sábado, 13 de outubro de 2012

12 outubro: panfletos e pichagens invadem El Aaiun no dia da Unidade Nacional Saharaui



A cidade de El Aaiun amanheceu com as suas ruas cobertas por centenas de panfletos e grafitis nas paredes da cidade como motivo do dia da Unidade Nacional Saharaui — o 12 de outubro.

A operação foi levada a cabo durante as 24 horas anteriores com uma profusa distribuição de centenas de panfletos, pichagens nas paredes e muros e a colocação de dezenas de bandeiras nacionais saharauis em sedes de instituições e edifícios da administração da ocupação marroquina. Foram muitos os bairros que foram alvo desta operação de ativismo contra o regime marroquino, mas em particular o bairro El Inach, o bairro El Auda, Bucraa, La paz, Hizam, o subúrbio de Maatala, o mítico bairro de Zemla, Casa Piedra e o Aeroporto.

A ampla agitação teve por objetivo comemorar o 37.º Aniversário do Dia da Unidade Nacional Saharaui, surgida após a dissolução das Cortes saharauis (Yemaa) que representavam a ex-colónia nas Cortes da Espanha Franquista e a adesão de todo o povo saharaui em torno do seu único e legítimo representante, a Frente Polisario.


Face a estas mobilizações na cidade, as autoridades marroquinas de ocupação mobilizaram os seus agentes policiais e dos serviços secretos, revelando as suas leis marciais através da montagem de barricadas de controlo dispersas toda a cidade e investindo a sua violência contra a população como forma de intimidação.

*Fonte: Rede Informação Radio Maizirat e Poemario por un Sahara Libre

"A visita de Hervé Ladsous demonstra o interesse da comunidade internacional pela questão do Sahara Ocidental" – refere Coordenador Saharaui junto da MINURSO)


O SG da ONU e Herve Ladsous
 A visita do Secretário-Geral Adjunto da ONU para as Operações de Manutenção da Paz, Herve Ladsous, à região demonstra "o interesse da comunidade internacional em relação à questão do Sahara Ocidental," afirmou M’Hamed khaddad, coordenador saharaui junto da MINURSO.

"A visita do Sr. Ladsous é importante porque se realiza uns dias antes da apresentação do relatório do Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, sobre o processo de negociações entre a Frente Polisario e Marrocos e sobre os obstáculos que impedem a MINURSO de cumprir a sua missão como todas as missões de manutenção da paz das Nações Unidas no mundo", acrescentou.

As recentes visitas da delegação del RFK Center, do relator da ONU sobre a Tortura e da Comissão Africana de Direitos Humanos são a expressão de que "os temas de direitos humanos caminham na direção correta" afirmou Khaddad.

O Presidente da República e SG da Frente Polisario, Mohamed Abdelaziz, recebeu esta quinta-feira o secretário-geral adjunto da ONU para as Operações de Paz.

O Representante da ONU encontra-se de visita aos acampamentos saharauis para supervisionar no terreno os trabalhos que realiza a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental, (MINURSO).

"Durante a reunião, Mohamed Abdelaziz pediu que se permita à MINURSO cumprir plenamente com a sua missão e o seu mandato nos territórios saharauis ocupados no menor tempo possível".

O presidente da República saharaui referiu que a visita do secretário-geral adjunto da ONU para as Operações de Paz é a primeira deste tipo desde há muito tempo, tendo, através do seu interlocutor, convidado o SG da ONU, Ban Ki-moon, a visitar o Sahara Ocidental e os acampamentos de refugiados.

Hervé Ladsous, diplomata francês nascido em 1950, desempenha desde 02 de setembro de 2011 o cargo de Secretário-geral adjunto das Nações Unidas para as Operações de Paz.

(SPS)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Chefe das Operações de Paz da ONU visita o Sahara Ocidental


Hervé Ladsous
O Secretário-Geral Adjunto de Operações de Manutenção da Paz da ONU, Hervé Ladsous, chegou na quarta-feira ao Sahara Ocidental para monitorar o trabalho de campo realizado pela Missão das Nações Unidas nesse território (MINURSO).

Ladsous mostrou-se "encantado" com a sua viagem, a primeira de um Chefe de Operações de Paz ONU em 14 anos. "Quero encontrar-me com nossos observadores militares que, apesar das condições difíceis, estão fazendo um trabalho digno", disse, de acordo com um comunicado divulgado pela organização.

A primeira paragem deste périplo de três dias foi a cidade saharaui de El Aaiun, ainda que aquele responsável planeie visitar outras duas outras instalações da MINURSO no território. Hervé Ladsous deslocar-se-á depois à capital marroquina, Rabat, e aos campos de refugiados de Tindouf, na Argélia.

A MINURSO, atualmente dirigida pelo alemão Wolfgang Weisbrod-Weber, enviado especial da ONU para o Sahara Ocidental, foi criada em 1991 com a intenção de monitorar um cessar-fogo na ex-colónia espanhola e preparar um referendo de autodeterminação que, mais de duas décadas depois, ainda não se vislumbra.

Desde 1976 que as Nações Unidas desenvolvem esforços para resolver a situação do Sahara Ocidental, coincidindo com a confrontação entre Marrocos e a Frente Polisário, responsável pela autoproclamação da República Democrática Árabe Saharaui (RASD).

2012/10/10 (Europapress)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Gdeim Izik (10/10 a 08/11 de 2010): o testemunho de quem lá esteve…



Antonio Velázquez, um jovem mexicano, solidário com a luta do povo saharaui, viu nascer no meio do deserto aquele que viria a ser o acampamento da dignidade saharaui: Gdeim Izik. Durante um mês viveu essa experiência, irmanado com cerca de 20 mil saharauis, de todas as idades, naquela que viria a ser a maior manifestação pacífica na história do Sahara Ocidental. Durante esse tempo alí viveu, até o acampamento ser violentamente destruído pelas forças militares e policiais marroquinas. Eis o seu testemunho

Levantava-se a primeira “jaima” (tenda tradicional dos nómadas do deserto) no meio do deserto do Sahara Ocidental. E com ela se ergueram os sonhos de milhares de saharauis que, desde há 38 anos, gritam ao mundo pela liberdade; nestes tempos em que o mundo está surdo, cego e desapiedado de coração, devido ao poder de uns quantos. As saharauis e os saharauis abandonaram as suas casas nas cidades ocupadas por Marrocos para montar um acampamento que, dias depois, se converteria na maior manifestação pacífica na história do Sahara Ocidental; o acampamento de Gdeim Izik.
Embora tenha sido desmantelado violentamente pelos militares, quase um mês após o seu início, com este acampamento as mulheres e os homens saharauis conseguiram mostrar ao mundo que estão unidos, que são uma mesma voz, que estão dispostos a continuar lutando para conseguir o seu objetivo de liberdade total. Gdeim Izik; significa um antes e um depois no conflito do Sahara Ocidental, marcando profundamente um anseio comum, dando uma lição para as gerações mais jovens, um ‘respirar’ da repressão quotidiana do regime marroquino.
A recordação de Gdeim Izik é doce, intensa, e também triste, onde a esperança acariciou os mais belos sonhos de um povo que continua à espera que, em breve, verá crescer a semente da independência. Essa semente; regada e cuidada com ações pacíficas para reivindicar o simples direito de existir como saharaui.
Atualmente, muitos dos meus companheiros que estiveram nesse acampamento estão privados da sua liberdade. Para eles e para as suas famílias, o meu amor, o meu respeito e reconhecimento. Estão presos porque a sua razão e os seus ideais são um motor para todas e todos os saharauis e amigos da sua causa. Mas eles estão livres entre nós e dentro de nós, são ativistas defensores da verdade e, mais cedo que tarde, estarão desfrutando de um grande Gdeim Izik, no Sahara Ocidental livre.
Não existe sentimento que aglutine tantas sensações, como é o resistir e estar a ponto de conseguir a vitória; isso foi Gdeim Izik.
Quando falo de resistência saharaui, refiro-me à poesia do deserto, ao olhar dos anciãos, ao sorriso das crianças, à música militante que deu colorido ao sacrifício de estar em Gdeim Izik. Sacrifício que qualquer um de nós, que ali estivemos, voltaríamos a viver.
Escrito por Antonio Velázquez, mexicano, membro do acampamento Gdeim Izik.

Para conhecer a história de Gdeim Izik, recomendo este documentário de 27 minutos:


Diplomatas da embaixada britânica em Marrocos visitam El Aaiún



Funcionários da Embaixada Britânica em Rabat, Marrocos, realizaram uma visita à cidade saharaui ocupada de El Aaiun desde a manhã de segunda-feira, dia 8 de outubro, com o objetivo de observar a situação das violações de direitos humanos e elaborar um relatório detalhado sobre a situação na região, relatório que será apresentado ao embaixador britânico acreditado em Marrocos, Timothy Morris.

Timothy Morris, 
embaixador britânico
Segundo a Radio Maizirat, a delegação entrevistou-se com ativistas saharauis de direitos humanos, encontros confirmados pelo Secretariado Executivo do Coletivo de Direitos Humanos saharauis e que tiveram lugar na casa da defensora de direitos humanos saharaui Aminetu Haidar e de Larbi Masaud, Secretário-Geral do Coletivo de Direitos Humanos saharauis. No encontro, que durou duas horas, foi abordada a situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental e a necessidade do Estado marroquino respeitar os direitos humanos na região.
A delegação britânica reuniu-se ainda com vários representantes da MINURSO, completando a sua ronda de encontros já na manhã de terça-feira, 09 de outubro, avistando-se com representantes do Secretariado Executivo da ASVDH (Associação Saharaui de Vítimas de Graves Violações de Direitos Humanos Cometidas pelo Estado Marroquino).

*Fonte: Rede Informação Radio Maizirat

Violenta intervenção policial contra operários saharauis na sede do Conselho marroquino de Direitos Humanos em El Aaiún

Forças policiais marroquinas em El Aaiún

Os ativistas de direitos humanos saharauis Larbi Mesaud, do CODESA, e El Heiba Elmah, presidente da organização saharaui “Sol de Liberdade”, denunciam o facto  de as autoridades de ocupação marroquinas terem atuado com brutal violência contra famílias saharauis que tinham ocupado a sede do Conselho de Direitos Humanos em El Aaiun para protestar contra a decisão da administração de lhes cortar o salário e tirar-lhes o trabalho.

A brutal operação foi conduzida pelo próprio “pachá” da cidade à frente de agentes e oficiais da segurança e servições secretos marroquinos que usaram da maior violência contra as famílias que protestavam pacificamente, onde se encontrava uma mulher grávida e mães com vários bebés. A brutal atuação produziu-se na presença do destacado defensor de direitos humanos saharaui Larbi Mesaud e de um ativista marroquino da Associação de Direitos Humanos em El Aaiun ocupada.

Da brutal carga policial resultaram vários feridos saharauis — na maioria mulheres com crianças —, entre os quais Bilal Abdullah, Cherkawi Saadia, Amanaten Elgalia, Labeidi Mariam e Tahiri Jadiyetu.

De salientar que a delegação marroquina de direitos humanos em El Aaiun, em colaboração com as autoridades, agiu deliberadamente chamando a polícia para intervir dessa maneira selvagem e desumana, incompatível com os princípios básicos da Declaração Universal dos direitos Humanos, contra civis indefesos que reivindicavam os seus direitos na sede de uma organização que alegadamente representa as vítimas que sobreviveram aos anos chamados escuros.

Fonte: Rede de Informação Radio Maizirat