domingo, 5 de fevereiro de 2017

O presidente saharaui Brahim Gali aborda a presença marroquina na 28ª Cimeira da União Africana




O presidente saharaui Brahim Gali proferiu um discurso no dia 2 de fevereiro na wilaya de Bojador (acampamentos de refugiados saharauis) em que abordou alguns aspetos da 28 Cimeira da União Africana e a entrada de Marrocos na UA:

“Conseguimos um novo êxito após a aceitação da UA à admissão da monarquia marroquino. O seu rei chegou, algo encolhido, e sentou-se na frente da bandeira e do brasão da República Saharaui (RASD)

O rei de Marrocos entrou na sala e sentou-se num lugar que não estava a mais de cinco metros da bandeira da República Saharaui. Quem de nós havia imaginado ver algo assim? Chegou, sentou-se, ouviu, conversou, mas não pronunciou nenhuma palavra sobre o assunto.
Isto deve-se à nossa resistência e perseverança, ao nosso apego à legalidade internacional e à vontade de sacrificar tudo às aspirações do nosso povo, liberdade, independência e construção de nosso Estado. Vocês acompanharam a farsa que encenou Marrocos para a sua admissão. O rei de Marrocos em vinte dias visitou quarenta e dois países africanos.

(...) Esta é uma nova situação que requer que, nós, saharauis, valorizemos as nossas instituições e nos sentamos orgulhosos delas. Porque o rei de Marrocos chegou até aqui devido à nossa resistência, aos nossos sacrifícios, ao nosso apego aos direitos e à nossa vontade de conquistar o direito à liberdade, à construção do nosso Estado e à conquista da soberania sobre todo o nosso território. Isso é que o levou a ceder, arrastando-se, para se sentar ao nosso lado. Nenhum país dos 54 Estados-Membros da UA se manifestou contra a República saharaui.
(...) Houve intensas discussões sobre se Marrocos cumpre as condições que são princípios de que a nossa organização defende: dar voz aos povos de África, promover o seu desenvolvimento, a sua unidade. Marrocos está obrigado, depois de ter assinado a constituição da UA, a mentalizar-se de que tem que cumprir esses requisitos. O tenso debate centrou-se em se Marrocos vai cumprir, ou não, essas condições. Em conformidade com os princípios dos povos do continente, promover a liberdade dos povos do continente, a dignidade do continente, a voz do continente, promover o desenvolvimento e unidade do continente.

...) Geralmente Marrocos tem um guião de que dificilmente sai, no seu discurso e nos seus argumentos. Daí a sua aparente fraqueza, a sua incerteza e de que o seu argumento é frágil. O mundo inteiro viu, desde o dia em que invadiram a nossa terra, que não tem razão. É um invasor ocupante, que deve abandonar o território da República Saharaui, para que possam ganhar algum respeito dentro da União Africana. Avizinha-se uma nova situação que irá dinamizar o processo, já que antes estávamo-nos enfrentando através dos órgãos de comunicação, mas agora o confronto é direto. Você são os invasores, são os ocupantes, vocês pilham os nossos recursos, violam os direitos humanos, são expansionistas, é isso que irão ouvir das nossas bocas. Isso irá ocorrer nas cimeiras, nas sessões plenárias especiais, nos fóruns em que a UA está presente. Ambos somos membros da UA e temos os mesmos direitos, mas nós temos a razão e o direito do nosso lado isso dá-nos razão. Não iremos permitir que nos roubem o direito e a razão. Isto implica uma grande responsabilidade nos nossos programas e nas nossas estratégias para enfrentar esta nova dinâmica que foi aberta a 31 de janeiro de 2017.


Fonte: E. I. C. Poemario por un Sahara Libre

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