terça-feira, 16 de outubro de 2012

IV Comissão da ONU adota resolução que reafirma o direito do povo saharaui à autodeterminação



A IV Comissão da ONU adotou por consenso uma resolução sobre o Sahara Ocidental em que reafirma a responsabilidade da ONU relativamente ao direito do povo saharaui à autodeterminação e reitera o seu pleno apoio aos esforços do Enviado Pessoal do Secretário-geral, Christopher Ross, para que consiga uma solução justa e duradoura que garanta o direito do povo saharaui à autodeterminação em conformidade com os princípios da Carta da ONU e a resolução 1514 da Assembleia geral, de acordo com um comunicado de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros da RASD.

Com a adoção por unanimidade desta resolução, a ONU consolida os parâmetros essenciais que definem a questão do Sahara Ocidental como um problema de descolonização e, como tal, a aplicação do princípio de autodeterminação para que o povo saharaui decida livremente o seu futuro, indica o comunicado do MNE da RASD.

A F. Polisario e o Governo da RASD expressaram o seu agradecimento a todos os países e grupos regionais que intervieram ao longo da sessão em defesa do direito do povo saharaui, da autodeterminação e da independência e tornaram possível a adoção desta resolução no momento em que o Enviado Pessoal do Secretário-geral se dispõe a realizar uma visita à região antes de apresentar o seu relatório ao Conselho de Segurança

SPS

domingo, 14 de outubro de 2012

Justiça para Mohamed Dihani, saharaui preso por Marrocos



Mohamed Dihani está condenado a dez anos de prisão. Foi vítima de desaparecimento forçado, maus-tratos e tortura, não teve direito a um julgamento justo. No próximo dia 12 de novembro o seu caso voltará a ser julgado num Tribunal de Marrocos. Atua enviando um pedido urgente!!

A Secção de Direitos Humanos do Real e Ilustre Colégio de Advogados de Saragoça, a Associação Espanhola para o Direito Internacional dos Direitos Humanos (AEDIDH), a Western Sahara Human Rights Watch (WSHRW) e a  Asociación Pro Derechos Humanos de Espanha (APDHE) contam com informação fidedigna a respeito da situação do cidadão saharaui Mohammed Dihani.

Segundo a documentação oficial e judicial do caso, aquilo que foi publicado pelos meios de Comunicação social e os testemunhos de diferentes organizações de direitos humanos (Associação Saharaui de Vítimas de Violações Graves de Direitos Humanos – ASDVH – e a Associação Marroquina de Direitos Humanos – AMDH), Mohamed Dihani encontra-se encarcerado na prisão de Sale 2, cumprindo uma pena de 10 anos de prisão por Sentença proferida a 27/10/2011.

Mohamed Dihani foi detido por várias ocasiões anteriores pelas autoridades marroquinas de ocupação no Sahara Ocidental pela sua militância nos movimentos de protesto a favor da autodeterminação do povo saharaui.

A família de Dihani contou que o seu filho foi sequestrado em abril de 2010 frente à sua casa por agentes à paisana e que não souberam do seu paradeiro durante seis meses, quando a agência oficial de notícias marroquina, MAP, anunciou a sua detenção. Desde o seu desaparecimento a família apresentou inúmeras denúncias ante as instâncias oficiais marroquinas solicitando, primeiro, a averiguação do paradeiro do seu filho e, depois, denunciando as graves torturas a que o mesmo foi sujeito.

Em outubro de 2010, a agência noticiosa oficial marroquina MAP anunciou a sua detenção. Depois, Dihani foi acusado falsamente de terrorismo e condenado por “planificar atentados terroristas” num intento das autoridades marroquinas de vincular os movimentos que lutam pelo direito à autodeterminação do povo saharaui com o terrorismo jihadista, segundo denunciou a Associação Saharaui de Vítimas de Violações Graves de Direitos Humanos (ASVDH) que qualificou o julgamento de “processo pré-fabricado contra este ativista saharaui”.
Por seu lado, a Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) considera Dihani como “um preso político” e pediu às autoridades marroquinas para “melhorar as suas condições prisionais”.

Durante o julgamento, Mohamed Dihani alegou que as confissões realizadas ante a polícia tinham sido obtidas sob tortura e repudiou energicamente as acusações proferidas contra si. Na Sentença não aparecem outras provas de acusação que não sejam as alegadas confissões proferidas ante a polícia.

O recurso do julgamento, que estava previsto para o passado dia 17 de setembro, foi suspenso até ao dia 12 de novembro, data em que está marcada a conclusão da audiência do julgamento de recurso na cidade de Rabat.

Face a isto, exigimos ao Estado marroquino e à comunidade internacional para:
Que, ante as alegações de tortura e maus-tratos, sejam urgentemente adotadas todas as medidas apropriadas para assegurar a integridade e a segurança física de Mohamed Dihani, num quadro de pleno respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais, em conformidade com as regras internacionais de Direitos Humanos e, em particular, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos;

Que os Magistrados do tribunal indicados para analisarem e se pronunciaram sobre o Recurso de Apelação observem e respeitem as garantias de um julgamento justo, com uma tutela jurisdicional efetiva e a presunção de inocência do réu, a fim de pronunciarem uma Sentença com base nos Acordos, Convenções e Tratados internacionais respeitante aos direitos humanos e liberdades fundamentais, ratificados por Marrocos e assumidos como direito interno diretamente aplicável;

Que se investiguem as denúncias de desaparecimento forçado, torturas, tratamentos inumanos, cruéis e degradantes de que terá sido vítima Mohamed Dihani;

Que as autoridades penitenciárias, nas condições de detenção de Mohamed Dihani, observem escrupulosamente o respeito pelos padrões básicos do respeito pelos Direitos Humanos, em conformidade com as Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos.

Envio o teu pedido a:

  •         Wolfgang Weisbrod-Weber, Representante Especial do Secretário-Geral e Chefe da Missão das Nações Unidas para o Referendo do Sahara Ocidental (MINURSO) http://www.un.org/en/peacekeeping/about/contact.asp
  •  ·         Embaixada do Reino de Marrocos em Espanha. correo@embajada-marruecos.es. 
  •       Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação do Governo de Espanha informae@mae.es


13 de outubro de 2012. WESTERN SAHARA HUMAN RIGHTS WATCH

sábado, 13 de outubro de 2012

12 outubro: panfletos e pichagens invadem El Aaiun no dia da Unidade Nacional Saharaui



A cidade de El Aaiun amanheceu com as suas ruas cobertas por centenas de panfletos e grafitis nas paredes da cidade como motivo do dia da Unidade Nacional Saharaui — o 12 de outubro.

A operação foi levada a cabo durante as 24 horas anteriores com uma profusa distribuição de centenas de panfletos, pichagens nas paredes e muros e a colocação de dezenas de bandeiras nacionais saharauis em sedes de instituições e edifícios da administração da ocupação marroquina. Foram muitos os bairros que foram alvo desta operação de ativismo contra o regime marroquino, mas em particular o bairro El Inach, o bairro El Auda, Bucraa, La paz, Hizam, o subúrbio de Maatala, o mítico bairro de Zemla, Casa Piedra e o Aeroporto.

A ampla agitação teve por objetivo comemorar o 37.º Aniversário do Dia da Unidade Nacional Saharaui, surgida após a dissolução das Cortes saharauis (Yemaa) que representavam a ex-colónia nas Cortes da Espanha Franquista e a adesão de todo o povo saharaui em torno do seu único e legítimo representante, a Frente Polisario.


Face a estas mobilizações na cidade, as autoridades marroquinas de ocupação mobilizaram os seus agentes policiais e dos serviços secretos, revelando as suas leis marciais através da montagem de barricadas de controlo dispersas toda a cidade e investindo a sua violência contra a população como forma de intimidação.

*Fonte: Rede Informação Radio Maizirat e Poemario por un Sahara Libre

"A visita de Hervé Ladsous demonstra o interesse da comunidade internacional pela questão do Sahara Ocidental" – refere Coordenador Saharaui junto da MINURSO)


O SG da ONU e Herve Ladsous
 A visita do Secretário-Geral Adjunto da ONU para as Operações de Manutenção da Paz, Herve Ladsous, à região demonstra "o interesse da comunidade internacional em relação à questão do Sahara Ocidental," afirmou M’Hamed khaddad, coordenador saharaui junto da MINURSO.

"A visita do Sr. Ladsous é importante porque se realiza uns dias antes da apresentação do relatório do Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, sobre o processo de negociações entre a Frente Polisario e Marrocos e sobre os obstáculos que impedem a MINURSO de cumprir a sua missão como todas as missões de manutenção da paz das Nações Unidas no mundo", acrescentou.

As recentes visitas da delegação del RFK Center, do relator da ONU sobre a Tortura e da Comissão Africana de Direitos Humanos são a expressão de que "os temas de direitos humanos caminham na direção correta" afirmou Khaddad.

O Presidente da República e SG da Frente Polisario, Mohamed Abdelaziz, recebeu esta quinta-feira o secretário-geral adjunto da ONU para as Operações de Paz.

O Representante da ONU encontra-se de visita aos acampamentos saharauis para supervisionar no terreno os trabalhos que realiza a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental, (MINURSO).

"Durante a reunião, Mohamed Abdelaziz pediu que se permita à MINURSO cumprir plenamente com a sua missão e o seu mandato nos territórios saharauis ocupados no menor tempo possível".

O presidente da República saharaui referiu que a visita do secretário-geral adjunto da ONU para as Operações de Paz é a primeira deste tipo desde há muito tempo, tendo, através do seu interlocutor, convidado o SG da ONU, Ban Ki-moon, a visitar o Sahara Ocidental e os acampamentos de refugiados.

Hervé Ladsous, diplomata francês nascido em 1950, desempenha desde 02 de setembro de 2011 o cargo de Secretário-geral adjunto das Nações Unidas para as Operações de Paz.

(SPS)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Chefe das Operações de Paz da ONU visita o Sahara Ocidental


Hervé Ladsous
O Secretário-Geral Adjunto de Operações de Manutenção da Paz da ONU, Hervé Ladsous, chegou na quarta-feira ao Sahara Ocidental para monitorar o trabalho de campo realizado pela Missão das Nações Unidas nesse território (MINURSO).

Ladsous mostrou-se "encantado" com a sua viagem, a primeira de um Chefe de Operações de Paz ONU em 14 anos. "Quero encontrar-me com nossos observadores militares que, apesar das condições difíceis, estão fazendo um trabalho digno", disse, de acordo com um comunicado divulgado pela organização.

A primeira paragem deste périplo de três dias foi a cidade saharaui de El Aaiun, ainda que aquele responsável planeie visitar outras duas outras instalações da MINURSO no território. Hervé Ladsous deslocar-se-á depois à capital marroquina, Rabat, e aos campos de refugiados de Tindouf, na Argélia.

A MINURSO, atualmente dirigida pelo alemão Wolfgang Weisbrod-Weber, enviado especial da ONU para o Sahara Ocidental, foi criada em 1991 com a intenção de monitorar um cessar-fogo na ex-colónia espanhola e preparar um referendo de autodeterminação que, mais de duas décadas depois, ainda não se vislumbra.

Desde 1976 que as Nações Unidas desenvolvem esforços para resolver a situação do Sahara Ocidental, coincidindo com a confrontação entre Marrocos e a Frente Polisário, responsável pela autoproclamação da República Democrática Árabe Saharaui (RASD).

2012/10/10 (Europapress)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Gdeim Izik (10/10 a 08/11 de 2010): o testemunho de quem lá esteve…



Antonio Velázquez, um jovem mexicano, solidário com a luta do povo saharaui, viu nascer no meio do deserto aquele que viria a ser o acampamento da dignidade saharaui: Gdeim Izik. Durante um mês viveu essa experiência, irmanado com cerca de 20 mil saharauis, de todas as idades, naquela que viria a ser a maior manifestação pacífica na história do Sahara Ocidental. Durante esse tempo alí viveu, até o acampamento ser violentamente destruído pelas forças militares e policiais marroquinas. Eis o seu testemunho

Levantava-se a primeira “jaima” (tenda tradicional dos nómadas do deserto) no meio do deserto do Sahara Ocidental. E com ela se ergueram os sonhos de milhares de saharauis que, desde há 38 anos, gritam ao mundo pela liberdade; nestes tempos em que o mundo está surdo, cego e desapiedado de coração, devido ao poder de uns quantos. As saharauis e os saharauis abandonaram as suas casas nas cidades ocupadas por Marrocos para montar um acampamento que, dias depois, se converteria na maior manifestação pacífica na história do Sahara Ocidental; o acampamento de Gdeim Izik.
Embora tenha sido desmantelado violentamente pelos militares, quase um mês após o seu início, com este acampamento as mulheres e os homens saharauis conseguiram mostrar ao mundo que estão unidos, que são uma mesma voz, que estão dispostos a continuar lutando para conseguir o seu objetivo de liberdade total. Gdeim Izik; significa um antes e um depois no conflito do Sahara Ocidental, marcando profundamente um anseio comum, dando uma lição para as gerações mais jovens, um ‘respirar’ da repressão quotidiana do regime marroquino.
A recordação de Gdeim Izik é doce, intensa, e também triste, onde a esperança acariciou os mais belos sonhos de um povo que continua à espera que, em breve, verá crescer a semente da independência. Essa semente; regada e cuidada com ações pacíficas para reivindicar o simples direito de existir como saharaui.
Atualmente, muitos dos meus companheiros que estiveram nesse acampamento estão privados da sua liberdade. Para eles e para as suas famílias, o meu amor, o meu respeito e reconhecimento. Estão presos porque a sua razão e os seus ideais são um motor para todas e todos os saharauis e amigos da sua causa. Mas eles estão livres entre nós e dentro de nós, são ativistas defensores da verdade e, mais cedo que tarde, estarão desfrutando de um grande Gdeim Izik, no Sahara Ocidental livre.
Não existe sentimento que aglutine tantas sensações, como é o resistir e estar a ponto de conseguir a vitória; isso foi Gdeim Izik.
Quando falo de resistência saharaui, refiro-me à poesia do deserto, ao olhar dos anciãos, ao sorriso das crianças, à música militante que deu colorido ao sacrifício de estar em Gdeim Izik. Sacrifício que qualquer um de nós, que ali estivemos, voltaríamos a viver.
Escrito por Antonio Velázquez, mexicano, membro do acampamento Gdeim Izik.

Para conhecer a história de Gdeim Izik, recomendo este documentário de 27 minutos: