segunda-feira, 18 de junho de 2012

Novo representante da ONU para o Sahara Ocidental e nova derrota marroquina nas Nações Unidas


Wolfgang Weisbrod-Weber. UN Photo/Paulo Filgueiras


Wolfgang Weisbrod-Weber foi nomeado no passado dia 15 de junho novo representante especial das Nações Unidas para o Sahara Ocidental e chefe da Minurso. O diplomata alemão substitui o militar egípcio Hany Abdelaziz cujo mandato expirou no passado dia 30 de abril. 

Wolfgang Weisbrod-Weber é um diplomata alemão com experiência noutras missões da ONU. Esteve em Timor-Leste e no Haiti. O interessante é que Marrocos procurou vetar a sua nomeação, que começou a ser negociada desde o início do mês de maio. Como se pode comprovar, sem êxito. Trata-se de um novo fracasso para a diplomacia do majzén.

I. WOLFGANG WEISBROD-WEBER, NOVO CHEFE DA MINURSO. COMUNICADO OFICIAL
As Nações Unidas publicaram um comunicado oficial (ler aquí o texto original em inglês).
Do comunicado cabe extrair dois dados relevantes é que ele já trabalhou em Timor-Leste e no Haiti.
O seu anterior trabalho em Timor-Leste é importante pelas semelhanças do processo de invasão e descolonização de Timor-Leste e do Sahara Ocidental. Weisbrod-Weber aproveitará a sua experiência em Timor para gerir o seu relacionamento com as autoridades de ocupação marroquinas.
Quanto ao Haiti a sua experiência é também relevante porque, como foi revelado numa das mensagens da Wikileaks, o diplomata alemão mostrou-se partidário do reforço das capacidades daquele missão das Nações Unidas (MINUSTAH). E é justamente a isto, o reforço das capacidades da MINURSO que Marrocos se opõe.

II. WOLFGANG WEISBROD-WEBER, UMA NOMEAÇÃO QUE O MAJZEN TENTOU EM VÃO VETAR?
A primeira notícia sobre a eventual nomeação de Weisbrod-Weber para o cargo de chefe da MINURSO deu-se no dia 9 de maio e foi dada em exclusivo pela Inner City Press. Na informação então divulgadsa podia ler-se:

A 10 de maio o ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos Saad-Edín El Uzmani reuniu-se com com Ban-Ki Moon. Qual o tema da reunião? Bem, segundo certas fontes revelaram à Inner City Press, Marrocos quer pressionar CONTRA a iminente nomeação de um alemão  — Wolfgang Weisbrod-Weber — como Representante Especial do Secretário-Geral para a Missão no Sahara Ocidental, MINURSO.

Acontecimentos posteriores obrigam a precisar esta informação, ainda que não a desmenti-la. Hoje mesmo, esta mesma página web revelou mais pormenores sobre a informação referindo que:

Uma carta de nomeação (de Weisbrod-Weber) foi enviada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, de que Marrocos é membro há seis meses e por um período de dois anos de mandato. Mas Marrocos opôs-se.

Sabemos que o ministro marroquino Uzmani viajou no início de maio a França para se entrevistar com a equipa do novo presidente François Hollande e que daí seguiu para os EUA para se entrevistar a de maio com Ban Ki Mun, e a 12 de maio reuniu-se com William Burns, alto responsável do Departamento de Estado norte-americano. A 18 de maio o suposto "chefe" do Governo marroquino, Benkirán, reuniu como rei Juan Carlos I e com Mariano Rajoy. A 24 de maio, Hollande finalmente recebeu  Mohamed VI, após as insistentes súplicas deste.
No dia 17 de maio o majzen decidiu retirar a sua confiança a Christopher Ross, Enviado Pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas mesmo com o preço de queimar a sua credibilidade, depois de o haver apoiado a 24 de abril votando afirmativamente a resolução 2044 que dizia:

6. (O Conselho de Segurança ) Afirma o seu enérgico apoio ao compromisso do Secretário-Geral e do seu Enviado Pessoal de obter  uma solução para a questão do Sahara Ocidental neste contexto e pede que se intensifiquem as reuniões e se promovam os contactos;

Do que foi dito anteriormente, é fácil deduzir que as manobras do majzen tinham um duplo objetivo: ALÉM, de procurar apoio para a rejeição a Ross, tentaram vetar a nomeação de Weisbrod-Weber.
O facto é que Weisbrod-Weber foi nomeado novo Representante Especial para o Sahara Ocidental e novo chefe da MINURSO e que há motivos para pensar que esta nomeação não é do agrado do majzen.



Do blog Desde El Atlántico, do prof. Carlos Ruiz Miguel

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