sábado, 26 de julho de 2014

O rei e os seus correligionários




Os marroquinos sempre sonharam com uma União do Magrebe, mas à custa da causa saharaui. Não sabem que todos os seus apelos a uma reconciliação duradoura com a Argélia que passaria, segundo eles, pela reabertura das fronteiras, será em vão enquanto esta pedra angular na construção do Grande Magrebe, que é a questão saharaui, não for resolvida. Isto é o que ressalta do último discurso da Secretária de Estado marroquina dos Negócios Estrangeiros perante o Parlamento do seu país. Pede à Argélia a "assumir o seu papel de liderança", disse ela, no conflito do Sahara, enquanto, simultaneamente, acusava aquele país vizinho de impedir o processo de reconstrução da União do Magrebe Árabe.
 
O Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental, o embaixador norte-americano Christopher Ross, ladeado pela secretária de Estado e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos
Esta enésima tirada de um responsável oficial marroquino contra a Argélia confirma, pelo menos, duas coisas importantes: primeiro, que o Palácio não pretende cessar ou moderar a sua hostil campanha contra a Argélia, mesmo após o lamentável comportamento do seu ministro das Relações Exteriores, Mourad Mezouar; e que, além disso, Rabat também admite que nada se pode fazer no Magrebe sem o seu vizinho oriental. Isso explica esse frenesim, à beira da neurose, nas manobras e provocações que adota como estratégia.
Esta declaração da secretária de Estado dos NE dá uma ideia do que será a próximo discurso do Rei, por ocasião da Festa do Trono, que terá lugar em menos de uma semana. Converteu-se numa história patética e repetitiva o discurso de Mohamed VI: cada súplica de reabertura das fronteiras terrestres em nome da irmandade magrebina e a boa vizinhança, é seguida por uma declaração de guerra.

No seu último discurso, o governante alauita acusou a Argélia, nomeando-a – o que devia provocar uma reação de Argel -, de "sabotar a iniciativa da autonomia" marroquina [para o Sahara Ocidental]  que o seu governo quer impor fora do âmbito das Nações Unidas. Para ele, a força da Frente Polisario e as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas são apenas um reflexo de manipulações e manobras tecidas pela Argélia", “visceralmente anti marroquina". Com o seu tom alarmista, ao mesmo tempo ameaçador e suplicante, esse discurso tem apenas um só objetivo: aumentar a pressão e jogo das chantagens sobre o Sahara Ocidental, que continua a ser a pedra angular da política externa do Makhzen.

Por R. Mahmoudi

Algérie Patriotique, 23/07/2014

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