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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

ONU une forças para limpar o muro minado do Sahara Ocidental




Fonte e foto: El Diario / EFE / Por Antonio Broto - O muro de terra de 1.468 quilómetros que separa o Sahara Ocidental ocupado por Marruecos do que controla a Frente Polisario, conhecido como Berm (aterro), é um dos maiores campos minados do mundo, mas a ONU acredita que com vontade política a parte saharaui pode ficar livre de minas dentro de um ano.

“Com 3,5 milhões de euros mais, algo que em termos de ajuda internacional não é muito, essa parte do muro ficaria livre de minas, e poderíamos alcançar esse objectivo já no ano de 2020”, segundo referiu à agência Efe a diretora do Serviço das Nações Unidas de Atividades relativas a Minas (UNMAS), Agnes Marcaillou.

A situação no Sahara Ocidental foi um dos principais temas de uma reunião internacional em Genebra, na qual representantes da agência e várias ONGs analisaram as suas prioridades contra as minas, armas que, muitas vezes, matam muito depois do fim de um qualquer conflito.

No caso saharaui, onde Alemanha e Espanha são os principais doadores, o UNMAS estabeleceu um orçamento modesto de 100.000 dólares, destinado principalmente à integração social e económica das vítimas das minas a leste do muro, mas isso não obscurece a magnitude do problema ou a necessidade de resolvê-lo.

O muro que Marrocos foi construindo enquanto ocupava territórios saharauis esconde minas antitanques na sua parte central e minas antipessoal nas laterais, num total de 10 a 40 milhões de artefatos mortíferos, de acordo com diferentes fontes.

Atualmente, a principal função do UNMAS é informar das zonas perigosas, embora a desértica orografía do território dificulte esse labor.

"Na verdade, a zona é areia em movimento, sujeita a ventos fortes, por isso às vezes as minas podem ser levadas de uma área assinalada para outra que não o está", disse Marcaillou numa reunião com jornalistas.

Juntamente com o UNMAS, estão organizações não-governamentais — como a Geneva Call, que supervisiona acordos de desarmamento em zonas de conflito — que trabalham no Sahara Ocidental em operações de desminagem e ajudaram a destruir já mais de 20.000 minas antipessoal.

No início deste ano, a responsável daquela ONG para África, Catherine Hiltzer, testemunhou a destruição de um carregamento de 2.485 destas minas por parte da Frente Polisario, como parte dos compromissos assumidos pela organização saharaui em 2005.

"Os civis são frequentemente vítimas de minas antipessoais, uma vez que estas armas não discriminam entre um objetivo militar e um civil inocente, pelo que a destruição de 20.000 minas pela Frente Polisario é uma vitória decisiva para a humanidade", comentou Hiltzer.




O UNMAS sublinha a importância da participação da sociedade civil em programas de sensibilização sobre o perigo das minas, e no caso do Sahara Ocidental as mulheres são as grandes protagonistas.

“Temos inclusive mulheres saharauis participando em trabalhos de desminagem”, sublinha a diretora do UNMAS, que refere que a sua integração nestes trabalhos ajuda a que os setores mais conservadores das suas sociedades valorizem mais o papel da mulher.

O principal escolho para desminar o Muro está reside no facto de o conflito saharaui continuar latente pese embora o fim teórico do confronto armado há mais de 25 anos, o que se traduz na recusa marroquina em colaborar com o UNMAS.

“Até que seja encontrada uma solução política, e sabemos como é difícil encontrá-la, não intervimos no lado marroquino”, reconhece Marcaillou, que recorda que muitos dos habitantes da zona afetada “são beduinos nómadas que não entendem nada de fronteiras”.

Segundo a Campanha Internacional para a Proibição das Minas Antipessoal, mais de 2.500 pessoas morreram desde 1975 no Sahara Ocidental devido a este tipo de armamento, sendo que as vítimas não se limitam ao período de conflito aberto entre 1975 e 1991, já que por exemplo em 2018 houve 22 mortos.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Brahim Ghali informa o Secretário-Geral da ONU sobre a destruição do último arsenal de minas terrestres armazenado pela Frente Polisario



Nova Iorque, 10 de janeiro de 2019 (SPS)- oPresidente da República Saharaui e Secretário-Geral da Frente Polisario, Brahim Ghali, informou o Secretário-Geral da ONU sobre a destruição do último arsenal de minas terrestres armazenado pela Frente Polisario .

Brahim Ghali acrescenta, na sua carta, que “a destruição do arsenal de minas terrestres é uma clara mostra de vontade da Frente Polisario de colaborar na limpeza das minas terrestres que semeiam o terror, em especial na parte libertada do Sahara Ocidental”.
O Presidente da República expressa igualmente a esperança de que a comunidade internacional exerça pressão suficiente sobre Marrocos para que firme a Convenção de Otava sobre a proibição do uso e armazenamento de minas anti-personal e munições de fragmentação.
No mesmo contexto, Brahim Ghali transmite a sua profunda preocupação com a grave situação dos presos políticos saharauis nas prisões marroquinas, especialmente o grupo de Gdeim Izik que sofre ,como o resto de presos, maus-tratos, torturas e vexames e está privado dos seus elementares direitos devido à política de repressão exercida pelo ocupante marroquino.


O Presidente da República aborda, na sua carta, os últimos acontecimentos em particular os relacionados com a mesa redonda realizada em Genebra no início de dezembro e a colaboração construtiva da Frente Polisario nesta reunião onde apresentou interessantes propostas para consolidar as medidas de confiança, como permitir aos observadores internacionais e organizações de direitos humanos visitar as zonas ocupadas do Sahara Ocidental e a libertação dos presos políticos saharauis.
Por outro lado, Brahim Ghali expressa preocupação pela situação na zona de conflito e advirte que qualquer incursão de forças de ocupação marroquinas na zona de separação , em El Guergarat (junto à fronteira sul com a Mau ritânia) constituiria uma clara violação do cessar-fogo e do Acordo Militar número 1. SPS

sábado, 22 de dezembro de 2018

O drama das minas no Sahara Ocidental



Fonte: Faro de Vigo / Por Fito Álvarez Tombo - No ano de 1963, começou o processo de descolonização do Sahara Ocidental, ano em que foi incluído numa lista de territórios não autónomos, embora a Espanha, o país colonizador, não tenha se retirado senão em 1975, quando cedeu ilegalmente o controle daquele território a Marrocos e Mauritânia

Depois do cobarde abandono da população saharaui pela Espanha, a Frente Polisario luta para defender o seu território, protegendo a população civil no sua fuga. População que é massacrada pela aviação marroquina com bombardeamentos de napalm e fósforo branco, que causaram inúmeras vítimas entre mulheres, idosos e crianças.

Em 1991, foi estabelecido um cessar-fogo entre Marrocos e a Frente Polisario. Uma trégua é assinada, e a data de 26 de janeiro de 1992 marcada para a realização do referendo. As Nações Unidas aprovam uma resolução que detalha o calendário do plano de apoio e cria a MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental). Estabelece-se no dia 6 de setembro daquele ano como a data do cessar-fogo e no dia 26 de janeiro de 1992 para o referendo. Ambos são aceites pelas partes, mas o referendo nunca é realizado.

O Marrocos aproveita essa trégua para reforçar os muros que dividem o Sahara Ocidental de norte a sul, com mais de 2.700 km de extensão, e que começaram a ser construídos nos anos 80 para impedir as incursões de Polisario. Em ambos os lados deste terrível muro, Marrocos dispersa entre 7 e 10 milhões de minas, de acordo com as Nações Unidas, tornando o Sahara Ocidental um dos territórios com maior concentração por minas e bombas de fragmentação no mundo.

Mais de 2.500 pessoas, de acordo com dados do Landmine Monitor Report, foram feridas, mutiladas ou mortas por minas espanholas, italianas, portuguesas, chinesas, inglesas, belgas e soviéticas espalhadas pelo território saharaui desde 1975, além de bombas de fragmentação fabricadas nos Estados Unidos e bombas de 250 a 950 kg. com detonadores atrasados lançados pelos aviões Mirage F1 e F5 nas diferentes incursões das Forças Armadas Reais Marroquinas. O forte siroco, o movimento de areia e chuva moveram e enterraram muitas delas, e portanto não há uma localização precisa das minas.

Ainda hoje, passar pela área é desafiar a morte. A cada ano, 20 a 30 novas vítimas continuam a sofrer as suas consequências. Os incidentes mais recentes ocorreram em 13 e 14 de dezembro, onde dois carros com civis saharauis foram vítimas da explosão de minas, resultando numa morte e vários feridos graves.

O drama das minas é mais um aspeto da ocupação cruel do Sahara Ocidental por parte de Marrocos. Drama que ninguém fala e que a União Europeia insiste em silenciar assinando acordos comerciais com o ocupante marroquino contra as decisões do seu próprio tribunal de justiça.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Frente Polisario destrói 2.500 minas anti-pessoal




Tifariti (Sahara Ocidental), 4 de novembro de 2017 (SPS/Contramutis) - A Frente Polisario destruiu ante representantes internacionais 2.500 minas anti-pessoal e antitanque, recolhidas nos territórios libertados do Sahara Ocidental, especialmente ao longo do muro marroquino de 2700 quilómetros que divide o território.

A operação de destruição, realizada no dia 4 de novembro, teve lugar em Tifariti, localidade situada nos territórios sob controlo da Polisario e que foi bombardeada por Marrocos no dia em que foi firmado o cessar-fogo, a 6 de setembro de 1991, após dezasseis anos de guerra.

Ante autoridades militares saharauis, como o ministro da Defesa e o Chefe da 2.ª Região Militar,  e de representantes do Serviço de Ação contra s minas das Nações Unidas (UNMAS), da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental), do Apelo de Genebra, foram destruídas 2.300 minas anti-pessoal VS-50, 100 SB-33, 100 M-966 e 8 minas anticarro BPRB-M3.

Com esta ação, a Frente Polisario já destruiu desde 2006  15.508 minas e tem previsto inutilizar outras 4.985 em 2018.

O chefe das tropas de reserva saharauis, Mohamed Lamín Buhali, referiu que a vontade do governo da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) é continuar a aplicar os acordos em matéria de destruição de minas, tema sobre o qual Marrocos nunca se quis implicar.

Mohamed Lamín, ex-ministro da Defesa, afirmou que na parte ocupada do Sahara Ocidental continuam colocadas ao longo do muro milhares de minas, que são transportadas pelas águas ao longo do leito dos rios e se convertem em armadilhas mortais para a população saharaui que se desloca livremente na parte libertada do Sahara Ocidental.

Pascal Bongar, diretor jurídico do Apelo de Genebra, afirmou que estavam ante una “demonstração clara da vontade da Frente Polisario de colaborar na destruição e limpeza das minas”, que semeiam o terror, em particular na libertada do Sahara Ocidental.

Disse que nos últimos anos as minas causaram 34 vítimas na zona libertada e o facto de Marrocos não querer firmar o acordo do Apelo de Genebra “é uma demonstração de que não quer colaborar no processo de paz”.



terça-feira, 1 de setembro de 2015

Pastor mauritano morre devido à explosão de mina no Sahara Ocidental




Segundo “Zouerat Media“, no dia 29 de agosto, Hamdi Ould Sid’Ahmed, pastor de origem mauritana, de 42 anos, morreu em consequência de graves ferimentos produzidos pela explosão de uma mina terrestre.

O acidente ocorreu quando o pastor se encontrava com o seu rebanho de camelos a escassos 200 metros do muro marroquino no Sahara Ocidental, a sudoeste da cidade de Tifariti, nos territórios libertados que se encontram sob controlo da Frente Polisario. Trata-se de uma zona de deserto pedregoso, no limite fronteiriço com a Mauritânia, com elevada concentração de minas e artefactos explosivos de guerra. Os nómadas –não raras vezes e sem o saberem – passam os limites da zona de segurança assinalada, que alerta para o alto perigo de restos bélicos, para atingirem os pastos próximos do poço de Oum Grim.

Segundo parece, Hamdi Ould Sid’Ahmed foi identificado por um companheiro de trabalho, que entregou a sua documentação às autoridades mauritanas. As congéneres saharauis, por seu lado, coordenaram-se de imediato com as suas homólogas mauritanas para o enterro do cidadão mauritano.
Neste ano de 2015, as minas terrestres, bombas de fragmentação e outros restos de explosivos de guerra abandonados de um e de outro lado do muro marroquino fizeram já 26 vítimas em todo o território do Sahara Ocidental, com um balanço de 9 mortes e 17 feridos de diferente gravidade, para além de dezenas de animais dos rebanhos dos pastores nómadas.



Fonte: Dales Voz a las Víctimas / Zouerate Media (original em árabe)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Frente POLISARIO destrói arsenal de minas antipessoal em Tifariti




No dia 30 de março, a Frente Polisario destruiu um arsenal de minas antipessoal em Tifariti, territórios libertados do Sahara Ocidental, embora não seja conhecido ao certo o número total de minas destruídas. Esta é a quinta destruição de minas desde que a Frente Polisario aderiu ao apelo de Genebra em 2005, através da assinatura do Tratado de Compromisso para a Proibição de Minas Terrestres. Desde 2005, a Frente Polisario destruiu mais de 10.000 minas que detinha em seu poder.

De acordo com o relatório Monitor de Minas Terrestres, a Frente Polisario informou que, desde 1975, se registaram 2.500 vítimas de minas e de restos de explosivos de guerra. Em 2013 foram inventariadas 23 novas vítimas.

A Frente Polisario lidera a luta pela independência do Sahara Ocidental desde 1973. Depois de anos de 16 anos de guerra e luta armada, as Nações Unidas negociaram um cessar-of1991. No entanto, a situação do território continua a ser um tema de disputa frontal entre Marrocos e a Frente Polisario.

Em resultado do conflito, o Sahara Ocidental está povoado de por minas terrestres, bombas de fragmentação e outros restos explosivos de guerra (REG). Está dividido por um muro de terra de 2.700 quilómetros de extensão, que foi construído pelo exército marroquino durante os anos 80 e fortificado com milhões de minas terrestres.

Fonte: Geneva Call


http://www.genevacall.org/polisario-front-destroys-stockpiles-anti-personnel-mines/

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sahara Ocidental: as minas terrestres continuam a fazer vítimas




Uma mina marroquina anticarro detonou perto do muro de ocupação marroquino quando passava um veículo 4×4 tipo Toyota que era ocupado por quatro pessoas.

Tanto a manada de camelos como o Toyota Hilux devem pertencer ao empresário mauritano Ould Beitat. Ao inteirarem-se do sucedido, as autoridades militares saharauis mobilizaram uma ambulância que transportou as vítimas para a III região militar Saharaui onde lhes foram prestados os primeiros socorros.

A explosão, segundo a Zouerate media, levou a que o veículo se partisse em dois, causando a morte a um dos ocupantes, enquanto que outro teve fraturas nas pernas. Felizmente os dois restantes saíram ilesos.

Já depois de receberem os primeiros socorros nas dependências do hospital militar Saharaui da III região, as vítimas foram evacuadas para a cidade mauritana de Zouerate.

Este trágico acidente ocorreu a cerca de 150 quilómetros a noroeste de Zouerate e a 50 quilómetros a oeste da localidade saharaui de Miyek.

A campanha internacional contra o muro de ocupação marroquino, lamenta estas vítimas, e exorta a que não sejam escamoteados nenhuns esforços na denúncia ante a opinião pública internacional destas atrocidades, chamando a atenção para este gigantesco dispositivo militar que continua desempenhar um papel decisivo na ocupação marroquina do Sahara Ocidental, matando, separando e aterrorizando civis de todos os povos da região.


Junta-te à campanha: www.removethewall.org

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Espanha entre os 12 países do mundo que mais apoiam economicamente a produção de bombas de fragmentação


As forças de ocupação marroquinas utilizaram em profusão bombas de fragmentação no Sahara Ocidental...

A Convenção de Bombas de Fragmentação apresentou um relatório que revela que 151 instituições financeiras do mundo — entre elas, espanholas — apoiaram a produção destas bombas proibidas. Denuncia que os EUA investiram (de 2011 a 2014) um total de 27.000 milhões de dólares na produção de bombas de fragmentação, com apoio financeiro mundial.

Segundo a diretora da Convention on Cluster Munitions (CCC), Amy Little, o "Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Japão e Espanha, entre outros, devem legislar com urgência para assegurarem-se que as suas instituições financeiras não apoiem a fabricação de munições bélicas proibidas".

a maioria dos Estados do mundo reconhecem as bombas de fragmentação como armas inaceitáveis pelos riscos que implicam para as populações civis, não só em períodos de confrontação armada, mas também em tempos de paz. O uso recente destas bombas na Síria e na Ucrânia demonstra a necessidade urgente de erradicar estas armas…

Fonte: dalesvozalasvictimas.wordpress.com


domingo, 31 de agosto de 2014

O maior campo de minas do mundo



Mitch Swenson escreveu para a War is Boring sobre o muro marroquino no Sahara Ocidental, a que chama “o maior campo de minas do mundo”.

Fala do impasse no conflito e de como os grupos jihadistas que operam na região tratam de recrutar jovens saharauis.

O assunto foi tema de artigo recente na revista “Foreign Policy” onde David Conrad conta que a Frente Polisario criou uma “força antiterrorista” que patrulha os arredores de Tindouf. Surgiu preocupação entre os líderes saharauis após o sequestro em Tindouf de três cooperantes no ano de 2011 e a infiltração o ano passado de recrutadores da Al Qaeda do Magrebe Islâmico.

Agora a Frente Polisario escolta as colunas de funcionários da MINURSO como medida de segurança. Conrad cita Omar Bashir Manis, o sudanês que está à frente do Escritório de Ligação da MINURSO em Tindouf, que fala do emergente “arco de instabilidade” na região.

Um momento importante terá lugar quando a norte-americana Kosmos Energy começar a explorar jazidas de petróleo “off shore” frente às costas do Sahara Ocidental


Fonte: Diaspora Saharaui.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Bojador: Jovem saharaui morre em consequência de explosão de mina



  
O jovem pastor saharaui Abdellahi Eljarshi, de 31 anos, faleceu esta segunda-feira vítima da explosão de uma mina antipessoal, na zona conhecida como El Madelshiat, a 50 km a Leste da cidade costeira de Bojador, a noroeste do Sahara Ocidental e a 180 km de El Aaiún, capital ocupada.

Eljarshi, solteiro e com toda a vida à sua frente, foi surpreendido pelo rebentamento de uma mina quando pastorava o seu rebanho longe da cidade. O seu corpo ficou estendido no deserto até ser encontrado já sem vida.

Embora ainda não se saiba em pormenor as circunstâncias do acidente, é do conhecimento geral que a zona onde se produziu a explosão se encontra a escassos metros do primeiro dos seis troços do Muro Marroquino no Sahara Ocidental, que fecha a sul do Cabo Bojador parte do que hoje constitui o segundo muro mais extenso do mundo, após a Muralha da China, com 2 720 km comprimento.  

Trata-se de uma zona onde os acidentes são frequentes, pois para além da pesca, a criação de gado é a principal fonte de rendimentos da sociedade saharaui em Bojador. Os pastores nómadas, que saem sozinhos com o seu rebanho, pisam estas minas assassinas e têm muito poucas opções de sobreviver no deserto, onde normalmente morrem em consequência de hemorragias tremendas causadas por amputações ocasionadas pelas minas nas extremidades inferiores.

"Torna-se muito complicado obter informação sobre estes acontecimentos, porque no território ocupado oculta-se tudo quanto se refere à denúncia da existência deste muro, rodeado por milhões de minas terrestres, munições de fragmentação e outros explosivos de guerra abandonados depois da guerra, que terminou em 1991", informa a organização Dales Voz a las Víctimas.


 (SPS)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Mulheres no Sahara desativam minas antipessoal



Com o sol do deserto escaldante a bater sobre a paisagem empoeirada e seca, um detetor de metais emite um sinal sonoro intermitente, varrendo cuidadosamente um pouco acima do solo. A operadora avança com cautela em intervalos de 30 centímetros, marcando o chão "seguro" com pedras. Atrás da proteção mínima de uma viseira de plástico e um colete de armadura, a operadora protege os olhos dos raios intensos do sol com um par de óculos de sol de elegante design italiano.






"Meu nome é Miriam Zaid", diz ela. "Tenho vinte e oito anos de idade, e trabalho como operadora de desminagem nos últimos seis anos. Para fazer este trabalho precisamos ser sérios, persistentes, fortes e auto-confiantes. Esta auto-confiança irá permitir que sejamos bem sucedidos. Cada vez que vou para um campo de minas estou cem por cento confiante. Estou sempre tentando melhorar o meu desempenho como operadora de desminagem. Não tenho medo."

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Primeiro Cooperantes sofrem acidente com explosão de mina nos territórios libertados




Na zona de Güera, ao sul da fronteira com a Mauritânia, um veículo 4x4 fez detonar uma mina A/T (antitanque) sem que felizmente houvesse perdas humanas. O veículo era ocupado por dois cooperantes e dois saharauis: Tito Fernando Gonzales García, realizador de cinema (França-Chile) e Samir Abujamra, realizador de cinema (Brasil); Ahmed, da Escola de Cinema e um condutor da Direção de Protocolo saharaui. 

Este foi o primeiro incidente do ano e os primeiros sobreviventes de uma mina antitanque sem danos físicos. Foram também os primeiros cooperantes acidentados por minas nos territórios libertados. 

O Muro de Ocupação Marroquino é uma ameaça para a vida do Povo Saharaui, para a livre circulação dos seus cidadãos e um impedimento à vida nos territórios libertados. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A RASD pede à comunidade internacional que pressione a Marruecos para que retire as minas antipessoal

 

O ministro de Negócios Estrangeiros da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), Salem Ould Salek, pediu ontem à comunidade internacional que assuma a sua responsabilidade e pressione Marrocos para que retire as minas antipessoal colocadas no Sahara Ocidental desde 1975.

“Peço aos Estados participantes no 13º encontro da Convenção sobre a Proibição de Minas Antipessoal (que se celebra neste momento em Genebra) e a toda a comunidade internacional que forcem o ocupante marroquino a limpar as centenas de zonas onde semeou minas desde o início da ocupação em 1975″, afirmou.

 
O dirigente saharaui denunciou que estos artefactos matam e ferem diariamente civis saharauis nos territórios ocupados e nas zonas libertadas do Sahara Ocidental, segundo informou a agência estatal argelina de notícias, APS.

“Cinco pessoas, entre elas duas crianças, membros de uma mesma família, morreram em novembro por causa de uma mina na região de Geltat Zemur”, referiu, afirmando ainda que existem cinco milhões minas colocadas nos territórios saharauis.
 
Também os animais são frequentemente
vítimas das minas antipessoal


No total foram identificadas 256 zonas minadas nos territórios saharauis, que provocaram um total de 2.500 vítimas desde a ocupação marroquina da zona em 1975 até à atualidade.

Por último, Ould Salek pediu à comunidade internacional que exija a destruição do “muro da vergonha”, erigido ao longo de mais 2.700 quilómetros “para evitar que o povo saharaui se mova livremente no seu próprio território”.


Fonte: lainformacion.com / Europa Press

sábado, 28 de setembro de 2013

Explosão de uma mina destrói veículo todo-o-terreno


A 26 de setembro de 2013 (quinta-feira), uma mina explodiu contra um veículo do tipo 4x4 na zona de “Dakmar” a 3 quilómetros da zona de “Amhairiz”/Sahara Ocidental.

Na viatura encontrava-se o jovem saharaui “Haidala Almousawi” de 28 anos de idade, que afirmou estar a conduzir a viatura quando à 1:00 hora da tarde ter sido surpreendido pela explosão da mina que causou a destruição do auto todo-o-terreno e lesões no condutor a nível das costas, pélvis e ombros.

A vítima permaneceu esperando durante 6 horas, aguentando os sofrimentos, até que uma ambulância o levou às 7:00 da tarde para o hospital militar na cidade de Dakhla/Sahara Ocidental, onde foi submetido a exames rápidos para ser más tarde forçado a abandonar o hospital, apesar do seu estado de saúde requerer atenção médica e cuidados intensivos.

“Haidala Almousawi” achou estranho estas medidas, que qualifica de inumanas, questionando-se das razões pelas quais o médico do hospital militar lhe ordenou que abandonasse o hospital apesar de ter vários ferimentos, e depois a gendarmaria marroquina insistir em o intimar pedindo-lhe que regressasse ao local da explosão da mina para ouvir o seu testemunho e completar o processo de averiguações, apesar das suas feridas não terem sarado.


Fonte: CODESA