sexta-feira, 6 de junho de 2014

A crise entre Rabat e Nouakchott agrava-se: a Mauritânia exige que Marrocos substitua o seu embaixador


O presidente da Mauritânia, Ueld Abdel Aziz

Na passada segunda-feira, as autoridades policiais mauritanas do aeroporto de Nouakchott submeteram o presidente do Partido da “l’Union et du Changement”, Saleh Ould Ahnana, a um controlo policial humilhante. O homem regressava de Casablanca, após ter assistido como convidado ao congresso do Partido do Progresso e do Socialismo. O acontecimento ilustra a amplitude da degradação das relações entre os dois países, enquanto fontes mauritanas atribuem esta tensão à recusa de Marrocos em substituir o seu embaixador em Nouakchott.

Já em Janeiro, a Mauritânia se recusara a credenciar o novo cônsul de Marrocos, sem fornecer as explicações requeridas pela diplomacia marroquina. Isso diz muito sobre a profundidade da crise entre os dois países, enquanto, no passado, as relações pareciam sólidas e promissoras.

Simultaneamente, a Mauritânia recusa-se há dois anos a nomear um embaixador em Rabat. Ela retirou todos os seus diplomatas e apenas manteve pessoal administrativo no local para o funcionamento da embaixada.

A tensão está agora afetando áreas como o tráfego aéreo e a coordenação securitária. Recentemente a Mauritânia puxou ainda mais a corda ao receber um emissário do líder Polisário como se ele fosse um mensageiro de um chefe de Estado.

Ao mesmo tempo, Marrocos e Mauritânia estão engajados numa competição na crise do Mali recebendo cada um deles membros do governo e do movimento Azawad, do norte daquele país. Ontem, terça-feira, representantes do governo do Mali reuniram-se em Nouakchott com delegados desse movimento que quer a independência do norte do Mali (*). Por sua parte, mantendo-se discreto, Marrocos não vê com bons olhos as iniciativas da Mauritânia que a aproximam mais e mais das posições da Argélia no dossiê do Sahara.

A Imprensa mauritana sublinhou que Nouakchott decidiu recentemente não usar o termo "o vizinho do norte" para designar Marrocos, mas antes o termo "Estado de Marrocos" sob o pretexto de que o vizinho do norte é a "República Árabe saharaui Democrática ", proclamada unilateralmente, e que a Mauritânia reconheceu nos anos setenta.

Acredita-se que a razão para a tensão terá sido o facto de diplomatas e funcionários marroquinos terem tido comportamentos considerados pela Mauritânia como uma interferência nos seus assuntos internos. A Mauritânia expulsou o correspondente da agência de notícias MAP em Nouakchott, sem dar explicação, enquanto a imprensa local falou de sua suposta ingerência nos assuntos internos do país.

O diário digital Zahrat Chenguit publicou em exclusividade uma importante informação, que alegadamente terá obtido de fontes oficiais próximos do presidente Mohamed Ould Abdel Aziz. Segundo o jornal, a Mauritânia exige, para sair da crise diplomática, que Marrocos substitua primeiro o atual embaixador por outro e, em seguida, o Presidente nomeará, por sua vez, um novo embaixador em Rabat.

Fonte : Alifpost-Analyse - 5 يونيو، 2014

(*) A Mauritânia exerce atualmente o cargo da Presidente da União Africana.

NOTA : Recorde-se que em Outubro de 2012, o presidente mauritano sofreu um atentado que, segundo fontes oficiais, o Estado marroquino teria sido o mandatário. Ler:

http://aapsocidental.blogspot.pt/2012/12/atentado-ao-presidente-mauritano.html

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Maio saharaui: prossegue a Intifada e aumenta a repressão. Espanha continua a olhar para o lado



Um destacado dirigente da Frente Polisario comentava recentemente em Madrid que a “intifada saharaui” nos territórios do Sahara Ocidental ocupados por Marrocos vai continuar. Assegurava que a população está decidida a resistir à cada vez mais brutal e indiscriminada repressão marroquina, apesar dos que se proclamam “países amigos do Sahara Ocidental” terem permitido, por um ano mais, que a Missão das Nações Unidas para o Referendo (MINURSI) não tenha competências em matéria de Direitos Humanos.





As palavras do dirigente polisario refletem o que aconteceu em maio. Os saharauis saíram à rua nas principais cidades do Sahara Ocidental para pedir o respeito pelos DDHH, a autodeterminação e o fim da ocupação marroquina. E as forças de segurança marroquinas reprimiram toda e qualquer manifestação prendendo muitas pessoas, sem se importar que fossem velhos, mulheres ou crianças, como o fizeram em abril, março, fevereiro e janeiro de 2014, ou 2013, 2012…

Fonte: Redação - Alfonso Lafarga – El Espia Digital


terça-feira, 3 de junho de 2014

O rei Juan Carlos I atraiçoou o povo saharaui em 1975



Amadeo Martínez Inglés, Coronel, escritor e historiador, escrevia em outubro de 2008 uma contundente carta ao presidente do Congresso de Deputados sobre a responsabilidade do rei Juan Carlos no drama que se abateu sobre o Povo Saharaui. Nunca na história do colonialismo europeu em África uma antiga potencia colonial havia cedido o território e a sua população aos Estados «vizinhos» a troco de compensações económicas…  No momento em que Juan Carlos I abdica é de todo o interesse relembrar o que dizia então o velho coronel do Exército Espanhol…
 
Amadeo Martínez Inglés, Coronel, escritor e historiador

“Ayer tarde se aprobó en el Congreso de los Diputados una proposición no de ley presentada por el Grupo Socialista, que resultó aprobada  con el apoyo de todos los demás grupos de la Cámara a excepción del PP que se abstuvo, en la que se recogen una serie de puntos trascendentes a tener en cuenta en la política exterior española en relación con el Sahara Occidental administrado por España hasta el año 1975. Entre estos sobresalen el reconocimiento del derecho de autodeterminación del pueblo saharaui, la necesidad de que finalmente se celebre el referéndum auspiciado por naciones Unidas y, también y curiosamente, la realización de gestiones “al máximo nivel” para intentar solucionar política y humanitariamente el caso Haidar.

 Como dentro de este último eufemismo político se esconde la  recientemente aireada y pedida intercesión del monarca español para resolver “in extremis” el contencioso hispano-marroquí nacido a cuenta de la posición personal adoptada por la activista saharaui, es de suma importancia que el pueblo español conozca que la actual situación de abandono, menosprecio y sometimiento a Marruecos del valeroso pueblo saharaui, proviene de la traición personal del actual rey de España Juan Carlos I que en noviembre de 1975, desempeñando interinamente la jefatura del Estado español, pactó en secreto con el Departamento de Estado norteamericano la entrega incondicional de la antigua provincia española del Sahara Occidental al reino de Marruecos. Todo ello para evitarse una guerra colonial con este último país que España no estaba en condiciones de enfrentar.

Kissinger com Juan Carlos em 1976

Este vergonzoso Pacto del entonces príncipe de España con Henry Kissinger y el rey Hassan II de Marruecos, que como historiador militar he estudiado a fondo, me permití ponerlo en conocimiento del Presidente del Congreso de los Diputados, señor Bono, en una carta remitida con fecha 8 de octubre de 2008, continuación de otra del 4 de abril del mismo año en la que le pedía la creación de una Comisión de Investigación que depurara las responsabilidades del rey de España en una serie de presuntos delitos relacionados con el 23-F, los GAL, la malversación de fondos públicos y el homicidio cometido en la persona de su hermano, el infante Don Alfonso de Borbón.

 De esta última carta, que adquiere especial relevancia en estos momentos de creciente deterioro de las relaciones con Marruecos por el caso Haidar y en los que algunos se atreven a pedir, con total desconocimiento de la historia, que el monarca español interceda ahora ante el reino alauí por aquellos a los que él mismo traicionó en el año 1975, transcribo a continuación, porque creo que es de sumo interés para los medios de comunicación y el pueblo español en general, los párrafos más importantes relacionados con el tema que nos ocupa:     

“Y ahora paso al meollo del presente escrito, es decir, a contarle algunas cosas muy graves, muy graves, muy graves… gravísimas ¡como no! del actual rey de España, Juan Carlos I de Borbón. Más que nada para que tome buena nota de ellas, añadiéndolas en lugar preferente al inventario de presuntos delitos que ya le he remitido y que deberá ser estudiado, cuando a usted le venga bien, por la todavía nonata Comisión de Investigación Borbónica Española (CIBE)

Me estoy refiriendo en concreto, señor Bono, a tres nuevos, espeluznantes, bochornosos, repugnantes… delitos, que ni la historia ni los ciudadanos españoles conocen todavía en toda su profunda dimensión (algunos historiadores, obviamente, estamos en ello) cometidos en los últimos meses del año 1975 por el entonces príncipe de España, justo cuando desempeñaba la Jefatura del Estado de una forma interina pero con todos los poderes del dictador en la mano. Presuntos delitos que de entrada podríamos catalogar, hasta que la citada Comisión parlamentaria pueda pronunciarse, como de alta traición, cobardía ante el enemigo y genocidio.  Sí, sí, no se me ponga nervioso, señor Bono, que enseguida paso a informarle largo y tendido sobre el asqueroso hecho político que acoge estas figuras delictivas de Juan Carlos I, que para eso soy historiador militar y, modestia aparte, creo que de todo esto sé un poquito, lo justo quizá para despertar su mente y la de algunos miles de ciudadanos españoles.

Hassan II de Marrocos e o Rei Juan Carlos

 Y le voy a exponer el asunto, en principio, señor presidente, de una forma extractada y casi telegráfica (aunque creo que muy comprensible para usted, que me imagino tiene cierta culturilla histórica, y para el lector medio) pues no querría bajo ninguna circunstancia que este escrito se convirtiera en una larga y tediosa lección magistral de historia de España. Eso lo dejo, si a vuecencia le parece bien, para deleite de las señorías a las que les corresponda un día poner en su sitio, de una vez por todas, a este Borbón de medio pelo salido de las cloacas del franquismo que ha tomado la jefatura del Estado español como su finca particular y su saneado negocio.

  El hecho histórico a que me refiero, señor Bono, no es otro que el de la vergonzosa entrega a Marruecos, en noviembre de 1975, de nada menos que 200.000 kms cuadrados del llamado Sahara español (provincia africana según Franco, territorio bajo administración española según la ONU) por miedo a tener que enfrentar una guerra con ese país (que había organizado una marcha “pacífica” de 300.000 ciudadanos marroquíes y nos amenazaba con la invasión pura y dura) y tras un pacto secreto entre el jefe de Estado español en funciones en aquellos dramáticos momentos (el príncipe Juan Carlos de Borbón), la CIA y el Departamento de Estado norteamericano (Kissinger). Pacto por el cual el heredero de Franco se quitaba de en medio una muy probable guerra colonial con nuestro vecino del sur (que podía poner en grave peligro su ansiada corona) y recibía además el inmenso apoyo político yanqui para estabilizar su tambaleante Régimen.

A cambio, claro está, de traicionar con nocturnidad y alevosía, como ha sido práctica habitual en él, al pueblo español (ajeno a todo como siempre), a sus Fuerzas Armadas (que a pesar de su abandono operativo y escasez de medios estaban dispuestas a sacrificarse por defender el honor de España y la legalidad internacional), al pueblo saharaui (que sería entregado desarmado al invasor y bárbaramente masacrado en una desigual guerra y en un oscuro genocidio que se saldarían con más de cuatro mil víctimas, y del que cualquier juez imparcial pediría responsabilidades al jefe del Estado español por cómplice y colaborador necesario) y a la ONU (que había decretado a través de su Tribunal Internacional de Justicia y de su resolución 380 la ilegalidad de la acción unilateral de Marruecos y el derecho del pueblo saharaui a la autodeterminación).   

 Empecemos, pues, presidente, y que nadie desdeñe el asunto como lejano en el tiempo o meramente historicista pues estamos hablando de hechos gravísimos cometidos en su día por el actual jefe del Estado español,  como son los presuntos delitos de “alta traición a la nación española” tras la acción consumada y no debatida en sus órganos institucionales de la entrega a una potencia invasora de una parte importantísima del territorio nacional sin intentar defenderlo siquiera y tras un pacto secreto con el propio enemigo y su socio geoestratégico; de “cobardía ante el enemigo” por parte del jefe del Estado español en funciones de comandante en jefe del Ejército que entrega sin combatir una parte substancial del territorio nacional tras un pacto secreto con el enemigo; y de “genocidio” contra el pueblo saharaui, en grado de colaboración necesaria con el ejecutor directo del mismo (el sátrapa marroquí), al haber puesto bajo la bota de su Ejército, totalmente desarmados, a los 30.000 habitantes de la antigua provincia española, a los que debería haber defendido con arreglo al Derecho Internacional y a los derechos humanos más fundamentales.   

Repasemos, pues, esos lamentables hechos, próximo a cumplirse su 33 aniversario:


1976: o êxodo saharaui, a fuga á invasão e às bombas de Marrocos...


21 de agosto de 1975

El departamento de Estado norteamericano da luz verde a un proyecto estratégico secreto de la CIA, financiado por Arabia Saudí, para arrebatar la antigua provincia del Sahara (270.000 Kms cuadrados) a España. Un territorio vital desde el punto geoestratégico, rico en fosfatos, hierro, petróleo y gas, que EE.UU no está dispuesto a dejar en manos de España dada la situación en que se encuentra el régimen franquista. El plan consiste en invadir la zona mediante una marcha “pacífica” de unos 300.000 ciudadanos marroquíes (Marcha Verde), que se harían pasar por antiguos habitantes de la zona.

6 de octubre de 1975

El servicio de Inteligencia del Ejército español informa a Franco, ya muy enfermo, de los planes de EE.UU en relación con el Sahara.

16 de octubre de 1975

La Marcha Verde es anunciada por Hasan II, al mismo tiempo que el Tribunal Internacional de Justicia de la ONU rechaza las pretensiones de Maruecos sobre ese territorio.

20 de octubre de 1975

Franco empeora ostensiblemente. Sufre un nuevo ataque al corazón.

21 de octubre de 1975

El príncipe Juan Carlos de Borbón, heredero del dictador, se niega a aceptar la jefatura del Estado con carácter interino. Quiere plenos poderes para poder actuar en el Sahara.

22 de octubre de 1975

El presidente del Gobierno español, Arias Navarro, con conocimiento de Franco, manda a Solís a Rabat para tratar de parar el órdago marroquí prometiendo negociaciones sobre el tema en cuanto la situación del dictador mejore.

26 de octubre de 1975

Comienza la Marcha Verde en territorio marroquí. Toda la planificación operativa y la organización logística han corrido a cargo de técnicos norteamericanos.

30 de octubre de 1975

Juan Carlos de Borbón se hace cargo de la jefatura del Estado español (artículo 11 de la ley Orgánica del Estado). Está muy preocupado por la situación en el Sahara pues tiene muy presente el caso portugués. No quiere que la situación le desborde.

31 de octubre de 1975

El príncipe preside un Consejo de Ministros en La Zarzuela. Cuestión prioritaria: el Sahara. Asiste invitado el jefe del Estado Mayor del Ejército, Carlos Fernández Vallespín. Juan Carlos manifiesta su férrea determinación de ponerse al frente de la situación. Sin embargo, no les dice a los reunidos que él ya ha enviado a su hombre de confianza, Manuel Prado y Colón de Carvajal, a Washington, para solicitar la ayuda de Henry Kissinger. Es consciente de que una guerra colonial con Marruecos en aquellos momentos podría precipitar los acontecimientos al estilo de lo acaecido en Portugal y que podría perder su corona antes de ceñirla.

El secretario de Estado norteamericano acepta la mediación solicitada por el nuevo jefe del Estado español, intercede ante Hassan II y en las siguientes horas se pergeña un pacto secreto por el que Juan Carlos se compromete a entregar el Sahara español a Marruecos (vistiendo el muñeco de la rendición con unas amañadas conversaciones políticas en Madrid), a cambio del total apoyo político americano en su próxima andadura como rey de España.

2 de noviembre de 1975

Juan Carlos de Borbón visita las tropas destacadas en El Aaiun en un viaje sorpresa. Está en tratos secretos con los americanos para la entrega del territorio, pero no tiene ningún reparo en escenificar un “teatrillo castrense” con los militares (a los que traicionará en las siguientes horas igual que al pueblo español, a los saharauis y a la propia ONU) echando mano de la extensa parafernalia castrense propia de estos actos: formación solemne, desfile, honor a los muertos, recepción en el Casino Militar… En este centro, en el curso de una bien regada copa de vino español, hasta se permite el lujo de representar el papel de un moderno “Escipión El Africano a la española”, diciéndoles a los oficiales de las tropas allí destacadas: “España no dará un paso atrás, cumplirá todos sus compromisos, respetará el derecho de los saharauis a ser libres” y también, hinchando el pecho y subiendo la barbilla: “No dudéis que vuestro comandante en jefe estará aquí, con todos vosotros, en cuanto suene el primer disparo” 


A Marcha Verde «civil» ocultava a invasão militar por parte de Marrocos


6 de noviembre de 1975

La Marcha Verde invade la antigua provincia africana española. En virtud del pacto secreto (alta traición) entre Kissinger, Hassan II y el flamante nuevo jefe del Estado español (el viejo se está muriendo en el hospital hecho un guiñapo entre monitores y sondas) los campos de minas  de la frontera han sido levantados y los legionarios españoles prudentemente retirados. España hasta se permite la desvergüenza de enviar al ministro de la Presidencia para que gire una visita de cortesía a los campamentos marroquíes. La ONU, incómoda y sin saber de qué va la cosa, urge a Hassan II a retirarse y a respetar la legalidad internacional. España mira para otro lado ¡bastante tiene el principito con asegurar su corona! y el tirano alauí no hace el menor caso.

9 de noviembre de 1975

Hassan II da por alcanzados todos sus objetivos en el Sahara y en espera de las conversaciones de Madrid (ya tiene asegurada su presa) retira los campamentos de la Marcha Verde a Tarfaya. Argelia protesta y retira su embajador en Rabat. Los polisarios, traicionados por España, se aprestan a la lucha.

12 de noviembre de 1975

Comienza la Conferencia de Madrid entre España, Marruecos y Mauritania, con EE.UU de mandamás en la sombra.

14 de noviembre de 1975

Declaración de Madrid sobre el Sahara. Se entrega a Marruecos toda la parte norte de la antigua provincia española: 200.000 Kms cuadrados de gran importancia geoestratégica, muy ricos en toda clase de minerales, gas y petróleo (descubierto por petrolíferas yanquis y en reserva estratégica). A Mauritania (que los abandonará enseguida en beneficio de su poderoso vecino del norte) se le transfieren 70.000 Kms cuadrados del sur, los más pobres e improductivos. Las Cortes y el pueblo español no saben nada del asunto. Todo se ha tejido entre bastidores, con la CIA, el departamento de Estado norteamericano y los servicios secretos marroquíes como maestros de una ceremonia bochornosa en la que el príncipe Juan Carlos ha movido sus hilos a través de sus validos y hombres de confianza: Armada, Mondéjar, Torcuato Fernández Miranda… mientras el Gobierno del anonadado Arias Navarro, con Franco moribundo y su porvenir político en el alero, se ha limitado a ejercer de convidado de piedra en la mayor vergüenza política y militar de España en toda su historia. Porque sí, efectivamente, este país, después de su flash imperial, ha padecido en diferentes épocas derrotas sin cuento, descalabros memorables y renuncios espectaculares, pero nunca jamás había traicionado de una forma tan perversa a sus propios ciudadanos (los saharauis lo eran en 1975), se  había humillado de tal manera ante un pueblo más débil que él pactando en secreto su rendición, y abandonado cobardemente el campo de batalla sin pegar un solo tiro y después de entregar a su envalentonado enemigo acuartelamientos, armas y bagajes.

Una vergüenza histórica sin paliativos, a cargar ¡como no! en el “debe” de un príncipe sin principios morales de ninguna clase, cargado de ambición, bufón de un dictador sin escrúpulos, ansioso de poner sobre su cabeza los ridículos oropeles de una corona trasnochada y profanada hasta la saciedad en el pasado por reyes despreciables de su propia dinastía, y que se permitió el lujo de vender a su propio país, a su pueblo, a la sacrificada minoría étnica que, bajo nuestras leyes y nuestra protección, creyó en la promesas de España y en ser libres algún día.

De todo esto que le cuento, señor Bono, poca información han recibido durante nuestra sacrosanta transición tanto el pueblo español como su clase política. Había que preservar, así lo estipula la Constitución franquista del 78, la imagen del rey que iba a salvarnos a todos y a traernos los derechos y libertades conculcados durante décadas por su amo y señor. 

Termino, señor presidente del Congreso de los Diputados, y recuerde: alta traición, cobardía ante el enemigo y genocidio. ¡Casi nada! ¿No le parece a su excelencia que quizá esa Comisión de Investigación que tanto pavor le produce debería comenzar su trabajo analizando tan escalofriantes delitos? 

Reciba, señor presidente del Congreso de los Diputados, un afectuoso saludo

Alcalá de Henares, 8 de outubro de 2008
Fonte: Amadeo Martínez Inglés,  Coronel. Escritor. Historiador.
Publicado em UCR 17, dezembro de 2009


segunda-feira, 2 de junho de 2014

O primeiro combate pela Liberdade: O nascimento de uma lenda, o ELPS (Exército de Libertação Popular Saharaui)


O movimento nacionalista saharaui tem uma origem pacífica, liderado pelo carismático Mohamed Basiri. O seu desaparecimento em circunstâncias até hoje não esclarecidas e a recusa das autoridades coloniais em escutar a voz do povo saharaui motivaram a criação da Frente Popular do Saguia el Hamra e Rio de Ouro (Frenre POLISARIO), a 10 de maio de 1973, liderada pelo mítico El Uali Mustafa Sayed. Pouco dias após a sua constituição, forças da Frente Polisario lançam o seu primeiro ataque armado, a 20 de maio de 1973, contra o posto de Janguet Quesat.
 
Mohamed Basiri, morto pelas
autoridades colonais espanholas


O exemplo das lutas anticoloniais em África, o exemplo da Revolução Argelina, assim como os ensinamentos da revolução de Nasser no Egipto ou do então jovem coronel Ghaddafi na Líbia, eram fontes de inspiração para os jovens nacionalistas saharauis. A via pacífica estava esgotada, o trágico destino de Basiri, a possibilidade certa de cair nas mãos do rei de Marrocos levou os saharauis a optar por uma saída radical como o haviam feito milhares dos seus irmãos africanos: pegar em armas.


Ao contrário de outros movimentos, a Frente Polisario não teve o apoio de uma superpotência, tendo os apoios vindo apenas da solidariedade das revoluções argelina e líbia. Isso permitiu contar com certo apoio político para a luta que se avizinhava. A Frente Polisario é consequência do esforço dos militantes que a integravam. Uma demografia escassa, apoios políticos limitados, recursos escassos eram indícios que o novo movimento nacionalista naufragaria e não passaria de um arremedo de história. Porém, a determinação dos seus homens e de uma sociedade que os apoiará sem quebras permitirá que a Frente sobreviva à “Nakba” — a Catástrofe — que sofreram os saharauis com a assinatura dos sinistros Acordos de Madrid.

1975: manifestações em El Aaiún de apoio à Frente POLISARIO. "o povo 
saharaui não queria fazer parte de Marrocos e a 
ideia de unidade nacional ganhava força..."

Espanha recusa-se a abandonar a sua possessão colonial, fazendo orelhas moucas às resoluções das Nações Unidas e à vontade do povo saharaui. Naqueles dias, a questão do Sahara levou o governo liderado pelo almirante Carrero Blanco a uma crise. As divergências entre os que defendiam a tese integracionista, que o Sahara continuasse a ser uma província espanhola, e aqueles que, liderados pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Castiella, advogavam um referendo e criação um Estado saharaui amigo. Na memória estava, seguramente, a descolonização da Guiné Equatorial, Estado em que a Espanha não conseguiu manter qualquer tipo de influência. Finalmente, em 1969 a tese integracionista prevalece e Castiella é substituído por López Bravo. Este erro político, será explorado por Marrocos que mantém uma pressão constante no plano diplomático. A isso junta-se a evacuação por parte de Espanha de Sidi Ifni, de grande valor estratégico para a defesa das Ilhas Canárias.


A pressão marroquina é dirigida em duas direções: o Sahara Ocidental e as cidades de Ceuta e Melilla. A este panorama junta-se um novo ator nesta tragédia: a Mauritânia que também reivindica o Sahara Ocidental. A diplomacia marroquina deixará de lado a oposição que Marrocos tinha, desde de 1960, à existência da Mauritânia, que reclamava como seu próprio território, para se tornar num aliado do regime de Ould Daddah na reivindicação sobre o Sahara. O futuro dos saharauis é agora incerto. No obstante isso, os saharauis através de meios pacíficos, fazem saber às autoridades espanholas qual a sua vontade. Em 1970 deram-se protestos da população saharaui em El Aaiún contra as pretensões do rei Hassan II de Marrocos sobre o então Sahara espanhol.

Estes protestos deixam claras duas coisas: que o povo saharaui não queria fazer parte de Marrocos e que a ideia de unidade nacional ganhava força. As velhas divisões tribais ficavam de lado. Curiosamente, apesar dos esforços do poder colonial em manter estas divisões através de um sistema de representação na Djemaa (assembleia de notáveis), as mudanças sociais decorrentes da urbanização e do desenvolvimento económico tiveram um profundo impacto sobre o povo saharaui.

Os acontecimentos do bairro de Jatarrambla, que culminaram com o desaparecimento de Basiri, no auge de uma dura repressão das autoridades espanholas contra o movimento nacionalista nascente, terá consequências no plano político. As tentativas para ter algum tipo de diálogo com o poder colonial apresentam-se infrutíferas. A opção é seguir o caminho da maior parte dos movimentos anticoloniais: a luta armada.

As autoridades coloniais espanholas não tiveram tato político para dialogar com o movimento nacionalista de Basiri, que denunciava a corrupção dos “chuij” (líderes tribais) e exigia maior autonomia do Sahara, assim como censurava a incapacidade espanhola para defender os territórios saharaui, especialmente com cedência de Cabo Juby a Marrocos, território saharaui desde os tempos imemoriais sobre o qual Rabat nunca tivera direitos.         

Circunstâncias graves levam os nacionalistas saharauis a criar a Frente Polisario e a formar a vanguarda do movimento de independentista. A primeira ação armada tem lugar contra o posto policial de Janguet Quesat, localizado a cinco quilómetros da fronteira com o Marrocos. Este posto era responsável por controlo dos grupos nómadas que cruzavam o território saharaui. O ataque foi liderado por Brahim Ghali, então primeiro secretário-geral da Frente Polisário [atual embaixador da RASD na capital argelina]. A ação realizou-se sem derramamento de sangue, não houve vítimas. O saque limitou-se a algumas armas, munição, víveres e camelos.
                    
Esse primeiro confronto armado de pequena intensidade foi, no entanto, o primeiro feito com  armas, e constituiu o rastilho do que seria, mais tarde, o Exército de Libertação Popular Saharaui. Esta força, que chegou a aplicar o conceito de "povo em armas" com recursos humanos limitados, teve que fazer face à agressão de dois exércitos, que contavam com o apoio financeiro e logístico das potências ocidentais. De facto, as forças saharaui tiveram que enfrentar inimigos dez vezes superiores em número de efetivos.

No dia 20 de maio de 2014, cumpriram-se 41 anos da primeira ação armada no contexto da luta de libertação do povo saharaui. Luta que não terminou ainda por cumplicidade das grandes potências, que desviam o olhar face à ilegal ocupação marroquina. Esperemos que a História registe algum dia o feito militar daquele distante 20 maio de 1973, como a data em que se forjou aquilo que constitui uma extraordinário força militar, o ELPS que, contra todas as probabilidades, travou uma guerra contra dois inimigos poderosos, levando a cabo verdadeiras proezas, transformando a sua força numa verdadeira lenda.
01/06/2014

Autor: Jorge Alejandro Suárez Saponaro, Advogado – Mestre em Defesa Nacional e professor catedrático convidado de Estudos do Sahara Ocidental.

Curso de verão da Universidade de Santiago de Compostela: O conflito do Sahara Ocidental



Decorre até à próxima quinta-feira, 5 de junho, o Curso de verão da Universidade de Santiago de Compostela: O conflito do Sahara Ocidental.

A louvável iniciativa decorre da iniciativa do prof. de Direito Constitucional Carlos Ruiz Miguel e da Universidade onde leciona. Pena o Curso não ter tido maior divulgação prévia pois, estamos certos, mais pessoas estariam interessadas em nele participar. Esperemos que do Curso possa resultar uma publicação com o apanhado das intervenções dos muitos e conceituados oradores que ali vão estar presentes.




Programa do Curso

Fechas: del 2 al 5 de junio
Lugar: Facultad de Derecho
Nº de horas lectivas: 28
Dirección: Carlos Ruiz Miguel
Secretaría: Yolanda Blanco Souto
Secretario adjunto: Hassanna Aalia
Alumna Colaboradora: Lara Casanueva Muruáis

Patrocinan: SOGAPS y
Fundación Robert F. Kennedy Center for Justice & Human Rights

PROGRAMA

Lunes 2 de junio

10’00-10’30: Presentación del curso
Carlos Ruiz Miguel. Catedrático de Derecho Constitucional, USC

10’30-11’30: Introducción histórica al conflicto del Sahara Occidental
Carlos Ruiz Miguel. Catedrático de Derecho Constitucional, USC

11’30-13’00: La historia del Sahara Occidental a través de la cartografía
Moisés Ponce de León. Profesor titular (Maître des conferences) de la Universidad de Rennes-II (Francia)

13’00-13’30: Preguntas y debate.

17’00-18’30: El Estado Saharaui en la perspectiva del Derecho Internacional
Antonio Martínez Puñal. Profesor titular de Derecho Internacional Público, USC

18’30-20’00: La acción de México a favor del Sahara Occidental
Gustavo González Hernández. Ex diputado federal mexicano

20’00-20’30: Preguntas y debate


Martes 3 de junio

10’00-11’30: El proceso de paz en el Sahara Occidental y la actuación de las Naciones Unidas
Roberto Barral. Profesor de Filosofía del IES de Valga

11’30-13’00: “Prospectiva del conflicto del Sahara Occidental: propuestas para un análisis”
Leonardo Urrutia Segura. Escritor y periodista.

13’00-13’30: Preguntas y debate.

17’00-18’00: Las violaciones de los derechos humanos en el Sahara Occidental
Katharine Valencia. Fundación Robert Kennedy

18’00-19’00: Las violaciones de los derechos procesales en el Sahara Occidental
Luis Mangrané Cuevas. Abogado

19’00-20’00: El muro del Sahara Occidental
Gaici Nah. Coordinador de REMMSO (Red de Estudios sobre minas y muros en el Sahara Occidental)

20’00-20’30: Preguntas y debate.


Miércoles 4 de junio

10’00-11’30: La economía del Sahara Occidental con particular atención a su geología
Saleh Lehbib. Dr. En Geología

11’30-13’00: El Derecho económico de la descolonización
Raúl Rodríguez Magdaleno. Profesor contratado doctor de Derecho Internacional Público, U. Oviedo

13’00-13’30: Preguntas y debate.

17’00-18’30: Los acuerdos internacionales de Marruecos sobre actividades económicas en el Sahara Occidental
Romualdo Bermejo García. Catedrático de Derecho Internacional Público, U. León

18’30-20’00: La responsabilidad social de las empresas y la complicidad en la ocupación marroquí
Suzanna Braz de Oliveira. Ingeniera

20’00-20’30: Preguntas y debate.


Jueves 5 de junio

10’00-11’30: La sociedad saharaui: la situación en los territorios ocupados
Brahim Dahán. Presidente de la ASVDH (Asociación de víctimas de violaciones de los derechos humanos por el Estado Marroquí)

11’30-13’00: La sociedad saharaui: El exilio y la situación de los refugiados del Sahara Occidental
Limam Boicha. Escritor y poeta saharaui

13’00-13’30: Preguntas y debate.

17’00-18’30: Sociedad civil y asistencia humanitaria al Sahara Occidental
Maite Isla. Presidenta de SOGAPS (Solidaridade Galega co Pobo Saharauí) Said Ayachi, Presidente del Comité argelino de Solidaridad con el Pueblo Saharaui
El movimiento jurídico solidario: Sidi Moh Talebuya, Licenciado en Derecho.


18’30-19’00: Preguntas y debate.

domingo, 1 de junho de 2014

Apelo às organizações internacionais para salvar a vida do preso político saharaui Yahya Mohamed El Hafed



O Comité de Defesa da Autodeterminação do Povo do Sahara Ocidental, CODAPSO, ante o grave estado de saúde do defensor dos direitos humanos e preso político saharaui Yahya Mohamed El Hafed, junta o seu apoio e solidariedade à voz das organizações de direitos humanos e sociais para denunciar a grave situação carcerária que enfrenta o preso político saharaui Yahya Mohamed El Hafed.

De visita a Espanha, o vice-presidente do CODPASO, Hmad Hammad, denunciou sexta-feira Marrocos, responsabilizando aquele país pelas consequências que poderão ocasionar os mais de 37 dias de greve de fome que o preso político saharaui leva a cabo em reivindicação pelos legítimos direitos a um julgamento justo.
                                                                                  
O Vice-presidente do CODPASO apelou às organizações internacionais a intervir para salvar a vida deste preso político saharaui e defensor dos direitos humanos.

O pai de Yahya tem os braços mutilados e a mãe padece de cegueira total, encontrando-se numa difícil situação devido aos constrangimentos económicos e à situação de encarceramento do seu filho.

Poster: Francesc Verdugo

Fonte. CODAPSO, 31 de maio de 2014.