quarta-feira, 24 de junho de 2020

"A não designação de um enviado da ONU para o Sahara Ocidental é inaceitável" - afirma dirigente da Frente Polisario

Abdelkader Taleb Omar


24 Junho de 2020. - Lehbib Abdelhay/ECS - Em declarações à imprensa Abdelkader Taleb Omar, antigo primeiro-ministro da RASD e actual embaixador saharaui em Argel, disse que a Frente Polisario lamenta que tenham passado mais de doze meses desde que o ex-Enviado Pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental, Horst Köhler renunciou ao cargo e, desde então, nada tenha sido feito para avançar no processo de paz no Sahara Ocidental.

Omar criticou o tratamento da questão saharaui no Conselho de Segurança, afirmando que "o povo saharaui está particularmente desapontado com a posição de alguns membros do mais alto órgão de decisão da ONU.
A falta de progresso no processo político, bem como o silêncio e a inação do Secretariado da ONU e do Conselho de Segurança ante as ações ilegais e desestabilizadoras de Marrocos, acentuaram ainda mais a perda de fé por parte do povo saharaui no processo de paz. Nem o Secretariado das Nações Unidas nem o Conselho de Segurança tomaram nenhuma das ações que descrevemos na nossa carta (S / 2020/66), a fim de restaurar a confiança de nosso povo no processo da ONU.
"O atraso na nomeação de um novo enviado pessoal paralisou o processo político e é inaceitável. O processo de paz liderado pela ONU parece ter retornado aos 'negócios como de costume' (Business as usual), apesar das repetidas garantias dos membros do Conselho Segurança do contrário ", destacou o presidente saharaui.

García-Margallo, ex-MNE espanhol, reconhece o uso de emigração ilegal por parte de Marrocos para chantagear Espanha e condicionar a sua política exterior.


 García-Margallo, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo PP liderado por Mariano Rajoy e actualmente eurodeputado por este partido, reconhece pela primeira vez o uso da emigração ilegal por parte de Marrocos para chantagear Espanha e condicionar a sua política externa.

O dirigente do Partido Popular, García-Margallo y Marfil, ex-Ministro de Relações Exteriores e Cooperação do Governo da Espanha do PP de 2011 a 2016, reconheceu pela primeira vez numa entrevista ao programa En Cerrados apresentado por Alberto Benzaquén, o uso de imigração ilegal por Marrocos e a pressão na fronteira para chantagear Espanha e impôr condições.

Marrocos exporta Covid-19 através de migrantes ilegais e mente sobre números no Sahara Ocidental ocupado




24 de Junho de 2020 - PUSL.- Nos últimos 10 dias chegaram várias “pateras” (embarcações clandestinas que transportam migrantes) às Ilhas Canárias originárias do Sahara Ocidental Ocupado com 62 infectados com Covid-19.
Segundo a agência EFE só nos últimos dias, houve 25 infectados entre os 68 ocupantes de dois barcos que partiram de El Aaiún e que chegaram a Fuerteventura.

Estes são apenas os casos conhecidos, visto que muitos migrantes não sobrevivem à travessia do Atlântico de cerca 110km e outros chegam sem serem detectados.

A rota é conhecida e é utilizada tanto por migrantes subsaarianos como por Saharauis que fogem do clima de terror e apartheid nos territórios ocupados pelo regime Marroquino.

A chantagem sobre Espanha

Todo o processo é conhecido tanto pelas autoridades como do próprio governo Marroquino que fecha os olhos e utiliza a migração ilegal como um meio de pressão sobre a União Europeia.
No dia 23 de Junho numa entrevista à rádio, García-Margallo, que foi Ministro dos Assuntos Estrangeiros e Cooperação do Governo da Espanha do PP de 2011 a 2016, reconheceu em entrevista no programa “En Cerrados” apresentado por Alberto Benzaquén, o uso da imigração ilegal por de Marrocos e pressão na fronteira para chantagear Espanha e condicionar sua política externa na África.

Canárias: destroços de uma «patera» oriunda do Sahara Ocidental ocupado


A Rota

Vários países africanos não necessitam de vistos de entrada para Marrocos. Os africanos destes países e outros chegam a Casablanca e Marraquexe onde contactam com os traficantes de pessoas conhecidos como “intermediários”
Esses intermediários têm contactos em El Aaiun, Dakhla, Bojador, nos territórios ocupados do Sahara Ocidental.
Mohamed, um activista de direitos humanos explica-nos todo o trajeto.

“Os migrantes ilegais são transportados para os territórios ocupados desde Agadir, escondidos em viaturas dos intermediários, passam os inúmeros check-points com subornos à Gendarmarie e aos policias.
Este transporte só é feito após se confirmarem as condições atmosféricas favoráveis e as peças para os barcos “pateras” estarem já nos territórios ocupados.

As peças de madeira para construir os barcos vêm de Esaouira para Agadir e são transportadas em camiões relacionados com a pesca para os territórios ocupados onde são montados em locais secretos.

Depois da travessia que demora cerca de 24 horas mas pode demorar mais se tiverem que esperar pelo cair da noite, as “pateras” são incendiadas ou destruídas.

Os que sobrevivem à travessia dizem que entraram na Europa com “um visto de Deus”.

Tudo isto é feito com o conhecimento e conivência de Marrocos para além dos funcionários que recebem subornos, o próprio Estado marroquino fecha os olhos.

Marrocos “deixa” migrantes ilegais chegarem às costas de Espanha continental e Ilhas como uma forma de pressionar a UE a dar mais subvenções mas também de “castigar” a UE sempre que há decisões desfavoráveis a Marrocos na questão do Sahara Ocidental.

Covid-19 nos territórios ocupados

Os verdadeiros números de infectados com Covid-19 nos territórios ocupados do Sahara Ocidental não são conhecidos e há manipulação da realidade por parte do Governo Marroquino não só no Sahara Ocidental como no território legitimo de Marrocos.

Estes casos de migrantes infectados mostram que há cadeias de transmissão activas e que os infectados estiveram em contacto com traficantes, motoristas e nos locais de espera com um número significativo de pessoas que se movimentam nas cidades dos territórios ocupados.

Para além destes casos existem os “Casos oficiais” como o foco publicado ontem pelo Ministério de Saúde Marroquino de 12 infectados em El Marsa uma localidade perto de El Aaiun num empresa ligada às pescas.

Segundo um activista Saharaui dos territórios ocupados:

“Marrocos alegou tomar medidas preventivas antes que a quarentena fosse levantada, mas isso foi apenas propaganda falsa.

Marrocos é responsável pela propagação do Covid 19 no Sahara Ocidental desde o primeiro momento.

Deixaram entrar colonos e pescadores sem qualquer tipo de controle. Marrocos é responsável por difundir informações falsas, colocando em risco a população saharaui e não preparando os hospitais e médicos além de não ter realizado testes.

Os hospitais, principalmente o hospital central dos territórios ocupados em El Aaiun parecem mais aterros sanitários do que hospitais. Não há higiene, não há desinfecção.

Na minha opinião Marrocos deve ser acusado de querer espalhar o vírus intencionalmente nos territórios ocupados.

A população está com medo.”

Fonte: Por Un Sahara Libre

sábado, 20 de junho de 2020

Protestos nas ruas de El Aaiun no 50º aniversário do "Grito de Zemla de 1970" e contra a ocupação marroquina




 Ativistas saharauis insultadas e impedidas de visitar o histórico militante anticolonial Mohamed Uld Hamuya, doente em casa.



Várias ativistas saharauis e ex-presas políticas, entre elas Mahfuda Bomba El Fakir, recentemente libertada por Marrocos, a 15 de março, após cumprir sentença, foram detidas por agentes marroquinos na quarta-feira, 17 de junho, na cidade de El Aaiun, quando tentavam comemorar o 50º aniversário de Zemla de 1970 e homenagear o membro histórico do Movimento de Basiri (movimento nacionalistas que antecedeu a constituição da Frente POLISARIO), Mohamed Uld Hamuya, em convalescença há alguns anos em sua casa. Os protestos tiveram lugar nos bairros de Maatala, antiga Zemla, e na Avenida Smara, a principal artéria de El Aaiun.
Uld Hamuya, nas palavras do ex-preso político saharaui Brahim Dahan: “É um membro histórico do Movimento de Libertação do Sahara”, organização fundada por Basiri, que liderou, faz agora 50 anos, a primeira revolta do nacionalismo saharaui contra o franquismo espanhol. Nas palavras de Brahim Dahan, “Mohamed Uld Hamuya, para os saharauis dos territórios ocupados, é uma referência histórica, um pai espiritual na luta; um militante com uma brilhante trajetória de luta contra o colonialismo espanhol na sua época e contra a atual ocupação marroquina. ”



Fontes de ativistas de El Aaiun afirmaram que vários oficiais marroquinos à paisana detiveram Mahfuda e as suas companheiras depois de terem participado no protesto na rua Smara, uma das artérias centrais de El Aaiun, provocando-as com ofensas e insultos degradantes. Os agentes invectivaram Mahfuda, ameaçando-a: "aranek babak lahi terdjii lil habs", expressão marroquina ofensiva e ameaçadora em relação à pessoa do ativista, que poderá ser traduzida como "cabra, vamos meter-te de novo na prisão".
Os agentes marroquinos, de acordo ainda com fontes dos ativistaa, usaram a sua brutalidade usual contra o grupo de ativistas, com empurrões e insultos degradantes a todo o grupo, mas, felizmente, algumas conseguiram escapar e entrar na casa do membro histórico do OLS de Basiri de 1970, insurreição conhecida como o Grito de Zemla, cumprindo assim parte da celebração que a população saharaui tinha planeado.

Fonte: Diario La Realidad Saharaui/DLRS, 18/06/2020



sexta-feira, 19 de junho de 2020




A Assembleia Geral das Nações Unidas elegeu a Índia, Irlanda, México, Noruega e Quénia como novos membros não permanentes do Conselho de Segurança para o período 2021-2022.

Esses países passam a participar no Conselho de Segurança a partir de 1 de janeiro de 2021 e irão substituir a África do Sul, República Dominicana, Alemanha, Bélgica e Indonésia.
O México e o Quénia reconhecem a RASD (República Árabe Saharaui Democrática) e a Noruega, assim como a Irlanda, demonstraram apoio ao povo saharaui.
Todos os novos membros, excepto a Índia, são a favor da expansão do mandato da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) para incluir os direitos humanos no Sahara Ocidental.
A Índia tem sido um dos países que importa fosfato espoliados dos territórios ocupados do Sahara Ocidental, financiando indiretamente a ocupação, pagando a Marrocos por bens roubados.

Fonte: Por un Sahara Libre