quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Marrocos apresenta oficialmente a sua candidatura ao Conselho dos Direitos do Homem da ONU

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Saad Dine El Otmani, anunciou 2.ª feira, 30 de setembro, a candidatura oficial de Marrocos ao Conselho dos Direitos do Homem da ONU para o período 2014-2016.

O anúncio foi feito diante dos 193 Estados membros da ONU pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Saad Dine El Otmani, que manifestou o desejo de contar com o apoio dos Estados membros para integrar o Conselho de Direitos Humanos para o período 2014-2016.

O objetivo desta candidatura, segundo o ministro, é "melhor contribuir para o reforço do papel do Conselho e garantir a eficiência necessária do seu funcionamento." O ministro marroquino falava perante os Estados-Membros da ONU reunidos no âmbito do debate geral da 68.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Fonte : Ahmed Bellasri - Lemag


Nota: Apesar de se sucederem os relatórios das mais diversas instâncias internacionais — Departamento de Estado dos EUA, Parlamento Europeu, Relator da ONU para a Tortura, Amnistia Internacional, Humans Rights Watch, Centro Robert  F. Kennedy para os Direitos Humanos, etc, etc,… —, sobre a violação continuada dos DDHH tanto em Marrocos como nos territórios do Sahara Ocidental, o Reino de Marrocos tem a desfaçatez de apresentar esta candidatura.
Manobra de diversão? Jogada arriscada e desesperada para tentar combater um inegável isolamento internacional…?

Cartoons do marroquino Khalid Gueddar


Questão do Sahara mantém dividido o Parlamento Europeu face ao novo acordo de pesca com Marrocos




A comissão de Pesca do Parlamento Europeu mostrou-se hoje, quinta-feira, 03 de outubro, dividida sobre o novo acordo de pesca entre a União Europeia e Marrocos, cuja ratificação deverá votar em novembro, entre os grupos maioritários que veem "melhorias" na sua rentabilidade económica e sustentabilidade social e meio-ambiental e outras formações, em especial os Verdes e a Esquerda Unitária, que pedem que de novo o acordo seja recusado porque duvidam de que respeite os direitos da população do Sahara Ocidental.

O custo para os cofres comunitárias deste pacto e as dúvidas sobre as garantias de pesca sustentável e o cumprimento do direito internacional, em relação à situação da ex-colónia espanhola, levou a Eurocâmara a chumbar um acordo anterior em finais de 2011 e exigir uma nova negociação.
 
Carmen Fraga
Num debate parlamentar, o Executivo comunitário e a relatora do relatório sobre a questão na comissão de Pesca, a 'popular' (do Partido Popular espanhol) Carmen Fraga, defenderam que o novo acordo pendente de ratificação "melhora" as condições para ambas as partes. O acordado é "viável social, política e meio ambientalmente" falando e os seus benefícios "revertem para as populações locais", segundo um perito comunitário.

"Acho que os três elementos-chave para votar contra foram corrigidos com o novo protocolo", disse Carmen Fraga depois de analisar elementos como a cláusula que permitiria suspender o acordo por violação dos Direitos Humanos e a introdução de um sistema de troca eletrónica para um melhor controlo da atividade de pesca.

Carmen Fraga considera que as dúvidas em relação ao impacto na política sectorial local e ao direito internacional ficam também resolvidas pela "obrigação" que assume Rabat de informar "periodicamente" dos benefícios e investimentos que o acordo permitirá e da "sua distribuição geográfica".
 
Raül Romeva
No entanto, o grupo dos Verdes teceram críticas a Marrocos de não permitir que os deputados viagem ao território saharaui para examinar a situação "in situ" e reclamaram de Bruxelas garantias de como verificar  o cumprimentos da salvaguarda dos direitos humanos.

Neste sentido, Raul Romeva (Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia) criticou a "imprecisão" das exigências em termos de âmbito geográfico e deixou claro que não considerava resolvido a situação do Sahara Ocidental, porque "a exclusão das suas águas não é real". Considerou, do mesmo modo, que não se produziram melhorias nos requisitos dos direitos humanos, porque, segundo afirmou, o disposto no novo acordo não altera as referências que já existiam no anterior.
 
João Ferreira
Nils Torvalds
 
O eurodeputado liberal finlandês Nils Torvalds, por seu lado, recordou que países como os Estados Unidos "descartam sempre dos seus acordos o Sahara Ocidental" como exemplo de questão em disputa, e apoiou a petição dos Verdes para que os serviços jurídicos comunitários se pronunciem formalmente sobre o novo protocolo. Enquanto o eurodeputado português João Ferreira, da Esquerda Unitária, considerou que o novo regime continua a ser "ilegal" porque Bruxelas "não alterou o que tinha que mudar" para excluir as águas que reclama a ex-colónia espanhola.

Rantabilidade económica e sustentabilidade pesqueira

Confrontado com estas exposições, o socialista português Luis Manuel Capoulas Santos, disse que seria "caminho errado e tortuoso" pretender encontrar uma solução para o conflito do Sahara a partir de uma comissão de pesca, sublinhando a "melhoria" na rentabilidade do acordo que, segundo ele, equilibra a compensação da UE com as possibilidades de pesca.

Segundo dados fornecidos pelo Executivo Comunitário, o novo acordo, negociado para quatro anos, terá um custo anual de 40 milhões de euros e aumenta em 33 % as possibilidades de pesca para a frota comunitária. Esta cifra supera os 36 milhões que a União Europeia pagava pelo anterior acordo, mas o seu impacte nos cofres comunitários será menor porque o aumento será assumido pelos armadores europeus interessados na zona.
 
Capoulas Santos, Struan Stevenson e Dolores García Hierro

Além de Carmen Fraga e Capoulas Santos, outros eurodeputados, como a socialista espanhola Dolores García Hierro e o vice-presidente da comissão de pesca, Struan Stevenson, dos Conservadores e Reformistas, intervieram no sentido da validação do acordo. Em sua opinião, a atividade pesqueira europeia e o setor marroquino ver-se-ão beneficiados e, além disso, consideram que a questão saharaui deve ser tratada em outros fóruns internacionais, e não através de um convénio comercial como este.

Stevenson alertou de que se não forem os barcos europeus a fainar nos pesqueiros geridos por Rabat, serão outros de bandeira russa ou chinesa a fazê-lo,  para quem "se lhes dá a mínima" para a situação do Sahara ou as exigências meio ambientais e sociais. "E depois será a União Europeia a importar esse seu pescado ", concluiu.

Bruxelas anunciou um novo acordo com Rabat no passado mês de julho que cumpriria estas exigências, ao estabelecer um protocolo de quatro anos, a troco de uma contrapartida de 40 milhões de euros anuais e uma cláusula que permite a suspensão do convénio em caso de vulneração de Direitos fundamentais.

Após um debate de duas horas com os serviços da Comissão Europeia, os eurodeputados solicitaram aos serviços jurídicos do Parlamento Europeu aclarações sobre a questão saharaui, enquanto a 'Popular' espanhola Carmen Fraga ultima o relatório que será votado em comissão em finais de novembro. O plenário do Parlamento Europeu pronunciar-se-á depois, em data ainda a determinar, já que deve aprovar ou rejeitar o acordo, ainda que não o possa modificar.

Os 28 também têm que dar a sua aprovação formal para que navios europeus — na sua maioria espanhóis, embora existam outras onze nacionalidades —, possam regressar a fainar na região.

Fonte: Bruxelas, 3 Out. (EUROPA PRESS)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Pilar Bardem amadrinha 10.º Fisahara, consagrado à determinação da mulher saharaui

 

A atriz espanhola Pilar Bardem, mãe dos consagrados atores Carlos e Javier Bardem, amadrinhou hoje a X edição do FiSahara, o único festival de cinema que se realiza num campo de refugiados situado no deserto, na wilaya de Dakhla (Argélia), tendo, na ocasião, reprovado o Governo espanhol e o Chefe de Estado por não mencionarem os saharauis nas suas visitas a Marrocos.

"Parece-me inaudito nesta altura da vida a posição do Governo de Espanha — não digo este; mas este, o anterior e o anterior…-, e sobretudo não entendemos que o Chefe do Estado espanhol (...) vá ali e peça a libertação das prisões de uns senhores e nem mencione o próprio povo que ele entregou a Marrocos".

Visivelmente recuperada da grave enfermidade que a manteve hospitalizada este ano, Pilar Bardem disse: “ainda que apenas por fora, sinto-me muito bem", ironizou, mostrando a vitalidade e a mesma decisão de sempre. (…)

Em conferencia de imprensa realizada na sede da sociedade de gestão de direitos dos artistas AISGE, a que preside Pilar Bardem, Jadiyetu Mohtar, da União Nacional de Mulheres Saharauis, e Abdulah Arabi, delegado da Frente Polisario em Madrid agradeceram a solidariedade dos espanhóis e dos "ativistas audiovisuais".
(…)
02/10/2013

EFE - Madrid

Christopher Ross de novo no Sahara Ocidental

 

O Representante Pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, vai realizar um novo périplo de 18 a 22 de outubro pelos Territórios Ocupados e Acampamentos de Refugiados Saharauis.


Fonte: Equipa Mediatica

O reconhecimento de uma derrota: Marrocos lamenta a rejeição da sua iniciativa de autonomia para o Sahara

O MNE de Marrocos, Saad Eddine El Othmani, reconheceu a derrota 
da proposta de autonomia perante a Comunidade Internacional
 
Marrocos lamentou segunda-feira, 30-09 de 2013, ante a ONU a rejeição que recebeu a sua iniciativa de por em marcha uma autonomia para o Sahara Ocidental, o que segundo Rabat impediu avançar na busca de uma solução.

Na sua intervenção ante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Saad Eddine El Othmani, recordou que o seu país lançou uma iniciativa de autogoverno nesse território, para o qual a Frente Polisario reclama a independencia.

Segundo El Othmani, essa proposta de Rabat "é uma solução prática e moderada que pode ter o apoio dos países árabes e organizações regionais".

"Desafortunadamente, outras partes não nos permitiram avançar nesse rumo que propomos", afirmou, ainda que não tivesse detalhado a que partes se referia.

O ministro marroquino sublinhou o compromisso do seu país de resolver a questão do Sahara Ocidental segundo as "resoluções relevantes" do Conselho de Segurança " das Nações Unidas.

EFE – Nações Unidas

30/09/2013 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Preso político Aaisa Buda entra no 37.º dia de greve de fome

 

O preso político Saharaui Aaisa Buda entrou ontem, 30 de setembro 2013, no 37.º dia de greve de fome na prisão de Ait Melloul, onde se encontra numa cela de isolamento depois de ter sido separado do resto dos presos políticos saharauis.

A administração da prisão, até agora, não quis responder às reivindicações do preso saharaui e nega proporcionar-lhe cuidados médicos que necessita  após o agravamento do seu estado de saúde. Ante a sua situação de isolamento torna-se complicado divulgar informação acerca de sua situação. Nesta prisão já morreram dois presos comuns saharauis em consequência da negligência praticada pela administração do presídio, o que revela uma clara discriminação pessoal e racista em relação aos saharauis.

A família do preso político saharaui faz um apelo às organizações de direitos humanos através de entrevista dada à Equipa Mediática, assim como a  meios de comunicação internacionais com o objetivo de que se faça luz sobre a batalha travada por este preso político, que exige os seus direitos como preso de consciência, e a sua incorporação junto dos restantes detidos políticos, assim como a atribuição dos seus direitos garantidos por lei.

Fonte e foto: Equipe Media

Territorios Ocupados  - Sahara Occidental