terça-feira, 7 de abril de 2026

Relatório denuncia aumento de ataques com drones contra civis no Sahara Ocidental

 


Um estudo divulgado pela Oficina Saharaui de Coordinación de Acción contra las Minas (SMACO) documenta um aumento significativo de ataques com drones no Sahara Ocidental entre 2021 e 2025, denunciando um padrão de ataques contra civis e potenciais violações do direito internacional humanitário.

De acordo com o relatório, foram registados 123 ataques entre 2021 e 2024, aos quais se somam seis incidentes adicionais em 2025, que terão causado mais de uma dezena de vítimas civis. O estudo baseia-se em dados de terreno e analisa a evolução das táticas militares, o perfil das vítimas e o impacto humanitário.


Ataques a civis e expansão geográfica

O documento aponta para um padrão sistemático de ataques contra civis, nomeadamente viajantes e atividades económicas vulneráveis, muitas vezes em zonas afastadas das linhas de combate e do muro militar marroquino. Segundo o estudo, esta dispersão geográfica indica que as vítimas não representavam alvos militares.

A utilização de drones é descrita como uma mudança estratégica no conflito, permitindo ataques à distância com “risco zero” para as forças envolvidas.


Impacto humanitário e psicológico

O relatório destaca consequências graves para a população, incluindo deslocações forçadas de civis de zonas como Tifariti, Mehaires ou Bir Lehlu para áreas mais seguras na Argélia e na Mauritânia.

Entre os impactos identificados estão:

  • medo generalizado entre a população

  • ansiedade e trauma psicológico

  • perturbações de stress pós-traumático, depressão e distúrbios do sono


Os drones marroquinos têm obrigado as famílias nómadas saharauis a fugir
para o interior do território da Argélia ou da Mauritânia
(Foto Jean-Baptiste François/Jornal La Croix)


Há ainda relatos de vítimas que permaneceram horas ou dias sem assistência médica devido ao receio de novos ataques.


Questões legais e cooperação militar

O estudo sustenta que muitos dos ataques ocorreram em áreas abertas, onde seria possível distinguir alvos civis de militares, levantando dúvidas sobre o respeito pelos princípios de distinção e proporcionalidade do direito internacional humanitário.

O documento refere também o reforço das capacidades militares de Marrocos, associado à cooperação com Israel, incluindo aquisição, transferência de tecnologia e produção local de drones.


Falta de responsabilização internacional

Apesar da redução do número de ataques em 2025, o relatório considera que o fenómeno permanece estrutural. O estudo denuncia ainda a ausência de resposta internacional eficaz e a fragilidade dos mecanismos de monitorização, fatores que poderão contribuir para a continuidade das alega-das violações.

Entre as recomendações, a SMACO defende o reforço dos mecanismos internacionais de acompanhamento e a abertura de investigações independentes para apurar responsabili-dades.

O relatório alerta que a persistência destes ataques poderá agravar a situação humanitária e comprometer a estabilidade regional.

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