sexta-feira, 11 de maio de 2018

Marrocos expulsa membros da Emaús Internacional do Sahara Ocidental



El Aaiún (capital ocupada da RASD), 11 de maio de 2018 (SPS). Hoje, sexta-feira, as autoridades de ocupação marroquinas impediram uma delegação sueca de visitar as zonas ocupadas do Sahara Ocidental, onde pretendiam realizar uma reunião com membros da Associação Saharaui de Vítimas de Violações Graves cometidas pelo Marrocos (ASVDH).
A delegação era composta pelos cidadãos suecos, Caroline Nord e Juan Abergon, representantes da Emaús International, que planeavam fazer uma visita de trabalho ao Sahara Ocidental durante uma semana no âmbito da associação com a organização saharaui ASVDH e verificar o estado dos direitos humanos na região.
Os ativistas suecos foram expulsos de El Aaiún no mesmo avião em que haviam embarcado no aeroporto de Casablanca.
Embora as resoluções da ONU tenham exigido a Marrocos que abra o território a observadores internacionais, ativistas de direitos humanos e a jornalistas, a ocupação marroquina continua a vetar a entrada de qualquer observador internacional para continuar cometendo violações sérias de direitos humanos e reprimindo para os saharauis nas áreas ocupadas do Sahara Ocidental.
A Emaús International, criada por Abbé Pierre em 1971, é uma macro-organização formada por 350 organizações membros que trabalham em 37 países da África, América, Ásia e Europa e que lutam pelo respeito dos direitos humanos no mundo.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

domingo, 6 de maio de 2018

As patranhas de Marrocos





Publicado a 5 maio, 2018 - Fonte: SPS / Por Pepe Taboada

Não é a primeira vez, nem será a última, que Marrocos acusa a Frente Polisario de ter ligações com grupos armados considerados em alguns casos como grupos terroristas. Já disse que o Movimento de Libertação Nacional Saharaui  recibeu apoio dos “Vietnamitas”, dos “Gadafistas”, que tinha nas suas fileiras comunistas e assessores cubanos, que estava ligada à Al Qaeda do Magrebe Islâmico (AQMI)… E agora chegou a vez do Hezbollah. É a estratégia do makhzen (o poder palaciano). Era de rir se não fosse o eco que acolhe de alguns países, dispostos a utilizá-lo como aliados noutros lugares distantes deste conflito.

Marrocos, desde há mais de 40 anos, que inventa fantasmas para tentar obter apoio para a sua ocupação do Sahara Ocidental e, de acordo com diferentes circunstâncias regionais e internacionais, tentar "desacreditar" a luta justa e pacífica do povo saharaui pela sua liberdade e independência. Marrocos quer evitar o processo de negociação com o Polisario instado pelo Conselho de Segurança na sua sua Resolução 2414 do passado dia 27 de abril, não quer negociar uma solução justa e sem precondições e não quer assumir a prorrogação de seis meses da MINURSO ara que conclua o processo de descolonização do Sahara Ocidental, de acordo com os princípios da legalidade internacional e da Carta das Nações Unidas.

Marrocos acusa, mas nunca apresenta provas, simplesmente calunia; ameaçou mostrar mercenários durante os anos de guerra, mas não apareceu nenhum; falou de instrutores militares, e eles também não apareceram, tudo isso para esconder a ocupação militar de um território que invadiu pela força. Mas em contrapartida, Marrocos recebeu assessoria e ajuda de outras potências para evitar a sua derrota militar sobre o terreno, como foi a construção do Muro da Vergonha, de mais de 2.700 quilómetros e com 7 milhões de minas compradas ou doadas por seus países amigos.

O governo marroquino juntou-se à coligação árabe liderada pela Arábia Saudita contra o Irão, tanto na frente síria quanto na iemenita, para onde Rabat enviou aviões de combate e soldados. Os saharauis não têm que pagar por estes disparates para justificar este alinhamento no Médio Oriente, estão fartos de mentiras e patranhas para evitar a procura de uma solução pacífica e duradoura, segundo o direito internacional, para um conflito de mais de 40 anos que se mantém graças ao apoio de algumas potências, em particular a França e a Espanha, que querem continuar a explorar os recursos naturais do Sahara Ocidental.

O governo saudita condenou a suposta interferência iraniana nos assuntos internos do Marrocos por meio da milícia terrorista Hezbollah, que envolve elementos do grupo Polisario para desestabilizar a segurança e a estabilidade de Marrocos, segundo a versão de uma fonte oficial do Ministério das Relações Exteriores saudita . Este é o objetivo, você me apoia lá, eu te apoio aqui; uma estratégia geopolítica que usa a luta legítima do povo saharaui como moeda de troca.

Nestes tempos em que, infelizmente, o radicalismo e o terrorismo internacional são notícias quotidianas, os saharauis deram provas mais do que suficientes de que confiam nas Nações Unidas, no diálogo e na procura de uma solução pacífica: optaram pela paz. No entanto, os inimigos do povo saharaui não poupam esforços para tentar manchar a resistência e a luta do povo saharaui.

As patranhas do regime marroquino nunca foram credíveis e agora tampouco. Num prazo de seis meses, Marrocos terá de se sentar em negociações com o único e legítimo representante do povo saharaui, a Frente Polisário, para procurar uma solução justa e definitiva para este conflito que dura há demasiados anos.

__________________________
*Presidente do CEAS-SAHARA (Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Sahara - Espanha).



quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sahara Ocidental: “No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa” não temos nada a celebrar, “ESTAMOS AMORDAÇADOS”



"Vivemos AMORDAÇADOS"

3 de Maio 2018 - “ESTAMOS AMORDAZAD@S”. No dia Mundial da Liberdade de Imprensa, jornalistas saharauis denunciam que Marrocos os agride e os encarcera por exercerem a sua profissão no Sahara Ocidental ocupado. Comunicado do Centro Equipe Media de investigações e direitos humanos, desde El Aaiún Ocupada, Sahara Ocidental

Texto do comunicado:
Informar sobre o que acontece no Sahara Ocidental ocupado desde 1975 por Marrocos tem um preço muito alto para os jornalistas saharauis. Em nome da Equipe Media, um coletivo de jornalistas/as que trabalha na clandestinidade alertamos de que o risco na nossa profissão aumentou enormemente desde que as autoridades marroquinas se deram conta do impacto que podem ter as imagens por nós captadas, que mostram a resposta violenta e desproporcionada da polícia marroquina contra civis saharauis que se manifestam pacificamente pelo seu direito à autodeterminação, reivindicando direitos sociais, económicos e culturais.

Essas imagens voam através das redes sociais e chegam a cada vez órgãos de comunicação e organizações internacionais que monitorizam os direitos humanos no Sahara Ocidental, um território que a que não podem aceder fisicamente. Só em 2017, Marrocos deportou ou negou a entrada a 20 pessoas, e organizações como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch veem-se impedidas de trabalhar no terreno.

Trabalhando sem cobertura legal, os coletivos de jornalistas também registam violações de direitos como a pilhagem dos recursos naturais, extraídos e vendidos por Marrocos sem o consentimento da população saharaui. Organizações saharauis denunciam que a população saharaui sofre a discriminação laboral e económica e que os frutos da pilhagem apenas beneficiam o regime e os seus apaniguados, enquanto os empregos são quase exclusivamente destinados a colonos marroquinos que vivem no Sahara.

"Seguem-nos, espionam-nos, ameaçam e perseguem as nossas famílias, roubam o nosso equipamento, atacam-nos, detêm-nos e interrogam-nos, maltratam-nos e torturam-nos sob custódia, acusam-nos de falsas acusações, julgam-nos sumariamente, aprisionam-nos. Mas continuaremos a fazer o nosso trabalho, porque a nossa missão é quebrar o silêncio e informar o mundo sobre o que acontece diariamente no Sahara Ocidental ", Bachar Hamadi da Equipe Media.

A equipe Media publicará em breve o seu relatório anual sobre a liberdade de imprensa no Sahara Ocidental.

Na sexta-feira, 28 de abril, o Conselho de Segurança da ONU renovou por mais seis meses o mandato de sua missão no Saara Ocidental, conhecida como MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental), sem dizer uma palavra sobre a falta de liberdade de expressão, de informação e imprensa existente no território, assim como as duras condições em que se encontram os presos políticos saharauis, entre os quais há jornalistas.

Marrocos proíbe os saharauis de terem órgãos de informação livres que mostrem as violações que sofremos sistematicamente das forças de ocupação. Os membros da ONU estão sob a égide da MINURSO na região.

Exortamos a ONU a garantir os direitos dos jornalistas e o direito de trabalhar no território. O Sahara é um território não-autónomo e, como tal, enquanto não for descolonizado, a vigilância dos direitos humanos deve ser da competência da ONU.

Pedimos à comunidade internacional que exija a Marrocos que pare de nos assediar e nos prender por fazermos o nosso trabalho, que liberte os nossos camaradas na prisão e permita a entrada de jornalistas e observadores de direitos humanos na nossa terra.

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, dizemos que no Sahara Ocidental não há nada para celebrar.

O jornalismo saharaui nos territórios ocupados foi criado para quebrar o bloqueio informativo e mostrar ao mundo o que está a acontecer no Sahara Ocidental. Apesar dos materiais utilizados serem rudimentares e da limitada formação, estes coletivos levam longe as vozes do povo saharaui através dos seus sítios na net, blogs e redes sociais.

Além da Equipe Media há vários coletivos de jornalistas no Sahara Ocidental. Todos eles trabalham de maneira clandestina.

– Smara News
– Red De activistas
-SCMC
-Maizirat
-Salwan Media
-Bentili
– Também há correspondentes da RASD TV e da Radio RASD (com sede nos acampamentos da população refugiada saharaui Nos arredores de Tindouf) em todas as cidades saharauis sob ocupação.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O Irão e o Hezbollah: Polisario acusa Marrocos de "mentiras" e exige que apresente provas



Cartoon de Dilem

Argel, 1 de maio (EFE) - A Frente Polisario qualificou hoje como "uma mentira profunda" a alegação de Marrocos de que coopera com o Irão no campo militar e desafiou Rabat a apresentar provas de suas "falsas alegações".

Em declarações à Efe, o porta-voz do Polisario, Mohamad Hadad, disse que jogada de Rabat se deve a um "mesquinho oportunismo político" com o qual pretende "evitar a negociação que a ONU deve fazer" sobre a questão do referendo pendente desde o acordo de cessar-fogo de 1991.

O governo marroquino anunciou esta terça-feira a rotura das relações diplomáticas com o Irão, a quem acusa de armar, financiar e formar a Frente Polisario através do Hezbollah, o partido xiita que domina no Líbano

A decisão chega apenas 24 horas depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu ter acusado o Irão de fabricar armas nucleares e "obedecer a uma estratégia política similar", lembrou à agência Efe outra fonte da Polisário.

“A resolução (da ONU que pede para que sejam retomadas as negociações) deixou-os loucos. Isso significa que precisam desesperadamente da ajuda dos Estados Unidos e de Israel. É uma decisão louca que tomaram justamente quando Israel afirma ter evidências sobre o projeto nuclear" do Irão, explicou a mesma fonte, que pediu para não ser identificada.

Na mesma linha, Hadad insistiu que "a Polisario nunca teve qualquer relação militar, nem recebeu armas ou manteve contatos militares com o Irão ou com o Hezbollah".

"É uma mascarada e uma grande mentira. Marrocos procura proteção para se desligar do compromisso de negociação "que deve levar a uma consulta sobre a autodeterminação da ex-colónia espanhola, conforme solicitado pela ONU", disse o dirigente saharaui.

“Desafiamos Marrocos a fornecer a menor prova. Marrocos vive numa perfeita loucura e não sabe como sair da obrigação de "dialogar", concluiu.

No dia 27 de abril, o Conselho de Segurança da ONU resfriou as aspirações de Rabat dando um período de seis meses a Marrocos e à Frente Polisario para retomar as negociações sobre o Sahara Ocidental, sublinhando a necessidade de avançar para uma solução "realista" "e viável ".

Com doze votos a favor e três abstenções (da Rússia, China e Etiópia), o Conselho de Segurança aprovou uma resolução que prorroga por meio ano o mandato do Minurso - a missão das Nações Unidas na ex-colónia espanhola - em vez de dos doze meses habituais.

Segundo os especialistas, com esse prazo mais curto, procura-se enviar às partes um "sinal" de que a ONU quer acabar urgentemente com o bloqueio e ver progressos nas negociações, conforme defendido pelos EUA, promotor da iniciativa.

Se não houver progresso, será necessário estudar o assunto em profundidade neste outono, porque não se pode permitir que se mantenha esta situação de bloqueio, advertiu Washington.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Jira Bulahi: «A paz no Magrebe passa por uma solução do conflito do Sahara»


Jira Bulahi, máxima dirigente da Frente Polisario em Espanha

1 maio, 2018 - Fonte e foto: Diario Información / Por Pino Alberola

Com o conflito enquistado há mais de 40 anos, a representante da Frente Polisario em Espanha confia que, em breve, o seu povo possa decidir o seu futuro, «dê Marrocos ou não o seu braço a torcer»
Jira Bulahi é o equivalente a embaixadora dos saharauis em Espanha. Participou recentemente na Universidade de Alicante nas III jornadas sobre o Sahara Ocidental e as universidades públicas valencianas.


Qual neste momento a situação da causa saharaui?

Estamos num dos melhores momentos, já que ocorreram uma série de avanços e conquistas. A nível de África, foi-se consolidando a posição dos estados africanos em diferentes linhas. Por um lado, para a resolução do conflito, uma vez que perceberam que o Sahara é a última colónia e, portanto, é uma questão de soberania, uma mancha no avanço do território africano. Os estados africanos estão também preocupados com a situação política e a questão dos direitos humanos no Sahara.

Contam também com o respaldo da Europa?

Na Europa as várias sentenças dos tribunais de justiça deixaram patente as questões-chave que perpetuam esta violação dos direitos humanos. Estas sentenças deixam bem claro que qualquer pacto com Marrocos é aceitável sempre que não abarque os territórios saharauis. Deixa também claro que quem tem a soberania sobre os recursos desses territórios é o povo saharaui e que o representante desse povo é a Frente Polisario.

Acha que Marrocos irá dar o braço a torcer para acabar com este conflito que remonta há mais de 40 anos?

Este conflito vai ser resolvido. Se, finalmente, Marrocos vai dar o braço a torcer é algo em que não entramos, já que persiste em não querer ouvir e conta com o beneplácito de muitos países europeus. É uma questão de justiça e um exemplo para todos aqueles que pensaram que este conflito ia durar 4 dias e não há já 42 anos transitando de geração em geração. Por outro lado, o Marrocos tem muitos problemas internos. É um regime decadente que em 1975 procurou os recursos do Saara, não para o benefício do povo mas da própria monarquia.

Qual o papel da Espanha?

Espanha fomentou este conflito ao não concluir um processo de descolonização ou ao não entregar o território às Nações Unidas. Portanto, Espanha deve ser parte da solução e não do problema, porque a paz no Magrebe passa pela solução do conflito saharaui. Mas há uma Espanha oficial e depois há a cidadania, que é quem alivia o sofrimento da população refugiada, compensando o deficit da ajuda humanitária, a que infunde uma dose de incentivo à população. É a cidadania quem ajuda a a salvaguardar valores, como a língua, e é ela quem acolhe as crianças saharauis em suas casas, superando o tema da guerra.

Qual a situação atual do povo saharaui?

A crise afetou muito a ajuda humanitária e o desenvolvimento, o que afeta diretamente a cesta básica das famílias, embora os saharauis tenham aprendido que os reveses se convertem em vitórias, na medida em que ao fim e cabo saem sempre reforçados.