sábado, 11 de agosto de 2012

Ministro de Defesa saharaui adverte que o exército está disposto a enfrentar Marrocos



"Regressar à guerra não é uma dificuldade para nós"
O Ministério da Defesa do Sahara advertiu que os militares regressariam às armas contra Marrocos face ao bloqueio do processo de paz após 37 anos de conflito.
o ministro da Defesa da República Árabe Democrática Saharaui (RASD), Mohamed Lamin Buhali, transmitiu o teor deste comunicado sexta-feira durante um encontro com a delegação de cooperantes espanhóis que estão em Tindouf, no sudoeste da Argélia, já que na sua opinião, só o regresso às armas faria com que Marrocos "cedesse nas suas exigências e cumprisse as resoluções internacionais".
Lamin Buali assegurou que "se a decisão fosse dos militares, em questão de minutos regressaríamos à guerra e colocaríamos as Nações Unidas ante a sua responsabilidade perante o povo saharaui".
No entanto, Buhali afirmou que o Exército está integrado na direção da Frente Polisario, o representante político do povo saharaui que, por agora, prefere manter o cessar-fogo.
"Enquanto a decisão for política e estiver nas mãos da maioria, respeitaremos a direção. As nossas diferenças não nos separam da estrada ", afirmou.

A guerra começou há 36 anos
O conflito armado entre a Frente Polisario e o reino alauita começou em 1976, no ano seguinte ao abandono da Espanha do Sahara Ocidental, e durou até 1991.
Nesse ano, a ONU conseguiu o cessar-fogo entre as partes e um plano de conciliação, em que se incluía um referendo de autodeterminação.
Porém, já durante o acordo houve divergências entre a Polisario e o corpo militar sobre os benefícios de prolongar ou não a guerra, reconheceu o ministro de Defesa.

O exército saharaui está “preparado para o combate”
Buhali não especificou quantos efetivos têm as forças armadas saharauis, afirmou no entanto que está "preparado para o combate".
"Exército temos. Não nos faltam soldados; e meios também temos. Regressar à guerra não é uma dificuldade para nós", sublinhou.
Um número muito elevado das tropas da República Saharaui está na fronteira entre o Sahara Ocidental, controlado pela Polisario, junto ao muro de mais de 2.000 quilómetros que Marrocos ergueu na década de 80.

Situação no Mali
Buhali afirmou que se a União Africana (UA) solicitasse a sua intervenção contra os grupos islamitas radicais no norte do Mali, a RASD deslocaria tropas.
"Estamos obrigados a cumprir em qualquer situação que se nos peça e sejamos consultados", referiu.
O ministro de Defesa apoia o ataque a grupos como a Al Qaeda para el Magreb Islâmico (AQMI) pelos conflitos que geram na região, como o ocorrido nos acampamentos saharauis coim o último sequestro dos cooperantes.
Buhali acusou a Rabat de estar por detrás da organização salafista Movimento Unicidade e Jihad na África Ocidental (Muyao), organização a quem foi atribuído o sequestro dos três cooperantes.



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