Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Ator Javier Bardem pede no PE que Espanha assuma a sua responsabilidade na descolonização do Sahara Ocidental



O ator espanhol Javier Bardem pediu esta terça-feira no Parlamento Europeu que Espanha assuma a sua responsabilidade no processo de descolonização do Sahara Ocidental.

Bardem que apresentava o seu documentário “Filhos das Nuvens, a última colonia, solicitou a Madrid que "tome as rédeas" como "administrador legal" deste processo.

O ator, Óscar em 2008, lamentou que "elementos económicos e geoestratégicos" impeçam a autodeterminação do povo saharaui.

Criticou a França por "seu veto sistemático contra todas as resoluções" da ONU a favor do Sahara Ocidental.

"É absolutamente incrível que Paris tenha vetado resoluções em que se pretende avaliar por um organismo internacional o respeito pelos direitos humanos nesses territórios", acrescentou.

"O que poderia alterar as coisas é que observadores internacionais possam ver de perto a situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental", afirmou.
(SPS)

Parlamentos de Extremadura e do Sahara estabelecem laços de geminação


O presidente do Parlamento de Extremadura, Fernando Manzano, 
recebe o ministro da Cooperação saharaui, Aach Ahmed


Os Parlamentos da Extremadura e do Sahara quiseram dar um passo mais nas suas relações de colaboração, um passo que levará à geminação entre os seus parlamentos na primeira quinze de julho de 2012.

“Creo que a estas alturas se han dado ya suficientes circunstancias entre el pueblo extremeño y el saharaui, y ahora hay que dar un paso más, y ese paso más pasaría por producir un hermanamiento entre las dos soberanías populares”. Así lo ha manifestado el presidente del Parlamento de Extremadura, Fernando Manzano, tras reunirse con el ministro de Cooperación Saharaui, Hach Ahmed, y el subdelegado Saharaui en la región, Allai El-Mami.

Para ello –ha explicado Manzano- los contactos para llevar a buen puerto esta iniciativa se realizarían a lo largo del mes de junio, para que el hermanamiento se produjera, si todo va por buen camino, en la primera quincena de julio.

Pero el presidente de la Cámara regional ha querido ir más allá, anunciando que invitará a la presidenta de la Coprepa, Arantza Quiroga, para que sea “fedataria” de la firma de dicho hermanamiento, con el fin de que “sirvamos como ejemplo para el resto de Parlamentos autonómicos de España”.

Por su parte, Hach Ahmed se ha mostrado convencido de que esta iniciativa de hermanamiento aportará “cosas positivas, además de suponer una contribución a nuestra lucha por conseguir una vida pacífica”.

“Esto no deja de ser un gesto de estímulo y de apoyo al Parlamento saharaui, una Cámara legislativa joven que ha surgido en unas circunstancias excepcionales debido a la ocupación marroquí”, ha subrayado el ministro saharaui.

En este sentido, ha añadido que el hermanamiento también servirá para enriquecer “nuestra experiencia como institución joven en un estado que se está forjando en unas condiciones complicadas”.

“Podemos aprender mucho de estas experiencias, máxime cuando aspiramos a construir un modelo grande que pueda tener un proyecto de estado civilizado, y respetuoso con las normas de una estado de derecho, y donde se promuevan la tolerancia, las libertades y la igualdad”, ha puntualizado Hach Ahmed.

DIGITAL EXTREMADURA Gloria Pajuelo

Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Javier Bardem e Álvaro Longoria apresentam o seu documentário “Filhos das Nuvens” no Parlamento Europeu


Javier Bardem

Protagonizado e produzido pelo conhecido artista Javier Bardem, “Filhos das Nuvens” é um documentário em que se examina a agitação política atual no norte de África e a responsabilidade das potências coloniais.

O filme centra-se na situação do Sahara Ocidental, a última colónia africana segundo as Nações Unidas, e uma região em perigo de voltar à guerra.

A película é uma viagem pessoal em que Bardem guia a audiência pelo tortuoso caminho da diplomacia mundial e a terrível realidade de um povo abandonado,  um guião onde se procura compreender como se chegou a esta situação, e como se poderá evitar outra guerra em  África.

Domingo, 27 de Maio de 2012

Mohamed VI fracassa (de momento) com Hollande. Uma lição para Rajoy


Mohamed VI arrastou-se para poder ser recebido por François Hollande, uma vez que este não mostrou nenhum interesse em fazer de Marrocos o destino nem da sua primeira, nem da sua segunda nem mesmo da sua terceira viagem oficial. E embora, por fim, Mohamed VI tenha conseguido a ansiada reunião com Hollande, os indícios disponíveis parecem mostrar que fracassou no seu propósito. 


É que o "exemplo" de Sarkozy, que se refastela em Marrocos hospedado num dos palácios do sultão marroquino não parece já um "modelo" a seguir em França . O fracasso do rei marroquino em França vem juntar-se ao seu fracasso nos EUA. Já só lhe resta o apoio de Rajoy que, confiemos, talvez um destes dias se dê conta que a sua política em relação a Marrocos, provavelmente inspirada por Don Juan Carlos I, é contrária aos interesses de Espanha e está destinada ao fracasso.

I. MOHAMED VI... DUAS SEMANAS PARA SER RECEBIDO POR HOLLANDE...
A 11 de maio Mohamed VI viajou para Paris com a intenção de ser recebido pelo novo presidente eleito francês, Hollande.
Fê-lo depois de montar uma humilhante cerimónia em que os novos governadores e outros altos funcionários nomeados por si se submeteram de forma coletiva a uma cerimónia de beija-mão e prostração ante a sua figura (cada vez visivelmente mais inchada). Uma cerimónia que é, em si mesma, um desmentido da suposta "modernização" do regime que tanto apregoam os seguidores do "lobby" promarroquino.
Uma vez cumprido o trâmite de fazer com que os seus súbditos se humilhassem perante ele, Mohamed VI viajou para Paris para ele próprio se humilhar, mendigando por todos os meios uma entrevista com Hollande.
"Démain", uma publicação eletrónica marroquina independente, imprescindível para conhecer o que DE VERDADE, acontece em Marrocos, conta-o desta maneira, num esplêndido artigo que passo a traduzir:

Nunca tal se viu. Um soberano cherifiano que se agita como um diabo para ser recebido por um presidente francês antes de ninguém. Depois da investidura de François Hollande nas suas funções presidenciais, o rei Mohamed VI fez absolutamente de tudo para ocupar as redondezas do Elíseu e suplicar uma sessão de fotos com o novo presidente francês.
Fez-se de tudo. Envio de delegações oficiais e oficiosas, ativação de redes de lobbystas franceses e franco-marroquinos em  Paris, cartas secretas, etc....
Na impossibilidade de obrigar o novo chefe de Estado francês a efetuar a sua primeira visita oficial (fora da UE) a Marrocos, como o fez com o pobre Mariano Rajoy, obrigado a vir a Rabat para dar um beijo em público a Abdelilá Benkirán, Mohamed VI queria ao menos ser o primeiro chefe de Estado a ser recebido por Hollande no Eliseu.
Graças aos franceses do PS condecorados com o wissam, entre eles, o ex-emigrante catalão, o ministro Manuel Valls, figura especialmente detestada nos mercados árabes, assim como "a amiga da família", a primeira secretária do Partido socialista, Martine Aubry, Mohamed VI acaba por obter a sua satisfação.
E hoje, quinta-feira, 24 de maio de 2012, um breve comunicado do Eliseu anuncia que "François Holande, presidente da República, receberá em entrevista sua majestade Mohamed VI, Rei de Marrocos, esta quinta-feira, 24 de maio de 2012, pelas 16'00 h no palácio do Eliseu". ¡Viva o rei!
A perseverança tem o seu prémio. Mas este empenho em fazer uma foto com François Hollande talvez esconda outra coisa. A preocupação ante as futuras reações de um chefe de Estado que, se diz, menos recetivo aos nossos encantos culinários... e financeiros.

Mas a informação do Démain acabaria por acrescentar outro dado extremadamente importante. É que no dia anterior a ter recebido Mohamed VI, o presidente Hollande havia-se entrevista por telefone com o seu homólogo argelino, Abdelaziz Buteflika. E a este respeito é muito ilustrativo comparar os comunicados oficiais do Eliseu sobre a entrevista com Buteflika e com Mohamed VI, para confirmar que, de momento, Mohamed VI fracassou nos seus propósitos.
Tudo parece indicar que Mohamed VI esteve em Paris desde o dia 11 de maio esperando... até ao dia 24 de maio.

II. ... SEM CONSEGUIR, PELO MENOS DE MOMENTO, O SEU PROPÓSITO...
O rei marroquino tem medo no Sahara Ocidental. Disse-o aqui e repito.
Neste blog revelou-se em primeira mão, que o novo primeiro-ministro de França de forma oficial qualificou a presença marroquina no Sahara Ocidental como uma ocupação e que também qualificou o conflito como um conflito de descolonização que deve ser resolvido com um referendo de autodeterminação. Não disse nada de original. Simplesmente, advogou o que diz o Direito Internacional.
Marrocos tem medo de que França deixe de apoiar Mohamed VI de forma incondicional.
 Também neste blog revelámos em primeira mão as razões que levaram Marrocos a repudiar oficialmente o diplomata norte-americano Christopher Ross, o Enviado Pessoal do secretário- geral da ONU para o Sahara Ocidental. Marrocos tem medo de que as iniciativas que havia empreendido Ross revelem ante o mundo inteiro a natureza opressiva da ocupação marroquina.
Neste contexto, a visita de Mohamed VI a Hollande tinha um duplo objetivo:
- conseguir que o novo governo francês confirmasse o seu apoio incondicional à política de Mohamed VI no Sahara Ocidental;
- e, em consequência, que o novo governo francês apoie a iniciativa de Mohamed VI de afastar Ross.
O que é que MVI conseguiu? 
De momento, podemos dizer que Mohamed VI acumulou um fracasso, pelo menos parcial.
- por um lado, conseguiu que o porta-voz, em funções do ministério dos Negócios Estrangeiros do já ex-presidente Sarkozy, continue apoiando a proposta de pseudo "autonomía" apresentada por Marrocos em 2007.
No entanto, o monarca marroquino não conseguiu, depois da sua entrevista, uma só declaração de Hollande apoiando as posições do sultão no conflito do Sahara Ocidental. Como prova, serve o facto de a agência oficial marroquina, MAP, se ter limitado na sua "informação" a repetir as declarações do porta-voz em funções do MNE francês (cargo da equipa ainda de Sarkozy).
- Por outro lado, não conseguiu nenhum apoio à decisão de retirar a confiança a Ross. Inclusive o porta-voz em funções do MNE francês limitou-se a "tomar nota" da iniciativa alauita sem a apoiar. Hollande nem sequer "tomou nota".

III. ... ENQUANTO EUA E A ONU REITERAM O SEU APOIO A ROSS...
Enquanto isso, os EUA continuam a apoiar a Ross e prosseguem sem dar um apoio incondicional a Mohamed VI.
Convém a este respeito apontar CINCO factos.
O primeiro facto, como já o afirmei aqui, é que o Departamento de Estado dos EUA (como também o Secretário- Geral das Nações Unidas ), depois de desencadeada a campanha marroquina, reiteraram o seu apoio a Ross.
O segundo facto é que o Embaixador dos EUA na Argélia declarou dias depois, a 21 de maio, que Christopher Ross continua a contar com o respaldo dos Estados Unidos.
O terceiro facto é que os Estados Unidos são um dos países que, na sessão de 22 de maio do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra, criticaram as violações de direitos humanos cometidas pelo governo de "sua majestade" não só em Marrocos como também no Sahara Ocidental.
O quarto facto é que no Comité de Organizações não governamentais das Nações Unidas, a 24 de maio, o governo dos USA se opuseram expressamente ao intento de Marrocos de não admitir a iniciativa apresentada por uma associação suíça de defesa dos direitos humanos no Sahara Ocidental: Bureau International pour le respect des droits de l'homme au Sahara Occidental (BIRDHSO).
E em quinto lugar, no relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre a prática dos direitos humanos no Sahara Ocidental durante 2011, recém publicado a 24 de maio, denunciam-se claramente as violações de direitos humanos cometidas pela monarquia marroquina no Sahara Ocidental.
Quanto à ONU, no dia 25 de maio, o porta-voz do Secretário- Geral das Nações Unidas voltou a reiterar que apoia a Ross, como já o havia feito no dia 17 de maio.

IV. ...E O GOVERNO RAJOY CONVERTIDO EM ÚNICO ALIADO ? OU REFÉM DE MOHAMED VI...? ATÉ QUANDO?
Aqui o disse várias vezes e devo repeti-lo:
- o  governo Rajoy anunciou uma política exterior em relação a Marrocos que desde logo deixou de cumprir;
- Essa alteração de política parece ter sido sugerida por Don Juan Carlos I em função mais que dos interesses nacionais espanhóis, mas antes dos seus próprios interesses privados (que, como ficou manifestado recentemente de forma pública e notória) estão muito vinculados às tiranias petrolíferas do Golfo Pérsico, protetoras da monarquia marroquina.
Ahmed Bujari, uma das cabeças mais lúcidas da Frente Polisario acaba de proferir umas declarações importantes que faria bem o governo Rajoy meditar:
A Polisario "está testando a atitude e medindo a temperatura ao Governo de Madrid" a quem está dando tempo até depois do verão para que dê "uma resposta definitiva se Espanha está interessada num Estado saharaui independente ou o considera contrário aos seus próprios interesses".
Considerou que, até agora, a resposta "é sim e não, é a favor e é contra", tal como durante o governo do PSOE. "Os nossos amigos socialistas informaram-nos que se opuseram para a facilitar interesses de outros", disse Ahmed.
"NO dia em que sentirmos o agradável perfume de que Espanha tem os seus próprios interesses em vez de facilitar os dos outros, nesse dia veremos a autêntica primavera", afirmou.
A Frente Polisario, a ONU, os EUA, França e Argélia já se pronunciaram sobre a decisão do “majzen” de retirar a sua confiança a Ross, mas o governo espanhol não disse ainda nada sobre o assunto.
Sim, chegou a hora de que Espanha, como nação, esteja consciente de que tem os seus próprios interesses.
Interesses entre os quais está um Sahara Ocidental independente.

DESDE EL ATLANTICO blog do prof. CARLOS RUIZ MIGUEL  25.05.12

Sábado, 26 de Maio de 2012

“A decisão de Marrocos de retirar a confiança a Ross é um ato sem fundamento e injustificado” – afirma o Presidente Saharaui


Mohamed Abdelaziz


O presidente saharaui declarou em entrevista exclusiva ao diário "Le Soir d'Algérie" que "esta decisão sem fundamento e injustificada demonstra o facto de que não se trata apenas de retirar a confiança a Ross, mas também às Nações Unidas, na pessoa do seu Secretário- Geral”.

O SG da Frente Polisario afirmou que através desta conduta, o reino marroquino "nega as suas obrigações e opõe-se à aplicação da normativa internacional, desafiando a comunidade internacional e procedendo de modo a manter o conflito no Sahara Ocidental num beco sem saída."
(…)
SPS

Washington apoia esforços de Christopher Ross para o Sahara Ocidental


Christopher Ross

Os "Estados Unidos da América apoiam os esforços do Enviado da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, e fazem um apelo a Marrocos para continuar a cooperar com a ONU", afirmou esta sexta-feira Halos Andy,  porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.


Questionado sobre a posição dos EUA após a retirada de confiança a Ross por parte de Marrocos, o porta-voz sublinhou: "tal como temos dito anteriormente, apoiamos os esforços  do Secretário-Geral das Nações Unidas e do seu Enviado Pessoal, Christopher Ross  no Sahara Ocidental. "


"Instamos o Governo de Marrocos a continuar cooperando com a ONU no âmbito dos esforços realizados por esta organização para o Sahara Ocidental", acrescentou.


O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que o seu país  "apoia os esforços realizados pelas Nações Unidas para encontrar uma solução pacífica, duradoira e mutuamente aceitável pelas partes em conflito no Sahara Ocidental", o que confirma que os EUA "ainda têm confiança na trajetória seguida pelas Nações Unidas com as duas partes (a Frente Polisario e Marrocos) com o objetivo de encontrar uma solução mutuamente aceitável”.


Recorde-se que esta posição já havia sido manifestada pelo Secretário Adjunto de Estado dos  EUA, William Burns, numa reunião que teve lugar em Washington com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos, Saad Eddin Ozmani.


O porta-voz do Secretario-Geral da ONU, Martin Nesirky, já havia reiterado anteriormente que Ban Ki-moon, "tem plena confiança em Christopher Ross." (SPS)

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Marrocos prossegue política de repressão às liberdades de expressão, manifestação e associação nos territórios ocupados saharauis – denuncia a AI


A Amnistia Internacional (AI) denunciou esta quarta-feira que Marrocos prosseguiu em 2011 com a repressão às liberdades de expressão, associação e reunião dos saharauis que defendem a autodeterminação do Sahara Ocidental e manteve a sua política de detenção e encarceramento de ativistas.


No seu último relatório mundial sobre a situação dos direitos humanos, a AI sublinha que não foi levada a cabo "nenhuma investigação independente e imparcial sobre os acontecimentos de novembro de 2010 em Gdim Izik e  El Aaiún, quando as forças de segurança marroquinas destruíram um acampamento de protesto saharaui".

O relatório refere também o sequestro, em outubro de 2011, de três cooperantes (uma mulher italiana e um homem e uma mulher espanhóis), capturados "por um grupo armado" nos acampamentos de refugiados saharauis. (SPS)