sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Milhares de manifestantes contra a morte do jovem assassinado no camião-do-lixo em Marrocos





Alhucemas (Marruecos), 4 nov (EFE).- Milhares de pessoas protestaram hoje na cidade rifenha de Alhucemas (norte de Marrocos), num ambiente pacífico, contra a marginalização e a repressão a que são submetidas pelas autoridades de Rabat, segundo denunciaram.

Estes protestos estalaram após a morte há uma semana nessa cidade do jovem vendedor de peixe Mohcin Fikri, de 31 anos, esmagado num camião de lixo quando tentava impedir que as autoridades destruissem com o veículo meia tonelada de peixe espada, cuja pesca está proibida neste período.

"É um protesto contra a "hogra" (a humilhação do cidadão comum por parte do Estado) e a marginalização que vive a região a todos os níveis", afirmou à EFE Abdelsamad Burich, um dos manifestantes.

Os participantes concentraram-se na praça central Mohamed VI e gritaram palavras-de-ordem  como "todos estamos tristes, o Makhzen (o sistema) nos mata", "o mártir deixou o seu testemunho, não há que abandonar a causa" e "Mohcin morreu assassinado e o Makhzen é o assassino".

Durante o protesta, os participantes levantaram pancartas com consignas como "onde está a riqueza", "queremos uma distribuição justa das riquezas", "não à destruição da escola pública" ou a reivindicação "uma medicação gratuita".

Amin Idrisi, professor de 44 anos de idade, explicou à EFE que aderiu ao protesto para demonstrar a sua indignação pela morte "atroz" de Mohcin e para pedir que não se repitan eventos similares no futuro.

Durtante os protectos foram empunhadas bandeiras berberes e da República do Rif que existiu no norte de Marrocos entre 1921 e 1926, não se vendo qualquer bandeira marroquina.

"A ausência da bandeira marroquina demonstra o nível da desconfiança que temos em relação ao Estado", disse Nabil Batiuí, um estudante de uns 20 anos.

A grande maioria dos manifestantes eram jovens de ambos os sexos, embora também estivessem presentes pessoas de idade e famílias.

Os manifestantes terminaram o seu protesto com uma marcha de velas por algumas das principaies artérias da cidade, em homenagem à vítima.


Na passada terça-feira, as autoridades judiciais marroquinas anunciaram a detenção de onze pessoas, duas delas polícias e três funcionários do Estado, que foram apresentadas ante o juiz de instrução com várias acusações, entre elas a de "homicídio involuntário". EFE

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