quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Desaparecidos saharauis: descoberta de três novas fossas comuns




ARGEL (APS) - Seis corpos de desaparecidos saharauis foram exumados de três novas fossas comuns descobertas recentemente por peritos espanhóis na região de Smara junto de Amgala, informou hoje o presidente da Associação das Familiares dos Presos e Desaparecidos Saharauis (AFAPREDESA), Abdesslam Omar.

A descoberta teve lugar em "novembro de 2014 por peritos científicos espanhóis, de renome internacional, que exumaram os restos mortais dos seis cidadãos saharauis descobertos em três fossas comuns em Fadret Leguiaa, região de Smara, perto de Amgala", afirmou Abdesslam Omar à APS.

Aquele dirigente disse que os "peritos espanhóis estão realizando atualmente a identificação genética dos corpos." "Trata-se de uma operação complexa que vai levar tempo", disse ele, afirmando que se "fará luz sobre a identidade dessas pessoas."

Abdesslam Omar denunciou, na ocasião, o facto da equipa médica espanhola "não ter podido estender suas investigações aos territórios ocupados por Marrocos, onde as valas comuns estão concentradas."

Denunciou, igualmente, o facto de apesar das pressões das Nações Unidas e do Parlamento Europeu, em particular, "Marrocos teimar na sua posição de recusa" em respeitar a legalidade internacional. Uma situação "que não pode continuar", disse.

O Presidente da AFAPREDESA insurgiu-se a este respeito contra a "recusa das autoridades marroquinas em permitir que as organizações internacionais possam visitar os territórios ocupados do Sahara Ocidental e dizer a verdade sobre as violações cometidas por forças marroquinas."

Segundo Abdesslam Omar, "mais de 400 saharauis estão identificados como vítimas de desaparecimentos forçados", acrescentando que muitos outros estão desaparecidos devido aos bombardeamentos da aviação marroquina em Oum Draiga, Guelta e em Tifariti em 1976.

A descoberta destas novas fossas vem juntar-se a uma outra encontrada em junho, quando oito corpos de saharauis assassinados em fevereiro de 1976 foram identificados pela mesma equipa espanhola liderada pelo Dr. Carlos Martin Beristain e o seu colega Francisco Etxeberria.

As macabras ações marroquinas já haviam sido reveladas no início de 2013 com a descoberta de duas valas comuns perto Smara, não muito longe do "muro da vergonha".


Os restos de 60 corpos, pelo menos, incluindo crianças, foram então encontrados e a identificação de nove deles tinha permitido estabelecer que se tratava de civis saharauis executados por forças marroquinas durante a invasão e a ocupação do Sahara Ocidental em 1976.

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