O conflito no Sahara Ocidental opõe o Exército Popular de Libertação Saharaui (ELPS), braço armado da Frente Polisario, às forças armadas de Marrocos, que controla a maior parte do território desde 1975. Separados pelo chamado "Muro da Vergonha" — uma barreira militar de mais de 2.700 quilómetros —, os dois lados travam desde novembro de 2020 uma guerra de desgaste que a comunidade internacional observa com crescente preocupação, sem que qualquer processo de paz tenha avançado de forma significativa. As informações que se seguem têm como fonte os comunicados oficiais do Ministério da Defesa Nacional saharaui e da Direção Central do Comissariado Político do ELPS, não tendo sido possível obter confirmação independente dos factos relatados.
O ELPS intensificou as suas operações militares ao longo dos meses de abril e maio de 2026, com ataques declarados a posições marroquinas em vários setores do Sahara Ocidental e, em pelo menos um caso, no interior do território internacionalmente reconhecido como marroquino.
Abril: ofensiva concentrada no setor de Mahbes
O mês de abril ficou marcado por uma sequência de ataques de artilharia e operações especiais, com particular incidência no setor de Mahbes, no nordeste do Sahara Ocidental.
A 5 de abril, o ELPS anunciou um primeiro ataque a postos militares marroquinos em Mahbes, com baixas declaradas nas fileiras inimigas. No dia seguinte, 6 de abril, unidades especiais saharuisa realizaram um bombardeamento concentrado contra bases e entrincheiramentos na região de Al-Ariya, no mesmo setor.
A 12 de abril, o alto comando saharaui anunciou um ataque na zona de Emheibes Lamsamir, no setor de Touizgui, província de Assa-Zag — uma localização que se situa no interior das fronteiras internacionalmente reconhecidas de Marrocos, representando uma escalada geográfica significativa nas operações.
A 14 de abril, o Ministério da Defesa saharaui anunciou uma operação especial de comandos na zona de Guelb Adlim, no setor de Tichla, na região do Rio de Ouro, no extremo sul do Sahara Ocidental. O objetivo declarado foi um sistema fixo de vigilância e reconhecimento do Exército Real Marroquino utilizado para deteção precoce, descrito como destruído "com precisão e eficácia".
A 16 de abril, unidades do ELPS atacaram posições de artilharia marroquinas na região de Lagteitra, no setor de Hauza, no norte-nordeste do território. A 19 de abril, novo ataque em Mahbes, na zona de Udeiy Damran. A 26 de abril, o comunicado militar relatou dois ataques simultâneos no mesmo setor: um na zona de Amheibis Al-Ramth e outro, no dia anterior, contra posições de artilharia em Tanushad.
Maio: foco desloca-se para Smara e Guelta
Em maio, a atividade militar deslocou-se para os setores de Smara e Guelta, no norte e o centro do território, respectivamente.
A 5 de maio, o ELPS realizou um bombardeamento concentrado contra várias bases de retaguarda marroquinas nos arredores da terceira maior cidade saharaui ocupada de Smara, descrito como parte da estratégia de "guerra de desgaste" ao longo do muro militar.
A 22 de maio, a artilharia saharaui bombardeou bases e concentrações de tropas marroquinas de ocupação na zona de Gueililat, no setor de Guelta, com baixas declaradas. Quatro dias depois, a 26 de maio, novo ataque concentrado no mesmo setor, desta vez na região de Ichrik Tawarta, sector de Guelta, com perdas materiais e humanas reportadas pelo ELPS.
Os comunicados militares saharauis não incluem números concretos de baixas nem detalhes sobre o armamento utilizado. Marrocos não comentou publicamente a maioria destas operações. O conflito mantém-se fora do radar mediático internacional, não obstante a sua persistência e a ausência de qualquer perspetiva de resolução política no horizonte imediato.


Sem comentários:
Enviar um comentário