sexta-feira, 6 de junho de 2014

A crise entre Rabat e Nouakchott agrava-se: a Mauritânia exige que Marrocos substitua o seu embaixador


O presidente da Mauritânia, Ueld Abdel Aziz

Na passada segunda-feira, as autoridades policiais mauritanas do aeroporto de Nouakchott submeteram o presidente do Partido da “l’Union et du Changement”, Saleh Ould Ahnana, a um controlo policial humilhante. O homem regressava de Casablanca, após ter assistido como convidado ao congresso do Partido do Progresso e do Socialismo. O acontecimento ilustra a amplitude da degradação das relações entre os dois países, enquanto fontes mauritanas atribuem esta tensão à recusa de Marrocos em substituir o seu embaixador em Nouakchott.

Já em Janeiro, a Mauritânia se recusara a credenciar o novo cônsul de Marrocos, sem fornecer as explicações requeridas pela diplomacia marroquina. Isso diz muito sobre a profundidade da crise entre os dois países, enquanto, no passado, as relações pareciam sólidas e promissoras.

Simultaneamente, a Mauritânia recusa-se há dois anos a nomear um embaixador em Rabat. Ela retirou todos os seus diplomatas e apenas manteve pessoal administrativo no local para o funcionamento da embaixada.

A tensão está agora afetando áreas como o tráfego aéreo e a coordenação securitária. Recentemente a Mauritânia puxou ainda mais a corda ao receber um emissário do líder Polisário como se ele fosse um mensageiro de um chefe de Estado.

Ao mesmo tempo, Marrocos e Mauritânia estão engajados numa competição na crise do Mali recebendo cada um deles membros do governo e do movimento Azawad, do norte daquele país. Ontem, terça-feira, representantes do governo do Mali reuniram-se em Nouakchott com delegados desse movimento que quer a independência do norte do Mali (*). Por sua parte, mantendo-se discreto, Marrocos não vê com bons olhos as iniciativas da Mauritânia que a aproximam mais e mais das posições da Argélia no dossiê do Sahara.

A Imprensa mauritana sublinhou que Nouakchott decidiu recentemente não usar o termo "o vizinho do norte" para designar Marrocos, mas antes o termo "Estado de Marrocos" sob o pretexto de que o vizinho do norte é a "República Árabe saharaui Democrática ", proclamada unilateralmente, e que a Mauritânia reconheceu nos anos setenta.

Acredita-se que a razão para a tensão terá sido o facto de diplomatas e funcionários marroquinos terem tido comportamentos considerados pela Mauritânia como uma interferência nos seus assuntos internos. A Mauritânia expulsou o correspondente da agência de notícias MAP em Nouakchott, sem dar explicação, enquanto a imprensa local falou de sua suposta ingerência nos assuntos internos do país.

O diário digital Zahrat Chenguit publicou em exclusividade uma importante informação, que alegadamente terá obtido de fontes oficiais próximos do presidente Mohamed Ould Abdel Aziz. Segundo o jornal, a Mauritânia exige, para sair da crise diplomática, que Marrocos substitua primeiro o atual embaixador por outro e, em seguida, o Presidente nomeará, por sua vez, um novo embaixador em Rabat.

Fonte : Alifpost-Analyse - 5 يونيو، 2014

(*) A Mauritânia exerce atualmente o cargo da Presidente da União Africana.

NOTA : Recorde-se que em Outubro de 2012, o presidente mauritano sofreu um atentado que, segundo fontes oficiais, o Estado marroquino teria sido o mandatário. Ler:

http://aapsocidental.blogspot.pt/2012/12/atentado-ao-presidente-mauritano.html

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