sábado, 20 de junho de 2020

Protestos nas ruas de El Aaiun no 50º aniversário do "Grito de Zemla de 1970" e contra a ocupação marroquina




 Ativistas saharauis insultadas e impedidas de visitar o histórico militante anticolonial Mohamed Uld Hamuya, doente em casa.



Várias ativistas saharauis e ex-presas políticas, entre elas Mahfuda Bomba El Fakir, recentemente libertada por Marrocos, a 15 de março, após cumprir sentença, foram detidas por agentes marroquinos na quarta-feira, 17 de junho, na cidade de El Aaiun, quando tentavam comemorar o 50º aniversário de Zemla de 1970 e homenagear o membro histórico do Movimento de Basiri (movimento nacionalistas que antecedeu a constituição da Frente POLISARIO), Mohamed Uld Hamuya, em convalescença há alguns anos em sua casa. Os protestos tiveram lugar nos bairros de Maatala, antiga Zemla, e na Avenida Smara, a principal artéria de El Aaiun.
Uld Hamuya, nas palavras do ex-preso político saharaui Brahim Dahan: “É um membro histórico do Movimento de Libertação do Sahara”, organização fundada por Basiri, que liderou, faz agora 50 anos, a primeira revolta do nacionalismo saharaui contra o franquismo espanhol. Nas palavras de Brahim Dahan, “Mohamed Uld Hamuya, para os saharauis dos territórios ocupados, é uma referência histórica, um pai espiritual na luta; um militante com uma brilhante trajetória de luta contra o colonialismo espanhol na sua época e contra a atual ocupação marroquina. ”



Fontes de ativistas de El Aaiun afirmaram que vários oficiais marroquinos à paisana detiveram Mahfuda e as suas companheiras depois de terem participado no protesto na rua Smara, uma das artérias centrais de El Aaiun, provocando-as com ofensas e insultos degradantes. Os agentes invectivaram Mahfuda, ameaçando-a: "aranek babak lahi terdjii lil habs", expressão marroquina ofensiva e ameaçadora em relação à pessoa do ativista, que poderá ser traduzida como "cabra, vamos meter-te de novo na prisão".
Os agentes marroquinos, de acordo ainda com fontes dos ativistaa, usaram a sua brutalidade usual contra o grupo de ativistas, com empurrões e insultos degradantes a todo o grupo, mas, felizmente, algumas conseguiram escapar e entrar na casa do membro histórico do OLS de Basiri de 1970, insurreição conhecida como o Grito de Zemla, cumprindo assim parte da celebração que a população saharaui tinha planeado.

Fonte: Diario La Realidad Saharaui/DLRS, 18/06/2020



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