terça-feira, 7 de agosto de 2012

O oneroso resgate dos reféns espanhóis no Mali

Os cooperantes espanhóis  Enric Gonyalons
e
 Ainhoa Fernández de Rincón, e a italiana Rosella Urru


A libertação de três presos e a repatriação para Espanha dos voluntários europeus que se encontravam nos acampamentos de refugiados saharauis rendeu aos terroristas que sequestraram os cooperantes um resgate de 15 milhões de euros.

“Há muyahidines (combatentes) que os esperam ali”, nos acampamentos de refugiados saharauis, aos cooperantes espanhóis que pretendam regressar. Walid Abu Sarhaoui, porta-voz do Movimento para a Unicidade da Jihad na África Ocidental (MUYAO), lança publicamente esta advertência através da agência noticiosa francesa AFP, horas depois do seu grupo ter libertado os três cooperantes europeus que sequestrou nove meses antes.

O grupo terrorista lançou esta mesma mensagem aos mediadores do Burkina Faso, para que a fizessem chegar às autoridades espanholas; o seu porta-voz repetiu-a à imprensa a 19 de julho. Ameaça que surpreende. O MUYAO deveria estar mais interessado em aumentar a sua receita, graças ao pagamento de resgates pelos cooperantes, do que em afastá-los dos acampamentos de Tindouf. Ao formular esse aviso procura aparentemente romper o vínculo entre a sociedade civil espanhola e os refugiados saharauis

Os espanhóis Ainhoa Fernández de Rincón, Enric Gonyalons e a italiana Rosella Urru foram entregues pelo MUYAO perto de Gao, no norte do Mali, aos mediadores do Burkina Faso que os lavaram, a 18 de julho, para Ouagadougou de onde apanharam o voo para os seus respetivos países.

Em troca da liberdade das duas mulheres os governos espanhol e italiano pagaram 15 milhões de euros, segundo informou o MUYAO, a metade do que haviam exigido inicialmente. Espanha adiantou o montante do resgate que, em princípio, será pago a meias com a Itália. A soma despendida é semelhante há que foi desembolsada, em agosto de 2010, para conseguir que o ramo magrebino da Al Qaeda (AQMI) libertasse os dois reféns catalães, Roque Pascual e Albert Vilalta, que detinham em seu poder. Alicia Gámez fora libertada cinco meses antes.

Blog de Ignacio Cembrero, jornalista do El Pais | 03 de agosto de 2012

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