domingo, 23 de março de 2025

Ativista saharaui dos direitos humanos apela ao fim do silêncio sobre as violações dos direitos humanos no Sahara Ocidental

Yakouta El Mokhtar

GENEBRA (Suíça), 23 de março de 2025 (SPS) - A contínua ausência de um mecanismo independente de monitorização dos direitos humanos no Sahara Ocidental exacerba as graves violações contra o povo saharaui, sublinhou a ativista saharaui dos direitos humanos Yakouta El Mokhtar, apelando ao Conselho de Segurança para que tome medidas urgentes para pôr fim a este desrespeito injustificado.

Durante o debate geral sobre os órgãos e mecanismos de direitos humanos, Mokhtar explicou que, apesar do seu estatuto de Território Não Autónomo, o Sahara Ocidental continua excluído dos mecanismos internacionais de monitorização, uma vez que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos não visita o território desde 2015, enquanto as autoridades marroquinas continuam a negar o acesso a observadores internacionais e detentores de mandatos especiais.




Este vazio de monitorização permitiu que a ocupação marroquina intensificasse as suas violações contra activistas e defensores dos direitos humanos, e cometesse detenções arbitrárias, assédio e supressão das liberdades fundamentais, sem qualquer responsabilização internacional.

Sublinhou que esta situação não só afeta o povo saharaui, mas também ameaça a credibilidade e o prestígio do próprio Conselho dos Direitos do Homem, que é suposto garantir a proteção de todos sem exceção.

No final da sua intervenção, apelou ao Conselho dos Direitos do Homem para que tome medidas concretas para garantir a inclusão do Sahara Ocidental nos mecanismos internacionais de controlo e a criação de um mecanismo de controlo específico para este território, sublinhando que tal medida é necessária para preservar a integridade do Conselho e garantir a proteção dos direitos fundamentais do povo saharaui.

"O Sahara Ocidental não pode continuar a ser excluído da proteção internacional, pois a ausência de supervisão significa que a repressão e as violações continuam sem qualquer responsabilidade. É tempo de atuar", concluiu Yakouta El Mokhtar o seu discurso perante o Conselho.

 

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