quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Centro Robert F. Kennedy para a Justiça e os Direitos Humanos pede uma investigação sobre casos de desaparecimento no Sahara Ocidental




O Centro Robert F. Kennedy para a Justiça e os Direitos Humanos, instou esta terça-feira o regime de ocupação marroquino a abrir uma investigação sobre as denúncias relacionadas com os casos de desaparecimento ocorridas desde 1991 no Sahara Ocidental.

No seu relatório apresentado à Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, o Centro Robert F. Kennedy denuncia que Marrocos “obstaculiza os esforços da ONU para a solução do conflito que dura há 40 anos, através da rejeição ao reatamento das negociações sobre a base do direito do povo saharaui à autodeterminação”.

O relatório solicita aclarações sobre as medidas adotadas para garantir o consentimento do povo saharaui em relação à exploração dos seus recursos naturais, os dados sobre os casos de desaparecimentos forçados e de tortura, as medidas destinadas a facilitar o desmantelamento do muro que divide o território do Sahara Ocidental, informações sobre violações do direito à liberdade de reunião, associação e expressão.

“Como potência ocupante de facto de um território não autónomo, Marrocos tem a obrigação de respeitar os direitos do povo saharaui em virtude do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos”, afirmou Santiago A. Canton, diretor-executivo da Robert F. Kennedy Foundation.

“Na ausência de um mecanismo de supervisão independente de direitos humanos na região, o Comité de Direitos Humanos da ONU tem um papel vital a desempenhar na investigação das graves violações dos direitos humanos cujos relatos são recebidos de forma regular desde o território do Sahara Ocidental”, acrescentou.

O relatório foi elaborado pelo Centro Robert F. Kennedy de Direitos Humanos em colaboração as seguintes organizações não governamentais e ativistas de direitos humanos saharauis e internacionais: Collectif des défenseurs sahraouis des droits de l’homme; Association Sahraouie des Victimes de Violations Graves Des Droits de l’Homme Commises par l’Etat du Maroc;
Action des Chrétiens Pour L’Abolition de la Torture – France ;

Fondation Danielle Mitterrand/France Libertés ; Bureau des Droits de l’Homme au Sahara occidental ; Association Française d'Amitié et de Solidarité avec les Peuples d'Afrique ; Adala UK.

domingo, 27 de dezembro de 2015

14.º Congresso da F. Polisario: os membros eleitos para o Secretariado Nacional




No final dos trabalhos do 14.º Congresso da  Frente Popular de Libertação do Saguia El-Hamra e Rio do Ouro (Frente POLISARIO), que decorreu de 16 a 23 de Dezembro, no campo de refugiados de Daklha, foram divulgados os nomes dos novos membros eleitos para o Secretariado Nacional da organização.


A Comissão Eleitoral, na noite de quarta-feira, divulgou os vinte sete eleitos da lista de oitenta e um candidatos apresentados à segunda volta, já que no primeiro escrutínio apenas alcançaram a maioria absoluta dos votos dois candidatos: Hamma Salama (ministro do Interior da RASD) e Emhamed Khaddad, Coordenador saharaui junto da Missão das Nações Unidas (MINURSO).
Eis a lista dos 27 eleitos pela ordem de número de votos recebido:

  1. Emrabih El-Mami
  2. Abdalla Lehbib
  3. Jatri Adduh
  4. Brahim Gali
  5. Bachir Mustafa Sayed
  6. Salek Baba Hassanna
  7. Abdelkader Taleb Omar
  8. Buchraya Hamudi Beyún
  9. Jira Bulahi
  10. Mohamed Lamín Ahmed
  11. Jadiya Hamdi
  12. Mohamed Lamín Buhali
  13. Bujari Ahmed
  14. Ohamed Eluali Lahkeik
  15. Mohamed Salem Salek
  16. Brahim Mohamed Mahamud
  17. Yusef Ahmed Ahmed Salem
  18. Hamma Ali Salem Malu
  19. Mustafa Mohamed Ali Sid-Albachir
  20. Mohamed Sidati
  21. Mansur Omar
  22. Taleb Ammi Deh
  23. Mohamed Yeslem Beissat
  24. Mariam Salek Ahmada
  25. Abeida Chej
  26. Salem Lebsir
  27. Fatma Bal-la

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Recondução legítima




Após vários dias de debate, o pano do XIV Congresso desceu. O combatente Mohamed Abdelaziz foi reconduzido por unanimidade à liderança da Frente POLISARIO, ponta-de-lança do nosso combate pela libertação. Felicitamo-nos por esta eleição, que só pode ser benéfica na conjuntura nacional atual. A decisão foi tomada depois de uma conferência nacional e um Congresso que reuniram muitas centenas de saharauis mais ou menos representativos e cuja maioria se deslocou de longe para nele participar. Foi, pois, uma decisão profundamente refletida que prova que ele é o homem do consenso. Mas ``uma só mão não pode aplaudir´´ diz o provérbio hassanya.

Não há dúvida que o Presidente é a peça central na proteção das nossas conquistas e que ele é também o garante do êxito da nossa política em geral, sobretudo a que foi definida expressamente pelo sangue dos nossos mártires caídos no campo da honra. E, para isso, é preciso que ele se socorra ao bom-senso, ao seu militantismo, ao seu patriotismo e à sua dedicação à causa nacional de que sempre deu provas desde que assumiu a liderança da nossa organização em 1976. Contamos e esperamos que ele ponha termo às alegações dos seus críticos que o acusam, com razão ou sem ela, de laxismo excessivo face a certas situações que exigem tomadas de posição rápidas e dissuasivas.

Ele tem agora que ganhar impulso com vista a iniciar o seu novo mandato, criando estruturas de controlo eficazes que travem a má administração que gangrena as nossas instituições, a fim de reduzir o fosso que separa as classes sociais do nosso povo para que ele recupere a sua coesão e a sua moral. Este fosso, criado pelo enriquecimento ilícito, pode causar a depravação da nossa juventude, exacerbar a sua delinquência, e mesmo causar desvios do caminho que tomámos tendo em vista o objetivo final pelo qual muito nos temos sacrificado.

É, pois, fulcral ter em conta a justiça social, pois ela é o cimento da nossa unidade e fortalece a coesão de todo o nosso povo.



A tarefa, há que dizê-lo francamente, é difícil. Ela só é realizável com a colaboração de um ‘staff’ competente, dinâmico, longe de calculismos estreitos, capaz de evitar todas as situações e que aja em conformidade com os momentos certos; não um conjunto de colaboradores que apenas procuram agradar, mesmo que em detrimento do interesse geral.

Isso pode ser conseguido com honestidade sincera e exige homens e mulheres militantes que não procuram qualquer tipo de benefícios materiais, que são profundamente marcados pela ocupação da nossa terra, pelo sofrimento dos nossos concidadãos submetido a abusos por parte das autoridades marroquinas e com as difíceis condições em que o nosso povo vive no exílio. Esses homens [essas mulheres] devem também estar preparados para não poupar nenhum esforço de patriotismo para estancar a degenerescência que atinge os princípios da nossa revolução e assesta um duro golpe aos nossos valores intrínsecos.

É preciso que a nova administração esteja firmemente determinada a romper com as práticas da época anterior, que partiram os nossos corações e as nossas aspirações nacionais. O caminho da libertação é ainda longo e frequentemente pejado de armadilhas colocadas pelo inimigo, o que nos obriga a muitos sacrifícios e abnegação para alcançar o objetivo final, que não é outro que não seja a Independência total

A alteração à situação anterior ao XIV Congresso deve tomar em consideração vários elementos, entre os quais:

- Devolver ao Exército de Libertação Nacional o seu prestígio e grandeza, mantendo a sua moral para levar a cabo a sua missão principal.

- Dar um impulso à nossa Diplomacia marcando a nossa presença nos países membros permanentes do Conselho de Segurança e levar a cabo uma ofensiva ativa em todos os continentes por Embaixadores e Representantes capazes de transmitir a mensagem do nosso povo.

- Devolver às nossas instituições o papel que lhes é consignado, que consiste em estar ao serviço do povo, e não propriedade familiar posta ao serviço do seu primeiro chefe e à sua vontade; queremos que se aplique o princípio do homem adequado no lugar correto.

- A instauração de uma justiça que respeite as leis em vigor colocando-as acima de quaisquer outras considerações.

- Não dar crédito às afirmações muitas vezes infundadas de mitómanos (não aponto ninguém) que valorizam ou depreciam militantes de acordo com seus temperamentos.

A lista não é exaustiva, mas os problemas a corrigir aparecerão de forma progressiva.

Não há dúvida de que o Presidente Mohamed Abdelaziz terá todas as responsabilidades em tomar medidas concretas para pôr o comboio da revolução nos carris, prosseguindo o caminho da libertação e evitando o que o XIV Congresso não passe de uma montanha que pariu um rato.

Estamos conscientes do nosso direito inalienável à independência e dispostos a todos os sacrifícios pelas nossas convicções.


Dih Mokhtar Daf
http://saharaopinions.blogspot.nl

Terrorismo: Marrocos, o “Grande Jogo”




Na Tunísia, a investigação "Blacklist" (lista negra), citando uma fonte que pediu anonimato, evocou o envolvimento direto de Marrocos nas operações terroristas que abalaram a Tunísia recentemente.
No entanto, em França — que acaba de ser cenário de um dos atentados mais sangrentos que Europa conheceu —, a imprensa francesa mantem-se fiel à sua velha postura de proteção e cumplicidade com o reino cherifiano. Com efeito, dir-se-ia que os franceses procuram por todos os meios evitar mencionar que os assassinos que cometeram este massacre são todos de origem marroquina e que o bairro Molenbeek de Bruxelas é onde se encontra a maior concentração de comunidade marroquina.
Por que razão esta questão continua a ser um segredo quando todo o mundo sabe, já que ninguém ignora que os marroquinos também estão por detrás dos atentados de Madrid de 2004, na qual morreram mais de 200 pessoas?

A imprensa francesa, pelo contrário, em vez de recordar aos franceses esta realidade dedicou-se a propalar a "contribuição da polícia marroquina em pôr os investigadores franceses atrás da pista do jihadista belgo-marroquino Abdelhamid Abaaoud".

Como é que os serviços secretos marroquinos conseguiram obter informações tão precisas quanto à localização do elemento considerado o cérebro de toda a operação terrorista? Não esqueçamos que as atividades das autoridades marroquinas dentro da sua comunidade causaram um conflito entre Marrocos e o Estado belga. Rabat é acusado de querer formar uma quinta coluna. Um facto amplamente divulgado pela imprensa belga. Essa a razão por que o Estado belga expulsou dois falsos diplomatas que trabalhavam no consulado de Marrocos em Bruxelas.

No ataque a Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, a pista marroquina foi claramente evocada pelo hacker misterioso que agiu sob o pseudónimo de Chris Coleman.

Em primeiro lugar, os irmãos Kouachi não são argelinos, como alegadamente afirmava a imprensa francesa, mas sim marroquinos. Em segundo lugar, foi a Al Qaeda no Iémen que reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

Precisamente quando — de acordo com um documento revelado por Chris Coleman — , a Embaixada da França no Iémen acabava de pedir ajuda à embaixada de Marrocos em Saná para identificar e conhecer o paradeiro de "cerca de 40 franceses de origem marroquina que combatiam nas fileiras da Al Qaeda no Iémen contra os haouthies ". Existe uma ligação entre os dois eventos e eles são, apenas, um produto do acaso?

Os laços de cooperação de Marrocos com o Ocidente e com Israel não são um segredo para ninguém. Apesar disso, o país não é alvo de ameaças terroristas. A Argélia, no entanto, que se recusa a ser arrastada para conflitos fora das suas fronteiras é constantemente ameaçada, enquanto a Tunísia foi atingida em pelo coração. Uma realidade que o governo marroquino tenta esconder multiplicando falsos anúncios de desmantelamento de células terroristas.

No Mali, há vozes que se levantam para acusar Marrocos de fazer tudo para sabotar o processo de paz no Mali liderado pela Argélia, devido ao apoio deste país aos saharauis.

Todos os indícios estão aí para demonstrar que Marrocos, a fim de manter o controlo dos recursos do Sahara Ocidental, está há muito a protagonizar o “Grande Jogo” da inteligência.

Um mês depois dos atentados em Paris, o Tribunal de Justiça Europeu anulou o acordo comercial assinado entre a UE e Marrocos, por incluir o território do Sahara Ocidental; e a empresa francesa Total anunciou a sua retirada da antiga colónia espanhola invadida por Marrocos em 1975 . Existe uma ligação entre estes eventos?


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Mohamed Abdelaziz reeleito para um novo mandato como SG da F. POLISARIO e presidente da República Saharaui




O SG da Frente Polisario, Mohamed Abdelaziz, foi reeleito para um novo mandato pelos participantes no 14.º Congresso da Frente POLISARIO, com 90,31%  dos votos expressos, anunciou o presidente da comissão eleitoral, Bouchraya Hamoudi Beyoun.

Mohamed Abdelaziz, que se apresentou como único candidato ao cargo, exprimiu a sua satisfação quanto ao "bom desenrolar" da operação de eleição da nova direção da Frente e pelo "clima democrático que caracterizou todo o processo eleitoral".

 (SPS)

14.º Congresso da Frente Polisario: apenas dois candidatos eleitos para o Secretariado Nacional à primeira volta das eleições




A Comissão Eleitoral encarregada do processo de eleição dos membros do Secretariado Nacional da Frente Polisario anunciou os resultados da primeira volta das eleições, destacando que apenas dois candidatos obtiveram a “maioria absoluta” de votos de acordo com o Regulamento eleitoral.

O presidente da Comissão refere em comunicado que, “de acordo com os artigos 72.º e 73.º do Regulamento Básico da Frente Polisario, os vencedores na primeira volta para membro de Secretariado Nacional têm que alcançar uma maioria absoluta de 50% dos votos + 1 pelo que, na 1.ª eleição, apenas dois candidatos obtiveram esse resultado: Hamma Salama [ministro do Interior] e Mohamed Khaddad [coordenador da Polisario junto da MINURSO], que reuniram, respectivamente, 1225 e 1135 dos 1969 votos expressos", declarou o presidente da comissão, Bechraya Beyoun.

De acordo com a secção “d” do artigo 73.º do Regulamento Básico e tendo em conta que nenhum outro candidato alcançou o quórum necessário na primeira volta, proceder-se-á a uma segunda volta onde os eleitos serão os que obtiverem maior número de votos.

Há uma lista de 81 candidatos que competem para 27 lugares disponíveis no Secretariado Nacional. Os congressistas já haviam reeleito Mohamed Abdelaziz como Secretário-Geral da Frente Polisario, e aprovado a participação no SN dos secretários-gerais das organizações da sociedade civil (UGTSARI, UJSARIO, UES e UNMS) e a concessão de 16 lugares a militantes dos territórios ocupados.