sábado, 23 de março de 2013

Atividade de Christopher Ross em El Aaiun

O Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, que chegou ontem à capital do território vindo de Rabat, retomou os seus contatos com a sociedade saharaui. Recebeu na sede da MINURSO delegações das organizações dos Direitos Humanos saharauis, CODESA (ontem) e da ASVDH, bem como uma representação da Associação para a Defesa dos Recursos Naturais do Sahara Ocidental.

A chegada do diplomata da ONU ao território do Sahara Ocidental fez desencader um estado de alerto por parte das forças de ocupação. Forças policiais e do exército marroquino patrulham os bairros da cidade. Dispositivos de interferência contra telecomunicações por telemóveis foram instalados em diversos pontos da cidade.

Christopher Ross com Aminatu Haidar e outros membros do CODESA
Com membros da ASVDH e do CODAPSO
Com membros do Comité de Defesa dos Recursos Naturais Saharauis 
Camião do exército marroquino com dispositivo de interferência
de comunicações de telemóvel

Fonte: diasporasaharaui.blogspot




Europa já não acredita nas promessas marroquinas




As negociações para um novo acordo de pesca falharam, pela enésima vez, devido à recusa marroquina de incluir uma cláusula que permitia à população do Sahara Ocidental beneficiar das receitas do acordo. Um gesto que reflete as reticências da instituição europeia a reconhecer a soberania de Marrocos sobre o antigo Sahara Espanhol.

Num relatório sobre a política de vizinhança com Marrocos, a Comissão Europeia sublinha que Marrocos promete coisas, mas no momento de pôr em aplicação as suas promessas, as autoridades marroquinas fazem marcha atrás.

O relatório anual « Mise œuvre de la Politique Européenne de Voisinage au Maroc : Progrès réalisés en 2012 et actions à mettre en œuvre » publicado no dia 20 de março aborda com precisão cirúrgica todos os aspetos da política marroquina e sublinha a falta de seriedade nos compromissos de Marrocos.

O Comissário Europeu Stefan Füle

A falta de credibilidade de Marrocos junto da União Europeia foi também objeto de uma declaração do Comissário Europeu para o Alargamento e a Política Europeia de Vizinhança, Stefan Füle, a propósito da recente expulsão de quatro eurodeputados que pretendiam visitar o Sahara Ocidental. A este propósito Stefan Füle pediu às autoridades marroquinas de fazerem prova de «maior sinceridade» nas suas relações com as instituições europeias.

"As autoridades desse pais devem fazer prova de maior sinceridade nas suas relações com as instituições europeias . Não devem haver tabús nas nossas relações com Marrocos e este país deveria abstar-se de colocar obstáculos à sidas e vindas de membros do Parlamento europeu ou de qualquer outra instituição europeia que queira fazer uma qualquer missão em Marrocos", acrescentou.


Na Argélia dizem que Marrocos deu refúgio aos dirigentes jihadistas de Ansar Dine e Mujao

Combatentes do grupo terrorista Mujao
na cidade maliense de Gao (arquivo)
Até agora só a Frente Polisario tinha acusado o Governo de Marrocos de relacionar-se com movimentos jihadistas com o intuito de mover tentáculos a favor da sua estratégia expansionista no Sahara Ocidental. Mas agora, também desde a Argélia surgem vozes que acusam o majzen de ter dado refúgio em território marroquino a dirigentes do Ansar Dine e Mujao, os grupos jihadistas mais extremistas do Mali e que são o inimigo a abater pela força de intervenção francesa que continua a combater na região de Azawad em apoio aos seus aliados do Governo de Bamako.

A acusação não veio de nenhum membro do Governo argelino mas do diário digital argelino Echorouk que, no entanto, está muito identificado pelos analistas do Magreb como um meio com fontes privilegiadas na inteligência argelina, o que contribui para que, raramente, não acerte no “alvo”. Este diário assegura que dois dirigentes do Ansar Dine (entre eles o seu máximo líder Iyad Ag Ghali) e outros quatro cabecilhas do Mujao, “se exilaram em Marrocos onde se lhes proporcionou uma estadia segura longe de todas as luzes até que acabe a guerra no Norte do Malí. ̈

O Mujao (Movimento da Unicidade e da jihad na África Ocidental) é um grupo alegadamente surgido de uma cisão no Al Aqmi (a franquia da Al Qaeda no Magreb) que adquiriu notoriedade em Espanha por ter reivindicado o sequestro de três cooperantes que desenvolviam trabalho humanitário nos acampamentos saharauis da Frente Polisario em Tindouf: os dois espanhóis Ainhoa Fernández de Rincón e Enric Gonyalons e a italiana Rossella Urru.

Iyad Ag Ghali, líder do grupo terrorista 
Ansar Dine, alegadamente refugiado 
em Marrocos

Ansar Dine é um grupo supostamente integrado inteiramente por tuaregs que surgiu em oposição ao avanço fulminante do MNLA (Movimento Nacional de Libertação de Azawad) que, em menos de três meses de combates, expulsou o exército do Governo de Bamako do norte do país e, desafiando a França, declarou a independência da Azawad. Mas assim como o MNLA se declara laico e rejeita a imposição da Sharia, o Ansar Dine pegou em armas para combatê-lo propondo um programa que pretendia estabelecer a lei islâmica não apenas no norte mas também no sul do Mali e - o que é chamativo -, rejeitar a secessão proclamada pelo MNLA.

O diário argelino assegura que os dirigentes dos dois grupos terroristas, que supostamente obtiveram proteção do majzén, chegaram a Marrocos “cruzando o Sahara” e que empreenderam a fuga antes do início da intervenção francesa no Mali. A publicação argelina sublinha que o Mujao mantem excelentes relações com o Governo marroquino e relaciona com isso o facto de que “concentrava as suas atividades terroristas apenas contra a Argélia”. O jornal invoca que, além do sequestro em outubro de 2011 nos acampamentos saharauis, as suas outras ações conhecidas são os atentados com carro-bomba nas cidades argelinas de Tamanrasset e Uargla, e o sequestro de sete diplomatas argelinos destacados no consulado do seu país na cidade maliense de Gao.

A publicação sublinha também que a condição que Marrocos impôs aos fugitivos para lhes conceder o refúgio foi que abandonassem Abu Zeid e Mojtar ben Mojtar, os dois dirigentes da Al Qaeda e que as tropas chadianas asseguram ter abatido (ainda que, todavia, continue pendente a confirmação através de análises de ADN). Para esta publicação, os dirigentes de Ansar Dine e Mujao cumpriram esta exigência e isso contribuiu para a queda dos dois dirigentes da Al Aqmi.

Chama a atenção que, apesar da importância que tem a informação, na versão francesa e inglesa do “Echorouk”, o texto aparece bastante mais curto. Na versão árabe, por exemplo, o texto é mais extenso e aborda um tema em que se relaciona a fuga para Marrocos dos dirigentes destes dois grupos com o fracasso de Marrocos de tentar ganhar a confiança “das tribos do sul de Argélia”, que é como neste país costumam referir-se à minoria tuareg. No caso de Mujao, mais que uma fuga haveria que falar-se antes de um “regresso” já que, segundo Echorouk, é de Marrocos de onde saíram os seus militantes antes de se darem a conhecer pelas suas ações no sul da Argélia.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Contingentes de polícias marroquinos chegam ao Sahara ocupado



Correspondentes de Rede Radio Maizirat com sede na cidade ocupada de El Aaiún, informam que grandes contingentes de forças policiais marroquinas entraram nas últimas horas nos Territórios Ocupados do Sahara Ocidental, pouco tempo antes da chegada de Christopher Ross, e que se dividiram por várias cidades, em particular por El Aaiún e Dakhla, urbes que, em princípio, serão visitadas pelo Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental.

A mesma fonte assegura que existe praticamente um cerco à cidade de Dakhla, com forte deslocação de efetivos das forças policiais, de segurança e militares.

Christopher Ross diz que não dispõe de nenhum novo plano de resolução



O Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, deixou claro em Rabat que não é portador de nenhuma nova proposta para encontrar uma solução para o conflito que opõe Marrocos ao movimento independentista Frente Polisario.

Ross interveio ontem à noite em Rabat numa alargada reunião com políticos saharauis pro- marroquinos (quatro deles deputados) que se prolongou até de madrugada e a que assistiu também o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros Saadedín Otmani, segundo afirmou à Efe um dos participantes na reunião.

O diplomata norte-americano foi questionado concretamente se era portador de alguma proposta para aproximar as duas partes, ao que respondeu que não há nenhum “projeto Ross” nem veio neste périplo pela região apresentar uma nova proposta.

Sem aludir expressamente, Ross descartou assim a versão publicada nos últimos dias de que estava a considerar propor uma fórmula de federação ou confederação entre Marrocos e o Sahara como modo de superar o atual bloqueio.

Marrocos recusa-se a que o referendo de autodeterminação acordado entre as partes contenha a opção da independência, e só aceita que nessa eventual consulta se pregunte aos saharauis por uma fórmula de autonomia, enquanto a Polisario exige essa possibilidade de optar pela independência. Essa discrepância mantem o processo bloqueado desde há vários anos.

Na reunião com os políticos saharauis pro-marroquinos, Ross ouviu as suas intervenções das cerca de 50 pessoas presentes, a quem recordou que ele não pensa “impôr nenhuma solução” a nenhuma das partes, e que o seu objetivo continua a ser o de ouvir todas as vozes e aproximar na medida do possível as posições das duas partes.

Até agora Ross reuniu-se em Rabat com o presidente do Governo, Abdelilah Benkirán, os presidentes das duas câmaras parlamentares, o titular dos Negócios Estrangeiros e o presidente do Conselho Consultivo para o Sahara (CORCAS), mas não com o rei Mohamed VI, que se encontra ausente numa viagem pela África subsahariana.

O diplomata tem previsto viajar hoje para El Aaún, onde segundo fontes do CORCAS se reunirá com autoridades, organizações pro-direitos humanos e notáveis saharauis, para proseguir depois a sua viagem até à cidade de Dakhla (ao sul do Sahara Ocidental ocupado,  já próxima da fronteira com a Mauritânia) com um programa parecido.

Nenhuma fonte próxima de Ross nem das agências da ONU em Rabat quiser fornecer o mínimo detalhe sobre a agenda nem o programa de Ross neste périplo, o segundo à região depois de outubro.

Fonte: diariovasco.com

Cidade ocupada de Smara: ativistas saharauis fecham-se na sede da Minurso

Cidade de Smara, Sahara Ocidental


Em vésperas da chegada de Christopher Ross à capital ocupada do Sahara Ocidental cinco ativistas encerraram-se nas instalações da MINURSO na cidade de Smara.

Os cinco ativistas saharauis conseguiram entrar nas instalações durante a madrugada num claro intento de chamar a atenção do enviado pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental para denunciar a violação sistemática dos direitos humanos aos saharauis e exigir um encontro com ele.
Os ativistas, Dadi Hmada, Bujemaa Idrisi, Mohamed Saluki, Salah Albasir e Otman Thnakha, após terem entrado no edifício pediram proteção enquanto as forças de ocupação marroquinas rodearam as instalações.

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N. de R.: No momento da intrusão nas instalações, dois dos jovens ficaram feridos no arama farpado que protege os muros do quartel, mas uma vez terem penetrado, iniciaram uma greve de fome e pediram à Administração que lhes proporcionasse água, açúcar e medicamentos para poderem aguentar o tempo necessário até que consigam entrevistar-se com Ross.