sexta-feira, 4 de julho de 2014

Imprensa marroquina inquieta com uma reunião de Rajoy com Abdelaziz: “Nem sequer Aznar se atreveu a receber o líder da Polisario”




O diario Akhbar Al Yaoum revela a realização de um encontro não oficial entre Mariano Rajoy e o líder da Polisario, Mohamed Abdelaziz, no âmbito da Cimeira da União Africana na passada semana. Ressaltam o precedente já que, até agora, “nenhum presidente de governo de Espanha se tinha alguma vez reunido com o líder da Polisario. Nem sequer Jose María Aznar conhecido pela sua hostilidade para com Marrocos”. Outros meios marroquinos também se fazem eco da inquietação na diplomacia do seu país por esta suposta reunião informal hispano-saharaui. O Palácio da Moncloa não informou de que tenha havido encontro, embora de facto tenha existido, pelo menos, um contacto público entre ambos os presidentes: foram colocados juntos, lado a lado, na foto oficial da Cimeira.



Rajoy falando com Mohamed Abdelaziz
Akhbar Al Yaoum afirma: “O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, reuniu-se com o líder da Polisario, Mohamed Abdelaziz, à margem da Cimeira da União Africana realizada em Malabo na semana passada. Este encontro é o primeiro entre os dois… Apesar de não ter sido nem oficial nem preparado previamente, ele é considerado um precedente na história dos presidentes de governo de Espanha já que nenhum presidente se havia reunido antes com o líder da Polisario.”

E sublinha: “Nem sequer, José María Aznar, conhecido pela sua hostilidade para com Marrocos se atreveu a receber al líder da Polisario até 2004 quando já tinha abandonado o poder. Este encontro tem lugar na sequência das críticas dirigidas por dirigentes da Polisario ao governo espanhol segundo as quais, este ‘não demonstra neutralidade e apoia as teses de Marrocos ‘. Além disso coincide com a visita que realizará o rei Filipe VI a Marrocos para dar um novo impulso às relações hispano-marroquinas.”


Fonte:http://www.radiocable.com/nm-reunion-rajoy-polisario428.html#sthash.O2yvqIEo.dpuf

O Conselho da Internacional Socialista vai visitar o Sahara Ocidental


  
O Conselho da Internacional Socialista acordou — durante os seus trabalhos realizados no México de 30 de junho a 1 de julho — realizar uma visita de observação ao Sahara Ocidental.

Segundo um membro da delegação saharaui, o Conselho referiu que informará no mais breve prazo possível a data da visita que tem como objetivo conhecer in loco a situação em que vive o povo saharaui.
 
Fatma Mehdi, SG da União Nacional de Mulheres Saharauis
durante a sua intervenção



Durante os dois dias de trabalhos, a questão saharaui esteve no eixo dos debates sobre as recomendações e decisões adoptadas para resolver os conflitos de forma pacífica.


A causa saharaui contou com o apoio da maioria das delegações de países presentes, entre as quais cabe destacar a intervenção da delegação do ANC da África do Sul; SWAPO da Namíbia; Partido Independentista Porto-riquenho, Frente Sandinista de Libertação Nacional da Nicarágua, e do Partido Socialista Obrero Espanhol.

SPS

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sahara Ocidental: Marrocos, só contra todos


O Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, está bloqueado por Marrocos. Desde há meses que ele tenta efetuar uma nova viagem à região. Provavelmente, ele pretende apresentar uma proposta com base no direito do povo saharaui à autodeterminação em conformidade com as resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança da ONU. O que não é do gosto de Rabat. Marrocos quer uma solução que não tenha em conta o direito internacional e a Carta das nações Unidas.

Segundo fontes bem informadas, Ross tentou deslocar-se a Marrocos por duas vezes. Marrocos impediu-o. A primeira vez, sob o pretexto de eleições nas comissões do Parlamento. À segunda vez, os marroquinos justificaram a sua recusa com a ausência do rei. Este encontrava-se na Tunísia. O Ramadão seria um outro pretexto que Marrocos avançaria no caso de terceira tentativa do diplomata norte-americano de visitar o país de Mohamed VI.

A União Africana acaba de designar um representante especial para o Sahara Ocidental [o ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano] a fim de participar ativamente na resolução do conflito marroquino-saharaui. Enquanto Marrocos exprimiu a sua recusa e oposição a esta designação, o Presidente saharaui, Mohamed Abdelaziz, saudou-a e exprimiu, em intervenção durante o debate do relatório do Conselho Paz e Segurança da UA, a "consideração" do seu país                quanto ao seguimento "permanente" de que possa beneficiar o dossiê do Sahara Ocidental por parte da Comissão e do Conselho Paz e Segurança da UA.

O Presidente saharaui afirmou que o reino de Marrocos "entrava o referendo de autodeterminação no Sahara Ocidental e as negociações, procede à pilhagem das riquezas na parte ocupada do Sahara Ocidental, proíbe o acesso aos observadores independentes, reprime os cidadãos saharauis indefesos e faz comparecer civis perante tribunais militares".

Por seu lado, Marrocos multiplica os pretensos incidentes com a França na desesperada esperança de fazer pressão sobre o Presidente François Hollande, suspeito de abandonar a velha posição francesa de apoio incondicional às teses marroquinas em detrimento da legalidade internacional.



Assim, os dirigentes de Rabat encontram-se sós na sua aventura sahariana num contexto onde a comunidade internacional exprime o seu enfado com a persistência do contencioso do Sahara Ocidental e a necessidade de respeitar a vontade do povo saharaui.

Isto acontece num contexto marcado pela liderança da Argélia a nível regional e internacional que se desenvolve através de rondas diplomáticas que se sucedem em Argel, as visitas de chefes de Estado e de Governo e as missões da União Africana e da ONU. Um contexto que irrita Rabat, que vê com maus olhos a credibilidade da Argélia na cena internacional e a sabedoria da diplomacia de um país cada vez mais procurado e escutado pelos seus interlocutores, que ouvem os seus conselhos, atendem à sua sabedoria e os seus encorajamentos à paz.



Deputado britânico levanta questão da cooperação entre a Grã-Bretanha e a Frente Polisario

Mark Williams, deputado do partido Liberal Democrata

A cooperação do governo britânico com a Frente Polisario relativa às questões ligadas à segurança e ao terrorismo na região foi evocada por Mark Williams, deputado do parlamento britânico do partido Liberal Democrata e vice-presidente do grupo parlamentar para o Sahara Ocidental.
         
Numa pergunta colocada ao ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, o deputado interroga "se o ministro encarregado do Médio Oriente e da África do Norte contava reunir com representantes da Frente Polisario para discutir questões relacionadas com a segurança e o terrorismo" na região.


Hugh Robertson, ministro de Estado encarregado
do Médio Oriente e da África do Norte 
       
O ministro de Estado encarregado do Médio Oriente e da África do Norte, Hugh Robertson, referiu que os responsáveis do ministério dos Negócios Estrangeiros "encontram-se regularmente com os representantes da Frente Front Polisario e efetuam visitas à região e aos campos de refugiados de Tindouf".
       
No passado mês de junho, vários deputados do parlamento britânico tinham colocado questões ao governo britânico sobre a questão saharaui, nomeadamente no que respeita às violações dos direitos humanos nas regiões ocupadas, os contactos do governo britânico com a Frente Polisario, a ação de MINURSO, bem como o acompanhamento do conflito do Sahara Ocidental e a situação de segurança na região.


(SPS)

Curta-metragem: “O valor de uma geração”



Após vários meses de trabalho na curta-metragem “El valor de una generación” e depois de ter concluído o promo e o making off, já está disponível a curta-metragem protagonizada por vários jovens saharauis.

O diretor da curta-metragem é Unai San Martin, os guionistas são Bachir Lehdad y Kamal Salek, a diretora de atores Miren Izostegui, o câmara é Pedro García, o som é de Jon Garcia, Mikel Marley e Iñaki Bilbao, o assistente de imagem e ajudante de câmara Borja Nafria, script Gues Lemunierel, ajudante de câmara Iker Lobo, os estilistas são Balú Hair Trends, fotógrafa e encarregada do making off é Vanesa “Argazki Mahatu Fotoandfilmes” e a voz off é de Ernesto Sánchez.

“El valor de una generación” é uma curta-metragem que mostra o trabalho de uma equipa comprometida com a causa saharaui.


Fonte: porunsaharalibre.org

Ignacio Cembrero no EL MUNDO




Após 20 anos de bons e leais serviços, com muitas “caxas” e revelações de enorme importância em primeira-mão, o correspondente do diário espanhol “El Pais” na região do Magrebe, Ignacio Cembrero, foi demitido das suas funções pela direção do jornal. Face a esta sanção, que surgiu na sequência da queixa apresentada pelo chefe do governo marroquino Abdelilah Benkirane contra Cembrero por alegada "apologia do terrorismo", na sequência da difusão no blog do jornalista de um vídeo da AQMI, o reputado jornalista espanhol pediu a demissão do EL PAIS e — com toda a dignidade do mundo — , bateu com a porta!!

Ignacio Cembrero estava no El País desde 1979, a sua demissão do diário espanhol deveu-se ao facto, como explicou, de ter-se sentido pouco apoiado após a denúncia interposta contra ele pelo primeiro-ministro marroquino em setembro de 2013.


No entanto, a Procuradoria da Audiência Nacional — a mais alta instância judicial no Estado español —, decidiu no passado dia 20 de junho arquivar a denúncia de Abdelila Benkiran contra o ex-correspondente do El País no Magreb. O que acabou por constituir uma enorme bofetada de luva branca ao primeiro-ministro marroquino e à direção do EL PAIS.

A questão angustiante que se colocava a todos os leitores de Ignacio Cembrero era saber se passariam a estar privados dos seus textos bem fundamentados e reveladores da verdadeira situação no Magrebe. Felizmente que não.

Ignacio Cembrero passa, a partir de agora, a escrever no EL MUNDO.
Obrigado Ignacio Cembrero, obrigado EL MUNDO.