quarta-feira, 6 de abril de 2011

EUA descarta Marrocos do Sahara Ocidental (I)


O Parlamento Europeu tem em seu poder um relatório redigido pelo actual presidente do Banco Mundial quando era Secretário de Estado de Comércio dos Estados Unidos, em que não se reconhece direitos de Marrocos sobre o Sahara Ocidental. Para que o acordo de Livre Comércio fosse firmado com os EUA, o relatório pedia que se excluísse qualquer negociação sobre o território saharaui. O documento servirá de informação política para os novos tratados comerciais da UE e Marrocos. E irá naturalmente condicioná-los.
Consulte a carta do Secretário de Estado do Comércio dos Estados Unidos (de 2004) sobre o acordo de Livre Comércio alcançado entre Marrocos e os EUA em que se defende que o Sahara Ocidental fosse excluído (Tradução para o espanhol).


Robert Zoellick, ex-Secretário de Estado do Comércio dos EUA e agora presidente do Banco Mundial

Há uns dias Hillary Clinton reconhecia como “séria e credível” a proposta de autonomia apresentada por Marrocos para resolver o futuro do Sahara Ocidental. No entanto, o Parlamento Europeu teme em seu poder um relatório datado de 20 de Julho de 2004, juntamente com muitos outros documentos, que podem fazer «abanar» os acordos comerciais que Marrocos previa subscrever em poucas semanas. No relatório norte-americano reconhece-se que o tratado de livre comércio que acabava então de ser firmado entre os Estados Unidos e Marrocos excluía o Sahara Ocidental, que tinha outro status, mas nunca dentro do território marroquino.

Ou seja, que nas importações e exportações que se viessem a produzir a partir ou com destino ao Sahara Ocidental nada teria que ver com a administração de Marrocos. E isto não foi cumprido. O documento foi revelado agora, oito anos depois, e clarifica a posição dos Estados Unidos em relação ao Sahara Ocidental no âmbito comercial, o mesmo que se discute agora no Parlamento Europeu. O referido relatório está assinado por Robert Zoellick, actual presidente do Banco Mundial, que em 2004 exercia o cargo de Secretário de Estado de Comércio dos EUA.

O documento tem o carácter oficial da Casa Branca e, agora nas mãos do Parlamento Europeu, condicionará, por certo, os acordos comerciais que a União Europeia e Marrocos devem firmar. Segundo pudemos constatar nas últimas horas, é possível que constitua uma base política firme, por questões de fundo relacionadas com a diplomacia, e que poderão vir a fundamentar a decisão. O documento, segundo soube a GuinGuinBali, passou por alguns departamentos das Nações Unidas e, embora surpreendidos, vem apoiar as teses defendidas nos finais da década de 90 e que Marrocos procurou contrariar com o apoio da França: o Sahara Ocidental é um território em disputa, cujos recursos naturais não devem ser objecto de comércio internacional se uma das partes for Marrocos.

Dentro do Parlamento Europeu muitos países não estão de acordo com a marroquinidade do Sahara e isso tem conduzido ao atraso na celebração dos tratados comerciais. Agora, uma vez revelado o relatório norte-americano, as autoridades europeias têm ante si uma “batata quente” de difícil solução, dado que renovar o acordo é renovar um tratamento injusto do ponto de vista jurídico e comercial. O Parlamento Europeu e a Comissão (da UE) estão divididos, após o estudo da informação analisada. O peso da Espanha e, sobretudo, da França tem-se diluído nas últimas semanas, à medida que foi sendo recolhida nova informação. A relação entre a UE e Marrocos parece passar para as mãos da posição centro-europeia, mais sensível a diferenciar o Sahara Ocidental de Marrocos.

Segundo fontes da Frente Polisario, o curso dos acontecimentos poderá ter um novo , e inesperado, desfecho. “Se a Secretaria de Estado de Comércio dos EUA e aquele que é hoje presidente do Banco Mundial reconhecem que o Sahara Ocidental não é Marrocos, tudo mudou”. Embora com prudência, reconhecem que “é uma pequena vitória; mas agora falta que a UE se pronuncie”.

Este novo lote de informação, durante tanto tempo sonegada, aparece no momento perfeito para os saharauis. Dentro de apenas quinze dias serão retomadas as negociações entre a Frente Polisario e Marrocos e a Europa traçou como prazo limite o mês de Julho para resolver os seus acordos comerciais com o reino alauita, que vê como o seu castelo de cartas, construído durante tantos anos, começa a abanar. Por sua vez, no final deste mês de Abril o Conselho de Segurança votará se a MINURSO deve velar pelos Direitos Humanos no Sahara Ocidental ou se devem continuar a olhar para o lado. Brasil e Índia estão a pressionar fortemente para que assim seja e contam com o apoio do Reino Unido e da Rússia.


T.S./J.M.
GuinGuinBali

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ONG de Aminatou Haidar inicia campanha para libertar os presos saharauis


O Colectivo dos Defensores Saharauis dos Direitos Humanos (CODESA), a que preside Aminatou Haidar, iniciou hoje uma campanha internacional para a libertação dos saharauis detidos após o desmantelamento do acampamento de protesto saharaui de Gdaim Izik, em Novembro último.

O CODESA afirma em comunicado que iniciou esta campanha porque dezenas de presos permanecem nos cárceres de El Aiún (Sahara Ocidental) e de Salé (Marrocos), estando 20 deles ameaçados de serem julgados perante um tribunal militar.

Para a ONG, a campanha surge na sequência de inúmeros relatórios internacionais que pedem a libertação destes presos e ante "a luta e o sofrimento" das suas famílias.

O colectivo saharaui apela "as organizações internacionais de direitos humanos e aos defensores da liberdade a participar nesta campanha".


Apelo veemente à solidariedade internacional

O CODESA faz um apelo veemente ao apoio internacional para a libertação dos detidos após o violento desmantelamento do Acampamento de “Gdeim Izik” nas redondezas de El Aiun (Sahara Ocidental) realizado pelo Estado marroquino na segunda-feira, 8 de Novembro de 2010. Esta acção foi acompanhada por uma maciça campanha de sequestros e detenções arbitrárias de centenas de civis saharauis, incluindo menores, anciãos, mulheres e pessoas incapacitadas, muitos dos quais se encontram ainda privados de liberdade na prisão de Aiun e no presídio de Salé (Marrocos). Nesta prisão encontram-se 20 presos saharauis cujas causas foram remetidas para a jurisdição militar.

Dada a insistência do Estado marroquino em persistir nas detenções arbitrárias e a continuação dos actos de tortura e maus tratos que constituem continuas violações dos directos humanos internacionalmente reconhecidos, tendo em conta tanto os relatórios internacionais a favor da sua libertação como o contínuo sofrimento das famílias dos detidos, o Colectivo de Defensores de Direitos Humanos Saharauis CODESA anuncia a Campanha internacional: LIBERDADE PARA OS DETIDOS DE GDEIM IZIK

O CODESO apela à participação na campanha tanto das pessoas a nível individual como às Organizações Internacionais defensoras dos direitos humanos

El Aiun, Sahara Ocidental, 3 de Abril de 2011

Coordenador da Campanha: Mohamed Salem Elakhal (Membro do CODESA)
Porta-voz da Campanha: Aminatou Haidar (Presidente do CODESA)
Correio electrónico da campanha: lp.gdeimizik@gmail.com
Telefone de contacto: 77 77 99 48 6 (0) 212 00

Centro Robert F. Kennedy solicita à ONU que estabeleça mecanismo de acompanhamento dos direitos humanos no Sahara Ocidental


O Centro Robert F. Kennedy de Justiça e Direitos Humanos (RFK Center, com sede em Washington) apelou ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, para que recomende no seu próximo relatório sobre a situação no Sahara Ocidental a criação de um mecanismo de monitoramento e vigilância dos direitos humanos.

Antevendo para os próximos dias a análise e discussão pelo Conselho de Segurança do mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), o Centro RFK e a presidente do Colectivo dos Defensores dos Direitos Humanos Saharauis (CODESA), Aminatou Haidar, enviaram uma carta conjunta ao chefe da ONU pedindo a introdução de um mecanismo de acompanhamento "permanente e imparcial" dos direitos humanos no mandato da MINURSO.

Desde 1975 — sublinham as duas organizações —, "o Governo marroquino tem ocupado o território do Sahara Ocidental". E recordam: "a MINURSO foi criada em 1991 para supervisionar um cessar-fogo entre Marrocos e a Frente Polisário e organizar um referendo sobre a autodeterminação, que ainda não ocorreu."

"A situação de incerteza política nos territórios saharauis ocupados e a falta de uma vigilância internacional imparcial dos direitos humanos tem tido consequências desastrosas sobre os direitos do povo saharaui", deploram aquelas duas organizações.

Recordando a agressão militar desencadeada pelas forças marroquinas em Novembro do ano passado contra o acampamento de Gdeim Izik, que provocou várias mortes entre os saharauis, o Centro Robert F. Kennedy refere que as provas e testemunhos "consistentes e inquietantes" que recolheu durante a sua estada em El Aiun depois desses acontecimentos", confirmaram os relatórios já elaborados sobre a violência contra a população saharaui no seguimento do desmantelamento do acampamento."
Aminatou Haidar, presidente do CODESO

Durante sua visita a El Aiun, prossegue o texto da carta, "o Centro Robert F. Kennedy encontrou provas de prisões e detenções arbitrárias, o uso excessivo da força e um clima de repressão generalizado no Sahara Ocidental".

“Os resultados (da nossa investigação) demonstram a urgente necessidade de estabelecer uma presença contínua, imparcial e internacional encarregada de vigiar a situação dos direitos humanos. Pedimos-lhe respeitosamente que leve isso em consideração quando escrever o seu relatório que antecederá a renovação do mandato da MINURSO em Abril" referem as duas organizações.

Recordando as preocupações que o SG da ONU havia expressado no seu relatório de 2005 sobre as violações dos direitos humanos no Sahara Ocidental, o Centro Robert F. Kennedy lembra que esse mesmo relatório afirmava que "se MINURSO 'não tem nem o mandato nem os recursos para resolver este problema, a verdade é que a ONU está incumbida de defender os padrões internacionais dos direitos humanos ".

Assim, a carta enfatiza que "é essencial que a ONU tome medidas para aplicar estes princípios, a fim de proteger os direitos do povo saharaui".

O Centro Robert F. Kennedy e o CODESO lembram que "o Departamento das Nações Unidas para a Manutenção da Paz (DOMP) considera o respeito pelos direitos humanos como essencial para alcançar uma paz duradoura e global", lembrando aquelas duas organizações que a MINURSO é a única missão de manutenção da paz das Nações Unidas que actua sem estar mandatada para vigiar os direitos do homem o que é "contrário aos princípios gerais” desse próprio Departamento das Nações Unidas.

"Como o mandato da MINURSO deve ser renovado durante o mês de Abril, a sua liderança é necessária para proteger os direitos humanos e o primado do direito para o povo saharaui, através da criação desse mecanismo", insistem ainda na sua carta o Centro Robert F. Kennedy e o CODESO. (SPS)

domingo, 3 de abril de 2011

Comunidade Internacional calada perante a greve de fome de Mohamed Halab


O jovem saharaui foi internado ontem no Hospital de Rabouni, nos acampamentos de refugiados, após 26 dias em greve de fome. As autoridades de Marrocos impedem-no de visitar os seus pais e irmãos que vivem na capital do Sahara Ocidental ocupada, El Aiún.


Mohamed Halab permanece internado no Hospital Nacional de Rabouni (acampamentos de refugiados saharauis, a sudoeste da Argélia) em estado crítico de saúde. Depois de 26 dias de greve de fome na base do ACNUR, o jovem saharaui está há 24 horas em observação. Enfermeiras e médicos do hospital cuidam da sua saúde, enquanto lhe administram glicose.

Na passada segunda-feira, 28 de Março, Mohamed Halab começou a ter vómitos e o seu nível de açúcar desceu para 50 (o normal na sua idade é entre 90 e 100), ante tal situação os médicos acharam necessário levá-lo de urgência para o hospital, uma vez que ele corria o risco de entrar em estado de coma hipoglicémico.

Mohamed Halab, de 24 anos, iniciou a sua greve de fome no dia 7 de Março, após ter tido conhecimento da recusa marroquina em o incluir no Programa de Medidas de Confiança (CBM, na sigla em ingês) levado a cabo pelo ACNUR. A decisão de empreender esta acção resulta da arbitrariedade de o excluir do programa de visitas familiares. Esta era a segunda vez que Mohamed Halab procurava visitar os seus pais, seus três irmãos e uma irmã que residem em El Aiún.

Programa de Medidas de Confiança

O programa que leva a cabo o Alto Comissariado das Nações Unidas desde 2004, tem por objectivo o reencontro de famílias separadas pelo chamado “Muro da Vergonha” de 2.500km. Esta estrutura militar, finalizada em 1986, separa o Sahara Ocidental ocupado por Marrocos, dos Territórios Libertados e dos acampamentos de refugiados situados em território argelino.

Mohamed Halab

Nascido na cidade de El Aiún em 1986, Mohamed Halab viu-se obrigado a abandonar o território ocupado na sequência das detenções e perseguições de que era alvo por parte das autoridades marroquinas de ocupação por participar em manifestações pacíficas. Desde sempre, Mohamed tem lutado pelo cumprimento dos direitos humanos e a autodeterminação do povo saharaui.

Em 2003 cruzou o muro para residir nos acampamentos de refugiados, onde tem permanecido até hoje. Entre 2005 e 2009 residiu na Líbia onde se formou em Ciências Políticas. Após o seu regresso, forma parte do Conselho da AFRAPREDESA (Associação de Familiares de Presos e Desaparecidos Saharauis) e, em Junho de 2010, é eleito responsável pela Comunicação da organização,

Para mais informação:

Abdeslam Omar, Presidente de AFRAPREDESA
Tlf. 0667 260 277

Arantxa Calero, membro da AFRAPREDESA

aranzazucalerocuenca@gmail.com
Tlf. 0668 760 499

Jordi González, jornalista
jgkapel@gmail.com
Tlf. +0034 667 535 851

Fonte:
www.saharathawra.com
territoriosocupadosminutoaminuto.blogspot.com
649 170 302

sábado, 2 de abril de 2011

União Nacional das Mulheres Saharauis pede a António Guterres que intervenha face à grave situação do jovem em greve de fome por querer visitar a sua família em El Aiún


A União Nacional das Mulheres Saharauis pediu ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Antonio Guterres, que intervenha junto de Marrocos dada a grave situação por que passa Mohamed Hassana Mohamed Yehdih (Hal-lab) em greve de fome desde o passado de 7 de Março por negarem-lhe a possibilidade de visitar a sua família no âmbito do programa de visitas supervisionado pela ACNUR.

"Desde esta ONG fazemos um apelo a que intervenha nesta grave situação humanitária e solicite às autoridades marroquinas a que assumam a sua responsabilidade em relação a este problema, e permitam a Mohamed Hassana Mohamed Yehdih o seu direito de visitar os seus pais e a sua família, um direito garantido pela lei e protegido pelos organismos internacionais que V. Exas. representam", afirma Fatma Mehdi, secretária-geral da UNMS em carta dirigida quinta-feira a António Guterres.

A UNMS recorda o sofrimento da família de Hal-lab, em particular a sua mãe, Bnina Mohammed Abdullah, que se encontra em El Aiún ocupada, na expectativa de receber a visita do seu filho.

Mohamed Hassana Yahadid é um refugiado saharaui que vive nos acampamentos de refugiados, a quem foi recusado reencontrar-se com os seus familiares do Sahara Ocidental através do programa de visitas que leva a ACNUR desde 2004.

A recusa deve-se a alegações apresentadas pelo Governo marroquino em violação do direito internacional. Hal-lab, que cumpre hoje 26 dias em greve de fome, teve que ser hospitalizado no Domingo passado devido ao seu grave estado de saúde.

Portugueses inauguram escola num campo de refugiados saharauis


O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) inaugurou esta quinta-feira uma nova escola no campo de refugiados saharauis em Dajla, no deserto da Argélia. Instituição de ensino está preparada para acolher 630 alunos, avança a Lusa.

Uma delegação portuguesa deslocou-se ao país africano para a inauguração da escola, completamente restaurada por iniciativa do CPPC, graças à «ajuda solidária, material e financeira, de vários municípios e organizações portuguesas», referiu à Lusa Vítor Silva, vice-presidente da direcção do CPPC.

A escola agora criada «está preparada para acolher diariamente, em dois turnos, 630 alunos entre os 10 e os 15 anos. Terá cerca de 20 salas de aulas», precisa Vítor Silva.

O espaço, reconstruído após uma rara enxurrada ter destruído há quatro anos o antigo edifício «feito de tijolos de areia», também vai acolher crianças de outro campo de refugiados.

Em Dajla existem diversos acampamentos de refugiados saharauis que acolhem cerca de 165 mil pessoas numa região hostil e quase sem recursos.