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sexta-feira, 31 de maio de 2019

Marrocos expulsa arbitrariamente o presidente da Liga para a Proteção dos Presos Saharauis em Cárceres Marroquinos



El Aaiún (capital ocupada do Sahara Ocidental) , 30 de maio de 2019 (SPS)-. A Liga para a Proteção dos Presos Saharauis em Cárceres Marroquinos (LPPS), condenou esta quinta-feira a expulsão arbitrária do seu presidente, o ex-preso político saharaui e miembro do Grupo de Gdeim Izik, Abderrahman Zayou.
Os membros da LPPS em comunicado divulgado expressam o seu apoio e solidariedade ao diretor desta entidade saharaui de direitos humanos. Eis o texto da declaração:

As autoridades de ocupação marroquinas expulsaram arbitrariamente o presidente da Liga para Proteger os Presos Saharauis nas prisões marroquinas (LPPS) no dia 29 de maio de 2019, o ex-preso político saharaui e membro do Grupo Gdeim Izik, ABDERRAHMAN ZAYOU, do seu posto de trabalho na Delegação de Habitação em El Aaiún para a cidade de Kalaat Sraghna no centro de Marrocos.
Essa medida arbitrária surge dias depois de as autoridades de ocupação marroquinas proibirem a organização da "Plataforma do Ramadão" pela Liga para Proteger os Presos Saharauis na sede da ASVDH. A medida também vem após a expulsão arbitrária do vice-presidente da mesma organização Hasanna Douihi para a cidade de Bojador ocupada. Estes factos revelam a intenção de vingança por parte das autoridades de ocupação marroquinas contra os activistas saharauis que defendem o direito à autodeterminação do povo saharaui.

A Liga para a Proteção dos Presos Saharauis nas Prisões Marroquinas denuncia a política sistemática de expulsão arbitrária e deslocação levada a cabo pela ocupação marroquina contra ativistas saharauis, e expressa a sua solidariedade incondicional com as vítimas dessa política de que ABDERRAHMAN ZAYOU foi agora vítima. Com base no exposto, declaramos publicamente:

– A denuncia de expulsão e deslocamento forçado do presidente da Liga.

– A nossa solidariedade incondicional com o presidente da Liga ABDERRAHMAN ZAYOU e com todas as vítimas da política de expulsão e deslocamento forçado.

– Reivindicar a intervenção urgente das organizações internacionais para que exerçam pressão sobre o Estado Marroquino a renunciar às medidas ilegais de expulsão e deslocamento forçado.

– A nossa adesão a todos os meios jurídicos para lutar contra os procedimentos ilegais da ocupação marroquina.

A Liga para a Proteção dos Presos Saharauis nos Cárceres Marroquinos.
Quinta-feira 30 de maio de 2019.
El Aaiún / Sahara Ocidental.

domingo, 19 de maio de 2019

Marrocos não quer testemunhas e expulsa cinco advogados espanhóis e dois observadores noruegueses de El Aaiún



Domingo, 19 de maio de 2019 por porunsaharalibre - Alfonso Lafarga (Contramutis)- Marrocos impediu cinco advogados espanhóis e dois observadores noruegueses de entrar em El Aaiun, capital ocupada do Sahara Ocidental, onde tinham viajado para assistir ao julgamento da jornalista saharaui Nazha O Kalhidi, acusada ​​de excercer a profissão sem qualificações formais.

É proibido entrar em El Aaiún”, foi a única explicação recebida pelos advogados Sidi Telebbuia, de Madrid; Ramon Campos Garcia e Maria Lourdes Baron Jaques de Zaragoza e Lala Travieso Darias e Ruth Sebastian, de Las Palmas, todos credenciados pelo Conselho Geral Espanhol de Advogados e Observadores noruegueses da Fundação Rafto para os Direitos humanos, Vegard Fosso Smievoll e Kjersti Brevik Moeller.
À chegada ao controle de passaporte do aeroporto de El Aaiun, cerca das 12h, hora local, um grupo de policias à paisana e uniformizados exigiram os passaportes aos advogados espanhóis e observadores noruegueses e duas horas mais tarde foram informados de que não eram autorizados a entrar no Sahara Ocidental, a ex-colónia espanhola que Marrocos invadiu há mais de 43 anos.
Sidi Talebbuia, presidente da Associação Profissional dos Advogados Saharauis em Espanha (APRASE), disse ao Contramutis que cumpriram, como em outras ocasiões, todos os procedimentos necessários. A sua viagem foi comunicada pelo Conselho Geral de Direito Espanhol, por escrito, ao Ministério de Relações Exteriores da Espanha, que assessora a Embaixada da Espanha em Rabat e as autoridades marroquinas.
Um comandante da polícia, que em nenhum momento foi identificado, acompanhado por uma dúzia de policias uniformizados e à paisana deu ao grupo de observadores, como única explicação, que: “É proibido entrar em El Aaiun”.
O presidente da APRASE disse que eles não querem que se assista ao julgamento de Nazha o Kalhidi, do grupo Saharaui notícias Equipe Media e correspondente da RASD TV, que pode ser condenada até dois anos de prisão por exercer o jornalismo sem qualificações formais.
É a primeira vez que fazem uma acusação como esta, a de o reí não possuir título oficial de jornalista, as acusações contra ativistas saharauís sempre foram para outros crimes”, disse Talebbuia. Nazha Kalhidi, que “há muitos anos faz trabalho de qualidade de jornalismo “, conforme o comprova o recente prémio internacional de jornalismo Julio Anguita Parrado concedido à Equipe Media.
Pretende-se silenciar as violações dos direitos humanos, para que não haja testemunhas e impedir a liberdade de expressão”, declarou o presidente da APRASE desde o aeroporto de El Aaiún antes de ser enviado para Casablanca.
Além disso, Talebbuia acredita que eles não querem que eles testemunhem as manifestações organizadas no dia 20 de maio em El Aaiún, por ocasião do 46º aniversário da primeira ação armada da Frente Polisario.
Nazha foi detida a 4 de dezembro de 2018 em El Aaiún, enquanto transmitia uma manifestação saharaui por ocasião da ronda de negociações em Genebra entre a Frente Polisário e Marrocos. Foi detida, espancada e o seu telemóvel confiscado. Na esquadra de polícia foi interrogada durante quatro horas. Anteriormente, a 21 de agosto de 2016, já tinha sido presa enquanto cobria uma manifestação de mulheres.
A ong norte-americana Human Rights Watch (HRW) afirmou que acusação à jornalista saharaui de ter infrigido o artigo 381 do código penal marroquino, com base no crime de usurpação de funções sem título oficial, é incompatível com a obrigação de Marrocos a respeitar o direito de procurar, receber e divulgar informações e ideias, garantidas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Fonte: Contramutis

Territórios Ocupados: Ativista dos DDHH saharaui Sultana Jaya agredida por vários agentes marroquinos em Bojador




O Jornal da Realidade Saharaui – tendo entrado em contacto com o Comité para a Defesa da Autodeterminação do Povo do Sahara Ocidental, CODAPSO, a que preside o Prémio norueguês de Direitos Humanos Rafto, Mohamed Daddach e Hmad Hammad - informou a 17 de maio, que uma dezena de saharauis tomaram as ruas da cidade ocupada de Bojador durante as horas de jejum do Ramadão com bandeiras da RASD, e roupas tradicionais celebrar o 46º aniversário da luta armada contra o domínio colonial espanhol e a ocupação marroquina.

A fonte relatou em detalhe como a ativista Sultana Jaya, com feridas bem visíveis, descreve como foram atacados por agentes marroquinos uniformizados, civis e forças auxiliares lideradas por chefes de aparatos repressivos em Bojador e outros comandantes trazidos do sul do Marrocos, especialmente de Tantán, no sul de Marrocos.
A mesma fonte do CODAPSO referiu que houve vários feridos durante os confrontos entre os quais Hayat Alamin, Ghleila Mint Abeilil, Jadiya Mint Sidi Ahmed, Nasra Mint Babi, Zeinabu Mint Embarec Babi, Embarca Mint Mohamed Hafed, Jadduj Mint Mohamed Hafed, Fatma Mint Mohamed Hafed e a ativista de direitos humanos saharaui, Sultana Mint Sid Brahim, conhecida como Sultana Jaya.
O povo saharaui celebrará amanhã, 20 de maio, o 46º aniversário do início da luta armada contra o domínio colonial espanhol e depois contra a ocupação marroquina que teve início no ano 1975, após o abandono espanhol e os acordos de de venda do território que firmou com Marrocos. É por isso que as cidades ocupadas todos os anos dão uma enorme importância à gesta da descolonização que recorda a não descolonização do território e a traição à última colónia de África, o Sahara Ocidental.

Fonte e foto: EIC Poemario por un Sahara Libre / Codapso





quinta-feira, 16 de maio de 2019

Jornalista saharaui vai a julgamento e recebe apoio da Human Rights Watch





Periodistas em español.com - Por Jesús Cabaleiro Larrán -16/05/2019 – A jornalista saharaui Nazha El Khalidi será julgada segunda-feira 20 de maio de 2019 em El Aaiún por filmar uma manifestação. Enfrenta uma pena de dois anos de prisão e uma multa de 120 dirhams (11 euros) a 5000 dirhams (460 euros) acusada de “usurpação de profissão” por não possuir título oficial.

O julgamento, inicialmente previsto para março foi sendo adiado. É a primeira vez que os tribunais marroquinos utilizam este tipo de acusação contra uma jornalista saharaui. Na realidade trata-se de um mero artifício contra os jornalistas saharauis (nota: os títulos oficiais de se poder exercer jornalismo no Sahara ocupado são passados pelas próprias autoridades marroquinas).
A Organização Não-Governamental Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje, 16 de maio de 2019, a aplicação do artigo 381 do código penal marroquino que alude a essa alegada usurpação de funções de de profissão.
Para a ONG, a invocação deste artigo “é incompatível com a obrigação de Marrocos de respeitar o direito a procurar, receber e difundir informação e ideias, garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos”.
A ONG recorda que a dois jornalistas-cidadãos e militantes da luta do Rif, Mohamed El Asrihi, – que recentemente protagonizou uma greve de fome – e Fouad Assaidi foi-lhes aplicado o mesmo artigo e estes acabaram por ser condenados a cinco e três anos de prisão, respectivamente.
El Khalidi, de 27 anos, é membro do coletivo Equipe Media e correspondente da RASD TV, tendo coberto a 4 de dezembro de 2018 uma manifestação convocada em vésperas do reatamento de negociações entre a Frente Polisario e Marrocos em Genebra para solucionar o conflito no Sahara Ocidental.
Segundo a saharaui, "as pessoas saíram à rua para mostrar o seu apoio à resolução do conflito. Eu estava filmando na Avenida Smara; não estive ali nem quatro minutos quando eles me prenderam, me espancaram e me levaram à força para um carro da polícia. Estive horas na delegacia de polícia, sofrendo maus tratos e sob interrogatório ".
Na delegacia, Nazha El Khalidi foi interrogada e maltratada durante quatro horas sem que a informação das acusações que sobre ela pendiam. O telemóvel foi-lhe confiscado e não viria a ser devolvido. Nesse mesmo dia foi libertada
El Khalidi também foi presa a 21 de agosto de 2016 quando cobria uma manifestação de mulheres. A polícia marroquina confiscou-lhe a máquina de filmar. Passou uma noite no quartel da gendarmaria, onde sofreu espancamentos nos braços e nas pernas e numerosos vexames. Saiu em liberdade sem que a tivessem acusado de nada.
A jovem é uma das oito mulheres que fazem parte da Equipe Media e foi a segunda mulher a mostrar o rosto numa televisão nos territórios saharauis controlados por Marrocos.
São estes os jornalistas saharauis atualmente presos pelas autoridades marroquinas: Abdellahi Lekhfaouni (prisão perpétua), Hassan Dah (25 anos de prisão), Mohamed Lamin Haddi (25 anos de prisão), El Bachir Khada (20 anos), Mohamed Banbari (6 anos) e Salah Lebsir (4 anos).

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Ali Saadoni condenado a 7 meses de prisão e julgamento de Zein Abidin Salek “Bounaaje” adiado





Fonte: Por un Sahara Libre - No final do dia de segunda-feira o ativista Saharaui Ali Saadoni foi condenado a 7 meses de prisão e uma multa de 5000 Dirham (480Euros).
O acesso ao julgamento foi restrito, assistindo a mãe e irmã de Saadoni mas os ativistas saharauis foram impedidos de entrar assim como o tradutor de dois advogados espanhóis acreditados pelo conselho de advocacia espanhola.

O advogado de defesa denunciou as várias violações dos procedimentos processuais e afirma que não se tratou de um julgamento com as garantias necessárias para que se possa considerar um julgamento justo e imparcial.
Saadoni denunciou mais uma vez que foi vítima de tortura e maus tratos pelas autoridades marroquinas e negou todas as acusações.
O julgamento do activista saharaui Zein Abidin Salek “Bounaaje” que também é acusado de posse de estupefacientes foi adiado a pedido do seu advogado de defesa.
O tribunal de El Aaiun esteve rodeado por agentes das forças de ocupação marroquinas que impediram o acesso aos saharauis que queriam assistir aos julgamentos e demonstrar a sua solidariedade.
No mesmo dia houve manifestações de apoio aos dois ativistas nas ruas “Mizouar” e “La Visite” e na avenida Mekka em El Aaiun que foram dispersas de forma agressiva pelas autoridades marroquinas causando vários feridos entre os manifestantes. Entre os feridos estão conhecidos ativistas de direitos humanos, o presidente de uma associação de deficientes, e jornalistas saharauis.
Estas manifestações foram organizadas pela Coordenadora de Gdeim Izik e por vários grupos de mulheres saharauis que içaram bandeiras nacionais da República Árabe Democrática Saharaui e entoaram slogans pela autodeterminação do Sahara Ocidental. Estas ações são consideradas por Marrocos um atentado à integridade territorial e soberania do reino e punidas.
De facto, tanto Saadoni como Bounaaje foram detidos exatamente por içarem bandeiras e defenderem a autodeterminação do Sahara Ocidental de acordo com as resoluções das Nações Unidas, sendo posteriormente acusados de posse de droga e outras acusações falsas.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

“UN AGUJERO EN EL MURO” (Um buraco no muro)



“UN AGUJERO EN EL MURO” (Um buraco no muro) "é um mosaico árabe, um conjunto de peças que encaixam entre si, linhas de desenho, cruzes, formas mais largas e que nos dão um vislumbre da realidade que vive o povo saharaui por detrás do muro de silêncio levantado pelo Marrocos ao redor do Sahara Ocidental...


Seis vidas A identidade de um povo. Um documentário sobre os saharauis que vivem nos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Veja o trailer:

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Ativista saharaui Ali Saadoni raptado pela polícia marroquina



Sexta, 12 de Abril de 2019 -porunsaharalibre - A polícia marroquina vestida à paisana sequestrou ontem à noite o ativista saharaui Ali Saadoni, cujo paradeiro continua desconhecido.

Saadoni foi seguido e perseguido durante todo o dia por um carro civil da polícia marroquina na cidade ocupada de El Aaiun, no Sahara Ocidental ocupado.
Durante o dia Saadoni e Khaliehna Elfak exibiram bandeiras da RASD (Republica Árabe Saharaui Democrática) numa das avenidas em El Aaiún. Elfak que estava com Saadoni quando foi sequestrado foi solto pela polícia.
O conhecido activista saharaui esteve detido de 2016 até 2018, devido à sua luta pacífica contínua e persistente pela autodeterminação no Sahara Ocidental.
Saadoni pertence a um grupo de jovens saharauis que se recusam a ter nacionalidade marroquina e defende publicamente o direito de autodeterminação dos saharauis através de ações não violentas como a exibição da sua bandeira nacional e a distribuição de informação.
Durante o período de detenção, Saadoni foi vítima de tortura, maus-tratos, negligência médica e forçado a permanecer numa cela com pacientes infectocontagiosos.
Ele fez várias greves de fome em protesto contra esta situação que foi denunciada aos vários organismos internacionais. Durante a sua prisão, ele coseu a boca em protesto durante uma das greves de fome devido aos extRemos maus tratos que sofreu.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Territórios Ocupados: Saharauis exigem o fim da ocupação




"Chegou a hora de as Nações Unidas agirem seriamente e exercerem mais pressão política e económica sobre Marrocos para acabar com a ocupação ilegal do nosso país". Estas as palavras pronunciadas por uma mulher saharaui na Avenida Smara, em El Aiún, capital do Sahara Ocidental ocupado, secando as lágrimas e limpando as roupas de pó depois de terem sido perseguidas e assaltadas por forças de ocupação, numa manifestação organizada em frente ao bairro de Al-Wifaq.

Vários saharauis reuniram-se no local às 17h00 da passada quarta-feira, empunhando bandeiras da República saharaui e gritando slogans políticos que exigiam o fim da ocupação e a cessação do saqueio dos recursos naturais saharauis. Em menos de cinco minutos, as forças de ocupação intervieram com bastões, cassetetes e pedras. Os manifestantes foram perseguidos nas ruas em redor do bairro Al-Wifaq, diz o correspondente da Équipe Media.

Simultaneamente, um grupo de mulheres activistas saharauís, lideradas pelo conhecida ativista Aminatou Ahmed Haidar, reuniu-se no centro de El Aaiún, erguendo bandeiras da RASD e cantando slogans em apoio à Frente Polisario. A forças de ocupação dispersaram-nas e obrigaram-nas a deixar o local.


Em entrevista à Équipe Média, Aminatou Haidar conta que "as reivindicações dos saharauis que participaram das manifestações no Aaiun ocupada foram muito claras em relação à ocupação, à liberdade e à total independência". Queríamos enviar uma mensagem a Köhler e ao Secretário-Geral da ONU, dizendo que a Polisario é o único representante legítimo dos saharauis, em especial coincidindo com a mesa redonda de Genebra. "

Haidar acrescentou que "depois de alguns minutos, dezenas de policiais marroquinos cercaram o local onde a manifestação tinha lugar. A minhas companheiras foram atacadas e as suas bandeiras foram arrancadas. A bandeira que incomoda Marrocos".

A manifestação foi convocada pelo coordenadora das associações saharauis para os direitos humanos por motivo das negociações entre a Frente Polisario e Marrocos em Genebra, numa mesa redonda patrocinada pela ONU, com a participação da Argélia e da Mauritânia como países observadores.

Além das violações dos direitos humanos no Sahara Ocidental, as autoridades de ocupação impõem um bloqueio informativo e militar no território para abortar as atividades políticas dos que reivindicam a autodeterminação. Por isso, proíbem a entrada de observadores internacionais e jornalistas que tentam obter as informações no território e testemunhar as barbaridades cometidas pelo ocupante marroquino.

Desde janeiro deste ano foram já expulsos 17 estrangeiros das cidades ocupadas de El Aaiún e de Smara.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Equipe Media Sahara obtém o prémio jornalístico Julio Anguita Parrado



Equipe Media, agência de imprensa criada em 2009 no Sahara Ocidental, que denuncia a violação dos direitos humanos da população que vive naquele território controlado por Marrocos, obteve o XII Prémio de Jornalismo Julio Anguita Parrado, segundo foi tornado público esta quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019, em Córdoba.

O júri valorizou o "esforço coletivo da Equipe Media para fazer um jornalismo de alta qualidade, em quatro idiomas, que fornece informações para jornalistas de todo o mundo e se esforça por divulgar um conflito esquecido pelos media".
A Equipe Media é, muitas vezes, "a única fonte de informação sobre os problemas vividos pela população saharaui, com grande risco para a sua segurança e integridade física". Um dos seus fundadores, Ahmed Brahim Ettanji, de 31 anos esteve recentemente em Espanha, nomeadamente em Valencia e Saragoça.
Vários de seus jornalistas foram presos e agredidos por fazer o seu trabalho. Atualmente, cinco membros da Equipe Media estão presos.
Entre os últimas detenções de que o coletivo foi alvo estão Mohamed Salem Mayaram, em janeiro passado, após uma visita aos campos de refugiados de Tindouf. Também Mohamed Barkan, preso depois de chegar da Suécia, onde colaborou com o documentário "Três câmeras roubadas" feito em 2017 e precisamente onde a repressão da mídia no território saharaui é denunciada.


O coordenador da Equipe Media, o já mencionado Mohamed Salem Mayara, afirma que é "um reconhecimento da luta justa do povo saharaui" e sublinhou que "as políticas e agressões do regime marroquino aos jornalistas saharauis não conseguirão silenciar a verdade nas áreas ocupadas" do Sahara Ocidental ".
O prémio jornalístico Julio Anguita Parrado é organizado pelo Sindicato de Jornalistas da Andaluzia (SPA) o em homenagem ao profissional que morreu a 7 de abril de 2003 na guerra do Iraque.

sexta-feira, 1 de março de 2019

AS CRIANÇAS E OS ESTUDANTES SAHARAUIS SOB A OCUPAÇÃO





O Centro de Estudos Africanos na Universidade do Porto organiza a apresentação do "Relatório sobre o abuso dos direitos das Crianças e Estudantes Saharauis nos territórios ocupados do Sahara Ocidental" que decorrerá no dia 6 de Março, pelas 16:30, na Faculdade de Letras da UP, sala de reuniões.

Este é o primeiro relatório sobre as consequências nefastas que um conflito armado por resolver tem sobre as crianças e jovens. Devido aos impedimentos impostos aos jornalistas pelo Reino de Marrocos e ao difícil acesso da comunicação social aos territórios ocupados do Sahara Ocidental este conflito não tem encontrado o eco que justificaria.
O relatório pretende mostrar a situação em que vivem as crianças e jovens saharauis dos territórios ocupados e o impacto que esta ocupação tem no seu dia-a-dia e no futuro.
O relatório baseia-se no trabalho de campo realizado ao longo de cinco anos (desde 2013), por Isabel Lourenço, membro da Fundação Sahara Occidental, e entrevistas realizadas durante este período no Sahara Ocidental, Marrocos (Agadir, Marraquexe, Tanger e Rabat), Espanha e França, além de questionários e entrevistas que foram respondidas entre janeiro de 2017 e setembro de 2018 por 150 crianças (de 6 a 15 anos) e 150 estudantes (idade de 16 a 24 anos)."



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

“O destino dos saharauis na zona ocupada é incerto, podemos a qualquer momento ser detidos, torturados e até assassinados”



Fonte e foto: Diario de Navarra / Por Unai Yoldi Hualde y Patxi Cascante

Ahmed Brahim Ettanji é presidente da Equipe Media e ativista saharaui. Viajou a Navarra para contar ao Parlamento as violações de direitos que Marrocos comete no Sahara Ocidental.

PAMPLONA – Ahmed Brahim Ettanji (El Aaiún, Sáhara Occidental, 1988) é um desses jornalistas que se formam na rua, daqueles a quem o trabalho os levou a sofrer detenções e torturas.
O seu ativismo a favor dos direitos humanos e da autodeterminação do povo saharaui é exercido desde a presidência da Equipe Media, um meio de comunicação saharaui que nasceu em 2009 para romper o bloqueio de informação e mostrar ao mundo as injustiças que Marrocos comete nos territórios ocupados do Sahara Ocidental. No final de janeiro, Ahmed e seus companheiros receberam María Pérez de Larraya, Iratxo Bakedano e Alberto Jolis, três ativistas de Navarra que pretendiam constatar e denunciar as violações de direitos cometidas pelas forças de ocupação contra os saharauis, mas acabaram por ser expulsos pelo exército marroquino. Agora, ele viajou para Iruña para participar de uma mesa de trabalho no Parlamento de Navarra.

Como foram estas semanas após a expulsão de María, Iratxo e Alberto?
Depois de sua expulsão, vim para o Estado espanhol, então tudo correu bem. Mas a verdade é que o meu destino e o de meus companheiros é sempre incerto e obscuro. Nós não sabemos o que nos vai acontecer, estamos sempre sujeitos à prisão, tortura e até ao assassinato.

No seu caso, você foi detido por sua atividade, como é o tratamento das forças marroquinas?
Bem, eles não lhe colocam o tapete vermelho. A partir do minuto 0 começa o processo: espancamentos, maus-tratos e uma venda nos olhos para que não saibas para onde te levam. Às vezes também te despem e te interrogam, eles podem fazer-te todo tipo de tortura.

Como é viver nos territórios ocupados do Sahara Ocidental?
É uma grande prisão. Nós, saharauis, vivemos sempre com a sensação de que estamos presos. Temos uma liberdade condicional, porque podemos mover-nos, mas quando eles decidem por-te na cadeia, eles o fazem.

E em relação ao dia a dia?
A marginalização que sofremos é absoluta. Eles tratam-nos completamente à margem, como cidadãos de terceira classe. Por exemplo, se ficarmos doentes e formos a um hospital, temos que pagar, somos maltratados e é certo que podemos contar com alguma negligência médica. Mas a discriminação afeta todas as áreas.

Sobretudo a laboral, não?
Sim. Para os saharauis, o acesso ao trabalho é complicado. Nos grandes setores, como a pesca ou as minas de fosfato, os saharauis não têm trabalho, apenas os colonos marroquinos.

Recentemente, um jovem saharaui incendiou-se para denunciar a repressão que estava a sofrer, tem que ser uma situação limite, não?
Este jovem que se imolou pelo fogo é um exemplo da impotência e da raiva sentidas pelos jovens que vivem sob a opressão e a violência. Quando um jovem decide se queimar vivo é porque está vivendo um inferno e, enquanto isso, a comunidade internacional e a União Europeia olham para o outro lado.

O que é que a comunidade internacional pode fazer?
Muito fácil, que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma resolução para organizar um referendo no Sahara Ocidental e acabou. Estava marcado para 1991, mas até agora a MINURSO (a Missão Internacional das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) não o organizou. Mais, não foi realizado porque Marrocos colocou muitos obstáculos e porque tem o apoio da França e da Espanha.

E esses apoios tornam-no forte... Tem esperança que um dia Marrocos venha a aceitar um referendo?
Sim. A história tem mostrado ao longo do tempo que os povos acabam por alcançar a sua liberdade, seja a curto ou a longo prazo. Temos esperança que vamos vencer e, para isso, defendemos uma luta não violenta.

O Sahara tem uma indústria pesqueira, minas de fosfato ... é difícil para estes países deixarem de ter relações com Marrocos, não?
Depois do acórdão do Tribunal de Justiça da UE - que decidiu que nenhum acordo comercial pode incluir o Sahara Ocidental sem o consentimento dos saharauis -, fundos de investimento e navios decidiram cancelar as atividades no Sahara. No entanto, agora o acordo de pesca entre a UE e Marrocos foi renovado, pelo o que a Frente Polisario irá apresentar um recurso. Vai ser a armadilha em que a Europa vai cair, porque o Tribunal a obrigará a compensar os saharauis por firmar um acordo ilegal.

Embora lutem de maneira não violenta, chegará um ponto em que haverá saharauis que se cansarão, ou não será...?
Há jovens saharauis que perderam a confiança na ONU e pediram à Frente Polisario para regressar à luta armada. Mas defendemos a luta não violenta, a guerra diplomática e económica e o boicote.

Em suma, pressionar para que o referendo seja realizado ...
Sim. A luta não violenta leva tempo, mas resulta. A ONU reuniu a Frente Polisario e Marrocos em dezembro e em março haverá uma segunda ronda de diálogo.

E acha que isso servirá de alguma coisa?
-Quando há vontade… certamente; e parece que o novo enviado especial da ONU, Horst Köhler, tem muito vontade em resolver o conflito.



domingo, 10 de fevereiro de 2019

Morre o jovem saharaui que se imolou como um bonzo em Guerguerat




O jovem saharaui que se imolou pelo fogo como um bonzo em Guerguerat faleceu esta quarta-feira devido às profundas queimaduras que sofreu ao imolar-se pelo fogo em Guerguerat em protesto contra os maus-tratos por e recusa das forças de ocupação em dar cumprimento às suas legítimas reivindicações.

O jovem saharaui Ahmed Salem Uld Ahmed Uld Lemgheimid havia organizado em 27 de jneiro de 2019, um ato de protesto contra os maus-tratos a que foi submetido por parte dos serviços policiais de ocupação.
Os serviços aduaneiros marroquinos também lhe haviam confiscado as mercadorias que transportava através da região saharaui de Guerguerat.
As forças marroquinas obrigaram-no pela força e ameaçaram-nos com castigo mais severo caso voltasse a protestar.
Testemunhas presenciais disseram que o jovem desesperado por tantas humilhações e escárnios imolou-se pelo fogo como um bonzo frente a esquadra de polícia e da representação da MINURSO.
A Frente POLISARIO através do ministério dos Assuntos das Zonas Ocupadas expresou a sua mais enérgica condenação pelo doloroso incidente e apresentou as suas sentidas condolencias ao povo saharaui e à família do jovem.

Forças de ocupação enterram o jovem sem autorização da família
As autoridades de ocupação marroquinas decidiram enterrar o joven Ahmed Lamghaimad sem autorização dos seus familiares, obrigando o condutor da ambulância que transportava Ahmed Salem Lamghaimad para um cemitério a norte da cidade de El Aaiún ocupada.
O local do enterro deu-se a 29 km da capital saharaui e sem que tivesse tido a presença da sua família.
As autoridades tomaram esta decisão por medo à reação dos saharauis que esperavam poder despedir-se do jovem pela última vez.
Antes de falecer o jovem que se imolou pelo fogo passou quatro dias entre os hospitais do Sahara Ocidental ocupado e do Reino de Marrocos onde sofreu várias negligências médicas.
Fonte: Poemario Por um Sahara Libre

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

TV saharaui condena maus-tratos infligidos ao seu correspondente nas Zonas Ocupadas

Hammoud al-Laili

Chahid El Hafed (Acampamentos da Dignidade), 6 fevereiro de 2019 (SPS)- O canal nacional TVRASD condenou os maus-tratos infligidos ao seu correspondente nas Zonas Ocupadas (ZZ.OO), Hammoud al-Laili, quando este tentava cobrir uma manifestação pacífica na parte ocupada do Sahara Ocidental.

Em comunicado dado a conhecer esta terça-feira, o canal nacional saharaui condena as graves violações de DD.HH, em particular o veto à livre expressão e o bloqueio mediático imposto pelas autoridades marroquinas ao território.
O correspondente da TVRASD, depois de ter sido agredido, viu-lhe serem confiscadas duas câmaras com as quais tinha intenção de documentar a manifestação, tendo sido posteriormente sido transportada para uma comissaria de polícia onde foi submetido a a um feroz assédio e interrogatório que durou mais de quatro horas.
Ante semelhantes atos e cobarde agressão, a televisão nacional da República Saharaui condena energicamente esta ação atroz e injusta contra os seus correspondentes que trabalham de maneira nobre e sincera para derrubar o bloqueio mediático e o cerco policial impostos pela ocupação marroquina nas Zonas Ocupadas do Sahara Ocidental”, refere o comunicado da TVRASD .
Cabe recordar que esta segunda-feira 4 de fevereiro, as forças de repressão marroquinas dispersaram com brutalidade uma concentração pacífica de manifestantes saharauis na cidade ocupada de El Aaiún. A agressão violenta das forças policiais de ocupação causou várias vítimas entre os manifestantes que reclamavam o fim do cerco e bloqueio impostos nas cidades ocupadas saharauis.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Dakhla: ativista saharaui dos Direitos Humanos Mohamed Manolo denuncia perseguição





Fonte: Equipe Media - Diario La Realidad Saharaui, DLRS - O militante saharaui dos direitos humanos Mohamed Manolo disse que as autoridades de ocupação marroquinas na cidade de Dakhla, antiga Villa Cisneros, suspenderam o seu salário mensal devido à sua participação numa delegação de activistas dos direitos humanos que visitaram os territórios libertados saharauis e campos de refugiados em Tindouf, na Argélia, em Janeiro passado.

Em entrevista à equipe de informação saharaui Equipe Media, Manolo disse que "as autoridades de ocupação marroquinas estão completamente equivocadas se acreditam que nos submeterão à sua política de empobrecimento que visa mudar as nossas posições e atividades políticas em apoio à soberania do nosso povo na sua terra e à lealdade com o sangue dos mártires e o nosso apego à Frente Polisario ".
O ativista saharaui apela à opinião pública internacional para apoiar a restauração dos seus direitos e, em particular, dirige-se ao representante pessoal do Secretário-Geral da ONU, Horst Köhler, com quem se encontrou no ano passado e o informou sobre as circunstâncias especiais e excepcionais em que vive o povo saharaui nos territórios ocupados, sujeito a represálias, tortura, maus tratos e perda de meios de subsistência.
Mohamed Manolo passou três anos nas prisões da ocupação antes de ser libertado em 2015 pelo seu ativismo contra a ocupação marroquina. Continuou as suas atividades defendendo o direito à autodeterminação e denunciando a pilhagem marroquina da riqueza do povo saharaui através da ‘Sociedad para la Protección de los Recursos Naturales y Apoyó el Plan de paz para el Sahara Occidental’, organização da qual é um dos seus membros fundadores.



Cidadão saharaui assassinado em Dakhla ocupada por colono marroquino




*Fontes: ativistas saharauis de direitos humanos, 01/02/2019 - Um colono marroquino, oriundo do norte de Marrocos, matou um cidadão saharaui na cidade ocupada de Dakhla, no extremo sul do Sahara Ocidental.

Segundo informam ativistas de direitos humanos no território, o cidadão saharaui, Suadah Omar Bulla, tinha uma casa arrendada ao colono. Quando o dono da casa pediu ao colono o dinheiro da renda foi apunhalado pelo inquilino marroquino.

domingo, 27 de janeiro de 2019

A luta pacífica do povo saharaui tem rosto de mulher





Fonte e fotos: El Diario / Por Maialen Ferreira (@maialenferreira) - Raabub fugiu da sua terra natal, o Sahara Ocidental, nos braços dos seus pais enquanto eram bombardeados pelo Exército marroquino. Antes de saber falar, jé era uma refugiada saharaui. Muitos deles não sobreviveram aos bombardeamentos. Os que o conseguiram, tiveram que construir do nada os acampamentos de refugiados.

Aichetu Yeslem nasceu nesses acampamentos. Com 25 anos, uma das coisas que mais lamenta tal como muitos outros jovens saharauis, é nunca ter pisado o solo do Sahara Ocidental.

Ambas puderam desenvolver as suas carreiras profissionais com êxito. Raabub, com apenas 12 anos foi estudar para Cuba sem saber quando voltaria a ver a sua família e agora, com 44 anos, é médica no Hospital Universitário Araba, em Vitória. (nota da tradução: Após ter acabado a sua licenciatura em Cuba, Raabub veio para Portugal com o apoio de uma família portuguesa. Aqui estudou arduamente para realizar o exame na Ordem dos Médicos que a possibilitou exercer a Medicina em Portugal e no Espaço Europeu, beneficiando da possibilidade que muitos refugiados tiveram por abertura do Estado Português e pela intervenção determinante da Fundação Calouste Gulbenkian nesse processo. Exerceu a sua profissão durante alguns anos no Hospital de Almada onde deixou muitas saudades entre pacientes, colegas e enfermeiros, e todos aqueles que tiveram o privilégio de com ela privar e com a sua adorada família).

Aichetu, acaba de graduar-se em Ciências Políticas na UPV (Universidade do País Basco) e não descarta a possibilidade de tirar um Mestrado no próximo ano na mesma universidade. Mas o que têm em comum é que, apesar dos seus êxitos académicos e profissionais num país estrangeiro, não perdem de vista a sua responsabilidade e compromisso para com a luta do seu povo.

"Exercer a sua profissão, seja médico, enfermeiro, engenheiro, mas não deixar de ajudar o povo saharaui em determinadas situações. Se vês que podes exercer naquilo em que estudaste mas, ao mesmo tempo, empenhando-te na ajuda pessoal de alguma forma ao teu povo, contribuindo com o que está ganhando, na saúde, na educação, então perfeito. Claro, desde que haja médicos e professores e que não estejamos todos aqui enquanto nos campos não há médico que possam ajudar", explicou Aichetu durante a palestra Sahrawi Women: dignity and resistance, que se realizou em Bilbao.

As mulheres construíram a maioria dos campos de refugiados e administram toda a sua organização. Os pilares das estruturas dos campos são mulheres e também entre os que ficaram nos territórios ocupados desempenham um papel importante:

“São torturadas, são violadas, são presas, mas elas prosseguem porque estão convencidas de que estão a lutar por uma causa justa. Não queremos nada de ninguém, queremos o que nos corresponde por direito. Roubaram-nos o mais importante, que é ter um lugar no mundo”, afirma Raabub.

"É muito claro de que lado está a política espanhola"

“O compromisso de Espanha com o Sahara Ocidental desde sempre foi nulo. Em 1975, quando falavam do então referendo, abandonam-no debaixo da mesa firmando os Acordos Tripartidos de Madrid, abandonando o povo saharaui no meio do nada, fazendo um tratado ilegítimo com Marrocos. A primeira viagem que fez o novo Rei foi a Marrocos e a primeira viagem que efectuou o atual presidente do Governo de Espanha também foi a Marrocos, fica pois claríssimo de que lado está a política espanhola. A nível das bases dão-nos apoio, mas a cúpula do poder vira-nos as costas”, assegura Aichetu, que integra também a Associação de Jovens Saharauis de Euskadi.

O que esta jovem pede é que as Nações Unidas supervisionem a violação dos direitos humanos sofridos pela população saharaui nos Territórios Ocupados, uma vez que eles são "constantes e sistemáticos", como refere. Atentados que, como diz, são vistas e sentidos por toda a população saharaui e que vão desde a impossibilidade de se manifestarem, até não poderem se encontrar em suas próprias casas por serem ativistas. Além disso, exige que se investigue como está o Território Ocupado militarizado, já que 90% dos observadores internacionais que vão ao Sahara Ocidental não podem entrar porque Marrocos os proíbe de entrar.

"O que mais teme Marrocos é o resultado final. Que um referendo seja realizado e que nós escolhamos o nosso destino. Mas o que tem sido demonstrado em todos esses anos é que o seu papel é o de impedir para que ele nem sequer possa ser realizado ", atalha Raabub.

Raabub é presidente da Associação Humanitária Doutora Behitua, que apoia mulheres atingidas pelo conflito no Sahara Ocidental e gostaria que a União Europeia fizesse um acordo a três e que a Frente Polisario fizesse parte desse acordo. Além disso, sublinha que os saharauis não teriam nenhum problema no futuro em se relacionar com outros países e muito menos com "países a que estiveram ligados quase um século", como a Espanha.

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domingo, 20 de janeiro de 2019

Saidi terá sempre a razão do seu lado








Fonte: naiz: / Texto e foto: Andoni Lubaki - Um polícia veio com uma lata de gasolina. Jogaram um pouco de gasolina para o meu corpo, ateram fogo e depois abafaram a combustão. Voltaram a fazê-lo de novo, não muito. E atearam outra vez. Fizeram-no umas quantas vezes diz-me "Saidi no local que a AFAPREDESA (Associação dos Familiares dos Presos e Desaparecidos Saharauis) tem em Rabouni (nos acampamentos de refugiados no extremo sudoeste da Argélia).

O jovem saharaui foi preso e torturado sem que contra ele tivesse havido qualquer acusação formal por parte da gendarmaria colonial marroquina. Tem o corpo marcado para sempre, mas a dignidade intacta.
Mostra-me documentos e papéis que mostram como ele foi torturado. Amnistia Internacional, MINURSO, etc. Ninguém foi preso pelo que lhe ocorreu, nem houve qualquer investigação.


Uma das coisas que mais me impressiona no meu trabalho é como é que essas pessoas que sofreram o pior que um ser humano pode sofrer continuam a viver. Saidi confessa que ele não tem ódio, mas que um dia Allah irá puni-los, mas ele não odeia. Não é a primeira vez que ouço falar de um torturado ou parente de uma pessoa desaparecida. Há muito pouco ódio neles. Eu odeio mais eu os torturadores, que lhe faço a entrevista, do que eles próprios. Procuro tirar-lhe uma fotografia. Fica cada vez mais difícil dizer a alguém que tem um rosto marcado para posar de uma maneira concreta, para que se possam ver as feridas e as cicatrizes que têm. 
"Não há problema. Fotografe o que tem que fotografar e diga-me como me devo colocar” - diz Saidi . Custa-me dizer-lhe que vire o rosto e olhe para a luz. Mas eu penso (e sei que estou certo) que uma foto bem executada dignifica uma vítima muito mais do que uma mal captada O desonesto da minha parte teria sido tirar uma foto ruim para nunca publicá-la. Tinha que conseguir algo decente para mostrar a sua dignidade, tinha que mostrar ao mundo que Saidi foi torturado e que aqueles que o fizeram não tinham razão nem nunca a terão. Ao contrário, Saidi terá sempre a razão do seu lado.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

UGT critica apoio da UE à espoliação dos recursos saharauis





Fonte e foto: UGT - A recente aprovação pelo Parlamento Europeu da extensão das reduções pautais do acordo de pesca entre a União Europeia e Marrocos constitui uma grave violação dos direitos do povo saharaui e o desrespeito pela justiça europeia.

A decisão do Parlamento Europeu abre caminho para que Marrocos explore os recursos pesqueiros existentes no território saharaui ocupado por Marrocos, ignorando a retumbante sentença do Tribunal de Justiça da União Europeia de fevereiro de 2018, que excluí os territórios do Sahara Ocidental do Acordo por não pertencer ao Reino de Marrocos, ignorando a opinião e a vontade do povo saharaui e dos seus representantes.

Assim, o Parlamento, embora acrescente a identificação específica dos produtos provenientes do Sahara, decide ignorar o facto de a própria União Europeia quantificar em mais de 90% o peixe saharaui do total de pescado exportado por Marrocos para a UE, pelo que a etiqueta não terá qualquer efeito para impedir a apropriação ilegal dos recursos saharauis pelos marroquinos, como, neste caso, a pesca ou, como noutros casos perpetrados pelo Reino de Marrocos, casos dos fosfatos, areia ou outros produtos alimentares.

O conflito no Sahara leva mais de 40 anos sem solução, depois da Espanha ter abandonado o território sem concluir o processo de descolonização iniciado e não respeitando o direito à autodeterminação do povo saharaui.

Durante o último mês de dezembro, representantes da Frente Polisario e de Marrocos voltaram a reunir-se sob os auspícios das Nações Unidas em Genebra, o que é um sinal positivo após seis anos de ausência de negociações. Neste contexto, a UGT critica o passo dado pelo Parlamento Europeu por violar o Direito Internacional e não apenas por não fornecer qualquer solução para um conflito histórico, como inclusive agravá-lo.

Da mesma forma, a UGT rejeita tentativas de abordar, mais uma vez, essa questão a partir de uma perspectiva exclusivamente económica que tenta confrontar os trabalhadores. A decisão do Parlamento Europeu não tem nada a ver com a defesa dos trabalhadores espanhóis contra os saharauis, mas antes garantir o respeito por uma legalidade internacional que permita o desenvolvimento social e democrático do povo saharaui e que estes possam gerir livremente e autonomamente os seus recursos, relações comerciais e políticas para o benefício social, económico e democrático de ambas as partes.

Por todas estas razões, a UGT continuará a apoiar o sindicato UGTSario e os trabalhadores saharauis, para que os direitos do seu povo sejam respeitados e, finalmente, uma solução justa seja alcançada no processo de paz a cargo das Nações Unidas. O nosso compromisso é respeitar a legalidade internacional e o desenvolvimento e progresso da classe trabalhadora unida e solidária.