As operações militares levadas a cabo pelo Exército de Libertação do Povo Saharaui (ELPS) em março no Sahara Ocidental apontam para uma redução da intensidade dos combates, em comparação com meses anteriores, apesar da continuação de ações ofensivas pontuais.
De acordo com comunicados do Ministério da Defesa da República Árabe Saharaui Democrática, foram registadas três ações militares ao longo do mês.
Ataques concentrados em dois setores
A 4 de março, unidades saharauis realizaram um bombardeamento contra um posto de comando na região de Ichergán, no setor de Guelta, no centro do território.
Já a 10 e 11 de março, as operações intensificaram-se no setor de Hauza, no norte do Sahara Ocidental, com ataques a postos de vigilância, bases e posições entrincheiradas nas zonas de Fadrat Legrab e Agajgal Dirit.
Segundo as mesmas fontes, os bombardeamentos terão provocado danos em infraestruturas militares, embora não tenham sido divulgados números sobre vítimas ou destruição.
Sinais de atenuação dos ataques militares
Apesar destes ataques, a frequência das operações em março foi inferior à registada em períodos anteriores, sugerindo uma atenuação relativa da atividade militar ao longo da linha de confronto (o muro). Este facto pode ser explicado pelas alterações registadas durante o mês nos comandos do ELPS.
O
presidente da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e
secretário-geral da Frente Polisario, Brahim Gali, levou a cabo uma
importante reorganização nas estruturas militares e governamentais.
Estas mudanças, concretizadas através de decretos presidenciais,
incluíram a nomeação de novos comandantes na instituição militar
do Exército Popular de Libertação do Saara (EPLS) e são
interpretadas como uma reconfiguração interna fundamental no
contexto do conflito no Sahara Ocidental.
O
conflito, que opõe Marrocos à Frente Polisario,
mantém-se de baixa intensidade desde a retoma das hostilidades em
2020, após o colapso do cessar-fogo supervisionado pela ONU.
A
redução do ritmo de combates não altera, contudo, o impasse
político em torno do estatuto do território, considerado pelas
Nações Unidas como um território por descolonizar.
As conversações promovidas pela atual administração norte-americana, reunindo as duas partes do conflito, o povo saharaui representado pela Frente POLISARIO, e o Reino de Marrocos, além da Argélia e da Mauritânia, como países vizinhos, não geraram até agora qualquer alteração neste contexto.
No entanto, o Conselho de Segurança da ONU deverá até ao final do mês de abril pronunciar-se sobre a eventual alteração do estatuto e contornos da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo do Sahara Ocidental).

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