.

Inés Miranda, defensora da causa saharaui, afirmou que esta foi a primeira vez que Marrocos lhe negou a sua presença num tribunal.

Outros dois juristas, representantes da Associação de Advogados Americanos, também foram expulsos no aeroporto de Casablanca sem qualquer explicação. O objetivo dos cinco observadores internacionais era garantir que o julgamento se desenrolasse com todas as garantias.

Por seu lado, o Observatório para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos (OPDD) descreveu como assédio judicial o tratamento recebido pelo jornalista e condenou veementemente este julgamento, cujo objetivo seria reprimir qualquer atividade em favor dos direitos humanos, de acordo com este organismo. O OPDD também instou as autoridades marroquinas a garantir o direito de levar a cabo atividades pacíficas e legítimas e exigiu o fim de todas as formas de assédio contra os defensores dos direitos humanos no Sahara Ocidental.

Jornalismo sob repressão no Sahara ocupado
Nazha El Khalidi, jornalista do portal independente Equipe Media, foi detida pela polícia marroquina a 4 de dezembro, quando estava filmando e transmitindo ao vivo via Facebook uma manifestação em ElAaiún em protesto contra a ocupação de Marrocos e a reivindicação da independência do Sahara. Ocidental Depois de ser presa, ela foi levada para uma delegacia onde ficou detida durante quatro horas. A polícia interrogou-a durante esse tempo e confiscou-lhe o telemóvel sem autorização.

No julgamento, El Khalidi disse ao juiz que foi vítima de "vingança" pelas suas atividades como jornalista de um meio de comunicação (EquipeMedia) “confiável e independente”.

"Quero denunciar o bloqueio mediático que o Marrocos está impondo ao território do Sahara Ocidental. Apelamos também a nível internacional para pressionar o governo marroquino e abrir o território a observadores internacionais e agências noticiosas para que a violação dos direitos humanos do povo saharaui possa ser documentada ", disse El Khalidi à Euronews.

Este caso mostra as limitações do trabalho jornalístico no Sahara Ocidental. El Khalidi é uma das saharauis que exercem o jornalismo no Sahara ocupado em condições de assédio, violência e repressão, muitas vezes sujeitos a extorsão e detenção. A 11 de junho, a organização Repórteres Sem Fronteiras publicou o primeirorelatório sobre a liberdade de imprensa no Sahara Ocidental, que revela como esse território se tornou um "buraco negro" de informação e um perigo extremo para os jornalistas.


segunda-feira, 1 de julho de 2019

Autoridade marroquinas invadem oração fúnebre do rapper saharaui Flitox


Lili morreu no domingo, 23 de junho, numa tentativa de chegar às Ilhas Canárias.
Junto com ele morreram outros 20 jovens saharauia

Sábado, 29 de Junho de 2019 porunsaharalibre PUSL - As autoridades marroquinas invadiram a mesquita de El Aaiun, no Sahara Ocidental ocupado, para impedir que a população saharaui participasse nas orações fúnebres de Said Uld Lili.
Said Lili, era um rapper saharaui conhecido como Flitox, as suas canções defendiam a independência do Sahara Ocidental e ele participou num documentário sobre a realidade da ocupação ilegal do Sahara Ocidental por Marrocos.

Lili morreu no domingo, 23 de junho, numa tentativa de emigrar para as Ilhas Canárias com um grupo de 36 pessoas numa pequena embarcação. 20 outros companheiros de viagem morreram nesta tentativa. A sua morte e dos seus companheiros de barco ocorreu em circunstâncias misteriosas e nenhuma investigação foi iniciada.

Foto do diário espanhol El Pais

A mesquita onde se realizou o memorial fúnebre está localizada em frente à sede da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental). As autoridades marroquinas não querem que a Missão das Nações Unidas testemunhe qualquer reunião da população saharaui e, por isso, invadiu a mesquita com uma unidade paramilitar. Do lado de fora, um número impressionante de policiais uniformizados e à paisana cercou a área para impedir qualquer manifestação. A família foi forçada pelas autoridades de ocupação a mudar o memorial fúnebre para outra mesquita, chamada Dweirat.
O funeral aconteceu a 40 km a norte de El Aaiun e embora as autoridades marroquinas estivessem sempre presentes, Said foi enterrado com uma bandeira saharaui e as pessoas presentes no funeral acenaram bandeiras saharauis e entoaram as palavras de ordem da independência, exigindo a retirada imediata da ocupação marroquina do território e denunciando os crimes cometidos pelo regime de Mohamed VI.



segunda-feira, 17 de junho de 2019

Ahmed Ettanji: Marrocos teme um referendo no Sahara




Por Jesús Cabaleiro Larrán -17/06/2019 - Ahmed Ettanji, de 31, anos, é jornalista saharaui e membro da equipa fundadora da “Equipe Media”, criado dez anos. Nascido em El Aaiún sofreu as represálias das autoridades marroquinas pelo trabalho que leva a cabo de informar, dando testemunho do que sucedendo no Sahara.
Em abril passado, juntamente com o seu companheiro Mohamed Mayara, recebeu em Córdoba, o XII Prémio Internacional de Jornalismo Julio Anguita Parrado. Na altura dedicaram o prémio aos seus companheiros que “enfrentam as perseguições, os espancamentos e a prisão por parte das autoridades marroquinas”.

Na apresentação do relatório de Repórteres sem Fronteiras em Madrid, no passado dia 11 de junho (2109) referiu que no Sahara há um muro físico que divide o território mas também um muro mediático.
Na sua intervenção recordou os observadores internacionais expulsos desde o início do ano no Sahara porque Marrocos “não quer testemunhas”, sublinhando que o trabalho profissional que é feita pela Equipe Media tem por objetivo “romper o bloqueio informativo e documentar as violações dos direitos humanos por parte do ocupante marroquino”, acrescentando que o seu trabalho se rege pelo Direito Internacional humanitário.


Qual a a atual situação informativa no Sahara?

Ahmed Ettanji: A situação atual é muito difícil porque a repressão marroquina aumentou muitíssimo como também aumentam as denúncias internacionais sobre a situação, tenho previsto, por exemplo ir ao Conselho dos Direitos Humanos em Genebra onde irei apresentar o relatório de Repórteres sem Fronteiras.


Como avalia o relatório elaborado pela secção espanhola de Reporteres sem Fronteiras apresentado em Madrid?
AE: Este relatório é uma peça muito importante para romper o bloqueio informativo, para iniciar a construção de uma base de dados por parte de Repórteres sem Fronteiras e informar sobre a situação que se vive no território que há muito tempo está silenciada por várias organizações internacionais.


Como encara o julgamento no próximo dia 24 da sua companheira na Equipe Media, Nazha El Khalidi, acusada de “usurpar” a profissão de jornalista?
AE: É uma acusação extremamente ridícula, acusam-na por filmar uma manifestação sem possuir um título profissional, mas o que acontece é que os jornalistas com título ou sem título não podem filmar manifestações. Os jornalistas saharauis não reconhecem a ocupação marroquina, a lei marroquina criminaliza os jornalistas saharauis... Estamos a falar de algo que Marrocos não quer que se saiba, a situação existente no Sahara Ocidental.


Em que situação se encontra a língua espanhola no território do Sahara? O Instituto Cervantes anunciou que abriria uma antena em El Aaiún e uma outra nos acampamentos de Tinduf para compensar.
AE: A situação da língua espanhola está muito mal, há um declínio do castelhano no Sahara devido a vários fatores, a ocupação marroquina eliminou tudo o que esteja relacionado com a colonização espanhola, fechou as escolas espanholas e hoje em dia é obrigatório estudar o Francês no Sahara . Outro fator é a Espanha, que não tem velado por promover o espanhol no Sahara. Uma sala de aula seria muito útil, mas nem a Espanha nem o Instituto Cervantes têm vontade de o fazer.


Há que recordar também a situação dos estudantes saharauis nas universidades marroquinas que no território do Sahara não existe universidade. Alguns foram assassinados ou perseguidos ou presos.
Os estudantes saharauis sofrem muitas violações dos direitos humanos, nas universidades marroquinas sofrem a marginalização, são perseguidos, detidos, vigiados e discriminados por parte dos professores e da direção das universidades.


Não podemos esquecer porém os saharauis que estão ao serviço de Marrocos e que vivem no território à sua sombra, alguns desde o início do conflito.
AE: Em qualquer causa e conflito há sempre vendidos, são comprados por Marrocos mas não têm influência no Sahara Ocidental. Nós, como saharauis, exigimos sempre o referendo, que os saharauis votem se quiserem autonomia ou independência, mas o Marrocos teme uma tal consulta. Nós reivindicamos a democracia, seja qual for o resultado, mas através da vontade expressa nas urnas através de um referendo.

terça-feira, 11 de junho de 2019

“Repórteres Sem Fronteiras” denuncia a implacável perseguição marroquina aos jornalistas saharauis



  • RSF exige que Marrocos permita que a imprensa internacional entre no Sahara Ocidental
  • Insta o Governo marroquino a garantir processos judiciais justos para os jornalistas saharauis e o respeito pela sua integridade física e psicológica;
  • Exercer o jornalismo na ex-colónia espanhola é um "ato de heroísmo" e os seus protagonistas pagam com detenções arbitrárias, perseguição às suas famílias, tortura, sentenças injustas e prisão
  • Repórteres SF pede a Espanha e França para quebrarem o seu habitual "silêncio de cumplicidade" com Marrocos

Fonte e foto: Contramutis/Por Alfonso Lafarga - Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou hoje a perseguição sofrida por jornalistas saharauis por parte de Marrocos, que manipula com "mão de ferro" a informação no Sahara Ocidental, pune "implacavelmente" o exercício do jornalismo local e bloqueia o acesso dos media estrangeiros.
RSF exige que Marrocos permita que a imprensa internacional entre no Sahara Ocidental, com liberdade de movimento através do território, e ponha fim à expulsão de jornalistas, ao mesmo tempo que exorta o governo marroquino a garantir processos judiciais justos para o Jornalistas saharauis presos, e o atendimento das exigências da ONU em relação à sua libertação.
RSF, que promove e defende a liberdade de informar e ser informado no mundo, pede a Marrocos que cumpra a Convenção contra a Tortura das Nações Unidas e respeite a integridade física e psicológica dos jornalistas saharauis, pedindo simultaneamente respeito pelos direitos fundamentais no Sahara Ocidental", incluindo a liberdade de expressão e informação, que garanta não só o direito dos jornalistas saharauis a exercer o jornalismo livre, mas o direito dos cidadãos saharauis a receberem informações plurais e verdadeiras" .



Estas denúncias e exigências constam do primeiro relatório mundial sobre a situação da liberdade de imprensa no Sahara Ocidental, "um dos lugares mais áridos do mundo para informação e jornalismo", realizado pela seção espanhola de RSF e de que é autora Edith R. Cachera, relatora e correspondente da RSF em Espanha. Apresentado hoje, 11 de junho de 2019, na Associação de Imprensa de Madrid (APM), o evento contou com a participação da presidente dos jornalistas de Madrid, Victoria Prego; do presidente da RSF Espanha, Alfonso Armada; do presidente da Federação das Associações de Jornalistas da Espanha (FAPE), Nemesio Rodríguez, e do jornalista saharaui Ahmed Ettanji, fundador e presidente do coletivo Equipe Média.
O relatório analisa em detalhe a perseguição sofrida pelos jornalistas saharauis por parte de Marrocos, que ocupa o 135º lugar entre os 180 países e territórios analisados pela RSF World Press Freedom Classification: "Esta posição terrível, que coloca o reino alauíta entre os países mais inquisitórios para o jornalismo, deve-se em parte à mão de ferro que se aplica aos jornalistas de territórios "incómodos", como o Rif - cujos protestos foram esmagados há dois anos, com graves consequências para os repórteres locais que cobriam os acontecimentos - e o Sahara Ocidental ".

O silêncio cúmplice de Espanha e França
A RSF também interpela a União Europeia, "e especialmente os governos da Espanha e da França", para que "quebrem o seu habitual silêncio cúmplice com o Marrocos e condenem a repressão dos jornalistas saharauis".
O relatório, que faz uma visita à história da última colónia africana, abandonada pela Espanha e ocupada há mais de 43 anos por Marrocos, expõe os nomes e as circunstâncias dos jornalistas saharauis condenados à prisão, bem como a mordaça que foi imposta aos reporteres locais e aos estrangeiros. Cinco jornalistas saharauis cumprem penas elevadas nas prisões marroquinas, um deles preso por toda a vida; outro foi libertado a 7 de maio depois de quatro anos de prisão.
A RSF ouviu a opinião de vários jornalistas, espanhóis e de origem saharaui, que denunciam o silêncio da imprensa em Espanha, dando o exemplo de Portugal que, com uma imprensa muito mais modesta, demonstrou mais sensibilidade em relação a ex-colónias como Timor-Leste do que a evidenciada pela imprensa espanhola com o Sahara, que é quase nula.
Há também uma crítica à Frente Polisario, o movimento de libertação saharaui, de que se diz "baseado em slogans de propaganda que mudaram muito pouco desde a estética dos anos 70", com uma linguagem nada atraente para alguns meios de comunicação e algumas redes sociais que exigem histórias que vão para além do mero slogan político.
Os jornalistas consultados reclamam a falta de um departamento de comunicação activo na Delegação Saharaui para a Espanha e de uma estratégia de comunicação por parte das autoridades saharauis e do movimento de solidariedade com o Sahara.

Jornalistas na clandestinidade
A RSF afirma que, apesar da severa repressão de Marrocos e do silêncio dos media internacionais, "uma nova geração de repórteres saharauis corre riscos extraordinários para manter viva a chama do jornalismo e impedir que o Sahara Ocidental seja enterrado pelas areias do esquecimento": Eles desafiam o férreo controle marroquino e organizam-se na clandestinidade para dizer o que o governo de Rabat não quer que seja conhecido.
Fazem-no grupos de jornalistas como a Equipe Média ou a Smara News, que filmam nos telhados e, com uma organização meticulosa, divulgam seu trabalho na Internet em espanhol, francês, inglês e árabe.
Exercer jornalismo no Sahara Ocidental é "um ato de heroísmo", cujos protagonistas pagam com detenções arbitrárias, assédio de suas famílias, difamação, tortura, prisão e "sentenças tão pesadas quanto injustas", segundo Repórteres Sem Fronteiras, que conta que os jornalistas saharauís são acusados de alegados crimes cada vez mais "criativos" – caso da acusação contra a jornalista Nazha El Khalidi de exercer a profissão sem um título oficial - para "torpedear qualquer indício de continuidade no exercício da sua profissão" e manietá-los "com parciais e pesados processos judiciais contra eles.
Neste contexto, os jornalistas saharauis conseguiram o reconhecimento de numerosas organizações e meios internacionais, que já os utilizam como principal fonte de informação para o Sahara Ocidental.

Leia o relatório aqui: https://bit.ly/2Wzwwzf



domingo, 9 de junho de 2019

Após a brutal agressão na cidade ocupada de Smara ocupada, a Frente Polisario exige à ONU medidas para pôr termo à barbárie marroquina




Nova Iorque, 8 de junho de 2019 (SPS)-. Após o cobarde, brutal e selvático ataque a jovens saharauis na cidade ocupada de Samara por parte de forças de segurança paramilitares marroquinas, a Frente Polisario, através do seu representante junto das Nações Unidas, o Dr. Sidi Mohamed Omar, chamou a atenção para os brutais métodos utilizados por Marrocos contra civis saharauis nas Zonas Ocupadas do Sahara Ocidental.

Em carta dirigida a Colin Stewart, Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental e chefe da MINURSO, a Frente POLISARIO lamenta que todas estas horríveis práticas estejam a ocorrer à sombra de um completo bloqueio informativo imposto ao território onde jornalistas e defensores de direitos humanos saharauis são continuamente perseguidos e presos, recordando o caso da jornalistas Nazah Jalidi, a qual foi detida em dezembro de 2018 por usar o seu telemóvel para gravar uma manifestação pacífica em El Aaiún, capital do Sahara Ocidental ocupado.

Na missiva, a Frente POLISARIO sublinha a urgente necessidade de as Nações Unidas, através da sua missão no Território, tomem as medidas necessarias para por fim à brutalidade, è repressão desencadeada nas Zonas Ocupadas e à política de impunidade das autoridades de ocupação marroquinas.

O chefe da diplomacia da POLISARIO em Nova Iorque dirigiu cartas semelhantes ao Subsecretário-Geral das Nações Unidas, ao encarregado do Departamento de Assuntos Políticos e Consolidação da Paz e ao Subsecretário-Geral das Nações Unidas encarregado do Departamento de Operações de Paz, assim como aos membros do Conselho de Segurança.

Veja vídeo da repressão em Smara AQUI



Agredidos três saharauis durante a receção de um preso libertado por Marrocos em Smara



Três saharauis foram "brutalmente agredidos" por forças paramilitares marroquinas na cidade de Smara, no Sahara Ocidental ocupado por Marrocos. As vítimas pretendiam receber o preso saharaui Salá Lebsir quando foram atacadas por forças paramilitares, segundo informa o portal de notícias saharaui Equipe Media.

"Esta selvática agressão ocorre no âmbito de um amplo dispositivo instalado pelas forças de ocupação para impedir o acolhimento do antigo preso político saharaui Salá Lebsir", refere a organização Equipe Media.

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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Repórteres Sem Fronteiras apresenta o relatório ‘Sahara Ocidental, um deserto para o jornalismo’





A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) apresenta na próxima terça-feira, 11 de junho de 2019, na Asociación de la Prensa de Madrid (APM), o primeiro relatório mundial sobre a situação da liberdade de imprensa no Sahara Ocidental, um dos lugares mais áridos do mundo para a informação e o jornalismo.

Intitulado ‘Sáhara Occidental, un desierto para el periodismo’, o documento de investigação foi elaborado por iniciativa da Secção Espanhola de Repórteres Sem Fronteiras. O acto de apresentação contará com a presença da presidente da Associação de Imprensa de Madrid, Victoria Prego, do presidente de RSF Espanha, Alfonso Armada, do presidente da FAPE (Federación de Asociaciones de Periodistas de España), Nemesio Rodríguez, da autora do relatório e correspondente de RSF em Espanha, Edith R. Cachera, e do jornalista saharaui e fundador do coletivo ‘Equipe Média’, Ahmed Ettanji.

Através de numerosas entrevistas e testemunhos, o relatório "Sahara Ocidental, um deserto para o jornalismo" faz uma revisão exaustiva da história do abandono e do silêncio nos meios de comunicação internacionais, e especialmente nos espanhóis; revela os nomes e as circunstâncias dos jornalistas saharauis condenados a longas penas de prisão e denuncia a mordaça imposta aos informadores locais e estrangeiros, expulsos quase sistematicamente do território.

O relatório de Repórteres Sem Fronteiras dá conta também do novo jornalismo saharauí que, apesar da censura, da repressão e da prisão, consegue quebrar o silêncio para se tornar uma fonte de informação para os media e organizações internacionais.

O documento completo será publicado no dia 11 de junho no sítio web de RSF pelas 12 horas (pm), 11 horas em Portugal.