Um estudo divulgado pela Oficina Saharaui de Coordinación de Acción contra las Minas (SMACO) documenta um aumento significativo de ataques com drones no Sahara Ocidental entre 2021 e 2025, denunciando um padrão de ataques contra civis e potenciais violações do direito internacional humanitário.
De acordo com o relatório, foram registados 123 ataques entre 2021 e 2024, aos quais se somam seis incidentes adicionais em 2025, que terão causado mais de uma dezena de vítimas civis. O estudo baseia-se em dados de terreno e analisa a evolução das táticas militares, o perfil das vítimas e o impacto humanitário.
Ataques a civis e expansão geográfica
O documento aponta para um padrão sistemático de ataques contra civis, nomeadamente viajantes e atividades económicas vulneráveis, muitas vezes em zonas afastadas das linhas de combate e do muro militar marroquino. Segundo o estudo, esta dispersão geográfica indica que as vítimas não representavam alvos militares.
A utilização de drones é descrita como uma mudança estratégica no conflito, permitindo ataques à distância com “risco zero” para as forças envolvidas.
Impacto humanitário e psicológico
O relatório destaca consequências graves para a população, incluindo deslocações forçadas de civis de zonas como Tifariti, Mehaires ou Bir Lehlu para áreas mais seguras na Argélia e na Mauritânia.
Entre os impactos identificados estão:
medo generalizado entre a população
ansiedade e trauma psicológico
perturbações de stress pós-traumático, depressão e distúrbios do sono
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| Os drones marroquinos têm obrigado as famílias nómadas saharauis a fugir para o interior do território da Argélia ou da Mauritânia (Foto Jean-Baptiste François/Jornal La Croix) |
Há ainda relatos de vítimas que permaneceram horas ou dias sem assistência médica devido ao receio de novos ataques.
Questões legais e cooperação militar
O estudo sustenta que muitos dos ataques ocorreram em áreas abertas, onde seria possível distinguir alvos civis de militares, levantando dúvidas sobre o respeito pelos princípios de distinção e proporcionalidade do direito internacional humanitário.
O documento refere também o reforço das capacidades militares de Marrocos, associado à cooperação com Israel, incluindo aquisição, transferência de tecnologia e produção local de drones.
Falta de responsabilização internacional
Apesar da redução do número de ataques em 2025, o relatório considera que o fenómeno permanece estrutural. O estudo denuncia ainda a ausência de resposta internacional eficaz e a fragilidade dos mecanismos de monitorização, fatores que poderão contribuir para a continuidade das alega-das violações.
Entre as recomendações, a SMACO defende o reforço dos mecanismos internacionais de acompanhamento e a abertura de investigações independentes para apurar responsabili-dades.
O relatório alerta que a persistência destes ataques poderá agravar a situação humanitária e comprometer a estabilidade regional.


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