sábado, 28 de julho de 2012

Associações pros-saharauis recusam "ceder à chantagem" de retirarem os cooperantes


Acampamento de refugiados saharauis na zona de Tindouf (Argélia)

 As principais associações espanholas presentes nos acampamentos de refugiados saharauis de Tindouf (Argélia) recusaram retirar os seus cooperantes, o que faria supor "ceder à chantagem" dos grupos violentos.
Os grupos prossaharauis respondem assim à decisão do Governo espanhol de enviar um avião militar à Argélia para repatriar doze cooperantes espanhóis, dois franceses e um italiano ante os "indícios" de possíveis ações terroristas contra cidadãos estrangeiros.

"A insegurança que possa existir nestas regiões do mundo, por muito real que seja, não pode ser a justificativa para ceder à chantagem e deixar abandonadas à sua sorte dezenas de milhares de refugiados cujas vidas dependem totalmente da presença e do sacrificado trabalho dos cooperantes e das pessoas com eles solidários ", afirmam as associações signatárias de um comunicado.

Entre os grupos que subscrevem a declaração está a Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Sahara (CEAS-Sáhara), Mundubat, Médicos del Mundo ou a Federación de Instituciones Solidarias con el Sahara (FEDISA). O presidente da CEAS-Sáhara, José Taboada, explicou que outras organizações se juntarão a esta tomada de posição nas próximas horas. "Nós vamos em frente. Essa é a mensagem. Continuamos nos acampamentos", afirmou Taboada, em declarações à Europa Press.

José Taboada, presidente da CEAS-Sáhara
A evacuação foi voluntária, já que Espanha não tem jurisdição na Argélia nem nas zonas administradas pela Frente Polisario, mas Taboada recordou que a maioria dos cooperantes presentes nos acampamentos de refugiados saharauis trabalham em projetos financiados pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), dependente do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, pelo que "a recomendação de abandonar a zona é praticamente um imperativo".

Na declaração, os grupos prossaharauis sublinham que após o sequestro de Ainhoa Fernández, Enric Gonyalons e Rosella Urru, recentemente libertados, "foram fortalecidas as condições de segurança (...) minimizando os possíveis riscos". "Reiteramos a nossa confiança absoluta nas medidas e meios que as autoridades da República Árabe Saharaui Democrática adotaram para a proteção e segurança dos cooperantes", afirmam.

As associações advertem que "qualquer retirada não justificada dos cooperantes teria repercussões muito negativas sobre a situação dos refugiados saharauis".

As organizações signatárias defendem que "o que ocorreu não faz mais do que reiterar a necessidade de uma ação política e diplomática mais decidida para pôr fim à situação de injustiça de que sofre o povo saharaui desde há mais de 35 anos". "Esta solução passa inexoravelmente pelo termo da ocupação do seu país por parte de Marrocos e pelo livre exercício do direito de autodeterminação", referem no comunicado.

EUROPA PRESS 

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