sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

A MINURSO e o Congresso da Frente Polisario





Periodistas em español - por Jesús Cabaleiro Larrán -26/12/2019 - A breve presença de dois observadores militares da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) no 15º Congresso da Frente POLISARIO, que se realizou na localidade saharaui de Tifariti, motivou a necessidade de uma explicação por parte das Nações Unidas na sequência de ataques desfechados a partir de Marrocos , que chegou a qualificá-lo de “escândalo”.

Esta presença “não implica nenhuma posição política” da MINURSO que continua a ser “estritamente imparcial no desempenho do seu mandato”, declarou o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric.
A 19 de dezembro, como parte do seu trabalho regular de apoio ao mandato da MINURSO na situação do Sahara, dois observadores militares das Nações Unidas sediados em Tifariti decidiram visitar o Congresso da Frente Polisario” acrescentando que os dois elementos regressaram «pouco depois» à sua sede.
Esta presença motivou o protesto de Marrocos que se serviu das imagens divulgadas pela televisão saharaui onde um dos elementos da MINURSO uma mulher, o outro elemento era do sexo masculino — “aparecia relaxada e com um sorriso muito cúmplice” segundo Rabat, o que, pelos visto, não pode admitir.
Antes, já as autoridades marroquinas haviam manifestado mal-estar pelo facto de o Congresso se realizar em território saharaui e não nos acampamentos de Tindouf, na Argélia. A ONU, contudo, não se pronunciou de maneira formal em relação ao protesto.
Importa não esquecer a tradicional hostilidade de Marrocos em relação à MINURSO, que viu serem expulsos de forma maciça 83 dos seus membros por parte de Rabat em março de 2016, algo sem precedentes noutras missões de paz.
A MINURSO tem também relatado de forma constante que a maioria das violações do Acordo Militar Número 1 (firmado em 1991 entre as duas partes beligerantes, Marrocos e Polisario, como parte do cessar-fogo) são da responsabilidade de Marrocos.


No Congresso, Brahim Gali foi reeleito secretário-geral da Frente POLISARIO com 86 %, o que correspondeu a 1808 votos, segundo o resultado da votação realizada no dia 24, terça-feira, sexto dia do Congresso, que se prolongou para além das datas anunciadas “para garantir a transparência e credibilidade da votação”.
Também foi criado um intergrupo no Parlamento Europeu (PE) para defender a causa saharaui, segundo revelou o ministro delegado saharaui para a Europa, Mohamed Sidati. Um total de 120 eurodeputados de sete grupos com representação no Parlamento Europeu formaram oficialmente no passado dia 16 de dezembro um grupo para defender a causa saharaui, e outras questões com ela relacionadas, como as resoluções do Tribunal de Justiça da Uniãi Europeia (TJUE), e simultaneamente trabalhar para o envolvimento da União Europeia «no processo para que seja encontrada uma solução política pacífica e justa para o problema do Sahara Ocidental».
Há já um número significativo de países que contam nos seus Parlamentos com grupos de solidariedade com o Sahara, casos da Finlândia e do Japão muito recentemente.



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