quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Argélia «põe no eixos» a Agência France Presse



O porta-voz do ministério argelino dos Negócios Estrangeiros, Amar Belani, qualificou segunda-feira a firmação da AFP de que “a Argélia e Marrocos disputavam o Sahara Ocidental” como “desorientação desconcertante”.

“Afirmar que a Argélia e Marrocos disputam o Sahara Ocidental é uma desorientação desconcertante e fico surpreendido com tal aberração”, afirmou à agência argelina APF em reação ao despacho, datado de Paris, em que era anunciada a visita de François Hollande a Marrocos.

“A posição da Argélia é conhecida”, acrescentou, lembrando que a Argélia “não tem nenhuma pretensão ou reivindicação sobre o território do Sahara Ocidental para o qual propugna uma descolonização autêntica pelo exercício do povo saharaui ao seu direito inalienável à autodeterminação”.

A explicação para o desvirtuamento operado pela AFP talvez possa ser encontrado na visita de Christopher Ross à Argélia no quadro da procura de uma solução para o problema do Sahara Ocidental em conformidade com as sucessivas resoluções do Conselho de Segurança. Ou será a visita do Presidente francês a Marrocos que perturba o lobby pro-marroquino da AFP?

«A perigosa situação na região do Sahel e arredores exige uma solução mais urgente do que nunca»,  afirmou Christopher Ross, o Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental. Mas é à França que seria preciso dizer isso mesmo, ela que é responsável tanto pelo que acontece no Mali como no Sahara Ocidental.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O Sahara Ocidental esteve no Fórum Social Mundial (II)

Comunicado público


 Nosostras y nosotros, que integramos el grupo de facilitación de la Asamblea de Movimientos Sociales, venimos a público para informar sobre los hechos ocurridos al final de la asamblea realizada en el 29 de marzo de 2013, en el marco del Foro Social Mundial de Tunísia.

El programa de la Asamblea – que es una actividad auto-organizada y apoyada por más de 50 organizaciones que actuan en el FSM - fue bruscamente interrumpido por algunas y algunos delegados de origen marroquí. Los mismos invadiron la tribuna e intentaron por medios violentos impedir la ultima parte de la lectura de la propuesta de declaración, donde afirmamos que "defendemos el derecho de los pueblos a su autodeterminación y a su soberania como en Palestina, en el Sahara Ocidental y en el Curdistán".

La apertura de la palabra al público estaba prevista para después de la lectura pero eso no fue posible en consecuencia de las amenazas verbales y físicas destinadas a las y los animadores de la asamblea. Frente a la dificultad de continuar los debates, anunciamos el fin de la asamblea despues de terminar la lectura de la declaración.

Condenamos energeticamente tal episodio y recordamos a todas y todos que no es la primera vez que estes tipos de hechos suceden en el espacio del FSM. Tenemos registros de que personas quienes se identifican como integrantes de la sociedad civil, sea de Marruecos o de la diáspora marroqui en otros países de la Europa, ya realizaron actos similares en el Foro Social Mediterraneo, realizado en Cataluña, en el año 2005, y en el Foro Social Mundial 2011, en Dakar, donde durante la Asamblea de Mujeres, impidieron las afirmaciones en defensa del derecho a la autodeterminación de las mujeres saharauis. En Dakar, además, ocurrieron actos sistemáticos de provocación y disturbio de las actividades organizadas por la delegación saharaui.

Tal comportamento es inacceptable y en contradicción a los valores de libertad de expresión, democracia y respecto mutuo, expresos en la Carta de Princípios del Foro Social Mundial, y al principio de autodeterminacion de los pueblos. Estes acontecimientos deben ser tomados en cuenta en los momentos donde discutimos el futuro del FSM.

Reafirmamos nuestra solidaridad y nuestro compromiso militante con el pueblo saharahui y por el respeto de los acuerdos internacionales que reconocen sus derechos y reafirmamos nuestra postura politica contra la intolerancia y por un espacio de colaboración entre hombres y mujeres en la misma lucha. Exigimos a los gobiernos de Marruecos y de Tunisia la seguridad de las y los activistas del movimiento social de esos países y convocamos a todas y todos participantes del proceso FSM, comprometidos a su Carta de Princípios, a estar atentos a estes eventos y alertas para todas las iniciativas de solidaridad y de protección a las y los activistas internationales que no tienen miedo de defender la lucha del pueblo saharaui por su autodeterminación.

Tunis, 31 de marzo de 2013

CADTM (Comité pour l’Annulation de la Dette du Tiers Monde www.cadtm.org ) ;  -CUT (Central Única dos Trabalhadores) ; - FDIM ; - GGJ (Grass Roots Global Justice – USA http://ggjalliance.org/ ) ; - IAC ; - MMF (Marche Mondiale des Femmes http://www.marchemondialedesfemmes.org/ ) ; - PPHERC (Poor People’s Economic Human Rights Campaign –USA) ; - Stop the Wall ; - Via Campesina

François Hollande não é Nicolas Sarkozy



O lobby pro-maroquino da França repete, para quem o quer ouvir, que a posição da França em relação ao conflito do Sahara Ocidental não mudou, incluindo o seu apoio ao plano de autonomia de Marrocos. Contudo, a realidade dos factos dizem o contrário. A atitude das autoridades marroquinas trai a sua aparente segurança.

O salto inesperado do rei Mohamed VI a Paris no dia seguinte à eleição de François Holland foi o primeiro sinal revelador da angústia suscitada pelo acesso dos socialistas ao Eliseu.
No seu encontro com o presidente francês, o rei de Marrocos não recebeu o apoio que desejava. Decide então ganhar tempo fazendo com que o processo iniciado pelo enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental voltasse à estaca zero. Christopher Ross é declarado «persona non grata» em Rabat. É um primeiro gesto destinado a testar o novo locatário do Eliseu. Falhado. Num comunicado publicado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros, a posição de Paris limita-se a «tomar nota» da decisão marroquina. É uma mensagem clara. A França apoia a ONU e não pretende perturbar o trabalho do Secretário-Geral e do seu Enviado Pessoal.

A deceção marroquina atinge o auge quando o novo Presidente francês, contrariamente aos seus antecessores, decide consagrar à Argélia a sua primeira viagem ao Magrebe. A tensão cresce em Rabat. A imprensa marroquina faz disso eco. Para acalmar a situação, Hollande é obrigado a enviar o seu Primeiro-Ministro, Jean-Marc Ayrault, a Rabat. Este encontra as palavras de apaziguamento para Marrocos: «o partenariado entre a França e Marrocos é único e nada tem a recear de um diálogo mais estreito entre Paris e Argel».

Mas as autoridades marroquinas não tardam a dar mostras da sua insegurança. No mês de fevereiro, lançam um novo ataque contra  Ross sob o pretexto de ter assistido à projeção na sede da ONU de um filme sobre o Sahara Ocidental. O chamamento à ordem vem desta vez dos membros do denominado Grupo de Amigos do Sahara Ocidental (EUA, França, Reino-Unido, Rússia, Espanha). Num aviso claramente dirigido a Marrocos, exprimem o seu apoio ao Secretário-geral da ONU e ao seu Enviado Pessoal e encorajam as partes a mostrar subtileza nas negociações com o Enviado Pessoal.

Quando da sua visita à Argélia, o Presidente François Hollande não deixou de sublinhar a posição da França. « a ONU e só a ONU », enfatizou. Entretanto, a sua equipa repete que Paris «considera a proposta de autonomia credível para uma solução negociada» sem esquecer de sublinhar o apoio da França ao Enviado Ross. E é esse apoio que mete medo a Rabat. Daí os ataques contra a Argélia e o discurso sobre a corrida aos armamentos.

François Hollande: não, em Marrocos não houve evolução democrática



François Hollande prepara-se para, a partir de quarta-feira, realizar uma visita oficial a Marrocos, país que no contexto das revoluções árabes sempre beneficiou de uma apreciação indulgente da parte dos países ocidentais.

Com efeito, quando o processo de democratização avança dificilmente na Tunísia, quando no Egito os integristas tentam «amarrar» a revolução, quando na Líbia as armas circulam e onde se está não longe do caos, e quando na Argélia nada se passou, Marrocos é recorrentemente citado como referência, desde o início destas revoluções, tanto pela França (estamos recordados das declarações de Alain Juppé louvando a democracia marroquina), como pelos Estados-Unidos ou certas organizações internacionais, como se uma revolução ou uma transição política tivesse tido lugar nesse país.

Ora, quando se segue a vida política marroquina, rapidamente se constata que não há, não houve nem revolução política, nem transição democrática mas, no máximo, uma evolução marginal no sistema que prevalecia e continua a prevalecer.

O que mudou a reforma constitucional?

Com efeito, a reforma constitucional, iniciada pelo rei no início de março de 2011, após as primeiras manifestações do chamado 20 de fevereiro, e controlada desde o seu início pelo monarca (recorde-se, ele nomeou discricionariamente todos os membros da comissão encarregada de propor a revisão constitucional, essa comissão trabalhou sob o controlo dos seus mais próximos conselheiros, e por fim o referendo que se realizou quinze dias após a comunicação oficial do texto, deu origem a mais de 99% de sim ... o que realmente dá que pensar), não alterou o funcionamento real das instituições e manteve os plenos poderes nas mãos do rei.

Este, no quadro da nova Constituição, continua a controlar o governo e os seus membros, nomeadamente os principais cargos: ministério dos Negócios Estrangeiros, ministério do Interior, ministério da Defesa.
 
Cartoon de Khalid Gueddar, in Lakome.com


O governo atual, composto por cinco formações políticas, desde os integristas «moderados» aos antigos comunistas, passando pelo movimento «centrista» dos berberes, governa sob o controlo oficial do Parlamento mas no quadro que o rei lhe fixou.

É o rei quem decide in fine, como recentemente admitiu o Primeiro-Ministro quando entrevistado pelo canal TV5 - RFI - Le Monde.

O rei não tem contas a prestar

É claro que o rei não tem contas a prestar sobre os objetivos fixados nem sobre o balanço desses objetivos. Vários ex-ministros tornaram-se conselheiros do rei, encarregados de controlar de maneira não visível a ação do governo e do primeiro-ministro.

Além disso, a nomeação de altos funcionários (governadores e walis, embaixadores, diretores das administrações centrais, etc.) permanece sob o controle rígido do rei.

A mistura de géneros e o conflito permanente de interesses entre a política e a economia permanece. O rei continua, através da sua holding (SNI e suas subsidiárias) a fazer negócios, controlando desta forma uma parte muito grande da economia, ganhando concursos públicos emitidos por instituições ou empresas públicas.

O rei continua a enriquecer com os impostos dos marroquinos, assim como uma lista de personalidades bem colocadas (cerca de 250 milhões de euros em 2013).

A imprensa não é mais livre que antes

A imprensa não é mais livre que anteriormente. É impossível a um órgão de comunicação social ou um jornalista tecer a mínima crítica ao rei sem ser ameaçado ou condenado enquanto este reina, governa e faz negócios em Marrocos !

Cartoon de Plantu,
sobre a repressão à imprensa

Persiste o culto da personalidade do rei. Prepara-se desde logo o seu filho de 9 anos a quem os altos funcionários do Estado lhe prestam já o beija-mão.

Em resumo, não mudou muita coisa desde 2011 e com a nova Constituição.

Se o rei e a sua «entourage » são os primeiros responsáveis por esta situação, também uma grande maioria da classe política é corresponsável ao aceitá-lo, no «seu desejo cego», de servir a vontade do rei.

Um futuro político incerto

No entanto, continua-se a dizer e a escrever aqui e ali que Marrocos é o modelo da região; mas os que transmitem a essa ideia deveriam ser mais prudentes. Esta falta de evolução deixa o futuro político de Marrocos incerto. Por duas razões :

A vontade da monarquia e do núcleo da classe política em conservar a repartição de poder tal como está traduz uma resistência da sua parte a qualquer tentativa de mudança.

Esta resistência à mudança significa que ela se fará necessariamente pela força e pela violência causando assim uma possível revolução. Esta forma que a monarquia tem de "exercer o poder sobre todas as questões da soberania (Justiça, Relações Exteriores, grandes questões económicas, etc.), de fazer negócios e " monopolizar " uma grande parte da economia marroquina, a ausência de partidos políticos que ofereçam uma alternativa e a ausência de uma imprensa livre torna o horizonte político a médio prazo incerto ou aleatório. Esta situação cria frustração e é agravada pelo facto de o rei estar no poder há quase 14 anos, e seus principais conselheiros também ocuparem esses lugares há 14 anos. O efeito de novidade e de esperança dos primeiros anos, una esperança naïf é bem verdade…, desapareceu e a usura do poder é cada dia mais evidente;  

A segunda razão deste horizonte incerto, que está estreitamente ligada à primeira, resulta da ausência de uma classe política capaz de formular uma crítica radical do atual sistema, da confiscação do poder pelo rei e da intervenção do rei na economia do país, propondo um projeto de sociedade alternativo e não obscurantista. Este vácuo político resultante da ausência de líderes políticos sérios e de uma via alternativa desejada pela monarquia, aumenta necessariamente o risco de instabilidade, que pode acontecer de forma um pouco imprevisível, como em 2011. As manifestações esporádicas nos últimos meses atestam-no.
Este futuro instável pode, na prática, chegar mais cedo do que o previsto. De facto, se a Tunísia consegue nos próximos meses concretizar a sua revolução política e democrática, transformando o teste realizado em 2011, e que não ocorra a passagem ou a recuperação da revolução pelos integristas da Ennahda – o que pode acontecer quando vemos a força da sociedade civil laica - isso mostrará, por outro lado, a deceção da transição marroquina.

Entre os detentores do poder em Marrocos, muitos são os que esperam, secretamente, o colapso da transição revolucionário tunisina para o utilizar como contra-exemplo e justificar a falsa evolução marroquina. Eles estão errados. Aqueles que estão à cabeça desse sistema, que se julgam inteligentes, podem vir a revelar-se os menos inspirados.

François Hollande, como representante da França, o primeiro país amigo de Marrocos, deveria no âmbito das suas reuniões, sugerir aos seus interlocutores marroquinos a necessidade de uma nova reforma constitucional aprofundada para uma monarquia que não governe e que não faça negócios.

Deveria, além do mais, incitar os líderes políticos marroquinos a se emancipar da tutela do rei. Isso estabilizaria o futuro político de Marrocos.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

O Sahara Ocidental esteve no Fórum Social Mundial

Decorreu na cidade de Tunes (Tunísia), entre os dias 26 e 30 Março, o 12º Fórum Social Mundial.

Foi a segunda vez que este evento se realizou numa cidade africana (em 2011 foi em Dacar, no Senegal).

E contou com uma participação saharauí bem visível na marcha de abertura do Fórum (fotos de Francisco Norega):




Mas a presença saharauí também se fez notar na Declaração final saída da Assembleia dos Movimentos Sociais onde se pode ler:

«Defendemos o direito dos povos à autodeterminação e à soberania, como nos casos da Palestina, do Sahara Ocidental e do Curdistão.»

A alarmante corrida armamentista de Marrocos, o vizinho do sul


 
Entre 2008 e 2011, Marrocos recebeu 24 F-16C...

Rabat importou 15 vezes mais armas nos últimos cinco anos que no mesmo período anterior - refere o artigo do periódico espanhol LA GACETA.

Espanha não quer deixar de fora das suas mais estreitas relações bilaterais o seu vizinho do sul. O governo de Mariano Rajoy não só não reduziu em intensidade os laços estabelecidos pelos governos anteriores, como projetou uma dinâmica de contatos – incluindo a tradicional primeira visita como primeiro-ministro a um país estrangeiro - , que poderá até qualificar-se de exagerada e que tem intensificado consideravelmente nos últimos meses.

No decorrer de pouco mais de 20 dias no final de 2012, o ministro da Defesa, Pedro Morenés, visitou Rabat em duas ocasiões, e o ministro dos Negócios Estrangeiros fez o mesmo em junho, além de não poupar elogios ao governo de Mohamed VI.

Tudo para consolidar e reforçar um quadro de relações já suficientemente explicado na nova Diretiva de Política de Defesa, aprovada em outubro do ano passado e na qual, entre outras, surgiu como diretriz básica o fortalecimento das relações bilaterais defesa com Marrocos, além dos EUA, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Portugal e Argélia, países que aparecem significativamente descritos nos documentos que estabelecem as metas e prioridades da nossa segurança.

...27 MF 2000...

A intenção do governo não esconde, para além das usuais boas intenções diplomáticos, a preocupação da Espanha pelo alarmante rearmamento que Marrocos está a executar nos últimos tempos. Uma política às claras que esfria os balbuciantes movimentos de reação por parte da oposição dentro das suas fronteiras e que delimita o panorama geoestratégico no Magrebe.

A ameaça da Argélia

Uma posição que influencia Rabat e que é resultante de querer manter influência na região e, simultaneamente, dar um aviso ao seu rival geográfico, a Argélia. Agora, novos dados colocam o país magrebino entre as nações que longe de limitar os seus investimentos armamentistas - como ocorre com os seus vizinhos do norte – amplia declaradamente a sua estratégia de defesa. O último relatório do Instituto de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI) sobre as tendências internacionais nas transações de armas revela que, nos últimos cinco anos, Marrocos se colocou na décima segunda posição entre os maiores compradores devido às aquisições de aviões de combate, fragatas e tanques.


...três fragatas Tipo SIGMA...

O dado é ainda mais alarmante se considerarmos que, entre 2003 e 2007, Marrocos ocupava o 69º lugar entre os maiores importadores de armas pesadas convencionais.

Crescimento vertiginoso

Durante os últimos cinco anos Marrocos só foi superado em termos de aquisição de armamento (de maior para o menor) pela Índia, China, Paquistão, Coreia do Sul, Singapura, Argélia, Austrália, EUA, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Turquia, apesar de nenhum desses país ter conhecido um crescimento tão vertiginoso como o marroquino, que, limitando os dados a períodos anuais, adquiriu em 2012 vinte vezes armas mais do que em 2009 e quase trinta vezes mais do que em 2007.

De acordo com o relatório do SIPRI, entre as importações recebidas de 2008 a 2011, estão 24 caças F-16C aviões americanos, outros 27 aviões de combate MF-2000 fabricados em França, três fragatas Tipo SIGMA compradas à Holanda e 54 tanques Tipo-90-2 produzidos na China. Na verdade, os EUA, o maior exportador de armas para o país norte Africano, e França - seu principal cliente – constituem o par donde provem a maioria das armas compradas nos últimos cinco anos. Conclusão: Marrocos e África do Sul são, de longe, os maiores importadores de armas em África.

...e 54 tanques Tipo-90-2

A verdade é que estes dados apenas confirmam documentos anteriores que já enfatizavam o interesse de Rabat em se tornar na potência militar do Norte de África. Nesse sentido, as referências dos serviços de informação dos EUA foram confirmados por vários estudos realizados pelo Instituto Nacional de Estudos de Segurança de Israel que, em julho de 2012, já alertava para a escalada militar do “inimigo do sul”, como é denominado Marrocos em alguns meios militares espanhóis.

Para além das referências estrangeiras, o Instituto Espanhol de Estudos Estratégicos apresentou há um par de semanas o seu Panorama Estratégico 2013, no qual, mais uma vez, destacava as relações com Marrocos e sublinhava riscos exponenciais em que Rabat tem muito a dizer. Fundamentalmente, o Sahel.

Fonte: La Gaceta