sábado, 4 de janeiro de 2014

Novos países como membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU


Jordânia, Chade, Chile e Lituânia e Nigéria:
novos membros não permanentes do CS da ONU

Cinco novos países tomaram o seu lugar no Conselho de Segurança das Nações Unidas como membros não permanentes a partir de janeiro deste ano. Chade, Chile, Jordânia, Lituânia e Nigéria foram eleitos para substituir Azerbaijão, Guatemala, Marrocos, Paquistão e Togo.
A Assembleia General da ONU designou a 06 de setembro passado a Jordânia para assumir o cargo rotativo deste organismo internacional.

A Jordânia já foi eleita por duas vezes como membro não permanente do Conselho de Segurança, Nigéria e Chile quatro vezes. Por seu lado, países como o Chade e a Lituânia assumem pela primeira vez a condição de membros não permanentes do Conselho de Segurança.


SPS

Presos políticos saharauis desencadeiam greve de fome em Tiznit (Marrocos)



Os presos políticos saharauis autodenominado grupo da bandeira nacional saharaui detidos na prisão local de Tiznit iniciaram uma greve de fome a partir de quinta-feira para reivindicar os seus direitos legítimos, informou uma fonte Saharaui.

Os presos políticos saharauis reivindicam os seus direitos a medicamentos, visitas, alimentação equilibrada, a educação, ao acesso a jornais e à comunicação.

"A greve de fome surge depois de se terem esgotado todas as vias de diálogo com a administração da prisão local, bem como a transferência do preso saharaui Daoudi Taha para uma célula de prisioneiros de direito comum", acrescentou a fonte.

Os presos saharauis (grupo bandeira nacional saharaui) foram presos em agosto passado, depois de confrontos desencadeados após um jogo de futebol em Guelmim (sul de Marrocos).


(SPS)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Magrebe-2013 : uma visão sobre os acontecimentos importantes




O que de mais importante ocorreu em alguns países do Magrebe (Marrocos, Tunísia, Mauritânia e Líbia) analisado por uma publicação argelina (Algérienews)

Inúmeros acontecimentos marcaram o Magrebe em 2013 bem como a União dos Povos, embora enquanto organização esta continue a ser uma utopia.
Marrocos conheceu uma recessão e dificuldades económicas que obrigaram o reino a fazer empréstimos junto de instituições financeiras mundiais.
A Tunísia contínua em busca de um consenso nacional para uma saída da crise. A crise política pesa enormemente sobre a economia e as receitas do turismo.
Na Líbia, a autoridade provisória com enorme dificuldade tenta implementar instituições de segurança capazes de criar uma atmosfera de serenidade e tranquilidade.
Na Mauritânia, as eleições locais marcaram o final do ano passado com o reforço do partido no poder.
Os Saharauis não conseguiram realizar o seu sonho de autodeterminação diante das vicissitudes políticas de Washington e da oposição da França.
 
Rei Mohamed Vi de Marrocos

Marrocos : um passo atrás

A tensão entre Marrocos e a Argélia marcou seriamente os espíritos em 2013. Nunca as relações entre os dois países chegaram a uma fase tão confusa. Marrocos aproveitou a oportunidade de uma carta do Presidente da República, Abdelaziz Bouteflika, lida em Abuja pelo ministro da Justiça, Tayeb Louh,  para gritar por conspiração. O Makhzen mobilizou todos os seus centros e porta-vozes para denegrir a Argélia.
A crise diplomática inflamou-se ainda mais dos dois lados depois que um indivíduo que diz pertencer à "juventude monarquista" ter arrancado a bandeira do consulado argelino em Casablanca.
As relações argelino-marroquinas também estiveram no centro do discurso do rei de Marrocos, por ocasião do 38 º aniversário da Marcha Verde, a 6 de novembro. Poucos dias depois, Bouteflika, enviou uma carta de felicitações ao rei por ocasião do 58 º aniversário da independência de Marrocos. Dado o clima prevalecente, esta foi vez vista como um gesto de decoro diplomático.
O caso do pedófilo Espanhol agraciado por Mohamed VI quase colocou reino a ferro e fogo. O “Danielgate”, como o designou a imprensa marroquina, tem alimentado a ira dos marroquinos. Se a maioria da media nacional tinha avançado com grande contenção sobre um assunto que envolvia diretamente o rei, a cobertura do caso pela imprensa internacional e a posição da sociedade civil criaram um verdadeiro brua-á-á.
A repressão policial à manifestação de 2 de agosto em Rabat não conseguiu demover os marroquinos. Pelo contrário, as ONGs de Direitos Humanos foram ao ponto de apresentar uma queixa contra o ministro do Interior da época. No entanto, isso não extinguiu o fogo da controvérsia. Ainda sob a pressão social e internacional, Marrocos solicitou a extradição do pedófilo. Mas a Espanha acabou por se opor, alegando que os acordos de extradição de prisioneiros entre os dois países não incluem nacionais.
Hoje, Daniel Galvan cumpre a sua sentença em Espanha, com a possibilidade de sair da prisão em 2018, de acordo com o artigo 92 do Código Penal que prevê, sob certas condições, a liberdade condicional para presos com mais de 70 anos.
O caso do jornalista Ali Anouzla também despertou o interesse público. Preso em 17 de setembro, em Rabat, na sequência da publicação de um vídeo da Al-Qaeda para o Magrebe Islâmico, que incitava a cometer "atos terroristas" em Marrocos, o ex-editor do site Lakome.com foi e continua a ser acusado de atos terroristas.
  


Tunísia: A crise ... ainda e sempre

Ao longo de 2013, a Tunísia tem vivido sob o peso de uma grave crise política que deixou sua marca sobre a situação socio-económica do país, atingido também por uma ameaça terrorista que constitui um surdo golpe para a sua estabilidade e dificulta o seu processo de transição. As forças de oposição laicas não deixaram de tecer críticas severas ao partido islâmico no poder acusando-o de "má gestão dos assuntos do país" e "tolerância" face as facções extremistas acusadas ​​de estarem na origem dos atos de violência que sacodem o país. Acusações que são rejeitadas em bloco pelos dirigentes do partido no poder.
O assassinato do deputado Mohamed Brahmi, em julho passado, veio agitar a tensão entre o governo de transição chefiado por Ali Laârayedh, do partido islamita Ennahdha, e as forças da oposição laicas. Este assassinato foi o segundo, após aquele que matou, em fevereiro do mesmo ano, o político Chokri Bélaïd. Os partidos da oposição não hesitaram em apontar o dedo aos dirigentes da troika no poder, acusando-os de "má-fé" na elaboração da nova Constituição, com o único propósito de "prolongar" o período de transição, reprovando-lhes o fazerem nomeações partidárias no funcionamento do Estado "para prepararem operações de fraude na próxima eleição." Os dirigentes do partido no poder afirmam que o povo tunisino "votou neles em total democracia e, por consequência, não podem deixar de assumir as suas responsabilidades para cumprir a vontade da oposição, sob pena  de afundarem o país no desconhecido ". Durante muitos meses, os apoiantes de ambas as partes invadiram as ruas em diferentes regiões do país desatando um rio demonstrações e concentrações sem fim. O Livro Negro de Marzouki constituiu também um evento maior na vida política do país. Embora algumas publicações tivessem escapado ao controlo, as instâncias judiciárias tunisinas pronunciaram-se contra a sua difusão.
  


Mauritânia: nada mudou

O maior acontecimento político de 2013 na Mauritânia foi a organização de eleições legislativas e municipais em 23 de Novembro e 21 de Dezembro, respetivamente, depois de dois adiamentos devido à situação do estado civil e uma vã tentativa de estabelecer uma diálogo entre o governo e a ala mais radical da oposição. Um censo de 1,1 milhão de inscritos serviu de base para estas eleições, numa população global em idade de votar estimada em 1,9 milhões. Estas eleições tiveram a participação de sessenta partidos políticos, dos quais apenas quatro se reclamam da oposição. As eleições legislativas e autárquicas de 2013 foram boicotadas por dez partidos reagrupados na Coordenação da Oposição Democrática (COD) e alguns outros de tendência radical.
Após as eleições, que conheceram uma afluência estimada em 72 %, o presidente Mohamed Ould Abdel Aziz dispõe de uma confortável maioria de 108 deputados, numa assembleia nacional que conta com um total de 147 lugares. O partido principal da maioria, a União para a República, tem 74 membros e seus aliados do movimento presidencial elegeram 34 deputados. O movimento favorável ao poder é também amplamente maioritário nas assembleias municipais, apesar de uma forte presença da oposição nos municípios de Nouakchott, onde ganhou três dos nove presidentes camarários. Depois destas eleições, o presidente Mohamed Ould Abdel Aziz elogiou "o bom desenvolvimento" dos escrutínios e salientou o facto de que eles permitirem uma renovação da classe política, tanto a nível da assembleia nacional como nos conselhos municipais.
  


Líbia: um grande país “balcanizado”

O ano terminou na Líbia sem que nenhum progresso se tenha registado em termos de segurança. Autoridades Provisórias lutam por implementar Instituições de segurança enquanto as milícias retomam o caminho da violência. Grupos mercenários, jihadistas e separatistas cercam as perfurações de petróleo para encurralar o Governo interino a aceitar as suas diferentes exigências. É o ciclo do terror que se instalou em Trípoli e Benghazi, onde se registam ataques contra embaixadas e representações diplomáticas. O último ataque ocorreu na manhã do dia 30 de dezembro, contra a Embaixada da França em Trípoli. Fez dois feridos entre a polícia francesa, um dos quais gravemente, e causou grandes danos. Trata-se do primeiro ataque contra interesses franceses na Líbia desde a queda de Mouammar Kadhafi em 2011. Para o analista Patrick Haimzadeh, especialista sobre a Líbia, este ataque é sintomático de um país assolado pela violência permanente.


Algérienews, 01/01/2014

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Guelta Zemmour: memórias da guerra


AS-6 Gainful ou SAM-6 (Imagem de arquivo)

A 2 de janeiro de 1981 recordo o dia que partimos rumo à Jamahiria de Kadhafi. Para o exército saharaui eram tempos duros. A moral dos combatentes estava quase de rastos devido aos estragos causados pela intervenção da aviação marroquina nas batalhas. Os caças marroquinos conseguiam enganar os mísseis AS-7 e AS-9, guiados por raios infravermelhos.

Por isso, a Frente Polisario decidiu introduzir uma defesa antiaérea más eficaz: o Quadrante, que os ocidentais conhecem pelo nome de AS-6 Gainful ou SAM-6. Alcançam até 25 km na horizontal e 10 km na vertical.

Os russos, seus inventores, chamam-no de "Quadrante", pela sua ordem de batalha. Quatro rampas que se dispõem nos quatro pontos cardeais em forma de quadrado. No meio está a rampa "guia" que dirige o míssil até ao seu alvo graças a um radar fixo instalado na rampa.


Um grupo já estava há dois meses na Líbia recebendo instrução desta arma. Os líbios disseram que fazia falta um “esquadrão técnico” para verificar o bom estado do míssil antes de ir para a batalha. A Polisario pensou que, para um tal arma tão sofisticada, eram necessárias pessoas com mais alto grau de instrução. Então, reuniu um grupo de 20 pessoas que tinham todos o bacharelato. Alguns deles nem sequer eram militares. Foi assim que nos encontrámos como professores com Salek Tayeb (hoje no Crescente Vermelho, em Rabouni – acampamentos de refugiados) e enfermeiros como o "índio", que hoje ocupa um cargo no Ministério da Saúde.



Embarcámos a bordo de reboques de transporte de traziam ajuda humanitária de Trípoli para os refugiados. Logo que chegámos, começou a aprendizagem. Para testar o míssil, os aparelhos estão numa cabana de madeira instalada num camião russo marca Zyl. Mas demo-nos conta de que os libios se tinham esquecido de nos dizer como funcionavam essas engenhocas. Tiveram que mandar outro grupo para os ensinar. Depois de cinco meses, estávamos de volta aos campos. Em torno de nós havia muito segredo para conseguir o efeito de surpresa sobre o inimigo. Estivemos vários meses em Rabouni esperando que a Polisario decidisse atacar.

Por fim, nos primeiros dias de outubro de 1981 iniciámos a deslocação para o local do próximo ataque. O objetivo era Guelta Zemmour onde estava sedeado o 2° Regimento das FAR marroquinas, com mais de 2600 homens armados até aos dentes. O material é tão pesado que levámos dez dias a percorrer uma distância, segundo o Google, de 554 km. Acompanhava-nos o então ministro da Defesa, Brahim Ghali, em pessoa. A moral da tropa dependia, em grande medida, de nós. O ataque estava previsto para 12 de outubro para assinalar o Dia da Unidade Saharaui, data em que os saharauis se encontraram em Ain Ben Tili em 1975 para proclamar que se uniam sob a bandeira da Frente Polisario para lutar contra os novos invasores. No dia 11 de outubro 1981, pela noite, estávamo-nos a preparar quando se produziu o imprevisto. Salhi, um tipo musculoso que vinha do Ministério da Saúde quebra o único aparelho que tínhamos para encher o míssil de ar comprimido. Ar indispensável para, uma vez o míssil lançado, fazer funcionar um pequeno gerador de corrente de 12 volts que alimenta o sistema automático do míssil e lhe permite seguir as instruções do radar da rampa de lançamento.

De repente, toda a gente parou por causa desta avaria. Bachir Mustafa Sayed (1) estava presente e ficou muito furioso. Brahim Ghali mostrou uma paciência que mereceu o nosso respeito. No dia seguinte, 12 de outubro, resolve-se o problema. Durante a noite dirigimo-nos para Guelta que estava a uns 30 km dali. De madrugada, os marroquinos ouviram o ruído dos tanques que se aproximavam. Avisaram a Rabat. O avião de reconhecimento marroquino, C-130, já estava ali dando voltas por cima da guarnição à espera de poder ver algo, pois fazia ainda muito escuro. A sua missão era localizar o inimigo e guiar os aviões de combate. O nosso primeiro míssil abateu-o. Diz-se que não ficou nem rasto desse avião, pois como é muito lento o míssil atingiu-o em cheio. Em Rabat, é o pânico total. De repente já não têm nenhuma notícia do C-130, apesar de voar a uma altitude que as antigas armas saharauis não alcançavam.

Mísseis Sam-9


Assim a batalha começou em condições ótimas para os combatentes saharauis que já tinham sido avisados de que não tinham que se preocupar com o perigo que vinha de cima. Pressentiam que uma nova arma entrava em cena. Logo depois de terem visto a  «keychafa » (o C-130) ser derrubado, um sentimento indescritível de invulnerabilidade se apoderou deles e caíram sem piedade sobre o inimigo.

Quatro horas depois, a situação na guarnição obrigou o Estado-Maior marroquino a mandar dois aviões, um F-5 americano e um Mirage F-1 francês para «ver o que se passava». Pouco depois de levantar de El Aaiun acende-se o alarme de radar num dos aviões. O piloto avisa o seu colega. Este diz-lhe que «é o radar de Smara» (2). Na realidade era o nosso, cujas ondas chegam até 350 km. Logo que chegam a Guelta, o nosso segundo míssil procura o F-5 e derruba-o. Cai a uns 25 km dali. Um dos nossas sentinelas avisa que viu uma fumarada nessa direção. Um carro sai em busca do piloto e trá-lo vivo e coxeando. Entretanto, a batalha prossegue em Guelta. Ao anoitecer, praticamente foi aniquilada. Mais de 230 prisioneiros foram capturados.

(1)    – Irmão de El Ouali Mustapha Sayed, fundador e primeiro líder da Frente Polisario, morto a 9 de junho de 1976 durante um ataque à capital da Mauritânia

(2)    Cidade do norte do Sahara Ocidental ocupada por Marrocos

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Juventude saharaui apela à comunidade internacional a assumir as suas responsabilidades em relação aos direitos humanos no Sahara Ocidental




Os participantes no 8.º congresso da União da Juventude saharaui (UJSARIO) apelaram hoje, quarta-feira, à comunidade internacional a assumir as suas responsabilidades em relação à situação no Sahara Ocidental "onde o regime marroquino ignora a legalidade internacional e o respeito pelos princípios dos direitos humanos ".

No comunicado final, o congresso enfatiza "a necessidade de encontrar um mecanismo de vigilância e de proteção dos direitos humanos" no Sahara Ocidental e "denuncia" o acordo de pesca firmado por Marrocos e a União Europeia (UE).

O comunicado final com congresso apela ao "termo da pilhagem sistemática das riquezas naturais" e exorta a Organização das Nações Unidas (ONU) a tomar a seu cargo a descolonização do Sahara Ocidental que continua a ser a última colónia no continente africano.

O congresso insiste igualmente na "libertação imperativa e incondicional dos detidos políticos encarcerados nas prisões marroquinas e acusa as autoridades marroquinas encarregadas da investigação dos 500 Saharauis desaparecidos até aos nossos dias".

O congresso apela à juventude de todo o mundo " a solidarizar-se com o povo saharaui e a apoiá-lo na sua luta legítima pela liberdade, autodeterminação e justiça".

O comunicado sublinha ainda a importância que reveste a integração da juventude nas instituições do Estado e a sua contribuição na libertação e construção do país, felicitando-se pelos sacrifícios consentidos pela juventude saharaui, nomeadamente nos territórios ocupados, no Sul de Marrocos e nas universidades".


 (SPS)

8.º congresso da UJSARIO : eleito novo SG e Secretariado Executivo




O 8.º Congresso da União da Juventude saharaui (UJSARIO) elegeu ontem, terça-feira, Zain Sidahmed, como novo SG da organização por um mandato de quatro anos, substituindo o anterior líder, Mussa Salma.

Segundo os organizadores, o secretariado executivo de nove membros foi eleito à primeira volta da eleição : Aba Mohamed Lamin Daddi, Mohamed khatri, Atfarah Dahi, Sltat mohamed Lagdaf, Laila Salama Ahnini,Hamdi Youcef, Albachir Alkhalil, Alkauri Labaidi Mohamed, Bachir Albukhari.


Os trabalhos do 8.º congresso da UJSARIO tiveram início domingo passado em Aousserd, acampamentos de refugiados, com a participação de cerca de 180 delegados estrangeiros oriundos nomeadamente da Europa, África e América e cerca de 800 delegados Saharauis.

(SPS)