O documentário "La leggenda del deserto" ("A Lenda do Deserto"), da realizadora italiana Elisabetta Giannini, foi oficialmente selecionadopara participar na 83.ª Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza. A película, produzida pela Marechiarofilm de Antonietta De Lillo, será apresentada no programa Notti Veneziane, integrado na secção Giornate degli Autori 2026, que reúne 16 longas-metragens entre 2 e 12 de setembro. A notícia é revelada pela publicação Periodistas en español, em artigo assinado por Jesús Cabaleiro Larrán.
Exibição e programa
A projeção oficial está marcada para a próxima quarta-feira, 9 de setembro, às 13h00, na Sala Laguna de Veneza, com atividades paralelas previstas para os dias 8 e 9 de setembro.
A história
O filme recupera a memória de Carolina, uma menina italiana que, com oito anos, viajou nos anos 90 até aos campos de refugiados saharauis, experiência que marcou a sua vida. Três décadas depois, a sua história entrelaça-se com a dos Pequenos Embaixadores da Paz, crianças saharauis acolhidas todos os verões por famílias italianas em Itália. Ao cruzar duas viagens em direções opostas, separadas por trinta anos, o documentário procura evidenciar a capacidade da infância para criar laços acima de fronteiras geográficas, políticas e culturais, refletindo três décadas de solidariedade entre a sociedade civil italiana e o povo saharaui.
Elisabetta Giannini explica que o projeto nasceu há três anos, quando encontrou imagens de arquivo da viagem que a sua irmã Carolina fez ao deserto do Sahara aos oito anos. Segundo a realizadora, essa descoberta despertou o desejo de regressar aos campos de refugiados saharauis para reencontrar as pessoas que a irmã tinha conhecido décadas antes. O documentário resulta desse regresso, mantendo a perspetiva de uma criança que tenta compreender o significado de "casa". A voz da jovem Carolina acompanha a narração ao longo do filme, colocando uma questão sobre o futuro e o presente: o que acontece a pessoas amáveis quando caem no esquecimento.
A seleção do documentário resulta também da amizade histórica entre a produtora Antonietta De Lillo e a representante da Frente Polisário em Itália, Fatima Mahfud, que acompanhou e facilitou a realização do projeto, garantindo as condições necessárias para a rodagem nos campos saharauis, por uma equipa composta maioritariamente por jovens profissionais e mulheres.
Um apelo à atenção internacional
Com 71 minutos de duração, o documentário procura ir além da dimensão cinematográfica, lançando um apelo para quebrar o silêncio sobre o Sahara Ocidental e refletir sobre a responsabilidade internacional. Antonietta De Lillo sublinha que a obra "conta também a nossa contradição como ocidentais: amigos e inimigos ao mesmo tempo", defendendo que "já não se pode permanecer a olhar e a secundar a vontade do mais forte; é hora de escolher de que lado estar".
Fatima Mahfud, representante da Frente Polisário em Itália, convidou o público italiano a assistir à projeção: "A quem possa estar lá, peço que venha, que divulgue o convite e, sobretudo, que leve consigo alguém que ainda não conheça a história do povo saharaui. Também assim se quebra o silêncio."
Sobre a realizadora
Elisabetta Giannini (Nápoles, 1997) é realizadora e montadora, sendo "La leggenda del deserto" a sua primeira longa-metragem. Estreou-se anteriormente na realização em 2023, com a curta-metragem "Sognando Venezia", distinguida com um prémio especial de melhor estreia na realização nos Nastri d'Argento de 2024. Formada em efeitos visuais (VFX) pelo Centro Sperimentale di Cinematografia, participou em 2022 na iniciativa "Becoming Maestre", promovida pela Netflix e pelos prémios David di Donatello.


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