sexta-feira, 4 de março de 2016

Parlamento pede ajuda para os refugiados saharauis e um referendo de autodeterminação




O Parlamento da Catalunha aprovou ontem uma declaração em que pede ajuda humanitária urgente para os acampamentos de refugiados saharauis de Tindouf (Argélia) ante as graves inundações sofridas, e também exige que se cumpra a resolução da ONU que prevê a realização de um referendo de autodeterminação.

A declaração, aprovada pelo plenário do Parlamento, expressa a solidariedade com os refugiados saharauis e reclama ajuda internacional “ante a tragédia humanitária que se vive nos acampamentos saharauis argelinos de Tindouf”.

Esta tragédia, precisa o texto, foi causada por “graves inundações e arrastamentos de terras provocados pelas chuvas torrenciais e as intensas rajadas de vento” ocorridas nos últimos meses na zona donde estão localizados os mencionados acampamentos saharauis.

A câmara legislativa catalã reclama “a rápida intervenção de todos as entidades públicas, organizações internacionais, organizações não-governamentais e os movimentos de solidariedade da sociedade civil” para “colaborar o mais depressa possível com ações de emergência” a fim de “cobrir as necessidades mais urgentes da população, assim como atender à vítimas e reconstruir os acampamentos”.

O Parlamento catalã adverte que estes acampamentos “sofrem uma situação extrema”, pelo que insta especialmente o Governo “a adotar medidas concretas de ajuda humanitária por meio da Agência Catalã de Cooperação para o Desenvolvimento”.

Depois de pedir aos meios de Comunicação que informem sobre esta catástrofe humanitária, a declaração do Parlamento refere o conflito político que enfrenta o povo saharaui face a Marrocos, recordando que a câmara catalã “defende o direito de autodeterminação”.

O Parlamente pede, neste ponto, “à UE e ao Governo do Estado” que exijam “a aplicação da resolução 690 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 27 de junho de 1990, para que se possa realizar um referendo de autodeterminação ao povo povo saharaui”.

Fonte: La Vanguardia / EFE


quinta-feira, 3 de março de 2016

O ministro dos Negócios Estrangeiros saharaui adverte de que a credibilidade da ONU está em jogo



 O ministro saharaui dos Negócios Estrangeiros, Mohamed Salem Ould Salek, qualificou hoje de crucial a visita que sábado realizará aos campos de refugiados na Argélia e às zonas libertadas o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a primeira durante o seu mandato.

Em declarações à televisão oficial saharaui, o ministro desejou que a viagem sirva para desbloquear o processo e advertiu de que dela depende a credibilidade da ONU.

“É um acontecimento importante porque é o primeiro representante das Nações Unidas. Face ao bloqueamento do processo de paz por culpa da intransigência marroquina a visita reveste uma importância particular”, afirmou.

“Vinte cinco anos passaram (desde o acordo de cessar-fogo promovido pela ONU) e o referendo não foi organizado. O referendo é a missão única das Nações Unidas, que Marrocos tem obstaculizado até agora”, sublinhou.

Em linha com este argumento, Ould Salek adianta que Marrocos não só se dedica a torpedear a possibilidade de se vir a realizar a citada consulta, como manobrou para que a visita de Ban não se realizasse.

“Numa só palavra, a credibilidade das Nações Unidas está em jogo e pensamos que é o momento das Nações Unidas assumirem as suas responsabilidades”, sublinhou.

“Primeiro, para que o povo saharaui exerça o seu direito à autodeterminação, e é essa a posição da ONU em todas as suas resoluções e do Plano de Resolução, mas também para a paz e a segurança no mundo, e nesta parte do mundo em particular”, adiantou.

O MNE saharaui recordou que Marrocos ,“desde 1975, põe em perigo a estabilidade e continua a ser o único país nesta zona que não respeita as fronteiras dos seus vizinhos”.

“Pensamos que é chegado o momento para que as Nações Unidas assuma as suas responsabilidades” e obrigue Marrocos a por fim à “sua ocupação ilegal e a permitir ao povo saharaui exercer o seu direito à autodeterminação”, disse.

Ban tem previsto chegar na manhã de sábado aos campos de refugiados saharauis erguidos há 40 años em território argelino e deslocar-se depois a zonas do Sahara Ocidental que a Frente Polisario conquistou pelas armas à força ocupante marroquina.

Fonte: Radio Intereconomía / EFE


Representante da Frente Polisario em Portugal reúne com o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda




O representante da Frente Polisario em Portugal, Ahamed Fal, reuniu hoje com o grupo parlamentar do BE, representado pelo seu líder Pedro Filipe Soares, a deputada Domicilia Costa e Bárbara Veiga.

O representante da Frente Polisario em Portugal,  transmitiu informação atualizada  sobre a evolução do conflito no Sahara Ocidental, com especial ênfase para as negociações paralisadas devido à recusa de Marrocos em cooperar com a Comunidade Internacional,  a repressão sobre a população saharaui nos territórios ocupados por Marrocos, a situação dos presos políticos nas prisões marroquinas, cumprindo sentenças injustas e desproporcionadas em condições extremamente desumanas, uma situação que levou o grupo de presos de Gdeim Izik a iniciar uma greve de fome de tempo indeterminado no passado dia 1 de março. 
Foi entregue ao Grupo Parlamentar documentação informativa sobre o acórdão do Tribunal Europeu sobre a ilegalidade dos acordos bilaterais entre Marrocos e a UE que incluem o território do Sahara Ocidental, o comunicado do Conselho de Paz e Segurança da União Africana da sua reunião 575 de 11 de fevereiro sobre recursos naturais e conflitos em África. O Bloco de Esquerda foi ainda alertado para o facto que Marrocos pretende convocar a reunião do Fórum Crans Montana para a cidade de Dahkla nos territórios ocupados do Sahara Ocidental , como já aconteceu no ano transato, o que constitui uma violação flagrante do direito internacional.
O representante da Frente Polisario em Portugal deu nota sobre a comemoração do 40º aniversário da RASD e diversidade de delegações estrangeiras presentes no evento, testemunho do importante numero de países que reconhecem o Estado saharaui.
O represente da Polisario em Portugal tem agendados para os próximos dias encontros com outros grupos parlamentares.


Fonte: Por un Sahara Libre

terça-feira, 1 de março de 2016

Cidadão saharaui assassinado pelo exército marroquino perto do muro atingido por dois tiros ao ir ver a sua manada de dromedários




Ontem conheceu-se a fatídica notícia de que o exército marroquino assassinou a tiros um beduíno saharaui. Hoje conhecem-se os horrendos detalhes.

Na tarde de 27 de Fevereiro, Ichmad Abbad Yuli, descansava na sua ‘jaima’ (tenda tradicional) nos territórios libertados quando o seu amigo Abu que guardava a sua manada foi ao seu encontro para o informar que 4 dromedários estavam feridos em virtude de disparos do exército marroquino. Abbad Yuli, abandonou a sua tenda, pegou na viatura a dirigiu-se para o lugar dos acontecimentos para ver que o que se tinha passado sem saber o fatal desenlace que ia ter.

Estacionou o seu carro a 2km do muro e foi ver os seus dromedários que se encontravam a pouco mais de 600m do muro separado por minas antipessoal, Ichmad aproximou-se para poder auxiliar os dromedários feridos, enquanto o seu amigo Abu esperava no carro, os marroquinos não lhe deram qualquer hipótese e recebeu dois tiros nas pernas, que o deixaram inerte no local. Foi atingido por militares do exército marroquino na zona conhecido como Ybeilat (Mijk).


 O seu ajudante, o pastor maliano Abu, ao ouvir os tiros e ver o ocorrido foi rapidamente em busca de ajuda urgente. Não sabia conduzir, pelo que andou durante 8 horas até localizar os locais e informá-los do ocorrido, assim como a 3º Região Militar saharaui, a mais próxima da zona do incidente. Iniciou-se então uma busca por parte dos militares saharauis e de outras pessoas, mas anoiteceu e encontrar uma pessoa em áreas remotas na escuridão, era um trabalho quase impossível.

No dia seguinte ao amanhecer, os militares saharauis foram os primeiros a encontrá-lo sem vida na zona de Zamur. Mais tarde um helicóptero com membros da MINURSO e soldados saharauis da 3ª Região Militar chegaram para levar o cadáver. A MINURSO fez a autópsia e determinou que Ichmad Abbad Yuli havia aguentado com vida toda a madrugada tendo falecido às primeiras horas da manhã devido às feridas que os disparos lhe haviam causado.

Hoje às 18:00 horas, a MINURSO entregou o seu cadáver à família para o poderem enterrar. O enterro começou esta tarde às 20:00 próximo de Mijk (Zonas libertadas) terminou pelas 23:00 horas (hora espanhola).

A MINURSO anunciou que levará a cabo uma investigação para esclarecer o assassinato.

Ichmad Abbad Yuli era uma grande pessoa que ajudava os mais necessitados, é o que dizem todos os que o conheciam. Foi um grande golpe para a familia que agora está chorando a sua injusta morte.

Por: Jalil Belkasem – publicado a 29-02-2016

Mijk (Territórios libertados) - 29/02/2016. - El Confidencial Saharaui. (EXCLUSIVO)

Sahara Ocidental: Viagem de Ban Ki-moon em duas etapas revela a tensão entre a ONU e Rabat





A viagem de Ban Ki-moon à região do Sahara Ocidental, que irá decorrer em duas etapas separadas este mesmo ano, revela as tensões crescentes entre o governo de Marrocos e a ONU, segundo referem observadores em Rabat.
Ontem,  o porta-voz de Ban Ki-moon, Stéphane Dujarric, confirmou que o secretário-geral partiu em dois o seu périplo pela região do Sahara, com o qual pretende impulsionar a solução para um conflito de quarenta anos totalmente paralisado posições acantonadas das partes, Marrocos e a Frente Polisario.

Ban viajará este fim-de-semana a Tindouf, quartel-general da Polisario e base dos acampamentos de refugiados, além de visitar Madrid, Argel e Nouakchott, enquanto a viagem a Rabat e a El Aaiún, a capital saharaui controlada por Marrocos, se fará "mais adiante este ano", segundo Dujarric.

Questionado sobre o motivo da visita à região se fazer em duas etapas, Dujarric recordou que frequentemente é necessário fazer coincidir as agendas de distintos dirigentes.

Na passada semana, o mesmo Dujarric foi mais explícito ao ser questionado por que razão Ban não incluía El Aaiún entre as etapas da sua viagem: o secretário-geral — afirmou — "tem direito a visitar qualquer missão de manutenção da paz, mas também as autoridades de facto neste domínio têm que dar a sua autorização de aterragem do seu avião".

A explicação do avião de Ban não passou desapercebida: o diário “Ajbar al Yawm” interrogava-se ontem diretamente num artigo se Rabat tinha "proibido Ban de visitar o Sahara".

A pergunta é oportuna, tendo em conta que Marrocos já proibiu o enviado pessoal de Ban Ki-moon para o Sahara, o norte-americano Christopher Ross, de visitar a parte do território saharaui que controla, como revelou em entrevista à EFE no passado mês de Novembro o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Salahedín Mezuar.

Agora, nem Mezuar nem nenhuma fonte oficial marroquina quiseram fazer declarações à EFE sobre o alegado pedido feito a Ban de que adiasse e sua viagem e, no caso de não o fazer, que não incluísse no seu périplo Rabat nem El Aaiún.

Também a missão da ONU em El Aaiún (MINURSO [Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental]) quis fazer o mínimo comentário sobre a visita.

No entanto, fontes marroquinas preferiram expressar-se através de meios de comunicação amigos, como o portal marroquino le360.ma, considerado próximo do Palácio.

O referido portal escrevia ontem abertamente que "o Secretário-Geral parece dar sinais da sua falta de imparcialidade ao deixar que responsáveis da Polisario coloquem na sua boca palavras que podem por em dúvida a sua neutralidade sem dar-se ao incómodo de os desmentir", sem no entanto o referido meio dizer ao que se referia.

Outro meio eletrónico, yabiladi.com, ia mais longe e aludia a possibilidade de Rabat "anular" a visita à parte controlada por Marrocos se o relatório apresentado por Ban ao Conselho de Segurança não for do agrado daquele país magrebino.

Os observadores estimam que na visita que Ban empreende nos próximos dias há uma etapa que assentou especialmente mal a Rabat, como é a ida à base da MINURSO em Bir Lahlu, na parte do Sahara que Marrocos não controla e que a Polisario chama de "territórios libertados".

No passado Sábado, um confuso incidente teve lugar precisamente na "linha de defesa" [o muro] que Marrocos erguei no Sahara, e se saldou pela morte de uma pessoa, supostamente um pastor, por disparos dos soldados marroquinos, o que parece indicar um retomar da tensão na zona.

Isso explicaria o facto do tenente-General Bouchaib Arrub, máxima autoridade militar a seguir ao rei Mohamed VI, tenha decretado o "grau máximo de alerta" às Forças Armadas Reais (FAR) na região sul do Sahara onde teve lugar o incidente, segundo afirma hoje o diário Al Massae.

O periódico assegura que as FAR deslocaram blindados e centenas de soldados para esta zona do sul do Sahara, precisamente dias antes da visita de Ban Ki-moon.

Marrocos nunca enfrentou abertamente Ban Ki-moon, nem sequer quando protestou contra o seu Enviado Pessoal Christopher Ross e lhe retirou a sua confiança, e Ban Ki-moon respondeu reafirmando-o no seu cargo.


O arrufo diplomático de 2012 saldou-se por uma aparente derrota para Marrocos, mas o certo é que Ross perdeu desde então todo o poder de iniciativa e o papel da ONU no território saharaui ficou reduzido a pouco mais que uma missão de observação do cessar-fogo.

Fonte: EFE

Tensão aumenta no Saara Ocidental a cinco dias da visita de Ban Ki-moon



Fonte: LUSA

A tensão aumentou hoje no Saara Ocidental, a cinco dias da histórica visita aos territórios libertados do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com o assassinato de um pastor junto ao muro de separação erguido por Marrocos.
O incidente, que não foi totalmente esclarecido, está a ser considerado pelos saarauis a violação mais grave do cessar-fogo acordado em 1991 entre o reino da dinastia dos alauitas, a atual família real de Marrocos, e a Frente Polisário, que permitiu o atual processo negocial mediado pela ONU.

Segundo responsáveis saarauis, a vítima é um dos muitos pastores nómadas que vivem nesta zona, e que se aproximou do muro para recolher alguns animais e foi atingido a tiro por soldados marroquinos estacionados na zona ocupada, e sem que tenha sido registada qualquer provocação.

A agência noticiosa marroquina MAP limitou-se a referir que o incidente ocorreu na noite de sábado na zona de Gueltat Zemur, e que o homem, que efetuava "movimentos suspeitos e persistentes", recebeu um disparo de aviso que lhe custou a vida.

A versão marroquina acrescenta, no entanto, que junto ao cadáver foram também encontrados sem vida os corpos de quatro camelos, e que a missão da ONU no Saara (Minurso), também responsável pela vigilância e controlo do cessar-fogo, foi alertada de imediato.

A Minurso não reagiu ao acidente, considerado por grupos saarauis de defesa dos direitos humanos como uma manobra de Marrocos para forçar o recomeço da guerra e impedir a visita de Ban aos campos de refugiados e a Bir Lehlu, na zona libertada.

"É um acidente muito grave, é a primeira vez que se verifica uma violação tão grave do cessar-fogo, que existe desde 1991. Assassinaram um civil na zona desmilitarizada sem que existisse provocação", declarou à agência noticiosa Efe no campo de refugiados de Rabuni o ativista saaraui Abdelsalam Omar.

"É um caso que nos preocupa e perante o qual Marrocos assume toda a responsabilidade das consequências", sublinhou o ativista, presidente da Associação de familiares de presos e desaparecidos sarauis (AFRAPEDESA).

Na sexta-feira, Ban Ki-moon desloca-se à Argélia para visitar designadamente os campos de refugiados saarauis na região de Tindouf.

"Mais tarde mas ainda este ano, haverá uma segunda parte [da visita] em que o secretário-geral da ONU irá a Rabat e a El Aiun", a principal localidade do Saara ocidental e onde está instalado o quartel-general da missão da ONU (Minurso).

Esta é a primeira visita de Ban à região consagrada ao conflito no Saara ocidental, uma ex-colónia espanhola controlada por Marrocos.

Desde 1992 que a ONU tenta organizar um referendo sobre a autodeterminação deste território, disputado entre Rabat e os independentistas da Frente Polisário, apoiados pela Argélia.

A deslocação também coincide com as celebrações que a Polisário está a organizar nos campos de refugiados saarauis em Tindouf, em território argelino, para assinalar os 40 anos da proclamação da República Árabe Saaraui Democrática (RASD).